sexta-feira, 13 de setembro de 2013

'Sempre li bastante', diz autora de redação incluída no Guia do Enem

A leitura foi o diferencial

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'Sempre li bastante', diz autora de redação incluída no Guia do Enem

Larissa Comazzetto aponta leitura e dedicação como fatores diferenciais.
Texto da gaúcha foi um dos cinco apontados como modelo pelo MEC.

Felipe Truda Do G1 RS

Larissa Comazzetto estudou no Colégio Militar de Santa Maria (Foto: Larissa Comazzetto/Arquivo Pessoal)Larissa estudou no Colégio Militar de Santa Maria
(Foto: Larissa Comazzetto/Arquivo Pessoal)
No dia em que recebeu o trote do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do Rio Grande do Sul, a estudante Larissa Reghelin Comazzetto, de 17 anos, descobriu que a redação que fez durante o Enem do ano passado foi apontada como modelo no guia do participante do exame, lançado pelo Ministério da Educação. Empolgada com a novidade, a caloura disse que a paixão pela leitura e a dedicação nos estudos foram os principais fatores que a levaram a ser uma entre cinco estudantes do país a terem os textos usados como exemplo.

“Sempre li bastante, desde pequena. Tive uma professora particular de redação, porque sabia que era muito importante e queria investir nisso. Minhas professoras sempre me disseram que para escrever bem temos de ler muito”, conta a menina em entrevista por telefone ao G1 na quinta-feira (5), após ser pintada no trote.
Orgulhoso, o pai de Larissa, o contador Paulo Comazzetto, de 49 anos, destaca o apego da filha aos livros. “Em termos de educação no país, só se consegue uma boa formação com o incentivo à leitura, e ela gosta muito de ler”, diz. “Quando ela faz aniversário, se você perguntar que presente ela quer, ela vai dizer 'um livro'. É o que ela sempre carrega junto”, acrescentou.

Foi em um livro que Larissa encontrou conforto em um dos momentos mais difíceis que enfrentou: a doença que levou a mãe, a pedagoga Lúcia Maria Reghelin Comazzetto, à morte, há cerca de quatro anos. A obra era Eu Sou o Mensageiro, de Markus Zusak. “Não sei se era o momento que eu estava passando, mas foi muito importante, me ensinou muitas coisas”, lembrou.

O tema proposto para a redação era o "Movimento imigratório para o Brasil no século XXI". De acordo com o comentário no próprio guia do MEC, Larissa demonstrou “domínio da modalidade escrita formal”. Ela cita o crescimento econômico do país como fator que atrai estrangeiros, e sugere que sejam tomadas iniciativas pelo governo para regularizar as situações dos imigrantes. Para isso, de acordo com o manual, ela usa corretamente vários recursos da Língua Portuguesa.

“O treino foi fundamental”, destaca a estudante. “No início do ano passado, quando eu estava começando o terceiro ano, eu escrevia bem, mas tinha dificuldade para montar e fazer as ligações e deixar meu texto coerente. Mas eu fazia cinco ou seis redações por semana, e treinando a gente vai pegando o jeito”, explica.

 Além do pai, Larissa aponta a mãe como uma das maiores incentivadoras da leitura. “Ela era formada em pedagogia, então tinha muito a parte do conhecimento. E como pessoa, não tenho nem como mensurar a participação dela nisso”, conta.

Também surpreendeu Larissa que a redação de Caroline Lopes dos Santos, com quem estudou no Colégio Militar de Santa Maria, também foi apontada entre os cinco exemplos. “Fomos colegas por sete anos na escola, e agora continuamos colegas porque ela também entrou na Medicina da UFSM”, contou.

Reescrita foi diferencial, diz ex-professora

A tenente Claudete Linhares Sachett, de 40 anos, foi professora de redação de Larissa e Caroline no Colégio Militar. Ela conta que ambas eram alunas muito dedicadas, e acredita que o que ajudou muito elas foi o hábito de reescrever os textos após a correção.

