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terça-feira, 25 de março de 2025

Vida leitora começa na primeira infância, diz neurocientista

por Ana Luísa D'Maschio

Em webinário, Maryanne Wolf explica o funcionamento do cérebro leitor e o papel fundamental da leitura para o desenvolvimento de bebês e crianças.

Pediatras deveriam incluir uma indicação de livro em cada consulta de rotina de seus pequenos pacientes. Para a neurocientista e educadora da UCLA (Universidade da Califórnia, Estados Unidos) Maryanne Wolf, a prescrição seria uma maneira de comover os pais e responsáveis a aderir ao hábito da leitura para seus filhos desde o começo da vida. “Podemos fazer muito quando lemos para uma criança”, diz. E ela explica o porquê.

“As crianças não aprendem a ler naturalmente”, ressalta. “Do ano zero aos 5 anos de idade, antes de o cérebro se tornar leitor, ele está em pleno desenvolvimento. Tudo o que acontece nessa fase é importante para o que vem depois. Todas as histórias que contamos e os livros que mostramos, portanto, fomentam esse progresso. O cérebro da criança absorve melhor a linguagem quando há a leitura por parte de um adulto”, afirma. 


Crédito: Divulgação
A importância do ato de ler desde a mais tenra idade foi um dos pontos trazidos por Maryanne no webinário “A leitura no mundo digital”, promovido pelo Itaú Social na quarta-feira, 21 de setembro. Ela compara um circuito de energia de uma casa com um cérebro que amplia os circuitos neurais a partir da leitura, conectando visão, linguagem e conhecimento. “A leitura é uma invenção, uma descoberta. O que o cérebro faz com invenções é criar novos circuitos.”

Autora do livro “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na nossa era”, Maryanne vê na leitura a base da formação socioemocional. “Na escola, aprendemos o processo de leitura profunda. Tudo o que trazemos da primeira infância, o que já sabemos, se conecta aos novos aspectos da linguagem”, explica. O incentivo à leitura aprofundada ajuda a expandir conceitos importantes: o pensamento crítico, a empatia e a reflexão, competências fundamentais do século 21.

“Queremos que nossos filhos aprendam a inferir, a entender, para ajudar a sociedade a respeitar o sentimento alheio e não aceitar tudo o que é dito. É uma combinação importante para uma sociedade democrática, para que se saiba votar com sabedoria, sem aceitar o que qualquer político demagogo diga”, exemplifica a educadora. “Por isso, é preciso entender, em primeiro lugar, a qualidade da atenção que estamos disponibilizando às crianças.”

Menos telas, mais atenção

A exposição aos meios eletrônicos cedo demais, e por muito tempo, é prejudicial, aponta Maryanne. Nos primeiros anos de vida, não se recomenda nenhuma tela. “É preciso que essa etapa seja marcada pela interação com a linguagem nos livros impressos. Os bebês escutam a fala e constroem o pensamento a partir dos fonemas, dos sons, da língua materna”, ensina. “A partir dos 4 anos, podem aprender competências digitais, mas elas devem começar com o material impresso. Assim, no futuro, quando fizerem uma leitura profunda no papel, podem ter a capacidade de fazer uma leitura profunda na tela”, sugere.

Impresso x digital?

A educadora reforça que a leitura é um ato de resistência em um mundo tão cheio de distrações. Ela diz ainda que a cultura digital está mudando o nosso cérebro, mas nem sempre de maneira positiva. Se passamos de dez a doze horas diárias em frente a uma tela, absorvendo uma enorme quantidade de informações, como ter tempo para imergir na leitura? “Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, e isso pode ser bom ou ameaçador. Lemos superficialmente, nossos olhos fazem o movimento da letra ‘z’, damos ao cérebro menos tempo para entender a complexidade de um texto”, explica.

Mas ela não defende só o meio impresso, tampouco demoniza o meio digital. “Não é algo binário, preto ou branco, bom ou ruim. Precisamos entender como cada meio nos afeta. Ambos têm custos e pontos fracos”, afirma, exemplificando com um trabalho que implementou na Etiópia.

“Realizo uma pesquisa em uma aldeia. Ali, os estudantes ainda não haviam aprendido a ler e pudemos levar alguns dispositivos digitais como suporte para apoiar a aquisição do letramento. A grande vantagem do meio digital é a disseminação do conhecimento, o apoio para uma sala de aula com muitos alunos”, comenta a neurocientista. “A tecnologia digital pode ser boa, mas acesso e questões de equidade permeiam tudo o que eu digo. Parte do que eu quero é justiça social.”

