De aplicativos gratuitos a serviços por assinatura, as plataformas digitais podem ser super úteis para amantes de livros.
Dicionários para verificar o significado de palavras novas,
"streaming literário", quadrinhos digitais - todas essas possibilidades
você encontra abaixo, nesta seleção de aplicativos que vão te ajudar a
ampliar ainda mais sua vida de devorador de livros.
Para conhecer o significado de palavras novas
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Quem nunca precisou interromper a leitura para verificar o
significado de uma palavra? O dicionário da língua portuguesa Priberam
pode te ajudar nisso. Se você estiver lendo em outras línguas, o Google
Tradutor quebra seu galho. Ambos são práticos no uso. Priberam:Android/iOS Google Tradutor:Android/iOS
Para organizar suas leituras
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A satisfação de ter as leituras todas organizadinhas é sem igual para
quem ama ler. As redes sociais Goodreads (em inglês) e Skoob (em
português) são ótimas para isso. Nelas, você pode marcar os livros que
já leu, dar uma nota a eles e marcar aqueles (incontáveis) que você quer
ler. No Goodreads você encontra desde uma edição de 1951 de O Apanhador no Campo de Centeio,
de J.D. Salinger, até lançamentos ainda inéditos. O Skoob, por sua vez,
é útil para encontrar títulos nacionais. Ambas as redes também oferecem
informações a respeito dos livros: data de publicação, quantidade de
páginas, editora responsável e por aí vai. Goodreads:Android/iOS Skoob:Android/iOS
Para salvar aqueles textos que você ainda não leu
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Se além de livros e quadrinhos você curte ler na internet notícias,
blogs, colunas etc, a sugestão é usar o Pocket. Nele, você pode salvar
suas leituras, seguir amigos e usar a extensão dele para desktop, de
onde você pode salvar links que estarão disponíveis quando acessar o app
pelo celular. Boa opção para organizar os links de seu interesse. Pocket:Android/iOS
Para ouvir livros
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Quem tem deficiência visual ou pessoas que prefiram ouvir audiolivros
a lê-los podem usar o Ubook. O aplicativo funciona como uma "Netflix de
audiolivros": você assina o serviço e tem acesso a uma extensa gama de
leituras. Revistas, literatura clássica e contemporânea, livros
religiosos, não ficção, podcasts estão no acervo, por exemplo. O uso é
prático e, caso você queira ouvir prévias dos livros antes de assinar,
basta selecionar a opção. Ubook:Android/iOS
Só para ler mesmo
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Se você curte ler em plataformas digitais, o Scribd e o Kindle
Unlimited podem ser boas opções. Ambos os serviços também são como
"Netflix de livros digitais": assine e tenha acesso a uma imensidão de
possibilidades de leituras. A diferença entre ambos, basicamente, é que,
com o primeiro, você tem acesso a livros em inglês, e com o segundo, em
língua portuguesa. Se você quiser testá-los antes de aderir a qualquer
assinatura, os dois oferecem períodos gratuitos de uso. Scribd:Android/iOS Kindle Unlimited:Kindle/Android/iOS
Para incentivar as crianças a lerem
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O Leiturinha Digital pode ser uma boa ajuda para pais que querem
incentivar os filhos a lerem. O catálogo do serviço tem livros para
crianças de zero a 12 anos e eles oferecem curadorias feitas por
psicólogos, pedagogos e pais. Conteúdos audiovisuais elaborados para
colaborar com o desenvolvimento dos pequenos e assinaturas que permitem
receber kits de livros em casa também fazem parte do Leiturinha
Digital. Leiturinha Digital:Android/iOS/Desktop
Para ler quadrinhos
Reprodução
É claro que não podíamos nos esquecer deles. Há vários aplicativos de
serviços que oferecem muitas opções de leitura, então, selecionamos
para você quatro dos mais elogiados e usados. Entre eles, apenas o
Cosmic, infelizmente, é o único com títulos em língua portuguesa - o
serviço é brasileiro. Se você encara leituras em inglês, os outros podem
cair como uma luva - o acervo deles é enorme. Quadrinhos: Cosmic:Android/Mac OS X/Windows/Linux ComiXology:Android/iOS/Kindle Mangás: Crunchyroll:Android/iOS Manga Rock:iOS
“Todas as noites, antes de dormir, apesar do cansaço por ter trabalhado o dia todo, ela me contava histórias”. A escritora Sônia Barros, uma das colaboradoras no projeto Leia para uma criança, relata como sua mãe adotiva contribuiu para o despertar do interesse pela leitura ;-)
Por Sônia Barros
Este depoimento é uma homenagem à minha mãe adotiva, mulher especial que se fez ponte entre mim e o mundo maravilhoso dos livros. Além de leitora apaixonada, eu acabei me tornando escritora. E quando me perguntam se alguém me influenciou nessa escolha profissional, a resposta sempre causa espanto e emoção.
Minha história pessoal é prova viva de que ler para uma criança pode, sim, mudar o mundo. O meu foi totalmente transformado e iluminado por esse ato de amor, ritual inesquecível que marcou minha infância e minha memória afetiva.
