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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Incentivo a leitura através das HQ’s

A postagem é de 04/06/2014



Novos HQs no BiblioSesc Osasco
Novos HQs no BiblioSesc Osasco


As Histórias em Quadrinhos, conhecidas como HQ’s, são narrativas feitas com desenhos sequenciais, normalmente acompanhados por textos curtos de diálogos e algumas descrições da situação. O quadrinista Will Eisner, um grande nome dessa arte, define a linguagem dos HQs como “arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história”. Difundido em revistas e jornais, as HQs criaram linguagem própria, signos e símbolos inovadores, que foram incorporadas posteriormente a outras artes.

Existem diferentes formas de Historias em Quadrinhos dentre elas os tradicionais gibis ou comic book, formato mais tradicional usado para publicações de  histórias, de series noir, e os populares super-heróis, por exemplo, a Turma da Monica e X-men.

Outro exemplo são os graphic novels, livros em quadrinhos com enredos mais longos e complexos. Também costumam ser chamado assim HQ’s com qualidades artísticas e acabamentos diferenciados, superiores aos demais HQ’s.

Outra forma de Histórias em Quadrinhos que vem tomando o gosto do leitor brasileiro é o Mangá, estilo Japonês de HQ, cuja leitura é feita no sentido da leitura do idioma japonês, ou seja, da direita para a esquerda, ao contrario do nosso sentido convencional. Um dos traços mais marcantes do mangá são os olhos grandes e expressivos das personagens. Alguns exemplos marcantes desse gênero são Dragon Ball , Naruto  e One Piece .

Este mês o BiblioSESC Osasco já disponibiliza para empréstimos importantes títulos como America, de Robert Crumb , os volumes 1 e 2 da saga completa dos Piratas do Tietê, de Laerte  e Wood & Stock: psicodelia e colesterol, de Angeli.

Pela forma característica do HQ de dramatizar narrativas, clássicos da literatura tem sido há algum tempo adaptados para essa linguagem, como forma de sensibilização para essas narrativas tradicionais. À algumas adaptações que já compunham o nosso acervo, como O Alienista de Machado de Assis, Dom Quixote de Miguel de Cervantes e O Corvo de Edgar Allan Poe, somam-se novos títulos como Alice no Pais das Maravilhas e O Hobbit em HQ, além de Hamlet e O Grande Gatsby  em mangá!

Além de uma arte em si, as histórias em quadrinhos podem ser uma forma de estimular a leitura literária, pelo fato desta forma de literatura muitas vezes desenvolver as narrativas mais tradicionais de forma mais fluida e dinâmica, principalmente no que se refere ao público mais jovem.

A experiência de ler um quadrinho também é uma oportunidade de perpetuar o gosto pelo livro como objeto, e não só como leitura de um texto, e, ao misturar mais de uma linguagem ao mesmo tempo, possibilita ao leitor atribuir significados e aprender a relacionar textos e linguagens diferentes, tornando-se um leitor mais completo.

Além de provocar um momento de leitura mais leve, as historias em quadrinhos ajudam a estimular a criatividade e a desenvolver o vocabulário do leitor. Por estes e outro motivos as HQ’s podem servir de entrada para o mundo da literatura.

Visite o caminhão do BiblioSesc que fica estacionado todos os finais de semana e feriados aqui no Sesc Osasco das 10h45 às 18h.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cada leitura em sua época

20/03/2011
 
Além de incentivar, pais devem indicar livros e observar conteúdo de enredo 

 
Obter informações do autor e do livro vem ajudando muito a comerciante Dulce Ferres Gomes, 50, a selecionar as obras literárias indicadas para seus dois filhos, Maria Vitória, de 9 anos, e Alan, de 10 anos. As duas crianças estudam na 4ª série da escola Antônio Gomes e adoram frequentar livrarias e ler.

Este comportamento além de apropriado para a formação dos pequenos tem um papel essencial na formação de leitores. As duas crianças de Dulce encontram na leitura uma forma de lazer e distração.

