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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gibis podem ser aliados das crianças na construção da leitura


Por Ana Cássia Maturano




A personagem mais popular das histórias em quadrinhos, em nosso país, vai completar 50 anos. Várias gerações a acompanharam e presenciaram suas mudanças: sua aparência é outra, transformou-se em uma bela mulher e se casou. Com aquele garoto dos cabelos espetados, que passou a infância tentando roubar seu coelho azul.

Com certeza eles dispensam apresentações. Mônica, Cebolinha, Sansão e toda a turminha são conhecidos da maioria das pessoas. Até dos sexagenários, que na época de seu lançamento já tinham seus 10 anos. Fãs não faltam.

Assim como as críticas. Para muitos a Mônica não passa de uma feminista, outros torcem o nariz para os produtos associados aos personagens. Sem contar os que não conseguem enxergar nada em suas histórias que possa contribuir para a formação dos pequenos.

Assim como qualquer tipo de literatura, os quadrinhos passam uma visão de mundo e valores. Não é diferente com os dessa turma. No entanto, eles também trazem conflitos humanos e personagens com as mais diferentes características. O livro “Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis”, de Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso (Artmed, 2005), aponta algumas características nem sempre vistas, como a questão infantil da inserção no grupo e saída da família, ou mesmo a fobia encontrada no personagem Cascão, que morre de medo da água.

Outras críticas recebidas pelas HQs se referem ao seu valor literário. Geralmente são consideradas de baixa qualidade, sendo desnecessário as crianças lerem, pois não seria nada mais que um passatempo. No entanto, seu formato alia texto e imagem, como os livros ilustrados, facilitando o trabalho do leitor principiante, assim como sua linguagem mais ágil. Algumas histórias sem texto estimulam o desenvolvimento da linguagem quando a criança é solicitada a contá-la com suas palavras. Elas podem ser uma ferramenta importante no processo de construção da leitura pelos pequenos.

Isso deveria ser mais explorado pelas escolas, sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental. Muitas vezes, os alunos são obrigados a trabalhar com textos desinteressantes para a idade, como os jornalísticos (as escolas adoram pedir-lhes que leiam notícias de jornal já no primeiro ano).

Nessa época, mais que refinar o interesse e a experiência, é necessário cultivar o gosto pela leitura. Os gibis costumam fazer isso. Conheço adultos que leem muito, inclusive livros considerados cultos, e que começaram lendo esse tipo de publicação. Inclusive, já existem versões dos gibis da Turma da Mônica em inglês e espanhol, algo que poderia ser aproveitado por essa disciplinas na escola.

Parabéns à Mônica pelos 50 anos e a toda a turminha. Obrigada pelas histórias e aventuras. A torcida é para que continuem alegrando as crianças por muitos e muitos anos.

Fonte: G1

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O incrível poder das histórias em quadrinhos

02/02/2012
Mais do que um divertido passatempo, elas são um valioso instrumento para despertar o gosto pela leitura!
Texto: Gisleine Carvalho
 
Foto: Divulgação
Em parceria com Maurício de Sousa, o Educar para Crescer desenvolveu uma cartilha em quadrinhos para falar sobre a importância da Educação 

O cineasta Federico Fellini lia. O filósofo Umberto Eco é ávido consumidor e o artista plástico Roy Lichtenstein fez uso de balões com falas em algumas de suas obras. Esses artistas declararam que a leitura das histórias em quadrinhos serviu de inspiração e influenciou seus trabalhos. Há outros exemplos de personalidades que poderiam ser citadas, mas não é o propósito deste texto listar celebridades e fãs da também chamada arte sequencial. Trata-se só de uma curiosidade, já que houve um tempo em que psicólogos e educadores chegaram a afirmar que os gibis estimulavam a preguiça mental.

"Por muitas décadas, as histórias em quadrinhos foram vistas à margem do que se entende por leitura. Uma visão equivocada porque os quadrinhos são e sempre foram leitura igualmente válida", defende Paulo Ramos, professor da Unifesp e autor de vários livros sobre quadrinhos.

De fato, hoje não há mais dúvidas sobre o valor desse tipo de narrativa. Tanto que os quadrinhos são recomendados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais e reconhecidos como uma ferramenta de alfabetização. Na visão da professora Maria Angela Barbato, da Faculdade de Educação da PUC-SP, as histórias em quadrinhos acabam sendo também um instrumento no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita porque as crianças naturalmente gostam desse tipo de linguagem. "Existem crianças, inclusive, que desenvolvem a leitura com os gibis", diz ela.

Outro fator que torna os quadrinhos tão atraentes para as crianças é a ligação emocional que elas costumam desenvolver com os personagens. Um exemplo da força dessa conexão está na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008 pelo Instituto Pró-Livro, na qual Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica, aparece em décimo lugar na lista dos escritores mais admirados pelos leitores, depois de Monteiro Lobato, Jorge Amado, Machado de Assis, entre outros.