Fui adotada aos três meses de idade por uma mulher solteira, que se fez minha família. Além de me salvar a vida, foi essa mulher — que mal frequentou escola e trabalhou a vida toda como empregada doméstica — quem plantou em mim a semente do amor pelos livros.
Todas as noites, antes de dormir, apesar do cansaço por ter trabalhado o dia todo, ela me contava histórias. Algumas sabidas de cor, da memória; outras, lidas de um livro; outras, ainda, inventadas. Muitas vezes, no meio de uma história ou poema, minha mãe acabava pegando no sono. Mas eu a chamava e ela, então, novamente me oferecia o céu de seus olhos e de sua voz.
E não era apenas à noite que ela me encantava com histórias, poesia e cantigas. Durante o dia, também, enquanto lavava, cozinhava, passava… E ainda mais: nas horas de folga do trabalho, me levava à Biblioteca Municipal de Santa Bárbara d´Oeste, cidade do interior de São Paulo, onde cresci e moro até hoje.
Mesmo sem ter livros meus em casa, pois não podíamos comprar, havia sempre um ou dois emprestados da biblioteca. Apesar da dificuldade em decifrar as palavras, minha mãe lia para mim. Lembro-me, principalmente, dos livros de poesia. Foi assim que conheci alguns dos grandes poetas que me acompanham até hoje: Cecília Meireles, Manuel Bandeira, José Paulo Paes…
Aos oito anos de idade ganhei um prêmio por ser a criança que mais retirava livros da biblioteca. E então pude levar para casa um livro só meu, que não precisaria devolver depois. Foi como ganhar um tesouro.
Nessa época, já alfabetizada, eu também lia para minha mãe. E ela sempre me ouvia com atenção, valorizando aquele momento tão especial. Seu olhar era de afeto e estímulo!
O livro era meu brinquedo preferido, caixa-surpresa que me fazia sonhar. Hoje, sou eu quem confecciono caixa-surpresa para que outras crianças possam sonhar. E ofereço ao meu filho o mesmo presente precioso que recebi de minha mãe, essa mulher que não me gerou, mas amparou-me na queda e cultivou minhas asas.
Divulgando... As informações abaixo foram repassadas pelo Jerson Pita
Estou divulgando um projeto de estímulo da leitura e escrita digital,
voltado para crianças e jovens em cerca de 20 bibliotecas comunitárias
do Rio de Janeiro. As oficinas serão ministradas no período de 28 de
março a 28 de abril, sob coordenação de Benita Prieto – contadora de
histórias, especialista em literatura infanto-juvenil e desde 2011
realizando projetos de literatura e escrita em meios digitais. Ainda há
algumas vagas disponíveis e as informações poderão ser obtidas em 9
9621-5851 ou contato@codexclube.com
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura apresentam:
PROJETO “LEITURA DIGITAL, LEITURA SEM FRONTEIRAS” INCENTIVA EM CRIANÇAS E JOVENS O PRAZER DA LEITURA EM MEIOS DIGITAIS
Há
quem diga que a evolução tecnológica, os tablets e smartphones afastam
os jovens da literatura e até mesmo do exercício da escrita de textos
literários. Diante de um dispositivo móvel, o primeiro impulso é navegar
por uma rede social ou algum site de vídeo/entretenimento – atividades
que nem de longe despertam na turma em idade escolar algum estímulo de
exploração para além daquele “quadrado virtual”.
Quando
constatou esse abismo, Benita Prieto, que é contadora de histórias,
especialista em Literatura Infantil, Juvenil e em Leitura, buscou
ferramentas, estudou plataformas, aplicativos e hoje está à frente do
projeto “Leitura digital, Leitura sem fronteiras”,
iniciativa que conta com patrocínio do Programa de fomento à cultura -
Viva a Cultura! da Prefeitura do Rio de Janeiro / Secretaria Municipal
de Cultura e percorrerá as bibliotecas comunitárias do Lajão do Tabajaras, Atelier das Palavras do Meninas e Mulheres do Morro da Mangueira, Biblioteca Wagner Vinício de Rio das Pedras e as Bibliotecas Parque da Rocinha, Manguinhos e Estadual, no período de 28 de março a 28 de abril, incentivando o prazer da leitura em meios digitais.
“A
oficina estimula as múltiplas possibilidades de leitura e escrita de
textos literários em dispositivos digitais com o uso de e-readers e
tablets. Partindo da experiência de cada um com o mundo digital e com a
leitura, vamos entender os novos suportes que a evolução tecnológica nos
apresenta e assim desconstruir mitos e medos” explica Benita,
idealizadora e coordenadora da ação.
O projeto “Leitura digital, Leitura sem fronteiras”
é voltado para crianças e jovens atendidos pelas bibliotecas
comunitárias, além de mediadores de leitura que trabalhem em projetos
sociais. Durante o projeto, os participantes terão a oportunidade de
vivenciar e aprender sobre literatura digital através de atividades
como: dinâmicas, diferenças entre os diversos equipamentos digitais
atuais, games literários e atividades de leitura e escrita usando os
equipamentos digitais, entre outras.