“Cada um gosta de um estilo de livro. A menina, por exemplo, gosta de ler de tudo, livros, revistas e até jornais. Já o menino prefere as histórias em quadrinhos”, conta.

Na gama de leitura de Maria Vitória, Dulce colocou uma ressalva: ainda não está na hora de tramas como ‘Lua Nova’ e ‘Crepúsculo’, best-sellers da escritora norte-americana Stephenie Meyer, que é uma verdadeira febre entre o público juvenil, principalmente com as meninas adolescentes.

“Explico para ela: tudo tem seu tempo, chegará a sua vez de ler ‘Lua Nova’ e outros livros deste gênero”, ressalta a mãe. O gênero em questão enfoca realismo fantástico e aspectos do sobrenatural, em meio as paixões e as dúvidas da adolescência.

Como Maria Vitória só tem 9 anos, Dulce compreende que a leitura mais apropriada para ela são as tramas infantis, os contos de fadas e historinhas lúdicas. Porém, uma vez, Maria Vitória não resistiu à curiosidade de leitora e, mesmo escondida de sua mãe, leu um romance do tipo. “Escondi o livro no travesseiro e lia à noite, antes de dormir. Gostei da história”, revela a peraltice.

Dulce teve uma conversa com a filha e explicou, mais uma vez, que tudo tem seu tempo e que ela poderia queimar etapas da infância ao buscar uma literatura mais adulta. “Falei que ela não entenderia a trama e tudo mais”, diz.

Ação e HQs prendem atenção dos meninos

Se as meninas e adolescentes se encantam pelo cavalheirismo do vampiro ético Edward, protagonista das tramas de Stephenie Meyer, autora de ‘Lua Nova’ e ‘Crepúsculo’, entre outros, o heroísmo de Batman, a força de Hulk e a perspicácia de Sherlock Holmes dominam as leituras dos meninos. Alan Ferres Gomes, 10 anos, irmão de Maria Vitória, 9 anos, revela que é fã do Batman e de suas histórias em quadrinhos.

“O Batman tem um carro que é muito legal! Já o Hulk é muito forte!”, detalha o pequeno leitor. Para o estudante Pedro Henrique da Silva, 11 anos, aluno da escola pública Baltazar de Godoy, o mistério em livros sobre investigações de detetives é o que mais lhe agrada.

“Em livros de mistério você começa a ler e a conhecer os personagens, que são suspeitos. Aí, no final, você descobre quem era o verdadeiro culpado”, diz.

Como orientar a leitura?

Para orientar a leitura dos pequenos é preciso seguir um roteiro inspirado em perguntas. A primeira delas é a seguinte: ‘O que você espera de um livro para o seu filho?’. Outras questões essenciais: ‘Que ensine algo didaticamente?’ e ‘Que tenha moral no final?’. A partir destas reflexões, os pais conseguirão compor uma orientação ideal, bem próximo do que é apropriado a cada idade.

Na análise do escritor Mário Milani, integrante da Associação dos Poetas e Escritores de Marília (Apem), na fase da alfabetização, como são os casos de Maria Vitória e Alan, o mais indicado são obras que reúnam teor didático, com criatividade, tudo para estimular aprendizado com imaginação. “Recentemente li uma informação que me deixou preocupado: os estudantes brasileiros são os que menos possuem livros em casa. Isso é triste e devemos mudar este panorama”, pontua. Milani entende como fundamental o acompanhamento dos pais na formação de leitor dos filhos. “Idas às livrarias integram esta formação”.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uso de gibis em sala de aula incentiva o aprendizado e o gosto pela leitura

Matéria publicada em 7 de outubro de 2010

Por Cleide Quinália Escribano

Há tempos os gibis deixaram de ser apenas uma diversão para a garotada para se tornar também uma ferramenta pedagógica. Cada vez mais presentes em salas de aula, hoje eles são vistos como uma ótima opção para incentivar a leitura em quem está começando a conhecer o mundo das letras. No município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal (RN), por exemplo, a Escola Municipal Vicente de França encontrou nos gibis o caminho para estimular o processo de alfabetização das turmas de 1º e 2º ano do ensino fundamental. Adotado há cerca de dois anos pela professora Conceição Lourenço, o projeto Gibiteca Itinerante – Jovens Leitores, implantado na escola, vem apresentando resultados positivos já observados na avaliação dos alunos.

