Fonte: Folha da RegiãoA proposta do blog é reunir trabalhos e ideias que fomentem o incentivo a leitura.
terça-feira, 22 de abril de 2025
terça-feira, 25 de março de 2025
Vida leitora começa na primeira infância, diz neurocientista
por Ana Luísa D'Maschio
Em webinário, Maryanne Wolf explica o funcionamento do cérebro leitor e
o papel fundamental da leitura para o desenvolvimento de bebês e crianças.
Pediatras deveriam incluir uma
indicação de livro em cada consulta de rotina de seus pequenos pacientes. Para
a neurocientista e educadora da UCLA (Universidade da Califórnia, Estados
Unidos) Maryanne Wolf, a prescrição seria uma
maneira de comover os pais e responsáveis a aderir ao hábito da leitura para
seus filhos desde o começo da vida. “Podemos fazer muito quando lemos para uma
criança”, diz. E ela explica o porquê.
“As crianças não aprendem a ler naturalmente”, ressalta. “Do ano zero aos 5 anos de idade, antes de o cérebro se tornar leitor, ele está em pleno desenvolvimento. Tudo o que acontece nessa fase é importante para o que vem depois. Todas as histórias que contamos e os livros que mostramos, portanto, fomentam esse progresso. O cérebro da criança absorve melhor a linguagem quando há a leitura por parte de um adulto”, afirma.
A importância do ato de ler desde a mais tenra idade foi um dos pontos trazidos por Maryanne no webinário “A leitura no mundo digital”, promovido pelo Itaú Social na quarta-feira, 21 de setembro. Ela compara um circuito de energia de uma casa com um cérebro que amplia os circuitos neurais a partir da leitura, conectando visão, linguagem e conhecimento. “A leitura é uma invenção, uma descoberta. O que o cérebro faz com invenções é criar novos circuitos.”Autora do livro “O cérebro no mundo digital – os desafios da leitura na
nossa era”, Maryanne vê na leitura a base da formação
socioemocional. “Na escola, aprendemos o processo de leitura profunda. Tudo o
que trazemos da primeira infância, o que já sabemos, se
conecta aos novos aspectos da linguagem”, explica. O incentivo à leitura
aprofundada ajuda a expandir conceitos importantes: o pensamento crítico, a
empatia e a reflexão, competências fundamentais do século 21.
“Queremos que nossos filhos aprendam
a inferir, a entender, para ajudar a sociedade a respeitar o sentimento alheio
e não aceitar tudo o que é dito. É uma combinação importante para uma sociedade
democrática, para que se saiba votar com sabedoria, sem aceitar o que qualquer
político demagogo diga”, exemplifica a educadora. “Por isso, é preciso
entender, em primeiro lugar, a qualidade da atenção que estamos
disponibilizando às crianças.”
Menos telas, mais atenção
A exposição aos meios eletrônicos
cedo demais, e por muito tempo, é prejudicial, aponta Maryanne. Nos primeiros
anos de vida, não se recomenda nenhuma tela. “É preciso que essa etapa seja
marcada pela interação com a linguagem nos livros impressos. Os bebês escutam a
fala e constroem o pensamento a partir dos fonemas, dos sons, da língua materna”,
ensina. “A partir dos 4 anos, podem aprender competências digitais, mas elas
devem começar com o material impresso. Assim, no futuro, quando fizerem uma
leitura profunda no papel, podem ter a capacidade de fazer uma leitura profunda
na tela”, sugere.
Impresso x digital?
A educadora reforça que a leitura é
um ato de resistência em um mundo tão cheio de distrações. Ela diz ainda que a
cultura digital está mudando o nosso cérebro, mas nem sempre de maneira
positiva. Se passamos de dez a doze horas diárias em frente a uma tela,
absorvendo uma enorme quantidade de informações, como ter tempo para imergir na
leitura? “Fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, e isso pode ser bom ou
ameaçador. Lemos superficialmente, nossos olhos fazem o movimento da letra ‘z’,
damos ao cérebro menos tempo para entender a complexidade de um texto”,
explica.
Mas ela não defende só o meio
impresso, tampouco demoniza o meio digital. “Não é algo binário, preto ou
branco, bom ou ruim. Precisamos entender como cada meio nos afeta. Ambos têm
custos e pontos fracos”, afirma, exemplificando com um trabalho que implementou
na Etiópia.
“Realizo uma pesquisa em uma aldeia.
Ali, os estudantes ainda não haviam aprendido a ler e pudemos levar alguns
dispositivos digitais como suporte para apoiar a aquisição do letramento. A grande vantagem do meio digital é a disseminação do
conhecimento, o apoio para uma sala de aula com muitos alunos”,
comenta a neurocientista. “A tecnologia digital pode ser boa, mas acesso e
questões de equidade permeiam tudo o que eu digo. Parte do que eu quero é
justiça social.”
“Ampliemos o cérebro leitor de nossas
crianças”, sugere Maryanne. Para tanto, é preciso considerar o que é necessário
para desenvolver um “cérebro biletrado”, como ela mesmo define, adaptado tanto
à alfabetização digital quanto à impressa, “que possa ler em profundidade em
qualquer meio e impulsione a empatia e a análise crítica”.
