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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Leitura na era digital

Como os novos modos de ler na atualidade afetam os hábitos de leitura no Brasil e o público jovem

Por Flávia Gouveia


Matéria publicada em 15/09/2010

A primeira das quatorze definições do dicionário Houaiss da língua portuguesa para o verbete “ler” é bastante objetiva: ‘percorrer com a vista um texto, interpretando-o por uma relação estabelecida entre as sequências dos sinais gráficos escritos e os sinais linguísticos próprios de uma língua natural’. Assim definido, esse processo elementar de comunicação humana parece imutável. Mas, do ponto de vista dos desenvolvimentos (e dos entraves) relacionados à vida em sociedade, à economia e à tecnologia, o ato de ler sofre variações importantes de acordo com as pessoas, localidades e tempos considerados. “No Brasil, o processo de letramento sistematizado atrasou pelo menos um século. Hoje a situação da leitura no país é muito melhor, mas essa defasagem ainda se faz sentir”, afirma a professora de Sociologia da Cultura e da Literatura da Universidade Federal de São Carlos, Tânia Pellegrini.

Assim, o perfil do “leitor médio” no Brasil difere daqueles observados em outros países, da mesma forma que os hábitos de leitura de um brasileiro diferem dos de outro leitor de diferente classe social ou faixa etária, também nascido no Brasil. De acordo com a pesquisa encomendada pelo Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, lançada em maio de 2008 e coordenada pelo Observatório do Livro e da Leitura (OLL), a maior parcela de brasileiros não-leitores (que não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa) está entre os adultos de 30 a 39 anos (15%) e de 40 a 49 (15%). A pesquisa constatou também que o número de não-leitores diminui quanto maior é a renda familiar e mais alta é a classe social. Quase não se encontram não-leitores na classe A, e há apenas 1% de não-leitores quando a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. Mas, no que se refere à dimensão tecnológica, houve uma mudança importante observável através do tempo.

Texto e hipertexto

A leitura na atualidade também não é como no passado, quando não se imaginava que um dia leríamos na tela de um computador, por onde se acessa um labirinto cibernético de textos e hipertextos, ou de um artefato próprio para leitura de livros digitais. Para o linguista, poeta e professor titular de semântica argumentativa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Carlos Vogt, há hoje uma dispersão da leitura causada pelas novas tecnologias e a forma eletrônica de tratamento do texto. “No meio eletrônico, de textos permeados por hipertextos, o leitor passa a ter diante de si várias ‘portas’ que levam a outros textos. A progressão linear da leitura tradicional dá lugar a uma miríade de mosaicos de fontes novas e inesperadas de informação”, comenta.

A professora Tânia Pellegrini lembra que já presenciamos uma grande mudança nos modos de ler no passado, quando foi inventada a imprensa. “Se na Idade Média tínhamos os imensos códices (manuscritos gravados em madeira), o advento da imprensa tornou o livro portátil. E bem antes disso, no Egito antigo, inventou-se o papel, suporte até hoje insuperável. Com os computadores, criou-se um suporte técnico antes inimaginável”, diz.

Vogt e Pellegrini concordam que o presente seja de revelação de uma transformação crucial e de certo modo arriscada nos modos de ler. “Ler em uma tela é muito diferente de ler em um livro, muitíssimo diferente de ler pergaminhos ou papiros. A leitura na tela tende a ser mais rápida, apressada e fragmentada, pois a organização dos textos obedece às possibilidades que o suporte oferece: procurar relações com outros textos, imagens, sons”, afirma a professora. Carlos Vogt aponta dois riscos que aumentam com a leitura de textos na internet: a limitação da imaginação e a dispersão da concentração. Para o linguista, “a leitura no computador leva ao esmaecimento da tensão entre a horizontalidade dispersiva e a verticalidade da semântica que leva à concentração, invertendo assim a ‘planitude’ do texto”.

Mercado tecnológico

Da perspectiva do mercado, a digitalização de livros e a venda de livros digitais têm crescido constantemente, ganhando adeptos que parecem não se importar com os possíveis riscos da leitura digital, mas sim com seus atrativos e funcionalidades, como a possibilidade de “aproximar” o texto e a imagem por meio de recursos de zoom, entre tantas outras. O livro digital também não é um produto caro, se comparado ao livro em papel. Muitas vezes é até mais barato. Mas sua leitura é mais apropriada se realizada em aparelhos desenvolvidos para essa finalidade - os chamados e-readers - e esses sim são bastante caros, comparativamente ao preço dos livros tradicionais. Ainda pouco conhecidos no Brasil, os aparelhos para leitura do livro digital conferem à palavra escrita oportunidades de acesso inéditas, permitindo ao leitor carregar na palma da mão uma biblioteca inteira.

Mas as opiniões sobre o futuro do livro digital não convergem para sua supremacia. Pelo menos não no curto prazo. Para Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias, o livro digital é mais uma alternativa para quem gosta de ler, e pode incentivar a criação de novos leitores. “Mas não vai substituir o livro em papel, que ainda é bem mais acessível e democrático”, afirma. Pellegrini também não aposta na superação do livro em papel: “o novo suporte digital é volátil, evanescente, fungível e talvez não possa durar tanto. Mas isso ainda não se sabe”.

A revista Panorama Editorial, em sua edição de fevereiro e março de 2010, fez um levantamento dos aparelhos e-readers e compilou dezoito tipos (marcas) diferentes (com informações sobre preços). O mais conhecido é o Kindle, vendido na livraria digital Amazon e exclusivo leitor de seus livros digitais. Entre os mais cobiçados está o i-Pad, da Apple, que agrega múltiplas funções (como operações de notebook e telefone), além da leitura eletrônica.

Existe ainda outra forma de associação entre livros e tecnologia: os totens de produção instantânea de livros em papel, que já existem em livrarias na Europa. “O cliente escolhe o livro que vai comprar, faz seu pedido numa máquina, e, enquanto toma um café, seu livro é impresso e encadernado. É o fim dos estoques”, diz Tavares. Mas essa alternativa ainda parece distante do Brasil, onde a maioria das livrarias, embora tenha diversificado seus atrativos com a venda de outros produtos e serviços, afora os livros, ainda sequer oferece vendas pela internet (56%, segundo pesquisa da ANL).

Jovens leitores

No que diz respeito ao público leitor, Pellegrini e Tavares compartilham a opinião de que os leitores dos livros digitais serão, em princípio, majoritariamente os jovens, por sua familiaridade com as novas tecnologias. Mas há que se ressaltar uma mudança no hábito de leitura dos jovens brasileiros que não tem relação direta com a digitalização de textos ou conteúdos de livros. Na atualidade, muitos jovens percorrem com empolgação volumes grandes, com quatrocentas, quinhentas páginas, quando se trata de séries de aventuras surrealistas, com personagens fabulosos em lugares fantásticos. Os exemplos mais marcantes são Harry Potter e Crepúsculo, que se tornaram também filmes de grande sucesso.

Fenômenos como esses não eram comuns até pouco tempo atrás. A boa adesão do jovem à prática da leitura já é observada na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, segundo a qual crianças e jovens de até vinte e quatro anos leem mais que os leitores mais velhos, conforme ilustra o gráfico abaixo (para detalhes sobre gêneros lidos e faixa etária, ver infográfico nesta edição).