Sobre Benita Prieto
Uma
artista da palavra que estudou Engenharia Eletrônica, Teatro e fez
especializações em Literatura Infantil e Juvenil e em Leitura: Teoria e
Práticas. Trabalha como Contadora de Histórias do Grupo Morandubetá,
desde 1991, com mais de 2000 apresentações por todo o Brasil e vários
países. Formou mais de 20 grupos de contadores de histórias e agentes de
leitura. Como Produtora Cultural criou feiras de livros, visitas
guiadas a espaços culturais, espetáculos de narração de histórias,
eventos de literatura, podendo destacar o Simpósio Internacional de
Contadores de Histórias promovido pelo SESC Rio, desde 2002. Também é
escritora. Dedica-se a promoção de leitura no meio digital desde 2011.
Criadora do projeto Codex Clube (www.codexclube.com).
Ganhou fomento da Prefeitura para as oficinas Leitura e Hiperleitura no
mundo digital em 2015 e Leitura Digital, Leitura sem Fronteiras em
2016..
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
Assessoria de Imprensa: Target Assessoria de Comunicação
É senso comum dizer que ler faz bem, que proporciona aos leitores inúmeros benefícios intangíveis. No entanto, é difícil encontrarmos estudos que comprovem essas teses. Ou era difícil. Pesquisadores da Universidade de Roma 3, na Itália, realizaram um trabalho com cerca de 1100 pessoas para encontras a resposta para duas questões: “Quem lê livros é mais feliz do que quem não lê?” e “A leitura melhora o nosso bem-estar”? A conclusão, apresentada no final de 2015 no artigo “The Happiness of Reading”, é bastante clara: os leitores são mais felizes e encaram a vida de maneira mais positiva que os não leitores.
A pesquisa é dividida em tópicos e o primeiro deles aponta que quem lê é mais feliz do que quem não lê. Para chegar a tal conclusão, utilizaram a escala proposta pelo sociólogo holandês Ruut Veenhoven, que mensura o grau de felicidade das pessoas entre 1 e 10. Os leitores tiveram pontuação 7,44, enquanto os não leitores, 7,21, diferença tida como significativa pelos pesquisadores. Como uma outra forma de mensurar a felicidade, também usaram a escala de Cantril – conhecida como a de Bem-estar Subjetivo -, na qual os leitores ficaram com 7,12 e os não leitores, 6,29, em uma métrica igual a de Veenhoven.
Já com a escala de Diener e Biswas, que vai de 6 a 30, os pesquisadores puderam analisar a diferença na maneira que leitores e não leitores vivenciam sensações positivas e negativas. Quem lê tem uma percepção maior de emoções como felicidade e contentamento (21,69 X 20,93), enquanto quem não lê sente mais sensações como tristeza e fúria (17,47 X 16,48).
Por fim, os acadêmicos também constataram que os leitores são pessoas mais satisfeitas com a maneira que usam seu tempo livre, que a leitura é o que há de mais importante para essa gente nas horas de ócio e que, no entanto, ler é apenas a quarta atividade que mais realizam enquanto não estão trabalhando, ficando atrás de praticar esportes, ouvir música e ir a eventos culturais como exposições, teatro ou cinema.
Ultimamente
tenho percebido uma dificuldade de concentração em minhas leituras.
Estou levando muitos dias para finalizar um livro, afinal, não é fácil
arranjar tempo em meio à correria de trabalho, academia e vida social. É
possível ter um convívio social saudável e mesmo assim continuar em dia
com as leituras. Abaixo estão 5 dicas importantes para aqueles que
pretendem otimizar o tempo livre para dar um gás em suas leituras.
1) CARREGUE O LIVRO COM VOCÊ
É a mais simples das dicas, afinal, nunca sabemos quando teremos um
tempo livre e, caso ele apareça dentro de um ônibus ou no horário de
almoço, com o livro em sua mochila/bolsa, você não terá a desculpa de
que não o leu por ter deixado em casa. Isto pode render a você algumas
páginas extras, pois cinco minutos são preciosos para quem quer saber o
desfecho daquele romance arrebatador.
2) RESERVE UM TEMPO PARA LER
Tudo na vida deve ter organização. Se você pretende alcançar seus
objetivos com a leitura, deve fazer o mesmo que faria com os deveres da
escola ou com aquele concurso que pretende fazer. Reserve um tempo no
seu dia para, longe de todas as interrupções, você possa se dedicar à
história que está acompanhando.
3) LEIA UM LIVRO POR VEZ
Esta é uma dica mais pessoal. Algumas pessoas afirmam que você
desenvolve melhor a memória ao ler vários livros de uma vez, já que se
força a buscar na memória o ponto em que parou. Já eu, não consigo. Ao
ler um livro por vez, você não terá aquela sensação de que a leitura
está se arrastando e, com o término da história, terá a sensação de
dever cumprido.
4) TENHA UM OBJETIVO
É bom fazer listas de livros que você já leu ou que pretende ler. Eu,
particularmente, tenho uma pilha de livros em minha escrivaninha que me
lembra todos os dias que tenho muitos livros ainda a ler.