A professora conta que na sua época escolar a leitura de gibis era simplesmente proibida no colégio, mas ela sempre dava um jeito de escondê-los sob os livros na carteira. Com os gibis, Conceição diz que aprendeu o gosto pela leitura, despertou para muitos aspectos da vida pessoal e, atualmente, eles têm uma função importante na sua vida profissional.

“Os gibis são uma excelente ferramenta para incentivar a leitura nas crianças já que elas se identificam com os personagens. “Eles são protagonistas de situações semelhantes a dos leitores. Vão à escola, ao parque, têm medo do dentista e escovam os dentes, brincam, caem, se machucam, têm pai e têm mãe, o que possibilita uma verdadeira identificação dos alunos com a estória”, diz a professora Conceição.

Para ela, o mais interessante do projeto é que as imagens associadas aos textos permitem que o aluno atribua sentido à história, mesmo sem ainda saber ler, fazendo aumentar o seu campo de conhecimento e percepção de vida.

Nas aulas, Conceição conta com o apoio de um grupo voluntário de 12 alunos do 9º ano do ensino fundamental, que juntos com a professora procuram ajudar a criançada no processo de aprendizagem. Ao ver as revistinhas espalhadas sobre as mesas a turma já sabe que é hora de leitura. Alessandra Bernardino, 8 anos, conta que prefere a revistinha da personagem Mônica “porque ela é muito divertida e parece muito comigo”. Já o menino Elizanildo Robert de Calazans, 9, gosta mais do Cebolinha porque ele mexe muito com a Mônica.

Leitura: uma janela que se abre para o mundo

Matéria publicada em 23 de junho de 2010

Por Cleide Quinália Escribano

“Um dos momentos inesquecíveis da vida de qualquer criança é quando, pela primeira vez, ela junta uma letrinha, mais outra, e mais várias delas e começa a… ler! É uma conquista tão importante que será usufruída pelo resto de sua vida e abrirá, a cada dia, uma nova janela para o mundo” – Maurício de Sousa, cartunista e criador da Turma da Mônica.

A exemplo da citação do famoso cartunista, em Niquelândia, interior de Goiás, novas janelas também estão sendo abertas para o mundo de centenas de alunos do Colégio Estadual Coronel Joaquim Taveira. Isso vem sendo possível graças ao projeto de leitura “Igualdade que Promove a Diferença”, criado com o intuito de despertar nos alunos o interesse pela leitura, contribuindo assim para que se tornem leitores hábeis e capazes de interpretar o mundo.

De acordo com a professora Maristela Aidar, diretora do colégio, a ideia de criar um projeto de leitura na escola surgiu em razão da dificuldade que muitos alunos tinham na hora de ler e escrever e que acabava se refletindo no desempenho deles como um todo. “Ler e escrever corretamente precisam ser a base do aprendizado de todo o aluno. Quando um desses pontos primordiais falha (no singular), todo o processo seguinte também fica prejudicado, daí nosso esforço em trabalhar com os alunos essas duas questões”, explica Maristela.

Ela explica que o Colégio há tempos já procurava desenvolver atividades voltadas à leitura, porém agora foi dada uma nova roupagem ao projeto, com metodologias e ações que procuram valorizar os assuntos de interesse dos alunos e despertar, assim, o prazer pela leitura. “Adotamos como primeira etapa uma conversa informal com os estudantes, na qual eles contam quais os tipos de histórias gostam de ler, que tipos de publicações (livros, revistas, gibis etc) têm em casa, se alguém da família costuma ler para eles, entre outras coisas”, conta. “A partir dessas informações, damos início a uma série de atividades abrangendo leitura, interpretação e produção de textos”.

