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domingo, 7 de julho de 2013

Leitura protege o cérebro e preserva a memória

Leitura protege o cérebro e preserva a memória
Ler, escrever, fazer palavras cruzadas ou desenvolver outro tipo de atividades que envolvam o processamento de nova informação e o raciocínio protege o cérebro e ajuda a preservar a memória e a capacidade intelectual ao longo da vida.
 
A conclusão é de um novo estudo norte-americano, da responsabilidade de investigadores do Rush University Medical Center, em Chicago, que provou que o facto de se ser ativo ao nível da cognição em qualquer fase da vida está diretamente associado a uma melhor performance em testes de memória quando se chega aos 80 anos.
 
Robert Wilson, coordenador do estudo, e os seus colegas, iniciaram a investigação em 1997, pedindo a mais de 1.600 adultos em idade avançada que reportassem o quão regularmente tinham ido à biblioteca, escrito cartas e procurado informações quer quando eram crianças e adolescentes, quer já depois de chegarem à idade adulta.
 
Todos os anos, os participantes foram também convidados a realizar um teste de raciocínio e memória, sendo o progresso acompanhado pelos cientistas. O estudo incluiu ainda 294 indivíduos que morreram com cerca de 89 anos e foram submetidos a uma autópsia ao cérebro para se apurar se tinham existido mudanças ao nível da cognição.
 
Destes 294 indivíduos, que fizeram, em média, seis testes cognitivos durante o estudo, 102 desenvolveram demência e 51 desenvolveram outro tipo de problemas afetando a capacidade intelectual.
 
Os investigadores mediram, numa escala de 1 a 5 (sendo 1 a menor e 5 a maior frequência), com que frequência os participantes estiveram envolvidos em atividades estimulantes para a cognição. Em média, o resultado foi de 3,2 para atividade cognitiva numa fase avançada da vida e 3,1 nas primeiras décadas de existência.

Estimulação intelectual desacelera declínio cognitivo
 
Segundo Wilson, a capacidade cognitiva, o pensamento e a memória degradaram-se 48% mais depressa nos indivíduos que não tinham hábitos regulares que passassem, por exemplo, por ler ou escrever. Entre os mais ativos a nível cerebral, este declínio foi 32% mais lento.
 
Além disso, a capacidade cognitiva deteriorou-se 42% mais rapidamente nos participantes que raramente leram ou escreveram nos primeiros anos de vida e 32% mais devagar quando estas eram atividades que levavam a cabo com regularidade.
 
Robert Wilson explica que o estudo, publicado na passada quarta-feira na revista científica Neurology, não prova que ser ativo mentalmente afaste o declínio cognitivo, mas "aproxima-nos dessa ideia".
 
"Acreditamos que um estilo de vida ativo ao nível da capacidade intelectual é bom para a capacidade cognitiva e para a saúde do cérebro durante o envelhecimento", acrescenta, em declarações à Reuters, sublinhando que atividades como a leitura, a fotografia ou a costura são boas opções.
 
De acordo com o investigador, manter-se ativo intelectualmente não deve, porém, ser um sacrifício, e o tipo de atividade realizada é pouco importante: o importante é que o cérebro não pare.

É, portanto, recomendável que a escolha recaia sobre uma atividade estimulante e desafiante que os indivíduos apreciem e possam continuar a fazer ao longo da vida.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A relação entre leitura e memória

Iván Izquierdo


A memória é fortemente estimulada pelo uso, como tudo o que depende de sinapses (conexões nervosas), e a atividade que mais a estimula é a leitura. Ela requer o emprego simultâneo e em rápida sequência de memórias visuais e de linguagens, estimula paralelamente as memórias visuais (quando pensamos em uma árvore, “vemos” uma árvore), as vias dos sentimentos e emoções: não existem, no ser humano, memórias “não emocionais”; em todos os momentos de nossa vida, estamos sob a influência de alguma emoção, grande ou pequena, e de algum estado de ânimo. Toda memória, quando é criada ou evocada, requer a ativação das vias moduladoras, que dependem das emoções e dos sentimentos. 

Não há nenhuma atividade nervosa que exija tanto em tão pouco tempo do cérebro – e particularmente da memória – como a leitura. De fato, ela inclui memória visual, verbal e de imagens, entre outras. Estudos demonstram que as pessoas que mais leem costumam conservar por mais tempo sua memória sadia. Atores, professores e escritores costumam estar entre as profissões em que mais se lê. Todos os demais
“exercícios para a memória” recomendados pelas revistas e por outros órgãos leigos (palavras cruzadas, movimentos repetitivos, jogos, etc.) são muito inferiores à leitura para realmente exercitar a memória. Vários estudos também indicam que a leitura de música é tão efetiva para preservar a memória como a de palavras.

Para os deficientes visuais, a alternativa mais válida é conseguir que outros leiam para eles. Isso gerou grandes escritores, como Borges e, antes dele, Homero e Milton. Os três foram escritores geniais, mas cegos, que se “alimentavam” do que seus seres queridos liam para eles. Tal situação também ocorreu com grandes músicos, como Ray Charles, Joaquín Rodrigo, Stevie Wonder ou Andrea Boccelli, os quais alimentam nossa alma.

Sem leitura não se desenvolve a memória, e sem memória não é possível aceder ao mundo do conhecimento. Nesse mundo, existem os que cultivam e detêm conhecimentos, produzem ciência e tecnologia, criam, decidem e impõem – às vezes, também invadem e castigam. Esse é o chamado Primeiro Mundo. Os do Terceiro Mundo obedecem, comunicam-se, transportam, divertem-se, até curam ou matam com procedimentos, objetos, remédios ou armas produzidas pelo Primeiro Mundo. Para ser parte do Primeiro Mundo, é preciso, em primeiro lugar, adquirir e gerar conhecimento, o que só se consegue cultivando a memória. Para melhorar a memória, é preciso ler. Tal relação é simples.

Há um aspecto dramático para os que não têm conhecimentos: se tentamos explicar-lhes esse fato, simplesmente não entendem. Resulta-lhes fácil compreender quando faltam alimentos, mas não quando lhes falta saber como e por quê. Pensam que progrediram porque asfaltaram sua rua, não porque houve planejadores, engenheiros e operários especializados em quantidade suficiente para executar essa ação. Não entendem que, para produzir esses profissionais em quantidade suficiente, são necessárias boas escolas e faculdades, bem-equipadas, por meio de um processo que leva longos anos.

Falta esse entendimento à maioria dos brasileiros. O crescimento econômico, sem ser sustentado pelo conhecimento, dura pouco e acaba nas mãos daqueles que o detém. De pouco adianta que este ou os sucessivos governos invistam em ciência se os que deveriam gerá-la e dela usufruir não sabem criar, porque sua memória não é suficientemente estimulada... porque ler “é chato”.