A relevância do público jovem também ficou evidente na 21ª Bienal do Livro de São Paulo, que aconteceu na capital entre os dias 12 e 22 de agosto. Segundo a pesquisa do Datafolha, contratada pelos organizadores da feira, grande parte do público era formada por jovens (33% com até 25 anos; 33% de 26 a 40 anos; 25% de 41 a 55 anos, e 8% de pessoas com 56 ou mais anos).

Vitor Tavares chama de “geração Harry Potter” os jovens que leem preferencialmente livros com temas de bruxarias e vampiros, que aguçam seu imaginário. Mas a leitura das obras literárias clássicas ainda fica por conta da pressão dos vestibulares, que nem sempre é acompanhada dos efeitos esperados sobre a compreensão de textos em geral ou o estímulo ao ‘prazer’ pela descoberta de seus possíveis significados por parte do jovem leitor (ver artigo de Vera Bastazin nesta revista). No tocante às preferências de leitura de forma geral, sem considerar alguma segmentação etária, o destaque fica com os livros de autoajuda (ver box a seguir).

Livros de autoajuda entre os mais vendidos

O pesquisador Arnaldo Cortina, da Faculdade de Ciências e Letras, da Unesp de Araraquara, tentou estabelecer um perfil do leitor brasileiro a partir de um levantamento nas listas de livros mais vendidos do Jornal do Brasil e do jornal Leia entre 1966 e 2004. “O que pude constatar é que os livros de autoajuda foram ganhando força a partir dos anos 1980”, afirma. O crescimento desse tipo de literatura, segundo ele, faz com que o “estilo de autoajuda” se dissemine em diversos campos de leitura, como a literatura médica, a psicológica, a nutricional, a de administração de negócios etc. “Chegamos a um ponto em que não conseguimos mais distinguir o que é ou o que não é aquilo que chamávamos inicialmente de ‘autoajuda’, tal como ela apareceu nos anos 1960 nos EUA, quando se voltava para a questão do ‘mentalismo’, do ‘pensamento positivo’ etc”. Arnaldo encaixa na categoria de autoajuda livros como O alquimista e Brida, ambos de Paulo Coelho, Amar pode dar certo, de Roberto Shinyashiki, e O sucesso não ocorre por acaso, de Lair Ribeiro. “Essa foi a grande mudança no panorama da leitura de massa contemporânea”, diz. Para ele a autoajuda cresce porque as pessoas perderam as certezas. As grandes crenças religiosas e políticas entram em crise, e o homem contemporâneo precisa se apegar a algo que substitua isso. “Por essa razão temos o esoterismo, a afirmação de valores de determinados grupos sociais, o individualismo, a aceleração do consumo nessa atual fase do capitalismo”, finaliza.

Motivos e motivações

O leitor no Brasil lê, em média, menos de dois livros por ano (1,3), sem contar os livros didáticos usados nas escolas, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Bem menos que na Argentina (5), no Chile (3) e na Colômbia (2,5). E a explicação para o ainda baixo índice de leitura passa por questões tanto socioculturais quanto econômicas.

“Ainda hoje temos um índice de analfabetismo não desprezível [no Brasil], sem mencionar os chamados analfabetos funcionais, que leem, mas não sabem explicar o que leram”, diz Tânia Pellegrini. Outra questão colocada pela professora é a do preço dos livros. “O livro no Brasil sempre foi muito caro em relação aos salários”, diz. Para Tavares, no entanto, o problema de hábito de leitura no país não é justificado pelo preço dos livros, pois há alternativas à compra, como bibliotecas, feiras, livrarias, e mesmo a internet, onde se pode ler de graça. “É a família a grande incentivadora do hábito”, comenta.

Para os leitores que desejam ler e veem o preço dos livros como um obstáculo, vale lembrar que muitos livros estão disponíveis gratuitamente (e legalmente) na internet. Sites de bibliotecas digitais, como o Domínio Público e o Brasiliana USP, oferecem milhares de obras para download gratuito, de importantes autores, como Machado de Assis, Eça de Queiroz, Lima Barreto, José de Alencar, Fernando Pessoa, Shakespeare, Dante Alighieri e muitos outros (box a seguir).

O Portal Domínio Público, lançado em 2004 pelo Ministério da Educação (MEC), já conta com um acervo de mais de 171 mil obras. Até agosto de 2010 já foram baixadas 31,3 milhões de cópias, entre textos, imagens, sons e vídeos. Já a Brasiliana, uma iniciativa da Universidade de São Paulo, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e com o Ministério da Cultura (MinC), já disponibiliza de forma online parte do acervo de 17 mil títulos doado pelo bibliófilo José Mindlin em 2006. Entre os dias 13 e 15 de outubro, durante o Seminário Mindlin 2010 – O Futuro das Bibliotecas, será lançada a versão 2.0 da Brasiliana Digital.


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Saiba mais:


•Associação Nacional de Livrarias: www.anl.org.br/web/index.php
•Câmara Brasileira do Livro: http://www.cbl.org.br/
•Revista Panorama Editorial: http://www.panoramaeditorial.com.br/
•Biblioteca Brasiliana USP: http://www.brasiliana.usp.br/
•Portal Domínio Público: http://www.dominiopublico.gov.br/

Fonte: Univesp

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Leitores de livros eletrônicos dão força à digitalização de obras e podem aumentar a pirataria

Ataide de Almeida Jr.

Publicação: 13/07/2010

Os e-readers resolveram se modernizar e enfrentar a concorrência dos tablets e dos livros tradicionais. Com telas e peso semelhantes às publicações de papel, conectividade 3G e Wi-fi e compartilhamento das opiniões com outros leitores pelas redes sociais, os leitores de livros digitais conseguiram conquistar milhares de adeptos. De abril a maio de 2010, foram vendidas 740 mil unidades no mundo, sendo a liderança atingida pelo Nook — um e-reader da Barnes & Nobles, a livraria norte-americana. No primeiro quadrimestre, o acumulado chega a 1,4 milhão de aparelhos vendidos, de acordo com dados da Digitimes Research.

Não são apenas as empresas que fabricam os leitores de livros digitais que estão comemorando os resultados. As editoras também encontraram um novo segmento para faturar. Uma pesquisa da comScore apontou uma alta tendência entre os consumidores de e-readers — principalmente o público jovem — de pagar por jornais e revistas formatadas para esse aparelhos. Entre os usuários de 25 a 34 anos, 59% disseram que pagariam por um conteúdo virtual. O interesse se reflete nos lucros. De acordo com a consultoria norte-americana PricewaterhouseCoopers, o mercado de e-books vai passar de US$ 1,1 bilhão, índice atingido em 2009, para US$ 4,1 bilhões até 2013.

As editoras de livros e revistas há alguns anos já se preparavam para esse mercado. A Editora Matrix, com 10 anos de mercado, foi pioneira em fechar contratos para publicação de livros tanto no formato digital como em papel. “Somos uma das poucas editoras que, desde que surgimos, estamos nesse mercado. Fomos um dos primeiros a lançar um livro virtual há 5 anos, mas foi algo que não pegou porque o mercado ainda não estava pronto. Hoje, estamos mais preparados, há aparelhos e leitores para isso, além da disseminação mais segura e organizada”, explica Paulo Tadeu, da Matrix.

