terça-feira, 25 de setembro de 2018

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

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Ler não é apenas fundamental: é necessário! Um livro nos coloca em contato com o outro, nos tira de nós mesmos, nos faz lançar um novo olhar para o mundo. Além de ser uma ótima companhia!

Quando lemos, ficamos sabendo sobre assuntos que não conhecíamos ou dos quais sabíamos muito pouco. O nosso repertório cultural se amplia quando entramos em narrativas imaginárias.  

A nossa capacidade imaginativa fica mais elástica e menos formatada, sobretudo, quando é tão fácil termos a mão um smartphone com conteúdos selecionados de acordo com o nosso perfil. A leitura de um livro nos dá uma liberdade de trânsito por outros universos culturais com muito mais solidez do que as fórmulas prontas das redes sociais. 

Por isso, aqui estão

10 razões pelas quais vale a pena você ler mais:

1. Os protagonistas das histórias que preferimos estão de alguma forma relacionados com a nossa vida. Alguns estudos sugerem que muitas pessoas se lembram de ter lido pelo menos uma história que tenha mudado suas vidas e que isso leva a mudanças reais no cérebro. Em suma, alguns personagens podem "influenciar" nosso modo de pensar e nosso comportamento. Também por esta razão é importante escolher não casualmente o que se lê ou o que se lê para uma criança.

2. Estreitamente ligado ao ponto anterior, a leitura gera empatia. A leitura, de fato, leva a uma espécie de simulação de experiências sociais e, portanto, a uma maior empatia com os outros, a uma maior criatividade e a um comportamento cooperativo.

3. Regularmente a leitura de romances aumenta a conectividade de diferentes áreas do cérebro, incluindo as associadas ao processamento linguístico e à resposta sensorial primária, o que ajuda a compreender e visualizar o movimento. E, de acordo com o estudo publicado na revista Brain Connectivity, isso permanece mesmo depois de terminar o livro.

4. Ler um livro estende sua vida. De acordo com a pesquisa da Universidade de Yale em New Haven, de fato, os leitores, independentemente do sexo e estilos de vida, vivem dois anos mais do que aqueles que não tocam em uma folha.

5. A leitura ajuda no desenvolvimento das crianças: a leitura em voz alta para os filhos é um hábito precioso porque estimula o cérebro e melhora o desenvolvimento da linguagem.

6. A leitura combina o sono: ler antes de ir dormir é um bom hábito por vários motivos, sendo um deles adormecer mais sereno.

7. Reduz o estresse e previne ansiedade e depressão: estudos epidemiológicos descobriram que muitos pacientes que sofrem de ansiedade e depressão tiveram um declínio nos sintomas ao ler constantemente romances. Por outro lado, também foi demonstrado que a leitura relaxa os sentidos.

8. Ler em voz alta para cães ajuda as crianças. Parece estranho, mas não é. De fato, uma pesquisa mostrou que ler em voz alta para um cachorro pode ajudar as crianças em idade escolar a melhorar suas habilidades de leitura e construir relacionamentos positivos com os livros e a escola.

9. A leitura abre a mente e cura as feridas da alma porque uma história se conecta com o mundo, fornece incentivos para sair de uma dificuldade ou inconveniente, ajuda a enfrentar o medo de falhas e dores e a entender que elas fazem parte da vida.

10. A leitura estimula toda a atividade cerebral e aumenta a conectividade do cérebro, é um remédio para a memória e, em geral, para todas as funções cognitivas.

Ficou convencido de que ler faz bem para o corpo e para a alma? Vale ler romance, poesia, biografia, enfim, qualquer livro que lhe dê prazer, felicidade ou que o faça sair do eixo!

Fonte: greenMe

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Qual a importância da leitura literária na infância?


A professora Cristiane Tavares, coordenadora do curso de pós-graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", comenta o valor da literatura na formação crítica das crianças

 
(Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

A leitura literária é importante na infância por vários motivos, mas vou citar quatro razões que considero essenciais. Pensando especificamente na primeira infância, podemos dizer que a leitura literária – aqui entendida de modo amplo, incluindo textos produzidos oralmente, como canções, cantigas de ninar, parlendas, trava-línguas – é uma das primeiras experiências de comunicação poética que a criança tem, o que pode proporcionar sensações de bem-estar e fortalecimento da subjetividade importantes para o desenvolvimento emocional, por exemplo, além de desafios cognitivos lúdicos, considerando-se que a comunicação poética convida a um instigante jogo com o sentido das palavras e com os sentidos da percepção.