5) DESCANSE E FIQUE SEMPRE EM FORMA
Fazer exercícios não servem apenas para manter o corpinho em dia. Seu
cérebro também ganha com a prática. Quando seu corpo está em forma,
você oxigena melhor o órgão e consegue se concentrar melhor naquilo que
está fazendo. Descansar é primordial. Se não estiver bem, é certo que
não conseguirá desenvolver a leitura em um ritmo agradável.
Todas as pessoas que convivem com crianças sabem que elas percebem, desde cedo, a importância que a palavra escrita tem em nosso mundo. E por isso, tão logo aprendem a falar e se comunicar com clareza, começam a alimentar o desejo de também aprender a ler.
Nas famílias nas quais os livros fazem parte do cotidiano e encontram-se disponíveis, é comum presenciarmos bebês narrando – a seu modo – os textos das obras que são lidas por seus pais. E depois, assim que dominam a fala, começam também a repetir os textos ouvidos anteriormente, em especial aqueles que possuem uma estrutura repetetiva, que favorece a memorização do enredo.
É por isso que os chamados contos de repetição e acumulação são textos privilegiados para o trabalho com a formação de novos leitores. Especialmente porque resgatam, em sua estrutura, aspectos característicos das narrativas de tradição oral muito antigas, das histórias contadas e recontadas ao longo de muitos anos, atravessando gerações. Contos que também foram acumulando novos elementos, conforme o narrador e o contexto em que eram contados. Ou seja, repetir e acumular faz parte do inconsciente coletivo que permeia os atos de escrever, ler e contar histórias.
Os livros de contos de repetição e acumulação ajudam os pequenos leitores a conhecerem melhor aquilo que estão lendo, aprendendo a estrutura das histórias, reconhecendo palavras e outros elementos que se repetem, além de tornarem o processo da leitura muito parecido com um jogo, no qual, a cada momento, um novo aspecto pode ser acrescentado e, quem sabe, surpreender o leitor.
Nas histórias de acumulação, como em “O grande rabanete”, há sempre um elemento que desencadeia a ação (no caso, o desejo de comer o rabanete) e a repetição de uma mesmo acontecimento (tentativa de arrancar o rabanete) realizada por diferentes personagens que vão se somando ao propósito inicial que impulsionou a narrativa. Essa estrutura ajuda a criança a antecipar o que vai acontecer, com base na repetição, tornando mais fácil a memorização e a compreensão do texto. Dessa forma, podem participar mais da leitura, inclusive assumindo o papel de leitores, mesmo sem saber ler.
Conheça outros livros de contos de acumulação selecionados pela equipe do Leitura Em Rede:
Grão de Milho é uma criança muito pequena e corajosa, mas longe de se lamentar do seu tamanho, ele quer sair e fazer coisas para ajudar seus pais, e também para se aventurar um pouco. Para não ser pisoteado, Grão de Milho usa uma estratégia para chamar atenção dos caminhantes, ele canta bem alto uma quadrinha muito divertida que assinala a sua presença onde quer que passe. Infelizmente a vida no campo também tem seus imprevistos, e o pequeno termina por se complicar, para desespero de seus pais.
A autora, a espanhola Olalla Gonzáles, adaptou Grão de Milho de um conto popular, e o suiço Marc Targer ilustrou a história com traços simples e divertidamente coloridos.
Imagine ter uma girafa por animal de estimação! Mais do que isso, imagine sair para brincar com esse “bichinho” e isso se transformar numa aventura em que aparecem uma cadeira, um chapéu de rato, uma flor, uma vespa, uma bicicleta furada… Esses e outros elementos vão surgindo ao longo de Uma girafa e tanto e sendo anexados ao animal, construindo um jogo de repetição, que retoma o item anterior e lhe acrescenta um novo elemento, movimento que contribui para a ampliação do vocabulário e da concentração dos pequenos.
A cada item que se acrescenta à história, criada toda em branco e preto, novos tons vão sendo dados a ela por seu escritor e ilustrador, o americano Shel Silverstein. Ressalta-se, ainda, a tradução do mineiro Ivo Barroso, que soube manter viva a graça poética do livro, escolhendo as palavras com cuidado, para que a rima continuasse envolvente.
A casa sonolenta faz parte da coleção Abracadabra que inclui outras obras interessantes da autora americana Audrey e de seu marido ilustrador Don Wood. Apresenta um enredo acumulativo que encanta as crianças e as repetições dão um tom sonolento a leitura. A cada página novos personagens aparecem para dormir na cama até que uma pulga saltitante pica o rato e começa a acordar todos. A ilustração merece destaque, pois as cores utilizadas se modificam de acordo com a atividade na casa, mais sombria para o sono das personagens e mais viva para quando estão acordadas.
O conto de Tatiana Belinky, ilustrado por Claudios, trabalha com a memória e fazem da história um treino cumulativo de informações para serem repetidas.
A frase curta do início da história cresce com a chegada de outros personagens que ajudam o avô a tirar o rabanete imenso da terra e formam um “cordão” de ajuda e de frases.