“Ampliemos o cérebro leitor de nossas crianças”, sugere Maryanne. Para tanto, é preciso considerar o que é necessário para desenvolver um “cérebro biletrado”, como ela mesmo define, adaptado tanto à alfabetização digital quanto à impressa, “que possa ler em profundidade em qualquer meio e impulsione a empatia e a análise crítica”.

Quer saber mais sobre a primeira infância? Confira nosso podcast!

“De 0 a 5” é um podcast sobre a primeira infância que discute como atravessar essa fase em uma pandemia. Produzido pelo Porvir em parceria com a Rede Nacional Primeira Infância, o podcast é apresentado por Marta Avancini e Ruam Oliveira.

 Fonte: PORVIR

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Criança não veste e nem come livros. Por Jonas Ribeiro

Mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar. 


Uma vez, estava em Ubá, Minas Gerais, e encontrei uma livraria. Logo embalei num proseado bom demais com a Lia, a livreira. Em dois tempos viramos amigos de infância e ela acabou me contando uma história que nunca mais esqueci. 

Em frente à livraria existia uma loja de sapatos femininos. Era muito comum as mulheres, acompanhadas de crianças, pararem por ali para experimentar pares de sapatos. Cansadas de esperar, as crianças procuravam algo para fazer e corriam até a livraria, onde se encantavam com os livros infantis. Quando a mãe deixava a loja, elas aproveitavam e pediam o livro. Houve uma ocasião em que uma menina arrastou a mãe para a livraria e, ao ouvir uma recusa, abriu um berreiro. A mãe foi categórica: 

- Você vai vestir o livro? Você vai comer o livro?

Logo, a livreira interveio:

- De fato, a sua filha não vestirá e nem comerá o livro, mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar ainda há pouco. 

Às vezes, as pessoas acham o livro caro e se esquecem de que, ao comprá-lo, estão ampliando o seu conhecimento, além de remunerar uma grande cadeia de profissionais: escritores, ilustradores, editores, revisores, diagramadores, gráficos, distribuidores, livreiros e divulgadores. Sem falar nos educadores, bibliotecários, diretores e coordenadores que erguem pontes entre os leitores e os livros. 

Baseado nessa história, pergunto: pra que serve uma história de amor? Por que alguém lê uma história de amor?

Porque ela alimenta a nossa intimidade, o nosso imaginário e fala do essencial. 

"A história rocambolesca de Madame Valesca" (Callis Editora) é um bom exemplo.

Nascida em berço de ouro, Madame Valesca tinha vestidos rodados e enormes, mas que estavam sempre no caminho e não deixavam ninguém se aproximar dela. Quando encontrou Rodolfo, ela sentiu necessidade de diminuir o tamanho dos vestidos para que seu amado se aproximasse. 

Uma história que trata do despojamento, do medo de ir em direção ao desconhecido. A coragem, a ousadia e o risco são temas que fazem sentido para todos aqueles que desaprenderam a ler ou esqueceram as diferenças existentes entre um livro e um par de sapatos. De fato, Lia, uma criança não come livros. Devora-os!

Por Jonas Ribeiro

Fonte: Cia dos Livros - Ano II - Número IV - Março 2010


sexta-feira, 26 de março de 2021

Pérez-Reverte: Livros que nunca lerei

Este ensaio, ‘Libros que nunca leeré’, foi originalmente publicado em espanhol nas páginas da XLSemanal. Com toda sua gentileza, don Arturo Pérez-Reverte autorizou a tradução e publicação de seu ensaio aqui em nosso Estado da ArteTradução de Gilberto Morbach.

