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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O homem que lê

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira


 Autor do desenho: Friedhelm Wessel

O homem que lê

Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

6º PRÊMIO UFF DE LITERATURA CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS

6º PRÊMIO UFF DE LITERATURA
CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS
REGULAMENTO
I – Do objetivo
Promovido pela Editora da Universidade Federal Fluminense (EdUFF), este concurso tem como objetivo estimular a produção literária e incentivar  a cultura, premiando contos, crônicas e poesias.
II – Das condições
1 – Poderão participar do PRÊMIO UFF DE LITERATURA escritores de língua portuguesa, editados ou inéditos, independentemente de sua nacionalidade.
2 – O texto apresentado deverá ser rigorosamente inédito, seja na forma impressa, seja na forma eletrônica.
3 - Serão automaticamente desclassificados textos que se descubra já terem sido publicados em blogs, sites ou em quaisquer outras formas de divulgação.
4 – Não serão aceitas obras póstumas nem assinadas por grupos.
5 – É vedada a participação de membros da comissão organizadora do 6o PRÊMIO UFF DE LITERATURA.
6 – Cada concorrente poderá participar com apenas 1 (um) texto, em cada categoria, sendo vedada a coautoria.
7 – Os participantes poderão concorrer em mais de uma categoria, enviando os trabalhos nas várias categorias com um único pseudônimo, num mesmo envelope.
8 - Celebrando o centenário do poeta niteroiense Luís Antônio Pimentel, o tema proposto é: “O contador de histórias”.
9 – As obras podem ser ficcionais, não tendo de se basear em figuras reais. O poeta Luís Antônio Pimentel apenas inspira o tema proposto. Os poemas, crônicas e contos não precisam mencioná-lo, nem se inspirar em qualquer figura real.
10 - CONTO: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 2cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.
11 – As crônicas e poesias não poderão exceder 3 (três) páginas. Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 2cm. 

III – Da inscrição
1 – As inscrições estarão abertas até 15 de agosto de 2012.
2 – Os trabalhos deverão ser enviados pelo correio em carta registrada ou via Sedex para: 6oPRÊMIO UFF DE LITERATURA - EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (EdUFF), RUA MIGUEL DE FRIAS, 9, ANEXO, SOBRELOJA, ICARAÍ, NITERÓI, CEP – 24220-900, ou entregues neste endereço. Os textos deverão ser remetidos a tempo de chegarem à EdUFF até o dia 15 de agosto de 2012.
3 – Serão automaticamente desclassificados os textos que chegarem à editora após o dia 15 de agosto de 2012.
4 – Os textos, em 4 (quatro) vias impressas, com as páginas numeradas e grampeadas, deverão apresentar apenas o título do trabalho e o pseudônimo do autor. O pseudônimo escolhido não pode permitir a identificação do autor. Logo, é vedada a utilização dos nomes literários, que o autor utilize ao publicar seus textos.
5 – As cópias impressas deverão vir acompanhadas de um CD com: versão digital (compatível com o Word do Windows) do(s) texto(s) e dos dados do autor (NOME, ENDEREÇO, E.MAIL, TELEFONES PARA CONTATO).
6- O concorrente deve escrever no próprio CD, com caneta adequada para que não se apague, o título do trabalho e o seu pseudônimo.
7 – Junto com este material deve ser encaminhado um envelope lacrado, identificado externamente apenas com CATEGORIA do(s) texto(s) (conto, crônica ou poesia) inscritos, TÍTULO (S) do(s) trabalho(s) e PSEUDÔNIMO do autor. Internamente, deve conter um documento informando: título(s) e categoria(s) do(s) trabalho(s), pseudônimo, nome completo do autor, nome que deve constar na antologia (em caso de classificação), além de endereço completo do mesmo, telefones e e.mail para contato, números de RG e CPF, bem como um minicurrículo de no máximo 1.000 (mil) caracteres ou 170 palavras.
IV – Da seleção
1 – O julgamento será feito por uma comissão julgadora composta por intelectuais de saber amplamente reconhecido e comprovado em literatura.
2 – A avaliação dos textos será realizada com base nos critérios de adequação ao tema proposto, originalidade, criatividade, qualidade técnica empregada e respeito à limitação de caracteres especificada nos itens 10 e 11, da parte II (Das Condições).
3- As decisões da comissão julgadora serão irrecorríveis.
4 – Serão selecionados 20 (vinte) textos em cada categoria para publicação de uma antologia pela EdUFF.
5 – A classificação final será divulgada em dezembro de 2012, em local a ser divulgado.
V – Da premiação
1 – O autor classificado em primeiro lugar em cada categoria receberá como prêmio um notebook. A editora se reserva o direito de definir marca e configurações do equipamento. Os vencedores farão jus também ao troféu Itapuca.
2 – A publicação dos textos selecionados se constituirá no prêmio para os primeiros lugares e demais classificados.
3 – Os autores classificados em primeiro lugar em cada categoria receberão 10 (dez) exemplares da antologia; os segundos colocados, 8 (oito); os terceiros, 5 (cinco). Os demais 17 autores selecionados receberão 3 (três) exemplares da coletânea.
4 – Ao inscrever-se, os participantes concordam em ceder os direitos autorais dos textos à EdUFF, para publicação ou divulgação por meio eletrônico.
5 – A EdUFF não será responsável por nenhuma despesa referente ao comparecimento dos participantes à cerimônia de premiação.
VI – Das disposições finais
1 – A Fundação Euclides da Cunha, a Pró-Reitoria de Extensão da UFF e a Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro são os patrocinadores deste concurso.
2 - Após o término do concurso, os textos recebidos não serão devolvidos.
3 – A participação neste concurso implica a aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
4 - Casos omissos serão resolvidos pela comissão julgadora e organização do concurso.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Ler por Luís Fernando Veríssimo

