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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lançamento do livro Retratos da Leitura no Brasil 3

Lançamento do livro Retratos da Leitura no Brasil 3, debateu dados da pesquisa e levantou temas para promover a leitura no país

Clique aqui para acessar o livro em PDF
Livro Retratos da Leitura no Brasil 3

(Necessita do programa 
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O Instituto Pró-Livro lançou na última quarta-feira, dia  15, durante a 22ª Bienal de São Paulo, o livro Retratos da Leitura no Brasil 3. A obra traz o resultado da última pesquisa sobre o perfil leitor do brasileiro, divulgado em março deste ano e, analisado por especialistas ligados à educação e cultura, que escreveram artigos analíticos sobre os principais resultados do estudo. 

Essa edição do livro contou com nomes expressivos na  área na leitura e literatura, como a presidente da  Academia Brasileira de Letras e escritora Ana Maria  Machado; Sérgio Leite, da Unicamp; Maria Antonieta  Cunha, DLLLB da Fundação Biblioteca Nacional e UFMG;  Tania Rosing da Universidade de Passo Fundo; Ezequiel  Theodoro da Silva da UNICAMP, Cole e ABL; Regina  Zilberman, da UFRS; Isis Valeria Gomes, presidente da  Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; Felipe Lindoso, jornalista especializado no mercado editorial;  Fabio S. Earp e G. Kornis, da UFRJ; Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional; Marisa  Lajolo, da Unicamp e Mackenzie; José Castilho Marques  Neto, da UNESP e Edunesp e da ABEU; Bernardo  Jaramillo, Lenin Salinas e Fabiano S. Piúba, do CERLALC -Centro Regional para o Fomento do Livro na América  Latina e o Caribe. 

Com tiragem inicial de 2 mil exemplares, a obra conta  com 344 páginas divididas em duas partes. A primeira  dedicada aos estudiosos, enriquecendo as avaliações dos  dados apontados. Na segunda metade, o livro traz os  dados colhidos pela pesquisa, com gráficos e comparativos com o estudo anterior, realizado em 2007. 
O lançamento foi no estande da Imprensa Oficial,  coeditora da obra. Momentos antes do evento, no Espaço  Livro & Cia, foi realizado um debate com alguns autores  do Retratos da Leitura no Brasil 3, junto ao público  presente e autoridades do meio livreiro. Para mediar o Painel, estava Zoara Failla organizadora e coordenadora  do projeto. 

Durante o Painel e o coquetel de lançamento estiveram  presentes também, Karine Pansa, presidente do Instituto  Pró-Livro e da Câmara Brasileira do Livro; Marcos  Monteiro presidente da IMESP e autores da obra, que realizaram uma sessão de autógrafos para os presentes. 

Fonte: Instituto Pró-Livro

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O mapa da leitura no Brasil

Revista CP Geografia - 30/08/2010


Todos os estabelecimentos de ensino do Brasil – os públicos e os privados – devem ter uma biblioteca. Isso, que até pouco tempo atrás era só um desejo, agora virou lei, sancionada em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e já está em vigor. A aplicação da nova lei pode mudar o mapa brasileiro da leitura, traçado pela pesquisa Retratos da Leitura do Brasil. O levantamento, no qual 77 milhões de brasileiros admitem que não são leitores (enquanto outros 95 milhões, ou 55% dos brasileiros, declaram ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses), mostra uma situação terrivelmente desigual.

De acordo com esse mapa da leitura, elaborado a partir do estudo encomendado pelo Instituto Pró-Livro, 45% dos leitores brasileiros estão na região Sudeste, onde seis em cada dez habitantes se confessam leitores. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão os menores números de leitores do país – 8%, 25% e 7%, respectivamente. Na região Sul, estão 14% dos leitores brasileiros.

Os índices de leitura – 4,7 livros lidos por habitante/ano pela população acima de cinco anos de idade, em contraste com a média de 1,8 encontrada em 2001 entre os brasileiros acima de 15 anos e pelo menos três de escolaridade – também se diferenciam de acordo com as regiões do Brasil. O Sudeste e o Sul aparecem na frente, enquanto que o Nordeste e Norte ficam na rabeira. Também estão nessas regiões, proporcionalmente aos índices verificados por pesquisas do IBGE e um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do Ministério da Cultura, os piores déficits de bibliotecas públicas.

