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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Criança não veste e nem come livros. Por Jonas Ribeiro

Mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar. 


Uma vez, estava em Ubá, Minas Gerais, e encontrei uma livraria. Logo embalei num proseado bom demais com a Lia, a livreira. Em dois tempos viramos amigos de infância e ela acabou me contando uma história que nunca mais esqueci. 

Em frente à livraria existia uma loja de sapatos femininos. Era muito comum as mulheres, acompanhadas de crianças, pararem por ali para experimentar pares de sapatos. Cansadas de esperar, as crianças procuravam algo para fazer e corriam até a livraria, onde se encantavam com os livros infantis. Quando a mãe deixava a loja, elas aproveitavam e pediam o livro. Houve uma ocasião em que uma menina arrastou a mãe para a livraria e, ao ouvir uma recusa, abriu um berreiro. A mãe foi categórica: 

- Você vai vestir o livro? Você vai comer o livro?

Logo, a livreira interveio:

- De fato, a sua filha não vestirá e nem comerá o livro, mas a leitura fará com que, um dia, ela possa comprar os sapatos que a senhora deixou de comprar ainda há pouco. 

Às vezes, as pessoas acham o livro caro e se esquecem de que, ao comprá-lo, estão ampliando o seu conhecimento, além de remunerar uma grande cadeia de profissionais: escritores, ilustradores, editores, revisores, diagramadores, gráficos, distribuidores, livreiros e divulgadores. Sem falar nos educadores, bibliotecários, diretores e coordenadores que erguem pontes entre os leitores e os livros. 

Baseado nessa história, pergunto: pra que serve uma história de amor? Por que alguém lê uma história de amor?

Porque ela alimenta a nossa intimidade, o nosso imaginário e fala do essencial. 

"A história rocambolesca de Madame Valesca" (Callis Editora) é um bom exemplo.

Nascida em berço de ouro, Madame Valesca tinha vestidos rodados e enormes, mas que estavam sempre no caminho e não deixavam ninguém se aproximar dela. Quando encontrou Rodolfo, ela sentiu necessidade de diminuir o tamanho dos vestidos para que seu amado se aproximasse. 

Uma história que trata do despojamento, do medo de ir em direção ao desconhecido. A coragem, a ousadia e o risco são temas que fazem sentido para todos aqueles que desaprenderam a ler ou esqueceram as diferenças existentes entre um livro e um par de sapatos. De fato, Lia, uma criança não come livros. Devora-os!

Por Jonas Ribeiro

Fonte: Cia dos Livros - Ano II - Número IV - Março 2010


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para seu filho gostar de ler

Camila de Lira, 04/12/2010

Foto: Getty Images
Pais devem ler para seus filhos e para eles mesmos, indicam autores

Autores consagrados de livros infantis defendem: para incentivar a leitura nas crianças, é preciso deixar que elas escolham

O que Pedro Bandeira, Angela Lago e Ana Maria Machado tem em comum? Além de todos serem autores infantis de sucesso, eles concordam em uma coisa: só se pode incentivar crianças a ler se os adultos também lerem. E para eles a criança precisa descobrir qual forma e por qual meio prefere ler. “Não conheço uma criança que não goste de histórias”, diz a ocupante da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado, autora de mais de cem livros – entre eles “Menina Bonita do Laço de Fita” (Editora Ática).

Os autores ressaltam a importância de se contar histórias para as crianças antes mesmo que elas aprendam a ler. Ângela Lago, autora de “Cenas de Rua” (Editora RHJ), destaca que uma criança que compreende uma história consegue entender os diálogos da vida.“Os pais que contam histórias para as crianças vão formar leitores. Leitores de tudo: da vida, do dia a dia, do outro, do teatro, do cinema, da TV, da internet”, afirma Ângela.

Nesse ponto, Ana Maria diz que a leitura de quadrinhos pode ajudar em muito. “É mais difícil ler quadrinho que livro. O quadrinho exige que você saiba quem está falando, e a criança tem que perceber as relações temporais, é uma narrativa muito mais complexa”, diz. Pedro Bandeira, autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha” (Editora FTD), diz que os pais precisam deixar que a criança leia tudo, sem preconceitos. Só assim a sua curiosidade vai ser saciada.

De acordo com Ângela, é importante que as crianças escolham os livros por si mesmas. “Todo o livro pode ser fechado na página 2 ou 3, não tem importância. Há livros demais, e as crianças irão encontrar algum que goste”, diz. “Não existem maus livros. Mal faz não ler”, completa Pedro. Por isso, é bom que os pais deixem que os filhos entrem em contato com livros diferentes.

Como é complicado que os pais saibam e até tenham os um grande número de títulos, a escola se torna fundamental. Os autores afirmam que o papel da escola é tanto pré-selecionar alguns livros para as crianças, quanto prover um ambiente de leitura. Ângela Lago destaca a importância da biblioteca na formação de leitores. “A leitura não está presa ao consumo, ela requer uma escolha de qualidade e um tempo grande para absorver. As crianças aprendem isso na biblioteca”, diz.

Assim, a internet também pode servir como uma plataforma para que as crianças tomem gosto pela leitura. “A internet é mais um meio escrito. Meio bastante rápido. Antigamente, tinha que procurar numa enciclopédia, que normalmente estava desatualizada”, diz Pedro Bandeira. A preocupação de que ela vai substituir o livro, segundo Ana Maria, é descabida. “A internet vai substituir o livro de consulta, o dicionário, mas não a ficção”, completa.

Segundo os autores, de nada valem todos esses esforços se os pais não lerem para eles mesmos. “Uma criança tem a tendência de comer com a mão. Ela só usa talheres porque vê os pais usando. É a mesma coisa com os livros”, resume Ana Maria.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Livro de pano no incentivo a leitura

Projeto ajuda a geração de renda de mulheres da periferia de São Paulo

Criatividade pode incentivar o hábito da leitura e a geração de renda. Em São Paulo, uma associação de mulheres confecciona livros infantis e jogos com tecidos.


Fonte: Programa Ação

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Afinal, por que ler?

Parece até que a gente sabe esta resposta... mas, no fundo, ainda temos dúvida do papel da literatura em nossas vidas

Cristiane Rogerio
Pelo peso intelectual que ela carrega, a palavra literatura muitas vezes pode causar certo “hummm, mas será que é para mim, isso?”, “humm, será que eu vou ter tempo?”, “hummmm, será que eu vou entender?”.

Uma das maravilhas que o livro infantil faz conosco é que ele quase sempre vem, digamos, acompanhado de uma criança. E, sob essa companhia, somos levados à liberdade de pegar um livro sem-saber-nada-antes. Permitimos que esta leitura nos cause espanto, emoção, surpresa, gargalhada... É uma delícia, apenas esperando ser tocada por ela.

