quinta-feira, 28 de junho de 2018

Qual a importância da leitura literária na infância?


A professora Cristiane Tavares, coordenadora do curso de pós-graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", comenta o valor da literatura na formação crítica das crianças

 
(Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

A leitura literária é importante na infância por vários motivos, mas vou citar quatro razões que considero essenciais. Pensando especificamente na primeira infância, podemos dizer que a leitura literária – aqui entendida de modo amplo, incluindo textos produzidos oralmente, como canções, cantigas de ninar, parlendas, trava-línguas – é uma das primeiras experiências de comunicação poética que a criança tem, o que pode proporcionar sensações de bem-estar e fortalecimento da subjetividade importantes para o desenvolvimento emocional, por exemplo, além de desafios cognitivos lúdicos, considerando-se que a comunicação poética convida a um instigante jogo com o sentido das palavras e com os sentidos da percepção.

O ritmo do texto poético falado ou cantado, a sonoridade das palavras, a constância de um determinado timbre de voz e suas entonações comunicam sentimentos específicos e ampliam a capacidade de percepção e interação da criança, inclusive em se tratando de bebês. É por isso que, mesmo em contextos em que o livro como objeto está ausente, mas a palavra literária é de alguma forma criada e compartilhada oralmente, podemos dizer que há leitura literária porque há uma interação marcada pela intenção de se comunicar de forma singular com a criança, tendo a palavra poética como principal recurso. Além disso, avançando um pouco mais, a leitura literária na infância é necessária para garantir o acesso da criança à cultura escrita, sobretudo, o acesso à cultura escrita em sua expressão artística. 

A leitura literária pode ser, por exemplo, um dos primeiros contatos da criança com uma obra de arte, se considerarmos a literatura como linguagem artística. Essa imersão na cultura escrita adquire ainda mais valor, pensando-se no que ela pode proporcionar socialmente. Integrar uma comunidade de leitores, desde cedo, mesmo antes de saber ler convencionalmente, pode ser uma experiência coletiva extremamente formativa: ouvir a leitura de um adulto, falar sobre os livros, discutir preferências e pontos de vista, buscar sentidos implícitos, construir e validar interpretações de forma partilhada são experiências que a leitura literária pode proporcionar.

O direito à fabulação, como nos ensinou o mestre Antonio Candido, é mais um aspecto que torna a leitura literária tão necessária, desde a infância. Fabular ou buscar modos simbólicos de compreender e recriar a realidade é condição para o desenvolvimento humano porque permite encontrar formas cada vez mais elaboradas de compreensão de si, do outro e do meio social em que se vive. A leitura dos chamados contos maravilhosos e das narrativas míticas, que tanto atraem as crianças, são meios potentes de exercitar a fabulação. Por fim, uma quarta razão que torna a leitura literária na infância necessária é a experiência de alteridade que ela proporciona (tão em falta no tempo que vivemos!), ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de estabelecer uma relação de empatia e respeito com outras experiências humanas, em distintos contextos culturais. Como diz a espanhola Teresa Colomer, especialista em literatura infantojuvenil, a literatura nos permite “ser outro, sem deixar de ser a gente mesmo”.

Cristiane Fernandes Tavares é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2005) e graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, atualmente coordena o curso de Pós-Graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", no Instituto Vera Cruz - SP.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Como incentivar a leitura através da gamificação

Ao introduzir a estrutura de um game na leitura de um texto, é possível sedimentar conteúdo, além de gerar engajamento
Por: Débora Garofalo, Gislaine Batista Munhoz

 Gamificação pode servir para várias disciplinas e incentiva alunos a serem criativos e protagonistas    Ilustração: Getty Images

Você já ouviu falar em Gamificação? Esse termo é originado da palavra inglesa Gamification, que mescla o design de games com a ideia de trabalhar princípios utilizados nos jogos para criar engajamento em diversos contextos – entre eles, a leitura.

As estratégias de gamificação permitem que crianças e adolescentes atuem como protagonistas e também autores. Essa metodologia ativa ajuda a promover o protagonismo e engajamento. Considerando que o objetivo seja promover a leitura, você pode começar com narrativas curtas, que explorem uma fábula. Após promover a leitura do texto, explique aos alunos que há elementos da história espalhados pela escola – e que a missão deles é encontrar as pistas que levarão ao objetivo final.

