quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Observatório de Educação da CNI faz lista com 15 dicas para incentivar leitura entre crianças

Hábitos podem ser adotados nas famílias mesmo antes da alfabetização. No Brasil, menos da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental leem adequadamente.

O início do ano letivo é o momento ideal para planejar novos hábitos entre os estudantes. Uma boa ideia para os pais é desenvolver atividades nas próprias famílias para promover a leitura entre as crianças. Isso porque ela estimula a criatividade e a imaginação; favorece novas aprendizagens; e contribui para que a criança amplie o seu vocabulário, adquira cultura, melhore a escrita, e desenvolva a capacidade crítica. Além disso, a leitura melhora o desempenho da criança na escola, por ser fundamental em todas as disciplinas. Se uma criança não souber ler e interpretar um problema matemático, por exemplo, com certeza, enfrentará dificuldades.

“Do ponto de vista do desenvolvimento, a criança deve se alfabetizar até no máximo oito anos de idade. Esse é o momento ideal. Se não estiver alfabetizada até esse momento, ela, muito provavelmente, começará a enfrentar dificuldades na escola”, afirma a especialista do Observatório Educacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ana Luiza Amaral. Assista a entrevista abaixo: 



REALIDADE BRASILEIRA – Dados de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam que 49% dos estudantes brasileiros na faixa dos 15 anos apresentam baixo desempenho em leitura. Nesse mesmo sentido, estudo realizado pelo Movimento Todos pela Educação evidenciou que apenas 44,5% das crianças que concluíram o 3º ano do ensino fundamental apresentam uma aprendizagem adequada em leitura (Prova ABC, 2012). Na opinião de Ana Luiza Amaral, “o alcance da meta 5 assumida pelo Governo Brasileiro, no Plano Nacional de Educação (PNE), de garantir, nos próximos 10 anos, a alfabetização de todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental, é muito importante para reverter esse quadro”.

A leitura precisa se tornar um hábito e, para isso, é preciso que ela faça parte da rotina da família. Para ajudar pais, Ana Luiza Amaral, que é doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), sugere algumas estratégias que podem ser adotadas antes, durante e depois da alfabetização. Confira abaixo:

Menina lendo com a mãe
Além de ler, os pais podem conversar com a criança sobre a história
ANTES DA ALFABETIZAÇÃO

1.    É fundamental possibilitar à criança entrar em contato com os livros desde cedo. A criança pequena precisa brincar, manusear, tocar o livro. Hoje, as editoras oferecem uma infinidade de livros diferenciados com material apropriado para essa idade, como livros de plástico, com texturas diferentes, maleáveis e coloridos. É importante que os pais levem as crianças a bibliotecas, feiras de livros, bancas de jornais, espaços onde a criança possa ter contato com os livros. 
2.    Perceber o interesse dos adultos em relação à leitura favorece o interesse da criança. Se os pais gostam de ler e têm esse hábito, o comportamento influencia a criança e contribui para que ela também desenvolva o gosto pela leitura.
3.    É essencial ler para as crianças. O interesse pela leitura começa nesse vínculo, nessa troca. A criança entra no universo das histórias, se envolve, se encanta e começa a desenvolver o desejo de se apropriar da leitura, de se tornar um leitor.
4.    Além de ler, é muito importante conversar com a criança sobre a história. Perguntar sobre o que ela entendeu, sobre qual personagem gostaria de ser, se ela daria um final diferente. Ler é muito mais do que decodificar, dar um som para letras, ler é construir sentido, é encontrar significado. Ao conversar sobre o que leu, a criança pensa, reflete, e desenvolve a sua capacidade de compreensão.
5.    Os livros devem ser organizados em um local de fácil acesso para as crianças, como em baús ou estantes baixas, que possibilitem a sua busca, quando elas quiserem. Os livros devem ficar como “doces”, disponíveis para serem saboreados a qualquer momento.