As ilustrações também ajudam compor a diversão e a compreensão de aspectos das relações humanas, como solidariedade, trabalho em equipe, divisão de tarefas, ajuda mútua… com muito bom humor.
Tatiana Belinky se inspirou nesse tradicional conto russo para escrever “O grande rabanete”. Na história de Aleksei Tolstói, o desafio é retirar da terra um nabo que cresce demais e fica gigante. Para isso, será necessário recorrer à ajuda de todos os animais da floresta. Com imagens lindas, que acrescentam detalhes à narrativa, o livro pode ser uma ótima oportunidade para conversar sobre como as boas histórias atravessam o tempo e viajam por muitos lugares, aproximando culturas de países tão distantes, como o Brasil e a Rússia.
Mais um conto cumulativo escrito por Tatiana Belinky. Nessa história, o protagonista é um bolinho delicioso que sai rolando da janela da cozinha e desafia o apetite de muitos personagens repetindo uma curiosa canção que enche a todos de água na boca e, ao mesmo tempo, garante que o tal bolinho sempre saia ileso. Até encontrar alguém mais esperto do que ele.
Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura. Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.
Better, faster, stronger (melhor, mais rápido, mais forte): é a letra de uma música do Kanye West
ou como você quer se sentir neste novo ano. É claro que você pode
encarar essa empreitada com pessimismo. 1º de janeiro é só mais um dia
no calendário, uma oportunidade como 364 outras para definir objetivos
nada realistas. Mas as resoluções de ano novo têm um apelo inegável.
(Mesmo que elas signifiquem que todas as esteiras da academia estarão
ocupadas.) Além de uma carteira mais gorda e um abdome mais magro, muita
gente também quer investir no cérebro, seja jogando mais Sudoku ou
enfiando a cara num livro.
“Como você encontra tempo para ler?”, me
perguntou um colega numa festa de fim de ano, depois de eu contar que
tinha lido mais de 50 livros em 2015. É verdade, existem infinitas
distrações nos afastando da leitura: amigos, emprego, Netflix,
aplicativos de celular. Morar em Nova York aumenta bastante essa lista,
mas também é um sonho para os bibliófilos: vários bares aconchegantes,
bibliotecas, leituras públicas e livrarias independentes para todos os
gostos – sempre termino o dia com um livro a mais na bolsa. Mas não
estou aqui para ostentar e sim para te contar como você pode ler mais em
2016 — apesar das maratonas de série. (Ônibus e metrô ajudam muito.)
E não tem problema nenhum se seus objetivos não incluírem livros. Não estamos aqui para humilhar ninguém.
Vamos falar do que você pode fazer para
ser um melhor leitor este ano – e não importa se seu objetivo é terminar
um livro ou cem.
1. Anote o que você leu
Parte do motivo pelo qual cheguei a 57 livros em 2015 foi a comunidade Goodreads (que, devo mencionar, foi comprada pela Amazon.
O site permite que os usuários definam um objetivo de leitura e
cataloga tudo o que você leu. Ele até mesmo diz se você está no ritmo
para atingir seu objetivo. Transformar a leitura num jogo e enxergar o
progresso ao longo do ano dá motivação para continuar no caminho (e,
melhor ainda, é uma maneira fácil de lembrar exatamente o que você leu).
2. Faça uma pré-seleção
Pense na imagem de TODOS OS LIVROS! É
muito intimidador. Em vez de começar o ano com a esperança de ler
“livros”, por que não tentar se concentrar em “ficção científica” ou “livros escritos por mulheres”
só para ficar em algumas ideias? (Outras possibilidades: livros
traduzidos! Primeiros livros de autores famosos! Não-ficção!) É uma
abordagem prática se você já tem o hábito da leitura mas acha que caiu
numa rotina – por exemplo, depois de perceber que minha lista de 2015
tinha muitos autores contemporâneos, meu plano é ler pelo menos 12
livros publicados até 1980.
3. Faça da leitura uma atividade social
Se você mora numa cidade de médio porte
com uma biblioteca ou uma livraria, são boas as chances de que haja
visitas de autores. Embora as visitas de autores famosos sejam mais
raras, há muitos outros com públicos mais modestos que fazem turnês.
Pesquise um autor que te intrigue e vá vê-lo ao vivo – na pior das
hipóteses você saiu de casa e, na melhor, você encontrou um livro novo
para levar para casa (e um autor que você vai poder dizer que conheceu
lá atrás).
Muito se fala da importância dos amigos
quando se trata de fazer exercício. Por que não aplicar a mesma ideia
para a leitura? Mesmo que você e seu amigo estejam lendo livros
diferentes, em ritmos diferentes, é sempre bom ter alguém para fazer
recomendações e dar incentivo. Se ninguém parecer interessado, poste o
que estiver lendo no Twitter ou no Instagram. É uma ótima maneira de se
forçar a ler, em vez de tentar passar de fase no Candy Crush.