Muitas vezes, mesmo quando somos ávidos leitores, precisamos nos perguntar por que, de fato, lemos. Pois lemos para nos “mantermos humanos”. Para conversar com nossos sentimentos, com nossas angústias e alegrias. Estou começando a leitura de A Casa Imaginária (Ed. Globo), da colombiana Yolanda Reyes, uma pesquisadora da arte de incentivar a ler. Lá, ela traz uma definição de literatura. Começa com um adendo à própria palavra: “É uma fonte de nutrição a que a criança recorre em busca de ferramentas mentais e simbólicas para organizar o fluxo dos acontecimentos e situar-se e revelar-se e decifrar-se, também ela, na cadeia temporal instaurada na linguagem. Enquanto na beira da cama o pai conta uma história de monstros ou versões de Cachinhos Dourados, Os Três Porquinhos ou de qualquer outro conto, ele apresenta pistas: umas visíveis, outras invisíveis.” Será que temos ideia do que estamos fazendo ao ler um livro com uma criança?

É muito complexa esta relação que se estabelece entre o adulto que lê e a criança que ouve, a criança que aprende a entender que o livro o papel de também conversar com ela. Yolanda continua: “Resguardado na atmosfera protetora de seu quarto, o filho ‘lê’ na voz, no rosto, nas ilustrações e nas palavras do pai que as coisas difíceis ou monstruosas podem ser designadas na linguagem cifrada do relato, sem necessidade de submeter-se a confissões incômodas que talvez nenhum dos dois tenha interesse em revelar”.

Percebem a profundidade desse momento? E dá também, por meio disso, entender como é importante começar cedo. Ou a gente adia as demonstrações de afeto pelas crianças? Ler com a criança é muito mais do que reconhecer letras e descobrir significados: mostra que a vida de todos nós é repleta de caminhos, que, como nos livros, as histórias têm começos, meios e finais, pois a vida tem seus ciclos, com nuances e escolhas. Quem não precisa conversar sobre isso?

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

Fonte: Revista Crescer

Veja lista completa de livros infantis indicados por especialistas

A lista é de 14/04/2007, não custa nada relembrar
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da Folha de S.Paulo

No dia 18 de abril, é também o aniversário do livro infantil. Para comemorar essa data tão especial, a Folhinha pediu que 17 especialistas em literatura indicassem obras que não podem faltar na sua biblioteca. Ou seja, são livros que toda criança deve ler antes de virar adulto! A tarefa não foi nada fácil, mas conheça, abaixo, os mais votados.

"Alice no País das Maravilhas"
De Lewis Carroll, com tradução de Ana Maria Machado
Editora Ática

"Bisa Bia, Bisa Bel"
Escrito por Ana Maria Machado, com ilustração de Regina Yolanda
Editora Salamandra

"O Bichinho da Maçã"
De Ziraldo
Editora Melhoramentos

"A Bolsa Amarela"
De Lygia Bojunga, com ilustrações de Marie Louise Nery
Casa Lygia Bojunga

"Chapeuzinho Amarelo"
De Chico Buarque, com ilustrações de Ziraldo
Editora José Olympio

"O Gênio do Crime"
De João Carlos Marinho, com ilustrações de Maurício Negro
Editora Global

"Histórias Maravilhosas de Andersen"
De Hans Christian Andersen, com tradução de Heloisa Jahn
Companhia das Letrinhas

"História Meio ao Contrário"
De Ana Maria Machado, com ilustração de Renato Alarcão
Editora Ática

"Menina Bonita do Laço de Fita"
De Ana Maria Machado, com ilustrações de Claudius
Editora Ática

"Ou Isto ou Aquilo"
De Cecília Meireles, com ilustrações de Thais Linhares
Editora Nova Fronteira

"O Mágico de Oz"
De Lyman Frank Baum
Editora Ática

"Reinações de Narizinho"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"Fábulas"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias"
De Ruth Rocha, com ilustrações de Adalberto Cornavaca
Editora Salamandra

"Sua Alteza, a Divinha - Um Conto do Nosso Folclore"
De Angela-Lago
Editora RHJ

"O Menino Maluquinho"
De Ziraldo
Editora Melhoramentos

"As Aventuras de Tom Sawyer"
De Mark Twain, com tradução de Carlos Heitor Cony
Editora Ediouro

"A Arca de Noé"
De Vinícius de Moraes, com ilustrações de Nelson Cruz
Da Companhia das Letrinhas

"A Fada que Tinha Idéias"
De Fernanda Lopes de Almeida, com ilustrações de Edu
Editora Ática

"Exercícios de Ser Criança"
De Manoel de Barros, com bordados de Antônia Zulma Diniz, Ângela, Marilu, Martha e Sávia Dumont sobre desenhos de Demóstenes
Editora Salamandra

"A Bruxinha Atrapalhada"
De Eva Furnari
Editora Global

"Contos de Grimm"
De Wilhelm e Jacob Grimm, com tradução de Heloisa Jahn
Companhia das Letrinhas

"Contos de Perrault"
De Perrault, com tradução de Regina Regis Junqueira e ilustrações de Gustave Doré
Editora Villa Rica

"Corda Bamba"
De Lygia Bojunga, com ilustrações de Regina Yolanda
Casa Lygia Bojunga

"De Não em Não"
De Bartolomeu Campos de Queiróz, com ilustrações de Gloria Campos e Paulo Bernardo Vaz
Editora Ibep Nacional

"Dengos e Carrancas de um Pasto"
De Jorge Miguel Marinho

"Diário de um Gato Assassino"
De Anne Fine, com tradução de Mariana Rodrigues e ilustrações de Sofía Balzola
Edições SM

"Doze Reis e a Menina no Labirinto do Vento"
De Marina Colasanti
Editora Global

"Os Doze Trabalhos de Hércules"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"É Isso Ali"
De José Paulo Paes, com ilustrações Walter Vasconcelos
Editora Salamandra

"Faca Afiada"
De Bartolomeu Campos de Queiróz, com ilustrações de Odilon Moraes
Editora Moderna

"A Flor do Lado de Lá"
De Roger Mello
Editora Global

"Histórias de Bobos, Bocós, Burraldos e Trapalhões"
De Ricardo Azevedo
Projeto Editora

"Um Homem no Sótão"
De Ricardo Azevedo
Editora Ática

"Indez"
De Bartolomeu Campos de Queirós
Editora Global

"Indo Não Sei Aonde Buscar Não Sei O Quê"
De Angela-Lago
Editora RHJ

"Lin e o Outro Lado do Bambuzal"
De Lúcia Hiratsuka
Edições SM

"A Maior Flor do Mundo"
De José Saramago, com ilustrações de João Caetano
Companhia das Letrinhas

"Mania de Explicação"
De Adriana Falcão, com ilustrações de Mariana Massarani
Editora Moderna

"Memórias da Emília"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"O Menino que Espiava pra Dentro"
De Ana Maria Machado, com ilustrações de Flávia Savary
Editora Nova Fronteira

"O Menino Quadradinho"
De Ziraldo
Editora Melhoramentos

"Meninos do Mangue"
De Roger Mello
Companhia das Letrinhas

"Meu Livro de Folclore"
De Ricardo Azevedo
Editora Ática

"As Mil e Uma Noites - Volumes 1 e 2"
Versão de Antoine Galland, com tradução de Alberto Diniz
Editora Ediouro

