Ler...
Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos.
Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática,
trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!
A proposta do blog é reunir trabalhos e ideias que fomentem o incentivo a leitura.
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Poema "Aula de leitura"
Ricardo Azevedo
Escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens
A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.
Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.
Assista a declamação do poema "Aula de leitura" pelo próprio autor.
Escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens
A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.
Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.
Assista a declamação do poema "Aula de leitura" pelo próprio autor.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Se ela soubesse ler - Poema de Agenor Silveira
Se ela soubesse ler
Agenor Silveira
Se ela soubesse ler — que bom seria!
Que bom! com que prazer
E comoção meus madrigais leria,
Se ela soubesse ler!
—
Se soubesse escrever – oh! que alegria
Não havia de ser!
Que páginas de amor me escreveria
Se soubesse escrever!
—
Mas quantas outras, quantas, não podia
De estranha procedência receber!
E então – que horror! Que grande horror seria,
Podia a todas elas responder,
—
Permita o justo céu que a desalmada,
Que assim me soube o coração prender,
Aprenda a amar-me apenas, e mais nada,
Porque mais nada lhe convém saber…
Fonte: Peregrinacultural's Weblog
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Os primeiros livros, poema de Bastos Tigre
O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).
Os primeiros livros - Bastos Tigre
Um livro: — um lindo brinquedo
Que Bebê fica a mirar:
Cada página é um segredo
A desvendar.
Livro de folhas escritas
E ilustradas — mais de cem!
Quantas histórias bonitas
Ele contém!
Figuras de vivas cores,
Lindamente combinadas:
Casas, bichos, frutas, flores,
Bruxas e fadas…
E a explicação disso tudo
Em grandes letras impressas!
Bebê, radiante no estudo,
Firme, começa!
Essas letras, essas frases
Têm tais sentidos ocultos,
Que entender não são capazes
Doutos adultos.
É preciso ter cinco anos
– E nem todo mundo os tem –
Para poder tais arcanos
Penetrar bem.
Por leitura eu não entendo
O que eu faço e faz qualquer,
As letras do que está lendo
Sem ver sequer.
Bebê cada letra estuda,
Em cada sílaba atenta,
Franzindo a testa sisuda,
Descobre, inventa,
Decifra um novo mistério
A cada voz que enuncia
Que estudo não há mais sério,
De mais valia.
E é de notar-se o ar solene
Com que as silabas lê:
Já não confunde o “m” e o “n”,
O “p” e o “q”…
Ei-lo que as letras combina,
Forma os sons e, num momento,
Vai-lhe a frase, da retina
Ao pensamento.
Maravilha do alfabeto
Que dos arranjos de traços
Faz surgiur a idéia, o objeto!
Novos espaços.
Abre à razão ignorante,
Dá-lhe asas de luz e a eleva,
Radiosa, para o levante,
Longe da treva!
Que humano invento o suplanta?
Só um Deus pudera, em verdade,
Tal grandeza por em tanta
Simplicidade.
Vendo-o tão simples, dir-se-ia
– Do nada tão pouco além…
Que humana sabedoria
Do nada vem…
Quase-nada, gérmen ovo,
Do saber, célula mater,
Sem ele não tem um povo
Alma, caráter…
Mas Bebê quer tudo feito
Depressa; e anseia por ciência!
(Não é seu menor defeito
O da impaciência).
E, antes que os frutos recolha
Da cultura, ah, quem dissera!
Todo o livro, folha a folha,
Zás, dilacera!
Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].
Fonte: Peregrinacultural's Weblog
sábado, 26 de junho de 2010
Poema "Viajar pela leitura" de Clarice Pacheco
Mais um clique e outro poema sobre leitura.
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Clarice Pacheco
Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim, sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!
Poema " A leitura" de Marisa Gonçalves de Almeida Santos
Um clique aqui, ali e acolá e encontro esse poema sobre leitura. Achei muito legal... Compartilho com vocês.
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Marisa Gonçalves de Almeida Santos
Sorocaba / SP
A leitura
Caminho entre prateleiras;
Eiras... beiras de papéis;
Deleito-me nas esteiras das rimas;
Poesias;
Crônicas... literaturas infinitas;
Embriago-me no coquetel das palavras;
Mistura inebriante de poeira e traça voraz???
Acelero meu intelecto;
Transporto-me para os contos...
De fadas;
De amadas... safadas...
Emoções...
Divagações!
Letras miúdas... cinzentas;
Impressão amarelada pelo tempo;
Puro conhecimento!
Escorrego nos "Ss"; "Us"...
Faço das letras diversão pueril...
Escorregadores; escadas e trampolins;
Me arrisco...
Despenco!
Embaraço-me nas cedilhas... nos tils;
Cerro meus olhos;
Entrego-me!
Deixo Sofia nas asas da imaginação me levar;
E me revelar...
Mistérios que somente o livro tem!
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