quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O que as crianças aprendem com as histórias infantis?

Por Equipe Instituto Alfa e Beto


Como uma criança entende que a lagarta pode se transformar em borboleta, mas que um sapo não pode virar um príncipe encantado de verdade? De acordo com uma pesquisa publicada no início deste ano, no periódico científico Child Development, essa capacidade começa a se desenvolver bem cedo, por volta dos 3 anos de idade, e está ligada à leitura realizada em casa e na Educação Infantil. Segundo o estudo, os pequenos conseguem entender a diferença entre o que é real e o que é fantasia e conseguem, ainda, aprender informações das histórias para usar em sua vida cotidiana antes mesmo de entrar na escola.
O estudo assinado pelas pesquisadoras Caren M. Walker, Alison Gopnik (Universidade da California, Berkeley) e Patricia A. Ganea (Universidade de Toronto) mostra que a ficção oferece importantes oportunidades para as crianças aprenderem informações que elas não podem experimentar diretamente – especialmente no que diz respeito a fenômenos não observáveis.
As histórias nos ajudam, desde muito cedo, a compreender o mundo que nos cerca. Quando os adultos leem uma ficção, o cérebro realiza um duplo esforço, que é chamado pelas pesquisadoras de “dilema do leitor”: ele tenta separar a histórias em partes para isolar os conhecimentos que pertencem ao mundo real das informações falsas, mas, ao mesmo tempo, tenta incorporar os conteúdos da história para aplicar no mundo real. O mais interessante é saber que esse movimento cerebral complexo começa antes da alfabetização.
No entanto, a ficção infantil varia consideravelmente: muitas histórias são descrições realistas do mundo, enquanto outras são altamente irreais e fantásticas. Como resultado, aprender com histórias representa um desafio único para as crianças em desenvolvimento. Conforme elas vão envelhecendo, explica a pesquisa, essa diferenciação vai aumentando e elas vão ficando mais capazes de usar informações das histórias em suas vidas. Essa capacidade se desenvolve significativamente na Primeira Infância (primeiros 6 anos de vida), assim como aumenta a capacidade de distinguir entre eventos possíveis e eventos impossíveis.
A pesquisa mostra ainda que quanto maior a semelhança entre a imagem mostrada em um livro infantil e um objeto real, mais simples é para a criança distinguir entre os dois. Assim, elas são menos propensas a transferir informações para suas vidas a partir de livros de histórias fantasiosas, com representações que atribuem características humanas e estados mentais a personagens animais, por exemplo, do que fazê-lo com histórias mais realistas. Para elas é mais fácil absorver conteúdos de histórias que representam situações plausíveis do que de histórias em que pessoas voam ou árvores falam, por exemplo.
Embora os resultados demonstrem que os contextos realistas facilitam a absorção de informações, não se pode dizer, de modo algum, que a ficção fantasiosa é prejudicial para o desenvolvimento infantil. Pelo contrário. Pesquisas comprovam que a fantasia pode melhorar o desempenho das crianças em tarefas cognitivas, como avanços no raciocínio dedutivo, na lógica e nas habilidades linguísticas e de narrativa. Ou seja, todos os livros trazem benefícios para as crianças e contribuem e muito para o seu desenvolvimento.
Agora que você já sabe como as crianças assimilam as histórias e por que elas são importantes para o desenvolvimento infantil, que tal organizar uma rotina de leitura na Educação Infantil e em casa? A seguir, indicamos alguns livros, divididos por idade. São recomendações extraídas do nosso Guia IAB de Leitura, com referências de 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola. Neste livro on-line você poderá encontrar muitas outras sugestões, não deixe de conferir. Boas histórias não vão faltar!

0 a 1 ano
  • A casa dos beijinhos, Claudia Bielinsky, Ed. Companhia das Letrinhas
  • Carneirinho, carneirão, Marie-Hélèbe Grégoire, Ed. Salamandra
  • Zoom, Istvan Banyai, Ed.Brinque-Book
A partir de 1 ano
  • A girafa que cocoricava, Keith Faulkner, Ed. Companhia das Letrinhas
  • As coisas que eu gosto, Ruth Rocha e Doa Lorch, Ed. Salamandra
  • Filó e Marieta, Eva Furnari, Ed. Paulinas
A partir de 2 anos
  • A borboleta, Taisa Borges, Ed. Peirópolis
  • A caixa de lápis de cor, Maurício Veneza, Ed. Positivo
  • Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault, Ed. Companhia das Letrinhas
 A partir de 3 anos
  • A fantástica máquina dos bichos, Rith Rocha, Ed. Salamandra
  • 12 fábulas de Esopo, Hans Gärtner, Ed. Ática
  • Alice no país da poesia, Elias José, Ed. Peirópolis
 A partir de 4 anos
  • A árvore que dava sorvete, Sérgio Capparelli, Ed. Projeto
  • A centopeia que pensava, Herbert de Souza, Ed. Salamandra
  • O menino que vendia palavras, Ignácio de Loyola Brandão, Ed. Objetiva
A partir de 5 anos
  • A guerra dos bichos, Luiz Carlso Albuquerque, Ed. Brinque-Book
  • O menino, o cofrinho e a vovó, Cora Coralina, Ed. Global
  • Coleção Érico Veríssimo, Érico Veríssimo com ilustração de Eva Funari, Ed. Companhia das Letrinhas