E os frutos desse trabalho já começam a ser colhidos. Segundo a diretora, recentemente representantes da Sub-Secretaria de Educação de Niquelândia estiveram no colégio para aplicar aos alunos do 2º ano do ensino fundamental a prova de sondagem para o Provinha Brasil deste ano e a nota obtida foi 4,5, um ponto a mais do que vinha sendo registrado nos últimos anos (3,5).

Dos gibis às poesias

Um dos focos do projeto é o incentivo à leitura de histórias em quadrinhos, já que esta é uma forma divertida de atrair o interesse dos alunos pela leitura. Este, porém, é apenas o ponto de partida do projeto, que inclui ainda diferentes tipos de publicações e textos como fábulas, clássicos, romances e até poesia.

O projeto também prevê atividades a partir de histórias infantis narradas em CDs e que são recontadas depois pelos próprios alunos. Outra metodologia utilizada são as histórias contadas pelos familiares e amigos mais velhos. “Nessa atividade, os estudantes compartilham com os colegas os relatos colhidos e, muitas vezes, produzem textos a respeito”, conta a professora.

Ainda segundo Maristela, o projeto de leitura não se restringe apenas aos trabalhos desenvolvidos em sala de aula. A idéia é que mesmo fora do ambiente escolar o interesse pela leitura continue vivo no aluno e sirva, inclusive, como estímulo para a participação da família. “Para tanto, criamos uma espécie de “receita para gostar de ler” (veja abaixo), a qual motivamos os alunos a seguir e compartilhamos com a família, que, aliás, “já deu mostras de estar contente com a iniciativa”, comenta.

Confira a receita criada pelas professoras do projeto:

02 visitas semanais a biblioteca do colégio
01 cantinho de leitura em seu quarto
01 visita quinzenal à banca de revista
01 pouco de leitura antes de dormir
01 história por dia para contar ou ouvir dos pais
01 porção de leitura dos rótulos de produtos consumidos pela família

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Artigo: Formação de leitores: um estudo sobre as histórias em quadrinhos

As ilustrações não fazem parte do artigo

Mariana Oliveira dos Santos Bacharel em Biblioteconomia com Habilitação em Gestão da Informação pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. E-mail: mari.biblio@yahoo.com.br

Resumo: Tem como foco as histórias em quadrinhos (HQs) e sua contribuição para a formação de leitores. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, com caráter exploratório. Na qual se apresenta a trajetória histórica dos quadrinhos no Brasil, as características de linguagem e de estímulo à leitura, assim como a participação do bibliotecário e do professor como sujeitos mediadores entre os quadrinhos e as crianças. Como resultados finais, percebe-se que as HQs recursos eficientes para incentivar a leitura, são informativas e diversificadas, além de contribuírem na formação de leitores mais competentes.

Para ler o artigo na íntegra, acessar o endereço da Revista ACB

As ilustrações não fazem parte do artigo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Correio Escola - Escola amplia projeto de leitura da Secretaria

Espaço para biblioteca foi criado e criatividade se torna aliada de professores

Com o objetivo de estimular e despertar no aluno o hábito de leitura, a equipe da E.E. “Júlia Luiz Ruete” no bairro Jardim das Andorinhas, está desenvolvendo desde o início do ano letivo o Projeto Leitura e Pesquisa na Biblioteca.

Apesar de ser um antigo sonho da diretora da escola, Maria Teresa Freire Groff, a falta de um espaço adequado impedia a criação de uma biblioteca mais acolhedora. Porém, esse obstáculo foi vencido após algumas mudanças no espaço físico da escola, realizadas durante as férias de janeiro. O projeto conta com uma parceria de iniciativa da comunidade e investimentos de um grupo particular.