Ele acredita que o mercado de e-books é novo e não será algo que vai acabar com os livros de papel. “Eles vão conviver, não posso falar em proporção, ou quanto um vai tirar de vendas do outro. Mas aposto que é uma nova forma de se ver os livros”, ressalta Tadeu. A forma de leitura também deve mudar, assim como a revista Wired fez ao lançar a publicação para iPad com recursos interativos e multimídia. “O livro ter apenas letrinhas é questão de tempo para mudar. Uma série de ferramentas de interação, como vídeos e gráficos, vão começar a surgir a partir de agora”, acredita.

Os e-books também devem ser responsáveis por criar uma nova legião de leitores. “O livro virtual vai dar acesso à leitura para um novo público e a tendência é que haja mais leitores. No fim das contas, todos vão sair ganhando”, afirma Tadeu. Para os autores, os livros digitais serão uma nova forma de ganhar dinheiro com as vendas das publicações. “A próxima briga agora vai ser em relação ao preço. Os autores vão querer ganhar mais e os autores exigindo pagar menos. As editoras terão que balancear os dois lados”, explica.

A Companhia da Letras promete uma parceria com a norte-americana Penguin. “Todos os títulos dessa parceria serão lançados simultaneamente como livros impressos e e-books. A partir do final de julho, os leitores poderão escolher entre clássicos de papel ou digitais”, dizem os representantes da empresa.

As livrarias virtuais brasileiras também já começam a aderir o sistema de compras de e-books. A Livraria Saraiva disponibiliza no seu site uma loja exclusiva para a venda de livros digitais, inclusive com títulos gratuitos(1), como Cidade dos Homens, de Elena Soárez, e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. A Cultura também põe à disposição o programa Adobe Digital Editions, para leitura no computador.

Prateleira pirata
Com a popularização dos e-books, outra questão também é levantada pelas editoras: a distribuição ilegal das publicações na internet. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) retirou do ar de agosto do ano passado até janeiro deste ano 15,7 mil links para download piratas de livros. Cerca de 80% dos pedidos para remoção do material foram acatados sem o acionamento da Justiça. “A maioria das pessoas que disponibilizam esse material na rede não sabe o crime que está cometendo e aceita retirá-lo”, afirma Dalízio Barros, consultor jurídico da ABDR.

A fiscalização na internet é feita diariamente pela Associação. A equipe desenvolve pesquisas para descobrir os sites no qual estão sendo feito o maior número de downloads ilegais. “Alguns associados também denunciam quando veem o conteúdo em alguma página”, diz.

A Matrix trabalha comuma empresa de segurança que impede a distribuição de livros entre usuários. “No entanto, ainda há a possibilidade de alguém digitalizar um livro e distribuí-lo É uma forma mais difícil de repreensão, mas possível. A pirataria deve ocorrer dessa forma no campo dos e-books”, acredita Paulo Tadeu, da Matrix.

Na Europa, dados apontam um efeito contrário com a chegada dos leitores de livros, principalmente no âmbito universitário, com a diminuição do download pirata. “O conteúdo do livro digital é mais barato. Quando você precisa de uma visualização rápida ou uma simples consulta, o formato digital é mais rápido. Se o preço do produto é melhor que em uma livraria, ele vai adquirir a publicação”, explica Barros.

A ABDR possui um projeto voltado aos estudantes para evitar a propagação de livros digitais sem autorização. O portal Pasta do Professor foi criado para atender a demanda dos alunos em adquirir conteúdo de suas bibliografias de forma fracionada — pode-se baixar apenas os trechos pedidos por professores nas salas de aula. Grandes editoras já fazem parte da iniciativa. “O maior problema para ampliar esse projeto nas universidades públicas é a burocracia. Instituições particulares, como a Estácio de Sá, já abandonaram as fotocópias e o adotaram”, ressalta Barros.

1 - Google Books
A empresa conhecida pelo sistema de busca fechou um acordo com a Associação de Editoras Americanas e mais 20 mil outras editoras no mundo para trabalhar em conjunto e montar um grande acervo de livros on-line. No momento, é possível pesquisar o texto completo de cerca de sete milhões de publicações. Há ainda o Projeto Biblioteca, que conta com a parceria de bibliotecas, como a da Universidade de Harvard, para disponibilizar o acervo no site. Os livros que possuem direitos autorais têm apenas trechos exibidos.

EPUB OU PDF
» A maior parte dos leitores de livros digitais e também dos tablets adotam o ePub e o PDF como principais formatos para leitura. O ePub é um formato criado pela união de várias empresas ligadas à área de produção e comercialização dos livros e representado pela International Digital Publishing Forum (IDPF). O formato permite que as obras sejam produzidas e enviadas em apenas um arquivo e com proteção à edição. Já o PDF é o formato mais conhecido. Criado pela Adobe, os e-books ganham uma aparência original no formato e preservam as informações dos arquivos de origem. No entanto, a edição pode ser feita pelo programa Acrobat.

LEITURA MAIS LENTA
» A falta de concentração na leitura dos livros ainda é um problema para os e-readers. Um estudo da Nielsen Norman Group feito com 24 participantes mostrou que a velocidade de leitura cai 6,2% no iPad e 10,7% no Kindle se comparado à versão impressa. De acordo com a Nielsen, é esperado que as empresas invistam em telas de qualidade melhor para melhorar o tempo de leitura.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A geração Y tem o hábito de ler?


Por Carol Phillips*

Como professora, sou obcecada por ler e escrever. Por isso, dois posts do blog The Next Great Generation me chamaram a atenção recentemente, já que sugerem haver uma indiferença por parte dos jovens que estão na faculdade em relação aos livros e textos tradicionais.

Jeannie: “Conseguindo a atenção da Geração Y” – “Ainda que eu tivesse o dinheiro para comprar todos os livros de que precisava na faculdade, a maioria deles serviu para juntar pó na minha estante. Parte do meu completo desinteresse vem do fato de que, no segundo em que um livro é publicado hoje, já está obsoleto. Desde que eu estava na quinta série, era capaz de acessar qualquer informação na internet de forma mais rápida e precisa do que conseguiria fazer em um livro. Além disso, a informação online é gratuita (e se não for, você vai procurar em outro site até encontrar “de graça”). Com um orçamento restrito e recursos grátis ilimitados, existe algum tipo de livro que poderia atrair meu interesse?”

Katie Wall: “Concluí a faculdade sem ler um livro sequer” – Em maio de 2009 me formei pela Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, considerada uma das melhores universidades públicas do país, e nunca abri um livro sequer. Não estou dizendo que a faculdade não era desafiadora, mas todo o tempo que passei lendo e estudando, nunca precisei dos livros. Quando tinha que fazer trabalhos, conseguia encontrar tudo online….”
Ainda que eu entenda o ponto de vista dessas duas jovens sobre as alternativas online que estão substituindo os livros, me angustia ouvi-las dizendo que não valorizam a leitura.

Trabalho arduamente para fazer com que meus alunos leiam. Tentei diferentes técnicas ao longo dos anos – quizzes diários, cases semanais, testes sobre o material escrito, entre outros. Esse ano, tentei usar um texto compatível com a linguagem da geração Y, MKTG3, by 4LTR Press. Os alunos realmente gostaram do livro, então acabaram lendo.