4. Seja realista
Se seu objetivo é ler um livro por
semana, não se castigue se você não conseguir terminar tijolos como
Graça Infinita ou Os Miseráveis. Isso não significa que você deveria se
restringir a novelas. Ler só para se gabar dos números pode te fazer
passar batido por detalhes importantes ou perder as nuances da
linguagem, sem falar nos vários benefícios comprovados da leitura. Em vez disso, tenha em mente que seu objetivo, assim como sua idade, é apenas um número.
Rodrigo Casarin
Colaboração para o UOL, em São Paulo
A escritora Ana Maria Machado, que lança novo livro
Um dos maiores nomes da literatura nacional, Ana Maria Machado está com livro novo na praça. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2003, entidade que presidiu entre 2012 e 1013 e onde ocupa a cadeira de número 1, autora de mais de 100 livros infanto-juvenis que já superaram as 20 milhões de cópias vendidas em 17 países e vencedora de prêmios como o Machado de Assis, oferecido pela própria ABL, e o Hans Christian Andersen, a honraria mundial mais importante destinada a autores de obras para crianças e jovens, não há dúvidas de que a senhora de 74 anos tem muito a dizer sobre o universo literário. E é justamente isso que seu novo título, "Ponto de Fuga", comprova.
A obra reúne treze ensaios escritos entre 1988 e 2005, boa parte deles apresentados em eventos literários em diversas partes do mundo. Nos textos, a autora fala de diversos elementos que envolvem o mundo das letras, como o mercado editorial, a formação de leitores e como a escola pode ajudar ou prejudicar no despertar do interesse dos jovens pela literatura. "Se republico, é porque acho que ainda vale. Esses textos são reflexões conscientes e embasadas sobre as questões. Podem mudar ligeiramente em algumas circunstâncias, mas não são para descartar segundo a moda de cada ano", diz a autora em entrevista aoUOL.
No livro, a questão de como se introduzir a arte aos potenciais leitores surge como uma das preocupações primordiais. "Em termos bem simples,estou convencida de que o que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo. Da mesma forma que ela aprende a escovar os dentes, comer com garfo e faca, vestir-se, calçar sapatos e tantas outras atividades cotidianas", escreve Ana Maria. "Não é natural, é cultural. Entre os povos que comem diretamente com as mãos, não adianta dar garfo e colher aos meninos, se eles nunca viram ninguém utilizá-los. Isso é tão evidente que nem é o caso de insistir. Se nenhum adulto em volta da criança costuma ler, dificilmente vai se formar um leitor", registra ela no texto "Entre Vacas e Gansos: Escola, Leitura e Literatura".
Já em "Muito Prazer: Notas Para uma Erótica da Narrativa", a autora constata: "Se é verdade que tenho encontrado muitos adolescentes e adultos que não têm vocação leitora, nunca se aproximaram de livros ou até alguns que deles se afastaram em certa idade, também é verdade que nunca encontrei uma criança alfabetizada, com pleno acesso a livros e num ambiente leitor sem cobranças, que não gostasse de ler. Pode rejeitar um certo tipo de livro, ou desenvolver preferências que não são as que o adulto escolheria para ela, mas isso não significa que não goste de ler".
Estou convencida de que o que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo. Se nenhum adulto em volta da criança costuma ler, dificilmente vai se formar um leitor. Ana Maria Machado, no ensaio "Entre Vacas e Gansos: Escola, Leitura e Literatura", que integra o livro "Ponto de Fuga"
Literatura adulta
Autora de títulos como "Bento que Bento É o Frade", de 1977, seu livro de estreia, "História Meio ao Contrário", vencedor do Jabuti de 1978, "Bisa Bia, Bisa Bel", de 1982, que levou o prêmio de melhor livro juvenil da Fundação Nacional do Livro Infantil Juvenil, e "Menina Bonita do Laço de Fita", uma de suas obras mais reverenciadas, o nome de Ana Maria costuma ser diretamente relacionado ao público jovem. No entanto, sua produção voltada para os adultos também é considerável.
Reprodução
Capa do livro "Ponto de Fuga", de Ana Maria Machado
Em 1983, lançou "Alice e Ulisses", sucedido por uma dezena de outros livros pensados a esse público, para o qual o último trabalho de ficção foi "Um Mapa Todo Seu", lançado no início do ano passado. Questionada sobre o que lhe dá mais prazer, se escrever para crianças e adolescentes ou adultos, ela diz que a comparação acabaria com a graça do ofício. "Para ficar só num exemplo gastronômico, não consigo saber se gosto mais de camarãozinho frito na beira da praia ou jabuticaba recém-tirada do pé", ilustra.
"Escrever para crianças e adultos é diferente, como é diferente conversar com adulto ou com criança. No caso infantil, o prazer é mais próximo da brincadeira. No caso adulto, tem uma densidade mais consciente", explica. "Ambas as atividades são difíceis e apresentam desafios. O universo do leitor infantil tem um repertório menor de acumulação de experiências leitoras que permitam referências intertextuais, então fica mais difícil trabalhar nessa área. Mas justamente por essa dificuldade, traz um desafio mais instigante".
