sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hábito da leitura deve vir da infância


31ª edição da Feira do Livro de Brasília
Pesquisa mostra que mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura  (Valter Campanato / ABr)
 
A leitura, além de ser um dos maiores prazeres da vida, ajuda a abrir um mundo de oportunidades. Quem lê sabe mais, aprende melhor, tira boas notas na escola e, depois de adulto, consegue bons empregos. Mas, infelizmente, poucos brasileiros têm o hábito da leitura.
 
O “leitor ativo” é a pessoa que lê pelo menos quatro livros por ano. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 2001 havia no País apenas 26 milhões de leitores ativos. Isso é muito pouco para um país como o nosso, de cerca de 170 milhões de habitantes. E segundo o Ministério da Educação, a grande maioria dos livros produzidos por ano no Brasil é de livros didáticos.

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, de 2001, aponta que somente um terço da população adulta alfabetizada aprecia a leitura de livros. E existe grande diferença de região para região do País: mais da metade dos compradores de livros (58%) concentram-se nos estados do Sul e do Sudeste. Outra coisa a considerar é que, de cada 10 não-leitores, 7 são de classes com baixo poder aquisitivo.

Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que mais de um terço da população (34%) nunca foi a uma biblioteca. Nas classes D e E, esse percentual é de 49%.

Quantos livros cada pessoa lê por ano?

- 7 na França
- 5,1 nos Estados Unidos
- 5 na Itália
- 4,9 na Inglaterra
- 1,8 no Brasil

No Brasil apenas 16% da população detêm 73% dos livros. De 1995 a 2003, a venda de livros caiu 50%, e o número de títulos lançados, 13%.
Da população adulta alfabetizada do país:
- um terço aprecia a leitura de livros
- 61% têm muito pouco ou nenhum contato com livro
- 47% possuem no máximo dez livros em casa

Mudança

E o que fazer para mudar essa situação? A família e a escola podem ajudar muito. "Quem nasceu em uma família de leitores, independentemente do poder aquisitivo dessa família, tem muitas chances de se tornar um grande apreciador dos livros", acredita o presidente do Instituto Brasil Leitor (IBL), William Nacked.

Um dado do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) parece sustentar essa opinião: a mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura. Professores são citados por 36%, e o pai, por 24% dos entrevistados.

Você, desde cedo, precisa lutar pelos seus direitos, e um deles é o de ler e estudar sempre. Peça aos seus pais e professores para lhe darem acesso a bons livros. Nem sempre é preciso gastar dinheiro com isso: você pode usar as bibliotecas públicas da sua cidade e da sua escola, ou trocar livros com os amigos.
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
Fonte: EBC

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pesquisa expõe problemas na formação de leitores

Por Elton Alisson*

Agência FAPESP – O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) possibilitou que as instituições de educação infantil públicas no país passassem a contar, nos últimos 17 anos, com um acervo de livros com quantidade e qualidade suficientes para a realização de atividades voltadas a contribuir para a formação de leitores.

As coleções de livros do programa, instituído pelo Ministério da Educação (MEC) em 1997, não contemplam, no entanto, as especificidades pedagógicas da primeira infância – de 0 a 3 anos. E os docentes e responsáveis pelas bibliotecas de creches e berçários públicos não estão preparados para desenvolver atividades de formação de leitores com as crianças nessa faixa etária.

As conclusões são da pesquisa “Literatura e primeira infância: dois municípios em cena e o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) na formação de crianças leitoras”, realizada no Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, e no Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente, com apoio da FAPESP, no âmbito de um acordo de cooperação com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV).

Alguns resultados do estudo foram apresentados no dia 13 de março durante o I Seminário de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil, realizado na FAPESP.

“Constatamos que a quantidade e a qualidade das coleções de livros do PNBE são muito boas, mas estão mais voltadas para crianças maiores, a partir de 3 anos”, disse Cyntia Graziella Guizelim Simões Girotto, professora do curso de Pedagogia da Unesp de Marília e coordenadora do projeto, durante sua palestra no evento.

“Também há um despreparo dos professores e cuidadores e de toda a equipe das escolas para trabalhar com essas crianças pequenas não só em atividades relacionadas à formação de leitor, mas também para compreender as potencialidades das crianças”, afirmou Girotto.

Durante o projeto, os pesquisadores analisaram o acervo de obras literárias do PNBE voltados à educação infantil. Uma das principais constatações foi a de que as coleções, compostas por mais de 150 obras, não contemplam as especificidades das crianças abaixo de 3 anos em termos de projeto gráfico, editorial, estético e literário.

