quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Gostar de ler: o desafio da educação

por Regina Wielenska

"Crianças são abertas ao mundo, depende de quem as educa, evitar que ler se transforme num castigo insensato, numa obrigação sem fim" Fim de expediente no consultório, eu saí carregada de livros e encontrei no elevador um médico, que trabalhava no mesmo prédio. Simpático, puxou prosa comigo e comentou: "Psicólogos têm essa mania de ler, né? Faz mais de 20 anos que eu não leio um texto que não seja da minha especialidade". Fiquei desconcertada, não me senti à vontade para dizer que estava pasma, inconformada com a serenidade com que ele afirmou aquilo.
Afinal, pensava eu, tratava-se de um docente numa importante universidade de São Paulo, médico respeitado na comunidade. Tornar-se muito bom em sua área do conhecimento parece que o desconectou da literatura e da subjetividade inerente aos textos do universo não estritamente científico. Aí eu me perguntei: será que ele alguma vez gostou de ler crônicas, contos, romances, ensaios e outras obras? Afinal, seu comentário parecia apenas constatar um fato, sem sinal de arrependimento, vergonha ou pena.

Lembrar dessa experiência me remeteu a outras, que me ajudaram a entender o episódio acima. No jardim da infância da escola pública onde estudei, num certo dia da semana, a classe visitava a "casa de madeira", uma construção pré-fabricada, anexa ao pátio. Aquilo era o paraíso para nós: uma professora diferente, talvez estagiária da Escola Normal (era assim que se chamava o curso de formação de professores naqueles idos da década de 60), lia histórias pra a classe ou nos propunha ouvirmos disquinhos com clássicos infantis musicados pelo compositor Braguinha. Muito cedo na vida descobrimos como as palavras e ilustrações contidas nos livros eram divertidas e interessantes.

Ao final do primeiro ano do primário (atualmente, Ensino Fundamental) a escola organizava uma cerimônia de entrega do primeiro livro, destinada aos alunos que acabaram de se alfabetizar. Cada um de nós ganhava um livro, com dedicatória da professora. Os pais estavam presentes, não faltavam aplauso e parabéns.

Do segundo ano em diante, até o fim do primário, tínhamos duas horas semanais de visita na biblioteca da escola. Cada aluno escolhia o que bem desejasse (na última semana do mês podia até ser história em quadrinho).

Na segunda série do ginásio (imagino que seja o sétimo ano do Ensino Fundamental), Dona Maria Helena, professora de Português cujo sobrenome lamentavelmente me escapa à lembrança, instituiu que teríamos uma atividade diferente das aulas convencionais. Toda quinta-feira ela passava metade da aula interpretando em voz alta um texto de autoria de algum brasileiro. O conto "Moça, Flor e Telefone", de Carlos Drummond de Andrade, foi escolhido para a estreia.

A história, em poucas palavras, começa assim: a protagonista gosta de passear pelas terras do cemitério quase abandonado, perto de sua casa. Num belo dia, arranca pela raiz uma flor que brotara, certamente ao acaso, perto de um túmulo abandonado. Mais tarde, recebe o primeiro telefone de uma longa série: uma voz indefinível, obstinadamente pede que lhe devolvam a flor que fora arrancada do túmulo. Os telefonemas continuam, até que a moça resolve levar flores à sepultura abandonada. A voz, num telefonema horas mais tarde, lhe comunica que não quer outra flor, e sim aquela que lhe roubaram... Quem não gostaria de saber o epílogo?

O toque do sino propunha o início do recreio. A professora apenas nos dizia; "que pena, continuamos na semana que vem". Com ar de quem não quer nada, acrescentava a informação de que havia ao menos um exemplar daquele livro na biblioteca da escola. Houve gente que voluntariamente ficou sem recreio, para ir à biblioteca emprestar a obra. Claro que quem terminasse de ler um conto, aproveitaria para ler o seguinte. Se gostasse do livro, buscaria então mais obras daquele autor. Foi assim que passamos a gostar de Lygia Fagundes Telles, Fernando Sabino, Clarice Lispector e outros mais.

No colegial (agora Ensino Médio) a bola da vez foi dividida entre duas pessoas também verdadeiramente com vocação para o ensino: a professora de Português, e o de Inglês, respectivamente Theresinha Lisieux Vasconcelos e Fernando Silva. Suas aulas nunca se restringiam à disciplina que lhes cabia, a tão contemporânea transversalidade curricular ainda não tinha esse nome, mas era praticada por ambos.