Orientações sobre como ler para bebês e crianças pequenas

leitura bebes 2

Leitura para bebês e crianças pequenas: isso faz sentido? As evidências dizem que sim. A leitura deve ser um hábito a ser formado da mesma maneira que ensinamos as crianças a comer, dormir, tomar banho. Ler na Primeira Infância ajuda no desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, no sucesso escolar. Mas como ler para crianças que ainda não foram alfabetizadas ou nem sequer aprenderam a falar?
Reunimos algumas orientações a seguir. Elas fazem parte da cartilha Primeira Infância, Primeiras Leituras, elaborada pelo IAB para ajudar pais e cuidadores a lerem para bebês e crianças pequenas:
Como ler?
Leia conversando: leitura deve ser envolvente, interativa. Deixei que a criança pegue o livro, vire as páginas, leve à boca. Estimule que a criança observe as imagens e, aos poucos, as palavras também.
Durante a leitura, faça perguntas e observações. Dê um tempo para a criança observar e pensar. Converse antes e depois da leitura: “como será esse livro?”, “o que será que vai acontecer nessa história?”, “do que mais você gostou?”.
Quando ler?
Leia sempre que a criança pedir e estabeleça um ou dois horários em que você vai ler com a criança todos os dias. É assim se forma o hábito. Na hora do banho, da soneca ou na hora de dormir são algumas sugestões. Mulheres grávidas também podem exercitar a leitura com seus bebês. Leia seus poemas favoritas, cante cantigas, converse com ele.
Onde ler?
Não existe desculpa para não ler. Você pode ler com as crianças em casa (no sofá, na cama, na sala), nos momentos de espera (no ônibus, na sala de espera), na rua (estimule a criança a observar sinais, letreiros, cartazes) e até mesmo durante as compras (observando rótulos de produtos).
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Agora que você já sabe que ler para os pequenos é importante e já sabe como iniciar essa atividade, não perca mais tempo! Comece hoje mesmo a desenvolver o hábito da leitura com as crianças ao seu redor.
(Na imagem acima, o pequeno Murilo manuseia a Coleção Pequenos Leitores)