"Os Miseráveis"
De Victor Hugo, com tradução de Walcyr Carrasco
Editora FTD

"A Moça Tecelã"
De Marina Colasanti, com ilustrações de Demóstenes Vargas
Editora Global

"Não Olhe Atrás da Porta"
De Lia Neiva
Editora Livro Técnico

"As Narrativas Preferidas de um Contador de Histórias"
De Ilan Brenman, com ilustrações de Fernando Vilela
Editora Landy

"No Olho da Rua"
De Georgina Martins, com ilustrações de Nelson Cruz
Editora Ática

"Nossa Rua Tem um Problema"
De Ricardo Azevedo
Editora Ática

"O Olho de Vidro do Meu Avô"
De Bartolomeu Campos de Queirós, com ilustrações de Pimenta Design
Editora Moderna

"Onde Tem Bruxa Tem Fada"
De Bartolomeu Campos Queirós, com ilustrações de Suppa
Editora Moderna

"Palavras, Palavrinhas e Palavrões"
De Ana Maria Machado, com ilustrações de Fê
Editora FTD

"Um Passarinho Me Contou"
De José Paulo Paes
Editora Ática

"Pé de Pilão"
De Mário Quintana
Editora Ática

"O Pequeno Nicolau"
De René Goscinny, com tradução de Luís Lorenzo Rivera e ilustrações de Jean-Jacques Sempé
Editora Martins Fontes

"Pererêêê Pororóóó"
De Lenice Gomes, com ilustrações de André Neves
Editora DCL

"Peter Pan"
De James Barrie, com tradução de Ana Maria Machado
Editora Salamandra

"O Picapau Amarelo"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"Poemas para Brincar"
De José Paulo Paes
Editora Ática

"Poesia Fora da Estante" (volumes 1 e 2)
De Vera Aguiar, Sissa Jacoby e Simone Assumpção (org.), com ilustrações de Laura Castilho (vol. 1) e Tatiana Sperhacke (vol.2)
Projeto Editora

"(O) que os Olhos Não Vêem"
De Ruth Rocha, com ilustrações de Carlos Brito
Editora Salamandra

"Raul da Ferrugem Azul"
De Ana Maria Machado, com ilustrações de Rosane Faria
Editora Salamandra

"Restos de Arco-Íris"
De Sérgio Capparelli
Editora L&PM

"Os Rios Morrem de Sede"
De Wander Piroli, com ilustrações de Rogério Borges
Editora Moderna

"Sabedoria das Águas"
De Daniel Munduruku, com ilustrações de Fernando Vilela
Editora Global

"Seis Vezes Lucas"
De Lygia Bojunga
Casa Lygia Bojunga

"O Sofá Estampado"
De Lygia Bojunga Nunes, com ilustrações de Peter
Casa Lygia Bojunga

"A Televisão da Bicharada"
De Sidônio Muralha, com ilustrações de Cláudia Scatamacchia
Editora Global

"Todo Cuidado é Pouco!"
De Roger Mello
Companhia das Letrinhas

"Viagem ao Céu"
De Monteiro Lobato, com ilustrações de Manoel Victor Filho
Editora Brasiliense

"A Vida Íntima de Laura"
De Clarice Lispector, com ilustrações de Mariana Massarani
Editora Rocco

"A Vida e Outra Vida de Roberto do Diabo"
De Ricardo Azevedo
(fora de catálogo)

Quem escolheu os livros:

Adriana Silene Vieira, 34, doutora em letras pela Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas); Ana Mariza Filipouski, 58, doutora em teoria
literária e pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); Cecil Jeanine Albert Zinani, coordenadora do curso de pós-graduação em literatura infanto-juvenil da Universidade de Caxias do Sul; Flávia Brocchetto Ramos, 40, professora doutora da Universidade de Caxias do Sul e da Universidade de Santa Cruz do Sul; Gloria Pimentel Correia Botelho de Souza, 53, especialista em literatura infanto-juvenil brasileira pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e autora de "A Literatura Infanto-Juvenil Brasileira Vai Muito Bem, Obrigada!" (DCL); Juliana Loyola, 42, professora de literatura infanto-juvenil da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Juracy Assmann Saraiva, 60, pós-doutora em teoria literária e autora de "Literatura na Escola" (Artmed); Laura Sandroni, 73, mestre em literatura brasileira com especialização em literatura infantil, fundadora e membro da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil); Maria das Graças Monteiro Castro, 45, jurada da FNLIJ; Maria dos Prazeres Mendes, 58, professora doutora da USP (Universidade de São Paulo); Maria José Palo, professora da PUC-SP e co-autora e "Literatura Infantil: Voz de Criança" (Ática); Maria Rosa Duarte de Oliveira, professora da PUC-SP e co-autora de "Literatura Infantil: Voz de Criança" (editora Ática); Milena Ribeiro Martins, 34, doutora em literatura brasileira pela Unicamp; Peter O'Sagae, 37, assessor do PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) e criador do site Dobras da Leitura (www.dobrasdaleitura.com); Regina Zilberman, 58, autora de "Como e Por Que Ler a Literatura Infantil Brasileira" (Objetiva); Rosa Maria Cuba Riche, 56, doutora em teoria literária pela UFRJ e professora da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro); Tania Rösing, 59, coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo (RS).

Cada especialista indicou uma lista com dez livros que julga importante para a formação dos pequenos leitores

segunda-feira, 22 de março de 2010

Entrevista Ruth Rocha


A autora de clássicos da literatura infantil diz que a infância não é tão feliz como se pensa e que tem uma relação solidária com as crianças

Seu primeiro livro foi lançado em 1976, a partir daí seus personagens passaram a povoar o imaginário de milhares de crianças: a turma do Catapimba, o Reizinho Mandão, o famoso Marcelo, com seu marmelo e seu martelo, transmitiram sempre uma mensagem de esperança e amizade.

Representante de uma geração que inovou a literatura infantil, Ruth Rocha bebeu nas tradições de Monteiro Lobato e faz da modernidade do mestre influência cabal para seus textos.

A seguir, a escritora infantil mais vendida no país fala de sua obra, de sua vida e, claro, de suas crianças queridas.

O que a motivou a escrever para crianças? Como foi o início da sua carreira?

A minha carreira começou com a revista Recreio, na qual publiquei alguns textos a convite da editora Abril. Meus primeiros livros, publicados em 1976, foram todos escritos a partir de 1969 e alguns foram previamente editados pela revista. Naquele período, publiquei treze livros em menos de um ano. Eles eram vendidos em bancas e as tiragens eram muito grandes. Meu primeiro livro, Palavras, Muitas Palavras, saiu com 35 mil exemplares, e Marcelo, Martelo, Marmelo, 20 mil.

A linguagem usada na sua obra é muito peculiar. Como foi o processo de desenvolvimento?

