quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um papo sobre o processo de leitura

 
A leitura é mais do que uma atividade e traz grandes benefícios ao ser humano. Leitura é lazer, prazer, conhecer, viajar, sociabilizar e enriquecer culturalmente. Ler contribui para o sucesso da criança na formação escolar.

Então, vamos bater um papo sobre o processo de leitura?

Como iniciar o processo de leitura?

Ler é decodificar símbolos, é compreender a expressão escrita. A melhor maneira de se começar o processo de leitura é através do próprio livro. Uma criança, desde a primeira infância, tem que estar rodeada por livros. E não é só isso: Os bebês devem pegar apertar, morder, experimentar, devolver, pegar de volta, olhar, abrir e fechar. Não tem problema se vai estragar, ficar babado, virar a página de um jeito brusco ou se está de cabeça para baixo: o importante é que este livro, que chamamos de ‘livro-brinquedo’, faça parte das primeiras descobertas do seu filho. Eles podem ser de travesseiro, de banho, cartonados, o que importa é que farão parte da vida da criança e certamente ele se lembrará disso na vida adulta.

Quando iniciar o processo de leitura?

Certo dia, li uma matéria com a grande escritora Russa Tatiana Belinky, que tem livros espetaculares para crianças em fase de processo de leitura. Tatiana contava que, quando sua filha estava com três meses de idade, perguntou a um psicólogo:
Quando iniciar o processo de leitura?
E ele respondeu: Já deveria ter começado!
Então, mãos a obra!

E na escola?

O ato de aprender a ler é, sem dúvida, o maior desafio que todas as crianças enfrentam nas fases iniciais da escolarização. Como desenvolver a capacidade leitora?
Vejo na leitura um salto para a formação de cidadãos e esse é um dos papéis essenciais da escola. Alguns modelos e métodos de ensino favorecem menos ou mais a criança, no entanto existem desenvolvimentos em todos eles. O desenvolvimento ocorre através do estímulo, das cores, das ilustrações. Um professor, acima de tudo, deve envolver o seu aluno em um “campo literário”, onde a imaginação e a curiosidade devem ser uma grande janela aberta e é lá onde o livro deve estar!
E o processo vai ocorrer naturalmente…
Vocês conhecem “O menino que aprendeu a ver”, da escritora Ruth Rocha? É uma belíssima demonstração de como a criança pré-leitora vê o mundo, um livro que vale a pena ser entendido pelos adultos.

Como os pais devem incentivar a leitura?
  • A primeira coisa que você, como pai ou mãe, deve fazer para estimular a leitura nas crianças “é ler”! Os pequenos refletem muito do que nós somos.
  • Os livros ilustrados e com poucas palavras podem ser usados porque chamam a atenção das crianças. Ela aprenderá sobre a estrutura da linguagem!
  • Conte histórias! Questione seus filhos, dê espaço para que ele também coloque suas questões, você vai se surpreender com o resultado da leitura compartilhada. É também uma ótima maneira de você estar perto do seu filho, conhecê-lo e entendê-lo.
  • Existem ótimos programas de leitura nas bibliotecas, espaços públicos e livrarias. Acompanhe seu filho em um desses. Pesquise!
  • Tenha sempre disponíveis materiais como lápis coloridos e papéis. Faça com que a criança se expresse através deles.
  • Que tal a aquisição de um dicionário infantil? Comece a procurar os de imagens, use a descoberta de significados!
Então, compartilhamos aqui no Bloguito uma das fases mais lindas que a criança pode ter. Você pode incentivar, estimular e crescer junto com o seu pequeno. Lembre-se que nesse processo, todos nós saímos campeões.

Aproveitem!
Um grande beijo de livro,
Cris Quintas
www.cristianequintas.com

Fonte: Bloguito

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Há cada vez mais livros a viajar nos transportes públicos

Numa sociedade cada vez mais apressada, a leitura nos transportes públicos é uma forma de se aproveitar o tempo gasto nas deslocações entre casa e o trabalho. E, pela comodidade, o comboio é onde mais se lê.
Falta pouco para chegar a S. Pedro do Estoril, mais duas páginas talvez. Nesta viagem, é Gabriel García Marquez — com Os Funerais da Mamã Grande — que atenua os solavancos do comboio da Linha de Cascais e faz Palmira de Almeida desligar-se da realidade.

Aos 67 anos, Palmira já perdeu a conta aos livros que leu. Começou com as histórias das princesas numa vila de Angola colonial, onde não era fácil comprar livros. Por influência dos irmãos, passou para a banda desenhada e, mais tarde, deixou-se encantar pelos romances em fascículos. Em 1974, veio para Portugal, onde trabalha como empregada doméstica, e trouxe o gosto da leitura para os comboios.

