quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Histórias que acolhem e estimulam os pequenos

Por Lilian Saback

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Duas vezes por dia, uma equipe de voluntários entra na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Rio de Janeiro, para ler histórias para bebês prematuros. O hospital é referência para doenças infantis crônicas. E a iniciativa faz parte do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec), que desde 2001 desenvolve junto aos pacientes e familiares da instituição oito ações que têm como mola mestra a leitura de histórias. “O livro é a ligação do hospital com a realidade da qual as crianças estão afastadas em virtude do momento de internação”, explica a idealizadora e coordenadora do Napec, a pedagoga Magdalena Oliveira.
“Para os prematuros, os livros de contraste, aqueles de duas cores, principalmente em preto e branco, são muito importantes. Eles chamam a atenção dos bebês”, orienta a pedagoga. Segundo Madá, como é carinhosamente chamada pelas crianças do IFF, para os recém-nascidos a poesia, com a musicalidade das rimas e dos versos, é o gênero literário mais eficiente. A pediatra do IFF e diretora da SBP, Rachel Niskier, acrescenta que a leitura acalma: “As crianças às vezes dormem no meio da história, mas não é desinteresse, e sim porque há uma calma interna muito grande”.
O projeto conta com nove coordenadores, uma bibliotecária e 155 voluntários, divididos em dia e hora fixos (veja o quadro Multiplicadores do bem). A dedicação exigida é de 2,5 horas por semana. Eles estão aptos a colaborar depois de dois meses de treinamento para aprender a ler sem interromper a percepção da criança.
O trabalho dos leitores voluntários é feito em enfermarias, ambulatórios, salas de espera e, principalmente, na sala de leitura montada no segundo andar do IFF. No período de dezembro de 2013 a novembro de 2014, foram feitas 3.635 mediações pela equipe da pedagoga Madá.
Mãe de Otávio Henrique Mello, 6 meses, Ariane, 20 anos, se encanta com o projeto. “Eu leio, canto, conto histórias, peço livros emprestados. A leitura ajuda muito a mim e a ele”, conta. Mariane de Oliveira, mãe de Maria Alice, 1 ano, também aplaude a iniciativa. “Essencial para as crianças e para a gente também. Minha filha adora e pede para a gente ler um livro. Quando lê, ela gruda no livro”, diz.
A pequena Laura Leite Santos, 4 anos, fica agitada quando vê Madá pelos corredores da enfermaria do IFF. Toda animada conta: “Ontem, eu li uma história muito legal. O moço falou do Bob Esponja, que chama calça quadrada. Eu adoro história do Bob Esponja e de fada. Madá, lê uma história!”, pede a criança.
Multiplicadores do bem
A enfermeira Fabiana Santos Barbosa Cruz, 35 anos, conheceu o projeto quando a filha Stephany, que tinha fibrose cística, esteve internada no IFF. “Na primeira vez ela ficou desconfiada, mas depois se acostumou, não podia ver uma pessoa que falava ‘hitorinha, hitorinha’. Todo mundo que passava ela queria que lesse histórias. Ela era apaixonada pelo hábito da leitura e qualquer livro que via queria que contassem histórias. É uma iniciativa maravilhosa. Esse projeto é lindo! É muito bom para as crianças.”
Stephany morreu há seis anos, quando tinha 3,5 anos, e, agora, Fabiana passa os dias no hospital trabalhando como voluntária. Das lembranças da filha, recolhe elementos que permitem a expressão de carinho e cuidado na hora de ler. “Tem um livro que ela gostava muito: Menina Bonita do Laço de Fita. Os olhos dela brilhavam quando via o livro. Hoje eu leio esse livro para as crianças e até me emociono porque lembro dela. Não sei se era por causa do laço de fita, não sei se porque a menina era negra. Não sei o que chamava tanto a atenção dela, mas ela gostava desse livro. Afinal, todas as crianças, bebês, gostam de livros.”.
Essa é uma campanha da Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e Fundação Itaú Social.