A Palavra, matéria-prima da comunicação, em qualquer idioma que fosse, se revelava ferramenta de mudança, de crescimento. Motivados a nos conhecer melhor, ao outro, ao mundo, explorávamos as nuances da língua. Dominando as palavras, nos qualificávamos para viajar pelas dimensões da Literatura e de outras artes, descobrir a ciência, filosofar, amar, crescer, descobrir vocações e fazer a política possível nos anos da ditadura militar. Neste fértil ambiente sóciocultural, um aluno se tornava agente da educação do outro, num positivo efeito cascata.

A biblioteca, os sebos e as livrarias se tornaram amigos meus, e também dos meus amigos. E aí eu me pergunto: por acaso alguém teria se dado ao trabalho de conduzir aquele médico, desde cedo na vida, a flertar com a beleza oculta nos livros? Talvez, para ele, ler fosse apenas uma obrigação, imposta a custo de ameaças e castigos. Ler, na sua história de vida, não se tornou um prêmio, honra, lazer, oportunidade a ser desfrutada sempre que possível, a grande chave do mundo.

Dessa turma da escola, tenho a honra de conviver regularmente com umas 20 ou 30 pessoas: todos permanecem fiéis aos livros, alguns encontram graça no estudo a ponto de continuarem a frequentar bancos escolares, no grupo há escritores, e outros são docentes. Tivemos muita sorte de estar naquela escola pública naquele exato período.

Queria ser capaz de inspirar mais educadores, através deste relato nostálgico, a se empenharem no projeto de restituir aos seus alunos o fascínio pelos livros. Isto não depende de nível sócioeconômico ou de instrução dos pais. Depende, isto sim, de compromisso, perseverança, criatividade, empenho. Crianças são abertas ao mundo, depende de quem as educa, evitar que ler se transforme num castigo insensato, numa obrigação sem fim.

Regina Wielenska
é psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental  

Fonte: Vya Estelar

Prática de leitura mantém cérebro ativo ao longo da vida

por Elisandra Vilella G. Sé

"Práticas de leitura ajudam a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo déficits de memória e declínios das funções cognitivas - capacidade de adquirir e reter conhecimento" Imagina-se que as pessoas mais velhas passem mais tempo lendo do que as pessoas mais jovens, pelo fato da leitura ser uma atividade que não exige tanto esforço físico e a maior parte das pessoas mais velhas ser aposentada e com tempo mais livre para sua prática. Mas não é bem assim. Geralmente as pessoas mais velhas depois de se aposentarem não leem mais.
Os adultos mais velhos que leem muito são os que geralmente foram quase leitores vorazes quando jovens. Se considerarmos apenas os adultos mais velhos, que são leitores ativos, então existem certas diferenças intrigantes entre eles e seus pares mais jovens.

Os leitores mais velhos ativos passam mais tempo lendo, mas significativamente a maior parte do tempo é reservada à leitura de jornais e revistas. Isso significa que a prática de leitura dos mais velhos não é tão intensa a ponto de desenvolver e manter a habilidade da leitura, porque o conteúdo dos jornais pode ser fácil comparado às exigências de um romance de peso, por exemplo. Da mesma maneira que a falta de treino intenso reduz o desempenho de um atleta, a falta de leitura de textos, livros de ficção, romance, biografias, documentários, pode provocar um declínio nas habilidades de leitura. Não se sabe por que ocorre essa mudança nos hábitos de leitura ao longo da vida.

Muitas pessoas quando chegam à velhice sentem que já leram quase toda ficção que gostariam de ler e não querem reler obras das quais já conhecem os enredos. Os adultos jovens talvez leiam obras mais “pesadas” para aperfeiçoar-se. Os mais velhos já não têm esse impulso competitivo. Seja qual for a razão, eles escolhem leituras fáceis, tipo periódicos, jornais ou ficção leve na maior parte do tempo. Além disso, eles parecem se divertir tanto com suas leituras quanto os adultos mais jovens.

