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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

4 estratégias para os pais ajudarem os filhos a aprender a ler e a escrever

25 agosto 2012
 
Só 37% dos alunos que frequentam o 4º ano são considerados proficientes em leitura. Os dados são de 2005 e reportam-se aos EUA (1).  Em Portugal, os dados não divergem.

Os professores podem fazer muito mas os pais ainda mais (2). 

As crianças não aprendem a ler naturalmente. Não é suficiente apoiá-las na leitura. É necessário instrução directa por parte de professores e de pais. Convém ter presente que nem todas as crianças aprende a ler com os métodos globais. Para muitas é mais eficaz o uso de métodos fonéticos. Aprender o abcedário e a juntar letras, perceber a diferença entre um fonema e um grafema e associar o grafema ao som são tarefas difíceis mas necessárias ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita.

Os professores ensinam na sala de aula recorrendo a métodos de instrução directa com muito treino, repetição e correcção de erros. Os pais ensinam em casa, reforçando o trabalho dos professores.

O que é que os pais podem fazer para os filhos serem bons leitores?

#1. Estabelecer uma rotina. 

O contacto com os livros deve constituir uma actividade diária. Se os pais criarem um horário semanal de estudo, onde constem as horas de leitura, as crianças ganham o hábito de ler e a leitura torna-se uma actividade rotineira.

2#. Dar liberdade para ler

Os pais devem dar liberdade às crianças para escolherem os livros que desejam ler. Visitas regulares à biblioteca também ajudam. 

3#. Ensinar leitura activa

Não basta ler. É preciso fazer perguntas sobre a história. Quem são os personagens? O que fazem eles? Como relacionar as imagens com as palavras? Fazer resumos da história. Debater a história. Interpretar as frases.

4#.Passar da leitura à escrita

Ler é bom mas escrever ainda é melhor. Pedir à criança para resumir por escrito a história. Pedir à criança para contar uma história e escrevê-la. 

Fonte:ProfBlog A Educação em Portugal

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ler e escrever no SESC

O texto abaixo é um clipping tirado do site do Serviço Social do Comércio (SESC)

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Tenho insistido nas conversas descompromissadas com os confrades da Academia Brasileira de Letras no quanto é difícil saber ler.

Há quem leia e não perceba, há quem leia e não se ilustre, há quem leia sem saber para quê. Há, assim, quem leia sem ler. Apenas vê os textos.

Certa ocasião disse isto numa palestra para estudantes da Escola SESC de Ensino Médio e arrematei que não bastava aprender a escrever era imperioso saber ler. Concluí: só sabe escrever quem lê bem.

Agora mesmo temos a prova disso com o próprio alunado daquela escola, aliás, no gênero a melhor do Brasil. Privilegiando a docência de nível e a biblioteca valiosa, os alunos procuram ler, radiografando os textos. Isso resultou, como naturalmente deveria ser, em que detivessem altos índices de aprovação em exames seletivos de abrangência nacional. E mais, notas altas em redação. Notas absolutamente diferenciadas.

O zelo com que são organizadas as pautas de leituras e a animação dedicada a discutir as obras, as escolas literárias, as inclinações estilísticas dos autores, tudo leva a que os estudantes saibam o que estão lendo e, em conseqüência, saibam redigir.

Meu pai, um modesto professor de ginásio no interior de Pernambuco, deu-me muita sabedoria, inclusive no que deveria ser o procedimento a adotar com a leitura que me favorecesse aprender a escrever: "Leia Machado de Assis". Segui indagando: "E depois?" A resposta: "Leia Machado de Assis." Compreendi que deveria ler infinitamente Machado de Assis. Não sei se o fiz bem, mas isto é outra história... Ora, o que aconteceu aos alunos da Escola SESC é que redigiram bem por conta do hábito da leitura, da fruição do acervo da bem cuidada biblioteca.

ESFORÇO. Se as escolas de ensino médio se esforçassem - já que fazer até mesmo parecido com a Escola SESC é difícil -em seguir essa trilha de leitura, grupos de debate, apoio de biblioteca, cultivo da dissertação, a realidade do ensino básico de português seria outra.

Os órgãos gerenciadores do ensino, no Rio, tem a obrigação de freqüentar aquele estabelecimento localizado nos confins da Barra, para que se orientem como fazer. Ir lá, enfrentar trânsito e distância, e se confrontar com uma obra exemplar que o País, não só o Rio, fica a dever ao Sistema S, no caso, ao SESC. Fará muito bem a todos. Se navegar é preciso, ter a humildade em aprender com quem faz bem feito, também é preciso. E o navegar, de que fala a boa tradição dos navegadores, no alto mar ou na beira da praia, é buscar aprender.