O ritmo do texto poético falado ou cantado, a sonoridade das palavras, a constância de um determinado timbre de voz e suas entonações comunicam sentimentos específicos e ampliam a capacidade de percepção e interação da criança, inclusive em se tratando de bebês. É por isso que, mesmo em contextos em que o livro como objeto está ausente, mas a palavra literária é de alguma forma criada e compartilhada oralmente, podemos dizer que há leitura literária porque há uma interação marcada pela intenção de se comunicar de forma singular com a criança, tendo a palavra poética como principal recurso. Além disso, avançando um pouco mais, a leitura literária na infância é necessária para garantir o acesso da criança à cultura escrita, sobretudo, o acesso à cultura escrita em sua expressão artística. 

A leitura literária pode ser, por exemplo, um dos primeiros contatos da criança com uma obra de arte, se considerarmos a literatura como linguagem artística. Essa imersão na cultura escrita adquire ainda mais valor, pensando-se no que ela pode proporcionar socialmente. Integrar uma comunidade de leitores, desde cedo, mesmo antes de saber ler convencionalmente, pode ser uma experiência coletiva extremamente formativa: ouvir a leitura de um adulto, falar sobre os livros, discutir preferências e pontos de vista, buscar sentidos implícitos, construir e validar interpretações de forma partilhada são experiências que a leitura literária pode proporcionar.

O direito à fabulação, como nos ensinou o mestre Antonio Candido, é mais um aspecto que torna a leitura literária tão necessária, desde a infância. Fabular ou buscar modos simbólicos de compreender e recriar a realidade é condição para o desenvolvimento humano porque permite encontrar formas cada vez mais elaboradas de compreensão de si, do outro e do meio social em que se vive. A leitura dos chamados contos maravilhosos e das narrativas míticas, que tanto atraem as crianças, são meios potentes de exercitar a fabulação. Por fim, uma quarta razão que torna a leitura literária na infância necessária é a experiência de alteridade que ela proporciona (tão em falta no tempo que vivemos!), ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de estabelecer uma relação de empatia e respeito com outras experiências humanas, em distintos contextos culturais. Como diz a espanhola Teresa Colomer, especialista em literatura infantojuvenil, a literatura nos permite “ser outro, sem deixar de ser a gente mesmo”.

Cristiane Fernandes Tavares é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2005) e graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, atualmente coordena o curso de Pós-Graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", no Instituto Vera Cruz - SP.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Como incentivar a leitura através da gamificação

Ao introduzir a estrutura de um game na leitura de um texto, é possível sedimentar conteúdo, além de gerar engajamento
Por: Débora Garofalo, Gislaine Batista Munhoz

 Gamificação pode servir para várias disciplinas e incentiva alunos a serem criativos e protagonistas    Ilustração: Getty Images

Você já ouviu falar em Gamificação? Esse termo é originado da palavra inglesa Gamification, que mescla o design de games com a ideia de trabalhar princípios utilizados nos jogos para criar engajamento em diversos contextos – entre eles, a leitura.

As estratégias de gamificação permitem que crianças e adolescentes atuem como protagonistas e também autores. Essa metodologia ativa ajuda a promover o protagonismo e engajamento. Considerando que o objetivo seja promover a leitura, você pode começar com narrativas curtas, que explorem uma fábula. Após promover a leitura do texto, explique aos alunos que há elementos da história espalhados pela escola – e que a missão deles é encontrar as pistas que levarão ao objetivo final.

Ao participar de uma ação gamificada, que faz uso de QRCodes, por exemplo, os alunos terão de decifrar pistas e missões escondidas nesses códigos. De forma lúdica, os estudantes são incentivados não somente a ler, mas encontrar sentido no que leem – inserindo essa leitura num contexto maior que é o enredo da própria gamificação.

Esse é apenas um exemplo: poderia ser outra disciplina, outra ideia e nem utilizar QRCodes. O importante é apresentar uma atividade em que os alunos possam explorar os espaços da escola, em busca de pistas a serem decifradas. As pistas podem ser colocadas em cartas, caixas de papelão ou até mesmo objetos. O formato pode ser de uma caça ao tesouro ou de pequenas missões, que exigiriam primeiro uma pesquisa na internet ou livros da escola. Percebeu como funciona? O tempo todo os alunos são instigados a trocar ideias com os colegas, rever o objetivo do jogo, ver se a pista encontrada faz sentido. 