Receite um livro

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Os primeiros anos da vida de uma criança são fundamentais para seu desenvolvimento. É nesse período que a formação de conexões cerebrais é mais propícia. Além disso, há cada vez mais evidências de que a arquitetura do cérebro é construída a partir das experiências vivenciadas. Por isso, é muito importante oferecer cuidado, afeto e estímulos o mais cedo possível à criança, até mesmo durante a gestação, para que ela possa desenvolver de forma plena habilidades como pensar, falar e aprender.
Um dos principais estímulos que pais e cuidadores podem oferecer à criança desde a gestação até os 6 anos é a leitura. Ela é tão importante que se tornou uma recomendação médica no exterior e no Brasil.
O objetivo da campanha “Receite um Livro” é mobilizar os médicos pediatras a estimularem a leitura parental para – e com – as crianças de zero a seis anos como forma de promover o desenvolvimento infantil integral.
Como parte da campanha serão distribuídas aos pediatras a publicação “Receite um livro: Fortalecendo o desenvolvimento e o vínculo”, que traz conteúdo atualizado e baseado em evidências científicas sobre os impactos da leitura no desenvolvimento infantil, bem como orientações de como incluir o estímulo à leitura na prática clínica.
Juntamente com a publicação, os pediatras ganharão um kit de livros do Programa Itaú Criança. Essa é uma iniciativa que distribui livros gratuitamente para famílias por meio do site:www.itau.com.br/crianca.
Os pediatras também receberão por um ano newsletters bimestrais “Receite um livro”, com exemplos de profissionais e/ou instituições que já realizam o estímulo à leitura em sua rotina, dicas de acesso à livros, conteúdo científico, entre outras informações relevantes sobre o tema.
Essa campanha é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria, em parceria com a Fundação Itaú Social e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. 


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Qual a diferença entre ler para a criança e deixá-la ver uma história em vídeo?

Por Equipe Instituto Alfa e Beto

 

Pare e pense por um minuto: nas últimas semanas, quantas vezes você leu uma história para uma criança e quantas vezes você optou por colocar um vídeo em DVD ou na internet para ela? Se a frequência for maior na segunda opção, recomendamos que você pare mais alguns minutos para ler este texto.
Um estudo publicado em agosto no periódico Pediatrics (uma das principais publicações sobre Primeira Infância do mundo) mostrou como o cérebro das crianças reage ao escutar uma história. Com ajuda de ressonância magnética, os pesquisadores conseguiram observar que ao escutar um adulto lendo, crianças de 3 a 5 anos de idade ativavam uma parte do cérebro voltada à integração multissensorial, que integra som e estimulação visual. Isso significa que elas conseguiam ver a história dentro de suas cabeças, mesmo que durante o teste elas estivessem apenas escutando a leitura e sem poder ver as ilustrações.
Segundo o autor principal da pesquisa, John S. Hutton, pesquisador clínico do Centro Médico Hospitalar Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, os níveis diferentes de ativação cerebral sugerem que crianças com mais prática nacriação dessas imagens mentais podem desenvolver habilidades que as ajudarão mais tarde a compor histórias a partir de palavras. “Isso as auxilia a compreender qual é a aparência das coisas e pode ajudar na transição a livros sem ilustrações. Vai ajudá-las posteriormente a serem leitores melhores porque desenvolveram aquela parte do cérebro que as auxilia a ver o que está acontecendo na história.”
De acordo com Hutton, enquanto as crianças estão escutando uma história elas imaginam as cenas, coisa que não acontece quando elas estão assistindo a um vídeo. “Elas não precisam imaginar a história, ela está simplesmente sendo apresentada para elas”, defende. A diferença estaria principalmente no tipo de linguagem usada nas histórias lidas e nos filmes e desenhos animados. Quando lemos, fazemos uso de palavras que não usamos no cotidiano ao falarmos com uma criança. E o vocabulário dos vídeos tende a ser mais oralizado, excluindo certas palavras e formas gramaticais. Se ficarem apenas ligadas ao que é dito nas telas, as crianças perderão a oportunidade de criar novas conexões cerebrais.
Ainda que alguns programas possam oferecer conteúdo educativo, nenhuma animação ou desenho poderá substituir o impacto positivo no cérebro da criança causado pela leitura em voz alta realizada por um adulto. A leitura revela novas palavras, que ajudam a compor as bases de aprendizagem de cada pessoa. Quando mais cedo esse hábito for desenvolvido, melhor será o impacto ao longo da vida.
 Fonte:  Instituto Alfa e Beto 

O que as crianças aprendem com as histórias infantis?