“A gente lançava o tema e elas escreviam. Eu fazia a correção, as anotações, o que poderia modificar e entregava. Elas reescreviam adequando com as correções. Esse foi o diferencial”, afirma a professora. Para ela, a “sede de conhecimento” da dupla também foi fundamental para o bom resultado.

Calma é o principal, diz a estudante

Larissa acabou ingressando na UFSM, após ser aprovada no Vestibular. A nota do Enem rendeu uma chamada para estudar medicina na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), em Rio Grande, no Sul do estado. “Era chamada oral e eu não estava presente, pois já tinha passado na UFSM”, conta.

Além da dedicação nos estudos e o gosto pela leitura, ela recomenda aos candidatos do Enem 2013 que tenham calma na hora da prova. Ela lembra que, quando fez o exame em 2011, ainda antes de passar para o terceiro ano na escola, teve um desempenho semelhante ao de 2012. Na segunda vez ela sabia mais, mas estava mais nervosa.

“O que vale é ali na hora. Tem de estar calmo, se concentrar, ler e não pensar no tempo”, diz a universitária, que destaca, também, a importância do estudo. “A dedicação desde sempre foi fundamental. Sempre gostei de estudar e me dedicar”, conta.

Além das redações de Larissa e Caroline, de Santa Maria (RS), o Guia do Participante do Enem destaca os textos de Gabriela Araújo Attie, de Uberlândia (MG); Pedro Igor da Silva Farias, de Teresina (PI); e Danilo Marinho Pereira, de Belém (PA).
Reprodução (Foto: Reprodução/G1)
 
Fonte: G1

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Educadores indicam livros para você iniciar seu filho na leitura

Educadores indicam livros para você iniciar seu filho na leitura

Para ajudar a orientar pais, três especialistas em Educação Infantil recomendam quais os livros infantis essenciais para a formação intelectual da criança.
 

Educadores indicam livros para você iniciar seu filho na leitura / Foto: Thinkstock
Educadores indicam livros para você iniciar seu filho na leitura / Foto: Thinkstock

Por MADSON MORAES

Que livros escolher para iniciar seu filho na leitura? Os clássicos ou optar por livros da moda com bruxos e vampiros? O Tempo de Mulher pediu a educadores que recomendassem livros infantis e explicassem a importância da leitura na formação das crianças e jovens.
 
Para a coordenadora de Educação Infantil e 1º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santo Ivo, Terezinha Fulanetto, que recomendou livros como "Minhas memórias de Lobato", e "Fábulas Favoritas", a leitura serve como estímulo para a criança aprender a humanizar-se, a renunciar, a perder e a ganhar. "Estimula-se, ainda, a emoção da descoberta, o desenvolvimento da segurança intelectual com formas de pensar coerentes dando a elas a oportunidade de decidir por si mesmas", explica.
 
Outra especialista é a psicóloga e psicanalista Christine Bruder, fundadora da Primetime Child Development, centro de desenvolvimento infantil para bebês de 0 a 3 anos. Ela ressalta que adultos que leem para as crianças precisam fazê-lo com entusiasmo e satisfação já que os bebês percebem o envolvimento dos pais e atribuem, a partir daí, um valor para leitura e os livros. Christine explica que não há limite de idade para começar a ler e que recém-nascidos já conseguem reconhecer o tom e musicalidade da voz da mãe e ficar interessados na narrativa.
 
 
"Quem ouve histórias e tem contato com os livros desde bebê mostra, na fase escolar, um vocabulário maior e mais complexo, discrimina melhor os sons das palavras e entende melhor textos informativos. Os recém-nascidos já reconhecem o tom e musicalidade da voz da mãe e vão ficar interessados na narrativa. Claro que não entendem ainda o significado das palavras, mas recebem o afeto e se familiarizam com os sons do idioma materno", analisa a psicóloga.
 