Vive em Almada e até chegar a S. Pedro apanha três comboios e dois metros. Com o cabelo curto, as hastes dos óculos vermelhas e uma camisola branca, vai olhando para as flores da capa do livro enquanto fala. “Leio em todas as viagens. O meu trabalho é muito manual — sempre a limpar, a limpar — também preciso de exercitar o cérebro”, conta. “Aproveito as viagens porque em casa não tenho tempo. Chego tarde e vou logo dormir e aos fins-de-semana tomo conta dos meus netos”, acrescenta.

Em 2009, o barómetro da opinião pública do Plano Nacional de Leitura realizou um inquérito a 1045 pessoas e encontrou 96% como Palmira de Almeida, que considera a leitura muito importante. Para os inquiridos, a leitura é especialmente importante no ensino e a formação (97%), na utilidade para a profissão (94%) e no exercício da cidadania (93%).

Com os olhos fixos numa das últimas páginas, Vera Brandão, de 29 anos, é uma campeã da leitura. “Leio, em média, nove livros por mês e também tenho um blogue de literatura”, conta a professora de uma sala de estudo em Carcavelos. Tira os óculos e acrescenta: “Gosto mesmo muito de ler e o comboio não me incomoda, é muito estável. É como estar sentada à secretária”. Põe os óculos e volta a mergulhar nas páginas de um livro já gasto, A Mutação, de Robin Cook.

Para o comissário do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral, o comboio — pela sua estabilidade — é um dos melhores meios de transportes a utilizar numa altura em que a leitura é cada vez mais fragmentária. “Actualmente, andamos sempre a saltitar de texto para texto. Mas [este tipo de leitura] não substitui uma leitura extensiva em que conseguimos mergulhar numa história”, refere Pinto do Amaral. “E isto pode ser feito nos transportes, sobretudo nos comboios, em que as viagens são mais estáveis”, defende.

Duas carruagens atrás, Maíra Silva trocou há cinco anos a agitação de São Paulo pela tranquilidade da Marginal. Trabalha numa loja na Parede e interessa-se particularmente por livros científicos. Está a ler O Campo de Batalha da Mente, de Joyce Meyer. “Gosto muito deste tipo de livros”, diz, justificando a escolha pelo curso de Psicologia que vai começar no próximo mês. “Só comecei a interessar-me por livros há cerca de três anos, mas ler é muito bom, faz-me viajar com a imaginação”, conta olhando para o livro.

Viajam no mesmo comboio quase todas as manhãs e não se conhecem, mas se Maíra lesse o título do livro de João Soares, provavelmente iria gostar: A Psicologia do Amor. “O título pode parecer estranho”, admite João, envergonhado, sentado junto à janela três lugares atrás da rapariga. “Mas eu sou terapeuta”, justifica, sorrindo. Aos 29 anos, decidiu começar a utilizar o comboio há pouco mais de um ano. A partir de então, os livros são a sua principal companhia. “Assim as viagens são menos aborrecidas. Se, por acaso, me esquecer, compro um jornal”, explica João Soares, enquanto se prepara para sair.

Segundo Teresa Sampaio, coordenadora do programa Ler +, Ler Melhor, da RTP Informação, muitos adeptos da leitura nos transportes fazem-no por uma questão de comodidade. “Em tempo de crise, com o preço da gasolina a aumentar, também é uma opção procurada, sobretudo em viagens de longo curso”, afirma.

No “regresso” a Lisboa

São 8h57 na estação de Cascais. Na gare, não há pessoas sentadas a ler, nem jornais deixados nos bancos. As portas fecham-se no comboio com destino ao Cais do Sodré. A bordo, os calções de banho e os chapéus de palha são substituídos por camisas, gravatas e roupas formais. A maioria dos passageiros vai trabalhar para Lisboa. A aventura pela literatura em viagem faz-se sobretudo neste sentido e só acaba no fim da linha.

Hugo Santos também está a ler, mas de forma diferente. “Uso este tablet, é mais prático”, diz, mostrando no ecrã do aparelho as pequenas letras brancas de um conto que encontrou na Internet. Trabalha como consultor informático numa empresa no Parque das Nações e, por isso, está habituado a andar de comboio e a tratar a tecnologia por tu. “A viagem demora cerca de uma hora e meia. Costumo ler artigos relacionados com o meu trabalho ou textos que encontro na Internet”, conta. “É mais fácil, depois é só fechar, guardar isto na bolsa e sair. E a página ficou marcada”, diz, exemplificando o processo. Os livros em papel também lhe agradam, mas só em casa.