Ler...
Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos.
Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática,
trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ler é o melhor remédio

Giani Peres*

Eis aí um grande desafio:
Criar ávidos leitores!
Que leiam, leiam, horas a fio
Sobre ciência, poesia e amores.
Adquirir o hábito de ler é importante
Para investigar, pesquisar, delirar
Ler é mesmo algo fascinante,
Envolvente, pois te leva a criar.
Diria que ler é o melhor remédio
Contra a ignorância, desinformação e tédio
E qual é afi nal o papel do professor?
Ser um exemplo, ser um elemento motivador
Oferecendo pílulas diárias de leitura
Que leve as idéias a constante fervura.


* Giani Peres
Pedagoga formada pela Unicamp, especialista em Educação Infantil, pós-graduada em Métodos e Teorias de Pesquisa.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Poema "Aula de leitura"

Ricardo Azevedo
Escritor e ilustrador paulista nascido em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens

A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

Poema extraído do livro: AZEVEDO, Ricardo
.
Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

Assista a declamação do poema "Aula de leitura" pelo próprio autor.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Poesia para Crianças - Combina com leitura

A boa poesia rima – e muito bem – com os pequenos leitores, sempre dispostos a se deixar levar pela ludicidade e musicalidade dos versos

O Convite – e esse é o nome do poema cujo trecho foi reproduzido acima – é do poeta, tradutor, crítico e ensaísta brasileiro José Paulo Paes (1926-1998), um dos nomes que está na ponta da língua quando o assunto é poesia para crianças. Estudiosos, poetas, músicos, todos concordam com Paes: a poesia é brinquedo, sim. “Quem perdeu isso foi o adulto”, diz o músico Tim Rescala, diretor musical e artístico do espetáculo Une Dune P... de Poesia, atração do SescTV em setembro (veja boxe Grande brincadeira). “Acho que falta poesia nos próprios adultos. Acho que nós deixamos um pouco a coisa de lado.”