Para Christine Bruder, essa interação com a família favorece a formação de um vínculo de qualidade, uma vez que a maioria dos bebês responde à leitura com olhares, expressão facial e até balbucios criando um momento de muita intimidade, satisfação e reciprocidade entre mãe ou pai e o bebê.
 
"Quando um bebê cresce ouvindo histórias, ele se acostuma com a intimidade de compartilhar histórias com alguém e com o prazer intelectual que o livro e as atividades culturais proporcionam. Existem, portanto, grandes chances dessa criança continuar buscando por atividades compartilhadas e que tragam satisfação intelectual ao invés de buscar isolamento e atividades vazias de significado", explica a psicóloga.

domingo, 7 de julho de 2013

Leitura protege o cérebro e preserva a memória

Leitura protege o cérebro e preserva a memória
Ler, escrever, fazer palavras cruzadas ou desenvolver outro tipo de atividades que envolvam o processamento de nova informação e o raciocínio protege o cérebro e ajuda a preservar a memória e a capacidade intelectual ao longo da vida.
 
A conclusão é de um novo estudo norte-americano, da responsabilidade de investigadores do Rush University Medical Center, em Chicago, que provou que o facto de se ser ativo ao nível da cognição em qualquer fase da vida está diretamente associado a uma melhor performance em testes de memória quando se chega aos 80 anos.
 
Robert Wilson, coordenador do estudo, e os seus colegas, iniciaram a investigação em 1997, pedindo a mais de 1.600 adultos em idade avançada que reportassem o quão regularmente tinham ido à biblioteca, escrito cartas e procurado informações quer quando eram crianças e adolescentes, quer já depois de chegarem à idade adulta.
 
Todos os anos, os participantes foram também convidados a realizar um teste de raciocínio e memória, sendo o progresso acompanhado pelos cientistas. O estudo incluiu ainda 294 indivíduos que morreram com cerca de 89 anos e foram submetidos a uma autópsia ao cérebro para se apurar se tinham existido mudanças ao nível da cognição.
 
Destes 294 indivíduos, que fizeram, em média, seis testes cognitivos durante o estudo, 102 desenvolveram demência e 51 desenvolveram outro tipo de problemas afetando a capacidade intelectual.
 
Os investigadores mediram, numa escala de 1 a 5 (sendo 1 a menor e 5 a maior frequência), com que frequência os participantes estiveram envolvidos em atividades estimulantes para a cognição. Em média, o resultado foi de 3,2 para atividade cognitiva numa fase avançada da vida e 3,1 nas primeiras décadas de existência.

Estimulação intelectual desacelera declínio cognitivo
 
Segundo Wilson, a capacidade cognitiva, o pensamento e a memória degradaram-se 48% mais depressa nos indivíduos que não tinham hábitos regulares que passassem, por exemplo, por ler ou escrever. Entre os mais ativos a nível cerebral, este declínio foi 32% mais lento.
 
Além disso, a capacidade cognitiva deteriorou-se 42% mais rapidamente nos participantes que raramente leram ou escreveram nos primeiros anos de vida e 32% mais devagar quando estas eram atividades que levavam a cabo com regularidade.
 
Robert Wilson explica que o estudo, publicado na passada quarta-feira na revista científica Neurology, não prova que ser ativo mentalmente afaste o declínio cognitivo, mas "aproxima-nos dessa ideia".
 
"Acreditamos que um estilo de vida ativo ao nível da capacidade intelectual é bom para a capacidade cognitiva e para a saúde do cérebro durante o envelhecimento", acrescenta, em declarações à Reuters, sublinhando que atividades como a leitura, a fotografia ou a costura são boas opções.
 
De acordo com o investigador, manter-se ativo intelectualmente não deve, porém, ser um sacrifício, e o tipo de atividade realizada é pouco importante: o importante é que o cérebro não pare.

É, portanto, recomendável que a escolha recaia sobre uma atividade estimulante e desafiante que os indivíduos apreciem e possam continuar a fazer ao longo da vida.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo (em inglês).

sábado, 29 de junho de 2013

Analfabetismo funcional: porque eu não li?