O que anda lendo
"Acho que a literatura brasileira contemporânea vai muito bem, oferecendo uma variedade incrível de leituras atraentes", diz Ana Maria sobre a produção atual, destacando nomes como Bernardo Carvalho, Miltom Hatoum e Cristovão Tezza – a quem generosamente chama de "novos já consagrados" –, mas também elencando outros nomes ao falar de quem vem lhe agradando. "Gente como Daniel Galera, Paulo Scott, Socorro Acioli, Tatiana Salem Levy, Miguel Sanches Neto, Michel Laub, José Luiz Peixoto [este português]… São tantos, tão diferentes entre si. Temos muitos nomes interessantes produzindo coisas muito boas e está até difícil acompanhar".
Falando a respeito de suas últimas leituras, que fez neste verão, conta que está fascinada por "S.", dos norte-americanos J. J. Abrams (diretor de "Star Wars: O Despertar da Força) e Doug Dorst. Também andou lendo policiais de Agatha Christie, "Quarenta Dias", de Maria Valéria Rezende, último vencedor do Prêmio Jabuti, "Um Defeito de Cor", romance de Ana Maria Gonçalves, "Trilhas", de Leonardo Froes, "Diários da Presidência", de Fernando Henrique Cardoso" e "Patrimônio", de Philip Roth, além de fazer releituras de Roland Barthes e Raimundo Faoro.
Lygia Fagundes Telles e o Nobel
Sobre a indicação da colega Lygia Fagundes Telles para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura, Ana Maria é toda elogios. "A Lygia merece tudo de bom. É uma grande autora, das grandes no mundo. Merece muito mais que uma indicação. Merecia já ter ganho. Como outros autores brasileiros também indicados, aliás. Este ano ou há mais tempo. Sei de outras instituições que indicaram outros nomes como Ferreira Gullar, Nélida Piñón, Rubem Fonseca. Ou antes, Drummond, Ariano Suassuna, João Cabral, Jorge Amado", diz.
No entanto, questiona o alarde feito em torno da indicação realizada pela União Brasileira dos Escritores (UBE). "Foi uma grande jogada de marketing da instituição, divulgando por toda parte como se fosse uma premiação. É apenas a indicação de um nome por uma instituição, entre centenas que se enviam todo ano à Academia Sueca. As universidades e associações de classe de todo o país, em várias instâncias, são convidadas a levantar nomes. E elas o fizeram, sendo que este ano a UBE sugeriu a Lygia , como sugerira o Moniz Bandeira anteriormente. Só espero que esse oba-oba em torno do nome dela não a prejudique, porque gostaria muito que ela ganhasse".
E se acredita que há realmente chances do prêmio vir para Lygia? "Não faço a menor ideia do que se passa na cabeça de quem decide isso".
O número caiu em minha cabeça e quase me machuca: o mundo produz um novo livro
—um título novo, milhares de exemplares de um título novo— a cada 15
segundos. São mais de dois milhões de títulos por anos; uma tiragem
média de 2.000 exemplares vira 4 bilhões de volumes que inundam o
planeta todos os anos, árvores caindo em profusão, uma chuva de livros
pior que o pior dos dilúvios, um tsunami de livros. Era, com certeza, mais do que o suficiente para me convencer a não escrever nunca mais —e, entretanto.
Todos caem na armadilha-livro: o livro é uma marca de prestígio.
Mesmo sendo tantos, mesmo sendo tão díspares, a categoria livro conserva
sua reputação: pensamos livro e pensamos em um objeto respeitável,
portador dos saberes que o mundo necessita. As categorias são
dissimuladas: pensamos livro e damos a todos o prestígio que alguns
poucos merecem. Caímos fácil na tentação de achar que o primeiro Dom Quixote e o último MasterChef
têm algo em comum —porque os dois sujam de tinta um bloco de papel
unidos pela lombada. E seus fabricantes, não faltava mais nada,
aproveitam a confusão: pedem condições especiais, melhoras impositivas,
privilégios que o prestígio do objeto livro supostamente justifica.
Reivindicam a importância cultural das elucubrações de Mariló Montero e Paulo Coelho, defendem o peso social do Horticultor Autossuficiente e o Manual Prático para Falar com os Mortos.
Mas existem livros que mudam sua vida. Ou, pelo menos, é isso que
dizem os “biblioterapeutas” da School of Life, uma instituição dirigida
em Londres pelo filósofo best-seller Alain de Botton.
“A vida é muito curta para ler livros ruins”, diz sua apresentação, “o
problema é que, com milhares de livros publicados, é difícil saber por
onde começar”. Eles querem guiá-lo e, para começar, explicam as
vantagens dos livros. Para mim, que nunca soube por que lia ou escrevia,
foi uma revelação atrás da outra —ou quase:
—que ler parece uma perda de tempo, mas na realidade é uma economia
enorme, porque apresenta conjuntos de fatos e emoções que você levaria
anos, séculos para viver;
—que ler é entrar em um simulador de vida que o leva a testar sem perigo todo tipo de situações e decidir o que lhe convém mais;
—que ler produz a magia de mostrar como os demais veem as coisas e
então mostra as consequências de suas ações e isso o faz, dizem, ser uma
pessoa melhor;
—que ler o faz sentir menos sozinho porque mostra que outros pensaram
as coisas estranhas que você pensa, que souberam colocar em palavras
que lhe descrevem ainda melhor do que você mesmo poderia;
—que ler o prepara para isso que a crueldade do mundo moderno chama
“fracassar”, mostrando a falsidade, a banalidade disso que o mundo chama
“sucesso”.