Ao participar de uma ação gamificada, que faz uso de QRCodes, por exemplo, os alunos terão de decifrar pistas e missões escondidas nesses códigos. De forma lúdica, os estudantes são incentivados não somente a ler, mas encontrar sentido no que leem – inserindo essa leitura num contexto maior que é o enredo da própria gamificação.

Esse é apenas um exemplo: poderia ser outra disciplina, outra ideia e nem utilizar QRCodes. O importante é apresentar uma atividade em que os alunos possam explorar os espaços da escola, em busca de pistas a serem decifradas. As pistas podem ser colocadas em cartas, caixas de papelão ou até mesmo objetos. O formato pode ser de uma caça ao tesouro ou de pequenas missões, que exigiriam primeiro uma pesquisa na internet ou livros da escola. Percebeu como funciona? O tempo todo os alunos são instigados a trocar ideias com os colegas, rever o objetivo do jogo, ver se a pista encontrada faz sentido. 

Assim como ler não é somente decodificar, participar de uma atividade que faz uso de gamificação não é apenas desvendar pistas: é preciso contextualizar o que está sendo proposto, entender o todo. A vantagem é que na gamificação isso é feito de forma lúdica, divertida, promovendo imersão, protagonismo e autoria. Quem não se sente motivado a descobrir a solução para um mistério? A gamificação incentivará alunos a vivenciar essa lógica da experimentação e descoberta, que podem ter como suporte narrativas, textos curtos ou longos, dependendo da proposta e da intenção do processo. 

Confira a seguir algumas dicas para gamificar em sala de aula:

Referências: É importante que o professor traga referências de jogos, desenhos animados, filmes e histórias para ampliar a imaginação e criatividade dos estudantes.

QRCode: É um código de barras bidimensional que pode ser facilmente escaneado, a partir de programas gratuitos adquiridos nas lojas de aplicativos para celulares e/ou tablets. Esse código é convertido em texto (interativo). Você pode esconder pistas e propor aos alunos que usem seus celulares para descobrir o significado oculto em cada QRCode. Imagine, por exemplo, que você esteja trabalhando algum ponto da história do Brasil. Mostre aos alunos uma imagem desse período e aponte em qual ponto da imagem estará o QRCode para desvendar uma pista que compreenda o entendimento do tema. O mesmo pode ser feitoo para trabalhar o enredo de uma história, utilizando a própria ilustração da obra. 

Objetivos: É importante determinar qual o objetivo para a aplicação do jogo, definindo uma lista com as habilidades e competências que se pretende alcançar com o processo. No caso de uma narrativa de leitura, explore repertório, conhecimento sobre o assunto, inferências e os aspectos que não estão implícitos, mas que fazem toda a diferença para compreensão de um enredo. 

Tema: Junto aos estudantes escolha um tema, ideia, desafio ou narrativa de leitura, que será utilizada até o final do processo de aprendizagem, amarrando bem todas as etapas.

Jogo: Realize um roteiro com a estrutura do jogo, desde o seu início, até as atividades práticas. Por exemplo: se você escolheu uma fábula para trabalhar com os estudantes, repasse as informações necessárias e deixe que cada equipe produza um tabuleiro com um formato de trilha. Ao cair em determinada casa, o jogador deverá responder perguntas sobre a fábula ou resolver alguma questão sobre o assunto. 

Materiais: Explore os mais diferentes tipos de materiais, que vão de cartolina, papelão, canetinha, massinha de modelar, material de sucata e o que mais vier. O importante é vivenciar uma aprendizagem criativa.

Aprendizagem: Converse com os estudantes sobre as atividades de aprendizagem, realizando conexões com a narrativa ou currículo estudado. Você deve determinar o que é necessário ser lembrado e tratar das questões que vão facilitar a compreensão do grupo.

Grupo: Trabalhar com a gamificação é estimular a cooperação entre os alunos, trabalhando questões como igualdade, ética e resolução de problemas.

Espaços: Você e seus alunos podem ocupar espaços variados da escola. Dessa forma, você criará um vínculo de pertencimento, além de oferecer liberdade no processo de construção da aprendizagem.
Gamificação na Educação: Esse e-book aborda vários aspectos da gamificação na educação. A organização é de Luciane Maria Fadel, Vania Ribas Ulbricht, Claudia Batista e Tarcísio Vanzin.


Objetivo da aula: Defina o objetivo da aula e o que pretende alcançar com a gamificação. Por exemplo: você pode unificar as áreas do conhecimento com uma caça ao tesouro, desenvolvendo o senso de colaboração entre os alunos. Com os estudantes divididos em grupos, eles vão pensar de forma colaborativa e desenvolver habilidades e competência crítica, cognitiva, integrando as áreas do conhecimento.

