quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Portas de entrada para leitura

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Ilustração: Marcos Garuti
Ilustração: Marcos Garuti
Sabe-se o quanto a sensibilização para os livros na infância é importante na formação de adultos leitores. Livros ilustrados, ficcionais, não ficcionais... As possibilidades são múltiplas. A dica é explorar títulos diversos e estabelecer quanto antes uma relação afetiva entre a criança e o livro. A coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac e do Laboratório de Educação Sandra M. Murakami Medrano e a formadora de professores na ¿Comunidade Paraisópolis Cristiane Tavares analisam o assunto.

Livro ilustrado não ficcional uma outra experiência leitora
por Sandra M. Murakami Medrano

Ao pensarmos em livros para crianças, normalmente nos vêm à lembrança livros ficcionais, ou os chamados literários. Porém, ao nos determos um pouco mais sobre os livros disponíveis, verificamos que não somente os ficcionais encontram-se no rol de ótimos livros para encantar os pequenos e possibilitar a eles a entrada na leitura. Que outros livros são esses? Por ora os denominaremos não ficcionais, para  distingui-los dos primeiros. O que nos interessa, aqui, é propor uma reflexão sobre que livros não ficcionais seriam boas portas de entrada para leitura das crianças e quais contribuições esses livros podem trazer para a formação dos leitores iniciantes.

Apesar dessa distinção entre ficcionais e não ficcionais, é preciso considerar que a fronteira entre esses dois modos de conceber os livros é bastante fluida e movediça. Para saber de que livros estamos falando, vamos nos valer da ideia de continuum para compreender que estes podem se posicionar ao longo de um eixo em que, de um lado identificamos os livros informativos que organizam seu conteúdo como verbetes enciclopédicos, como, por exemplo, o livro Procura-se! Galeria de animais ameaçados de extinção (Vários autores/Mario Bag, Companhia das Letrinhas/Ciência Hoje das Crianças, 2007), em que os dados científicos são apresentados de maneira criteriosa ao longo do texto, acompanhado de imagens que identificam visualmente o animal. Do lado oposto desse eixo contínuo, poderíamos encontrar o livro Princesas esquecidas ou desconhecidas (Salamandra, 2008), de Philippe Lechermeier e Rébecca Dautremer, que parte de um conteúdo ficcional, mas o apresenta utilizando o formato enciclopédico, com definições, exemplos, esquemas, índice temático e alfabético, típico das enciclopédias mais renomadas.

Ao longo desse eixo poderiam estar diferentes livros que, ora mais estritamente informativos, ora misturando aspectos ficcionais, mas se valendo das características desses outros, formam um livro distinto das ficções propriamente ditas, mesclando-se com elas, no entanto, em um dos extremos. Podemos também pensar em outro continuum que parte de um extremo definido pelos livros informativos sem enredo narrativo, como, por exemplo, os livros como A joaninha (Melhoramentos, 1991), da coleção Minhas primeiras descobertas, em que os dados sobre como é o inseto, sua constituição, alimentação etc. são apresentados por meio de imagens que se compõem a partir da sobreposição de páginas (uma opaca e outra transparente) e informações científicas ao longo do livro.

No outro extremo desse contínuo poderíamos encontrar os livros de Babette Cole, como Mamãe nunca me contou (Ática, 2003), livro que – como indica Ana Garralón – “combina ¿um texto mais ou menos ficcional, isto é, pessoal, com uma estrutura interna ordenada e uma informação que, apesar do tom às vezes informal, não abre mão do rigor”. Nesse segundo continuum – que vai do livro informativo sem enredo narrativo ao informativo com enredo narrativo –, poderíamos localizar na sequência vários outros títulos partindo de um ponto a outro, como o livro Adivinhem onde vivem (Brinque Book, 2012), de Liesbet Slegers; Lá em casa somos (Cosac Naify, 2012), de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso; Minha casa azul (SM, 2009), de Alain Serres e Edmeé Cannard; Eu cresci aqui (Pequena Zahar, 2012), de Anne Crausaz; os livros de Peter Sís:  O muro  (Companhia das Letrinhas, 2012), O mensageiro das estrelas (Ática, 1999), A árvore da vida (Ática, 2004); alguns livros que contam a vida de personagens conhecidos: Frida (Cosac Naify, 2004), de Jonah Winter e Ana Juan; O menino que mordeu Picasso (Cosac Naify, 2011), de Antony Penrose; Jemmy Button (Pequena Zahar, 2012), de Jennifer Uman Valério Vidali e Alix Barzelay; Lineia no Jardim de Monet (Salamandra, 1992), de Christina Bjõrk e Lena Anderson; Diferente como Channel (Cosac Naify, 2009), de Elizabeth Matthews; Um Outro País para Azzi (Pulo do Gato, 2012), de Sarah Garland; É um livro (Companhia das Letrinhas, 2009), de Lane Smith; e Para que Serve um Livro? (Pulo do Gato, 2011), de Chloé Legeay.