Prof. Marcus Garcia 
Professor Marcus Garcia possui formação na área de Educação e Tecnologia da Informação, já escreveu 16 livros, entre eles é autor e organizador da série de livros A Escola No Século XXI.

Interesse pelos livros
Interesse pelos livros

Segundo a ANL (Associação Nacional de Livrarias) o Brasil fechou 2012 com 3481 livrarias em operação das quais 49% estão instaladas nas capitais dos 27 estados e no DF e as 51% restantes nas demais cidades. O Brasil tem aproximadamente 197 milhões de habitantes. Isto significa que há aproximadamente 1,8 livrarias para cada 100 mil habitantes.

Os dados do IDEB (Índice para o Desenvolvimento da Educação Básica) de 2012 divulgados pelo MEC dão conta de 192.676 estabelecimentos de educação básica e que atendem 50.545.050 alunos. Destas escolas apenas cerca de 64 mil possuem biblioteca. Portanto temos 0,8 biblioteca para cada mil alunos.

O déficit de leitura no brasileiro é assustador. O Instituto Pró-Livro realizou em 2011 um estudo no qual foram entrevistadas mais de 5 mil pessoas em 384 municípios brasileiros. Alguns números da pesquisa revelam pistas sobre porque o analfabetismo funcional vem sendo identificado de forma contundente entre alunos concluintes do ensino médio e também superior. É considerada analfabeto funcional aquela pessoa que apesar de conseguir ler as palavras, não consegue entender e consequentemente não consegue interpretar a mensagem de um texto de até 10 linhas com até três parágrafos.

Interesse pela leitura
Interesse pela leitura
A pesquisa revelou que cerca de 50% da população brasileira cultiva o hábito de leitura. Deste percentual a média é de quatro livros lidos por ano. Para comparar com outros países na França a média e de 12 livros lidos por ano, na Espanha 11, nos Estados Unidos 10, na Argentina 6 e no Chile 5 e na Colômbia 2. Na Noruega, maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, este número impressiona, mas não pela quantidade de livros lidos por ano, cerca de 16, mas pelos 96% população que cultiva o hábito.

O incentivo dado ao estudante para ler e descobrir através dos livros um universo mais amplo do que o próprio livro deveria começar na escola, mas vemos que quase 70% das escolas brasileiras sequer tem uma biblioteca. Isto culmina com a realidade de nosso pífio mercado livreiro quando considerado o potencial e consumo de uma Nação com quase 200 milhões de habitantes.

A mudança dessa realidade passa necessariamente pela conscientização e sensibilização. Para desenvolver-se e crescer a novos patamares intelectuais, culturais e de conhecimento a pessoa precisa necessariamente ampliar seu cabedal de conhecimento. A neurociência já pesquisou e decretou: a capacidade do cérebro humano é muito grande e uma vida inteira de estudo (e leitura) intensivo não seria suficiente para esgotar uma pequena fração de sua capacidade.

Exemplo e incentivo
Exemplo e incentivo

Para cultivar este hábito nas crianças e nos jovens é preciso que a família e a escola façam seu parte. Dando a eles a oportunidade de descobrir a verdadeira magia que há na leitura. Há obras de todos os gêneros para encontrar até o mais cético dos leitores. Um bom começo para despertar o interesse pode ser a contação de histórias, seguida de teatrinho, pesquisa ação, diálogo e interação mediados pelos clássicos da literatura.
Para dizer o mínimo, parafrasearei Mark Twain, escritor e humorista estado-unidense que viveu no século XIX, e escreveu aquele que é considerado o maior romance americano “As Aventuras de Huckleberry Finn”:  "Quem não lê tem pouca vantagem sobre quem não sabe ler."