Promoção da leitura: componente essencial na Primeira Infância

Por Equipe Instituto Alfa e Beto



Nunca é cedo demais para começar a ler para e com as crianças. A leitura é um hábito que desde a gestação já produz efeitos no bebê em crescimento e poderá fazer toda a diferença na vida acadêmica futura dele.
São fortes as evidências que apontam para a importância da leitura. De acordo com pesquisas recentes, por volta dos 36 meses (3 anos) uma criança criada numa família com nível socioeconômico mais elevado tem um vocabulário 3 vezes maior do que outra criada em lares pobres: 1.200 versus 400 palavras, respectivamente. As pesquisas apontam que essa criança que fala 1.200 palavras ouviu cerca de 50 milhões de palavras, cerca de 40 milhões A MAIS do que a criança que só fala 400 palavras. Ou seja, ouvir histórias desde a mais tenra idade pode ajudar a diminuir essa diferença, principalmente em lares menos favorecidos.
Diante dessas e de outras evidências, diversas instituições e organizações vêm trabalhando duro para promover a leitura desde o berço. Nesta última quinta-feira foi a vez da Academia Americana de Pediatria publicar diretrizes recomendando fortemente que os pediatras aconselhem os pais a lerem para seus bebês. A recomendação é histórica: é a primeira vez que Academia se pronuncia sobre o assunto. De acordo com as novas diretrizes, os pediatras serão orientados a recomendar aos pais que façam leituras diárias com seus filhos pequenos.
Mas, afinal, qual o segredo da leitura? São dois. O primeiro tem a ver com os livros – eles são escritos com uma linguagem mais parecida com a linguagem da escola. A criança amplia o vocabulário e se habitua a estruturas sintáticas mais complexas. Segundo, livro é um excelente veículo para promover a interação entre adultos e crianças, pais e filhos. A mistura dos dois ingredientes – livros e interações – torna a vacina mais potente. Brincar e conversar também ajudam, mas conversar com livros e em torno de livros ajuda ainda mais.
Desde sua fundação, o IAB trabalha para promover políticas e práticas de leitura desde o berço. Uma das nossas ações é o Guia IAB de Leitura, que traz 600 títulos indicados para crianças de 0 a 6 anos de idade, e a Cartilha Primeira Infância, Primeiras Leituras, que ajudam pais a cuidadores a lerem para bebês e crianças pequenas. Além disso, como parte das atividades da Universidade da Primeira Infância, o grupo de coaches do Instituto trabalha capacitando pais em diversos municípios para exercitarem a leitura com seus filhos pequenos.
Em 2010, o IAB organizou o seminário internacional Leitura desde o berço: políticas sociais integradas para a Primeira Infância, que trouxe ao Brasil especialistas estrangeiros no assunto cujas apresentações foram registradas em uma publicação de mesmo nome. Mais recentemente, o IAB organizou em parceria com pesquisadores da Universidade de Nova York um ciclo de palestras em Boa Vista (RR), no âmbito do Programa Família que Acolhe, e deu início a um projeto de pesquisa que vai mensurar o impacto no desenvolvimento das crianças da leitura feita pelos pais.

Fonte: Instituto Alfa e Beto

Pesquisa mostra impacto da leitura no cérebro das crianças

Por Equipe Instituto Alfa e Beto



Ler para crianças durante a Primeira Infância é importante para seu desenvolvimento educacional – e essa é uma prática que vem sendo cada vez mais incentivada pelas entidades da área, sendo uma das prioridades do Instituto Alfa e Beto.
Um novo estudo vem reforçar essa recomendação e revela qual é o efeito da leitura no cérebro dos pequenos. A pesquisa foi lançada há duas semanas pela Pediatric Academic Societies, dos Estados Unidos, e mostra que quanto mais cedo os bebês têm contato com a leitura, mais seus cérebros desenvolverão conexões neurais relacionadas ao entendimento da linguagem.
Isso significa, segundo os pesquisadores, que o efeito positivo da leitura para a compreensão da linguagem e expansão do vocabulário é equivalente ao ensino de regras de sintaxe, que acontece nas aulas de gramática. Mais uma prova de que a leitura para bebês influencia diretamente na alfabetização dos pequenos na idade certa.
Para realizar a pesquisa, os estudiosos analisaram entrevistas concedidas por 19 famílias com filhos na pré-escola, sendo 40% delas de baixa renda. Nos questionários, os pais precisaram falar sobre sua rotina de leitura com as crianças, incluindo a idade com que os pequenos foram apresentados aos livros e o conteúdo da leitura a que foram expostos.
Em seguida, neurologistas analisaram o comportamento cerebral das 19 crianças enquanto elas escutavam uma história. Os exames constataram que a atividade na parte do cérebro responsável pela compreensão da linguagem era mais intensa nas crianças que tiveram contato com a leitura mais cedo e com maior frequência.
John S. Hutton, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, acredita que a descoberta vai auxiliar pesquisas futuras para, em breve, responder a questões como por quanto tempo e com que frequência é necessário ler para as crianças pequenas.
A pesquisa foi tema de uma reportagem recente da revista americana Time. Consulte também a pesquisa completa (ambos em inglês).

Leitura para e com as crianças: da gestação aos 5 anos

Por Equipe Instituto Alfa e Beto


Criar o hábito de leitura em família é uma forma especial de estabelecer relações e fortalecer laços afetivos. Além das conversas entre pais e filhos, a leitura realizada em família é comprovadamente responsável por melhorar o desempenho escolar das crianças. Mas isso não significa que você precisa esperar até a criança ingressar na escola para começar a ler com ela. Pelo contrário. Quem lê para os bebês garante a eles um vocabulário maior.
Uma pesquisa recente realizada por pesquisadores das universidades do Estado da Pensilvânia, Califórnia Irvine e Columbia (as três nos Estados Unidos) mostrou que crianças que conheciam mais palavras aos dois anos de idade estavam mais bem preparadas, tanto no âmbito acadêmico quanto de comportamento, quando chegaram à pré-escola. Elas registraram melhores resultados em leitura e matemática, mais autocontrole e menos problemas de ansiedade. Ou seja, quanto antes a leitura começar, melhor.
Por mais que exista boa vontade da família em ler para as crianças na Primeira Infância, muitas vezes há dúvidas sobre como isso deve ser feito, principalmente quando se trata de bebês bem pequenos. Para ajudar nessa interação, nós elaboramos uma lista de como fazer a leitura para as crianças, desde a gravidez (sim, os bebês entendem a leitura quando ainda estão dentro da barriga!) até os 5 anos de idade. Mas atenção: não significa que depois dos 5 anos o hábito deve ser deixado de lado. Ele apenas vai ganhar reforço e complemento com o apoio dos educadores.

