sábado, 19 de janeiro de 2013

Frase sobre leitura

Nos livros eu viajei, não só para outros mundos, mas o meu eu interior. Eu aprendi quem eu era e quem eu queria ser, ao que poderíamos esperar e como pode se atreve a sonhar sobre mim mesmo. Mas eu senti que eu passei muito tempo em uma dimensão diferente que o outro. Houve vigília, e não dormir. Além disso, havia livros, uma espécie de universo paralelo em que tudo pode acontecer que muitas vezes aconteceu, um universo que pode ser um recém-chegado, mas que nunca foi realmente um estranho. Meu mundo real. Minha ilha perfeita. Anna Quindlen

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Frases sobre leitura

“Um livro pode ser nosso sem nos pertencer. Só um livro lido nos pertence realmente.” Eno Teodoro Wanke
 

Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa, 28 de junho de 1929 – Rio de Janeiro, 28 de maio de 2001) foi um engenheiro e poeta brasileiro.

Fonte: Frases Ilustradas

Sete pecados (não capitais) do “desleitor”

Edson Gabriel Garcia
 
1.Mentira (quando a falta de tempo é apontada como a culpada pela não leitura)

2.Inadimplência (quando a falta de dinheiro é apontada como a causa da não leitura)
 
3.Medo (quando o temor diante de novos saberes apavora)
 
4.Raiva (quando a inércia diante da própria ignorância não vai além da raiva
contra si)
 
5.Inveja (quando a bronca se manifesta contra o saber ampliado de outra
pessoa)
 
6.Mutismo (quando a ignorância impede a fala e o diálogo, impondo um auto
cala-a-boca)
 
7.Preguiça (quando todo texto é difícil ou desinteressante demais para
merecer atenção).
 
Atenção: a palavra pecado foi usada no sentido de “alguma prática ou comportamento que é nocivo ou ruim”, sem nenhuma conotação religiosa.

Por que ler?



Por que ler?
Edson Gabriel Garcia

(Roteiro prático e pretensioso conferido e copilado por Edson Gabriel Garcia)
Algumas respostas intrometidas, abusadas, simplistas, atentas, descuidadas, informadas e simpáticas para você pensar sobre o assunto.

Ler é gostoso porque
.distrai
.faz cócegas no nariz
.alegra
.conforta e equilibra
.estimula a imaginação
.solta as amarras da emoção
.sopra o pó dos sonhos
.(dá sono!)

Ler é bom porque
.abre os olhos
.amplia a visão
.aguça o olfato
.refina o paladar
.dilata o tato
.solta a língua
.aumenta a audição

Ler é necessário porque
.informa saberes
.reforça diálogos
.amplia repertórios
.compara realidades
.sopra o pó da mesmice
.responde perguntas
.formula respostas
.aponta caminhos
.indica entradas e saídas

Ler é fundamental porque

.desacomoda certezas
.cria novos sentidos
.abre janelas para novos saberes
.empurra o limite do saber
.reforça o aspecto coletivo do conhecimento
.amplia a rede de conhecimento
.democratiza o acesso ao saber
.facilita a mediação da leitura
.forma outros leitores

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ler para os pequenos

Ninfa Parreiras


Ao ouvir histórias, os bebês, assim como as crianças, têm seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social estimulado.

Por que as crianças gostam de ouvir histórias? A história contada é diferente da lida? São questões que devem ser discutidas entre os educadores e também no seio das famílias. A leitura é um alimento necessário para a participação na vida social e para a formação cidadã da criança. Ao aprender a ler, ela se apropria do mundo ao seu redor. Isso se dá quando diferentes práticas de leitura acontecem.

As crianças hoje são levadas para a escola cada vez mais cedo, onde ela precisa brincar, aprender e ser cuidada. Brincar é uma atividade necessária para todos. Na infância, a brincadeira possibilita o exercício da fantasia e facilita a comunicação. Mesmo que não haja brinquedos, a criança os inventa. Desde pequena, ela estabelece uma relação com algum objeto ao seu redor, que pode ser um brinquedo ou também um livro. É por meio do contato com esses objetos que ela vai conhecer as coisas e as pessoas: ao tocar, ao levar à boca, ao sentir o que existe perto dela.