Essa pequena seleção não esgota os títulos que poderiam compor esse contínuo, mas tem a intenção de colaborar na compreensão da ideia de um universo de livros que são concebidos com uma diversidade de aspectos que se movem de uma ponta a outra dependendo das características aqui destacadas. Isso nos mostra que, tanto no que se refere ao extremo de um livro com texto ficcional e formato enciclopédico como a um livro que parte de uma narrativa com toque ficcional, mas com conteúdo científico ou histórico, essa divisão entre ficção e não ficção é bastante tênue. A análise dos continuuns permite, ainda, visualizar um conjunto de livros com algumas qualidades distintivas ao longo de sua distribuição. Mas qual a contribuição desses livros não ficcionais para a formação de leitores e que experiência de leitura possibilitam?

Louise M. Rosenblatt, em La Literatura como Exploración (Fondo de Cultura Económica, 2002), traz o conceito transacional da leitura, em que propõe a superação da visão dualista de pensar o texto e o leitor na qual ou o leitor atua sobre o texto (leitor interpreta o texto) ou o texto atua sobre o leitor (leitor responde ao texto), para uma leitura transacional, em que “o leitor infunde significados intelectuais e emocionais à configuração de símbolos verbais e esses símbolos canalizam pensamentos e sentimentos”.
Com essa forma de compreender a leitura, podemos considerar que o sentido não está só no texto ou só no leitor, mas na relação entre ambos, numa contribuição contínua para a construção de significados. Assim, não é o texto em si que define como pode ser lido, mas é na relação entre as intenções e conhecimentos do leitor e o conteúdo do texto que se dá a leitura, a transação.

Essa leitura pode, segundo Rosenblatt, ser mais estética ou mais eferente. Abordando sinteticamente aqui, a postura estética na leitura estaria mais relacionada aos aspectos afetivos e a postura eferente, centrada principalmente em selecionar e abstrair analiticamente as informações. Pensando na formação de leitores, essas colocações nos remetem à necessidade de proporcionar às crianças, desde muito cedo, condições para que possam desenvolver a capacidade de adotar ambas as posturas para serem leitores autônomos e críticos ao lidarem com a diversidade de leituras que enfrentarão vida afora.

Uma das maneiras de possibilitar às crianças espaço para essa experiência leitora é oferecendo livros que, segundo Ana Garralón, “são excelentes para criar pontes entre essas duas formas de ler, estética e eferente, auxiliando os leitores a indagar o que significa uma leitura prática enquanto lhes oferecemos textos que lhes brindam leituras estéticas sugestivas”. Exemplos desse tipo de livro são alguns dentre os chamados livros álbum (livro ilustrado/álbum ilustrado/picturebook – denominação em construção no Brasil), como os já citados livros de Peter Sís ou o também citado Minha Casa Azul. Esses livros trazem informações históricas ou científicas, por meio da amálgama texto-imagem-suporte, típico do livro álbum, que possibilita ao leitor ora assumir uma postura mais eferente ao analisar as informações, ora mais estética ao se envolver com as imagens, as ideias e os sentimentos proporcionados pelo livro.