Durante a gestação
  • Leia seus livros preferidos, de preferência em voz alta.
  • Cante cantigas, recite poemas e converse com o bebê enquanto acaricia a barriga.
Primeiros três meses de vida
  • Aproveite momentos da rotina, como a hora do banho e da amamentação, para contar histórias, caprichando na entonação.
  • Peça a participação de todos na família. A leitura não é uma prática que deve ser feita apenas pela mãe. Pais, avós, tios e irmãos podem ajudar. Se houver outra criança em casa, peça que ela leia seus livros preferidos para o bebê – isso vai incentivar o aprendizado dos dois. 
De 3 a 12 meses de vida
  • Quando a criança já começa a desenvolver mais controle dos movimentos e consegue segurar objetos leves, você já pode entregar livros nas mãos dela. Há opções emborrachadas e com cantos arredondados que podem ser manuseadas por bebês sem riscos de acidentes, inclusive na hora do banho.
  • Leia apontando as figuras e as palavras para a criança. Assim ela vai criar associação entre aquela imagem e a palavra que está escutando.
  • Após os seis meses, quando o bebê já pode consumir outros alimentos além do leite materno, aproveite enquanto ele come para contar histórias.
  • Nessa fase, os livros preferidos das crianças são aqueles que mostram fotos de outros bebês e também livros que mostram expressões faciais, sorrisos e choros, por exemplo.
Dos 12 aos 24 meses de vida
  • Livros com objetos familiares, como brinquedos e alimentos, são os preferidos nessa fase. As crianças também gostam de histórias que contem rotinas do dia, como uma visita na casa dos avós e cenas familiares.
  • Quando estiver na rua, também incentive a leitura. Aponte imagens, letras e palavras e peça para ela tentar adivinhar.
  • Não force a criança a ler. Leia enquanto ela está interessada, mesmo que seja por alguns minutos todos os dias. Aos poucos, vá aumentando o tempo de leitura.
 Dos 24 aos 36 meses de vida
  • Apresente livros com mais de uma palavra por página.
  • Leia nos momentos de espera, como no ponto de ônibus ou na recepção de um hospital. Crianças nessa fase são inquietas, a leitura vai ajudá-las a se concentrar.
  • Apresente histórias com rimas e onomatopeias e peça para a criança reproduzir os sons.
  • Leia preferencialmente histórias engraçadas, pois nessa fase as crianças já estão desenvolvendo o senso de humor.
Dos 3 aos 5 anos de idade
  • Introduza narrativas mais complexas, como contos, fábulas e roteiros de aventura. Histórias da Bíblia também podem ser adaptadas para que a criança compreenda o texto.
  • Não leia apenas livros. Jornais, revistas e capas de DVDs com o resumo da história também podem despertar o interesse.
  • Peça para que a criança leia a história para você. Diga para ela caprichar na fala.

Para todas as idades
  • Leia todos os dias. Esse é um hábito que a gente cria, assim como sentar para almoçar, escovar os dentes e deitar para dormir.
  • Leia várias vezes a mesma história. Ao contrário dos adultos, as crianças gostam de escutar as mesmas histórias diversas vezes. Com isso, elas desenvolvem a compreensão do contexto.
  • Pergunte para a criança quais são suas histórias favoritas e leia para elas.
  • Quando ler histórias repetidas, peça para a criança ajudar a contá-la, pois ela já vai conhecer o enredo. Mesmo assim, coloque emoção na leitura, como se fosse a primeira vez.
  • Apresente livros novos. Não é porque a criança gosta de uma história que você só vai ler aquela. Diga “vamos ler algo novo? Depois nós lemos sua história”, e combine com ela quando isso será feito. E, é claro, cumpra o que prometeu.

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Quer saber mais sobre como ler para crianças? Faça o download da cartilhaPrimeira Infância, Primeiras Leituras.
Quer saber quais livros ler para as crianças? Confira o Guia IAB de Leitura, com os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola
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