sábado, 17 de julho de 2010

Livro desde bebê, sim!

Há quem ainda não leve "a sério" a investida em livros para os bebês

Cristiane Rogerio

Muitas pessoas me perguntam se pode ou se espantam quando eu indico livros para bebês. Não apenas isso. Surpreendem-se quando indico livros para bebês como um ato de incentivo à leitura. E por que não?

Estou lendo esta semana o livro Confusão de Línguas na Literatura: O que o Adulto Escreve, a Criança Lê (Ed. RHJ), de Ninfa Parreiras, uma especialista no assunto, claro. Há um trecho do livro que todos nós temos que “absorver” e vale muito a pena pela clareza como ela expõe. Diz assim:

“Por que não damos um livro a um recém-nascido? Talvez porque não o valorizamos, nem lembramos da relação que a criança pode e deve ter, desde muito cedo, também com esse objeto. Quando oferecemos a um bebê de dias um bichinho de pelúcia, ele ainda não vai explorá-lo. Só muito mais tarde irá agarrá-lo, embalá-lo, dar-lhe de comer, levá-lo a passear: num jogo simbólico cada vez mais elaborado”. Ela quer dizer que dar um livro a um bebê, seja aquele na hora do banho, seja o cartonado que ele põe na boca, na cabeça, senta em cima, joga para o lado, não importa: ele vai se lembrar do livro. E vai dar o significado que nós adultos – a sua referência – damos ao livro.

Ela continua depois: “Se, por um lado, a relação com os brinquedos se dá com o próprio desenvolvimento das crianças, assim pode ser com o livro também: mais tarde, a criança vai se interessar pelas ilustrações, pela sequência das imagens, não vai mais rasgar as páginas, nem morder os cantos dos livros. O livro passa a ser um objeto por ela querido e a leitura vai entrando lenta e naturalmente em sua vida, permitindo-lhe, cada vez mais, brincar, participar, opinar”.

Eu adorei a parte do “o livro passa a ser um objeto querido”. Porque é exatamente essa relação de afeto que cabe ao adulto criar para a criança. Eu, quando pego um livro novo, passo sempre a mão na capa, aliso, olho em volta, aí então abro e o conheço melhor. E, os livros que mais amo, vivem abraçados por mim (até as cópias que estão na livraria, devo confessar!).

Alguém aí ainda tem alguma dúvida?

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

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