O que tornou esse livro mais atrativo? Primeiro, posso dizer que ele era muito visual. O texto era geralmente tratado como um elemento gráfico. O estilo da escrita tinha um approach diferente e interessante. Por último, o livro em si possuía apenas o básico, e os extras poderiam ser conferidos online. Os alunos adoraram isso.

Há fortes evidências de que a geração Y ainda tem o hábito de ler. Um estudo feito em abril pela McKinsey na Inglaterra mostrou que, em média, uma pessoa recebe 72 minutos de informação por dia, comparando-se a 60 minutos em 2006. O aumento se deu, prioritariamente, nas informações recebidas pela população abaixo de 35 anos.

Além disso, a leitura pode não ser uma prioridade, mas a geração Y passa mais tempo lendo do que as gerações anteriores. Porém, esses jovens lêem de maneira diferente. Vão em busca de informação, então possuem um propósito e são excelentes examinadores. Meu filho de 16 anos lê poucas histórias de ficção além do que é pedido em seu curso de inglês, mas por outro lado lê livros de esporte ilustrados e busca histórias de assuntos de seu interesse.

Entretanto, tudo isso também pode significar que eles não estão oferecendo toda a atenção à leitura. Em seu livro Grown Up Digital, Don Tapscott conta a história de Joe O’Shea, um líder estudantil de 22 anos residente na Flórida, que estava indo estudar em Oxford. O´Shea disse a seguinte frase a respeito dos livros:

“Eu não leio livros, prefiro ir ao Google, onde posso absorver informações relevantes de forma rápido. Algumas delas vêm dos próprios livros. Mas sentar e ler um livro do começo ao fim não faz sentido para mim. Você precisa saber ser um ‘caçador’ habilidoso.”

Desde o início de seu livro, Tapscott utiliza diversas páginas para descrever como e por que a geração Y desenvolveu essas surpreendentes habilidades de examinar, explicando como essa habilidade trará a eles a referência para que se tornem leitores mais sofisticados.

As habilidades de exame e da leitura com um propósito, presentes na geração Y, podem ser uma boa notícia para o Marketing. Entendendo o tipo de informação buscada por esses jovens, será possível engajá-los de maneira mais profunda por meio do conteúdo. E encontrar o tipo de informação que buscam nunca foi tão fácil. Palavras-chave, trending topics do Twitter e outras ferramentas são portas para um relevante conteúdo.

Talvez o ponto principal seja que a geração Y é capaz de absorver grande quantidade de informação visual de uma só vez, provavelmente mais do que as gerações mais velhas, desde que isso seja apresentado de forma atraente e fácil de digerir. Isso torna o design, muitas vezes, tão ou mais importante que a boa escrita. Em estudos nos quais tivemos a oportunidade de comparar grupos pela idade, é incrível como os jovens consumidores se mobilizam mais de acordo com a maneira que a informação aparece na tela. Os consumidores mais velhos tendem a ignorar o design, mesmo que seja pobre, focando no significado. A geração Y tem grande dificuldade em deixar ileso o que passa por seus olhos.

*Carol Phillips é presidente e fundadora da consultoria em estratégia de marca “Brand Amplitude”. Ela também é professora na respeitada Universidade de Notre Dame. Carol iniciou sua carreira como pesquisadora de mercado e trabalhando com planejamento estratégico na Leo Burnett. Mais tarde, como Diretora de Contas, liderou equipes em quatro agências diferentes – Y&R, Leo Burnett, Mullen e JWT – com uma variedade de clientes incluindo Sprint, Nextel, Ameritech, Heinz, 7UP e Philip Morris. Acesse o blog de Carol Phillips: http://www.millennialmarketing.com/.

17/05/2010 by Blogueiro Convidado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Leitura no mundo digital - Nova tecnologia, mais leitores

Editoras universitárias debatem futuro do setor com a chegada dos e-books e destacam a importância do professor para que os brasileiros leiam mais

Nova tecnologia, mais leitores
Encontro discute impacto dos e-books no mercado editorial e importância do professor na formação dos leitores no país

Daniel Patire

O impacto dos livros em formato digital, ou e-books, gera dúvidas e também expectativas sobre novas possibilidades de negócios no mercado editorial brasileiro. Para discutir o futuro comercial desse setor e a expansão do hábito da leitura, dirigentes e profissionais da área de todo o país, além de professores e pesquisadores, encontraram-se na XXIII Reunião Anual da Abeu (Associação Brasileira de Editoras Universitárias), realizada de 7 a 10 de junho, na sede da Fundação Editora Unesp (FEU), em São Paulo.

“Pela primeira vez, abordamos esses tópicos de uma forma direta e baseada em dados de pesquisas nacionais e experiências internacionais”, afirma a presidente da associação, Flávia Garcia Rosa, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Desses debates, pretendemos gerar ações que fomentem a leitura em nossa sociedade.”

A abertura do evento aconteceu no dia 7, com a presença da professora Flávia, do secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo, Carlos Vogt; do vice-reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan; do diretor-presidente da FEU, José Castilho Marques Neto; do secretário municipal da Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil; do presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Hubert Alquéres; e da presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro), Rosely Boschini.

Livros virtuais – As novas tecnologias de informação vão impor um rearranjo na produção, comercialização e distribuição das obras, segundo o filósofo Pablo Ortellado, professor da USP. Ele coordena um grupo de pesquisa sobre os efeitos das novas tecnologias para a produção, distribuição e consumo de bens culturais e educacionais, além de temas relacionados à propriedade intelectual.


“Podemos fazer um comparativo com a indústria fonográfica, que precisou se reinventar após a digitalização da música”, ressalta Ortellado. “Os empresários utilizam a disseminação de arquivos em MP3 para divulgar o produto, e seu modelo de negócio passou por reestruturações.”

Para o filósofo, a digitalização do livro tem um impacto fundamental na difusão do conhecimento entre classes sociais que antes não conseguiriam adquirir as obras que constam da bibliografia solicitada em cursos superiores. Ele cita o exemplo de universitários argentinos, que digitalizaram toda a bibliografia dos cursos da área de Ciências Humanas.

Entretanto, o leitor brasileiro não gosta, em princípio, do livro digital, de acordo com o estudo “Os leitores brasileiros e o livro digital”, promovido pela Imprensa Oficial e pela CBL, e executado pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2009. Os pesquisados identificaram o e-book com a Internet, o computador e o notebook, segundo Galeno Amorim, coordenador do trabalho e diretor do Observatório.

“Os leitores reclamam que a tela do computador é muito ruim e cansativa para a leitura”, comenta Amorim. “Um outro aspecto apontado é que os e-books não permitem anotações, comentários.” O dirigente explica que, ao serem apresentados aos equipamentos apropriados, conhecidos como e-readers, os entrevistados perceberam que o manuseio do e-book fica mais fácil, e, com isso, concluíram que poderiam consumir o conteúdo digital.

Experiências – Para fundamentar as discussões, o diretor executivo da Federação de Editores da Espanha, Antonio Maria Ávila Alvarez, e a consultora de mercado editorial desse país, Inés Miret, falaram da experiência de digitalização do acervo da Biblioteca Nacional espanhola e dos catálogos das editoras locais. “Hoje, por meio da Biblioteca Hispânica Digital, o usuário pode consultar até 20% do conteúdo das obras comerciais de graça”, explica Alvarez. “Isto permite a degustação, se assim podemos dizer, do produto que poderá ser comprado.”