Quer saber mais sobre a primeira
infância? Confira nosso podcast!
“De 0 a 5” é um podcast sobre a
primeira infância que discute como atravessar essa fase em uma pandemia.
Produzido pelo Porvir em parceria com a Rede Nacional Primeira Infância, o podcast
é apresentado por Marta Avancini e Ruam Oliveira.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
segunda-feira, 24 de junho de 2024
quarta-feira, 10 de abril de 2024
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Criança não veste e nem come livros. Por Jonas Ribeiro
Mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar.
Uma vez, estava em Ubá, Minas Gerais, e encontrei uma livraria. Logo embalei num proseado bom demais com a Lia, a livreira. Em dois tempos viramos amigos de infância e ela acabou me contando uma história que nunca mais esqueci.
Em frente à livraria existia uma loja de sapatos femininos. Era muito comum as mulheres, acompanhadas de crianças, pararem por ali para experimentar pares de sapatos. Cansadas de esperar, as crianças procuravam algo para fazer e corriam até a livraria, onde se encantavam com os livros infantis. Quando a mãe deixava a loja, elas aproveitavam e pediam o livro. Houve uma ocasião em que uma menina arrastou a mãe para a livraria e, ao ouvir uma recusa, abriu um berreiro. A mãe foi categórica:
- Você
vai vestir o livro? Você vai comer o livro?
Logo,
a livreira interveio:
- De fato, a sua filha não vestirá e nem comerá o livro, mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar ainda há pouco.
Às vezes, as pessoas acham o livro caro e se esquecem de que, ao comprá-lo, estão ampliando o seu conhecimento, além de remunerar uma grande cadeia de profissionais: escritores, ilustradores, editores, revisores, diagramadores, gráficos, distribuidores, livreiros e divulgadores. Sem falar nos educadores, bibliotecários, diretores e coordenadores que erguem pontes entre os leitores e os livros.
Baseado
nessa história, pergunto: pra que serve uma história de amor? Por que alguém lê
uma história de amor?
Porque ela alimenta a nossa intimidade, o nosso imaginário e fala do essencial.
"A
história rocambolesca de Madame Valesca" (Callis Editora) é um bom
exemplo.
Nascida em berço de ouro, Madame Valesca tinha vestidos rodados e enormes, mas que estavam sempre no caminho e não deixavam ninguém se aproximar dela. Quando encontrou Rodolfo, ela sentiu necessidade de diminuir o tamanho dos vestidos para que seu amado se aproximasse.
Uma
história que trata do despojamento, do medo de ir em direção ao desconhecido. A
coragem, a ousadia e o risco são temas que fazem sentido para todos aqueles que
desaprenderam a ler ou esqueceram as diferenças existentes entre um livro e um
par de sapatos. De fato, Lia, uma criança não come livros. Devora-os!
Por Jonas Ribeiro
Fonte: Cia dos Livros - Ano II - Número IV - Março 2010
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
sexta-feira, 26 de março de 2021
Pérez-Reverte: Livros que nunca lerei
Este ensaio, ‘Libros que nunca leeré’, foi originalmente publicado em espanhol nas páginas da XLSemanal. Com toda sua gentileza, don Arturo Pérez-Reverte autorizou a tradução e publicação de seu ensaio aqui em nosso Estado da Arte. Tradução de Gilberto Morbach.
Livros que nunca lerei
por don Arturo Pérez-Reverte
…………
É uma tarde tranquila de inverno, com reflexos do sol sob as árvores. Caminho pela Cuesta de Moyano, detendo-me nas banquinhas de livros de segunda mão que a esta hora estão abertas. São poucas e isso me entristece. Um dia com tão boa temperatura, uma hora agradável, e não há quase ninguém aqui. Paro para olhar os balcões, converso com os livreiros. Em todos, encontro poucas esperanças de que isso tudo sobreviva. Uma veterana, experiente no negócio, diz que “nos restam dois telediarios”,* e eu compartilho do pessimismo. Acabarão colocando aqui, suponho, bares de tapas ou algum tipo de artesanato de rua; e então, seguramente, o lugar estará cheio. No momento, a falta de interesse do público, a indiferença dos políticos, os tempos que passam, tudo isso sentencia a médio prazo esta joia da cultura madrilena; este paraíso dos leitores onde, pelo preço de duas cervejas, é possível levar, se se escolhe com cuidado, duas ou três boas edições de livros espetaculares. Aqui não há desculpas no sentido de que um livro é caro. Enquanto existir lugares como este, quem não lê não é porque não pode. É porque não quer.
…………….