Assim como ler não é somente decodificar, participar de uma atividade que faz uso de gamificação não é apenas desvendar pistas: é preciso contextualizar o que está sendo proposto, entender o todo. A vantagem é que na gamificação isso é feito de forma lúdica, divertida, promovendo imersão, protagonismo e autoria. Quem não se sente motivado a descobrir a solução para um mistério? A gamificação incentivará alunos a vivenciar essa lógica da experimentação e descoberta, que podem ter como suporte narrativas, textos curtos ou longos, dependendo da proposta e da intenção do processo. 

Confira a seguir algumas dicas para gamificar em sala de aula:

Referências: É importante que o professor traga referências de jogos, desenhos animados, filmes e histórias para ampliar a imaginação e criatividade dos estudantes.

QRCode: É um código de barras bidimensional que pode ser facilmente escaneado, a partir de programas gratuitos adquiridos nas lojas de aplicativos para celulares e/ou tablets. Esse código é convertido em texto (interativo). Você pode esconder pistas e propor aos alunos que usem seus celulares para descobrir o significado oculto em cada QRCode. Imagine, por exemplo, que você esteja trabalhando algum ponto da história do Brasil. Mostre aos alunos uma imagem desse período e aponte em qual ponto da imagem estará o QRCode para desvendar uma pista que compreenda o entendimento do tema. O mesmo pode ser feitoo para trabalhar o enredo de uma história, utilizando a própria ilustração da obra. 

Objetivos: É importante determinar qual o objetivo para a aplicação do jogo, definindo uma lista com as habilidades e competências que se pretende alcançar com o processo. No caso de uma narrativa de leitura, explore repertório, conhecimento sobre o assunto, inferências e os aspectos que não estão implícitos, mas que fazem toda a diferença para compreensão de um enredo. 

Tema: Junto aos estudantes escolha um tema, ideia, desafio ou narrativa de leitura, que será utilizada até o final do processo de aprendizagem, amarrando bem todas as etapas.

Jogo: Realize um roteiro com a estrutura do jogo, desde o seu início, até as atividades práticas. Por exemplo: se você escolheu uma fábula para trabalhar com os estudantes, repasse as informações necessárias e deixe que cada equipe produza um tabuleiro com um formato de trilha. Ao cair em determinada casa, o jogador deverá responder perguntas sobre a fábula ou resolver alguma questão sobre o assunto. 

Materiais: Explore os mais diferentes tipos de materiais, que vão de cartolina, papelão, canetinha, massinha de modelar, material de sucata e o que mais vier. O importante é vivenciar uma aprendizagem criativa.

Aprendizagem: Converse com os estudantes sobre as atividades de aprendizagem, realizando conexões com a narrativa ou currículo estudado. Você deve determinar o que é necessário ser lembrado e tratar das questões que vão facilitar a compreensão do grupo.

Grupo: Trabalhar com a gamificação é estimular a cooperação entre os alunos, trabalhando questões como igualdade, ética e resolução de problemas.

Espaços: Você e seus alunos podem ocupar espaços variados da escola. Dessa forma, você criará um vínculo de pertencimento, além de oferecer liberdade no processo de construção da aprendizagem.
Gamificação na Educação: Esse e-book aborda vários aspectos da gamificação na educação. A organização é de Luciane Maria Fadel, Vania Ribas Ulbricht, Claudia Batista e Tarcísio Vanzin.


Objetivo da aula: Defina o objetivo da aula e o que pretende alcançar com a gamificação. Por exemplo: você pode unificar as áreas do conhecimento com uma caça ao tesouro, desenvolvendo o senso de colaboração entre os alunos. Com os estudantes divididos em grupos, eles vão pensar de forma colaborativa e desenvolver habilidades e competência crítica, cognitiva, integrando as áreas do conhecimento.

Acolhimento: Diga aos alunos para formarem grupos e explique como serão as missões que eles terão de cumprir, se serão pistas ou se você dará dicas. As pistas poderão estar expostas ou ocultas dentro de caixas. Procure utilizar recursos tecnológicos, como QR Code, celular e ou papel. A cada pista desvendada poderá ser dado um parte do avatar/personagem para montar. Ganhará a gamificação o grupo que conseguir resolver as questões e montar o seu avatar.

