quinta-feira, 10 de junho de 2010

Em Araçatuba - SP - Benefícios dos grupos de leitura

 LEITORA
A professora Noêmia Kajimoto, de Araçatuba, participa
de um grupo que se reúne uma vezpor mês há um ano.
 Os membros adquirem livros por conta própria,
os lêem e discutem em cada data de encontro

Eles são capazes de proporcionar a cada participante muito mais que o desenvolvimento do gosto pelos livros. Capacidade crítica e autoconhecimento são algumas das benesses que vão além das páginas escritas

Emmanuela Zambon

A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo, já afirmava com sabedoria o poeta inglês Joseph Addison. Concordando com a premissa do ensaísta, muitas pessoas reconhecem o poder dos momentos íntimos com um livro ao confessar que ele pode ser considerado uma janela para o mundo.

De acordo com uma pesquisa recente feita pelo Instituto Prólivro, de São Paulo, criado em 2006 após estudos de representantes do governo e entidades do livro, nas horas vagas aproximadamente 77% dos brasileiros ainda preferem assistir à TV. Seguindo a listagem, ouvir música é a preferência de 53%, descansar de 50%, ouvir rádio de 39% e, por fim, a leitura, que atinge o gosto de 35% dos entrevistados.

Tão importante quanto o hábito de ler, é participar de um grupo de leitura. Mesmo com o cotidiano atarefado, prevalece a necessidade de colocar em prática o que se lê e discutir com outras pessoas as visões abordadas em cada obra e ainda ter conhecimento do que o outro pensa a respeito de vários assuntos.

Apesar de parecer uma atitude só de quem tem tempo para se dedicar a esses encontros, desenvolver atividades em grupos de leitura é uma tarefa que envolve mais do que subsídios culturais e conhecimento. Um indivíduo que participa dessas reuniões com algum tipo de periodicidade pode conquistar desenvoltura pessoal e capacidade de respeitar e discutir a opinião de terceiros.

Um grupo de estudos criado em Araçatuba, que ainda não possui um nome específico, nasceu com o intuito de continuar os estudos realizados por alunos da Unipaz, e acabou assumindo uma proporção bem maior: ajudar no desenvolvimento pessoal de cada integrante. Com uma formação de cerca de dez membros, o grupo se reúne uma vez por mês há um ano, como afirma a professora e freqüentadora das reuniões Noêmia Kajimoto, de 60 anos.

DISCUSSÃO

As obras, que são adquiridas pelos participantes por conta própria, são lidas e discutidas em cada data de encontro. Há uma orientação dos capítulos que devem ser abordados e, depois de um mês, a turma se encontra para debater e escolher um novo título para a próxima data.

Além de abordarem os assuntos propostos em cada texto, os membros também colocam em pauta o que está acontecendo no mundo, fazendo uma ponte entre o tema do livro com a realidade atual em que vivemos. "Nós trazemos para o livro o que está acontecendo no mundo, e o nosso cotidiano também levamos para o livro", conta Noêmia, completando que o que ela discute no grupo consegue aplicar em sua vida.

Para a professora, esse grupo oferece a oportunidade de conhecer a visão das outras pessoas e consequentemente adquirir mais conhecimento. "Nós começamos a ler mais e a conhecer a opinião dos outros membros." Essas pessoas que se reúnem vão crescer não só profissionalmente, mas ganham o mérito de evoluir pessoalmente. "Quem se reúne pode tirar dúvidas, relacionar-se com o próximo e aprender, já que somente a leitura acaba sendo uma prática solitária", explica a psicopedagoga Elizabeth Lopes Manhas Bertolino, de Birigui.

Noêmia também faz parte de um outro grupo, existente há mais de 20 anos na cidade, que possui a finalidade de agregar professores de inglês de várias escolas de idiomas para estudos e reciclagem. Os 13 membros atuais, nas reuniões que acontecem em todas as sextas-feiras, em locais distintos, trocam experiências e ainda organizam materiais didáticos com liberdade. Todos os professores de inglês podem participar. O telefone para informações é (18) 3623-2192.

EVOLUÇÃO

A professora araçatubense Cidinha Baracat, que também faz parte do grupo de Noêmia, reconhece a importância de se relacionar em grupo para discutir temas abordados em livros. Segundo ela, essa experiência serve para o enriquecimento pessoal, já que as pessoas contribuem para o conhecimento do outro.

Cidinha explica que essa forma de atividade a ajuda a se relacionar com a sociedade, ajudando o seu intelecto e emocional. "Dessa forma, conseguimos conservar melhor as histórias que lemos. Participar de um grupo de leitura é melhor do que apenas ler uma obra", enfatiza.

Carolina Madeira, outra integrante, explica que todos podem participar, desde que haja interesse em leitura e tenha disponibilidade. Quem quiser fazer parte dos encontros mensais deve enviar um e-mail para caromadeira@terra.com.br.

Os grupos de leitura são essenciais

A afirmação é do jornalista Galeno Amorim, de São Paulo, um dos maiores incentivadores da literatura. Com 12 livros escritos, e 350 mil exemplares vendidos, responde como diretor do Observatório do Livro e da Literatura. Em entrevista à Folha da Região, ele afirma que as reuniões para discutir livros são importantes para desenvolver o hábito da leitura.

"É imprescindível a participação da sociedade, e os grupos de leitura, assim como diversos projetos de pequeno porte, é que vão fazer a prática da leitura se enraizar por toda parte. Se queremos fazer do Brasil um país de cidadãos leitores, todo mundo tem uma tarefa esperando para ser feita", explica Amorim.

Ainda segundo o jornalista, o Brasil não lê mais por dois motivos básicos. O primeiro é porque muitos brasileiros não possuem habilidade técnica para ler, ou seja, além dos analfabetos absolutos, há os analfabetos funcionais, que não conseguem compreender textos. O segundo motivo é o acesso aos livros. O número de bibliotecas é inferior às necessidades do País, como explica Amorim.

O papel dos pais é um dos suportes para que o filho tenha interesse pela leitura. Mas como incentivar a leitura dos filhos sem impor o hábito? "Se os pais são surpreendidos lendo pelos filhos e os livros naquela casa estiverem por toda parte, a criança cresce achando aquilo tudo muito natural e parte de seu cotidiano. Os pais também podem contar histórias e ler para as crianças", finaliza. De acordo com ele, leem-se no Brasil, em média, 4,7 livros por habitante anualmente. E.Z.

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