Eu atribuo a linguagem que utilizo a dois fatores. Um deles é o meu avô, nordestino de nascimento. Quando criança, ele me contava muitas histórias da mesma maneira que os autores nordestinos, ou seja, de uma forma muito simples, informal, recheada de músicas, brincadeiras e piadas. O outro fator é que trabalhei quinze anos como orientadora educacional, período em que tive muito contato com crianças. A minha linguagem se prende a um sentimento muito forte de solidariedade por elas. Além disso, tenho para mim que embora as crianças passem por momentos de alegria, de riso e de graça, em outros elas sofrem injustiças, infelicidade, impotência, tristeza, castigos... Sinto que as crianças não são tão felizes como muitos pensam. Daí nasceu uma grande cumplicidade entre mim e elas. Nesse sentido, acredito que eu consiga falar com elas por meio dos meus livros. Na verdade, escrevo como quem está falando, como quem está contando histórias.

A partir do fim da década de 1960, os temas abordados pela literatura infantil tornaram-se contemporâneos. Os livros passaram a tratar, inclusive, de assuntos controversos, como problemas familiares e desigualdade social. Por que isso ocorreu?

Isso se explica porque grande parte dos escritores da minha geração é leitora de Monteiro Lobato e transporta para a obra aspectos dos quais ele já tratava. Assim, eu e outros autores encaramos e transmitimos temas contemporâneos, que muitas vezes são controversos, sem problemas. Outro dado: a exemplo de Lobato, os livros desses autores são engraçados. Se você notar bem, nossas personagens são mais próximas da Emília do que das "crianças exemplares": elas reclamam, brigam, reivindicam. Lançamos mão, também, de uma certa inclinação para o "feminismo". Lobato, apesar de eu não acreditar que sua obra tenha tido essa propensão específica, criou um matriarcado no Sítio. O único homem é Pedrinho, cuja posição, na obra, é de paridade com Narizinho. A linguagem empregada por Lobato também nos inspirou muito. Sua influência foi decisiva para o aparecimento dessa nova literatura infantil, surgida no fim da década de 1960. Também não se pode esquecer que a revista Recreio foi responsável por alavancar muitos escritores. No fim dos anos 1960, por outro lado, enfrentávamos uma ditadura renhida. O regime autoritário obrigava as pessoas a se expressarem por metáforas. Nós todos, durante aquele período, falávamos por metáfora. Havia apenas dois gêneros que puderam se expressar à vontade: a história infantil e a música popular brasileira.

Em trinta anos de carreira, como a sua linguagem se adaptou às transformações da infância?

Eu acredito que ela não mudou. As histórias que faziam sucesso há trinta anos continuam fazendo sucesso até hoje. Veja o caso do Menino Maluquinho. Nossa linguagem era tão moderna que não houve alteração. Tanto que a mesma escola literária permanece atualmente, é claro que com novos autores.

Quais são os instrumentos utilizados por um escritor para transmitir um assunto controverso e delicado a uma criança?

Tudo o que é feito para a criança demanda cuidado. Mas a mensagem não precisa ser transmitida de forma tão explícita. O autor tem de ter um veículo, ou seja, uma história boa, em que personagens se movimentem de modo verossímil. Feito isso, ele pode tratar de qualquer tema. Você não pode falar de coisas abstratas para uma criança, porque ela não vai entender (a criança atinge o nível de abstração adulta com 12 ou 13 anos). Portanto, não se pode falar de egoísmo. É preciso tratar o tema de forma concreta: "Quero que você dê metade do chocolate para seu irmão". Essa mensagem ela entende. Eu, por exemplo, acho que é muito mais difícil escrever para adultos. Cada setor da literatura tem suas dificuldades e facilidades.

Como evitar que o livro infantil funcione como instrumento ideológico?

Cada escritor escreve de acordo com o que ele é. As pessoas escrevem coisas preconceituosas porque acreditam nelas.

Qual é a sua disciplina quando vai escrever um texto?

Minha casa é uma contínua bagunça. É um entra-e-sai de gente, de netos, de amigos, de jornalistas... Mas quando vem uma idéia boa na cabeça, eu sento e escrevo.

Se a qualidade do texto literário é boa, como a senhora analisa a qualidade gráfica e editorial dos livros infantis? A importação é uma boa iniciativa?

Se o livro for bom, bem traduzido, vamos importá-lo. Agora, se for ruim... O editor teria a obrigação de triar as obras importadas. Não podemos privar a criança de ler os bons livros estrangeiros. No panorama mundial, ingleses e americanos se sobressaem da média: eles têm muitos bons autores. Já outros países não têm tantos como nós. Na América Latina, a edição é prejudicada porque a indústria gráfica é muito recente. Mas há um problema: os livros estrangeiros normalmente são bem editados, têm capa dura, papel excelente, e, às vezes, a edição de autores brasileiros fica prejudicada. Os editores, a fim de não realizar um trabalho tão sofisticado, alegam que os escritores vendem de qualquer jeito.

E o preço do livro?

Para as classes desprivilegiadas é realmente caro. Agora, para a classe média... eu acho que não. Veja só, gasta-se tanto dinheiro com bobagens... Parte da classe média tem dinheiro para comprar brinquedos caríssimos, comer em restaurantes etc. O dinheiro está aí, mas infelizmente não se compram livros.

O que falta para que as pessoas passem a comprar livros em vez de brinquedos?

Falta valorização. A sociedade brasileira é pouco culta. O número de pessoas que realmente valoriza a cultura, o conhecimento, a literatura é muito pequeno. Quer um exemplo? Nas novelas, nunca aparece uma estante. Mostra-se, isso, sim, bar com uísque. As novelas, que têm tanta penetração, quase nunca incentivam o estudo, a leitura. Então, o que há é uma desvalorização daquilo que é sério, do que é culto e inteligente.

Quais são as estratégias para a formação de um público leitor?

O nosso governo distribui mais livros do que qualquer outro país do mundo, entre didáticos e paradidáticos. Por outro lado, também já existem muitas instituições privadas que estimulam a leitura. Eu sou presidente da associação Instituto Brasil Leitor, que vai instalar cem bibliotecas, cada uma com 3.500 volumes, pela periferia de São Paulo. O projeto, financiado pelo empresariado, prevê, também, a capacitação de bibliotecárias.

As crianças de 10 anos cresceram familiarizadas com um instrumento novo: a Internet e o grande desenvolvimento tecnológico. A tecnologia é uma rival da literatura infantil?

Realmente, essas crianças têm uma oportunidade a mais que as crianças da geração anterior. Mesmo assim, eu não superestimo o mundo virtual. As pessoas ainda não o compreendem bem. Eu acho que o livro de referência vai acabar, sim. Por outro lado, o livro de ficção, o livro de prazer, o livro de literatura, deve ser lido no suporte tradicional. Esse formato tem quinhentos anos e ainda não se esgotou. Ninguém vai querer chegar em casa e ler um livro no computador. Por outro lado, o computador permite que outras linguagens sejam empregadas, mas elas também não substituem o livro. Tais linguagens significam diversão, conhecimento, jogo. É outra coisa, não é literatura. O Ziraldo tem uma frase de que eu gosto muito e que sintetiza bem esse sentimento. Ele diz que no livro eletrônico não se coloca uma violeta dentro.