Livros que nunca lerei
por don Arturo Pérez-Reverte
…………

É uma tarde tranquila de inverno, com reflexos do sol sob as árvores. Caminho pela Cuesta de Moyano, detendo-me nas banquinhas de livros de segunda mão que a esta hora estão abertas. São poucas e isso me entristece. Um dia com tão boa temperatura, uma hora agradável, e não há quase ninguém aqui. Paro para olhar os balcões, converso com os livreiros. Em todos, encontro poucas esperanças de que isso tudo sobreviva. Uma veterana, experiente no negócio, diz que “nos restam dois telediarios”,* e eu compartilho do pessimismo. Acabarão colocando aqui, suponho, bares de tapas ou algum tipo de artesanato de rua; e então, seguramente, o lugar estará cheio. No momento, a falta de interesse do público, a indiferença dos políticos, os tempos que passam, tudo isso sentencia a médio prazo esta joia da cultura madrilena; este paraíso dos leitores onde, pelo preço de duas cervejas, é possível levar, se se escolhe com cuidado, duas ou três boas edições de livros espetaculares. Aqui não há desculpas no sentido de que um livro é caro. Enquanto existir lugares como este, quem não lê não é porque não pode. É porque não quer.

…………….

                              La Cuesta de Moyano, fotografada por Juan Sardá


Sou um velho caçador de livros, com todos os modos e instintos para ser. De modo que, nesta tarde, como sempre, movo-me pelas bancas com olhos atentos e dedos rápidos para encher minha bolsa, tão disposto quanto no dia em que, há cinquenta anos, cheguei em Madrid e comecei, livro a livro, a construir a trincheira em que vivo e sobrevivo: a biblioteca que cresceu pouco a pouco, primeiro para reconstruir a dos meus avós e meu pai, e logo se tornando mais pessoal e própria. A que me permitiu compreender o mundo complexo e violento pelo qual caminhei desde muito jovem e que, agora, multiplicada em centenas de estantes e milhares de livros, me permite digerir o quanto vivi. A que, combinada com aquilo que recordo e imagino, me ajuda a contar histórias e interpretar o mundo. Inclusive, a suportá-lo quando não me agrada. Essa biblioteca que é lugar de trabalho, refúgio e, como disse muitas vezes, analgésico: do tipo que não elimina as causas da dor, mas ajuda a suportá-la.

Nesta idade, como digo, é puro instinto. Necessidade compulsiva, ainda que já tenha este ou aquele título em uma edição diferente. Ler o velho papel que outros já leram, tocar as páginas tocadas por outras mãos, encher a bolsa que eu costumo trazer quando venho aqui: Círculo de Lectores, Editorial Molino, Colección Reno, Austral, etc. Já não sinto, claro, a emoção dos primeiros anos; essa vibração quase física de encontrar um título procurado ou descobrir outros que piscavam pra mim, prometendo fazer parte de minha vida e até mesmo muda-la: El diablo enamorado, Cuadros de viaje, La flecha de oro, Vidas paralelas, Sistema de la naturaleza, El buen soldado… Mas o impulso, a necessidade de acumular livros como a pega que busca objetos brilhantes pro seu ninho, isso não mudou. Sigo caçando, rápido, apaixonado, cheio de alegria. Então, em casa, esvazio a bolsa para colocar cada um em seu lugar com a companhia que lhe corresponda. Como esses quatro de Graham Greene que acabo de comprar por dez euros, ainda que já os tenha em outras edições, apenas porque o ex libris ali colocado faz pensar que sua proprietária — uma mulher, talvez já morta —, fosse quem fosse, sorriria consolada se me visse resgatá-los.

Às vezes, alguém que vê minha biblioteca pergunta se já li todos esses livros. A resposta é sempre a mesma: alguns sim, outros não; mas preciso que todos eles estejam aí. Uma biblioteca é memória, companhia e projeto de futuro, ainda que esse projeto não chegue a se completar jamais. Uma biblioteca mobilia, e define, uma vida. Estranho é não perceber o coração e a cabeça de um ser humano depois de um olhar minucioso sobre os livros que tem em casa, ou os que não tem. Por isso, não me lamento por aqueles que não lerei. Cumprem sua função, inclusive ali, quietos, silenciosos, alinhados com seus títulos em suas lombadas. Posso abri-los, folheá-los, percorrê-los devagar, coloca-los na mochila para uma viagem. E ainda que eu jamais chegue a ler muitos deles, terão cumprido sua missão. Sua nobre tarefa. Quando compreendi que nunca leria todos os livros que gostaria de ler, e aceitei essa realidade com resignada melancolia, mudou minha vida de leitor. Fez-se mais plena e madura, do mesmo modo em que, na primeira guerra que eu conheci, reconhecer que eu também poderia morrer mudou minha forma de ver o mundo. Os livros que eu nunca lerei me definem e me enriquecem tanto como aqueles que eu li. Estão ali, e eles sabem quem eu sei. Se sobreviverem ao tempo, ao fogo, à água, ao desastre, à estupidez humana, um dia serão de outra pessoa. E graças a mim, que tive o privilégio de resgatá-los de seus milhares de naufrágios, unindo-os à minha vida.