Para isso, dizem, não podemos tratar a leitura como um
entretenimento, um passatempo de férias, mas como um instrumento para
viver e morrer com mais sentido e sabedoria. Ou seja: uma terapia. A
biblioterapia, sua criação, consiste em conversar com o “paciente”,
escutar seus problemas, seus gostos, suas experiências de leitura e
recomendar-lhe três ou quatro livros que podem ajudá-lo melhor. Cada
consulta não custa mais do que 110 euros (383 reais) —uns cinco ou seis
livros. Mas ainda não existem estudos sobre sua eficácia; por enquanto
sabemos que a biblioterapia já chegou à França —e ameaça cruzar os
Pirineus.
Julio Cortázar, buscando livros em Paris. Pierre Boulat (Getty)
“A leitura
nos torna mais felizes e nos ajuda a enfrentar melhor a nossa
existência. Os leitores vivem mais contentes e satisfeitos do que os não
leitores, e são, em geral, menos agressivos e mais otimistas”. A
afirmação é dos responsáveis por uma análise efetuada recentemente pela Universidade de Roma III
a partir de entrevistas com 1.100 pessoas.
Aplicando índices como o da
medição da felicidade de Vennhoven e escalas como a Diener para medir o
grau de satisfação com a vida, os pesquisadores chegaram a essas
conclusões, que demonstram, como afirma Nuccio Ordine, autor do
manifesto A Utilidade do Inútil,
que “alimentar o espírito pode ser tão importante quanto alimentar o
corpo”. E que precisamos, bem mais do que se imagina, dessas
experiências e conhecimentos que não se traduzem em benefícios
econômicos.
Como nos sentimos e quais mudanças experimentamos ao mergulhar em uma
história? Há um efeito transformador? Os protagonistas das ficções nos
levam a que enxerguemos as nossas contradições e nossos desejos? Fazem
com que nos recordemos de coisas essenciais, talvez esquecidas?
A ciência possui cada vez mais recursos para responder a essas
perguntas. Artigos publicados em revistas especializadas expõem
resultados de ressonâncias magnéticas que revelam a alta conectividade
que se estabelece no sulco central do cérebro, região do motor sensorial
primário, e no córtex temporal esquerdo, área associada à linguagem,
enquanto lemos um livro e depois de acaba-lo.
O estresse se reduz e a inteligência emocional sai ganhando, assim
como o desenvolvimento psicossocial, o autoconhecimento e o cultivo da
empatia, segundo uma equipe de neurocientistas da Universidade de Emory,
em Atlanta, que monitoraram as reações de 21 estudantes durante 19 dias
seguidos. A leitura pode até mesmo alterar comportamentos por meio da
identificação com os protagonistas das histórias lidas, defende Keith
Oatley, romancista e professor de Psicologia Cognitiva da Universidade
de Toronto.
“É muito custoso, para nós, colocarmo-nos no lugar do outro no dia a
dia, mas quantas vezes já não nos colocamos na pele de um personagem de
romance? Criamos uma empatia com ele, e isso nos ajuda a compreender
melhor os sinais emitidos pelos outros”, argumenta Antonella Fayer,
psicóloga e coach especializada no desenvolvimento de
liderança, para quem “as lições sobre dilemas morais e emocionais que
encontramos na literatura são necessárias para todas as pessoas, e muito
especialmente para líderes e políticos, que estão convencidos de que
não têm tempo. Atuam, avaliam e fazem discursos, mas seria conveniente
para eles mesmos se conseguissem parar um pouco e fazer leituras para
melhorar a sua compreensão dos outros”, assinala Fayer, fazendo uma
alusão às palavras de Alan Brew, ex-editor do Financial Times: “Ler os grandes autores faz de você uma pessoa mais bem preparada para tomar decisões criativas, interessantes e educadas”.
O convencimento quanto aos benefícios gerados pela leitura é o que move a School of Life,
um centro londrino de biblioterapia que prescreve livros para ajudar na
superação de conflitos (rupturas, disputas...). Como diz o filósofo
Santiago Alba Rico, autor de Leer con niños
(Ler com crianças), um ensaio que estimula nos pais o prazer de
compartilhar histórias com seus filhos, a leitura, como a paixão, é um
“vício virtuoso”. Quando conhecemos o bem que ela nos proporciona, não
conseguimos deixar de praticá-la. Voltemo-nos, portanto, para a
literatura, como convidava Cortázar, “como se vai aos encontros mais
essenciais da existência, como se vai ao encontro do amor e às vezes da
morte, sabendo que fazem parte de um todo indissolúvel e que um livro
começa e termina muito antes e muito depois de sua primeira e de sua
última página”.