A televisão é tida por muitos como a grande vilã no desenvolvimento intelectual das crianças, entre outros motivos porque ela as coloca em situações constrangedoras, próprias de adultos. Qual é a sua opinião sobre a programação infantil veiculada pela tevê?

Há programas bons e programas ruins. Mas é preciso deixar claro que grande parte da programação para crianças é de má qualidade. Eu costumo elogiar um programa desprezado pela maioria das pessoas: o Chaves. Ele é excelente. O personagem é feio, pobre, velho, mas as histórias são infantis; além disso, o texto é excelente, engraçado. Nele, abordam-se assuntos de criança. Em outros casos, às vezes, coloca-se a própria criança em uma situação humilhante, parodiando os adultos. O excesso de estímulo não é adequado à sensibilidade infantil. A criança precisa de um estímulo delicado: é preciso falar baixinho com ela. Mas o vilão não é a televisão. Os pais muitas vezes ligam a tevê em programas que eles gostam e expõem os filhos a uma violência inadequada. Isso fere a sensibilidade infantil. É claro que no processo de desenvolvimento da criança ela vai tomar contato com tudo isso, mas não é necessário massacrá-la com tanta sensualidade e violência. A televisão é um veículo maravilhoso para educação, entretenimento, cultura, mas a programação, na média, é muito ruim.

Quais são seus projetos atuais?

Estou planejando escrever dois textos para adultos. Um é um livro literário, de citações comentadas, e o outro é um livro sobre educação. Estou realizando, também, uma pesquisa sobre as bandeiras para escrever um livro infantil: a história de um menino que participa da bandeira do Bartolomeu de Gusmão. Além disso, estou preparando um material didático, bonito, engraçado, com muitas sugestões de atividades e jogos.

Fonte: Revista E SESCSP

Entrevista Tatiana Belinky

A autora e crítica de livros infantis, responsável pela primeira adaptação de Sítio do Pica-Pau Amarelo para a televisão, conversa com a Revista E sobre a vida dedicada à literatura e ao universo mágico das crianças.

Nascida em São Petersburgo, Rússia, em 1919, Tatiana Belinky veio para o Brasil aos 10 anos de idade, com sua família. Começou a fazer teatro para crianças em 1948 e não parou mais. Com a chegada da televisão, seu grupo teatral foi convidado a apresentar peças na TV Tupi. Permaneceu lá por mais de 13 anos, com três espetáculos de teleteatro por semana, ao vivo, e com textos sempre baseados em livros – “nosso trabalho tinha de ser educacional, cultural e formativo”, ressalta. Entre os destaques de sua produção voltada para as crianças está a primeira a adaptação de Sítio do Pica-Pau Amarelo, da obra de Monteiro Lobato, para a televisão, uma empreitada pioneira que resultou em mais de 1.500 textos apresentados. Também tradutora e jornalista, ao longo da vida recebeu muitos prêmios de teatro, de literatura e de televisão. Em conversa com a Revista E, a autora fala de sua obra, conta como conheceu Monteiro Lobato – pessoalmente, inclusive – e relembra a infância: “Eu era uma menina esquisita, não chorava e não mentia, ficava com o choro recolhido”.
Hoje as pessoas começaram a notar as crianças, o que não se fazia alguns anos atrás. Em qual momento de sua vida você decidiu trabalhar com crianças?


Tenho 85 anos e meio, 60 de trabalho. Eu fui criança, comecei a ler muito cedo, aos 4 anos, e nunca mais parei. Tenho dois irmãos, um três anos mais novo do que eu, o outro dez anos mais novo. Minha mãe era dentista e trabalhava o dia todo, acabei sendo “irmãe” do meu irmãozinho, dava banho, comida, levava para a escola. Ainda criança aprendi a lidar com criança, sempre com prazer, ele [o irmão mais novo] era extraordinário. Ou seja, tenho uma experiência pessoal com criança. Meus pais me davam muita atenção e gostavam de cultura, cresci com poesia e música. Não procurei nada, tudo me aconteceu. Trabalhei com tradução – o que ainda faço – e como roteirista de televisão, jornalista e crítica de literatura infantil. E essas coisas todas vieram para mim, não procurei. Sempre tive interesse pelas crianças. Pelas crianças e, claro, por Monteiro Lobato, que descobri logo que cheguei ao Brasil, foi fundamental.

Como você descobriu Monteiro Lobato?

O primeiro texto em português que chegou às minhas mãos, quando eu mal falava a língua, foi um folheto com o Jeca Tatuzinho, de Monteiro Lobato, nem era um livro, na verdade. Coincidiu muito com a postura de meus pais em relação a nós, crianças: respeito, humor, informação formativa e literatura – principalmente a de contos de fadas, que adoro até hoje. Quando descobri a Emília [personagem de Sítio do Pica-Pau Amarelo, obra mais conhecida de Monteiro Lobato], foi realmente uma virada, havia humor. Minha mãe, por exemplo, tinha muito senso de humor, misturado com uma personalidade vibrante, meu pai era suavidade pura. Eles discutiam tudo, tinham opiniões divergentes, porém não brigavam. Nunca entendi por que, sendo tão diferentes, conseguiam ambos ter razão; para mim os dois estavam corretos e completamente divergentes. Eles discutiam política, educação, literatura, música, balé... Assim aprendi a ter uma visão panorâmica do mundo.

E você acabou conhecendo Lobato pessoalmente, não? Como isso aconteceu?

Foi muito engraçado. Já era casada e tinha dois filhos pequenos. Ou seja, ele um jovem médico, e eu dona de casa. Estava conversando com meu marido uma certa noite quando tocou o telefone, eu atendi, uma voz masculina pediu para falar com meu marido, perguntei quem era e o homem respondeu: “Monteiro Lobato”. Eu pensei que fosse um trote, então brinquei dizendo que era o Rei Jorge. Para que Monteiro Lobato nos telefonaria? Ele riu do outro lado do telefone e afirmou que era realmente o escritor e contou que havia lido o artigo de meu marido, Júlio Gouveia, em uma revista chamada Literatura e Arte. Júlio era psiquiatra, psicólogo e educador nato, naturalmente se interessava por crianças, e escreveu um artigo sobre a literatura infantil de Monteiro Lobato. Lobato disse ao telefone que queria conhecer “esse Júlio” porque havia gostado do artigo, pediu para ir a minha casa naquela noite. Uma hora depois ele estava lá. Ele entrou e conversamos muito – ou melhor: ele falava e ouvíamos embasbacados. Era engraçado, crítico, espirituoso e contestador, muito interessante. Isso aconteceu em 1942, acredito, não lembro exatamente. Ele já era conhecido e até muito criticado, alguns padres queimavam os livros dele por acharem que era ateu, foi até censurado. Lobato não tinha papas na língua para nada, gosto de dizer que ele era moderno em tudo, inclusive em relação à criança, tinha coragem de dizer o que pensava, e pagou caro por isso.

Você lembra qual foi o assunto naquela noite?

Literatura e criança... E política também, claro.

Na sua opinião, qual a importância da literatura para crianças de Monteiro Lobato na época em que ele a produzia?