“Não defendemos que seja preciso estabelecer regras para a literatura infantil, mas há especificidades que não podem ser desconsideradas nos livros voltados à primeira infância”, afirmou.

“As crianças nessa fase de desenvolvimento não leem do mesmo modo que uma criança em fase de alfabetização, tampouco como um leitor maduro. Mas já ensaiam, pelo contato direto com o livro, o que denominamos de ‘ações embrionárias do ato de ler’, atribuindo sentidos às ações iniciais dos modos de ler”, disse Girotto à Agência FAPESP.

Práticas de leitura

Os pesquisadores também fizeram um mapeamento de como as crianças com até 3 anos têm acesso a livros nas instituições públicas de educação infantil com base em entrevistas com 520 professores, 60 coordenadores pedagógicos e 55 profissionais responsáveis pela biblioteca de 71 creches e berçários dos municípios de Marília e Presidente Prudente, no oeste paulista.

Foi constatado que cerca de 80% desse universo de instituições ainda não utiliza o acervo recebido do PNBE. Em algumas instituições, as coleções ficam em estantes da biblioteca, armários ou em caixas perdidas na instituição ou dividem espaço com produtos e materiais de limpeza.

“O pressuposto de que só a quantidade e a qualidade das obras são condições suficientes para o desenvolvimento de atividades de formação de leitores na educação infantil não é verdadeiro”, avaliou Girotto.

De acordo com a pesquisadora, uma das razões da subutilização dos livros da coleção do PNBE nas instituições avaliadas é o despreparo da equipe de docentes e responsáveis pelas bibliotecas para colocar em prática atividades voltadas à formação de leitor na primeira infância.

Apesar disso, professores, coordenadores pedagógicos e profissionais responsáveis pelas bibliotecas das instituições participantes do estudo destacaram, durante as entrevistas realizadas pelos pesquisadores, que consideram importante o processo de ofertar e estimular o contato das crianças com o livro. “Mas muitos acreditam que só contar histórias ou ler em voz alta para as crianças é o suficiente”, disse Girotto.

Segundo a pesquisadora, o mediador de leitura pode – e deve – ler e contar histórias para as crianças. Mas também é preciso que a criança seja colocada em contato direto com o livro para tateá-lo, explorá-lo e imitar os adultos e, dessa forma, iniciar sua formação como leitor.

Educação literária

A pesquisa deverá resultar em dois livros com previsão de lançamento no 18º Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, que ocorrerá entre 11 e 14 de novembro em Fortaleza, no Ceará.

O primeiro livro, com o título provisório “Literatura e Primeira Infância I: da contação de histórias e da proferição”, discute a criança como ouvinte e a função do mediador.

No segundo livro, também com o título provisório “Literatura e educação infantil: tateios, experimentação e sentidos dos livros para/com os pequenos”, os pesquisadores pretendem discutir abordagens específicas do desenvolvimento infantil e as peculiaridades dos livros voltados à primeira infância, que devem valorizar a experimentação e ação direta da criança, ressaltou Girotto.

“Todo o trabalho de formação de leitor na primeira infância pode ficar a desejar se não existirem livros adequados e não for feita uma adequada mediação e apresentação das publicações para as crianças”, estimou a pesquisadora.

“As crianças precisam reconhecer e usar os livros tal como o adulto ou um leitor autônomo fazem, buscando compreender as informações em textos verbais ou imagéticos”, indicou.

Por meio do projeto, os pesquisadores pretendem estabelecer um programa de atividades de leitura com crianças com até 3 anos utilizando o acervo do PNBE e desenvolver uma proposta de formação de docentes.

Além disso, querem continuar os trabalhos nas instituições dos dois municípios com avaliações sobre o acesso aos livros, práticas de leitura literária nas unidades que utilizam o acervo do PNBE, sobre mediação dos professores e sobre os livros selecionados por eles.

“As instituições de ensino infantil têm a responsabilidade de propiciar às crianças o contato com obras literárias da melhor qualidade, respeitando suas especificidades de desenvolvimento e sem subestimar sua capacidade intelectual”, avaliou.

“Isso não significa antecipar a alfabetização, mas estabelecer diretrizes para a educação literária, desde a primeiríssima infância, sem apequenar os potenciais da criança”, afirmou.

O objetivo do seminário na FAPESP foi divulgar os resultados de dez projetos de pesquisa selecionados na primeira Chamada de Propostas do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica firmado entre as duas instituições em 2010 nas áreas de Saúde, Educação, Economia, Pedagogia, Psicologia e Assistência Social.
Também participaram do seminário os coordenadores dos 16 novos projetos aprovados na segunda seleção de propostas, concluída em 2013.