                             ‘Librerie’, Giuseppe Maria Crespi, c. 1725


Nota:

Nota do tradutor: No espanhol, quando “le quedan dos telediarios” a alguém, significa que falta pouco para o fim. O Telediario é um tradicional programa de televisão que reúne as principais notícias do dia e dura por volta de meia hora.

Arturo Pérez-Reverte
XLSemanal 02.02.2020
www.perezreverte.com

Arturo Pérez-Reverte foi jornalista correspondente de guerra e, em 1994, abandonou sua carreira para se dedicar exclusivamente à literatura. É, desde 2003, membro da Real Academia Española.

Fonte: Estado da Arte


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

"Use Livros", texto Pedro Bial

Pedro Bial adaptou clássico "Filtro Solar" em manifesto que estimula o consumo de livros — Foto: TV Globo

Ouça a locução no link: 

"Senhoras e senhores do ano de 2019: livros, nunca deixem de usar livros! Se eu pudesse dar uma dica sobre o futuro seria esta: usem os livros!

Os benefícios a longo prazo do uso de livros estão provados e comprovados pela ciência; já a única base confiável de meus conselhos são mesmo... os livros... Não vou compartilhar conselhos, garanto que os livros contém todos os conselhos de que você precisa.

Aproveite bem: nos livros habitam o poder, a beleza e a juventude. Pode crer, daqui a vinte anos você vai evocar os seus livros e perceber de um jeito que você nem desconfia, hoje em dia, quantas, tantas alternativas os livros escancararam a sua frente.

Pegue, pague, sinta o cheiro, o peso, a textura; compre, venda, aprecie a capa, a cor, a moldura. Não se preocupe com o futuro, ocupe-se dele, a chegar, página por página. Os livros são máquinas de viajar no tempo.

Todo dia, leia, conheça novos livros, recomende outros, troque, doe, dê ou... Empreste, se quiser, mas diga adeus aos livros emprestados. Nos livros, a gente conhece pessoas que só poderia conhecer nos livros, pessoas de verdade e de mentira, ambas reais. E através dos livros, você conhece melhor quem está a seu lado. Livros aproximam as pessoas. Livros aproximam os continentes.

Talvez você case... Talvez tenha filhos.. Talvez se divorcie... talvez bodas de diamante. Os livros são marcadores no livro de sua vida. Desfrute dos livros, use-os de toda maneira que puder, mesmo! Se precisa de distração, se busca instrução, se estuda, se descansa, tem livro pra tudo. Se quer saber de onde vem, tem; se quer saber para onde vai, uai! Se nem aí pra isso, também!

Leia os livros que seus pais leram, você vai encontrá-los por lá. Leia os livros de seus filhos, aproveite a desculpa! Os livros guardam todos nossos amores, mesmo os perdidos. Tudo vivo, nos livros, sempre. Eles são a melhor ponte com o passado e guardam o futuro.

Livros vão e vem; alguns não, os de cabeceira. Livros diminuem as distâncias geográficas e de estilos de vida. Livros fazem a gente mais velha quando jovem, e mais jovem quando velha. Em São Paulo, nos levam à praia. No Rio, à montanha. Livros, use e os abuse, como enfeite, por deleite, como presente de Natal e aniversário, como cantada, ao encalço, como calço, a metro ou aquilo outro, isto: estique-os... entregue-se, livre sua pele, filtre e infiltre livros ao brilho solar, livros à luz do luar.

Cuidado com os conselhos que comprar, com os bens que vão se lhe oferecer. Gaste seu dinheiro, em coisas fúteis, úteis, supérfluas ou essenciais, torre ou invista, seja pão duro ou manteiga derretida.

Adquira o que precisa, consuma o que não precisa. Mas guarde o troco para os livros. Livros costumam ter mais valor que preço. Use os livros, como quiser usar, agora, como nunca; agora, como sempre, Use os livros, a mais não poder usar".

Fonte: GShow

terça-feira, 25 de setembro de 2018

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

leitura feliz 2

Ler não é apenas fundamental: é necessário! Um livro nos coloca em contato com o outro, nos tira de nós mesmos, nos faz lançar um novo olhar para o mundo. Além de ser uma ótima companhia!