Livro livre, um bem coletivo: leia, devolva ou passe adiante

FÁBIO MARQUES (REPÓRTER)
14.06.2013

Fortaleza ganha sua primeira biblioteca sem controle de empréstimo. No País, iniciativas parecidas ganham força

Parece utopia se falar em qualquer espécie de bem que possa ser compartilhado sem controle e por pessoas que não se conhecem. O projeto que será inaugurado hoje, em Fortaleza, ainda que pequeno, aposta nessa possibilidade, inserindo neste contexto um bem caro e imprescindível a qualquer cidadão: o livro.

Os livros de projeto, em Brasília, ficam à disposição do público em 37 paradas de ônibus

A Biblioteca Popular funcionará na Casa Vermelha, equipamento mantido por coletivos ligados ao Partido dos Trabalhadores, com inauguração agendada para 18 horas. Pelo sistema, os livros estarão dispostos em frente ao prédio, ao alcance de quem passar pela rua. Para o empréstimo, basta retirar o livro da prateleira, levar e ler.

O modelo é espelhado na experiência da Parada Cultural, projeto de Brasília mantido pelo Açougue Cultural, que disponibiliza os livros ao longo de 37 paradas de ônibus de uma mesma avenida, também sem necessidade de cadastro prévio ou qualquer outro mecanismo de controle. O leitor pode recolher o livro, ler durante o trajeto e devolver à frente, ou mesmo levar para casa, sem dia certo para a devolução. Também é possível adicionar títulos ao acervo, simplesmente deixando-os em uma das paradas. O mentor do projeto, Luiz Amorim, vem a Fortaleza para uma palestra sobre o assunto.

"Eu ouvi falar da experiência de Brasília e achei que era uma sacada simples de priorizar totalmente o acesso aos livros, abrindo mão até dos controles que são tão comuns nas bibliotecas", relata o vereador Guilherme Sampaio, que idealizou a Biblioteca Popular da Casa Vermelha. Ele aponta a facilitação do acesso ao livro como a principal sacada do projeto original. E sustenta que, assim como em Brasília, é possível fazê-lo funcionar na Capital cearense.

"Eu peguei um ônibus no corredor onde a biblioteca de Brasília está instalada, fui parando nas paradas, observando e conversando com as pessoas. Somente uma disse que não tinha devolvido o livro. O fato é que as estantes estavam sempre abarrotadas. Sobre esse controle. A resposta que me deu o idealizador do projeto, Luiz Amorim, resolve a questão: se uma pessoa levar e não devolver, é porque está precisando do livro".

Bookcrossing

O lema da versão de Fortaleza será "o prazo é seu, o livro é de todos", tarja que estará colada em cada título para estimular a ideia nos leitores. Ainda que em proporções bem menor que a de Brasília, com apenas um espaço no pátio de entrada da Casa Vermelha dispondo de mil livros, a Biblioteca Popular trabalha em torno de uma ideia de compartilhamento que ganha força no mundo. Uma experiência diferente mas seguindo princípios semelhantes é difundida através do site BookCrossing (www.bookcrossing.com). O portal possui um acervo difuso e volante, composto de forma colaborativa, organizado virtualmente e compartilhado por pessoas de diversos países.

"As vantagens em relação a uma biblioteca comum é que você não precisa de uma ´biblioteca em si´, a biblioteca é o mundo, a partir do momento que você liberta o livro, ele torna-se um livro viajante, e através do site você pode acompanhar por onde ela anda, quem o leu e etc", pontua o paulista Anderson Araújo, usuário do site e entusiasta da ideia.

Através do site, é possível pesquisar a relação de livros cadastrados e adicionar as leituras desejadas à sua lista de desejos. Quiçá, o livro pode lhe ser entregue em mãos, ou enviado pela pessoa com quem ele esteja. Pontos de troca também já começam a ser abertos para sistematizar o encontro entre os chamados "bookcrossers".