A leitura é uma “atividade interativa complexa de produção de sentidos”, ou seja, quando lemos um texto estamos captando ideias do autor, interagindo com ele, mobilizando saberes. A capacidade do uso da linguagem, que diferencia o homem de outros animais, é uma admirável capacidade de formar ideias no cérebro dos demais. Portanto, a leitura é uma atividade na qual se levam em conta as experiências e os conhecimentos do leitor, exigindo dele um conhecimento dos sistemas da linguagem (conhecimento gramatical), o conhecimento de mundo ou enciclopédico (vocabulário, conceitos, representações) e o conhecimento sociointeracional (conhecimento sobre as ações verbais, formas de inter-ação através da linguagem). Tais conhecimentos envolve, também, o saber sobre as práticas peculiares ao meio social e histórico em que vivem os leitores para que possa existir o devido reconhecimento do que está sendo lido.

Quando lemos um texto não somos simplesmente um decodificador de textos, um receptor passivo, e sim sujeitos com conhecimentos em processo de interação com o conteúdo que gostamos ou que nos interessamos em ler. Dessa forma a leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento pelo assunto, sobre o autor e de tudo que sabe sobre a linguagem. É uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, para haver a devida compreensão. As práticas de leitura ajudam a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo de déficits de memória e declínios das funções cognitivas.

Estilo de vida e letramento

As práticas de leitura estão relacionadas ao estilo de vida das pessoas e ao seu grau de letramento. 

Letramento se define por um “conjunto de práticas de comunicação social” relacionadas com o uso de materiais escritos, que envolvem ações de natureza não só física, mental e linguístico/discursiva como também social e político/ideológica. Letramento não é o mesmo que alfabetização ou nível educacional, ou seja, não corresponde ao aprendizado do código escrito. O letramento se refere ao contexto e práticas sócioculturais determinadas. Tem a ver mais com o conhecimento e os usos que o sujeito tem da língua e realiza com ela, do que com a formalização do aprendizado do código escrito que a pessoa apresenta. O letramento é a habilidade de se colocar em prática todos os comportamentos necessários para desempenhar adequadamente todas as demandas de leitura. 

A deficiência visual também é um fator que prejudica a manutenção dos hábitos de leitura na velhice. A visão da maioria das pessoas mais velhas piora e a acuidade visual diminui. Estudos estimam que 23% das pessoas mais velhas são incapazes de ler textos em impressão normal. Uma solução para isso é imprimir livros com caracteres maiores. A impressão maior facilita a leitura para as pessoas com dificuldade visual. 

O importante é que se mantenham as habilidades de leitura ao longo da vida, a prática da leitura aumenta a *densidade sináptica no cérebro, aumentando o número de conexões neuronais. E a ação reflexiva dos indivíduos sobre a língua, além de possibilitar o bom funcionamento intelectual, auxilia na manutenção das competências na velhice devido ao enriquecimento de estratégias sóciocognitivas acumuladas ao longo do curso de vida, na qual se inclui a leitura e a escrita.

*Densidade sináptica: refere-se ao número de neurônios e consequentemente maior comunicação entre as células nervosas.

Elisandra Vilella G. Sé
é Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia e Doutoranda em Lingüística

Fonte: Vya Estelar

Biblioterapia: Por que hábito de leitura faz bem à saúde

por Alex Botsaris

"A constatação que a leitura melhora alguns problemas é clinica. Ou seja, foi percebida nos pacientes, sem que houvesse uma ideia exata de como isso ocorria. O hábito de ler ajuda na atividade cerebral: lentifica as ondas cerebrais induzindo a um estado de mais relaxamento e estimula a memória; além da influência do conteúdo da leitura"
Biblioterapia - "Não somente o ato de ler é benéfico, mas os conteúdos também são importantes para os resultados esperados. A prática da biblioterapia está em escolher conteúdos, tipos de texto, tamanho e ritmo de leitura, adequados, para o resultado esperado. Por exemplo, a leitura adequada para insônia é mais lenta e repetitiva. Não é adequado propor um texto excitante de um romance para isso. Por outro lado, muitas ficções romanceadas podem ajudar na elaboração de conflitos pessoais, e por isso estão indicadas em diferentes problemas psiquiátricos. Alguns psicóticos, como portadores de esquizofrenia, têm uma excelente adaptação a poesias e outros textos altamente simbólicos" Biblioterapia é um termo criado por médicos norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa época psiquiatras que acompanhavam as tropas americanas notaram que os soldados feridos, que tinham acesso à leitura, e liam muito durante sua recuperação no hospital, tinham uma evolução melhor, em diferentes tipos de problemas de saúde, comparados àqueles que ficavam sem nada para fazer.
Baseados nessa observação, esses psiquiatras conseguiram um incentivo para dar acesso à leitura a todos os pacientes, ao mesmo tempo que começaram a investigar o efeito da leitura em alguns problemas psiquiátricos. Na sua investigação, soldados, que tinham um problema comum nas guerras, chamado estresse pós-traumático, também se beneficiaram da leitura de livros. Isso popularizou esse tratamento entre médicos militares.