Lobato era um revolucionário, com certeza um divisor de águas. Arrombava os preconceitos em educação, política, economia ou qualquer outra área. Possuía uma personalidade forte. O jornal O Estado de S.Paulo descobriu-o rapidamente, foi publicado um artigo dele sobre a questão agrária ligada ao caipira, assim surgiu um interesse muito grande por ele. Era muito atuante, existem biografias sobre sua vida, há muita coisa para contar, era um patriota no melhor sentido.
 
Além de precursor em material literário voltado para crianças.

Dessa nova literatura, com certeza. Freqüentei escolas primárias e antes dele havia pouca coisa para criança, apenas contos de fadas, mas nada parecido com Lobato. O que existia de literatura brasileira para criança era algo muito didático, crianças não tinham voz nem vez. Ele criou o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que, para mim, é genial porque abriu um espaço mágico e ao mesmo tempo real, eu nunca tinha ouvido falar em um sítio, não sabia o que era. Tem uma constelação familiar, a vovó, as crianças. A Emília era o próprio Lobato – ele dizia que, enquanto escrevia suas histórias, ela ficava palpitando, fazia piadas que ele não conhecia, até que um dia ele perguntou quem era ela, a resposta foi: “Eu sou a independência ou morte”. Isso era o próprio Lobato. Tudo com um senso de humor que eu considero fundamental para a literatura e para a vida, sem isso não sobrevivemos. Quando eu era pequena, queria ser bruxa, porque bruxa tem poder e criança não. Eu até tinha uma certa liberdade em casa, mas sabia que criança “não podia”, “não devia” e essas coisas de “cala a boca”. Queria ser bruxa porque elas podem, aliás podem até ser boazinhas se quiserem – eu queria ser uma bruxa bonita, não nariguda e feia. Teve uma época em que eu queria ser Pinóquio, mas depois vi que ele era desobediente, teimoso, preguiçoso – ele era interessante, mas sempre levava a pior, não tinha graça. Já a Emília estava “por cima da carne seca”, quando a descobri não queria mais saber de ser bruxa.

E como surgiu a idéia de adaptar o Sítio do Pica-Pau Amarelo para a TV?

Nós fazíamos teatro pela prefeitura de São Paulo, e a história com o Sítio acabou acontecendo um pouco por causa de uma brincadeira que fizemos e que foi vista por uma senhora de uma sociedade literária. Fizemos uma cena de Peter Pan no aniversário da filha de um amigo, e nos pediram para aumentar o texto e apresentá-lo no Theatro Municipal, que a prefeitura cedia para certas atividades culturais. Assim começou, primeiro o Júlio foi o roteirista, depois fui eu. Fizemos um texto para uma peça de 50 minutos, que estreou no Theatro Municipal com lotação esgotada. Foi um sucesso tamanho que pouco depois o Júlio até foi convidado para dirigir um grupo de teatro amador do Sesc. Enfim, o secretário do prefeito nos pediu que repetíssemos o espetáculo porque ele gostaria de levar os netos, não havia nada de teatro para crianças, de fato, até ali. Houve uma peça grande no Rio de Janeiro, da qual não recordo o nome, mas em São Paulo a nossa realmente foi a primeira. A prefeitura nos convidou para fazer peças para crianças todos os finais de semana em todos os teatros de São Paulo – e havia muitos teatros da prefeitura naquela época. Íamos de palco em palco fazendo Peter Pan, no começo, e depois outros espetáculos. Éramos um grupo de teatro. A experiência de fazer um circuito na cidade foi uma escola, aprendemos muito. Peter Pan tem personagens muito marcantes: o Capitão Gancho, Sininho, o Crocodilo, os pais no começo da história; a aventura é intensa, havia uma grande torcida nos teatros quando a apresentávamos. A platéia era formada apenas por crianças, a prefeitura mandava buscá-las nos parques e vinham acompanhadas por monitores, ninguém para as impedir de fazer algo ou para mandá-las ficar quietas. A criançada torcia furiosamente pelo Peter Pan, e, às vezes, pelo Capitão Gancho – aliás, quase sempre os vilões são mais interessantes. O teatro começou com livros, que saíam e voltavam para as estantes, teatro é um veículo para o livro. Claro, teatro é uma coisa importantíssima. O Júlio até fez uma tese sobre teatro para apresentar no 1° Congresso Brasileiro de Teatro, no qual, aliás, nem se falava em teatro para crianças, não estava no programa, ele que fez uma tese sobre isso e apresentou.

Bem, e do teatro você foi para a televisão?

Exatamente. Depois de muito tempo fazendo teatro, apareceu a televisão. No primeiro ano as pessoas que começaram na televisão eram do rádio, sabiam como usar a voz etc. Mas teatro, onde aparece o corpo inteiro, eles não faziam e por isso não tinham experiência. Era tudo muito novo, ninguém sabia nada. Fazíamos uma segunda peça, Os Irmãos Ursos, e a direção da TV Tupi nos procurou – na época o diretor era o Cassiano Gabus Mendes – e nos convidou para levar o espetáculo do palco para o estúdio. Havia toda a estrutura, era só trazer nossos atores. E assim fizemos. Imediatamente nos pediram para continuar, muitas pessoas ligaram para a emissora dizendo que era preciso fazer algo para as crianças, pois não existia nada, ou seja, foi um sucesso. Aliás, eu digo que a Tupi foi a primeira grande emissora de televisão para a qual trabalhamos, mas antes houve uma fase experimental, para a TV Paulista – o diretor artístico nos pediu uma apresentação de 15 minutos para estúdio, algo brasileiro. O Júlio Gouveia disse que precisava ser Monteiro Lobato e, como um bom grupo de teatro amador, apresentamos então na TV Paulista duas cenas escritas por ele. Isso passou, quando nos apresentamos na TV Tupi, que já era uma grande emissora, eles logo pediram a interpretação de um pequeno texto por semana. Chamamos o programa de Fábulas Animadas, porque eram sempre fábulas com dois ou três animais, de todas as origens. Depois de dois meses, o Cassiano Gabus Mendes quis um programa de autores brasileiros, claro que lembramos do Monteiro Lobato. Infelizmente ele havia falecido. Mas Maria Pureza da Natividade, viúva dele, nos cedeu os direitos para que pudéssemos fazer o programa. A primeira Emília foi a Lúcia Lambertini.


Como foi a chegada desse universo do Monteiro Lobato à televisão?