Semanalmente, alunos das 3ª e 4ª séries do Ensino Fundamental visitam a biblioteca, em dias e horários organizados e pré-estabelecidos. A professora Tânia Nascimento Reis, responsável pelo desenvolvimento do projeto, inicia o encontro contando uma história aos alunos, escolhida de acordo com a atividade que está sendo desenvolvida em classe.

Em seguida, todos os alunos têm a oportunidade de levar um livro para casa para ler com seus familiares. “O projeto leitura é a sementinha do saber, quando bem plantada e estimulada, produz ótimos frutos pra vida toda”, relata Rosângela Rocha Amábile, cabelereira, mãe da aluna Sarah, da 3ª série A.

Além de incentivar o aluno à leitura, lendo histórias e emprestando livros, Tânia acompanha-os em pesquisas sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula. “Estamos montando pequenos livros com suas estórias preferidas. Até o final do semestre planejo a organização de um sarau, cujas poesias selecionadas apontam o gênero preferido de alguns alunos”, diz .

Para a coordenadora da escola, Jaqueline Salione Silveira, “hoje o Programa Ler e Escrever está investindo muito mais nesta competência. O acervo paradidático enviado às unidades escolares é muito rico e está sendo aplicado em rodas literárias com professores, dando-lhes maior conhecimento do acervo. A diversidade textual que a Secretaria da Educação nos proporciona é ótima e os professores têm-se apropriado dela com muito entusiasmo”, relata, se referindo aos investimentos em livros feitos pela secretaria.

Os alunos que fazem da leitura parte de sua vida possuem um vocabulário mais extenso e têm maior possibilidade de compreender a estrutura textual, gramatical e as normas ortográficas, o que lhes permitirá um repertório mais rico num momento de produção de texto.

Profa. Eloiza Fernanda Fabro Ramalho/ Da E.E. Júlia Luiz Ruete

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Jornal serve de base para produção de história em quadrinhos

A professora Fúlvia Cristina Santana, da Escola Estadual Residencial São José, realiza um projeto de leitura e escrita com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental.


No estabelecimento de ensino, a professora faz, constantemente, leituras do Correio Popular aos alunos e, posteriormente, debate com eles assuntos abordados no jornal a fim de ficarem mais informados. Ao final da leitura, eles partem para a escrita. O projeto teve início no começo do mês de abril e prosseguirá até outubro deste ano.

O trabalho consiste em leitura, discussão e escrita de gêneros textuais diversos, como por exemplo, crônica, charge, notícia, resumo, resenha e até história em quadrinhos (HQ).

No momento, o estilo textual trabalhado é a HQ. As notícias apresentadas foram sobre a lei antifumo e a nova campanha para se colocarem imagens de doenças adquiridas pelo tabagismo na parte dianteira do maço de cigarros.

Os estudantes ficam muito interessados em ler os textos, participando da discussão e das atividades de escrita. Além disso, levam exercícios para fazer extraclasse e pedem a opinião dos pais, colocando-os por dentro das notícias. Com isso, eles também pedem opiniões sobre escrita e ilustrações. Assim, há um envolvimento da comunidade com a instituição escolar.

Na sala, os estudantes fazem produção de texto em dupla ou em trio. O grupo cuja HQ está reporoduzia ao lado relatou num texto coletivo que “achamos uma ótima idéia realizar essa tarefa e agradecemos toda a dedicação e paciência que têm por nós”.

Contudo, não só os educandos ficam totalmente informados sobre o que está acontecendo à sua volta, mas também aprendem a escrever diversos tipos textuais e a corrigi-los, o que está dentro do programa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Profa. Fúlvia Cristina Santana/ Da E.E. Residencial São José

Fonte: Correio Popular

sábado, 20 de março de 2010

O mundo em quadrinhos

Gênero popular entre crianças e jovens – e paixão de muitos adultos –, as HQs vêm conquistando cada vez mais espaço entre os leitores brasileiro