Hoje em dia a VA (Veterans Administration) entidade que cuida da saúde dos militares norte-americanos possui um extenso manual de biblioterapia, com indicação para várias doenças psiquiátricas, além de disponibilizar biblioterapêutas para seus pacientes. No material da VA há indicação de uso da leitura específica para tratar depressão, ansiedade, distúrbio bipolar, transtorno obsessivo compulsivo, esquizofrenia, dependência química, programas de bem-estar, prevenção de várias doenças, distúrbios sexuais, e obviamente, em estresse pós-traumático.

Não só na experiência do VA, mas também em outros centros de pesquisa e universidades do mundo, o emprego da biblioterapia em psicologia e psiquiatria tem sido crescente. Entretanto, num segmento, o da a psicologia e psiquiatria infantil, essa técnica se revelou especialmente eficiente. Um dos pioneiros nessa área foi o psicólogo austríaco radicado nos Estados Unidos, Bruno Bettelheim, diretor por muitos anos do Instituto Sonia-Shankman para crianças psicóticas em Chicago. Ele descobriu o poder de histórias, mitos e jogos infantis sob o estado psicológico das crianças, e utilizava exclusivamente esses recursos no tratamento de seus pequenos pacientes, com resultados extraordinários. 

Bettelheim costumava selecionar um grupo de mitos e histórias, conforme o histórico das crianças, que ia contando, até descobrir qual tinha mais impacto. Em geral os pacientes sinalizavam que gostariam de ouvir novamente a história que mais se encaixava em sua problemática – e então revisitando muitas vezes a mesma história e trabalhando seu conteúdo simbólico, Bettelheim conseguia que essas crianças elaborassem seus conflitos. Hoje em dia, quase todos terapeutas de crianças trabalham com essas técnicas em virtude do sucesso relatado por psicólogos e psiquiatras em todo mundo. Bruno Bettelheim nunca usou o termo biblioterapia, mas a sua técnica, sem dúvida está dentro desse conceito.

Por que ler traz bem-estar mental?

Os estudos recentes mostram que o tipo de simbolização (e imaginação) que as pessoas fazem quando leem um livro é muito diferente daquela gerada por um filme ou outro método audiovisual. A pessoa constrói as imagens livremente em sua imaginação de acordo com seu universo conceitual. Dessa forma, ela adapta o imaginário da leitura, às suas vivências, e pode elaborá-las de forma mais eficiente, que nas experiências com recursos que possuem imagem, como o cinema. Também a leitura permite que a pessoa releia certas partes do conteúdo diversas vezes, quando há uma motivação, o que não ocorre em outros tipos de mídia. Isso reforça a importância da leitura, e o porquê da sua não substituição total por outras formas de acesso a informação e ao conhecimento.

Biblioterapia tem sido proposta para o tratamento de vários outros problemas de saúde além das doenças psiquiátricas. Uma das áreas onde há um forte benefício para o emprego da leitura é nos distúrbios do sono. Numa época onde os meios eletrônicos se expandem cada vez mais, e há indícios que essa expansão possa ter relação com o aumento dos casos de insônia e distúrbios do sono, resgatar a importância da leitura para regularizar o ritmo do sono é um avanço.

Leitura à noite pode ajudar a combater insônia

Talvez a primeira referência do uso da leitura no tratamento de insônia seja a lenda das mil e uma noites. Nela a princesa Xerazade, estaria condenada a morrer, porque o Rei Persa Xariar mandava decapitar todas esposas na noite seguinte às núpcias temendo uma traição. Ela escapa da morte contando histórias que fazem o rei dormir. Ansiando para saber o final de cada história, e agradecido por ela ter resolvido sua dificuldade de dormir, ele poupa a vida da princesa dia após dia contabilizando mil e uma noites, até que ele desiste da execução. Hoje em dia muitos especialistas em sono têm recomendado aos portadores de insônia para evitar televisão e computador no final do dia, trocando pelas páginas de um bom livro. As evidências são que ler a noite ajuda a reduzir a atividade cerebral, o que auxilia a conciliar o sono.