Menino cozinhando
É importante promover atividades que envolvam a leitura, como a culinária
DURANTE A ALFABETIZAÇÃO

1.    Incentivar a leitura em conjunto: a criança lê uma parte e os pais, outra, até que ela tenha fluência para ler um livro inteiro sozinha. 
2.    No início do aprendizado da leitura, oferecer livros com muitas imagens e pouca escrita e, aos poucos, ir aumentando a quantidade de escrita conforme o desenvolvimento da criança. Quando a criança tem um desafio para além do que está preparada, pode ficar desestimulada. É importante oferecer livros de acordo com a faixa etária da criança e com seu nível de leitura.
3.    Incentivar a criança a ler nos jornais temas do seu interesse. Existem cadernos especiais para as crianças.
4.    Estimular a leitura para além dos livros, jornais e revistas. Chamar a atenção da criança para placas, outdoors, para tudo que está a sua volta. Mostrar a importância da leitura para a compreensão do mundo.
5.    Promover atividades que envolvam a leitura. Por exemplo, a culinária. Incentivar a criança a ler a receita e fazer junto com ela algo que goste muito como brigadeiro ou bolo. É importante que a leitura seja algo prazeroso e não uma obrigação.

Menina escrevendo livro
Deve-se estimular a criança a inventar histórias e criar os próprios livros
DEPOIS DA ALFABETIZAÇÃO
1.    Mesmo depois de a criança aprender a ler, os pais devem continuar lendo para ela, pois a troca afetiva que se estabelece no contato com os livros favorece o envolvimento com a leitura.
2.    É interessante estimular a criança a inventar histórias e criar os próprios livros.
3.    Incentivar a troca de livros entre amiguinhos, primos, vizinhos da criança para favorecer o contato com uma diversidade maior de títulos.
4.    Familiarizar a criança com diferentes gêneros literários.
5.    Dosar o tempo de leitura para não sobrecarregar a criança e deixar sempre um gostinho de quero mais.

Edição de texto: Ismália Afonso
Vídeo: Aerton Guimarães e José Paulo Lacerda
Ilustrações: Daniel Castro
Da Agência CNI de Notícias

Pediatra dá dicas de como exercitar a leitura em cada fase da infância

Por Dr. Mário Roberto Hirshheimer - Presidente da SPSP Fonte:Pediatra Orienta - SPSP


As experiências vivenciadas pelas crianças têm grande influência no seu desenvolvimento. Tudo o que as crianças experimentam no mundo externo (vivências e estímulos cognitivos, sensoriais e afetivos) desempenham um papel em sua constituição como indivíduos. Uma importante vivência é ler para elas. A leitura é tão importante, que “receitar livros” se tornou uma recomendação médica.
receite_um_livro
A campanha Receite um livro é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria, em parceria com a Fundação Itaú Social e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
Benefícios da leitura na primeira infância:
• Fortalece o vínculo com quem lê para ela (pais, familiares ou cuidadores).
• Desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio.
• Estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade.
• Ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções.
• Auxilia no desenvolvimento da empatia (a capacidade de colocar-se no lugar do outro).
• Ajuda a minimizar problemas comportamentais, como agressividade, hiperatividade e comportamento arredio.
• Auxilia na boa qualidade do sono.
• Desenvolve a linguagem oral.