Ainda há que se ressaltar que, para a formação de um leitor competente, capaz de usar a linguagem em diferentes contextos e situações, é preciso dar a ele acesso a variados tipos de leitura. Como explica a professora Maria José da Nóbrega, assessora da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, "cada gênero de texto desenvolve habilidades específicas, por isso é importante que a criança tenha disponível diferentes fontes de leitura, como jornal, livros, revistas e histórias em quadrinhos. A família tem um papel vital nisso".

Oito motivos para incentivar seu filho a ler histórias em quadrinhos. Confira!

Contribuem na pré-alfabetização
A sequência de imagens dos quadrinhos permite que a criança compreenda o sentido da história antes mesmo de aprender a ler. Ao fazer isso, ela organiza o pensamento, exercita a capacidade de observação e interpretação e desenvolve a criatividade. Na fase de pré-alfabetização, o contato com os gibis também ajuda a criança a se familiarizar com as letras.

Ajudam no processo de alfabetização
A ordem lógica dos quadrinhos serve de apoio para que a criança decifre o que está escrito e supere a dificuldade de fluência, típica de quem acabou de se alfabetizar. Outro fator positivo é que a letra maiúscula usada nos balões facilita a leitura. Para quem está aprendendo a ler, letras minúsculas podem ser mais difíceis de decodificar, principalmente aquelas que têm traçados semelhantes, como q, p, d e b.

Despertam facilmente o interesse das crianças
A leitura de gibis é uma atividade lúdica para as crianças, que naturalmente se identificam com a linguagem dos quadrinhos e, muitas vezes, estabelecem uma relação afetiva com seus personagens.


Estimulam o hábito da leitura


Um bom modo de estimular um hábito é enfatizando o seu lado prazeroso. No caso dos quadrinhos, os textos rápidos associados com imagens, os elementos gráficos e a identificação com os personagens são alguns dos elementos que tornam a leitura agradável. Isso pode encorajá-las a ler textos cada vez mais complexos. Alguns pesquisadores defendem que os leitores de quadrinhos também acabam se interessando por outros gêneros de texto.

Exercitam diferentes habilidades cognitivas
A leitura de histórias em quadrinhos é um processo bastante complexo. É preciso decodificar textos, imagens, balões, onomatopeias e, muitas vezes, recursos de metalinguagem. Além disso, induz a uma habilidade chamada inferência, que é a capacidade de concluir coisas que não estão escritas. Nas HQs, por exemplo, o leitor deduz a ação que é omitida entre um quadrinho e outro. Tudo isso demanda um trabalho intelectual.

Unem cultura e entretenimento
Histórias em quadrinhos podem transmitir um leque bem amplo de informações sobre contextos históricos, sociais ou políticos e ainda assim manter sua característica de entretenimento. Só para citar alguns exemplos bem conhecidos: as aventuras de Asterix trazem divertidas referências sobre história antiga, as histórias de Tintim são ricas em indicações geográficas e as tirinhas da questionadora Mafalda fazem crítica a questões político-sociais da Argentina. Já Joe Sacco, que é quadrinista e jornalista, desenhou histórias sobre a guerra da Bósnia e os conflitos entre Israel e Palestina.


São de fácil acesso e baixo custo


Os títulos mais populares podem facilmente ser adquiridos nas bancas de jornal por um preço bem acessível. Os gibis também são encontrados em bibliotecas e gibitecas. Outra opção são as trocas, prática que costuma ser incentivada pelas escolas e prefeituras.


São recomendadas pelos PCN, RCNEI e PNBE



Algumas das razões para isso já foram descritas nos itens anteriores, mas vale ressaltar que tanto os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), como o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) e o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) falam sobre a importância da criança interagir com diferentes tipos de texto. Além disso, a relação entre texto e imagem está cada vez presente em diferentes gêneros e é preciso ensinar como ler a imagem também.

Fonte: Educar Para Crescer

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Gibi ou livro? O que a criança gostar!