Quando lemos, ficamos sabendo sobre assuntos que não conhecíamos ou dos quais sabíamos muito pouco. O nosso repertório cultural se amplia quando entramos em narrativas imaginárias.  

A nossa capacidade imaginativa fica mais elástica e menos formatada, sobretudo, quando é tão fácil termos a mão um smartphone com conteúdos selecionados de acordo com o nosso perfil. A leitura de um livro nos dá uma liberdade de trânsito por outros universos culturais com muito mais solidez do que as fórmulas prontas das redes sociais. 

Por isso, aqui estão

10 razões pelas quais vale a pena você ler mais:

1. Os protagonistas das histórias que preferimos estão de alguma forma relacionados com a nossa vida. Alguns estudos sugerem que muitas pessoas se lembram de ter lido pelo menos uma história que tenha mudado suas vidas e que isso leva a mudanças reais no cérebro. Em suma, alguns personagens podem "influenciar" nosso modo de pensar e nosso comportamento. Também por esta razão é importante escolher não casualmente o que se lê ou o que se lê para uma criança.

2. Estreitamente ligado ao ponto anterior, a leitura gera empatia. A leitura, de fato, leva a uma espécie de simulação de experiências sociais e, portanto, a uma maior empatia com os outros, a uma maior criatividade e a um comportamento cooperativo.

3. Regularmente a leitura de romances aumenta a conectividade de diferentes áreas do cérebro, incluindo as associadas ao processamento linguístico e à resposta sensorial primária, o que ajuda a compreender e visualizar o movimento. E, de acordo com o estudo publicado na revista Brain Connectivity, isso permanece mesmo depois de terminar o livro.

4. Ler um livro estende sua vida. De acordo com a pesquisa da Universidade de Yale em New Haven, de fato, os leitores, independentemente do sexo e estilos de vida, vivem dois anos mais do que aqueles que não tocam em uma folha.

5. A leitura ajuda no desenvolvimento das crianças: a leitura em voz alta para os filhos é um hábito precioso porque estimula o cérebro e melhora o desenvolvimento da linguagem.

6. A leitura combina o sono: ler antes de ir dormir é um bom hábito por vários motivos, sendo um deles adormecer mais sereno.

7. Reduz o estresse e previne ansiedade e depressão: estudos epidemiológicos descobriram que muitos pacientes que sofrem de ansiedade e depressão tiveram um declínio nos sintomas ao ler constantemente romances. Por outro lado, também foi demonstrado que a leitura relaxa os sentidos.

8. Ler em voz alta para cães ajuda as crianças. Parece estranho, mas não é. De fato, uma pesquisa mostrou que ler em voz alta para um cachorro pode ajudar as crianças em idade escolar a melhorar suas habilidades de leitura e construir relacionamentos positivos com os livros e a escola.

9. A leitura abre a mente e cura as feridas da alma porque uma história se conecta com o mundo, fornece incentivos para sair de uma dificuldade ou inconveniente, ajuda a enfrentar o medo de falhas e dores e a entender que elas fazem parte da vida.

10. A leitura estimula toda a atividade cerebral e aumenta a conectividade do cérebro, é um remédio para a memória e, em geral, para todas as funções cognitivas.

Ficou convencido de que ler faz bem para o corpo e para a alma? Vale ler romance, poesia, biografia, enfim, qualquer livro que lhe dê prazer, felicidade ou que o faça sair do eixo!

Fonte: greenMe

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Qual a importância da leitura literária na infância?


A professora Cristiane Tavares, coordenadora do curso de pós-graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", comenta o valor da literatura na formação crítica das crianças

 
(Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil)

A leitura literária é importante na infância por vários motivos, mas vou citar quatro razões que considero essenciais. Pensando especificamente na primeira infância, podemos dizer que a leitura literária – aqui entendida de modo amplo, incluindo textos produzidos oralmente, como canções, cantigas de ninar, parlendas, trava-línguas – é uma das primeiras experiências de comunicação poética que a criança tem, o que pode proporcionar sensações de bem-estar e fortalecimento da subjetividade importantes para o desenvolvimento emocional, por exemplo, além de desafios cognitivos lúdicos, considerando-se que a comunicação poética convida a um instigante jogo com o sentido das palavras e com os sentidos da percepção.

