sexta-feira, 18 de julho de 2014

Bibliotecas têm papel essencial para estimular leitura no país

Christine Castilho Fontelles

Especial para o UOL

"Não entendi nada!". Um número expressivo de pessoas, jovens e adultos, vive cotidianamente este tormento de efeito paralisante diante de uma bula de remédio, de um trecho de texto jornalístico, do assunto de uma prova, de uma mensagem qualquer, uma opinião, um poema.

Não nascemos sabendo e nem gostando de ler, por isso é preciso educar para ler desde a primeira infância, ler gêneros diversificados, ler literatura. E, sim, a biblioteca é a casa do leitor e suas portas devem estar escancaradas para ele!

Afinal, pra que serve a biblioteca? A biblioteca pública aberta à comunidade é o lugar por excelência para termos acesso gratuito aos recursos e atendimento  para que possamos fazer nossas consultas, empréstimos, pesquisas e nos tornarmos leitores.

Educar para ler é uma missão que requer esforço, concentração e criatividade, principalmente em uma época com excesso de informações midiáticas e escassez de tempo, como a nossa. Logo, é fundamental que a biblioteca seja viva e se prepare para atrair e reter usuários com estratégias pensadas e sistematicamente ofertadas aos seus vários públicos: bebês, crianças, jovens, adultos.

Se alguém entra para ler jornal, por exemplo, pode ser cuidadosamente envolvido e convencido a testar outras leituras. Bibliotecas bacanas ficam subutilizadas muitas vezes porque falta este tipo de atendimento - conheci uma belíssima biblioteca-parque em Bogotá que passava os dias da semana praticamente vazia de público para tudo.

Como acontecia nas boas locadoras de "antigamente": tinha sempre um funcionário que nos apresentava aquele novo filme com aquele ator e aquele tema do nosso interesse e, dias depois, nos convencia a testar aquele filme com aquele ator que daquela vez fazia outro papel.

E lá íamos nós, saltitando entre comédia, drama, romance, ficção científica, cult, film noir. Testando palpites do cúmplice e aliado desta aventura cinematográfica.

Não nascemos sabendo e nem gostando de ler, por isso é preciso educar para ler desde a primeira infância Christine Fontelles, socióloga e diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, sobre a importância da orientação para a leitura

Divulgação


Minha convicção é de que não há jornada leitora sem o apoio de um leitor, no caso, um bibliotecário leitor. Os humanos precisam uns dos outros para aprender e neste caso não é diferente, mas essencial. E isso está dito em qualquer pesquisa já realizada sobre comportamento leitor.

Deve ficar ao gosto e às possibilidades do leitor se será em suporte impresso ou digital: na Biblioteca de São Paulo (zona Norte da cidade), por exemplo, leitores digitais estão disponíveis para os usuários, mas por enquanto só podem ser usados dentro da própria biblioteca.

Em países da Europa e nos EUA já existem empresas como a Public Library Online, que disponibilizam acervo digital aos usuários de bibliotecas públicas, que podem baixá-los em seus próprios dispositivos eletrônicos.

O que precisamos é ler, ler, ler, como dizia Castro Alves: "Bendito o que semeia livros à mão cheia. E manda o povo pensar! O livro, caindo n'alma. É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar!".

Infraestrutura

Acervo atraente e permanentemente atualizado, conforto térmico, iluminação adequada, atendimento cotidiano, incluindo à noite e em feriados são outros fatores determinantes para o seu bom desempenho.
A capacidade das bibliotecas de promover a leitura depende diretamente do uso que se faz delas. E o uso será cada vez mais intenso quanto melhor for a qualidade dos serviços prestados. E daí derivarão outros impactos.

A criação de uma rede de conectividade (internet banda larga) entre as bibliotecas é mais uma forma de promoção do intercâmbio de experiência e renovação do conhecimento. Sobretudo em um país como o nosso, com as proporções territoriais e diversidades, de modo a romper a defasagem que o isolamento geográfico inevitavelmente gera.

Até 2020 todas as escolas do país, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca Christine Fontelles, socióloga e diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, sobre a lei 12244/10
E, sim, bibliotecas em escola, comprometidas com seu projeto pedagógico e preferencialmente abertas à comunidade, pois há rincões neste país, mesmo em centros urbanos como São Paulo ou Rio de Janeiro, onde a escola é a única possibilidade de contato com a educação e a cultura.

Além do que, é uma estratégia importante para aproximar as famílias na construção de cultura leitora, que é tarefa pra toda uma vida, e deve começar em casa já na primeira infância, quando as crianças ainda não sabem falar.

O professor leitor, auxiliado por uma bela biblioteca na escola, pode muito. Agora é lei, número 12.244/10: até 2020 todas as escolas do país, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca.