A formação do leitor pode, dessa forma, se dar também por meio de um livro não ficcional, a partir de uma experiência leitora distinta, uma leitura que abre para novas questões, instiga novos conhecimentos, desafia intelectualmente o leitor, de forma a colocá-lo numa posição ativa de construção de conhecimentos. Garralón, Ana. “Ficção e informação: tendências nos livros informativos”. Revista Emília: revistaemilia.com.br/mostra.php?id=126

“o amálgama texto-imagem-suporte, típico do livro álbum, (...) possibilita ao leitor ora assumir uma postura mais eferente ao analisar as informações, ora mais estética”

Sandra M. Murakami Medrano é pedagoga e mestre em didática pela Universidade de São Paulo (USP), coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac e do Laboratório de Educação e colaboradora da revista Emília

Livro ilustrado: um “concerto polifônico” para o deleite do leitor
por Cristiane Tavares

A expressão “concerto polifônico” foi usada pelo autor e ilustrador Renato Moriconi para definir o livro ilustrado. Moriconi, em parceria com o escritor Ilan Brenman, recebeu os prêmios “melhor livro-imagem” em 2011, com Telefone sem Fio, Companhia das Letrinhas, e “melhor livro para a criança” em 2012, com O Alvo, Editora Ática, pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro  Infantil e Juvenil). Segundo ele, “há no livro ilustrado três línguas diferentes – a palavra, a imagem e o projeto gráfico ou arquitetura do livro – que, se bem usados, fazem dele um belo concerto polifônico, com sons e silêncios próprios”. Exemplo disso pode ser observado no próprio livro O Alvo, selecionado para integrar o Catálogo White Reavens 2012 de uma das mais importantes bibliotecas especializadas em literatura infantil e juvenil do mundo, a Jugendbibliothek de Munique, na Alemanha.

Em O Alvo, de imediato o leitor se depara com uma flecha que atravessa a capa vazada e o convida a seguir o tracejado livro adentro. O suporte é criativamente atingido como alvo que se expande também nas guardas, ao abrirmos o livro. Enquanto o texto verbal apresenta uma narrativa de origem judaica recontada sem grandes alterações, com a linearidade clássica do enredo comum às narrativas de tradição oral, a ilustração brinca com a busca certeira por um alvo, apresentando-o a cada página em um lugar diferente e abrindo para a plurissignificação: variedade de pontos de vista, importância da perspectiva, flexibilidade necessária para encontrar respostas a perguntas essenciais, dentre outras.

Partindo da metáfora do concerto proposta por Moriconi, podemos entender como atributo principal do livro ilustrado a integração de diferentes vozes que compõem um todo indissociável, produtor de sentido. Diferente do que ocorre nos chamados livros com ilustração, nos livros ilustrados (picturebook) também conhecidos como livros-álbum, a imagem não é mero complemento do texto, o suporte não é simples receptáculo e o projeto gráfico tem forma e conteúdo. Todos esses aspectos conversam simultaneamente com o leitor, convocando para uma “desautomatização do olhar” (Chklovski, 1976). Ler, reler, ver e voltar a ver são movimentos comuns diante de um livro ilustrado: “O livro álbum possibilita uma atenção ao objeto livro em sua plenitude – os formatos, as cores, as informações omitidas e complementares no texto e na ilustração. Ao ler Quero meu chapéu de volta, de Jon Klassen, WMF Martins Fontes, para crianças pequenas, por exemplo, já é rotineiro o voltar das páginas para o início para melhor compreender a trama”, relata Magno Rodrigues Faria, pedagogo, educador de biblioteca e contador de histórias no Instituto Acaia, em São Paulo.

Tanto o estranhamento provocado pelo desafio de deslocar o olhar linear rotineiro diante do objeto livro como as constantes releituras que muitas vezes esse tipo de livro requer acionam uma atividade leitora pautada na interação não apenas entre o leitor e as diferentes linguagens, mas também entre os leitores. Depois de ler um bom livro ilustrado, é preciso falar sobre o que foi lido, visto, percebido, provocado. Comentar a leitura para melhor se apropriar dela. A polifonia, portanto, caracteriza tanto a composição do livro ilustrado como as experiências leitoras que proporciona: o sentido se constrói, interna e externamente ao objeto, mediante essa multiplicidade de vozes que o circundam.

Como leitora, apreciadora e “colecionadora” de livros infantis, é assim que Ana Claudia Rocha, diretora do Centro de Estudos e Projetos em Educação Movimenta, define sua relação com o livro ilustrado: “É muito comum encontrar-me com o encantamento das pessoas diante desses livros múltiplos, observando como o jogo entre palavra e imagem ganha a cena da comunicação mais fluida e ágil, compartilhada em outro canal, que não o da densidade singular da leitura solitária. O contato com esses livros quando estamos em situação coletiva provoca um verdadeiro “frisson”, tamanha a reverberação!”.