Como ler para crianças de 0 a 6 anos
A partir da 25ª semana de gravidez, o bebê já consegue “sentir” o som e ouvir a voz da mãe. Por isso ele reage quando escuta canções e a voz dela e se mexe dentro da barriga. Isso que significa que ele escuta e já está, de certa forma, em comunicação com a mãe. Assim ele nasce com essa memória. O bebê é muito sensível à entonação da voz e é graças a ela que começa a construir significado. A vida cotidiana está cheia de ordens (“não mexa”, “escove os dentes” etc.). Por isso, é necessário oferecer às crianças outro linguajar, isto é, a da escuta, da leitura em voz alta.
Contar histórias é uma prática importante, pois caracteriza um momento de extrema conexão entre a criança e o cuidador, já que, além do conteúdo que está sendo passado, há troca de olhares e contato afetivo, que são muito importantes para a criança desde os primeiros meses de vida. Mesmo que a criança não compreenda ainda o significado das palavras, ela compreende as expressões faciais, o gesto de carinho e a suavidade do tom de voz. Por isso, esses momentos são de interação muito significativos.
A leitura tem papel fundamental no desenvolvimento da linguagem. Por isso, os livros devem fazer parte do universo do bebê desde o nascimento. Quando os cuidadores estão lendo, eles descobrem a estrutura da linguagem e, pouco a pouco, percebem que são as imagens e as letras que fazem os pais contarem as histórias. Assim, a criança vai descobrindo, aos poucos, que as letras são símbolos e que os textos contêm significados.
A leitura deve ser um momento prazeroso, tanto para as crianças quanto para os adultos. Por isso, é importante que os pais escolham livros, histórias, canções, jogos e brincadeiras de que eles também gostem e que remetam às experiências agradáveis que eles tiveram na sua infância. O foco aqui é ser espontâneo e expressar afetividade pelo bebê e não iniciar um processo precoce de alfabetização ou realizar atividade com finalidade pedagógica.
Para que a leitura se torne hábito e contribua efetivamente para o desenvolvimento, ela deve fazer parte da rotina de cuidados do bebê, assim como a alimentação e os rituais da hora de dormir. Então, é preferível ler pequenos textos todos os dias a ler um livro inteiro em um único dia e depois esperar uma semana até a próxima leitura.
Do nascimento até por volta dos 3 anos, os bebês costumam manipular o livro para ganhar familiaridade com ele. Aos poucos vão compreendendo que esse objeto tem significado. Então, é bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita.
De 0 a 5 meses
Os bebês começam a prestar atenção nos gestos dos pais e a imitar os sons. Aos quatro meses, já podem olhar as imagens de um livro, como a pessoa que lê para ele. Afinal, a palavra “cavalo” não dá a forma do cavalo. Então é necessário mostrar-lhe a imagem do cavalo para que ele possa interiorizá-la. Então, os pais podem:
• Apontar as figuras que estão no livro e dizer em voz alta o nome daquilo para o qual o bebê estiver olhando;
• Virar as páginas de acordo com o interesse do bebê;
• Representar com gestos ou com a voz a figura que estiver mostrando para o bebê;
• Imitar os sons que o bebê faz e observar sua reação.

De 6 meses a 1 ano
Nessa fase, a leitura já é bem interativa e os pais devem conversar com a criança sobre as figuras, as formas, as palavras e os sentimentos, relacionando-os com a vida cotidiana. Os bebês, quando conseguem se sentar, já conseguem segurar os livros e também colocá-los na boca. Nessa fase, os pais podem:
• Nomear as figuras que o bebê aponta no livro ou aquelas em que ele fica interessado;
• Ajudar o bebê a virar as páginas do livro;
• Transmitir o clima da história por meio da entonação da voz, de gestos e de expressões faciais;
• Conversar com o bebê e fazer perguntas sobre as coisas que ele está ouvindo ou fazendo. Por exemplo: “Olha o cachorrinho. O cachorrinho faz au-au”;
• Seguir as indicações do bebê para ler mais, repetir ou parar.

É bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita
É bom ter livros de borracha, de plástico, de tecido e com texturas para o bebê manusear livremente e outros para a leitura propriamente dita
De 1 ano a 2 anos
Nessa fase, a criança consegue escolher um livro e entrega-lo aos pais para que o leiam. Também aponta as figuras e copia as expressões e os gestos do adulto que está lendo para ela. Assim, os pais podem:
• Usar diferentes vozes para representar os diversos personagens das histórias;
• Fazer perguntas para que a criança responda apontando. Por exemplo: “Onde está o gato? ”, “Quem faz miau? ”;
• Incentivar que ela faça o som de determinado animal. Por exemplo: “Como a vaca faz? Mu!”;
• Sorrir e responder quando a criança falar ou apontar;
• Deixar a criança virar as páginas do livro;
• Ler a mesma história várias vezes, se a criança quiser;
• Acrescentar mais palavras quando a criança apontar uma imagem. Por exemplo: “Menina. Essa menina é bonita”;
• Fazer outras perguntas sobre as figuras que ela apontar. Por exemplo: “Cadê o cabelo da menina? ”, “E o cabelo da mamãe? ”, “E o seu cabelo? ”;
• Nomear e demonstrar ações e emoções nas histórias. Por exemplo: “A menina está rindo”. E então rir para o bebê;
• Levar sempre um livro quando sair com o bebê e ler para acalmá-lo ou distraí-lo.