Ao mesmo tempo, a entrada no universo da linguagem se dá antes mesmo de a criança ingressar na escola. A maneira como os adultos a cuidam: o olhar, os gestos, os ruídos (desde os sons sem sentido às cantigas), tudo isso inaugura o processo de aproximação com a leitura. Antes da comunicação verbal, o bebê aprende a não verbal, revelada pelos modos como os adultos interagem com ele.

Em pesquisa recente da Fundação Itaú Social, 96% dos brasileiros consideram importante ou muito importante o incentivo à leitura para crianças de até 5 anos. Porém, apenas 37% dos entrevistados leem livros ou contam histórias para elas. Por que poucos adultos leem para as crianças?

A leitura não atrapalha o desenvolvimento escolar da criança, ela é uma ferramenta para os pais e educadores. As crianças precisam ouvir histórias para aguçar sua imaginação. Isso facilita o processo de letramento, de aquisição da leitura e escrita autônomas. Ao ouvir histórias, seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social é estimulado.

Os educadores podem e devem criar situações lúdicas, em que os sons e as palavras são os instrumentos para introduzir a criança no mundo da literatura. Ao cantar versos para as crianças ou juntamente com elas, o educador traz um ritmo e uma melodia que são repetidos por elas. Novas palavras e novos sons são descobertos. Ao fazer uma roda e ler uma história ou um poema, o educador estabelece um momento de encantamento e descobertas.

Muitas vezes, por falta de informação ou de esclarecimentos, o contato com a leitura se dá de uma forma mecânica e pouco natural. Ao cantar (cantigas de ninar e de roda, adivinhas, parlendas) para os bebês e crianças, os adultos contribuem para a aproximação deles com a literatura. A tradição oral revela um manancial de expressões que podem iniciar os pequenos no universo literário. Ao mesmo tempo, a cultura letrada está cada vez mais perto de nós.

Antes de a criança frequentar a escola, os pais deveriam envolve-la com a literatura, seja por meio de acalantos, das cantigas, seja por meio de livros de histórias e de poesia. É importante a criança ouvir o texto lido. Um conto lido é diferente de uma história contada. O que está escrito tem pausas, silêncios, ritmos próprios da língua escrita. A voz e a cadência da leitura marcam uma relação de confiança, de acolhimento para quem ouve. Para tanto, é necessário que o local seja preparado para o conforto das crianças, estejam sentadas ou deitadas. O adulto deve ler e ao mesmo tempo olhar para as crianças. Não deve se preocupar com conteúdos pesados (a violência, por exemplo) que estejam em textos ficcionais. A ficção é uma coisa que foi criada para divertir, distrair quem lê. As crianças sabem que nos livros há histórias cheias de encantamento, de fantasias, de terror. Elas precisam disso para viver, para elaborar as vicissitudes da vida cotidiana.

Quando sonhamos, reproduzimos imagens e sensações que fogem ao nosso controle, à nossa razão. As histórias ficcionais são feiras também desse material: da desrazão, daquilo que não tem explicação racional. Esses elementos presentes na literatura ajudam as crianças a entenderem os mistérios da nossa existência: o crescimento, as mudanças no corpo, as separações e as faltas.

As famílias devem se comprometer com o trabalho desenvolvido pela escola. O educador pode convidar os responsáveis pelas crianças para encontros com a leitura de obras selecionadas. Por sua vez, pedir a criança para trazer um livro de casa é uma maneira de conhecer o repertório da família. Um convite aos pais para irem à escola lerem ou contarem uma história pode ser um passo para um vínculo entre a escola, a família e a leitura.

Ninfa Parreiras – psicanalista, professora, autora de obras literárias e de ensaios para adultos, como O Brinquedo na Literatura Infantil: uma leitura psicanalítica (Biruta) e Do ventre ao colo, do som à literatura: livros para bebês e crianças (RHJ).
 

Fonte: Carta Fundamental, n.43, p.20-21, nov. 2012