“As mesmas desigualdades sociais encontradas em outras áreas infelizmente se reproduzem na questão da leitura, o que é, sem dúvida, uma grande dificuldade para combater as desigualdades verificadas em quesitos como renda per capita, nível de salários e qualidade de vida”, afirma o diretor do Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim, que coordenou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

O escritor gaúcho Jéferson Assumção observa que os atuais retratos da leitura do Brasil resultam da história da colonização do País. Ele lembra que autores como Sérgio Paulo Rouanet e Renato Ortiz já apontavam problemas educacionais e de valor simbólico na prática da leitura entre os brasileiros.

No capítulo que escreveu para o livro Retratos da Leitura do Brasil, publicado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e Instituto Pró-Livro, e organizado por Galeno, Assumção descreve que a relação dos brasileiros com o livro é recente e “herdeira de uma história bastante problemática”.
“Enquanto na França de 1890 cerca de 90% dos habitantes eram alfabetizados, e na Inglaterra de 1900 este número chegava a 97%, em Portugal havia apenas de 20% a 30% de alfabetização no mesmo período, ou seja, pouco menos de cem anos”, descreve ele. Na última década do século 19, o índice de analfabetismo no Brasil era de 84%.

Atual secretário de Cultura de Canoas (RS), Assumção observa que a miscigenação proporcionada pela colonização dá riqueza cultural expressa em cores, sons e movimentos. No Brasil só a pouco mais de 200 anos deixou de ser proibida a impressão de livros. A imprensa, aliás, desembarcou com a família real, em 1808, e restringia-se à fabricação de documentos e livros oficiais.

Além da herança histórica, a formação de leitores sofreu o impacto da ditadura militar, na avaliação de David Plank, autor da obra Política Educacional no Brasil: Caminhos para Salvação da Pátria. A reforma educacional daquele período eliminou dos currículos escolares disciplinas como francês, latim, filosofia e sociologia – as duas últimas voltaram a ser ministradas em 2007.

“A educação virou ensino, adestramento para a formação de mão de obra para aquecer o desenvolvimentismo capitalista brasileiro”, complementa Jerfferson Assumção. Esse perfil da educação brasileira fez a formação de leitores depender exclusivamente de esforços individuais, que não têm força para produzir o volume de leitores críticos dos quais o Brasil precisa.

Direito

Para Galeno Amorim, que coordenou a criação, em 2006, do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do Ministério da Cultura e Ministério da Educação, é fundamental que o Estado brasileiro trate a questão da leitura um direito de cidadania. “O acesso aos livros e a outros suportes de leitura, via bibliotecas públicas, deve ser encarado como um serviço público de natureza essencial”, defende Galeno, ao apontar a necessidade de enraizar mais as políticas públicas do livro e leitura, a partir da instituição de Planos como o PNLL, nos estados e municípios.

Galeno Amorim também aponta a necessidade da criação urgente de uma ampla e vigorosa política nacional de revitalização das bibliotecas públicas, sejam elas municipais, escolares, universitárias ou comunitárias. “Somente políticas públicas permanentes, a partir de uma mobilização da sociedade e a pressão dos agentes sociais, é que podem enfrentar esse quadro da desigualdade no acesso e na prática da leitura, que perpetua e mesmo aprofunda das outras desigualdades sociais”, afirma Galeno.

“O conhecimento, a autonomia intelectual e a capacidade transformadora que gera fazem da prática de leitura uma questão de cidadania”, observa o diretor do Observatório do Livro e da Leitura, que em 2005 comandou no Brasil as comemorações do Ano Ibero-americano da Leitura, o Vivaleitura, que mobilizou 100 ações, entre projetos e programas, e é considerado um marco na virada que está ocorrendo nesse tema nesta década no País.

A questão, adverte Galeno, no que é apoiado pelo ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, de quem foi secretário municipal da Cultura em Ribeirão Preto (SP), é que o País dificilmente conseguirá alcançar bons índices econômicos sem investir em conhecimento. “Nem um país do mundo, entre os desenvolvidos, chegou a esta condição sem ter resolvido, antes, a questão do acesso à cultura e à educação de qualidade”, observa Palocci. “O acesso aos livros, portanto, é um direito que o Estado tem de garantir”, defende Galeno.