De 2 a 4 anos
Essa é a fase em que as crianças mais gostam de exercer a previsibilidade e, por isso, gostam que os pais leiam as mesmas histórias várias vezes. Também repetem palavras e frases e participam mais da leitura. Os pais podem:
• Fazer perguntas sobre as imagens do livro para que a criança responda. Por exemplo: “O que é isto? ”;
• Ler livros que apresentem ações que as crianças já entendem como inusitadas. Por exemplo, “Os três lobinhos e o porco mau”, ou “O cachorro que faz miau”;
• Valorizar todas as perguntas e comentários que a criança faz, pois são boas oportunidades para começar uma conversa;
• Dar espaço para que a criança faça comentários sobre alguma figura ou palavra;
• Incentivar a criança a contar sua história favorita, de sua própria maneira;
• Levar a criança a bibliotecas ou livrarias para escolher livros ou ouvir histórias;
• Mostrar para a criança como as coisas que acontecem com os personagens são parecidas com algo que ela mesma já fez ou viu;
• Falar sobre os sentimentos dos personagens e perguntar se ela já sentiu a mesma coisa;
• Deixar que a criança conte o que acontece em seguida ao ler histórias já conhecidas.

De 4 a 6 anos
Nessa fase, as crianças escolhem os livros que querem que os pais leiam e fazem perguntas sobre as coisas que acontecem neles. Também corrigem os pais quando eles pulam uma parte de um livro já familiar e conseguem contar uma história conhecida com as próprias palavras. Os pais podem:
• Conversar de forma espontânea sobre os assuntos do livro;
• Responder com interesse às perguntas e os comentários da criança;
• Mostrar para a criança que você está lendo as palavras do livro;
• Ler a história do jeito que o autor escreveu, sem alterar as palavras estranhas e diferentes que ampliam o vocabulário da criança.

A importância do texto escrito
• Apresenta frases completas, sem omissões típicas da fala;
• Respeita a concordância de tempo e, dessa forma, ajuda a compreender a ordem natural dos eventos;
• Utiliza algumas categorias gramaticais com maior frequência do que a fala, especialmente advérbios, preposições, conjunções e pronomes;
• Estimula e permite à criança memorizar, decorar, repetir palavras e frases, antecipar cenas e, dessa forma, ampliar seu repertório semântico e sintático. Isso contribui para:
o Trabalhar a pronúncia das palavras
o Promover maior consciência fonológica
o Conhecer e apropriar-se do universo discursivo;
• Introduz personagens diversos, que permitem à criança sair de si e estabelecer relações de previsibilidade de comportamentos, sentimentos e ações. Isso contribui para:
o O desenvolvimento das habilidades como falar e escutar e das relações sociais
o A criança sentir-se parte da comunidade a que ela pertence.

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Relator:
Dr. Mário Roberto Hirshheimer

Presidente da SPSP.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A importância de ler para crianças

Pais que têm o hábito de ler para os filhos contribuem para um bom desempenho escolar, aponta estudo. Segundo especialistas, crianças também se tornam mais ativas, confiantes e sociáveis. 

Na Alemanha, pelo menos um em cada três casais de pais lê, mais de uma vez por semana, para crianças que ainda não sabem ler e escrever. É o que aponta o estudo da fundação Lesen (Ler, em português) divulgado nesta semana. Segundo o estudo, mais que um simples ritual antes de dormir, ler para os filhos regularmente tem um efeito positivo sobre o desempenho escolar deles.

Dos entrevistados, 18% leem um livro por dia para seus filhos. Outros 15% leem menos de uma vez por semana, e 15% simplesmente nunca leem. Já em 2014, o estudo constatou que aproximadamente 30% de todos os pais raramente ou nunca leem para seus filhos na Alemanha.

No Brasil, uma pesquisa de 2012, encomenda pela Fundação Itaú Social ao Datafolha, constatou que 96% dos adultos acreditam que ler para as crianças é importante, mas apenas 37% deles colocam isso em prática. Dos mais de 2 mil entrevistados, 63% não leem para crianças, enquanto apenas 7% leem todos ou quase todos os dias da semana.

Desempenho escolar

De acordo com o estudo da Lesen, a nota média na disciplina Alemão para crianças de oito a 12 anos cujos pais liam diariamente foi sete décimos mais elevada do que entre as crianças cujos pais raramente ou nunca liam. Também em outras disciplinas, como Biologia e Artes, o desempenho do primeiro grupo foi melhor.
Dos adultos leitores assíduos, 84%afirmaram que o filho ia bem na escola. Entre os raros ou não leitores, esse número foi de apenas 33%. Um em cada dois filhos de "pais leitores" considerou seu desempenho na escola bom, contra apenas 12% das crianças que não tinham esse hábito.