Isso seria, de fato, uma grande perda. Segundo o professor Hélder Pinheiro, do Departamento de Letras da Universidade Federal da Paraíba, quem lê mais poesia pode desenvolver uma sensibilidade mais aguçada para alguns aspectos da língua e da vida como um todo. Pinheiro, autor de Poesia na Sala de Aula (Bagagem, 2007) e organizador da coletânea Pássaros e Bichos na Voz de Poetas Populares (Bagagem, 2004) – recomendada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) –, afirma ainda que, embora “a sensibilidade poética deva ser um projeto para a vida inteira, o ditado ’quanto antes melhor’ – assim como é com a literatura em geral – se aplica também aqui.

“Se o indivíduo começar bem na infância, teremos mais chances de ter um adulto mais sensível”, diz o especialista. “Nesse sentido, acho que a escola e a família têm um papel fundamental: cultivar a leitura ou audição de poesia, se possível, todos os dias.”

Do que ela fala?

No entanto, conforme observa o próprio professor, a escola e os pais ainda não descobriram – salvo honrosas exceções – que poesia rima ricamente com criança. “A escola e a família trabalham pouco com poemas e, quando trabalham, ainda permanece o ranço de usar como pretexto para ensinar alguma coisa”, diz. “Acho que essa pode ser uma explicação para que a poesia ainda não seja muito apreciada pelas crianças.”

No âmbito da presença da poesia nas escolas, o pedagogo e mediador de leitura para crianças e adolescentes José Roberto da Silva, da ONG A Cor da Letra, acrescenta que até há a intenção por parte dos professores de trabalhar o gênero com as crianças em sala de aula, mas na sua opinião muitas vezes faltam títulos. “A quantidade de livros de poesia nas escolas, sobretudo as públicas, localizadas em comunidades de baixa renda, é muito pequena”, declara.

“O que se agrava com o problema de formação dos professores. Muitos acham a poesia importante, mas não tanto quanto a prosa.” O mediador também cita a tradição ?avaliativa das escolas. “Geralmente só se lê em sala de aula para produzir alguma coisa”, avalia. “E com a poesia isso é mais difícil. Então sempre fica no: ‘De quem é a poesia?’, ‘do que ela fala?’. Nunca há um envolvimento com o gênero como bem cultural.”

O músico Tim Rescala conta que presencia isso na educação das filhas, uma de dois e a outra de 14 anos, mesmo se tratando de uma escola particular. “A mais velha tem muito talento para a arte, mas isso não é muito valorizado na escola dela”, conta o artista. “E olha que, apesar de ser católica, é uma escola progressista. Mas não há esse estímulo. São poucas as que valorizam o conteúdo artístico da mesma forma que os demais. Acho que é um preconceito que ainda persiste.”

Livro aberto

Para o escritor Ricardo Cunha Lima – Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantojuvenil com De Cabeça Para Baixo (Companhia das Letrinhas, 2001) – essa questão é fácil de ser resolvida: basta ler uma poesia para as crianças e elas vão pedir mais. “Eu acho até melhor ler poemas para crianças do que ler prosa, histórias mais longas”, afirma. “Eu mesmo já li para crianças e é bom porque você lê um e ele acaba rapidinho. Às vezes você começa a ler uma história muito comprida e as crianças começam a se inquietar.” E o autor dá a dica para os pais: “Leiam poesias para as crianças à noite”.

Na análise de Lima, a ludicidade e a musicalidade da poesia são grandes trunfos na hora de conquistar o público infantil. “Tem a ver com os sons das palavras, com o jogo que dá para fazer com elas”, diz. “Acho inclusive que é por isso que a rima, que tem ficado fora da poesia contemporânea, persiste na poesia infantil. A criança gosta quando rima.” O músico Tim Rescala concorda com o apelo da música. Para ele, essa é uma ótima forma de apresentar a poesia aos pequenos.