Mariana Cruz
Publicado em 31 de agosto de 2010


Na minha infância não existiam todas essas opções de lazer que se veem hoje em dia: bonecas de todos os tipos, formas e profissões; canais de TV especializados no público infantil; jogos eletrônicos (havia somente o Atari) e outras bugigangas. Nada disso. Tínhamos, então, que ocupar nosso tempo inventando brincadeiras, lendo historinhas, ouvindo uns disquinhos coloridos (com a narração de histórias como A formiguinha e a neve, Os Três Porquinhos e o Lobo Mau; A cigarra e a formiga) e, claro, vendo os desenhos animados na TV. Eu tinha também os amiguinhos do clube (já não sou da época em que se brincava na rua) e a companhia constante de livros e gibis. Dos livros aprendi a gostar desde cedo, pois era normal – e ainda hoje é – ver meus pais lendo em diversos lugares da casa. Minha escola também incentivava bastante tal hábito e no clube que frequentava tinha uma biblioteca para Borges nenhum botar defeito, tamanhas as possibilidades que ela oferecia, os mundos aonde ela me levava. Havia um espaço só para crianças, onde líamos sentados em mesinhas, no chão e até mesmo deitados, desenhávamos e nos relacionávamos com as outras crianças (a sala era separada do restante da biblioteca por uma parede de vidro, então podíamos conversar sem atrapalhar os “velhos”, como nos referíamos aos leitores adultos).

A falta de opções de lazer para crianças se estendia aos shoppings: a ausência de parquinhos infantis também fazia com que um passeio por tais lugares se transformasse em programa cultural. No Shopping da Gávea, por exemplo, o point era a Livraria Malasartes. Ficávamos meu irmão e eu lá, folheando um monte de livros. Muitas vezes não levávamos nenhum para casa, mas não tinha problema. Aliás, a livraria existe até hoje e, quase trinta anos depois, continua igual. Não se intimidou com as megalivrarias. Está lá, no mesmo cantinho, com uma mesinha para as crianças lerem, estantes rebaixadas para os pequenos terem acesso aos livros. E nada de pai pegar o livro para eles. E foi assim que eu, nos anos 1980, comecei a ler e escolher meus livrinhos. Foi por esse tempo, não sei se por pedido do meu irmão ou por iniciativa dos meus pais, ganhamos o Shakespeare em Quadrinhos. O livro era grande, de capa dura e vinha com três peças de Shakespeare: Hamlet, Romeu e Julieta e, por último, A Tempestade. Os personagens desenhados na capa pareciam reais. Lembro-me de ficar olhando a Julieta com seus cabelos negros escorridos. Foi quando passei a não mais querer ser loira, e sim ter o cabelo como o da amada de Romeu. Além disso, era fascinada pela figura de Hamlet, com aquela roupa preta colada e suas madeixas douradas esvoaçantes. Meu irmão e eu líamos e relíamos o livro, desenhávamos os personagens e, de quebra, transportávamos as histórias para as brincadeiras de Playmobil. Graças a esse pseudoconhecimento de Shakespeare, meu irmão acabou ganhando fama de gênio por parte de alguns desavisados que achavam que ele conhecia de fato a obra, afinal sabia o enredo, o nome dos personagens, brincava de espada com os amiguinhos dizendo “eu sou o Mercúcio e você é o Tebaldo!”. Não era de se admirar que o achassem precoce. O maior engodo. Era tão natural para a gente ler aquelas histórias como era natural ler Asterix, Tex, Mafalda, TinTin, os gibis da Turma da Mônica e tantos outros. Não importava se vinham da banca de jornal ou se eram comprados na livraria. A única diferença é que os quadrinhos mais sofisticados não podíamos colorir ou desenhar.

Ler Shakespeare em quadrinhos, porém, não me fez ter curiosidade de ler o original. Fui ler muito tempo depois Hamlet e Macbeth por outros motivos. Meu livro de quadrinhos shakespearianos era tão bonito que ele bastava. Não sei até que ponto transformar livros importantes em história em quadrinhos faz com que a criança se interesse em ler o livro original. Com algumas isso pode ocorrer, com outras, não. A história em quadrinhos adaptada de livros, quando é benfeita, isto é, quando mostra um casamento harmônico entre texto e desenho, não precisa servir de meio para estimular a leitura do original. Se ela estimular tal leitura, ótimo. Mas se estimular a leitura de outros quadrinhos, ótimo também.

Digo isso porque há algum tempo foi lançada uma elogiada adaptação dos primeiros volumes do Em busca do tempo perdido para quadrinhos. Para os proustianos puristas, uma profanação. Mas para quem estar a fim conhecer – mesmo que superficialmente – um dos textos mais aclamados da literatura mundial e acha, equivocadamente, que ler os 7 volumes é que é perder tempo, os quadrinhos são uma solução. Mas isso não faz do indivíduo um proustiano. Para ser um entendedor de Proust, há que se comer muito arroz com feijão, digo, muitas madeleines. A transposição do livro para os quadrinhos foi trabalhosa; prova disso é que o responsável por ela, Stéphane Heuet, demorou três anos e meio para concluir o primeiro livro.

Na esteira da adaptação de Proust, temos agora a chance de ler diversos clássicos da literatura mundial em quadrinhos, tais como Drácula, Frankenstein, O médico e o monstro, Os três mosqueteiros, O homem da máscara de ferro e Macbeth.