De acordo com o barómetro de opinião pública do Plano Nacional de Leitura de 2009, a leitura associada às novas tecnologias está a tornar-se uma tendência. Cerca de 93% dos 1045 inquiridos consideram que a leitura aumentou principalmente com recurso a mensagens de telemóvel, computadores e Internet; 40% pensam que nos últimos dez anos a leitura, em geral, se manteve; e 39% consideram que se registou um aumento, embora nos meios tradicionais — livros, jornais, revistas — este não seja tão acentuado.

Fernando Pinto do Amaral diz que a leitura associada às novas tecnologias será uma tendência natural. “Para interpretarmos o mundo, temos sempre de ler”, afirma Pinto do Amaral. “Os suportes é que estão a mudar, sobretudo junto das gerações mais jovens, mas a leitura deve ser sempre valorizada”, acrescenta.

Menos jornais gratuitos

Hélder Almeida, que viaja entre Oeiras e o Cais do Sodré há vários anos, tem reparado que os jornais gratuitos que se deixavam nos bancos agora raramente se vêem. Olhando para a informação estatística, tem razão. Segundo dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, a circulação — o número de exemplares que chegam aos pontos de venda, incluindo assinaturas e ofertas — dos dois jornais gratuitos portugueses (Destak e Metro) diminuiu.

A média da circulação do Destak entre Janeiro e Abril de 2012 foi de 71.090 exemplares, abaixo dos 94.944 exemplares em 2011. Em relação ao Metro, este numero passou de 92.798, em 2011, para 70.580 em 2012. Ambos os jornais são maioritariamente lidos por homens e nas áreas da Grande Lisboa e Grande Porto.

Segundo a directora do Destak, Isabel Stilwell, o facto de as pessoas sentirem falta dos exemplares nos transportes públicos é algo gratificante, “embora preferíssemos ter capacidade para ir ao encontro de toda a procura”. Não obstante as estratégias definidas para a distribuição do jornal, Isabel Stilwell afirma que não deixaram “de sofrer as consequências de uma gravíssima crise económica, o que tem obrigado a alguma redução na circulação”.

Junto à janela, já longe de conseguir ver o mar, Hélder Almeida diz que não há tantos jornais a bordo, mas há mais livros. “Agora a literacia é barata, só não lê quem não quer”, afirma. Um destes exemplos é a livraria que existe na estação de Cais do Sodré com livros a partir de 1,5 euros. “E há livros que parecem ter sido escritos a pensar em viagens, com capítulos mais curtos”, acrescenta. Gostava de ler jornais, sobretudo nos dias em que traziam suplementos, mas, nos últimos anos, tem ficado decepcionado. “E via-se muita gente como eu, mas agora nem todos podem gastar 30 euros por mês em jornais. E como a qualidade das reportagens diminuiu muito, já não se justifica [comprá-los]”

No entanto, Luís Pauzinho, de 39 anos, nesse dia comprou um jornal. Excepcionalmente, a capa de um desportivo fê-lo atrasar a paixão pelas bases de dados e guardar o livro que andava a ler. Mais adepto dos livros, durante a semana, no comboio, espreita o jornal das pessoas ao lado. “Não leio grande coisa, mas apanho as [letras] gordas”. Ri-se. Neste dia, porém, se tentar espreitar os jornais à sua volta, não terá grande sorte. São todos desportivos, como o seu.

Cais do Sodré. À volta, a passo acelerado, guardam-se os livros e as revistas ou enfiam-se os jornais debaixo do braço. Há mais comboios a partir, mas como já é hora de trabalho, poucos leitores seguirão lá dentro.
 
Fonte: Portugal

O homem que lê

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira


 Autor do desenho: Friedhelm Wessel

O homem que lê

Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Frase sobre leitura

Nos livros eu viajei, não só para outros mundos, mas o meu eu interior. Eu aprendi quem eu era e quem eu queria ser, ao que poderíamos esperar e como pode se atreve a sonhar sobre mim mesmo. Mas eu senti que eu passei muito tempo em uma dimensão diferente que o outro. Houve vigília, e não dormir. Além disso, havia livros, uma espécie de universo paralelo em que tudo pode acontecer que muitas vezes aconteceu, um universo que pode ser um recém-chegado, mas que nunca foi realmente um estranho. Meu mundo real. Minha ilha perfeita. Anna Quindlen

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Frases sobre leitura

“Um livro pode ser nosso sem nos pertencer. Só um livro lido nos pertence realmente.” Eno Teodoro Wanke
 

Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa, 28 de junho de 1929 – Rio de Janeiro, 28 de maio de 2001) foi um engenheiro e poeta brasileiro.

Fonte: Frases Ilustradas