Avatar/Personagem: Crie personagens ou avatares com os alunos. Você pode sugerir personagens da obra ou tangram.

Roteiro: Estabeleça o roteiro a ser cumprido, juntamente com a as missões a serem desvendadas pelos estudantes. A ideia é despertar a curiosidade, aguçando e correlacionando o objeto de ensino a ser estudado. 

Depois de experimentar uma experiência de gamificação, os alunos normalmente ficam mais curiosos e se sentem motivados a criar suas próprias atividades. Para quem assiste de fora, esses enredos poderão parecer estranhos por não contarem com um repertório que conhecemos (histórias fantásticas de filmes, desenhos, animações, jogos). O importante é não perder de vista esse primeiro insight criativo. Deixe que a garotada escreva, faça “tempestades de ideias” na lousa, esquemas em papeis. Incentive os alunos a criar de maneira colaborativa. Para aqueles que ainda não dominam com desenvoltura a escrita incentive o uso de desenhos para expressar ideias. Vale até registro em áudio – e você pode pedir que eles escolham alguém do grupo para fazer esse registro. À medida que o texto vai sendo escrito, você poderá ajudá-los a perceber se o projeto faz sentido. Ensine a turma a revisar e dê dicas para que eles possam vivenciar estratégias diferentes de gamificação. Com isso, as pistas ganharão mais complexidade e os alunos aumentarão seu repertório e vivência. 

Convidamos você, querido professor, a vivenciar a gamificação em sala de aula, com ideias simples que fazem a diferença no processo de aprendizagem. Compartilhe aqui nos comentários suas experiências, contribuindo para o trabalho de outros professores.

Um grande abraço,

Gislaine Batista Munhoz é professora e Coordenadora Pedagógica da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Mestre em Educação FEUSP e uma das vencedoras do Desafio da Aprendizagem Criativa do MIT 2018, com o projeto Escola de Aventureiros.
Débora Garofalo é professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, Formada em Letras e Pedagogia, Mestranda em Educação pela PUCSP, colunista de Tecnologias para o site da Nova Escola. 

Fonte: Nova Escola

terça-feira, 10 de abril de 2018

5 dicas para incentivar a leitura nas empresas


A qualificação constante dos funcionários é o desejo de praticamente todos os gestores e diretores de empresas, independente do ramo de atuação em que a organização trabalha. E, para conquistar isso, incentivar a leitura é muito importante.

Muitas pessoas têm preguiça de ler ou consideram a atividade algo chato. Isso pode ser facilmente revertido se houver incentivo. Afinal, uma vez que se toma gosto pela leitura, dificilmente a pessoa irá abandonar o hábito e a qualificação será constante.

Quer saber como incentivar a leitura entre os colaboradores da sua empresa? Então confira nossas dicas!

 

Organize palestras com autores

Você pode convidar um autor da sua região, que esteja lançando um livro novo ou então que seja conhecido e renomado pela sua atuação, para dar uma palestra ou workshop para os colaboradores da empresa.

Nessa palestra, o autor poderá falar tanto das suas obras quanto dos benefícios da leitura de um modo geral. Isso fará com que as pessoas se interessem pelas histórias dos livros, adquirindo hábitos de um bom leitor.

 

Faça sorteios de equipamentos de leitura digital

A tecnologia pode ser uma aliada para incentivar a leitura. Isso porque você poderá adquirir uma determinada quantidade de equipamentos de leitura digital, como e-readers e até mesmo tablets para sorteio entre os colaboradores.

E para que a estratégia funcione ainda melhor, você pode sortear os equipamentos durante um evento literário, para aqueles colaboradores que participarem de um debate sobre uma determinada obra, por exemplo.

 

Promova um amigo secreto de livros

Em épocas como o Natal, aniversário da empresa ou outras datas comemorativas, é comum que as organizações promovam a tradicional brincadeira do amigo secreto entre os colaboradores.

Uma ideia interessante é substituir os presentes tradicionais desse tipo de atividade por livros. Assim, cada colaborador terá que pensar em um estilo literário que mais vá agradar o colega que tirou, promovendo, além da leitura, uma divertida forma de integração.

 

Não limite as leituras a obras técnicas

Um erro comum cometido por quem deseja implantar a leitura nas empresas é achar que os funcionários devem ler apenas livros de sua área de atuação. Isso não pode ser feito, pois a leitura também deve ser vista como uma forma de entretenimento, tendo o aprendizado como consequência.
Romances, suspenses, biografias, entre diversos outros gêneros literários, devem ter espaço na empresa.