Em 2009, a Federação e a Fundação Germán Sánchez Ruipérez realizaram um estudo sobre o impacto do livro digital na Espanha. Com a participação de 254 editoras de diversos portes, constatou-se que os preços dos livros devem cair de 30% a 50%, em 2010, ano em que 20% dessas editoras comercializarão de 50% a 100% das suas novidades tanto no formato digital quanto em papel.

A experiência europeia é um exemplo para ações brasileiras, segundo Jézio Hernani Bomfim Gutierre, editor executivo da FEU e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências, câmpus de Marília. “Não podemos considerar o e-book como algo que salvará a difusão e nem um sinal do fim das editoras”, acentua.

Recentemente, a FEU adotou um modelo pioneiro de digitalização do catálogo, com o lançamento, em março, de 44 títulos inéditos exclusivamente no formato eletrônico, em uma ação conjunta com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg) (Jornal Unesp n.º 254, pág. 7). “Tivemos a ousadia de trabalhar com dois conceitos importantes: o contexto eletrônico e o acesso gratuito ao conhecimento produzido nas universidades”, afirma Marques Neto. Desde o lançamento, foram feitos mais de 35 mil downloads. Os leitores têm acesso gratuito às obras no site do selo Cultura Acadêmica. http://www.culturaacademica.com.br/

Leitura universitária – O encontro promoveu também o debate sobre a leitura nas universidades brasileiras. A intenção foi diagnosticar como estudantes e professores “consomem” o livro. Foram apresentados estudos realizados pela PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), que compararam quantos livros os alunos leem até entrarem na universidade e o tempo gasto na leitura após alguns anos no ensino superior.

A pesquisa feita com estudantes da PUC-RJ demonstrou que, ao entrarem na universidade, eles liam pouco e tinham dificuldade em encontrar a mensagem principal do texto. Após os anos de formação, esses mesmos alunos tinham aumentado o tempo de leitura, a agilidade de compreensão dos textos e a cultura geral. “Mesmo com os resultados positivos, os alunos nos últimos anos dos cursos pediram professores que os ensinassem a ler, independentemente das áreas de formação”, salientou a professora Eliane Yunes, coordenadora do estudo e diretora da Cátedra Unesco de Leitura.

João Luiz Ceccantini, do curso de Letras da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Assis, também destaca o papel dos professores na formação de um público leitor, percebendo e trabalhando a heterogeneidade de seus alunos. Ceccantinni, que recebeu o Prêmio Jabuti 2009 com o livro Monteiro Lobato: livro a livro, editado pela FEU, analisou os dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, realizada pelo Observatório e pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), que aponta que os períodos de maior dedicação à leitura se concentram na infância e adolescência dos entrevistados (Veja gráficos). “Nessa faixa etária, eles frequentam a escola e são obrigados a ler”, avalia.

Acesso democrático – O levantamento constatou, ainda, que a leitura é prazerosa para as crianças até os 14 anos. Nessa idade, os alunos participam de várias iniciativas que os incentivam a ler. Já para os estudantes de ensino médio a leitura é uma obrigação, representando algo feito sem prazer. Para Ceccantini, essas informações reafirmam a função do chamado mediador da leitura, geralmente desempenhada pelo professor. “Essas crianças não têm o exemplo da leitura em casa e, por isso, o papel do professor passa a ser tão importante”, conclui.

De acordo com Marques Neto, os temas do livro digital e da leitura na universidade convergem para a democratização do acesso ao conhecimento e o aumento do hábito da leitura. Ele é secretário executivo do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), ligado ao Ministério da Cultura e ao Ministério da Educação. O plano é um conjunto de atividades e eventos voltados para a área do livro, leitura, literatura e bibliotecas, focados no desenvolvimento do setor. “As nossas ações estão direcionadas à capacitação de educadores, bibliotecários e outros mediadores da leitura; a ampla utilização dos meios de educação a distância; a implantação de novas bibliotecas; e a incorporação de novas tecnologias de informação, para facilitar o acesso à produção”, enumera.

De todos os debates, duas questões se sobressaem, segundo Marques Neto: o papel central do professor na formação de leitores e o poder da digitalização para se ampliar o acesso aos livros. “Já está comprovado que, quando se tem acesso a um bem cultural, como por exemplo um livro, ele passa a ser consumido”, assegura.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Acervo portátil

A onda começou lá fora. Os Estados Unidos, maiores consumidores de tecnologia do Ocidente, arriscaram: e se transformássemos um acervo imenso de livros em arquivos pequenos que pudéssemos carregar por aí? Nasceram daí os formatos de eBooks.

À época, por volta de 2004, o mundo ainda não estava preparado para tanto avanço e a ideia adormeceu um pouco. Só um pouco. Hoje, cinco anos depois daqueles momentos iniciais da “biblioteca portátil”, o livro eletrônico volta à baila.

A inovação é apenas mais um desdobramento da constante digitalização dos meios de consumo de cultura. O MP3, o compartilhamento de filmes, a transformação da internet em 2.0... Todos os sinais foram emitidos pela tecnologia da informação para os próximos passos a serem dados e o mais perfeito design [ref. Umberto Eco] foi digitalizado para fazer surgir o eBook. Seguindo o curso do riacho – que apostam os entusiastas, há de virar caudaloso rio –, a digitalização de livros tem atingido bibliotecas seculares, sendo vendida como a solução para enormes volumes. “Os eBooks estão se espalhando de maneira mais rápida e eficiente do que na primeira onda de sua disseminação. Não ficarão restritos somente a consumidores ávidos por novidades eletrônicas. Hoje, eles têm maior poder de penetração”, indica Daniel Pinsky, editor que estudou os livros eletrônicos para seu mestrado.

Agora em abril, a Livraria Cultura passa a vender livros eletrônicos em seu site, cerca de 120 mil títulos na primeira etapa, entre nacionais e importados. “Estamos caminhando com as tendências do mercado digital. Não podemos negar que é um teste. Veremos como vai funcionar, até porque é algo recente, que vai se moldando aos poucos. Queremos aprender com o nosso pioneirismo”, explica o diretor de operações da Cultura, Sergio Herz.

O campo livre para crescimento deste mercado não é só a quantidade de títulos lançados, mas também o serviço mais amplo e acessível. “A gente trabalha com dois formatos: o PDF e o ePub. Este é mais indicado para os leitores de eBook, porque é um formato que se rediagrama com o tamanho da letra, diferente do PDF, que mantém uma diagramação física e isso demanda navegar pela página para a leitura”, esclarece Mauro Widman, coordenador do departamento de eBooks da Livraria Cultura. O formato ePub é, também, o mais recorrente entre os leitores, que já chegam a 30 modelos. “Assim que um desses modelos for fabricado no Brasil, passaremos a vender leitores também”, prevê Herz.