Há ainda referências de que a leitura habitual auxilia a minimizar o distúrbio de memória do idoso, conhecido pela sigla ARMI (age related memory impairment). Durante a leitura há um estímulo específico no cérebro que ajuda na formação de sinapses numa estrutura cerebral chamada corpo caloso. Em geral quanto mais conexões através do corpo caloso, mais conexões de memória a pessoa tem, auxiliando esse processo. Outra forma que a leitura ajuda na memória é melhorando a qualidade do sono, já que a memória transitória se transforma em definitiva nesse período.

Para ter alguns benefícios da leitura, basta começar a ler um bom livro todos os dias. Mas quando se trata de um tratamento com biblioterapia, a estratégia é mais complexa, e exige uma participação fundamental do terapeuta. No tratamento o terapeuta escolhe os livros que o paciente vai ler – que ele conhece o conteúdo – para, em seguida, conversar sobre os conteúdos lidos. O paciente pode receber uma recomendação de reler o texto, em situações específicas. Ele pode também ser estimulado a escrever ou desenhar sobre os conteúdos lidos. As vezes o biblioterapeuta pode ler os conteúdos para o paciente.

Não somente o ato de ler é benéfico, mas os conteúdos também são importantes para os resultados esperados. A prática da biblioterapia está em escolher conteúdos, tipos de texto, tamanho e ritmo de leitura, adequados, para o resultado esperado. Por exemplo, a leitura adequada para insônia é mais lenta e repetitiva. Não é adequado propor um texto excitante de um romance para isso. Por outro lado, muitas ficções romanceadas podem ajudar na elaboração de conflitos pessoais, e por isso estão indicadas em diferentes problemas psiquiátricos. Alguns psicóticos, como portadores de esquizofrenia, têm uma excelente adaptação a poesias e outros textos altamente simbólicos. 

No Brasil a biblioterapia ainda é muito incipiente. Alguns pesquisadores têm se interessado, mas a sua pratica é limitada pela falta de terapeutas treinados. Esperamos que em breve seja possível contar com mais essa ajuda para a saúde. Enquanto ela não vem, a solução é começar logo a ler um bom livro.

Alex Botsaris
é médico especializado em Medicina Complementar

Fonte: Vya Estelar

A arte de ler livros a crianças

Mafalda Milhões, Livreiras da O Bichinho de Conto e contadora de histórias 

Ler é ser, sentir, estar, imaginar, compor, reflectir e deixar-se levar.
Ler é ouvir, confiar e deixar-se ficar.

Ler é conjugar todos os verbos com o corpo todo, é sentir inquietação, vontade de viajar, correr pelo mundo e experimentar tudo. É perder a noção do tempo simplesmente à procura.

Ler é seduzir, alimentar, acordar escutas para uma aventura que só tem bilhetes de ida.

Ler é aprender a ver, a ouvir, a comer, a tactear, a cheirar.
O leitor usa os sentidos para ler mundo e a alma para acolher a memória.

Quem lê sente o  texto a dar voltas na cabeça, na boca, no coração e na barriga.
É a ler em voz alta que se esculpem as escutas e afinam os sentidos.

Do ponto de vista de um Livreiro ou de uma Livreira a Arte de Livros a Crianças implica o desenvolvimento de muitas competências que se fazem com muita paixão e o coração nas mãos. Implica sobretudo a vontade e a necessidade de abrir a porta todos os dias como quem abre um livro e se some na leitura.

Há que descobrir, encomendar, carregar caixotes, conferir, ler, reler, dar a conhecer, apresentar,  conjugar, brincar, cuidar, acolher e depois de tudo isto aquietar.
É preciso dar espaço, sentir necessidade, conhecer a escuta e descobrir o destinatário de cada narrativa. Cada livro tem um leitor à sua espera.

Por isso Ler livros a Crianças é uma espécie de recompensa. É lendo e contando que os narradores se convertem em livros vivos, textos animados que passeiam por aí. E de vez em quando sentam-se à sombra dos autores, refrescam-se com textos e oferecem o colo a quem quer sentir.

É na arte de ouvir e contar que a mediação de leitura acontece.
As crianças têm o poder de aumentar, encolher, recriar leituras a alta velocidade.
Talvez por isso, ler em voz alta ou em surdina a uma criança se transforme de imediato num desafio, uma aventura onde não há espaço para uma pessoa só.