*Com Fernando Cunha.

Fonte:  Agência Fapesp

domingo, 16 de março de 2014

O que os pais podem fazer para criar o hábito da leitura em seus filhos

Por Rocio Brescia / obrigaram leitura, livrarias visitam e compartilhar leituras são algumas das dicas quanto possível para prestar atenção


Gráfico: Chachi Verona

Hoje mais do que nunca, a leitura corre o risco de ser visto pelas crianças como uma imposição sobre os pais e professores.

 A criança pode crescer sem o hábito de dedicar parte do seu tempo para mergulhar nas letras e lidar com as aventuras fascinantes nos mares do sul. É na primeira década de vida, quando as pessoas podem adquirir este hábito, nesses 10 anos tem a oportunidade de absorver para sempre a alegria da leitura como uma necessidade mimada e desejado. Educadores dizem que você aprende a gostar de ler e, por isso, devemos estar conscientes de que é algo que pode ser ensinado. Para isso, a unidade básica da família. Ensinar a leitura é o tema que os pais devem passar para os seus filhos, tendo em conta a sua qualidade, motivação, gostos e interesses. Em suma, o desafio é estimular a curiosidade sobre os livros.
 
O que posso fazer para os meus filhos a ler?
 
• Sem leitura atraente. Como qualquer atividade, a leitura exige perseverança para se tornar hábitos. Força nunca deve ler, mas você pode (e deve) se tornar uma ocorrência diária. A chave está na parte final do tempo de lazer, como assistir TV ou jogar. Em tenra idade serão os pais e mães que exercem esta função diretamente. Com o tempo, o espaço dedicado à leitura será ampliada, e as próprias crianças vão decidir como, quando e onde a leitura.
 
• Acessibilidade dos livros. Embora não brinquedos, livros deve ser acessível, tanto o seu próprio e dos outros. É necessário remover o estatuto de objecto importante que apenas opera livrarias. Além disso, você tem que aumentar as bibliotecas-se desde o nascimento, porque um livro depois de lida, cruza o limiar do meramente material.
 
• Visite bibliotecas. Feiras ou exposições pode se tornar um hobby que traz literatura para crianças. A idéia de ser cercado por tantas possibilidades familiariza a criança com este tipo de comércio e adiciona recurso. Além disso, se for dada uma soma de dinheiro a fim de escolher o título que você gosta, começa a desenvolver critérios para comprar e aprender a distinguir o que o trabalho vale a pena adquirir.
 
• Personalizado diária. Nightly Leia uma história para os mais pequenos, eventualmente, tornar-se um hábito de leitura diária.
 
• dirimir dúvidas. Deve olhar juntos nos termos do dicionário não compreendidos. Esta boa prática é instilada para ampliar o vocabulário.
 
• Não proíba livros. Deve ser prestado muita atenção na idade crítica da adolescência, porque grandes leitores infantis são perdidos nesta fase. Neste sentido, a escolha é irrelevante. Nunca deve proibir títulos. Em vez disso, é importante para explicar por que ele não vai entender o que você lê, e qual é a razão não vale a pena perder tempo. Isto será conseguido despertar o seu espírito crítico.
 
• Seja um membro de uma biblioteca. Uma maneira fácil e acessível é acompanhar as crianças muito jovens para as bibliotecas. Permitir acesso livros sem gastar grandes quantias de dinheiro. Eles também servem para ensinar como escolher os títulos, e introduzir os jovens leitores para o valor da responsabilidade, uma vez que são eles que devem devolver o exemplar emprestado.
 
• Adaptar-se aos gostos Tudo é susceptível de se tornar a abordagem desculpa para leitura. Uma questão atual, eventos ou fatos que as pessoas chamam a sua atenção ou um filme que tem animado deles são excelentes ocasiões para despertar paixão livros.
 
• Compartilhar leitura. Conforme as crianças crescem, você pode oferecer-lhes livros que os pais estão lendo. É muito motivador e divertido comentário família nos personagens ou algum capítulo que se mostrou interessante. A leitura é um tópico atraente de conversa entre pais e filhos.
 
É essencial para transmitir às crianças que a leitura de livros tem outras vantagens, além de melhorar a atenção e estimular a curiosidade sobre diferentes temas: apoiar melhor maneira de expressar pensamentos e para melhorar as relações humanas.
 
(*) Leia mais sobre Fundação www.leer.org.ar

Fonte: La Capital