“Uma forma de você trabalhar a poesia é por meio da canção, por mais simples que ela seja”, avalia. Essa simplicidade, no entanto, não pode ser confundida com baixa qualidade. Para Rescala, vale o mesmo quando se fala de criança e música. “A criança é um livro aberto para novas experiências”, diz. “E ela tem uma disponibilidade muito maior do que os adultos para aprender coisas novas, para o lúdico, para brincar. E com a poesia acho que se pode utilizar o mesmo caminho, o mesmo canal, principalmente se considerarmos a poesia como um jogo de palavras.”

Música para os ouvidos...

Para o professor Hélder Pinheiro, a questão da musicalidade é “central”. “E ela se dá dos mais diversos modos: assonâncias, aliterações, rimas e repetições de palavras são alguns dos procedimentos.” Segundo o autor, uma poesia mais conceitual, “com imagens mais abstratas”, tende a não atrair a criança. “No entanto, muitas vezes ela adora o som, embora não entenda nada do sentido. Portanto, tema e forma (ou estrutura) devem sempre vir bem casados, para que a significação seja sempre mais rica.”

Outro ponto ressaltado pelo especialista é o mesmo constatado na prática pelo escritor e poeta Ricardo Cunha Lima nas suas incursões como leitor de poemas para grupos de pequenos: o tamanho. “Poesia para crianças não deve ser muito longa. E há que se ter cuidado também com o vocabulário: palavras muito rebuscadas muitas vezes tornam qualquer poema pernóstico.” Isso explica o fascínio infantil até hoje exercido pelos poemas de Cecília Meireles.

“Uma criança que ouça: ‘A bela bola rola/a bela bola de Raul’, de Cecília, muitas vezes devaneia a partir deste primeiro verso do poema”, exemplifica Pinheiro. “Imagina a bola rolando, o colorido das bolas, a brincadeira. Certamente, o encanto da poesia para criança está, sobretudo, no som.”

Colocar-se no lugar da criança, tentar entender seu ponto de vista sobre o mundo – sem, claro, cair na infantilidade ridícula – também conta pontos na hora de “fisgar” ouvidos pouco experientes. “Acho que é isso o que atrai as crianças na minha poesia”, diz Cunha Lima. “Essa ludicidade, naturalidade, a criança não tem problemas com cavalos azuis, por exemplo.”

Poesia sempre

Assim como acontece com a literatura em geral, a poesia depende muito do hábito para conquistar seu lugar no cotidiano. “Por que gostamos de música?”, pergunta o professor Hélder Pinheiro. “Porque a ouvimos cotidianamente.” O músico Tim Rescala complementa: “Antes até de haver o hábito da leitura, tem que ter a brincadeira”, diz.

“E isso depende muito dos brinquedos, do tipo de brincadeira que você propõe. Então, pode ser uma brincadeira com palavras, um jogo com elas, de inventar palavras novas.”. O pedagogo José Roberto da Silva, de A Cor da Letra, afirma que a poesia exercita mais a abstração do que um texto em prosa. “E isso, de certa forma, ajuda a desenvolver a sensibilidade”, finaliza.

O palhaço atirou-se num poço de marmelada.
De graça
pois a pantera
espera que ele trouxesse suspiros
naquela noite.

Roberto Bicelli


Robalo

peixe marcado
por sua saúde
e beleza.
Não há anzol
que não te queira
no fundo ou
na beira.
Não há sol
que não se prisme
nas tuas escamas
e nadadeiras.
Não há frigideira
que não se excite
com teu caldo
de primeira.
Não há justiça
que se faça
quando te pescam
de graça.

Roberto Bicelli

As Abelhas

A AAAAAAAbelha mestra
E aaaaaaas abelhinhas
Estão tooooooodas prontinhas
Pra iiiiiiir para a festa.
(...)
Vinícius de Moraes

Problemas da jiboia

a palavra jiboia tinha uma bóia
e assim podia boiar no rio da linguagem;
agora os mestres decidiram, porém,
que o seu acento não lhe assenta bem,
e a jibóia se transformou em jiboia
(...)