Acolhimento: Diga aos alunos para formarem grupos e explique como serão as missões que eles terão de cumprir, se serão pistas ou se você dará dicas. As pistas poderão estar expostas ou ocultas dentro de caixas. Procure utilizar recursos tecnológicos, como QR Code, celular e ou papel. A cada pista desvendada poderá ser dado um parte do avatar/personagem para montar. Ganhará a gamificação o grupo que conseguir resolver as questões e montar o seu avatar.

Avatar/Personagem: Crie personagens ou avatares com os alunos. Você pode sugerir personagens da obra ou tangram.

Roteiro: Estabeleça o roteiro a ser cumprido, juntamente com a as missões a serem desvendadas pelos estudantes. A ideia é despertar a curiosidade, aguçando e correlacionando o objeto de ensino a ser estudado. 

Depois de experimentar uma experiência de gamificação, os alunos normalmente ficam mais curiosos e se sentem motivados a criar suas próprias atividades. Para quem assiste de fora, esses enredos poderão parecer estranhos por não contarem com um repertório que conhecemos (histórias fantásticas de filmes, desenhos, animações, jogos). O importante é não perder de vista esse primeiro insight criativo. Deixe que a garotada escreva, faça “tempestades de ideias” na lousa, esquemas em papeis. Incentive os alunos a criar de maneira colaborativa. Para aqueles que ainda não dominam com desenvoltura a escrita incentive o uso de desenhos para expressar ideias. Vale até registro em áudio – e você pode pedir que eles escolham alguém do grupo para fazer esse registro. À medida que o texto vai sendo escrito, você poderá ajudá-los a perceber se o projeto faz sentido. Ensine a turma a revisar e dê dicas para que eles possam vivenciar estratégias diferentes de gamificação. Com isso, as pistas ganharão mais complexidade e os alunos aumentarão seu repertório e vivência. 

Convidamos você, querido professor, a vivenciar a gamificação em sala de aula, com ideias simples que fazem a diferença no processo de aprendizagem. Compartilhe aqui nos comentários suas experiências, contribuindo para o trabalho de outros professores.

Um grande abraço,

Gislaine Batista Munhoz é professora e Coordenadora Pedagógica da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Mestre em Educação FEUSP e uma das vencedoras do Desafio da Aprendizagem Criativa do MIT 2018, com o projeto Escola de Aventureiros.
Débora Garofalo é professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola. 

Fonte: Nova Escola

terça-feira, 10 de abril de 2018

5 dicas para incentivar a leitura nas empresas


A qualificação constante dos funcionários é o desejo de praticamente todos os gestores e diretores de empresas, independente do ramo de atuação em que a organização trabalha. E, para conquistar isso, incentivar a leitura é muito importante.

Muitas pessoas têm preguiça de ler ou consideram a atividade algo chato. Isso pode ser facilmente revertido se houver incentivo. Afinal, uma vez que se toma gosto pela leitura, dificilmente a pessoa irá abandonar o hábito e a qualificação será constante.

Quer saber como incentivar a leitura entre os colaboradores da sua empresa? Então confira nossas dicas!

 

Organize palestras com autores

Você pode convidar um autor da sua região, que esteja lançando um livro novo ou então que seja conhecido e renomado pela sua atuação, para dar uma palestra ou workshop para os colaboradores da empresa.

Nessa palestra, o autor poderá falar tanto das suas obras quanto dos benefícios da leitura de um modo geral. Isso fará com que as pessoas se interessem pelas histórias dos livros, adquirindo hábitos de um bom leitor.

 

Faça sorteios de equipamentos de leitura digital

A tecnologia pode ser uma aliada para incentivar a leitura. Isso porque você poderá adquirir uma determinada quantidade de equipamentos de leitura digital, como e-readers e até mesmo tablets para sorteio entre os colaboradores.

E para que a estratégia funcione ainda melhor, você pode sortear os equipamentos durante um evento literário, para aqueles colaboradores que participarem de um debate sobre uma determinada obra, por exemplo.

 

Promova um amigo secreto de livros

Em épocas como o Natal, aniversário da empresa ou outras datas comemorativas, é comum que as organizações promovam a tradicional brincadeira do amigo secreto entre os colaboradores.