Por Equipe Instituto Alfa e Beto


Como uma criança entende que a lagarta pode se transformar em borboleta, mas que um sapo não pode virar um príncipe encantado de verdade? De acordo com uma pesquisa publicada no início deste ano, no periódico científico Child Development, essa capacidade começa a se desenvolver bem cedo, por volta dos 3 anos de idade, e está ligada à leitura realizada em casa e na Educação Infantil. Segundo o estudo, os pequenos conseguem entender a diferença entre o que é real e o que é fantasia e conseguem, ainda, aprender informações das histórias para usar em sua vida cotidiana antes mesmo de entrar na escola.
O estudo assinado pelas pesquisadoras Caren M. Walker, Alison Gopnik (Universidade da California, Berkeley) e Patricia A. Ganea (Universidade de Toronto) mostra que a ficção oferece importantes oportunidades para as crianças aprenderem informações que elas não podem experimentar diretamente – especialmente no que diz respeito a fenômenos não observáveis.
As histórias nos ajudam, desde muito cedo, a compreender o mundo que nos cerca. Quando os adultos leem uma ficção, o cérebro realiza um duplo esforço, que é chamado pelas pesquisadoras de “dilema do leitor”: ele tenta separar a histórias em partes para isolar os conhecimentos que pertencem ao mundo real das informações falsas, mas, ao mesmo tempo, tenta incorporar os conteúdos da história para aplicar no mundo real. O mais interessante é saber que esse movimento cerebral complexo começa antes da alfabetização.
No entanto, a ficção infantil varia consideravelmente: muitas histórias são descrições realistas do mundo, enquanto outras são altamente irreais e fantásticas. Como resultado, aprender com histórias representa um desafio único para as crianças em desenvolvimento. Conforme elas vão envelhecendo, explica a pesquisa, essa diferenciação vai aumentando e elas vão ficando mais capazes de usar informações das histórias em suas vidas. Essa capacidade se desenvolve significativamente na Primeira Infância (primeiros 6 anos de vida), assim como aumenta a capacidade de distinguir entre eventos possíveis e eventos impossíveis.
A pesquisa mostra ainda que quanto maior a semelhança entre a imagem mostrada em um livro infantil e um objeto real, mais simples é para a criança distinguir entre os dois. Assim, elas são menos propensas a transferir informações para suas vidas a partir de livros de histórias fantasiosas, com representações que atribuem características humanas e estados mentais a personagens animais, por exemplo, do que fazê-lo com histórias mais realistas. Para elas é mais fácil absorver conteúdos de histórias que representam situações plausíveis do que de histórias em que pessoas voam ou árvores falam, por exemplo.
Embora os resultados demonstrem que os contextos realistas facilitam a absorção de informações, não se pode dizer, de modo algum, que a ficção fantasiosa é prejudicial para o desenvolvimento infantil. Pelo contrário. Pesquisas comprovam que a fantasia pode melhorar o desempenho das crianças em tarefas cognitivas, como avanços no raciocínio dedutivo, na lógica e nas habilidades linguísticas e de narrativa. Ou seja, todos os livros trazem benefícios para as crianças e contribuem e muito para o seu desenvolvimento.
Agora que você já sabe como as crianças assimilam as histórias e por que elas são importantes para o desenvolvimento infantil, que tal organizar uma rotina de leitura na Educação Infantil e em casa? A seguir, indicamos alguns livros, divididos por idade. São recomendações extraídas do nosso Guia IAB de Leitura, com referências de 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola. Neste livro on-line você poderá encontrar muitas outras sugestões, não deixe de conferir. Boas histórias não vão faltar!