Se tais adaptações incentivam ou não à leitura do original não importa. Nada impede, porém, que se trabalhe em sala de aula como ambas as fontes. Fiz isso ao estudar o mito da caverna, de Platão. Para não ficarmos apenas no texto do filosofo, usei também a adaptação para quadrinhos feita por Maurício de Souza, intitulada As sombras da vida, que tem semelhanças e diferenças em relação à alegoria criada pelo discípulo de Sócrates. Tais elementos foram trabalhados pelos alunos, que conseguiram observar coisas que eu nem de longe havia imaginado. A intimidade com os desenhos de Maurício de Souza fez com que se apropriassem dos quadrinhos e entendessem perfeitamente o texto de Platão.

Por isso, deixemos de lado a polêmica quanto à utilização dos quadrinhos como estímulo à leitura. Seja gibi, seja livro, o importante é despertar nas crianças e nos jovens o prazer pela leitura.

Site pesquisado:

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uso de gibis em sala de aula incentiva o aprendizado e o gosto pela leitura

Matéria publicada em 7 de outubro de 2010

Por Cleide Quinália Escribano

Há tempos os gibis deixaram de ser apenas uma diversão para a garotada para se tornar também uma ferramenta pedagógica. Cada vez mais presentes em salas de aula, hoje eles são vistos como uma ótima opção para incentivar a leitura em quem está começando a conhecer o mundo das letras. No município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal (RN), por exemplo, a Escola Municipal Vicente de França encontrou nos gibis o caminho para estimular o processo de alfabetização das turmas de 1º e 2º ano do ensino fundamental. Adotado há cerca de dois anos pela professora Conceição Lourenço, o projeto Gibiteca Itinerante – Jovens Leitores, implantado na escola, vem apresentando resultados positivos já observados na avaliação dos alunos.

A professora conta que na sua época escolar a leitura de gibis era simplesmente proibida no colégio, mas ela sempre dava um jeito de escondê-los sob os livros na carteira. Com os gibis, Conceição diz que aprendeu o gosto pela leitura, despertou para muitos aspectos da vida pessoal e, atualmente, eles têm uma função importante na sua vida profissional.

“Os gibis são uma excelente ferramenta para incentivar a leitura nas crianças já que elas se identificam com os personagens. “Eles são protagonistas de situações semelhantes a dos leitores. Vão à escola, ao parque, têm medo do dentista e escovam os dentes, brincam, caem, se machucam, têm pai e têm mãe, o que possibilita uma verdadeira identificação dos alunos com a estória”, diz a professora Conceição.

Para ela, o mais interessante do projeto é que as imagens associadas aos textos permitem que o aluno atribua sentido à história, mesmo sem ainda saber ler, fazendo aumentar o seu campo de conhecimento e percepção de vida.

Nas aulas, Conceição conta com o apoio de um grupo voluntário de 12 alunos do 9º ano do ensino fundamental, que juntos com a professora procuram ajudar a criançada no processo de aprendizagem. Ao ver as revistinhas espalhadas sobre as mesas a turma já sabe que é hora de leitura. Alessandra Bernardino, 8 anos, conta que prefere a revistinha da personagem Mônica “porque ela é muito divertida e parece muito comigo”. Já o menino Elizanildo Robert de Calazans, 9, gosta mais do Cebolinha porque ele mexe muito com a Mônica.

Leitura: uma janela que se abre para o mundo

Matéria publicada em 23 de junho de 2010

Por Cleide Quinália Escribano

“Um dos momentos inesquecíveis da vida de qualquer criança é quando, pela primeira vez, ela junta uma letrinha, mais outra, e mais várias delas e começa a… ler! É uma conquista tão importante que será usufruída pelo resto de sua vida e abrirá, a cada dia, uma nova janela para o mundo” – Maurício de Sousa, cartunista e criador da Turma da Mônica.

A exemplo da citação do famoso cartunista, em Niquelândia, interior de Goiás, novas janelas também estão sendo abertas para o mundo de centenas de alunos do Colégio Estadual Coronel Joaquim Taveira. Isso vem sendo possível graças ao projeto de leitura “Igualdade que Promove a Diferença”, criado com o intuito de despertar nos alunos o interesse pela leitura, contribuindo assim para que se tornem leitores hábeis e capazes de interpretar o mundo.

De acordo com a professora Maristela Aidar, diretora do colégio, a ideia de criar um projeto de leitura na escola surgiu em razão da dificuldade que muitos alunos tinham na hora de ler e escrever e que acabava se refletindo no desempenho deles como um todo. “Ler e escrever corretamente precisam ser a base do aprendizado de todo o aluno. Quando um desses pontos primordiais falha (no singular), todo o processo seguinte também fica prejudicado, daí nosso esforço em trabalhar com os alunos essas duas questões”, explica Maristela.