Uma ideia interessante é substituir os presentes tradicionais desse tipo de atividade por livros. Assim, cada colaborador terá que pensar em um estilo literário que mais vá agradar o colega que tirou, promovendo, além da leitura, uma divertida forma de integração.

 

Não limite as leituras a obras técnicas

Um erro comum cometido por quem deseja implantar a leitura nas empresas é achar que os funcionários devem ler apenas livros de sua área de atuação. Isso não pode ser feito, pois a leitura também deve ser vista como uma forma de entretenimento, tendo o aprendizado como consequência.
Romances, suspenses, biografias, entre diversos outros gêneros literários, devem ter espaço na empresa.

 

Implante uma biblioteca digital

Investir em livros na forma física pode sair bastante caro para uma empresa, mas isso não é impedimento para que a organização possua sua própria biblioteca. Você pode implantar uma biblioteca digital, pagando uma mensalidade acessível e tendo acesso a um acervo com muitas obras literárias de gêneros variados para todos os gostos e estilos.

Essas bibliotecas funcionam em forma de streaming, de forma similar ao Netflix e o Spotify, de modo que os colaboradores poderão ler as obras em seus horários de intervalo, estando conectados a dispositivos móveis como smartphones, tablets e e-readers.

E então, o que você achou das nossas ideias para incentivar a leitura na sua empresa? Muito legal, não é mesmo? Agora chegou a hora de colocar tudo em prática e fazer da sua equipe uma legião de leitores.

Que tal compartilhar este post nas suas redes sociais para que mais gestores de empresas possam incentivar a leitura de seus colaboradores? Afinal, conhecimento deve ser compartilhado!

Formação de leitores na escola





Mais um ano letivo se inicia e, como sempre, novos e antigos desafios para todos os envolvidos no espaço escolar. Nos últimos anos, parece cada vez mais comum entre educadores, principalmente do Ensino Fundamental, a preocupação com a formação de leitores ou, pelo menos, com a exigência da leitura na escola. Os documentos que regulamentam a educação brasileira recorrentemente chamam atenção para a necessidade de trabalhar a leitura a partir da diversidade dos gêneros textuais e de textos literários de qualidade. No entanto, ainda é uma missão sofrida fazer com que a oferta cada vez maior de livros literários, as diversas práticas de leitura organizadas em sala de aula, as visitas à biblioteca e tantos projetos de leitura encabeçados por professoras e professores apaixonados resultem em efetiva melhoria da compreensão leitora e da produção textual dos alunos. 
Muitas das dificuldades encontradas nesse processo se dão principalmente porque a própria formação de leitura entre os profissionais é tão rasa quanto o é para a maior parte dos brasileiros. Assim, professores e outros profissionais da área acabam sendo atraídos para ciladas como acreditar que oferecer uma grande quantidade de livros está acima da qualidade literária das obras em si, que há um tamanho específico de texto adequado para leitores iniciantes, que a literatura tem uma missão pedagógica e deve ensinar determinadas lições, que a simples exposição aos livros é suficiente para que os alunos tenham a dimensão da importância deles, entre outros. 
Para abordar essa questão e contribuir para a o trabalho dos professores em suas tarefas de mediação de leitura, indicamos dois livros disponíveis na plataforma da Árvore de Livros que se voltam para o problema da leitura na escola, da mediação e da escolha dos textos literários indicados para a infância.

 

A literatura infantil na escola

Regina Zilberman
Ed. Global
Uma das maiores pesquisadoras sobre literatura do país, Regina Zilberman neste livro se debruça sobre o problema da literatura infantil, geralmente pouco considerado pela Teoria Literária, discorre sobre a sua relação com o próprio conceito de infância, sobre como ela se desenvolveu, sua exploração em sala de aula e os muitos equívocos cometidos por quem se aventura na área.

 

Leitura na sala de aula

Sánchez Miguel, Emilio, García Pérez, José Ricardo, Pardo, Javier Rosales
Ed. Penso

Mais didático, “Leitura na sala de aula” reflete sobre a grande quantidade de recursos educativos disponíveis para a promoção da leitura e a paradoxal escassa utilização desses recursos pelos docentes. Ao fim, os autores apresentam propostas para introduzir mudanças sustentáveis em sala de aula.