La Cuesta de Moyano, fotografada por Juan Sardá
Sou um velho caçador de livros, com todos os modos e instintos para ser. De modo que, nesta tarde, como sempre, movo-me pelas bancas com olhos atentos e dedos rápidos para encher minha bolsa, tão disposto quanto no dia em que, há cinquenta anos, cheguei em Madrid e comecei, livro a livro, a construir a trincheira em que vivo e sobrevivo: a biblioteca que cresceu pouco a pouco, primeiro para reconstruir a dos meus avós e meu pai, e logo se tornando mais pessoal e própria. A que me permitiu compreender o mundo complexo e violento pelo qual caminhei desde muito jovem e que, agora, multiplicada em centenas de estantes e milhares de livros, me permite digerir o quanto vivi. A que, combinada com aquilo que recordo e imagino, me ajuda a contar histórias e interpretar o mundo. Inclusive, a suportá-lo quando não me agrada. Essa biblioteca que é lugar de trabalho, refúgio e, como disse muitas vezes, analgésico: do tipo que não elimina as causas da dor, mas ajuda a suportá-la.
Nesta idade, como digo, é puro instinto. Necessidade compulsiva, ainda que já tenha este ou aquele título em uma edição diferente. Ler o velho papel que outros já leram, tocar as páginas tocadas por outras mãos, encher a bolsa que eu costumo trazer quando venho aqui: Círculo de Lectores, Editorial Molino, Colección Reno, Austral, etc. Já não sinto, claro, a emoção dos primeiros anos; essa vibração quase física de encontrar um título procurado ou descobrir outros que piscavam pra mim, prometendo fazer parte de minha vida e até mesmo muda-la: El diablo enamorado, Cuadros de viaje, La flecha de oro, Vidas paralelas, Sistema de la naturaleza, El buen soldado… Mas o impulso, a necessidade de acumular livros como a pega que busca objetos brilhantes pro seu ninho, isso não mudou. Sigo caçando, rápido, apaixonado, cheio de alegria. Então, em casa, esvazio a bolsa para colocar cada um em seu lugar com a companhia que lhe corresponda. Como esses quatro de Graham Greene que acabo de comprar por dez euros, ainda que já os tenha em outras edições, apenas porque o ex libris ali colocado faz pensar que sua proprietária — uma mulher, talvez já morta —, fosse quem fosse, sorriria consolada se me visse resgatá-los.
Às vezes, alguém que vê minha biblioteca pergunta se já li todos esses livros. A resposta é sempre a mesma: alguns sim, outros não; mas preciso que todos eles estejam aí. Uma biblioteca é memória, companhia e projeto de futuro, ainda que esse projeto não chegue a se completar jamais. Uma biblioteca mobilia, e define, uma vida. Estranho é não perceber o coração e a cabeça de um ser humano depois de um olhar minucioso sobre os livros que tem em casa, ou os que não tem. Por isso, não me lamento por aqueles que não lerei. Cumprem sua função, inclusive ali, quietos, silenciosos, alinhados com seus títulos em suas lombadas. Posso abri-los, folheá-los, percorrê-los devagar, coloca-los na mochila para uma viagem. E ainda que eu jamais chegue a ler muitos deles, terão cumprido sua missão. Sua nobre tarefa. Quando compreendi que nunca leria todos os livros que gostaria de ler, e aceitei essa realidade com resignada melancolia, mudou minha vida de leitor. Fez-se mais plena e madura, do mesmo modo em que, na primeira guerra que eu conheci, reconhecer que eu também poderia morrer mudou minha forma de ver o mundo. Os livros que eu nunca lerei me definem e me enriquecem tanto como aqueles que eu li. Estão ali, e eles sabem quem eu sei. Se sobreviverem ao tempo, ao fogo, à água, ao desastre, à estupidez humana, um dia serão de outra pessoa. E graças a mim, que tive o privilégio de resgatá-los de seus milhares de naufrágios, unindo-os à minha vida.
‘Librerie’, Giuseppe Maria Crespi, c. 1725
Nota:
* Nota do tradutor: No espanhol, quando “le quedan dos telediarios” a alguém, significa que falta pouco para o fim. O Telediario é um tradicional programa de televisão que reúne as principais notícias do dia e dura por volta de meia hora.
Arturo Pérez-Reverte
XLSemanal 02.02.2020
www.perezreverte.com
Arturo Pérez-Reverte foi jornalista correspondente de guerra e, em 1994, abandonou sua carreira para se dedicar exclusivamente à literatura. É, desde 2003, membro da Real Academia Española.
Fonte: Estado da Arte
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
"Use Livros", texto Pedro Bial
Fonte: GShow
terça-feira, 25 de setembro de 2018
A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais

quinta-feira, 28 de junho de 2018
Qual a importância da leitura literária na infância?
A professora Cristiane Tavares, coordenadora do curso de pós-graduação "Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica", comenta o valor da literatura na formação crítica das crianças
terça-feira, 10 de abril de 2018
5 dicas para incentivar a leitura nas empresas
Organize palestras com autores
Faça sorteios de equipamentos de leitura digital
Promova um amigo secreto de livros
Não limite as leituras a obras técnicas
Implante uma biblioteca digital
Incentivo à leitura: como estimular os alunos a lerem mais?
Volta e meia surgem novas pesquisas apontando que os brasileiros leem muito pouco e, muitas vezes, isso está relacionado à falta de domínio da língua escrita. Isso evidencia o grande desafio de formar leitores e a importância de se pensar no incentivo à leitura desde o início da escolarização.