A receita é simples:

Escolhe-se um livro a gosto.
Faz-se o refugado em metáforas, comparações e memórias.
Pisca-se o olho  com um ar cúmplice ao leitor, uma piscadela basta.
Oferece-se o colo, ajeitam-se os corpos e as escutas.
Lê-se como que conta um segredo e o sucesso é garantido.

A qualidade do momento converte qualquer história na mais fantástica de todas.

Para quem tem filhos, basta querer, pois nem o melhor contador de histórias do mundo é capaz de competir com um pai ou com uma mãe apaixonados pelas suas crias.

Para os avós, as leituras são de memória.

A minha avó era uma artista. Uma contadora de histórias que nos ensinou a arte de saber pedir outra vez.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A relação entre ler e escrever

Por muitos anos de leitura e escrita foram (e às vezes ainda são) ensinadas separadamente. Embora os dois tenham quase sempre foi ensinado pela mesma pessoa (o professor de Artes Inglês / Language) durante o período Arts Língua ou bloco, educadores raramente feitas conexões explícitas entre os dois para seus alunos. Ao longo dos últimos 10 anos a pesquisa mostrou que a leitura e a escrita são mais interdependentes do que pensávamos. A relação entre a leitura e a escrita é um pouco como a do ovo e da galinha. O que veio primeiro não é tão importante quanto o fato de que sem um o outro não pode existir. Desenvolvimento da alfabetização de uma criança é dependente desta interligação entre leitura e escrita.
 
A relação entre ler e escrever
 
Basicamente colocar: leitura afeta escrever e escrever afeta a leitura. De acordo com as recomendações das principais Inglês / Linguagem Artística organizações profissionais, o ensino da leitura é mais eficaz quando interligadas com a escrita de instrução e vice-versa. A investigação descobriu que quando as crianças ler extensivamente eles se tornam melhores escritores. Lendo uma variedade de gêneros ajuda as crianças a aprender estruturas de texto e linguagem que eles podem transferir para sua própria escrita. Além disso, a leitura proporciona aos jovens o conhecimento prévio que eles podem usar em suas histórias. Uma das principais razões que podemos ler é aprender. Especialmente quando ainda estão na escola, a maior parte do que sabemos vem dos textos que lemos. Desde que a escrita é o ato de transmissão de conhecimentos em impressão, temos que ter informação para compartilhar antes que possamos escrevê-lo. Portanto leitura desempenha um papel importante na escrita.
 
Ao mesmo tempo de prática na escrita ajuda as crianças a desenvolver suas habilidades de leitura. Isto é especialmente verdade para as crianças mais jovens, que estão trabalhando para desenvolver a consciência fonêmica e habilidades fonética. Consciência fonêmica (a compreensão de que as palavras são desenvolvidos a partir de som "pedaços") desenvolve-se como as crianças a ler e escrever novas palavras. Da mesma forma, as habilidades fonética ou a capacidade de vincular os sons juntos para construir palavras são reforçadas quando as crianças a ler e escrever as mesmas palavras. Para mais prática filhos no processo de escrever seus próprios textos ajuda a analisar as peças que leem. Eles podem aplicar os seus conhecimentos sobre as maneiras que eles escolheram para usar uma linguagem particular, estrutura de texto ou conteúdo para entender melhor a construção de seu ou seus textos de um autor profissional.
 
Aproveitando a Relação Leitura-Escrita para ajudar as crianças aprendem
 
Basta saber que a leitura ea escrita estão intimamente ligados processos não é suficiente. A fim de ajudar as crianças a desenvolver essas duas habilidades essenciais, pais e professores precisam aplicar esse conhecimento ao trabalhar com eles. Aqui estão algumas estratégias para o uso de leitura e escrita para reforçar o desenvolvimento de competências de literacia.
 
Estudo de Gênero
 
Uma das maneiras mais eficazes de usar a relação entre a leitura ea escrita para fomentar o desenvolvimento de alfabetização é por imersão crianças em um gênero específico. Pais e professores devem identificar um gênero que é essencial para o currículo de um nível de ensino ou é de particular interesse para uma criança ou um grupo de crianças. Eles devem, então, estudar esse gênero com a criança (s) a partir da leitura e escrita perspectivas. As crianças devem ler e discutir com os adultos exemplos de alta qualidade de obras escritas no gênero com foco em sua estrutura e linguagem, bem como outras habilidades básicas de leitura, incluindo fonética e compreensão. Depois que as crianças têm estudado o gênero para identificar seus elementos essenciais, que deve ser dada a oportunidade de escrever no gênero. Como eles estão escrevendo, os adultos devem ajudá-los a aplicar o que aprendeu com a leitura de textos específicos de gênero para orientar sua composição. Este processo deve ser recursiva para permitir que as crianças se mover repetidamente entre a leitura e a escrita no gênero. No final, as crianças não só ter um conhecimento sólido e rico do gênero, mas também reforçaram a sua leitura geral e habilidades de escrita.
 