Os livros sugeridos podem contribuir para inflamar as discussões em torno do tema, mas nenhum deles apresenta verdades irrefutáveis ou oferece uma chave fácil para a solução de quaisquer impasses. No entanto, é importante perceber que não há mediação e formação de leitores sem muita leitura tanto de textos literários de qualidade quanto da teoria que envolve essa prática; como qualquer atividade da profissão de educador, demanda tempo, dedicação, tentativas e ajustes. Mais que tudo, como é possível aprender pelos textos indicados, é preciso respeitar as preferências e habilidades dos estudantes, colocando-os como os sujeitos do processo que são.

Fonte: Árvore de Livros

Incentivo à leitura: como estimular os alunos a lerem mais?


Volta e meia surgem novas pesquisas apontando que os brasileiros leem muito pouco e, muitas vezes, isso está relacionado à falta de domínio da língua escrita. Isso evidencia o grande desafio de formar leitores e a importância de se pensar no incentivo à leitura desde o início da escolarização.
Para o post de hoje, trouxemos 5 dicas fundamentais para os alunos abraçarem a literatura.

1. Dê vida à biblioteca

A biblioteca da escola não deve ser encarada pela comunidade apenas como um depósito de livros empoeirados. Ela é o símbolo do quão valorizada é a leitura na escola e deve ser tão atraente para os alunos quanto se quer que a literatura seja.
É preciso que seja um espaço de paz, que permita a introspecção da leitura de forma confortável. Para tanto, garanta que ela esteja sempre bem iluminada, imune ao alvoroço do recreio e que propicie aos alunos uma mobília aconchegante — até mesmo com pufes, se possível.
Os alunos também devem ter total abertura para visitar a biblioteca sempre que quiserem e passear pelas estantes, experimentar os livros lá mesmo ou alugá-los. Para isso, os horários, o espaço e os profissionais da biblioteca devem ser acolhedores.
O silêncio também pode ser quebrado de vez em quando por atividades como as propostas nas dicas 2 e 3.

2. Conte histórias

Essa é uma ótima dica para os alunos dos primeiros ciclos, pois os mais novos costumam estar mais abertos a atividades lúdicas na escola.
Descubra se há algum professor que goste de contar histórias e planeje com ele um evento na biblioteca em torno disso. Você pode, por exemplo, criar a Semana do Conto de Fadas, na qual todos os dias, durante o recreio, os alunos poderão ouvir uma história diferente.
Ao verem o contador se apresentando com um livro em mãos, lendo alguns trechos e dizendo outros de memória, os alunos se sentirão convidados a conhecer outras histórias em outros livros e, quem sabe, desenvolver um hábitoa partir disso.

3. Crie um clube de leitura

O valor que damos a muitas coisas tem origem no valor que vimos alguém dar a essas mesmas coisas antes de nós. Dessa forma, se por um lado precisamos do nosso próprio tempo e espaço para ler, a leitura de textos literários deve, em outros momentos, ser encarada como uma atividade social.
Um clube de leitura abre espaço para que esses momentos sejam compartilhados. Os alunos dividirão, de primeiro, metas de leitura e posteriormente suas apreciações sobre o livro. Assim haverá incentivo na progressão da leitura e expansão do mundo que conheceram sozinhos por meio do olhar dos seus colegas.

4. Crie o Prêmio de Incentivo à Leitura

Outra forma de atribuir valor à leitura é premiando — com livros, é claro — os leitores mais vorazes ou os frequentadores mais assíduos da biblioteca numa espécie de desafio de leitura.
Essa é uma técnica que não vai atingir aqueles que ainda não gostam de ler, mas com certeza vai causar alvoroço nos que já foram “mordidos” pelo bicho do livro. Esses vão querer ser os próximos vencedores.

5. Não deixe as novas mídias de lado

Há quem diga que os jovens de hoje não são mais atraídos pela literatura porque os seriados e filmes dão conta da ficção de forma mais dinâmica. 
Lembre-se que você já viu por aí diversas mídias coexistindo. O rádio não morreu com a chegada da televisão — nem o jornal impresso. Ele sobreviveu até mesmo à internet e foi por ela incorporado! Bons exemplos disso são os podcasts.
Os livros também estão sendo constantemente incorporados à linguagem do cinema, por exemplo. Então por que não usar filmes para chamar atenção à leitura? Já dizia o ditado: “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
Proponha a exibição de adaptações de livros — ou de filmes que falam sobre a importância da leitura — na sua escola e você verá alguns alunos indo atrás das origens dos filmes e redescobrindo as histórias em casa.
Gostou das nossas dicas de incentivo à leitura? Já testou alguma delas na sua escola ou encontrou bons resultados com outras ações? Conte para a gente nos comentários!