Fonte: SESC

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Aprender a ler e escrever altera a forma de funcionamento do cérebro

Matéria publicada em 11/01/2011

Lígia Formenti e Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Pesquisa mapeou, por meio de ressonância magnética, atividade cerebral de analfabetos e de alfabetizados na infância e na idade adulta e descobriu que área dedicada ao reconhecimento facial se torna ''especialista'' no reconhecimento de palavras

As mudanças provocadas pelo aprendizado da leitura não se limitam à melhora na qualidade de vida. Estudo conduzido pelo Centro Internacional de Neurociências da Rede Sarah, com a colaboração de cientistas de Portugal, França e Bélgica, demonstra que aprender a ler e escrever altera a forma de funcionamento do cérebro.

"Há uma mudança nas redes neuronais da visão e da linguagem", afirma Lúcia Braga, presidente da Rede Sarah e coordenadora do trabalho. Os resultados indicam que o cérebro faz um rearranjo de suas funções ao iniciar o aprendizado da leitura.

Antonio Milena/AE-3/1/2009

Adaptação. De acordo com neurocientistas, hábito da leitura cria novas conexões cerebrais

Uma área inicialmente dedicada ao reconhecimento facial se torna "especialista" no reconhecimento de palavras. Isso, no entanto, não significa que alfabetizados percam a capacidade de identificar rostos. Muito embora, nos testes, os analfabetos apresentaram um desempenho superior aos alfabetizados no reconhecimento de faces.

"Outras pesquisas precisam ser realizadas. Mas a nossa suspeita é de que, em pessoas alfabetizadas, o reconhecimento de rostos em parte seja transferido para outra região cerebral", disse Lúcia Braga.

Estímulos. A pesquisa analisou exames de ressonância magnética feitos em 63 voluntários. O grupo, formado por brasileiros e portugueses, teve a atividade cerebral mapeada enquanto era submetido a estímulos, como ouvir frases, ver palavras, rostos e outras imagens. Dos voluntários, 10 eram analfabetos, 22 haviam sido alfabetizados na idade adulta e outros 31 aprenderam a ler e escrever ainda na infância.

Os exames mostraram que o grupo de pessoas alfabetizadas apresentou uma atividade mais acentuada nas áreas do córtex associadas à visão.

Além disso, pesquisadores notaram que houve também um aumento das respostas do cérebro relacionadas à identificação de fonemas. "Isso de certa forma explica por que analfabetos não conseguem fazer a supressão do som de uma palavra: como anana de banana", contou Lúcia.

As mudanças nas redes neurais foram identificadas nas pessoas escolarizadas desde a infância e naquelas que aprenderam a ler na fase adulta.

"Os ganhos foram evidenciados nos dois grupos", explicou a coordenadora da pesquisa.

Essa "adaptação" do cérebro é explicada por Lúcia. "A escrita é algo relativamente novo na história da humanidade para ter influenciado uma mudança genética", disse. A saída encontrada pelo cérebro foi reciclar áreas anteriormente reservadas a outras funções para atender às novas demandas. "Quanto mais estudamos, mais conexões cerebrais nós temos", completa.

Para Lúcia, os resultados do trabalho reforçam a importância da leitura, uma espécie de "musculação", para o cérebro. "Vemos isso diariamente no trabalho de reabilitação feito no Sarah. Os resultados do trabalho são muito mais rápidos em pessoas que têm cérebro exercitado do que as que não têm."

A Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação é especializada em tratamento e pesquisa sobre paralisia cerebral, espinha bífida, traumatismo craniano, acidente vascular cerebral, doenças neuromusculares e problemas ortopédicos.

Ao todo, nove unidades integram a rede - um hospital e um Centro Internacional de Neurociências e Reabilitação, em Brasília, e unidades hospitalares em mais sete capitais.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O tempo de ler é sagrado

Gabriel Perissé*

Tempo de ler é tempo de eternidade.

Ao ler um livro, transcendemos calendário e relógio.

Ao ler um grande autor, vencemos a miopia de só querer fazer coisas imediatamente úteis. Toda leitura é culturalmente sagrada, na medida em que cultiva o pleno desenvolvimento de uma pessoa.

Toda leitura é vencer a indiferença espiritual, o medo que temos da nossa alma. Toda leitura é sagrada, na medida em que nos abre os olhos para o divino-humano. Como ficar alheio à escatologia depois de ler a Divina Comédia? Como debochar da teologia depois de ler O idiota, de Dostoievsky? Como banalizar os conflitos da consciência religiosa depois de ler um Bernanos, um Murilo Mendes, uma Adélia Prado?