Asterix, Batman, Cebolinha, Diomedes, Elektra, Frajola, Graúna, Haroldo... O abecedário dos personagens das histórias em quadrinhos dá a dimensão da versatilidade dessa que é considerada uma forma de arte por seus adeptos. São tantas as possibilidades de criação de imagens, traços e idéias, que a história da HQ anda lado a lado com a da tecnologia e da ideologia. A trajetória dos quadrinhos no Brasil começou a engatinhar no século 19 e teve seu primeiro boom na primeira metade do século 20 (veja boxe Era uma vez...). Idolatrados por crianças e adolescentes, os quadrinhos foram por muito tempo tachados como produtos de segunda. Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, começou a publicar suas tiras em 1959, “na base da ignorância”, como diz. “Eu ignorei quando diziam que não ia dar certo, que quadrinho dava preguiça mental, que fazia a criança não ler”, conta. “Hoje temos pesquisas sérias que dizem que as crianças que lêem quadrinhos têm melhor desenvolvimento do que as que não lêem.” No fim dos anos de 1960, em plena ditadura militar, Mauricio de Sousa já publicava suas tiras em cerca de 300 veículos, de onde migrou para as revistas próprias, hoje vendidas no mundo inteiro. Com o fim da ditadura e da censura, os quadrinistas ganharam mais liberdade, embora muitos reclamem de um excesso de “politicamente correto” exigido nas publicações. “Todos sofremos um pouco da influência do politicamente correto, para bem ou para mal”, diz Mauricio de Sousa. “Mas eu concordo com algumas coisas. Por exemplo, que numa história endereçada para crianças, o Cebolinha não piche mais os muros. A Mônica quando estava com raiva arrancava árvores do chão, e o Chico Bento aparecia com um machado para cortar lenha. Hoje estamos preocupados com a conservação do meio ambiente.” O pai da Mônica conta também que antes sua “filha” aparecia batendo no travesso Cebolinha, mas que hoje restaram só os “socs”, “tuns” e pofs”. “Ou seja, só as onomatopéias e a poeira levantando”, afirma Mauricio. “Porque eu não quero mais mostrar esse tipo de agressão. Quer dizer, não é só a influência do politicamente correto, nós mudamos também”, sentencia o quadrinista, que completará 50 anos de atividade em 2009.


Para maiores


A concorrência gerada pelas novas tecnologias de comunicação e meios de entretenimento, especialmente a televisão, afetou a demanda por quadrinhos. Segundo Waldomiro Vergueiro, professor e coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo (USP), a realidade atual das HQs é a aposta na diversificação de públicos e produtos. “Só no ano passado, foram mais de 1.300 títulos lançados e com uma variedade jamais vista no Brasil”, explica. “Com destaque para novas produções no estilo underground, reedição em coletâneas e quadrinização de obras literárias.” Hoje, existem quadrinhos para crianças, jovens e adultos, com temas que vão dos super-heróis à política, do surreal à crítica social. “Os quadrinhos são espaço livre para experiências, e, passada a adolescência, os leitores buscam produtos com maior profundidade narrativa, que tratem de temas mais ousados e incluam aspectos eróticos e realistas da vida social, como acontece em várias graphic novels [como são chamadas as HQs em inglês] e mangás [estilo japonês de quadrinhos]”, afirma Vergueiro.

Segundo José Alberto Lovetro, mais conhecido como Jal, quadrinista na ativa há 35 anos e criador do Troféu HQMix (veja boxe E o prêmio vai para...), o maior mercado do mundo de quadrinhos é o japonês, no qual um único título semanal chega a vender de 5 a 8 milhões de exemplares – o que faz do quadrinho uma mídia tão forte quanto a televisão. Já o Brasil, ainda segundo Jal, tem um potencial muito grande. “Nós temos os melhores desenhistas do mundo, e muitos publicando para fora do Brasil. O Ivan Reis é um que desenha para os Estados Unidos e ganhou, no ano passado, o prêmio de melhor desenhista norte-americano, embora seja brasileiro e more aqui em São Bernardo”, revela o quadrinista.
No Brasil, os já consagrados Angeli, Laerte, Glauco, Adão Iturrusgarai e Fernando Gonsales dão continuidade à herança de Henfil na crítica de costumes, crônica de experiências pessoais, humor irreverente e exploração de temáticas sexuais por meio dos quadrinhos. Por outro lado, uma nova geração de artistas começa a incorporar outras referências e experimentar linguagens. Um exemplo são os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, que há uma década publicam a série 10 Pãezinhos. As histórias são sobre amizades, amores e ilusões, recheadas de autobiografia e metalinguagem. Os gêmeos e seu traço característico são conhecidos também por sua versatilidade. Além dos personagens próprios, a dupla já quadrinizou a obra O Alienista, de Machado de Assis, e Rock’n’Roll, com Bruno D’Angelo e Kako, duas outras novas caras do quadrinho nacional.