 

Implante uma biblioteca digital

Investir em livros na forma física pode sair bastante caro para uma empresa, mas isso não é impedimento para que a organização possua sua própria biblioteca. Você pode implantar uma biblioteca digital, pagando uma mensalidade acessível e tendo acesso a um acervo com muitas obras literárias de gêneros variados para todos os gostos e estilos.

Essas bibliotecas funcionam em forma de streaming, de forma similar ao Netflix e o Spotify, de modo que os colaboradores poderão ler as obras em seus horários de intervalo, estando conectados a dispositivos móveis como smartphones, tablets e e-readers.

E então, o que você achou das nossas ideias para incentivar a leitura na sua empresa? Muito legal, não é mesmo? Agora chegou a hora de colocar tudo em prática e fazer da sua equipe uma legião de leitores.

Que tal compartilhar este post nas suas redes sociais para que mais gestores de empresas possam incentivar a leitura de seus colaboradores? Afinal, conhecimento deve ser compartilhado!

Formação de leitores na escola





Mais um ano letivo se inicia e, como sempre, novos e antigos desafios para todos os envolvidos no espaço escolar. Nos últimos anos, parece cada vez mais comum entre educadores, principalmente do Ensino Fundamental, a preocupação com a formação de leitores ou, pelo menos, com a exigência da leitura na escola. Os documentos que regulamentam a educação brasileira recorrentemente chamam atenção para a necessidade de trabalhar a leitura a partir da diversidade dos gêneros textuais e de textos literários de qualidade. No entanto, ainda é uma missão sofrida fazer com que a oferta cada vez maior de livros literários, as diversas práticas de leitura organizadas em sala de aula, as visitas à biblioteca e tantos projetos de leitura encabeçados por professoras e professores apaixonados resultem em efetiva melhoria da compreensão leitora e da produção textual dos alunos. 
Muitas das dificuldades encontradas nesse processo se dão principalmente porque a própria formação de leitura entre os profissionais é tão rasa quanto o é para a maior parte dos brasileiros. Assim, professores e outros profissionais da área acabam sendo atraídos para ciladas como acreditar que oferecer uma grande quantidade de livros está acima da qualidade literária das obras em si, que há um tamanho específico de texto adequado para leitores iniciantes, que a literatura tem uma missão pedagógica e deve ensinar determinadas lições, que a simples exposição aos livros é suficiente para que os alunos tenham a dimensão da importância deles, entre outros. 
Para abordar essa questão e contribuir para a o trabalho dos professores em suas tarefas de mediação de leitura, indicamos dois livros disponíveis na plataforma da Árvore de Livros que se voltam para o problema da leitura na escola, da mediação e da escolha dos textos literários indicados para a infância.

 

A literatura infantil na escola

Regina Zilberman
Ed. Global
Uma das maiores pesquisadoras sobre literatura do país, Regina Zilberman neste livro se debruça sobre o problema da literatura infantil, geralmente pouco considerado pela Teoria Literária, discorre sobre a sua relação com o próprio conceito de infância, sobre como ela se desenvolveu, sua exploração em sala de aula e os muitos equívocos cometidos por quem se aventura na área.

 

Leitura na sala de aula

Sánchez Miguel, Emilio, García Pérez, José Ricardo, Pardo, Javier Rosales
Ed. Penso

Mais didático, “Leitura na sala de aula” reflete sobre a grande quantidade de recursos educativos disponíveis para a promoção da leitura e a paradoxal escassa utilização desses recursos pelos docentes. Ao fim, os autores apresentam propostas para introduzir mudanças sustentáveis em sala de aula.

Os livros sugeridos podem contribuir para inflamar as discussões em torno do tema, mas nenhum deles apresenta verdades irrefutáveis ou oferece uma chave fácil para a solução de quaisquer impasses. No entanto, é importante perceber que não há mediação e formação de leitores sem muita leitura tanto de textos literários de qualidade quanto da teoria que envolve essa prática; como qualquer atividade da profissão de educador, demanda tempo, dedicação, tentativas e ajustes. Mais que tudo, como é possível aprender pelos textos indicados, é preciso respeitar as preferências e habilidades dos estudantes, colocando-os como os sujeitos do processo que são.

Fonte: Árvore de Livros