Toda leitura é sagrada, na medida em que nos faz perder o preconceito com relação às questões transcendentais. É possível cultivar esse preconceito depois de sentir a angústia de um Graciliano Ramos ou de um Kafka? Se não houvesse no ser humano uma insatisfação profunda com a sua atual condição, poderíamos passar os dias ganindo, devorando os inimigos, lutando pela sobrevivência, mas nunca escrevendo... O nosso passado cultural e literário está impregnado de reflexão teológica, explícita ou implicitamente. Dar as costas a essa realidade é dar as costas a nós mesmos!

Até os agnósticos e os ateus sabem que o humanismo está impregnado de caráter religioso.

Toda leitura humanizante pode tornar-se uma leitura santificante. E toda leitura é humanamente sagrada, e divinamente humana.

Ler é romper a monotonia, e isto é um ato sagrado.

Ler é lutar contra a violência destruidora do tempo, e isto é um ato sagrado.

Ler é beber da fonte da eterna inquietude, e isso é um ato sagrado.

Ler é suscitar o silêncio interior, caminho de amor e serenidade, e isto é um ato sagrado.

Ler é fazer uma homenagem à inteligência humana, e isto é um ato sagrado.

Ler é procurar, compreender, descobrir, e todos estes são atos sagrados.

A noção de civilização e a idéia que temos da humanidade são inseparáveis do nascimento do livro, da sua multiplicação como pão que nos salva da pior fome.

Não me refiro ao livro reduzido ao livro "prático", aos dicionários, aos manuais.

Refiro-me a todo livro que seja espelho no qual nos vemos, e janela através da qual vislumbramos o Outro.

Publicado em Julho/Agosto de 2010
*Gabriel Perissé é escritor, professor e
Conselheiro Cultural do Viva.
http://www.perisse.com.br/

Fonte: Historiar

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ler e escrever

Mário César Rodrigues é professor e escritor,
membro da Academia Araçatubense de Letras

Escrever é uma arte. Que se aprende na escola. Alguns escritores herdaram uma facilidade inacreditável com as palavras. Elas saltam de seus cérebros para o papel ou para tela como se fossem macacos em refeição depois de uma chuva forte e longa. Jorge Amado e Humberto Eco, por exemplos.

Outros lutam com as palavras. Demoram-se na estruturação da frase definitiva. Escrevem, revisam, apagam, deletam, reescrevem. Resolvem cada frase como se decidissem pela vida ou a morte de uma criatura. Nelson Rodrigues sofreu e Nélida Piñon ainda sofre demais com as palavras.

Se não tivemos a sorte do Humberto Eco ou do Jorge Amado, podemos aprender a escrever tecnicamente. Lendo. Analisando. Exercitando. Comparando estilos. Compreendendo estruturas descritivas, narrativas, dissertativas.

Para que escrever? A Literatura é uma disciplina escolar porque o ato de ler (e escrever) é fundamental na educação intelectual, na organização cerebral, na saúde psicológica. Justamente
por isso estimulamos a leitura e a escritura. Porque não é fácil organizar o mundo de informações que nos invade constantemente. Não é fácil, mas não podemos desistir de organizá-las.

Em todo instante adquirimos informações por meio dos sentidos e devemos dar a elas um mínimo de organização para ter uma noção razoável da realidade. Quando ouvimos, falamos, lemos ou escrevemos... Quando desenvolvemos processos de comunicação, organizamos parte das informações guardadas em nosso cérebro. Porque precisamos ordená-las para entendê-las ou emiti-las.

Imagens, sons, cheiros, sabores, impressões táteis que não conseguimos organizar tornam-se lixo dentro de nossas cabeças e começam a nos atrapalhar. Imagine uma mesa de trabalho barrotada, tão cheia de serviços que o trabalhador desiste. Alguém que não consegue compreender o funcionamento do mundo e da vida desiste.

Uma organização meia-boca resolve. Não nos deixa desistir. Mas proporcionalmente nos oferece
uma visão meia-boca da realidade. E logicamente todas as nossas definições, conclusões e convicções também serão de qualidade mediana. Tirar leite de pedra é só uma metáfora. Não é possível tirar uma grande ideia de um cérebro mal organizado. Ler e escrever são atitudes fundamentais. Para o indivíduo e para o mundo.

Convivemos com um alto índice de violência justamente porque não temos ainda uma visão satisfatória da realidade. A maioria da população, muito infelizmente, não leu nem escreveu o bastante para entender a própria vida. Para entender (outro por exemplo) que a sua felicidade depende da felicidade dos outros. O mundo, o país, o Estado, a cidade, o bairro, a família são instituições finitas. Exatamente por isso, dentro delas, o isolamento é só uma ilusão. Todos influenciam e são influenciados por todos. O mundo precisa de pessoas menos analfabetas para que todos vivam melhor.

Fonte: Folha da Região