O ritmo do texto poético falado ou cantado, a sonoridade das palavras, a constância de um determinado timbre de voz e suas entonações comunicam sentimentos específicos e ampliam a capacidade de percepção e interação da criança, inclusive em se tratando de bebês. É por isso que, mesmo em contextos em que o livro como objeto está ausente, mas a palavra literária é de alguma forma criada e compartilhada oralmente, podemos dizer que há leitura literária porque há uma interação marcada pela intenção de se comunicar de forma singular com a criança, tendo a palavra poética como principal recurso. Além disso, avançando um pouco mais, a leitura literária na infância é necessária para garantir o acesso da criança à cultura escrita, sobretudo, o acesso à cultura escrita em sua expressão artística. 

A leitura literária pode ser, por exemplo, um dos primeiros contatos da criança com uma obra de arte, se considerarmos a literatura como linguagem artística. Essa imersão na cultura escrita adquire ainda mais valor, pensando-se no que ela pode proporcionar socialmente. Integrar uma comunidade de leitores, desde cedo, mesmo antes de saber ler convencionalmente, pode ser uma experiência coletiva extremamente formativa: ouvir a leitura de um adulto, falar sobre os livros, discutir preferências e pontos de vista, buscar sentidos implícitos, construir e validar interpretações de forma partilhada são experiências que a leitura literária pode proporcionar.

O direito à fabulação, como nos ensinou o mestre Antonio Candido, é mais um aspecto que torna a leitura literária tão necessária, desde a infância. Fabular ou buscar modos simbólicos de compreender e recriar a realidade é condição para o desenvolvimento humano porque permite encontrar formas cada vez mais elaboradas de compreensão de si, do outro e do meio social em que se vive. A leitura dos chamados contos maravilhosos e das narrativas míticas, que tanto atraem as crianças, são meios potentes de exercitar a fabulação. Por fim, uma quarta razão que torna a leitura literária na infância necessária é a experiência de alteridade que ela proporciona (tão em falta no tempo que vivemos!), ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, de estabelecer uma relação de empatia e respeito com outras experiências humanas, em distintos contextos culturais. Como diz a espanhola Teresa Colomer, especialista em literatura infantojuvenil, a literatura nos permite “ser outro, sem deixar de ser a gente mesmo”.

Cristiane Fernandes Tavares é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2005) e graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, atualmente coordena o curso de Pós-Graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", no Instituto Vera Cruz - SP.

terça-feira, 10 de abril de 2018

5 dicas para incentivar a leitura nas empresas


A qualificação constante dos funcionários é o desejo de praticamente todos os gestores e diretores de empresas, independente do ramo de atuação em que a organização trabalha. E, para conquistar isso, incentivar a leitura é muito importante.

Muitas pessoas têm preguiça de ler ou consideram a atividade algo chato. Isso pode ser facilmente revertido se houver incentivo. Afinal, uma vez que se toma gosto pela leitura, dificilmente a pessoa irá abandonar o hábito e a qualificação será constante.

Quer saber como incentivar a leitura entre os colaboradores da sua empresa? Então confira nossas dicas!

 

Organize palestras com autores

Você pode convidar um autor da sua região, que esteja lançando um livro novo ou então que seja conhecido e renomado pela sua atuação, para dar uma palestra ou workshop para os colaboradores da empresa.

Nessa palestra, o autor poderá falar tanto das suas obras quanto dos benefícios da leitura de um modo geral. Isso fará com que as pessoas se interessem pelas histórias dos livros, adquirindo hábitos de um bom leitor.

 

Faça sorteios de equipamentos de leitura digital

A tecnologia pode ser uma aliada para incentivar a leitura. Isso porque você poderá adquirir uma determinada quantidade de equipamentos de leitura digital, como e-readers e até mesmo tablets para sorteio entre os colaboradores.

E para que a estratégia funcione ainda melhor, você pode sortear os equipamentos durante um evento literário, para aqueles colaboradores que participarem de um debate sobre uma determinada obra, por exemplo.

 

Promova um amigo secreto de livros

Em épocas como o Natal, aniversário da empresa ou outras datas comemorativas, é comum que as organizações promovam a tradicional brincadeira do amigo secreto entre os colaboradores.

Uma ideia interessante é substituir os presentes tradicionais desse tipo de atividade por livros. Assim, cada colaborador terá que pensar em um estilo literário que mais vá agradar o colega que tirou, promovendo, além da leitura, uma divertida forma de integração.