O temor da extinção dos livros físicos com o crescimento dos eBooks, no entanto, perde força quando se pensa no prazer tátil de segurar um volume preferido, que não quebra nem depende da bateria. “O interessante é que teremos no site a correspondência do livro físico e do eBook. Se você vê o livro em eBook, e se existir o mesmo físico, ele oferece a compra do outro como opção”, revela Widman. Os trabalhos para tamanha oferta de títulos vêm se desenrolando desde outubro de 2009, quando os contratos começaram a ser fechados com as editoras nacionais e os primeiros livros foram convertidos. “Algumas editoras já estão mandando os livros pra gente em formato ePub ou no próprio formato PDF, já que podemos proteger os dois contra cópia. Nem copy paste nem impressão”, informa Widman. No lançamento, serão cerca de 500 títulos em português.

E os smartphones? Grande atrativo atual, os celulares turbinados também estão na mira de ofertas da Livraria Cultura. “Por enquanto, os smartphones ainda não têm o programa para apresentar os livros eletrônicos protegidos, mas isso deve ser resolvido em dois ou três meses”, garante Widman. Agora, é escolher o seu leitor, baixar os títulos escolhidos e se deliciar com a leitura.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Livro digital pode democratizar a leitura, mas muda a indústria do livro

Especialistas atribuem papel fundamental aos professores para incrementar a leitura e vêem no livro digital uma oportunidade de disseminação do conhecimento, mas que traz impactos para a cadeira produtiva

Os universitários estão lendo menos? Como estimular a leitura? O livro digital ameaça as editoras e sugere o desaparecimento do livro tradicional? Ou há novas possibilidades de negócios na cadeia do livro? Estas foram apenas algumas das questões discutidas durante a XXIII Reunião Anual da Abeu (Associação Brasileira das Editoras Universitárias) que reuniu, na sede da Fundação Editora da Unesp, em São Paulo, entre os dias 7 e 10 de junho, profissionais do mercado editorial e acadêmicos para reflexão sobre a leitura na universidade e o livro digital.

Segundo Eliane Yunes, da Cátedra Unesco de Leitura (PUC-RJ), pesquisa realizada com universitários revela que os índices de leitura dos estudantes é baixíssimo ao ingressarem na universidade, mas, ao saírem, há uma melhoria significativa, da ordem de 20%. Um aspecto fundamental levantado pela especialista é o papel dos professores como mediadores da leitura, "ensinando os alunos a lerem os textos, destrinchando-os, articulando-os, correlacionando os conhecimentos".

Outro fator identificado como estimulante é o acesso aos bens. Nesse sentido, "a internet configura-se como um instrumento facilitador", afirma Yunes, ressalvando, entretanto, que não é neste espaço que se forma um leitor. "A universidade pode formar novos e perenes leitores, mas cabe ao professor perceber e trabalhar a heterogeneidade de seus alunos", referendou João Luiz Ceccantini, professor do curso de Letras da Unesp, câmpus de Assis e vencedor do Prêmio Jabuti 2009, com o livro Monteiro Lobato: livro a livro. Carlos Erivany Fantinati, docente no mesmo câmpus, reiterou a importância de o professor exercitar a explicação de texto que, para ele, "não se trata de apenas elencar seus elementos constitutivos, mas sim de identificar os elos e liames entre esses elementos", tornando a leitura um desafio permanente.

Para o filósofo Pablo Ortellado, professor da USP, a digitalização do livro tem um impacto fundamental na difusão do conhecimento entre classes sociais, que antes não conseguiriam adquirir os livros. A renda familiar de muitos estudantes é inferior ao valor da bibliografia solicitada em cursos universitários. Sem a digitalização deste conteúdo, eles não teriam uma formação adequada, como explica Ortellado, que também é coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Publicas para o Acesso à Informação (GPOPAI). "Podemos fazer um comparativo com a indústria fonográfica, que precisou se reinventar após a digitalização da música. Eles utilizam a disseminação de arquivos em MP3 para divulgar o produto. E seu modelo de negócio passou por reestruturações", diz Ortellado, para quem as editoras deverão repensar seus modelos de negócios.

Segundo dados do Observatório do Livro e da Leitura, pelo menos 3% dos leitores brasileiros são adeptos de mídias digitais (dados de 2008). "O livro digital veio para ficar", afirmou o diretor da entidade, Galeno Amorim. Nesse sentido, Flávia Garcia Rosa, presidente da Abeu, foi enfática ao afirmar que "os professores universitários devem estar atentos aos desafios e possibilidades deste novo cenário".

Ainda não há números oficiais sobre a venda de conteúdo digital no Brasil, mas estima-se que cerca de 7 milhões de habitantes baixem livros diariamente pela internet e, destes, a maioria é jovens de 14 a 17 anos. Segundo o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, há um esvaziamento nas bibliotecas de universidades, pois "os alunos preferem pesquisar na internet a buscar livros na biblioteca".

Mudanças no mercado editorial - Se de um lado há uma perspectiva de ampliação de acesso aos bens culturais, o livro digital impõe novos desafios para a indústria livreira. Durante a reunião, alguns participantes expuseram suas primeiras experiências com o livro digital. No caso da Imprensa Oficial de São Paulo, Hubert Alquéres, presidente da entidade, diz ter ficado muito surpreso com a quantidade de downloads e revelou que "algumas pessoas que baixam o livro, depois de ler, procuram o exemplar em papel, o que vai na contramão da ideia de que o digital substitua o tradicional".

Já o editor executivo da Editora Unesp, Jézio Hernani Bomfim Gutierre, contemporiza: "O e-book não deve ser considerado uma salvação para a difusão e tampouco o fim das editoras."

Experiência espanhola - Dentre os estrangeiros, Antonio Ávila Álvarez, diretor executivo da Federación de Grêmios de Editores de España, e Inés Miret, diretora da Neturity/Madri, apresentaram uma pesquisa sobre o impacto da digitalização no catálogo, canais de distribuição e vendas e políticas de preços na Espanha. Algumas constatações: por lá, os editores já admitem uma queda no preço de capa, para o formato virtual, entre 30% e 50%. E a aposta é que em oito anos a receita com a venda de livros digitais ultrapasse o volume de vendas de livros impressos em papel.

Dados da Fundação Germán Sánchez Ruipérez apontam que, naquele país, dos 50 primeiros livros mais visitados da Biblioteca Hispânica Digital, 40 são novos. "Até o fim de 2010, esperamos disponibilizar na rede cinco mil títulos", diz Álvarez.

Para o diretor presidente da Editora Unesp, José Castilho Marques Neto, o encontro representou um marco para que as editoras universitárias se situem em relação ao que está acontecendo."Ninguém tem certeza do que virá daqui para frente, mas essa é uma discussão substantiva que nos dá maior tranquilidade para buscar novos caminhos", disse. A Editora Unesp lançou, neste ano, uma primeira coleção de livros digitais, com acesso totalmente gratuito e disponível para download em http://www.culturaacademica.com.br/. Mais de 35 mil downloads foram feitos em menos de três meses.

Fonte: Pluricom

sábado, 12 de junho de 2010

Aprenda a ler no futuro

Em seus novos livros, Umberto Eco e Jean-Claude Carrière são personagens e testemunhas sobre o futuro do livro impresso

Sérgio Lüdtke
ACERVO ON-LINE
O livro de Robert Darnton busca pontos comuns e
vantagens mútuas que conectem as bibliotecas com a internet

Você que lê livros e também textos na internet haverá de concordar que não há experiências de leitura mais distintas. Enquanto o livro exige a completa atenção do leitor e o guia, palavra a palavra, linha a linha, numa trilha única até o ponto final, na internet o leitor pega carona em links que atraem sua atenção e o levam por caminhos desconhecidos, desbravados pela curiosidade e pelo interesse que novos temas são capazes de criar. Nesse verdadeiro processo de sedução, a conclusão nem sempre é o objetivo. Esse navegar impreciso, que leva o leitor a encontrar coisas ao acaso, é chamado de “serendipidade” (serendipity), termo emprestado de um texto do inglês Horace Walpole.