As diferenças nas notas não dependem do nível de educação dos filhos, segundo o estudo. As proporções de crianças com notas boas ou muito boas em alemão foram semelhantes em todos os níveis de ensino dos pais. De acordo com as conclusões do estudo, todas as correlações entre leitura e comportamento das crianças nada têm a ver com o grau de formação dos pais.

Responsabilidade

Os livros podem preparar as crianças desde cedo para "o lado sério" da vida. Entre as crianças de oito a 12 anos alfabetizadas, 80% acreditam que seus colegas as consideram "muito confiáveis" ou como alguém que "normalmente nunca se atrasa". "Essas crianças são vigorosas e ativas", diz Simone Ehmig, diretora do Instituto de Pesquisa para Leitura e Mídia, na Alemanha.

"Essas crianças estão mais dispostas, no futuro, a assumir responsabilidades na vida profissional e realizar as coisas de forma criativa", afirma. Entre as crianças que não recebem o estímulo da leitura pelos pais, nem metade se considera confiável e pontual.

Vida social

Além disso, a leitura também tem um efeito positivo sobre a vida social da criança, segundo a avaliação de pais e filhos. Cerca de 90% dos leitores frequentes disseram que o filho "gosta de brincar com outras crianças" e "constrói rapidamente novas amizades". Os pais não leitores disseram que isso é mais raro entre seus filhos.

Os pesquisadores cruzaram dados para verificar se as características positivas são mesmo efeito da leitura. Eles determinaram as experiências sociais das crianças que poderiam ter influenciado de forma similarmente positiva o seu comportamento. O resultado: mesmo as crianças mais isoladas socialmente mostraram características positivas quando tiveram muito contato com a leitura.

O estudo não especificou um conteúdo específico de leitura para cada faixa etária. "Acredito que não dependa tanto do conteúdo", diz Jörg Maas, chefe da fundação Lesen. No ano anterior, a equipe explorou se o tipo de livro importava, e o resultado foi que o tipo de mídia não tem um papel significativo. Pode ser um livro infantil clássico, mas também um tablet ou computador – bom para os pais fãs de tecnologia.
AF/dpa

Fonte: Deutsche Welle

sábado, 7 de novembro de 2015

Como despertar o amor pela leitura

O incentivo pela leitura deve começar de forma natural, pelo contato do aluno com o livro, pela curiosidade e pelas oportunidades que escola e família oferecem 

Folha Vitória 

Era uma vez uma criança que tinha como melhor amigo um livro. Essa amizade nasceu de forma espontânea, mas contou com duas ajudas muito especais: a família e a escola.

Teresa Spinassé, coordenadora pedagógica da Escola da Ilha, afirma que a escola é indispensável no processo de despertamento da criança pelo prazer da leitura, porém é preciso conhecer e respeitar as preferências de literatura do aluno. “A primeira coisa é não obrigar a criança a ler. O incentivo à leitura começa pelo contato que ela tem com livros, é viver o livro, entendê-lo. O começo do gosto pela leitura começa pelo aspecto emocional, pelo gostar do livro”, explica a especialista.

Algumas medidas na escola são interessantes para fomentar o gosto pela leitura. Ler em voz alta, deixar que a criança pegue o livro sem intervenção de um adulto, ter uma biblioteca com livros atualizados e conservados, e deixar que os alunos levem os livros para casa são medidas que aproximam os pequenos da paixão para ler.

Já a família entra com o exemplo. Se a leitura é um hábito dentro de casa, se a criança vê o pai, a mãe e os irmãos lendo e gostando de ler, ela se sentirá mais à vontade para participar desse processo. 

Tudo no seu tempo

A maioria dos pais traz consigo a ansiedade de ver o filho lendo seu primeiro livro. Mas isso é um processo que tem etapas que precisam ser respeitadas. Segundo Teresa, já está comprovado que a idade que a criança aprende a ler não quer dizer inteligência. “Precocidade não é sinônimo de inteligência, essa pressa excessiva é até pior. Estimular é diferente de forçar”, orienta.

A coordenadora pedagógica explica que a faixa média de leitura é de sete anos, mas algumas chegam a aprender com quatro. O mais importante, segundo Teresa, é instigar a curiosidade pelo livro, o contato com ele, e, assim, a leitura virá naturalmente. O pisca-alerta precisa ser ligado se a criança já estiver com cerca de 10 anos e, ainda assim, apresentar dificuldades na leitura.