 

Não limite as leituras a obras técnicas

Um erro comum cometido por quem deseja implantar a leitura nas empresas é achar que os funcionários devem ler apenas livros de sua área de atuação. Isso não pode ser feito, pois a leitura também deve ser vista como uma forma de entretenimento, tendo o aprendizado como consequência.
Romances, suspenses, biografias, entre diversos outros gêneros literários, devem ter espaço na empresa.

 

Implante uma biblioteca digital

Investir em livros na forma física pode sair bastante caro para uma empresa, mas isso não é impedimento para que a organização possua sua própria biblioteca. Você pode implantar uma biblioteca digital, pagando uma mensalidade acessível e tendo acesso a um acervo com muitas obras literárias de gêneros variados para todos os gostos e estilos.

Essas bibliotecas funcionam em forma de streaming, de forma similar ao Netflix e o Spotify, de modo que os colaboradores poderão ler as obras em seus horários de intervalo, estando conectados a dispositivos móveis como smartphones, tablets e e-readers.

E então, o que você achou das nossas ideias para incentivar a leitura na sua empresa? Muito legal, não é mesmo? Agora chegou a hora de colocar tudo em prática e fazer da sua equipe uma legião de leitores.

Que tal compartilhar este post nas suas redes sociais para que mais gestores de empresas possam incentivar a leitura de seus colaboradores? Afinal, conhecimento deve ser compartilhado!

Incentivo à leitura: como estimular os alunos a lerem mais?


Volta e meia surgem novas pesquisas apontando que os brasileiros leem muito pouco e, muitas vezes, isso está relacionado à falta de domínio da língua escrita. Isso evidencia o grande desafio de formar leitores e a importância de se pensar no incentivo à leitura desde o início da escolarização.
Para o post de hoje, trouxemos 5 dicas fundamentais para os alunos abraçarem a literatura.

1. Dê vida à biblioteca

A biblioteca da escola não deve ser encarada pela comunidade apenas como um depósito de livros empoeirados. Ela é o símbolo do quão valorizada é a leitura na escola e deve ser tão atraente para os alunos quanto se quer que a literatura seja.
É preciso que seja um espaço de paz, que permita a introspecção da leitura de forma confortável. Para tanto, garanta que ela esteja sempre bem iluminada, imune ao alvoroço do recreio e que propicie aos alunos uma mobília aconchegante — até mesmo com pufes, se possível.
Os alunos também devem ter total abertura para visitar a biblioteca sempre que quiserem e passear pelas estantes, experimentar os livros lá mesmo ou alugá-los. Para isso, os horários, o espaço e os profissionais da biblioteca devem ser acolhedores.
O silêncio também pode ser quebrado de vez em quando por atividades como as propostas nas dicas 2 e 3.

2. Conte histórias

Essa é uma ótima dica para os alunos dos primeiros ciclos, pois os mais novos costumam estar mais abertos a atividades lúdicas na escola.
Descubra se há algum professor que goste de contar histórias e planeje com ele um evento na biblioteca em torno disso. Você pode, por exemplo, criar a Semana do Conto de Fadas, na qual todos os dias, durante o recreio, os alunos poderão ouvir uma história diferente.
Ao verem o contador se apresentando com um livro em mãos, lendo alguns trechos e dizendo outros de memória, os alunos se sentirão convidados a conhecer outras histórias em outros livros e, quem sabe, desenvolver um hábitoa partir disso.

3. Crie um clube de leitura

O valor que damos a muitas coisas tem origem no valor que vimos alguém dar a essas mesmas coisas antes de nós. Dessa forma, se por um lado precisamos do nosso próprio tempo e espaço para ler, a leitura de textos literários deve, em outros momentos, ser encarada como uma atividade social.
Um clube de leitura abre espaço para que esses momentos sejam compartilhados. Os alunos dividirão, de primeiro, metas de leitura e posteriormente suas apreciações sobre o livro. Assim haverá incentivo na progressão da leitura e expansão do mundo que conheceram sozinhos por meio do olhar dos seus colegas.

4. Crie o Prêmio de Incentivo à Leitura

Outra forma de atribuir valor à leitura é premiando — com livros, é claro — os leitores mais vorazes ou os frequentadores mais assíduos da biblioteca numa espécie de desafio de leitura.
Essa é uma técnica que não vai atingir aqueles que ainda não gostam de ler, mas com certeza vai causar alvoroço nos que já foram “mordidos” pelo bicho do livro. Esses vão querer ser os próximos vencedores.