Se falar sobre o livro ilustrado após sua leitura é quase uma condição para a construção do sentido, outra característica emerge do contato do leitor com o objeto: sua natureza dialógica. Como já vimos, as linguagens verbal e visual estão em necessário diálogo com o suporte. Do mesmo modo, as relações que o leitor estabelece durante a leitura se amplificam e ressignificam à medida que uma conversa sobre o livro acontece. O aspecto dialógico se estabelece, sobretudo, no espaço entre o dito e o não dito, de onde brota a arte: “Vejo o livro-álbum como um objeto artístico a partir do qual se constroem vários significados, se realizam conexões, relações intertextuais e se estabelecem certas rupturas com as técnicas narrativas habituais. Nesse tipo de livro as ilustrações sugerem mais do que dizem, insinuam mais do que revelam e reinam a sutileza, a ironia...”. É assim que Fernanda Glaessel Ramalho, pedagoga que trabalha com formação de professores, define o livro ilustrado.

Na escola, à leitura compartilhada de um livro ilustrado, mediada pelo professor, quase sempre se segue uma conversa apreciativa durante a qual a escuta da percepção do outro repercute na experiência leitora de cada um. Até mesmo a leitura de uma nova versão para um dos mais conhecidos contos de fadas pode suscitar leituras surpreendentes, quando apresentada sob a forma de livro ilustrado. É o caso de Uma Chapeuzinho Vermelho, de Marjolaine Leray, publicado em 2012 pela Companhia das Letrinhas. No livro, os papéis do lobo mau e da Chapeuzinho subvertem-se. A ilustração funciona como contraponto irônico ao apresentar, em traços simples, a lápis, nas cores preto e vermelho, uma Chapeuzinho frágil e ainda menor que o diminutivo que já a acompanha, contracenando com um lobo faminto e viril. Fragilidade por trás da qual se esconde a astúcia feminina responsável pela surpresa revelada ao leitor apenas nas últimas páginas.


Como objetos artísticos, os livros ilustrados podem converter-se, ainda, em “campo de experimentação para autores e leitores”. É o que pensa a premiada autora e ilustradora mineira Angela Lago: “... somamos o texto e a imagem ao próprio suporte que é o livro. Podemos usar o ângulo da página na construção dos desenhos, ou a passagem das folhas como um corte em que se impõe a narrativa. De alguma maneira, autores e leitores do livro-álbum nos qualificamos para ler também os suportes com as suas particularidades. Entender o livro como mídia nos faz aprofundar a compreensão dos diferentes diálogos possíveis entre as várias linguagens”.

Exemplos como os citados por Angela Lago estão na própria origem do livro ilustrado contemporâneo. Autores, ilustradores e editores audaciosos romperam com estereótipos predominantes sobretudo nos livros destinados ao público infantil e apostaram no deleite estético de um leitor sem idades. Caso do clássico Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, publicado originalmente em 1963 e editado no Brasil em 2009, pela CosacNaify, mesmo ano em que foi adaptado para o cinema por Spike Jonze. Ao trazer para as páginas de um livro o universo do inconsciente infantil em toda a sua complexidade, condensando-o em uma breve e intensa aventura narrada verbal e visualmente, Sendak mostrou que é vasto e ilimitado o campo da experimentação artística.

“As relações que o leitor estabelece durante a leitura se amplificam e ressignificam à medida que uma conversa sobre o livro acontece”

Cristiane Tavares é mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), trabalha com formação de professores na Comunidade Paraisópolis e colabora para a revista Emília

Pelos caminhos da leitura

A postagem é de 02/07/2013, vale a pena ler

foto: Divulgação
foto: Divulgação


Projetos de incentivo ao contato com o universo dos livros permitem o acesso de um público variado, incluindo estudantes, viajantes, trabalhadores e comunidades carentes, ao acervo de bibliotecas

O incentivo ao hábito de leitura é uma ação consolidada no cotidiano do Sesc. As unidades Araraquara, Belenzinho, Bertioga, Bom Retiro, Campinas, Carmo, Pompeia, Ribeirão Preto, Rio Preto, São Carlos, Santo Amaro, Santo André e Sorocaba possuem bibliotecas e as demais geralmente contam com salas de leitura ou espaços alternativos onde são disponibilizados periódicos e livros para consulta.