Um sucesso imediato. Primeiro porque foi o primeiro programa para crianças, substituído pelo Sítio do Pica-Pau Amarelo. Era uma vez por semana em horário nobre, as pessoas não viajavam e mudavam os horários para poder vê-lo. Logo nos pediram mais programas, entramos com o que chamam hoje de minissérie, não existia ainda esse nome. Eu já escrevia os capítulos e o Júlio era diretor, apresentador, produtor, ele sabia como fazer. Passou a ser um romance em capítulos, duas vezes por semana, ficamos com três programas por semana e logo pediram mais. Começamos com Era uma Vez aos domingos, uma história inteira de cerca de uma hora e meia, todas mágicas, como os contos de fadas. Foi engraçado: nosso forte e grande público começou a reclamar porque o programa era de manhã e pediram para exibir durante a tarde porque as crianças não estavam querendo ir à missa. O nome mudou para Teatro da Juventude, o público-alvo ampliou, não era proibido para adultos, comecei a trabalhar a literatura realmente baseada em tudo o que eu já havia lido. Durou 13 anos sem interrupção e sem contrato, todos aceitaram, o Júlio disse que sabia o que queria, era o que chamava de teatro cultural educacional formativo, foi assim, sem nenhuma pausa, o único contrato era o da emissora com o patrocinador. Muitos se interessavam em patrocinar, mas o Júlio não aceitava qualquer um. Como educador, ele dizia que não iria promover um produto com o qual não concordava – se fosse indústria de bebidas, cigarro ou algo que ele não considerasse bom para crianças, recusava o patrocínio. O Biotônico Fontoura foi um dos patrocinadores, os chocolates Lacta também. Os contratos valiam por dois anos, uma vez tivemos um patrocinador que era uma marca de bebida maltada, só que o Sítio do Pica-Pau Amarelo não tinha intervalos, então eu tive a idéia de que na hora do lanche, com os bolinhos da Tia Nastácia, a Dona Benta chamando as crianças etc., se colocasse a bebida na mesa. O sucesso foi tamanho que a empresa depois de quatro meses avisou que não poderia continuar porque não possuía estrutura para produzir a quantidade necessária.

Como educadora, o que você acha da grande quantidade de propagandas nos programas infantis de hoje?

É horrível, nunca faríamos isso no nosso programa. Todos precisam ter o mesmo tênis e a mesma camiseta, e os anúncios chamando para o consumo aumentam cada vez mais, é uma praga. Enfim, é o que sustenta a televisão, hoje rica. Evidentemente, não era assim antes. Como falei, não tínhamos nem contrato. O Júlio Gouveia recebia uma quantia e pagava o cachê para os atores.

Durante muitos anos você escreveu sobre teatro infantil. O que você acha desse tipo de teatro no Brasil hoje?

Há muita coisa boa e medíocre, são muitas opções, você abre o jornal e sempre há mais de 30 espetáculos em cartaz – não é possível que todos sejam bons. De modo geral, o teatro não é bem tratado, não consegue estrutura, é difícil fazer uma peça bem elaborada. Mas há coisas muito boas, apesar de todas as dificuldades. Escrevi muitas peças porque, na verdade, era teatro, mas mostrado na televisão. Foi assim que aprendi, íamos conseguindo prever os imprevistos também, justamente porque era ao vivo.

Como você aprendeu, já que era um estilo de programa inédito e num veículo igualmente novo?

Eu sabia escrever diálogos, por exemplo, porque eu li e vi muito teatro desde pequena. Sabia como montar uma cena, tinha uma certa tendência para isso. Comecei brincando com o Fábulas Animadas, e já ganhei prática. E claro que o texto do Monteiro Lobato ajudava.

Qual o segredo para segurar o espectador?

No seriado, interrompíamos em um ponto importante da história. Eu tive a idéia de ter um apresentador, ele tirava o livro da estante, abria e lia o título, porque eram sempre adaptações, mesmo quando não era o que eu gostaria que fosse. O apresentador começava a contar a história, depois passava para o espetáculo e, no fim, próximo do ponto alto, voltava a aparecer, lendo o livro, e terminava falando: “Isso é uma outra história que fica para uma outra vez”. Esse era o bordão do seriado. O teatro de domingo também começava e terminava no livro, mas o apresentador falava: “Assim terminou a história, entrou por uma porta e saiu por outra, quem quiser que conte outra”. Menos nos episódios muito grandes, que ocupavam dois domingos, como foi no quarto centenário de São Paulo, quando nosso espetáculo foi escolhido para prestar uma homenagem à cidade. Achavam que o herói iria ser um bandeirante, mas o Júlio decidiu que seria um médico, o Emílio Ribas. Lembro-me que para isso precisei fazer uma pesquisa de última hora – e não havia internet. Mas, enfim, descobrimos documentos, contatamos a viúva dele, e assim produzimos um roteiro com mais de duas horas. O Júlio Gouveia dirigiu e representou. Tivemos muitas aventuras, desventuras foram poucas. Claro, alguns acidentes de percurso, mas prevíamos os imprevistos. Usávamos três câmeras jurássicas e uma mesa de som primária. Era complicado, mas muito emocionante.

Qual era a filosofia na hora de transmitir esse material?

Informar. Hoje, existe uma mensagem implícita em tudo, mas nem sempre educativa. Quando era pequena gostava de fábulas, mas odiava a moral no fim de cada história. Perguntava-me se eles achavam que eu era burra, eu sabia que podia tirar minhas conclusões sozinha. A idéia do espetáculo era oferecer entretenimento com a ética implícita, a estética no próprio formato, emoção e humor. Havia uma técnica que aprendemos. Precisava ser uma história boa para interessar. Teatro tem de ser forma e conteúdo, os dois com qualidade, se o conteúdo for ruim irá deseducar o público, mas se a forma não for eficaz não transmitirá o conteúdo. Somos todos educadores, o resultado pode ser para o bem ou para o mal. O nosso trabalho tinha de ser educacional, cultural e formativo.

Fale um pouco sobre sua poesia.

Fazer poemas é outra coisa e eu gosto muito disso, brinco com as palavras. Meu pai era poeta, desde pequena aprendi com os poetas clássicos, que têm ritmo, rima e conteúdo. Poucos poetas usavam o humor, isso conheci mais no Brasil. Faço muitos versinhos, tenho um livro chamado Caldeirão de Poemas, até com algumas traduções de poemas russos, alemães e ingleses, que fazem parte da minha infância. Quando falo que preciso de poesia na peça teatral e em livros, não estou me referindo propriamente a versos, mas à poesia da vida que encontramos nas paisagens, entre as relações humanas e em tudo.

Ultimamente você tem feito mais poesia?

Sim, muita poesia nos últimos anos, também textos e histórias, umas delas é de terror – criança gosta de se sentir apavorada. É normal e necessário que a criança chore, ria, tenha medo. Eu era uma menina esquisita, não chorava e não mentia, ficava com o choro recolhido. Mesmo que a criança tenha uma infância muito boa, como a minha, em certos momentos se sente triste e injustiçada, há necessidade de chorar às vezes. Descobri um jeito para aliviar: ler histórias tristes. Tinha uma estante para elas, lia e chorava. Rir, chorar e ter medo de faz-de-conta faz bem, criança sabe o que é isso desde 1 ano de idade. É besteira não deixar a criança ver filmes antes de dormir. Afinal, as crianças não dormem com acalantos como “Bicho papão, sai de cima do telhado...”? Elas têm pesadelos, claro, mas não acontece nada.

O que você acha dessa sensualidade excessiva na televisão?

É bobagem. A criança perde com isso muitas coisas bonitas.

Estamos formando apenas pequenos consumidores?