5. Não deixe as novas mídias de lado

Há quem diga que os jovens de hoje não são mais atraídos pela literatura porque os seriados e filmes dão conta da ficção de forma mais dinâmica. 
Lembre-se que você já viu por aí diversas mídias coexistindo. O rádio não morreu com a chegada da televisão — nem o jornal impresso. Ele sobreviveu até mesmo à internet e foi por ela incorporado! Bons exemplos disso são os podcasts.
Os livros também estão sendo constantemente incorporados à linguagem do cinema, por exemplo. Então por que não usar filmes para chamar atenção à leitura? Já dizia o ditado: “se não pode vencê-los, junte-se a eles”.
Proponha a exibição de adaptações de livros — ou de filmes que falam sobre a importância da leitura — na sua escola e você verá alguns alunos indo atrás das origens dos filmes e redescobrindo as histórias em casa.
Gostou das nossas dicas de incentivo à leitura? Já testou alguma delas na sua escola ou encontrou bons resultados com outras ações? Conte para a gente nos comentários!

quinta-feira, 15 de março de 2018

2 Técnicas para Aplicar Durante a Leitura em Voz Alta

Carlos Nadalim


Sabia que o estilo das interações verbais realizadas durante a leitura em voz alta, mais do que a freqüência de leitura, tem impacto positivo no desenvolvimento lingüístico das crianças? Melhore a interação verbal com seu filho durante a leitura em voz alta seguindo as dicas que dou neste vídeo.

No último vídeo, prometi fazer uma indicação de um livro e, além disso, passar algumas dicas para melhorar a qualidade de interação verbal ao longo da leitura em voz alta a fim de proporcionar às crianças a aquisição de algumas daquelas habilidades que mencionei nesse mesmo vídeo.
Vamos começar pela indicação: “A Árvore Generosa”. Compre esse livro, uma obra belíssima que você certamente não terá dificuldades para encontrar.
Quais são as dicas que reservei para que você melhore a interação verbal com seus filhos durante a leitura em voz alta? A primeira dica é: adote o estilo descritor.Como funciona? É algo muito simples: depois de ler a história de cabo a rabo, comece a ler e a descrever as ilustrações. Você vai auxiliar seu filho a aumentar o vocabulário. Suponhamos que você já tenha ouvido a história “A Árvore Generosa” e eu comece a ler: “Isso é um tronco. Como é o tronco? O tronco é grosso. Quem está subindo no tronco grosso da Árvore Generosa?” Assim você vai resgatando coisas da história, ou acrescentando outras palavras.
Outro estilo é o estilo orientado à performance e é algo muito simples. Ao fim da história, por meio de perguntas, convide a criança a chegar sozinha à conclusão. Você também pode levar a criança a estabelecer relações entre a conclusão da história e experiências vivenciadas por ela, pelos familiares ou amigos. Isso ajuda muito a criança não só na aquisição de vocabulário, mas também a se expressar, a realizar inferências e a adquirir habilidades centrais para a futura compreensão de textos.
Por exemplo, meu filho já conhece a história da Árvore Generosa de cabo a rabo. Já nomeei as ilustrações e cenas e atualmente estou no período em que exploro as conexões entre a conclusão da história e as experiências dele. A primeira conexão que estabeleci nessa história foi entre a generosidade da árvore e a generosidade da mãe dele. Não consegui ainda explorar todos os temas e fazer todas as conexões porque a história vai mostrar que o menino, depois, começará a se aproveitar da generosidade da árvore, mas meu filho ainda não entrou nessa fase. No futuro, porém, espero conseguir alimentar essas conexões. É um estilo de interação verbal muito interessante e rico para travar uma conversa com as crianças depois de ler alguma história.
Veja a importância dessas dicas. Nós falamos aqui sobre estilos de interação verbal durante a leitura em voz alta, certo? Mas você sabia que o estilo de leitura, mais do que a freqüência, tem impacto positivo no desenvolvimento lingüístico das crianças? Não basta apenas ler em voz alta para seus filhos, é preciso também adotar os estilos de leitura mais favoráveis para promover o aumento do vocabulário, da expressão verbal e, conseqüentemente, de uma boa compreensão textual no momento da alfabetização.