Para realizar o empréstimo, é necessário que a pessoa interessada faça um cadastro, apresentando documento de identidade (ou cartão de matrícula) e comprovante de residência atualizado. As bibliotecas ainda “promovem atividades voltadas à mediação de leitura, contação de histórias, encontros com escritores, oficinas e workshops, intervenções e atividades que envolvem outras mídias e suportes, sempre com o objetivo de mediar o acervo, aproximando livros e leitores”, explica a técnica de Literatura e Bibliotecas da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo, Ana Luisa Sirota.

O acervo diversificado permite ao leitor ter acesso a obras nacionais, estrangeiras, clássicas e contemporâneas, que abarcam os gêneros romance, poesia, crônicas, contos, novelas e quadrinhos, além de periódicos, tendo por objetivo atender a todas as faixas etárias. Tendo isso em vista, Sirota explica que busca equilibrar a oferta das unidades com expectativas e indicações do público. “A partir de 2014, algumas unidades estudam a inserção de e-readers e tablets para acesso a e-livros e outros conteúdos nos espaços das bibliotecas”, afirma.

BiblioSesc

Buscando oferecer o acesso à literatura além das fronteiras de suas unidades, o Sesc criou bibliotecas móveis, como é o caso do projeto BiblioSesc. A iniciativa do Departamento Nacional do Sesc, criada em 2001, em parceria com os departamentos regionais da instituição, “destina-se a promover a leitura através da ampliação e facilitação das condições de acesso ao livro nas localidades periféricas onde o Sesc atua, encurtando a distância entre o leitor e o livro, principalmente para o segmento da população carente de acesso aos bens culturais”, explica a técnica responsável pela coordenação nacional do Projeto BiblioSesc, da Gerência de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Lisyane Wanderley.

Para a realização desse trabalho, cada biblioteca volante conta com um bibliotecário, um auxiliar de biblioteca e um motorista, que atuam como mediadores do acervo. Os bairros atendidos são selecionados conforme a carência de bibliotecas ou de outros equipamentos culturais e recebem visitas quinzenais, sempre no mesmo dia da semana. O intervalo entre as visitas corresponde ao prazo do empréstimo dos livros que, para ser realizado, necessita da apresentação do documento de identidade e um comprovante de residência.

O projeto, que tem atendimento gratuito, é direcionado ao público jovem, e suas 54 unidades volantes já atingiram Pernambuco, Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, entre outros estados, totalizando 250 localidades em todo o Brasil. “São três mil publicações ¿diferentes, cuidadosamente escolhidas e atualizadas em: literatura brasileira e estrangeira traduzida, de ficção e não ficção, para crianças, jovens e adultos; livros de complementação escolar e de interesse geral; jornais, revistas e gibis”, esclarece Lisyane. Segundo ela, o índice de extravio é menor do que 1% do total de empréstimos.

Mala do autor

Outra iniciativa de apoio à leitura organizada pela instituição é o Mala do Autor, projeto iniciado em 2013 que faz ponte entre bibliotecas e escolas localizadas principalmente no entorno do Sesc Interlagos. A programação propõe “rechear” uma mala com obras de um autor escolhido para a atividade, além de livros de escritores consagrados que o influenciaram, somando 30 volumes. “Além do incentivo à leitura, o projeto visa divulgar as atividades da biblioteca móvel da unidade Interlagos e possibilitar o acesso de forma mais ampla para os escolares e seus familiares”, explica o bibliotecário do Sesc Interlagos João Doescher.

Desde o início do projeto, as malas montadas por dois autores (Marcelo Maluf e Ferréz – nome artístico de Reginaldo Ferreira da Silva) já foram entregues em oito escolas – entre elas, a Presidente João Goulart, a Ibrahim Nobre e a Professor Vicente Rao, que receberam a mala do escritor Marcelo Maluf, em março de 2013 –, junto com um manual de possibilidades de utilização para nortear os professores. Após o uso do material por um período médio de um mês, é organizado um encontro com o autor selecionado. Para setembro deste ano, já é cotada a participação da dupla literária Lalau e Laura Beatriz (escritor e ilustradora). Apesar das sugestões do Sesc, cada escola tem a opção de explorar as obras da maneira que lhe convém. “A proposta é que seja uma utilização livre de obrigações. Assim, o projeto pode ser incorporado às necessidades da escola”, esclarece Doescher.