Na mesma linha underground, mas com uma temática mais densa, Lourenço Mutarelli tem uma galeria de personagens tomados pela depressão urbana. O criador de O Dobro de Cinco, Transubstanciação, Mundo Pet e O Cheiro do Ralo – levado às telas em filme homônimo de 2007 dirigido por Heitor Dhalia – é muitas vezes personagem de suas histórias. Para Mutarelli, criar “é catarse, exumação de fantasmas interiores”. Tudo por meio de um realismo fantástico, grotesco, instável e trágico. Para o quadrinista Jal, mesmo com o fim de algumas séries, a HQ adulta “está em efervescência”. Por outro lado, ainda falta incentivo. “Embora pequenas editoras estejam investindo, ainda falta acreditar nos nossos novos artistas”, conclui.

Saiba mais:
http://www.terra.com.br/jovem/
http://www.portaldarte.com.br/


Era uma vez...

As primeiras páginas da história da HQ no Brasil
 
A história em quadrinho no Brasil começa em 1869 com As Aventuras de Nhô Quim, de Ângelo Agostini, considerado o precursor da linguagem gráfica seqüencial no país. Embora se possa pensar que os quadrinhos começaram direcionados para o público infantil, esse primeiro personagem era um caipira que viajava à capital do Império e entrava em conflito com os costumes urbanos. Mas essa história toma forma mesmo no início do século 20:


Anos 1900

O Tico-Tico é a primeira revista infantil brasileira a publicar histórias em quadrinhos, e reinou sozinha por vários anos. A maioria dos personagens e tramas, porém, são reproduções de originais estrangeiros.


Anos 1930
O jornalista Adolfo Aizen começa a publicar o Suplemento Juvenil, como era o modelo norte-americano. Para concorrer com ele, Roberto Marinho lançou o Globo Juvenil. No entanto, os personagens ainda eram importados, como os norte-americanos Flash Gordon, Mandrake, Tarzan, Popeye e Mickey.

Anos 1940

Lançamento da revista Gibi, nome que virou sinônimo de revista em quadrinhos aqui no Brasil. Entre as HQs apresentadas, ainda estão os gringos – Ferdinando, de Al Capp, e Barney Baxter, de Frank Miller –, mas Adolfo Aizen pela primeira vez investe na quadrinização de romances clássicos brasileiros.




Anos 1950

O time brasileiro dos quadrinhos entra em campo. São os adultos O Amigo da Onça (desenho), de Péricles Maranhão, e o Pererê, de Ziraldo, com mensagens ecológicas. Carlos Zéfiro corre por fora, desenvolvendo e vendendo seus, hoje clássicos, quadrinhos eróticos clandestinamente.

 
 
 
Anos 1960

Mauricio de Sousa começa a publicar as tirinhas do que viria a se tornar a Turma da Mônica, grande sucesso editorial no Brasil e no exterior, e Ziraldo lança seu “gibi” mais famoso: o Pererê (desenho).