Leitura para desenvolver habilidades de escrita específicos
 
Pais e professores não tem que se envolver em um estudo de gênero extensa para promover a leitura de seus filhos e habilidades de escrita. Os textos podem ser usados ​​em base limitada para ajudar as crianças a aprender e fortalecer habilidades de escrita específicos. Pais e professores devem primeiro identificar habilidades de escrita que uma criança ou grupo de crianças precisam de apoio no desenvolvimento. Por exemplo, muitos alunos em uma classe da sétima série pode ter dificuldade em escrever recebendo atenção apresentações em seus ensaios. Uma das maneiras mais eficazes para ajudar as crianças a desenvolver habilidades de escrita específicos é mostrar e discutir com eles os modelos que demonstram com sucesso a habilidade. Os adultos devem selecionar uma série de textos em que os autores "prego" a área que eles querem ajudar seus filhos a crescer dentro Para nossa amostra sétima série que gostaria de encontrar várias peças de escrever, com apresentações fortes e envolventes ler e analisar estes com os alunos. Depois que as crianças têm explorado modelos eficazes de a perícia, que deve ser dada a oportunidade de praticá-lo. Eles podem escrever novas peças ou rever peças anteriores de escrever imitando técnicas dos autores.
 
Integrando Instrução "Sound" em Leitura e Escrita
 
Consciência fonêmica e fonética são dois dos pilares da leitura. Sem entender a ligação entre sons e letras, uma pessoa não pode ler. A conexão entre a leitura e a escrita pode ajudar a solidificar essas habilidades em jovens leitores. Pais e professores devem ajudar as crianças a "sondar" palavras, tanto a sua leitura e escrita. Quando uma criança chega a uma palavra em sua leitura que não é familiar, o adulto (s) de trabalhar com ela pode modelar ou guiá-la em sondar a palavra utilizando o conhecimento dos fonemas (sons "pedaços"). Da mesma forma, se uma criança quer escrever uma nova palavra do adulto (s) pode usar a mesma técnica para ajudá-la a escolher quais cartas para escrever. Se a criança for mais jovem, ortografia precisa não é tão importante como a compreensão da relação entre sons e letras específicas. Portanto, ajudando a criança escolher letras que se aproximam a ortografia é mais apropriado do que fornecer-lhe com a grafia atual. Se a criança é mais velha e tem uma compreensão de algumas das variações exclusivas no idioma Inglês (como em silêncio "e"), o pai ou o professor deve incentivá-lo a usar esse conhecimento para avançar com a ortografia da palavra.
 
Escolha em Leitura e Escrita
 
Outro método eficaz para o uso a relação entre a leitura e a escrita para fomentar o desenvolvimento da alfabetização é simplesmente dar às crianças a escolha de suas leituras e experiências de escrita. Aprendemos melhor quando estamos motivados. Se as crianças estão sempre disse exatamente o que ler e o que escrever, eles acabarão quer vir ver a leitura e a escrita como eventos impessoais ou vai "desligar". Muitas vezes, em salas de aula, os professores permitem que as crianças escolher seus próprios livros para ler durante o tempo de leitura independente, mas raramente lhes dar a oportunidade de escolher os seus próprios temas de escrita. A fim de incentivar a posse sobre a sua leitura e da escrita, as crianças devem ser dadas oportunidades para ler e escrever o que é interessante e importante para eles.
 
Talk About It!
 
Embora possa parecer senso comum aos adultos que a leitura e a escrita têm muito a ver um com o outro, a conexão nem sempre é tão evidente para os jovens. Pais e professores devem explicar como as duas habilidades de reforçar e fortalecer o outro. Os jovens (principalmente adolescentes), muitas vezes pedir aos seus pais e professores: "Por que eu tenho que aprender isso?" Aqui é uma oportunidade perfeita para mostrar a relação entre as duas habilidades acadêmicas e de vida essenciais.

 Fonte: K12 Reader