Baú de Letras

Com o objetivo de aproximar e ampliar o universo literário dos trabalhadores do comércio surgiu o projeto Baú de Letras, que começou há mais de cinco anos. Acervos móveis compostos por 80 a 100 livros ficam à disposição dos profissionais interessados por romances, contos, crônicas, poesias, biografias, entre outros gêneros, e em alguns casos, títulos infanto-juvenis, destinados às famílias dos funcionários, contemplando escritores brasileiros e estrangeiros, clássicos e contemporâneos.

“A ideia surgiu da possibilidade da extensão deste atendimento às empresas do comércio da região devido à proximidade física destes locais, e pelo foco no atendimento a comerciários, premissa da missão do Sesc”, conta a bibliotecária do Sesc Carmo Luciana Florindo. A interação literária com os estabelecimentos comerciais se dá nas unidades Bom Retiro, Carmo, Bauru, Araraquara, Catanduva e Ribeirão Preto.

Meus Livros de Viagens

O Sesc mostra que é possível viajar por meio da leitura com o projeto iniciado em 2008 no Sesc Consolação, chamado Meus Livros de Viagens. Por meio da oferta de pequenos acervos depositados em quatro “malas viajantes” nos transportes com destino aos roteiros preparados pelo Programa de Turismo Social, os viajantes são convidados a acessar conteúdos em formato de livros que podem estar relacionados ao lugar de destino – como guias de viagens, obras literárias e outras publicações que abordam os aspectos culturais, a gastronomia, os patrimônios históricos e as personalidades dos locais visitados –, variando de tamanho conforme a duração da viagem.

Ao longo do trajeto, o guia de turismo tem a missão de incentivar o conhecimento do projeto. Os volumes “também abordam as peculiaridades das regiões a serem visitadas e seus ecossistemas, como a região pantaneira, as obras de Machado de Assis inspiradas na cidade do Rio de Janeiro e as poesias de Mario Quintana baseadas no ato de viajar. Mas as obras literárias e publicações diversas podem ou não estar ligadas aos destinos visitados, com o objetivo de simplesmente enriquecer a experiência da viagem”, afirma a técnica da área de Turismo Social do Sesc Consolação Ana Cristina de Souza. Ela ainda esclarece que os viajantes têm uma ótima adesão ao projeto e, no momento do embarque, a mala é logo reconhecida e desperta o interesse pela leitura.

Incentivo a leitura através das HQ’s

A postagem é de 04/06/2014



Novos HQs no BiblioSesc Osasco
Novos HQs no BiblioSesc Osasco


As Histórias em Quadrinhos, conhecidas como HQ’s, são narrativas feitas com desenhos sequenciais, normalmente acompanhados por textos curtos de diálogos e algumas descrições da situação. O quadrinista Will Eisner, um grande nome dessa arte, define a linguagem dos HQs como “arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história”. Difundido em revistas e jornais, as HQs criaram linguagem própria, signos e símbolos inovadores, que foram incorporadas posteriormente a outras artes.

Existem diferentes formas de Historias em Quadrinhos dentre elas os tradicionais gibis ou comic book, formato mais tradicional usado para publicações de  histórias, de series noir, e os populares super-heróis, por exemplo, a Turma da Monica e X-men.

Outro exemplo são os graphic novels, livros em quadrinhos com enredos mais longos e complexos. Também costumam ser chamado assim HQ’s com qualidades artísticas e acabamentos diferenciados, superiores aos demais HQ’s.

Outra forma de Histórias em Quadrinhos que vem tomando o gosto do leitor brasileiro é o Mangá, estilo Japonês de HQ, cuja leitura é feita no sentido da leitura do idioma japonês, ou seja, da direita para a esquerda, ao contrario do nosso sentido convencional. Um dos traços mais marcantes do mangá são os olhos grandes e expressivos das personagens. Alguns exemplos marcantes desse gênero são Dragon Ball , Naruto  e One Piece .

Este mês o BiblioSESC Osasco já disponibiliza para empréstimos importantes títulos como America, de Robert Crumb , os volumes 1 e 2 da saga completa dos Piratas do Tietê, de Laerte  e Wood & Stock: psicodelia e colesterol, de Angeli.

Pela forma característica do HQ de dramatizar narrativas, clássicos da literatura tem sido há algum tempo adaptados para essa linguagem, como forma de sensibilização para essas narrativas tradicionais. À algumas adaptações que já compunham o nosso acervo, como O Alienista de Machado de Assis, Dom Quixote de Miguel de Cervantes e O Corvo de Edgar Allan Poe, somam-se novos títulos como Alice no Pais das Maravilhas e O Hobbit em HQ, além de Hamlet e O Grande Gatsby  em mangá!