0 a 1 ano
  • A casa dos beijinhos, Claudia Bielinsky, Ed. Companhia das Letrinhas
  • Carneirinho, carneirão, Marie-Hélèbe Grégoire, Ed. Salamandra
  • Zoom, Istvan Banyai, Ed.Brinque-Book
A partir de 1 ano
  • A girafa que cocoricava, Keith Faulkner, Ed. Companhia das Letrinhas
  • As coisas que eu gosto, Ruth Rocha e Doa Lorch, Ed. Salamandra
  • Filó e Marieta, Eva Furnari, Ed. Paulinas
A partir de 2 anos
  • A borboleta, Taisa Borges, Ed. Peirópolis
  • A caixa de lápis de cor, Maurício Veneza, Ed. Positivo
  • Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault, Ed. Companhia das Letrinhas
 A partir de 3 anos
  • A fantástica máquina dos bichos, Rith Rocha, Ed. Salamandra
  • 12 fábulas de Esopo, Hans Gärtner, Ed. Ática
  • Alice no país da poesia, Elias José, Ed. Peirópolis
 A partir de 4 anos
  • A árvore que dava sorvete, Sérgio Capparelli, Ed. Projeto
  • A centopeia que pensava, Herbert de Souza, Ed. Salamandra
  • O menino que vendia palavras, Ignácio de Loyola Brandão, Ed. Objetiva
A partir de 5 anos
  • A guerra dos bichos, Luiz Carlso Albuquerque, Ed. Brinque-Book
  • O menino, o cofrinho e a vovó, Cora Coralina, Ed. Global
  • Coleção Érico Veríssimo, Érico Veríssimo com ilustração de Eva Funari, Ed. Companhia das Letrinhas

Orientações sobre como ler para bebês e crianças pequenas

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Leitura para bebês e crianças pequenas: isso faz sentido? As evidências dizem que sim. A leitura deve ser um hábito a ser formado da mesma maneira que ensinamos as crianças a comer, dormir, tomar banho. Ler na Primeira Infância ajuda no desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, no sucesso escolar. Mas como ler para crianças que ainda não foram alfabetizadas ou nem sequer aprenderam a falar?
Reunimos algumas orientações a seguir. Elas fazem parte da cartilha Primeira Infância, Primeiras Leituras, elaborada pelo IAB para ajudar pais e cuidadores a lerem para bebês e crianças pequenas:
Como ler?
Leia conversando: leitura deve ser envolvente, interativa. Deixei que a criança pegue o livro, vire as páginas, leve à boca. Estimule que a criança observe as imagens e, aos poucos, as palavras também.
Durante a leitura, faça perguntas e observações. Dê um tempo para a criança observar e pensar. Converse antes e depois da leitura: “como será esse livro?”, “o que será que vai acontecer nessa história?”, “do que mais você gostou?”.
Quando ler?
Leia sempre que a criança pedir e estabeleça um ou dois horários em que você vai ler com a criança todos os dias. É assim se forma o hábito. Na hora do banho, da soneca ou na hora de dormir são algumas sugestões. Mulheres grávidas também podem exercitar a leitura com seus bebês. Leia seus poemas favoritas, cante cantigas, converse com ele.
Onde ler?
Não existe desculpa para não ler. Você pode ler com as crianças em casa (no sofá, na cama, na sala), nos momentos de espera (no ônibus, na sala de espera), na rua (estimule a criança a observar sinais, letreiros, cartazes) e até mesmo durante as compras (observando rótulos de produtos).
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Agora que você já sabe que ler para os pequenos é importante e já sabe como iniciar essa atividade, não perca mais tempo! Comece hoje mesmo a desenvolver o hábito da leitura com as crianças ao seu redor.
(Na imagem acima, o pequeno Murilo manuseia a Coleção Pequenos Leitores)