Os e-books e os tablets, aparelhos que se apresentam como os suportes de leitura que substituirão os livros impressos em papel, prometem aproximar essas duas experiências de leitura. Pergunta: o que aconteceria se esse descompromisso com a linearidade, característica da internet, viesse a contaminar os e-books e mudar definitivamente o modo como abordamos a página de um livro? Dois livros recém-lançados tentam responder à pergunta – e se propõem a discutir o futuro do livro: A questão dos livros – passado, presente e futuro (Companhia das Letras, 231 páginas, R$ 42,50), do historiador americano Robert Darnton, e _Não contem com o fim do livro (Editora Record, 272 páginas, R$ 39,90), do pensador da linguagem italiano Umberto Eco e de Jean-Claude Carrière, escritor e roteirista francês que trabalhou com o diretor espanhol Luis Buñuel.

O livro é ainda o mais moderno de todos os meios de comunicação. Ele inventou a portabilidade muito antes do jornal e do iPad. Sustenta-se com as mesmas características mesmo passados mais de cinco séculos desde que Gutenberg inventou os tipos móveis para imprimir suas Bíblias em escala. Eco e Carrière chegam a considerar o livro como a roda, um ser ou uma ferramenta de perfeição insuperável, que obriga a civilização a simplesmente repeti-la infinitamente. O que melhor explica a longevidade do livro impresso em papel talvez seja sua autonomia. O livro é uma espécie de célula, um ser único. Tanto que todas as mudanças perceptíveis que o futuro propõe ao livro enquanto objeto não passam de funcionalidades agregadas a essa matriz.

E-books e tablets, porém, não são somente livros. São também bibliotecas portáteis – uma evolução logística que surge paralelamente à revolução no hábito e na experiência da leitura. E esse é o grande desafio que o livro hoje enfrenta. Para Robert Darnton, a explosão dos modos eletrônicos de comunicação é tão revolucionária quanto a invenção da impressão com tipos móveis. Resta saber se isso equivale a uma reinvenção da roda.

Mas, afinal, qual será o futuro do livro? Darnton, Eco e Carrière, escritores, mas também bibliófilos, apegam-se ao passado para mirar o futuro. Não fazem previsões, mas expõem seus temores. Procuram valorizar o papel do livro – o livro em papel – tanto como registro histórico e cultural das civilizações quanto sujeito. Insistem no legado do livro tal como ele hoje ainda se apresenta e acreditam em sua perenidade.

Darnton é mais objetivo e se aproxima do futuro quando alerta para a perigosa onipresença do Google e para a destruição da memória. E não esconde a excitação com uma possível democratização do conhecimento, que “parece estar na ponta dos nossos dedos”. Darnton acredita que podemos tornar realidade o ideal enciclopédico dos iluministas de tornar o conhecimento acessível a todos.

Os diálogos de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière seguem por outras vias e são uma encantadora e divertida viagem no tempo, um encadeamento de histórias em que o livro e os escritores são personagens e testemunhas. Os dois olham com alguma desconfiança para o futuro, mas não são descrentes. Eles acreditam no valor do livro e fazem uma homenagem à leitura e ao prazer que ela oferece. Ironicamente, a forma que escolheram para marcar a diferença do que é e do que pode vir a ser a experiência da leitura, diálogos em que uma conversa leva à outra, que se encadeiam como por acaso, é a melhor expressão da “serendipidade” em livro.
DIÁLOGO
Carrière (à esq.) e Eco renovam a crença no
futuro do livro e homenageiam o prazer da leitura
Fonte: Época

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Futuro digital está aí. Precisamos agir já

Juergen Boos é presidente da Frankfurter Buchmesse. Nesta entrevista à Panorama, fala da importância do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, em São Paulo, da parceria com a CBL e da transição vivida pela indústria editorial

Por Celso Kinjô e Márcia Negromonte

A Feira de Frankfurt firmou tradição como o maior encontro editorial do mundo. Realizado pela primeira vez em 1949, reuniu, na virada dos sessenta anos, mais de 7 mil expositores de todo o planeta. A Câmara Brasileira do Livro, com apoio da ApexBrasil, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, SNEL e Fundação Biblioteca Nacional, organizou a participação de nossas editoras. E foi na feira do ano passado que CBL e Frankfurter Buchmesse celebraram um acordo de cooperação, que terá seu primeiro grande resultado em março, com a realização, em São Paulo, do 1º Congresso Internacional do Livro Digital. A instituição alemã está encarregada do programa internacional do evento.

Nesta entrevista à PANORAMA EDITORIAL, o presidente da Frankfurter Buchmesse, Juergen Boos, faz uma avaliação do atual momento vivido pela área editorial, especialmente com o lançamento de novos modelos de leitores eletrônicos ao mercado.

PANORAMA EDITORIAL – Qual a sua expectativa sobre o 1º Congresso Internacional do Livro Digital, primeiro evento da parceria CBL/Feira de Frankfurt?
Presidente Juergen Boos: O objetivo da Frankfurter Buchmesse, ao levar especialistas internacionais a São Paulo, no final de março, é o de proporcionar às editoras brasileiras alguns insights que envolvem as discussões atuais sobre digitalização. Gostaríamos de criar conexões entre os participantes da conferência e os especialistas convidados e, ao fazer isso, conhecer melhor o mercado brasileiro de livros.

Como avalia a parceria, nas ações em prol da indústria do livro?
A Frankfurter Buchmesse tem a tarefa de apoiar a indústria do livro mundialmente através de sua rede e atividades de treinamento avançado. A conferência “Um Passo a Frente – Publicação Digital Hoje e Amanhã” é, na verdade, o segundo projeto que realizamos em parceria com a CBL. O primeiro passo foi uma viagem de jornalistas internacionais da área de livros e literatura, em setembro de 2009, a São Paulo, com o objetivo de atrair a atenção da indústria do livro internacional para o mercado brasileiro. Estamos conversando com a CBL sobre projetos adicionais.

Que mensagem o Sr. teria para as editoras brasileiras, em torno da polêmica entre o livro convencional de papel e o livro digital? Serão eles inimigos mortais ou serão capazes de uma convivência lado a lado nas próximas gerações?
Ainda estamos essencialmente nos primeiros estágios de um novo empreendimento, e os personagens deste mercado ainda não podem prever que tipo de proporções ele vai adquirir. Neste momento, é uma questão de primeiramente estabelecer as fundações básicas: por exemplo, resolver as questões sobre direitos autorais, desenvolver novos e sustentáveis modelos de negócio que, uma vez colocados à prova, sejam aceitos igualmente por editoras, autores e pelo público. Hoje, podemos dizer que, embora a evolução do livro digital esteja acontecendo com uma velocidade frenética, até agora nenhum leitor digital [e-reader] conseguiu chegar perto da qualidade do livro impresso de papel. O livro de papel não vai morrer ou desaparecer – não durante ainda muito tempo – mas o livro digital vai se tornar um componente substancial e adicional da nossa socialização de mídia – como o rádio, a TV e a internet antes dele. Para estarmos preparados para um futuro digital, precisamos agir agora.