Além de uma arte em si, as histórias em quadrinhos podem ser uma forma de estimular a leitura literária, pelo fato desta forma de literatura muitas vezes desenvolver as narrativas mais tradicionais de forma mais fluida e dinâmica, principalmente no que se refere ao público mais jovem.

A experiência de ler um quadrinho também é uma oportunidade de perpetuar o gosto pelo livro como objeto, e não só como leitura de um texto, e, ao misturar mais de uma linguagem ao mesmo tempo, possibilita ao leitor atribuir significados e aprender a relacionar textos e linguagens diferentes, tornando-se um leitor mais completo.

Além de provocar um momento de leitura mais leve, as historias em quadrinhos ajudam a estimular a criatividade e a desenvolver o vocabulário do leitor. Por estes e outro motivos as HQ’s podem servir de entrada para o mundo da literatura.

Visite o caminhão do BiblioSesc que fica estacionado todos os finais de semana e feriados aqui no Sesc Osasco das 10h45 às 18h.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

'Brasileiros, muitas vezes, não leem porque não têm acesso ao livro'

Professor José Castilho explica as ações do Plano Nacional do Livro e da Leitura 

Mayra Ferreira


Dos brasileiros alfabetizados apenas 25% são leitores plenos, ou seja, conseguem decifrar e significar as mensagens. Reverter esse dado é um dos objetivos do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL), dos Ministérios da Educação e da Cultura no Brasil.

O secretário executivo do PNLL, José Castilho, explica as ações e os desafios do plano e como educação e cultura, Estado e sociedade precisam dialogar para promover a democratização e a economia do livro, perpassando a formação de mediadores, o investimento em bibliotecas e o valor simbólico da leitura para o passado e o presente dos leitores.


Fonte: TV Unesp

domingo, 1 de fevereiro de 2015

7 dicas para formar filhos leitores


1. Comece a ler desde a gestação. Pode parecer estranho fazer a leitura de textos em voz alta para a barriga, mas está provado que – desde os primeiros meses de vida – os bebês são capazes de ouvir. E mais importante do que a escuta, é a criação do vínculo que pode se estabelecer entre pais, filhos e livros.
Alba Marina Rivera
Alba Marina Rivera

2. Defina um tempo para leitura no dia a dia.Torne essa experiência algo que faça parte da rotina da família. Não é preciso criar grandes rituais, mas a frequência ajuda na construção do hábito.
Sophie Blackall
Sophie Blackall

3.Deixe a vergonha de lado. Não tenha medo de resgatar o ator/atriz que há em você. Faça vozes, crie brincadeiras, divirta-se.

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4. Fique atento à escolha de livros. O mercado está repleto de livros para crianças que não possuem qualidade literária e que subestimam a inteligência do leitor. Deixe de lado critérios como idade e gênero. Procure indicações que contemplem a experiência leitora, os interesses do seu filho e os temas que gostaria de apresentar a ele.

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5. Frequente bibliotecas e livrarias. Acompanhe blogs e sites especializados, como A Taba. Garimpe, procure além dos livros que estão expostos nas prateleiras. Aprenda a escolher, escolhendo.

Imagem sem créditos

6. Mantenha os livros ao alcance, mesmo no caso das crianças muito pequenas. Não tenha medo que eles se danifiquem. Livro bom é livro lido.


7. Ajude seu filho a formar uma biblioteca pessoal. Ela poderá ajudá-lo a contar a sua história de leitor. Invista uma parte do seu orçamento para compra de livros. Os serviços de assinaturas, como o Clube de Leitores – A Taba – podem ser uma ótima forma de fazer isso, com obras selecionadas por especialistas e entregues mensalmente em casa.

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Clube de Leitores – A Taba
* As dicas acima foram compartilhadas no bate-papo realizado em janeiro com Daisy Carias de Oliveira onde conversamos sobre as relações entre pais, filhos e livros e sua importância na formação de novos leitores.

Daisy é jornalista e escreve periodicamente no blog A cigarra e a formiga indicando os livros e outros produtos culturais que experimenta junto com seu filho, Francisco.

Fonte: A TABA