Segundo o IBGE, no início da década, existiam 1300 bibliotecas públicas no país. A lei que determina a implantação das bibliotecas é fruto dos esforços empreendidos por meio do PNLL, que conseguiu ampliar os recursos destinados pelo Ministério da Cultura de R$ 6 milhões, em 2003, para os cerca de R$ 180 milhões atuais. “Para alterar o mapa da leitura no Brasil é necessário muito investimento, sobretudo em educação”, diz Galeno Amorim.

Afinal, uma parcela considerável das pessoas que não leem no País justifica que não o fazem por não serem alfabetizadas. Esses – 15% segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil – não conhecem as letras. Outros 7% são analfabetos funcionais, ou seja, declaram que não leem por não compreenderem a maior parte do que está escrito. O levantamento também revelou que a dificuldade de acesso está entre as principais razões para não lerem entre aqueles que já são leitores. 18% justificaram falta de dinheiro e 15% falta de bibliotecas.

Na cidade de Passos (MG), foi justamente a existência de uma biblioteca pública que fez de Benedita Imaculada Bastos uma leitora voraz. Ela vive em Divisa Nova, cidade de apenas 5 mil habitantes, no Circuito das Águas, em Minas Gerais, e já perdeu a conta de quantas vezes foi a uma biblioteca. A Ilha do Tesouro foi o primeiro livro que leu, há 40 anos. E nunca mais parou.

“Leio no quarto, antes de dormir e quando acordo de madrugada, pego o livro de novo”, diz. Ela vê novelas, mas lê nos intervalos comerciais. “Sou muito caseira, minha companhia são os livros”, afirma a mulher, que trabalha como doméstica há mais de três décadas para a mesma família e estudou até a 4ª série do ensino fundamental.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pesquisa mostra Brasil que não lê

Com 420 municípios sem bibliotecas, brasileiros leem pouco e têm acesso limitado a livros. Rio quase na lanterna

Por Raphael Zarko

Rio - Pequeno número de bibliotecas, o acesso ruim às poucas existentes nas periferias do País e a má formação dos profissionais são alguns dos muitos motivos para o resultado do 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais. O estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o Ministério da Cultura (Minc) esteve em 4.905 municípios de Norte a Sul do País, onde constatou que em 420 cidades não existe biblioteca pública ou foi fechada.
Foto: Arte O Dia
Os números contrastam com o investimento anunciado pelo governo nos últimos anos: segundo o MinC, em 2003 foram destinados R$ 6 milhões ao setor, enquanto no ano passado foram investidos R$ 95 milhões — um salto de 1.500% que não mostra a realidade do setor, segundo especialistas. “Não é surpresa, porque já conhecemos bem essa realidade. Só faltava essa metodologia para comprovar. Se não há atenção que merece, esse era o resultado esperado”, afirma a presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Nêmora Rodrigues. Para ela, a simples transferência de verba para os municípios não resolve, pois falta estrutura para aplicar o dinheiro corretamente.

“Os municípios têm que preencher uma série de requisitos, apresentar certidões negativas e muitas exigências que não podem cumprir”, lembra a presidente da CFB, que critica também a formação profissional. A pesquisa indica que 57% dos funcionários da biblioteca têm nível superior.

A bibliotecária Sônia Neves, da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (Febf-Uerj), associa a questão ao mal aproveitamento dos kits entregues a municípios. “Se os dirigentes não são da área, como vão cuidar do material? E será que o material do Sudeste tem que ser o mesmo do Norte?”.

Professora da Febf (Uerj), Alzira Batalha critica o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado como “o PAC da educação” pelo governo federal. “O ProInfo quer colocar computadores nos municípios, mas há lugares que não têm o básico. As bibliotecas têm até goteiras”, afirma ela.

E a situação no Rio de Janeiro não é nada boa. O censo mostrou que o estado ficou na 25º posição entre as 27 unidades da Federação na classificação por quantidade de bibliotecas para cada 100 mil habitantes. No período pesquisado havia cinco municípios que não tinham bibliotecas públicas: Arraial do Cabo, Cambuci, Itaperuna, Laje do Muriaé e Valença, que reabriu a biblioteca Dom Pedro II em dezembro de 2009.

Porém, o coordenador do espaço, José Viriato, ainda aguarda o material prometido pelo MinC. “Não há previsão ainda”.

Fonte: O Dia Online