É preciso reconhecer que a biblioteca é um espaço organizado para a convivência cotidiana com a leiturae que não existe um usuário ou leitor típico, e sim uma multiplicidade de usuários e leitores agindo em nome de necessidades, valores, hábitos e expectativas variáveis.

E a boa biblioteca é aquela que atende e surpreende seu público com ofertas de leituras igualmente variáveis e reveladoras, que coloca à sua disposição todos os recursos para permitir o desenvolvimento de uma leitura de mundo apurada, sensível, inovadora, que contribua para que aprenda a aprender como atuar, ser sujeito, cidadão e solidário num mundo em permanente transformação.

Fonte:  UOL Notícias

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Promover o prazer da leitura e escrita na criança com Síndrome de Down: dissertação de mestrado




Eis uma dissertação de mestrado de 2008, de autoria de Isabel Rocha, intitulada "Promover o prazer da leitura e escrita na criança com Síndrome de Down":

“O professor está sujeito a lidar com crianças com as demais problemáticas e o Síndrome de Down não é exceção, mas uma realidade, perante a qual muitos educadores/professores não sabem como ativar. Deste modo, consideramos pertinente a elaboração de um estudo que prove que estas crianças aprendem a ler e a escrever com prazer, são capazes de adquirir as competências estabelecidas nas escolas. No entanto, para alcançar este fim, é fundamental proporcionar um processo de ensino/aprendizagem otimizado, que visa a adaptação e o desenvolvimento de diversos métodos e estratégias de ensino. E foi com base nesta realidade que realizámos um estudo de caso, onde trabalhámos com uma criança com Trissomia 21, com 10 anos de idade, que apresentava dificuldades de aprendizagem e uma grande aversão pela leitura e pela escrita. Depois de lhe termos proporcionado atividades interessantes, dinâmicas e muito atrativas, onde o aluno manuseou diferentes materiais, concluímos que esta criança apenas necessita de alguém que a motive, desperte a sua atenção, pois hoje o "João" adora ler e fá-lo com agrado e eficiência”. 

Consulte AQUI a tese na íntegra.

Fonte: O Lobo Leitor

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gibis podem ser aliados das crianças na construção da leitura


Por Ana Cássia Maturano




A personagem mais popular das histórias em quadrinhos, em nosso país, vai completar 50 anos. Várias gerações a acompanharam e presenciaram suas mudanças: sua aparência é outra, transformou-se em uma bela mulher e se casou. Com aquele garoto dos cabelos espetados, que passou a infância tentando roubar seu coelho azul.

Com certeza eles dispensam apresentações. Mônica, Cebolinha, Sansão e toda a turminha são conhecidos da maioria das pessoas. Até dos sexagenários, que na época de seu lançamento já tinham seus 10 anos. Fãs não faltam.

Assim como as críticas. Para muitos a Mônica não passa de uma feminista, outros torcem o nariz para os produtos associados aos personagens. Sem contar os que não conseguem enxergar nada em suas histórias que possa contribuir para a formação dos pequenos.

Assim como qualquer tipo de literatura, os quadrinhos passam uma visão de mundo e valores. Não é diferente com os dessa turma. No entanto, eles também trazem conflitos humanos e personagens com as mais diferentes características. O livro “Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis”, de Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso (Artmed, 2005), aponta algumas características nem sempre vistas, como a questão infantil da inserção no grupo e saída da família, ou mesmo a fobia encontrada no personagem Cascão, que morre de medo da água.

Outras críticas recebidas pelas HQs se referem ao seu valor literário. Geralmente são consideradas de baixa qualidade, sendo desnecessário as crianças lerem, pois não seria nada mais que um passatempo. No entanto, seu formato alia texto e imagem, como os livros ilustrados, facilitando o trabalho do leitor principiante, assim como sua linguagem mais ágil. Algumas histórias sem texto estimulam o desenvolvimento da linguagem quando a criança é solicitada a contá-la com suas palavras. Elas podem ser uma ferramenta importante no processo de construção da leitura pelos pequenos.

Isso deveria ser mais explorado pelas escolas, sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental. Muitas vezes, os alunos são obrigados a trabalhar com textos desinteressantes para a idade, como os jornalísticos (as escolas adoram pedir-lhes que leiam notícias de jornal já no primeiro ano).

Nessa época, mais que refinar o interesse e a experiência, é necessário cultivar o gosto pela leitura. Os gibis costumam fazer isso. Conheço adultos que leem muito, inclusive livros considerados cultos, e que começaram lendo esse tipo de publicação. Inclusive, já existem versões dos gibis da Turma da Mônica em inglês e espanhol, algo que poderia ser aproveitado por essa disciplinas na escola.

Parabéns à Mônica pelos 50 anos e a toda a turminha. Obrigada pelas histórias e aventuras. A torcida é para que continuem alegrando as crianças por muitos e muitos anos.

Fonte: G1