Ela explica que o Colégio há tempos já procurava desenvolver atividades voltadas à leitura, porém agora foi dada uma nova roupagem ao projeto, com metodologias e ações que procuram valorizar os assuntos de interesse dos alunos e despertar, assim, o prazer pela leitura. “Adotamos como primeira etapa uma conversa informal com os estudantes, na qual eles contam quais os tipos de histórias gostam de ler, que tipos de publicações (livros, revistas, gibis etc) têm em casa, se alguém da família costuma ler para eles, entre outras coisas”, conta. “A partir dessas informações, damos início a uma série de atividades abrangendo leitura, interpretação e produção de textos”.

E os frutos desse trabalho já começam a ser colhidos. Segundo a diretora, recentemente representantes da Sub-Secretaria de Educação de Niquelândia estiveram no colégio para aplicar aos alunos do 2º ano do ensino fundamental a prova de sondagem para o Provinha Brasil deste ano e a nota obtida foi 4,5, um ponto a mais do que vinha sendo registrado nos últimos anos (3,5).

Dos gibis às poesias

Um dos focos do projeto é o incentivo à leitura de histórias em quadrinhos, já que esta é uma forma divertida de atrair o interesse dos alunos pela leitura. Este, porém, é apenas o ponto de partida do projeto, que inclui ainda diferentes tipos de publicações e textos como fábulas, clássicos, romances e até poesia.

O projeto também prevê atividades a partir de histórias infantis narradas em CDs e que são recontadas depois pelos próprios alunos. Outra metodologia utilizada são as histórias contadas pelos familiares e amigos mais velhos. “Nessa atividade, os estudantes compartilham com os colegas os relatos colhidos e, muitas vezes, produzem textos a respeito”, conta a professora.

Ainda segundo Maristela, o projeto de leitura não se restringe apenas aos trabalhos desenvolvidos em sala de aula. A idéia é que mesmo fora do ambiente escolar o interesse pela leitura continue vivo no aluno e sirva, inclusive, como estímulo para a participação da família. “Para tanto, criamos uma espécie de “receita para gostar de ler” (veja abaixo), a qual motivamos os alunos a seguir e compartilhamos com a família, que, aliás, “já deu mostras de estar contente com a iniciativa”, comenta.

Confira a receita criada pelas professoras do projeto:

02 visitas semanais a biblioteca do colégio
01 cantinho de leitura em seu quarto
01 visita quinzenal à banca de revista
01 pouco de leitura antes de dormir
01 história por dia para contar ou ouvir dos pais
01 porção de leitura dos rótulos de produtos consumidos pela família

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Taubaté: Escola Dinâmica promove 'A Magia da Leitura'

Matéria publicada em 27/09/2010


A escola Dinâmica promoveu, no último dia 24, o evento “A magia da leitura”, com exposições, sala de leitura, palestra, caça ao tesouro, debates, histórias, workshop com a oficina de desenho e a exposição das histórias em quadrinhos.

Com um acervo de mais de 15 mil exemplares de quadrinhos novos e antigos, o estudioso e palestrante Jorge Hata participou do evento, que despertou interesse dos alunos da educação infantil e fundamental, além dos estudantes do 6º e 9º ano.

“Praticamente, as histórias em quadrinhos tem a facilidade de fazer as novas gerações assimilarem fatos históricos além da compreensão das expressões verbais e não verbais”, explica Jorge Hata.

A Exposição de HQ´s (histórias em quadrinhos), tem a finalidade dentro da comunicação, relacionando o as palavras com o visual, mostrando cores e formas como forma de interação com as pessoas e a arte.


O gibi é uma arte cativante que sofre mutação ao longo do tempo, se adaptando cada vez mais a realidade do cotidiano, além de fomentar o gosto pela leitura, estimulando a criatividade, o pensamento crítico, além de enriquecer o repertório dos jovens e das crianças que tem contato com este mundo dos Comics.

Fonte: Agoravale

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Feira de Troca de Livros e Gibis - Uma ideia interessante

Achei a ideia muito interessante. Vamos divulgar mais uma ideia para incentivar a troca de livros e a leitura.

Os dados abaixo são do Sistema Municipal de Bibliotecas do município de São Paulo.

Vamos agitar
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De 28 de março a 12 de dezembro. Parques Buenos Aires, Anhanguera, Ibirapuera, do Carmo, Piqueri, Independência, Luz, Santo Dias e Mário Covas. Das 10h às 15h

Coordenada pelo Sistema Municipal de Bibliotecas, a Feira de Troca de Livros e Gibis teve início em 2007, quando somou cerca de 10 mil trocas em três parques municipais. Em 2008 e 2009, o projeto foi ampliado para oito parques e em 2010 ele acontece em 10 parques. O principal objetivo do evento é oferecer ao público a oportunidade de renovar suas bibliotecas pessoais sem custo. A única recomendação é que os livros não sejam didáticos e estejam em bom estado.