"Acho que não só em São Paulo, mas no Brasil o sistema ainda está engatinhando, pois existem poucos livros circulando, mas acompanhando pelo site, eu vejo que todo o dia acontece liberação de livros no Brasil, ou seja acho que teremos um resultado melhor a longo prazo, estamos apenas no inicio", avalia Anderson Araújo. Antes de conhecer o projeto, lembra, ele chegou a juntar acervo para montar uma biblioteca comunitária. Os livros foram cadastrados no site e, agora, são parte do acervo global.

Anderson diz que costuma recorrentemente "libertar" seus livros, como é nomeada a passagem do livro adiante, em espaços públicos ao acaso. Após cadastrar o título no site, deixa-o em locais como clínicas médicas, bancos de praça, para que outra pessoa o encontre e sinta-se estimulada a lê-lo. Uma etiqueta colada em uma das páginas ensina ao usuário que encontrar o livro a registrar-se no site e atualizar o status da obra, para que o dono anterior possa acompanhar por onde anda o livro liberto.

"Há um enorme descrédito das pessoas e também uma recusa a se desfazer de seus livros, por muitos motivos. Sabemos que quem é amante dos livros acaba criando um certo vínculo, que torna muitas vezes impossível da pessoa simplesmente deixar aquele livro que mudou a sua vida ao acaso num banco de praça", pondera. Ainda assim, garante Anderson, liberta pelo menos um livro por semana, e registra tudo no site diariodeumbookcrosser.blogspot.com.br). Atualmente, existem 28 pontos de bookcroosing no Brasil. O mais próximo de Fortaleza, fica na Universidade Federal do Semi-Árido, em Mossoró (RN).

Mais informações

Inauguração da Biblioteca Popular, com palestra de Luiz Amorim. Hoje, às 16 horas, na Casa Vermelha (Rua Osvaldo Cruz, 1318 - Aldeota)

Carne para o corpo, livros para a alma

Quando leu seu primeiro livro, o brasiliense Luiz Amorim já tinha 18 anos completos. E era, na verdade, uma versão em gibi de um livro de filosofia. A obra foi, no entanto, o ponto de partida de uma vida literária que já
rendeu alguns milhares de títulos, acervo que pertence hoje ao seu "T-Bone - Açougue Cultural".

Luiz Amorim vem a Fortaleza para a inauguração da Biblioteca Popular, projeto de acesso ao livro inspirado nas ações do seu "Açougue Cultural", em Brasília
E não pense que o nome do estabelecimento é uma licença poética - aos moldes da nossa centenária Padaria Espiritual. De fato, o estabelecimento vende carne. Na entrada e em uma sala anexa, no entanto, mantém mais de 10 mil livros. "Quando comprei o açougue em 1994, montei uma estante com um pequeno acervo, que aos poucos fui ampliando. No começo, o pessoal estranhou o açougue mexer com livro. Mas depois entenderam que os dois são alimentos, um do espírito, outro para o físico", lembra sobre o início da empreitada, há quase 20 anos.

Hoje, ele conta com o apoio de empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil para manter as atividades culturais do açougue. Somente nas paradas de ônibus, chegam a circular, em média, dois mil livros por mês.

Ações

Luiz ainda assume o ofício de açougueiro como sua atividade principal. O braço cultural do comércio, no entanto, já expandiu as atividade e é responsável por projetos como a "Noite Cultural T-Bone", realizada desde 1998, e que já promoveu, em frente ao açougue, shows de mais de 500 artistas - entre eles, Milton Nascimento, Ed Motta, Tom Zé e Belchior.

A principal ação cultural da casa, no entanto, é de fato voltada para a leitura. "A minha formação intelectual é baseada na filosofia grega. A gente trabalha com a ideia de desprendimento das coisas, da arte, dos livros", explica. Luiz conta que chegou a investir 100% do lucro do açougue em atividades culturais.

Sobre a diversidade do público que consegue atingir, ele brinca: "nós somos o único açougue do mundo onde até vegetariano também entra. O cara não come carne, mas vem buscar cultura".

Fonte: Diário do Nordeste