Anos 1970

A censura do período militar não poupa os quadrinhos, que ficaram mais restritos, dispersos e sem regularidade. De qualquer forma, publicações como O Pasquim, com suas tiras sociais de Jaguar e de Henfil, criador da Graúna e dos Fradinhos (desenho), conseguem driblar a tesoura da ditadura. Na mesma época, o fanzine O Balão, criado por Laerte e Luiz Gê, revela autores consagrados até hoje, como os irmãos Paulo e Chico Caruso, e ainda Kiko e Angeli.

Anos 1980

Com a redemocratização, a imprensa abre espaço para os quadrinhos de Laerte, com os Piratas do Tietê (desenho), Angeli, com Chiclete com Banana, Glauco, com Geraldão, Chico e Paulo Caruso, com Avenida Brasil e Fernando Gonsales, com Níquel Náusea. Laerte, Angeli e Glauco criam ainda a célebre Los Três Amigos, HQ que satiriza, por meio de temas brasileiros, o clima western dos Estados Unidos.




Anos 1990/2000

A editora Devir começa a publicar quadrinhos importados e a investir em novos autores brasileiros, como Lourenço Mutarelli e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (desenho), para serem vendidos em livrarias. Saindo da segregação das bancas de jornal, os quadrinhos ganham novo impulso.

E o prêmio vai para...

Já na sua 20ª edição, o HQMix premiou os melhores do mundo dos quadrinhos




 
 
 
 
 
Na onda dos quadrinhos, o Sesc Pompéia sediou, em julho, o 20º Troféu HQMix, premiação reconhecida internacionalmente. Apresentado pelo televisivo Serginho Groisman, o evento foi realizado no 23 de julho e presidido pela professora e escritora Sonia Bibe Luyten. A votação foi feita em maio baseada nas indicações da comissão de organização formada pela Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e pelo Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (Imag). Foram cerca de 1.200 profissionais da área que votaram nas mais de 40 categorias, sendo as principais as de desenhistas e roteiristas. A cada ano, novas categorias surgem, mostrando a efervescência do mercado brasileiro de quadrinhos.


Aproveitando o mote, a unidade incrementou sua programação de julho com o HQ Férias. Foram várias atividades gratuitas, incluindo a exposição A História dos Quadrinhos no Brasil, recriada por Gualberto Costa, o Gual, e José Alberto Lovetro, o Jal, criadores do HQMix. Aconteceram também apresentações de peças de teatro, que se misturaram com a linguagem dos quadrinhos, e o Cine Teatro HQ, uma mostra de animação com vários curtas e longas-metragens. “Os ingressos esgotaram”, conta Lúcia Lopes, técnica do Sesc Pompéia. “Fez sucesso também a grande área de interação que a gente fez para as crianças desenharem, brincarem e descobrirem a linguagem do HQ.”

No Sesc Ipiranga o quadrinho aparece para lembrar um dos maiores compositores da história contemporânea da MPB. Como parte das atividades do projeto Cazuza – O Tempo Não Pára, em cartaz até 31 de agosto, que mistura música, cinema e poesia, aposta na versatilidade da HQ para homenagear os 50 anos de nascimento do poeta e vocalista ícone dos anos de 1980. “Nós queríamos fazer algo original, jovial e que pudesse ser colocado na voz do Cazuza, incorporando o que ele pensava das coisas, suas tristezas e alegrias”, diz Suzana Garcia, técnica da unidade e idealizadora do projeto. A partir dessa idéia e baseada em depoimentos do próprio compositor compilados pelo produtor Ezequiel Neves, grande amigo de Cazuza, o coletivo O Contínuo desenvolveu uma HQ com os pensamentos e memórias do cantor. São frases sobre a vida, a família, a música e a política do complicado contexto social que o país atravessava nos loucos anos de 1980. Os desenhos são de Alcimar Frazã e o roteiro de Pedro Felício e Dalton Correa. “Eu sou fã do Cazuza e nós d’O Contínuo sempre tivemos uma predileção por misturar música e quadrinhos”, diz Pedro Felício. “Passamos dois meses fazendo uma pesquisa de imagens dele e de suas referências, e encontramos soluções muito legais de como colocar tudo aquilo em desenho.”