Os freqüentadores terão à sua disposição mesas separadas da seguinte forma: literatura geral, literatura infanto-juvenil, gibis e troca com a mesa. Nessa última, o leitor pode depositar um título e pegar outro que esteja disponível. A idéia é que as mesas funcionem como pontos de encontro para os apreciadores de determinado gênero. As trocas podem ser realizadas também entre os próprios frequentadores.

A atividade é gratuita e não há limite de idade.

Confira abaixo o calendário com as feiras programadas para 2010:

20 de junho - Parque Santo Dias
Estrada de Itapecerica, altura do n° 4.800 - Capão Redondo – Zona Sul

18 de julho - Parque Independência
Avenida Nazaré, s/n - Ipiranga - Zona Sul

15 de agosto - Parque do Piqueri
Rua Tuiuti, 515 – Tatuapé – Zona Leste

19 de setembro - Parque do Carmo
Avenida Afonso de Sampaio e Souza, 951 - Itaquera - Zona Leste

17 de outubro - Parque Mário Covas
Avenida das Nações Unidas, 7123 - Pinheiros - Zona Oeste

28 de novembro - Parque da Luz
Praça da Luz, s/n° - Bom Retiro - Centro

12 de dezembro - Parque Ibirapuera
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - Moema - Zona Sul

FEIRA DE TROCA DE LIVROS E GIBIS 2010
De 28 de março a 12 de dezembro
Parques Buenos Aires, Anhanguera, Ibirapuera, do Carmo, Piqueri, Independência, Luz, Santo Dias e Mário Covas. Das 10h às 15h

Telefone para informações ao público:
Serviço de Extensão Feira de Troca de Livros e Gibis
Coordenadora: Marta Nosé Ferreira
Assistência: Ana Lúcia de Souza Tadei - 9601-0491 / 3675-8096

sábado, 20 de março de 2010

O mundo em quadrinhos

Gênero popular entre crianças e jovens – e paixão de muitos adultos –, as HQs vêm conquistando cada vez mais espaço entre os leitores brasileiro

Asterix, Batman, Cebolinha, Diomedes, Elektra, Frajola, Graúna, Haroldo... O abecedário dos personagens das histórias em quadrinhos dá a dimensão da versatilidade dessa que é considerada uma forma de arte por seus adeptos. São tantas as possibilidades de criação de imagens, traços e idéias, que a história da HQ anda lado a lado com a da tecnologia e da ideologia. A trajetória dos quadrinhos no Brasil começou a engatinhar no século 19 e teve seu primeiro boom na primeira metade do século 20 (veja boxe Era uma vez...). Idolatrados por crianças e adolescentes, os quadrinhos foram por muito tempo tachados como produtos de segunda. Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, começou a publicar suas tiras em 1959, “na base da ignorância”, como diz. “Eu ignorei quando diziam que não ia dar certo, que quadrinho dava preguiça mental, que fazia a criança não ler”, conta. “Hoje temos pesquisas sérias que dizem que as crianças que lêem quadrinhos têm melhor desenvolvimento do que as que não lêem.” No fim dos anos de 1960, em plena ditadura militar, Mauricio de Sousa já publicava suas tiras em cerca de 300 veículos, de onde migrou para as revistas próprias, hoje vendidas no mundo inteiro. Com o fim da ditadura e da censura, os quadrinistas ganharam mais liberdade, embora muitos reclamem de um excesso de “politicamente correto” exigido nas publicações. “Todos sofremos um pouco da influência do politicamente correto, para bem ou para mal”, diz Mauricio de Sousa. “Mas eu concordo com algumas coisas. Por exemplo, que numa história endereçada para crianças, o Cebolinha não piche mais os muros. A Mônica quando estava com raiva arrancava árvores do chão, e o Chico Bento aparecia com um machado para cortar lenha. Hoje estamos preocupados com a conservação do meio ambiente.” O pai da Mônica conta também que antes sua “filha” aparecia batendo no travesso Cebolinha, mas que hoje restaram só os “socs”, “tuns” e pofs”. “Ou seja, só as onomatopéias e a poeira levantando”, afirma Mauricio. “Porque eu não quero mais mostrar esse tipo de agressão. Quer dizer, não é só a influência do politicamente correto, nós mudamos também”, sentencia o quadrinista, que completará 50 anos de atividade em 2009.