Estão investindo nisso e muitas vezes os pais são coniventes. Mas não devemos estimular. Em grandes cidades, onde a maioria mora em apartamentos, está cada vez mais difícil evitar, pois as crianças não podem nem sair na rua porque é perigoso, ficam o tempo todo na frente da televisão e, pior ainda, jogando videogame. Elas se tornam viciadas e não querem mais nada. Sem dúvida, a atividade desenvolve uma certa agilidade, mas meus sobrinhos e bisnetos não gostam só de videogame, também gostam de ler, passear e nadar. É preciso dar opções.

Fonte: Revista E SESCSP

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mas qual tipo de livro ele gosta mais?

Atente aos sinais que a criança dá sobre suas referências e mergulhe nas descobertas junto com ela
Cristiane Rogerio
Neste final de semana tive uma ótima conversa com uns amigos (avós e pais) sobre como escolher o tal "livro ideal" para uma criança. Existe algo que às vezes esquecemos que é simplesmente “gosto”. Sim, livro infantil também é uma questão de gosto, oras. E gosto da criança.

Bem, o papel do adulto, claro, é expandir a oferta. Seja indo a livrarias, frequentando bibliotecas, experimentando as obras dos amigos, a criança tem que degustar suas leituras, isso eu já disse aqui. Depois disso, é observar. Use sua sensibilidade para notar os sinais que ela dá.

É aí que vai um exercício fundamental de aprendizado: com referências ela vai começar a exibir suas preferências por um escritor ou ilustrador. Em pouco tempo você vai saber que comprar um livro da Eva Furnari, por exemplo, vai ser diversão garantida para ela. Ou você vai notar que as ilustrações com carimbos de Fernando Vilela deixam seu filho encantado, com vontade de imitar, estimulado a desenhar e criar.

Assim você também descobre e ajuda a revelar para ele mesmo um estilo de leitura preferido, de ilustração, o tipo de personagem que mais o cativa, a coleção que ele quer todos os volumes. E vai desenvolver também a sua listinha de prediletos e, quem sabe, trocar olhares e perspectivas com o seu filho. Porque em cultura nunca é hora de parar: se ele está indo mais para um lado, é seu papel mostrar outro, buscar novas referências estéticas e artísticas e, juntos, sua casa sempre será palco de conversas cheias de novidades. Tem coisa melhor que uma infância assim?

Fonte: Revista Crescer

terça-feira, 2 de março de 2010

Deixe seu filho degustar os livros

Assim como você, a criança precisa pegar o livro nas mãos para dizer que gosta

Cristiane Rogerio


Outro dia eu estava em uma livraria especializada em livros infantis e dois irmãos chegaram, acompanhados do pai. Chovia muito e, talvez por esse motivo, o passeio daquela família durou ainda mais tempo - como acabou acontecendo comigo também. O pai sentou no chão e ficou ali com as crianças folheando o que interessava a elas. Sim, a elas. Por algum tempo, ele ficou somente à espera do que eles traziam, do que lhes chamava a atenção: um era por causa de uma capa engraçada; outro, porque tinha um pop-up que se tranformava em globo terrestre, ou simplesmente porque achavam bonito. Mas tinha sempre que pegar. Pôr a mão mesmo.

Depois, eles começaram a passar a mão nos livros expostos com mais ênfase, naqueles porta-livros para dar vezes de vitrine. Eles iam escorregando as mãos como se quisessem tocar tudo. Ou como se aquele jeito fosse uma forma de sair dali e respirar a certeza: "eu vi tudo que tinha". Coisa de criança.

Quando alguém quer divulgar um livro para mim, ou contra algum lançamento, seja o autor ou seja um assessor de imprensa de editora, eu tenho sempre a mesma resposta: só posso avaliar um livro com ele em minhas mãos. Não importa se a história é comovente, se o tema é atual ou se trata-se de uma releitura de um conto de fadas: a gente só acredita em um livro, lendo. Só folheando, degustando podemos avaliar o conteúdo, a linguagem e a ilustração: como eu sentirei o impacto de um desenho, o efeito de um pop-up ou a emoção de uma poesia relevada apenas no virar de página se eu não tiver ele em mãos?

Por isso, quer que seu filho crie senso crítico? Quer que se eu filho deguste até mais do que você pode comprar? Leve-o até os livros. Aproveite livrarias - as grandes redes também estão disponibilizando cada vez mais boas opções -, bibliotecas, feiras de livros, sebos... Estimule esse hábito e usufrue dele também: são descobertas que vão valer muito a pena!

Fonte: Revista Crescer

Livros disponíveis. Sempre

Cristiane Rogerio
De que adianta tanta variedade se a criança não pode mexer no livro quando bem entender?
Uma vez me contaram que uma pesquisadora da área de peditria havia pensado em andar por um consultório da área com uma câmera que ficasse na mesma altura de uma criança de 1 a 2 anos de idade. A ideia era enxergar o que elas enxergavam – provavelmente pés, tomadas e cabos de computador, além, claro, da visão de cima para baixo, em que veria tudo como gigantesco e inacessível.
Na verdade eu não sei se a pesquisa aconteceu, mas essa imagem jamais saiu da minha cabeça. Perspectiva é tudo e sempre que posso tento me colocar na mesma perspectiva de uma criança. Deixando a poesia e a metáfora que esse assunto pudesse me levar, quero focar aqui em algo bem concreto. Na sua casa, onde é que os livros moram?

Eles estão acessíveis, como na casa da leitora Lidiane Andrade, que comentou aqui na coluna Livro infantil não é livrinho? A criança pode pegar um livro a hora que bem entender? E os seus livros, estarão à mostra, a vida toda? Tem coisa mais estimulante do que uma estante repleta de livros prontos para serem escolhidos? Bem, já enchi vocês bastante de perguntas e agora vai aqui umas coisinhas para vocês ficarem atentos:

- livros devem estar à mão tanto quanto brinquedos
- conforme o bebê vai crescendo, esses livros disponíveis também devem mudar. Quem sabe é hora até de mudar o tipo de estante, principalmente se ela causar aos pais algum receio por peso ou algum risco de machucar a criança
- livro não deve morar somente na estante. Tem que estar na sala, no banheiro, no quarto, no quintal… sempre ensinando, claro, a criança a tratá-lo com carinho, ele pode – e deve – perambular pela casa. A gente tem que tropeçar neles. O mesmo eu digo em relação às escolas: pais, fiquem atentos e vejam onde estão os livros na escola para ver se eles não vivem confinados a uma salinha do tipo “hora-do-conto” apenas…

- aproveite, sim, para que eles façam parte da decoração do quarto
- arrumar a estante de tempos em tempos pode ser um estímulo e tanto: pode começar pela cor, depois pela ordem alfabética do autor ou do nome do livro conforme a criança for se apaixonando e identificando melhor as letras.

Estantes são lindas com livros, mas, vez ou outra pelo menos, eles precisam sair de lá e não somente para as mãos dos pequenos, mas também você deve estimular a troca de livros entre o seu filho e os amigos – nem que seja somente para emprestar. Livro é para ser lido. Mas isso é tema para outra coluna!

Até sempre!

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura
da Crescer e adora se perder entre os livros.

Fonte: Revista Crescer