Geraldo Carneiro

Publicado em Setembro/2010
Fonte: Revista E

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Os primeiros livros, poema de Bastos Tigre

O livro do ABC, 1943, ilustrado por Ethel Hays ( EUA 1892-1989).

Os primeiros livros - Bastos Tigre

Um livro: — um lindo brinquedo
Que Bebê fica a mirar:
Cada página é um segredo
A desvendar.

Livro de folhas escritas
E ilustradas — mais de cem!
Quantas histórias bonitas
Ele contém!

Figuras de vivas cores,
Lindamente combinadas:
Casas, bichos, frutas, flores,
Bruxas e fadas…

E a explicação disso tudo
Em grandes letras impressas!
Bebê, radiante no estudo,
Firme, começa!

Essas letras, essas frases
Têm tais sentidos ocultos,
Que entender não são capazes
Doutos adultos.

É preciso ter cinco anos
– E nem todo mundo os tem –
Para poder tais arcanos
Penetrar bem.

Por leitura eu não entendo
O que eu faço e faz qualquer,
As letras do que está lendo
Sem ver sequer.

Bebê cada letra estuda,
Em cada sílaba atenta,
Franzindo a testa sisuda,
Descobre, inventa,

Decifra um novo mistério
A cada voz que enuncia
Que estudo não há mais sério,
De mais valia.

E é de notar-se o ar solene
Com que as silabas lê:
Já não confunde o “m” e o “n”,
O “p” e o “q”…

Ei-lo que as letras combina,
Forma os sons e, num momento,
Vai-lhe a frase, da retina
Ao pensamento.

Maravilha do alfabeto
Que dos arranjos de traços
Faz surgiur a idéia, o objeto!
Novos espaços.

Abre à razão ignorante,
Dá-lhe asas de luz e a eleva,
Radiosa, para o levante,
Longe da treva!

Que humano invento o suplanta?
Só um Deus pudera, em verdade,
Tal grandeza por em tanta
Simplicidade.

Vendo-o tão simples, dir-se-ia
– Do nada tão pouco além…
Que humana sabedoria
Do nada vem…

Quase-nada, gérmen ovo,
Do saber, célula mater,
Sem ele não tem um povo
Alma, caráter…

Mas Bebê quer tudo feito
Depressa; e anseia por ciência!
(Não é seu menor defeito
O da impaciência).

E, antes que os frutos recolha
Da cultura, ah, quem dissera!
Todo o livro, folha a folha,
Zás, dilacera!

Em: Meu bebê: poesias líricas ( Poemas da primeira infância), 1925. [Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras].

sábado, 26 de junho de 2010

Poema "Viajar pela leitura" de Clarice Pacheco

Mais um clique e outro poema sobre leitura.

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Clarice Pacheco

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim, sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!

Poema " A leitura" de Marisa Gonçalves de Almeida Santos

Um clique aqui, ali e acolá e encontro esse poema sobre leitura. Achei muito legal... Compartilho com vocês.

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Marisa Gonçalves de Almeida Santos
Sorocaba / SP

A leitura

Caminho entre prateleiras;
Eiras... beiras de papéis;
Deleito-me nas esteiras das rimas;
Poesias;
Crônicas... literaturas infinitas;
Embriago-me no coquetel das palavras;
Mistura inebriante de poeira e traça voraz???
Acelero meu intelecto;
Transporto-me para os contos...
De fadas;
De amadas... safadas...
Emoções...
Divagações!
Letras miúdas... cinzentas;
Impressão amarelada pelo tempo;
Puro conhecimento!
Escorrego nos "Ss"; "Us"...
Faço das letras diversão pueril...
Escorregadores; escadas e trampolins;
Me arrisco...
Despenco!
Embaraço-me nas cedilhas... nos tils;
Cerro meus olhos;
Entrego-me!
Deixo Sofia nas asas da imaginação me levar;
E me revelar...
Mistérios que somente o livro tem!