Para maiores


A concorrência gerada pelas novas tecnologias de comunicação e meios de entretenimento, especialmente a televisão, afetou a demanda por quadrinhos. Segundo Waldomiro Vergueiro, professor e coordenador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo (USP), a realidade atual das HQs é a aposta na diversificação de públicos e produtos. “Só no ano passado, foram mais de 1.300 títulos lançados e com uma variedade jamais vista no Brasil”, explica. “Com destaque para novas produções no estilo underground, reedição em coletâneas e quadrinização de obras literárias.” Hoje, existem quadrinhos para crianças, jovens e adultos, com temas que vão dos super-heróis à política, do surreal à crítica social. “Os quadrinhos são espaço livre para experiências, e, passada a adolescência, os leitores buscam produtos com maior profundidade narrativa, que tratem de temas mais ousados e incluam aspectos eróticos e realistas da vida social, como acontece em várias graphic novels [como são chamadas as HQs em inglês] e mangás [estilo japonês de quadrinhos]”, afirma Vergueiro.

Segundo José Alberto Lovetro, mais conhecido como Jal, quadrinista na ativa há 35 anos e criador do Troféu HQMix (veja boxe E o prêmio vai para...), o maior mercado do mundo de quadrinhos é o japonês, no qual um único título semanal chega a vender de 5 a 8 milhões de exemplares – o que faz do quadrinho uma mídia tão forte quanto a televisão. Já o Brasil, ainda segundo Jal, tem um potencial muito grande. “Nós temos os melhores desenhistas do mundo, e muitos publicando para fora do Brasil. O Ivan Reis é um que desenha para os Estados Unidos e ganhou, no ano passado, o prêmio de melhor desenhista norte-americano, embora seja brasileiro e more aqui em São Bernardo”, revela o quadrinista.
No Brasil, os já consagrados Angeli, Laerte, Glauco, Adão Iturrusgarai e Fernando Gonsales dão continuidade à herança de Henfil na crítica de costumes, crônica de experiências pessoais, humor irreverente e exploração de temáticas sexuais por meio dos quadrinhos. Por outro lado, uma nova geração de artistas começa a incorporar outras referências e experimentar linguagens. Um exemplo são os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, que há uma década publicam a série 10 Pãezinhos. As histórias são sobre amizades, amores e ilusões, recheadas de autobiografia e metalinguagem. Os gêmeos e seu traço característico são conhecidos também por sua versatilidade. Além dos personagens próprios, a dupla já quadrinizou a obra O Alienista, de Machado de Assis, e Rock’n’Roll, com Bruno D’Angelo e Kako, duas outras novas caras do quadrinho nacional.

Na mesma linha underground, mas com uma temática mais densa, Lourenço Mutarelli tem uma galeria de personagens tomados pela depressão urbana. O criador de O Dobro de Cinco, Transubstanciação, Mundo Pet e O Cheiro do Ralo – levado às telas em filme homônimo de 2007 dirigido por Heitor Dhalia – é muitas vezes personagem de suas histórias. Para Mutarelli, criar “é catarse, exumação de fantasmas interiores”. Tudo por meio de um realismo fantástico, grotesco, instável e trágico. Para o quadrinista Jal, mesmo com o fim de algumas séries, a HQ adulta “está em efervescência”. Por outro lado, ainda falta incentivo. “Embora pequenas editoras estejam investindo, ainda falta acreditar nos nossos novos artistas”, conclui.

Saiba mais:
http://www.terra.com.br/jovem/
http://www.portaldarte.com.br/


Era uma vez...

As primeiras páginas da história da HQ no Brasil
 
A história em quadrinho no Brasil começa em 1869 com As Aventuras de Nhô Quim, de Ângelo Agostini, considerado o precursor da linguagem gráfica seqüencial no país. Embora se possa pensar que os quadrinhos começaram direcionados para o público infantil, esse primeiro personagem era um caipira que viajava à capital do Império e entrava em conflito com os costumes urbanos. Mas essa história toma forma mesmo no início do século 20:


Anos 1900

O Tico-Tico é a primeira revista infantil brasileira a publicar histórias em quadrinhos, e reinou sozinha por vários anos. A maioria dos personagens e tramas, porém, são reproduções de originais estrangeiros.


Anos 1930
O jornalista Adolfo Aizen começa a publicar o Suplemento Juvenil, como era o modelo norte-americano. Para concorrer com ele, Roberto Marinho lançou o Globo Juvenil. No entanto, os personagens ainda eram importados, como os norte-americanos Flash Gordon, Mandrake, Tarzan, Popeye e Mickey.

Anos 1940

Lançamento da revista Gibi, nome que virou sinônimo de revista em quadrinhos aqui no Brasil. Entre as HQs apresentadas, ainda estão os gringos – Ferdinando, de Al Capp, e Barney Baxter, de Frank Miller –, mas Adolfo Aizen pela primeira vez investe na quadrinização de romances clássicos brasileiros.