O lançamento de novos leitores eletrônicos reflete diretamente no crescimento desse mercado consumidor?
Estudo recente sobre e-readers admite que haverá por volta de 50 modelos no mercado em 2010. Com base em estimativas conservadoras, o número vendido na Alemanha em 2011 chegará a aproximadamente 170 mil unidades. Por volta de 65 mil livros digitais foram vendidos nos primeiros seis meses de 2009 na Alemanha. Os números claramente nos levam a deduzir que a demanda de informação está crescendo, muito embora a disposição para comprar seja ainda pequena. Contudo, isso pode mudar em breve.

Como vê a digitalização de livros desenvolvida pela Google Books, que tem provocado tanta polêmica e processos judiciais?
Não há nada a ser contestado na iniciativa do Google de tornar acessíveis livros que estão sob domínio público e que não estão mais disponíveis no mercado. Ela só se torna problemática quando livros que ainda estão protegidos por direitos autorais são escaneados e explorados comercialmente online, sem terem sido verificados. A Börsenverein [Associação Alemã de Editores e Livreiros] já colocou claramente seu ponto de vista e, em conjunto com outras organizações e associações, provocou a revisão do acordo do Google [Google Settlement].

Há razões para temer que aquilo que aconteceu com a indústria da música, com perda do seu valor de mercado, venha a se repetir com a indústria do livro?
Independentemente do fato de envolver música, filmes ou textos, o conteúdo pago tem encontrado aceitação mínima entre os usuários de internet, mundialmente. Contudo, a cultura do “gratuito”, existente na rede, se tornou um problema existencial para as pessoas e as instituições que vivem da produção e exploração da propriedade intelectual – isso afeta a indústria da música tanto quanto a mídia e a indústria do livro. Editores em todo o mundo estão perdendo milhões em vendas por causa da pirataria – cujo combate se tornou prioridade máxima para que possamos ter o controle deste problema também.

O Sr. aceita a divisão estabelecida por Rupert Murdoch em 2005, entre “imigrantes” e “nativos digitais”, pela qual estes nativos digitais, por conviver com os aparatos da web, a longo prazo, produziriam uma nova cultura em detrimento de jornais e livros impressos?
A esta altura, já determinamos que a socialização de mídia dos chamados “nativos digitais” difere radicalmente da minha – ou seja, do grupo de usuários de internet com idade acima de 29 anos. Plataformas de mídia social e conteúdo gerado por usuário têm tido um papel preponderante para os nativos digitais. Mas esse conteúdo gerado pelo usuário não substitui, em um longo prazo, a qualidade jornalística ou a alta literatura. É por isso que é preciso aumentar a consciência das futuras gerações em relação à importância fundamental de um jornalismo bem pesquisado e coberturas jornalísticas bem produzidas, assim como de reportagens bem fundamentadas, para a compreensão da complexidade do mundo atual. E deve ficar claro que esta qualidade tem um preço.

Marifé, especialista em Brasil

Como vice-presidente da Frankfurter Buchmesse, a filóloga espanhola Marifé Boix Garcia pode ser considerada a maior especialista da entidade quando se fala em Brasil. Conhecedora profunda de tudo o que se refira ao nosso País, ela também falou à PANORAMA.

PANORAMA - Como vê a participação do Brasil no mercado editorial internacional?
Marifé Boix Garcia – O Brasil é um mercado editorial forte e auto-suficiente, que pode facilmente competir com os padrões internacionais. É o oitavo mercado editorial do mundo. A qualidade da sua produção de livros e o volume de publicações interessantes e diversificadas é surpreendente. Visto de fora, a exploração de seu potencial como parceiro de direitos autorais ou sócio de empresas do setor em escala maior, é pouco explorado. De um lado, por causa das barreiras com a língua e à predominância de grupos espanhóis em seus arredores, o mercado brasileiro não tem sido tão focado quanto o mundo de língua espanhola.

Apesar de ter grande população, o mercado consumidor de livros, no Brasil, é pequeno. O que recomendaria para melhorar esse cenário?
O Brasil já é um dos países líderes na situação do mercado educacional e deve encontrar medidas políticas para proporcionar à sua população um acesso mais amplo aos livros e à competência de leitura, especialmente se trouxer camadas além da classe média-baixa. A maioria das livrarias estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto apenas algumas existem em outras regiões. Suponho que este seja um dos pontos que leva à organização de tantas feiras de livros no País. Até onde eu sei, há mais de 15 feiras de livros durante o ano no Brasil. Elas são uma tentativa de “levar” os livros e a leitura para mais perto das pessoas.

Enquanto o livro for considerado um artigo de luxo pela maioria, um passo chave em direção ao leitor talvez seja a utilização digital e de multimídia e a comercialização de conteúdo (veja o crescente número de usuários de celulares!). Acesso ao conteúdo digital através de dispositivos múltiplos de leitura, uma diversificação na expansão de conteúdo disponibilizado ao leitor, é o que editoras e empresas de mídia precisam perseguir. Superar a questão do preço e da falta de dispositivos de leitura seriam os passos seguintes.

Quais as perspectivas de uma parceria entre a Alemanha e o Brasil na área editorial?
A Alemanha possui uma antiga tradição na área editorial. Em uma área de 357.027 km quadrados e com uma população de aproximadamente 82,2 milhões de habitantes, existem mais de 22.241 empresas que fazem parte do mercado de produção ou distribuição de livros no sentido mais amplo, das quais 15.853 são editoras. Desde 1/01/2009, a Associação de Editores e Distribuidores Alemães de Livros conta com 5.832 sócios, dos quais 1.756 são editoras. Mas a fatia do leão é contabilizada pelo comércio de livros, com 3.953 ­empresas.

Os mundos editoriais alemão e brasileiro já têm seladas fortes parcerias. Vários protagonistas e mediadores chave entre estas duas culturas (tais como Ray-Gude Mertin, Angel Bojadsen e muitos outros) já realizaram parcerias sustentáveis e inúmeros projetos de livros em comum. Agora, é uma questão de perseverança e reintensificação de conexões pessoais, também entre a comunidade editorial mais jovem. A barreira da língua precisa ser superada (especialmente no que diz respeito a projetos editoriais e material de revisão e listas estrangeiras) e oportunidades de networking precisam ser procuradas. Feiras de livros e outros programas de contato deveriam focar na intensificação do intercâmbio bilateral.

A Frankfurter Buchmesse é a maior e a mais importante feira mundial para a indústria internacional de livros e mídia. A empresa, além da Frankfurter Buchmesse, uma subsidiária da Associação Alemã de Editores, está especialmente engajada com o avanço internacional do networking dentro da indústria do livro e com a criação de práticas industriais mais profissionais. Enquanto organização de comércio internacional, ela tem uma missão cultural e política de representar mundialmente a indústria editorial alemã e de promover o intercâmbio cultural internacional. Estas responsabilidades incluem tornar a indústria do livro mais profissional através da transferência de conhecimento, da organização de conferências e seminários, bem como de outras atividades correlatas.