Anos 1950

O time brasileiro dos quadrinhos entra em campo. São os adultos O Amigo da Onça (desenho), de Péricles Maranhão, e o Pererê, de Ziraldo, com mensagens ecológicas. Carlos Zéfiro corre por fora, desenvolvendo e vendendo seus, hoje clássicos, quadrinhos eróticos clandestinamente.

 
 
 
Anos 1960

Mauricio de Sousa começa a publicar as tirinhas do que viria a se tornar a Turma da Mônica, grande sucesso editorial no Brasil e no exterior, e Ziraldo lança seu “gibi” mais famoso: o Pererê (desenho).






Anos 1970

A censura do período militar não poupa os quadrinhos, que ficaram mais restritos, dispersos e sem regularidade. De qualquer forma, publicações como O Pasquim, com suas tiras sociais de Jaguar e de Henfil, criador da Graúna e dos Fradinhos (desenho), conseguem driblar a tesoura da ditadura. Na mesma época, o fanzine O Balão, criado por Laerte e Luiz Gê, revela autores consagrados até hoje, como os irmãos Paulo e Chico Caruso, e ainda Kiko e Angeli.

Anos 1980

Com a redemocratização, a imprensa abre espaço para os quadrinhos de Laerte, com os Piratas do Tietê (desenho), Angeli, com Chiclete com Banana, Glauco, com Geraldão, Chico e Paulo Caruso, com Avenida Brasil e Fernando Gonsales, com Níquel Náusea. Laerte, Angeli e Glauco criam ainda a célebre Los Três Amigos, HQ que satiriza, por meio de temas brasileiros, o clima western dos Estados Unidos.




Anos 1990/2000

A editora Devir começa a publicar quadrinhos importados e a investir em novos autores brasileiros, como Lourenço Mutarelli e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá (desenho), para serem vendidos em livrarias. Saindo da segregação das bancas de jornal, os quadrinhos ganham novo impulso.

E o prêmio vai para...

Já na sua 20ª edição, o HQMix premiou os melhores do mundo dos quadrinhos




 
 
 
 
 
Na onda dos quadrinhos, o Sesc Pompéia sediou, em julho, o 20º Troféu HQMix, premiação reconhecida internacionalmente. Apresentado pelo televisivo Serginho Groisman, o evento foi realizado no 23 de julho e presidido pela professora e escritora Sonia Bibe Luyten. A votação foi feita em maio baseada nas indicações da comissão de organização formada pela Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e pelo Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil (Imag). Foram cerca de 1.200 profissionais da área que votaram nas mais de 40 categorias, sendo as principais as de desenhistas e roteiristas. A cada ano, novas categorias surgem, mostrando a efervescência do mercado brasileiro de quadrinhos.


Aproveitando o mote, a unidade incrementou sua programação de julho com o HQ Férias. Foram várias atividades gratuitas, incluindo a exposição A História dos Quadrinhos no Brasil, recriada por Gualberto Costa, o Gual, e José Alberto Lovetro, o Jal, criadores do HQMix. Aconteceram também apresentações de peças de teatro, que se misturaram com a linguagem dos quadrinhos, e o Cine Teatro HQ, uma mostra de animação com vários curtas e longas-metragens. “Os ingressos esgotaram”, conta Lúcia Lopes, técnica do Sesc Pompéia. “Fez sucesso também a grande área de interação que a gente fez para as crianças desenharem, brincarem e descobrirem a linguagem do HQ.”

No Sesc Ipiranga o quadrinho aparece para lembrar um dos maiores compositores da história contemporânea da MPB. Como parte das atividades do projeto Cazuza – O Tempo Não Pára, em cartaz até 31 de agosto, que mistura música, cinema e poesia, aposta na versatilidade da HQ para homenagear os 50 anos de nascimento do poeta e vocalista ícone dos anos de 1980. “Nós queríamos fazer algo original, jovial e que pudesse ser colocado na voz do Cazuza, incorporando o que ele pensava das coisas, suas tristezas e alegrias”, diz Suzana Garcia, técnica da unidade e idealizadora do projeto. A partir dessa idéia e baseada em depoimentos do próprio compositor compilados pelo produtor Ezequiel Neves, grande amigo de Cazuza, o coletivo O Contínuo desenvolveu uma HQ com os pensamentos e memórias do cantor. São frases sobre a vida, a família, a música e a política do complicado contexto social que o país atravessava nos loucos anos de 1980. Os desenhos são de Alcimar Frazã e o roteiro de Pedro Felício e Dalton Correa. “Eu sou fã do Cazuza e nós d’O Contínuo sempre tivemos uma predileção por misturar música e quadrinhos”, diz Pedro Felício. “Passamos dois meses fazendo uma pesquisa de imagens dele e de suas referências, e encontramos soluções muito legais de como colocar tudo aquilo em desenho.”