A proposta do blog é reunir trabalhos e ideias que fomentem o incentivo a leitura.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
O maravilhoso prazer de ler
Carlos Eduardo
Vários são os prazeres e as funções da leitura. Com ela, pode-se obter mais informação mais saber, refletir sobre algo, entre utras utilidades. A leitura pode ser comparada como o alimento, pois por meio dela pode-se saborear, mastigar, engolir determinado texto e se nutrir de informações e conhecimentos.
Há inúmeros prazeres que uma leitura pode trazer, depende do objetivo de cada leitor, pois por meio desse ato, o ser leitor está buscando aquilo que necessita para suprir o que sente. Caso esteja se sentindo só, a leitura é uma das mais belas e seguras companhias, já que por meio dela pode-se viajar para os lugares nunca dantes conhecidos.
Ainda sobre a questão do alimento, pode-se alimentar através do ato de ler, se estiver com fome de saber, e pode-se até mesmo fazer a pergunta do tipo "que necessidade se tem? Está com vontade de 'comer' que tipo de leitura?"
Através desses questionamentos, pode-se escolher o 'alimento' correto, ou seja, a leitura correta, de acordo com as necessidades de cada um.
O prazer de ler é uma das ferramentas mais importantes paa se obter sucesso no ato da leitura, mas esse processo precisa também obter um trabalho social, ou seja, as letras, as palavras, frases, textos dos mais variados padrões e funções estão espalhaos pelo mundo, de forma a ajudar aos cidadãos a terem uma vida mais plena e digna.
E o mais interessante de tudo issoé que esse prazer em ler está associado a uma ligação entre os seres leitores, que desde crianças podem aprender e ter a oportunidade de usufruir desse prazer desde pequenos, quando os adultos leem para os seus filhos, ou os professores leem para seus alunos e, dessa forma, os pequenos que ainda não conseguem ler sozinhos, para si, obtêm esse prazer através do outro ser.
Esses contadores de histórias, por sua vez, facilitam o começo da leitura para essas crianças, que mais tarde farão o mesmo por outras e assim por diante, é um ciclo.
Todos os seres humanos possuem o direito de saber ler e escrever, é sabido que nem todos podem usufruir desse direito, mas a cada dia está se percebendo o crescimento e a cionscientização de que ler precisa fazer parte da vida de todos os meninos, meninas, homens e mulheres, visto que estes possuem a capacidade de pensar, refletir, memorizar, aprender, obter o conhecimentoe as informações de que precisam.
Através desse direito, acontece uma dinâmica bem interessante, ou seja, aquilo que uma pessoa escreve, outra supostamente lerá e fará uso daquilo, seja para uma informação, na leirtura de um mapa, nos preços dos supermercado, bulas de remédio, na legenda do cinema, nos recados dos professores na agenda escolar, no letreiro do outdoor, nas placas de avisos, nos cartazes em geral, nas campanhas publicitárias, na lousa das escolas, no jornal, nas revistas, nas cartas, nas mensagens enviadas pelos celulares, ou bips, nas internet, enfim, vários são os modos de se relacionar , fazendo com que esse direito de cidadania, que é a leitura, possa realmente acontecer no dia a dia das pessoas.
Então, está esperando o que para começar uma bela e interessante leitura?
Carlos Eduardo, Especialista em Língua Portuguesa aplicada na sala de aula, coordenador do Programa O POVO na Educação do Jornal O POVO - Fortaleza-CE e professor de Língua Portuguesa de ensino fundamental e médio.
Fonte: Folha da Região
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Como a biblioteca ajuda na formação de jovens leitores
A leitura para as crianças é importante para formar adultos
leitores, com mais facilidade para escrever e se comunicar. Quase todos
os brasileiros concordam com isso
No entanto, essa também não é uma realidade no Brasil. Na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, 67% dos entrevistados declararam a existência de uma biblioteca pública no bairro ou na cidade em que moram e, entre esses, 71% a classificaram como de "fácil acesso", porém apenas 24% afirmaram frequentá-las e somente 12% costumam ler em bibliotecas. Uma possível explicação para essa "impopularidade" das bibliotecas está na representação desses espaços no imaginário da população. A maioria as associa a lugares para estudar (71%) ou pesquisar (61%). Poucos veem as bibliotecas como espaços de lazer (12%) ou para passar o tempo (10%). Um outro dado que chama a atenção é que 33% afirmaram que "nada" os faria frequentar uma biblioteca.
Para falar sobre a importância e as possibilidades das bibliotecas, conversamos com Maria Antonieta Cunha, diretora do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas da Biblioteca Nacional, e Marcos Afonso Pontes de Souza, diretor da Biblioteca da Floresta, uma biblioteca especializada em assuntos e autores da Amazônia e do Acre, criada pelo Governo do Estado do Acre.
A função da biblioteca: O objetivo de uma biblioteca é colocar à disposição dos usuários materiais do seu interesse, mas foi-se o tempo em que as bibliotecas eram lugares chatos e empoeirados. "A biblioteca é extremamente dinâmica e progride cada vez mais com o desenvolvimento da própria ideia da ciência da informação", diz Maria Antonieta. "Em uma biblioteca, coexistem, por exemplo, o computador, a internet e outras artes que estabelecem um diálogo importante com a literatura para a formação da cabeça do cidadão".
A biblioteca não pode ser vista apenas como um lugar de consulta e pesquisa para complementar o currículo da escola.
Formando leitores: Para aproximar a população dos livros, a biblioteca não deve se limitar a suas quatro paredes. "Dá para criar uma série de atividades seja na empresa, na escola, na praça pública ou no presídio e aí a biblioteca estará cumprindo o seu papel que é ajudar a formar cidadãos leitores", explica Maria Antonieta. Para a diretora, a biblioteca cria leitores ao desenvolver neles o gosto pelo conhecimento e o gosto pela literatura e artes em geral. No entanto, no geral, as bibliotecas não estão preparadas para isso. "Os bibliotecários e os espaços que nós temos, muitas vezes, não facilitam essa ação", diz.
A biblioteca e as crianças: As crianças estão sempre em busca de conhecimento. Por isso, a biblioteca é o lugar ideal para os pequenos. Algumas bibliotecas têm atividades especiais para as crianças. A Biblioteca da Floresta, por exemplo, desenvolveu uma série de atividades na Semana da Criança, como contações de histórias e fantoches, jogos online educativos e jogos de tabuleiros, cantigas de roda e piquenique.
Fazer rodas de leitura, trazer autores de livros, inventar histórias ou até mesmo deixar a criança se movimentar livre para a biblioteca são bons exemplos de atividades, segundo Maria Antonieta. "Fazendo da biblioteca um espaço não só de leitura, mas de criação, nós conseguimos fazer a criança se interessar tanto pelo espaço da biblioteca quanto pela leitura, que é o objetivo maior", explica.
Como aproveitar a biblioteca: São os adultos, professores e pais, que despertam o interesse da criança pela biblioteca. No entanto, ir à biblioteca não deve ser um castigo ou uma obrigação. "É preciso fazer uma visita não burocrática, mas de sensibilização do espaço", diz Marcos Afonso. Para Maria Antonieta, "a biblioteca deve ser apresentada como um espaço de escolha de leituras. É um lugar para desvendar um mundo".
Foto: Cintia Sanchez / Divulgação
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A leitura para as crianças é importante para formar adultos leitores,
com mais facilidade para escrever e se comunicar. Quase todos os
brasileiros concordam com isso, mas apenas 37% costuma ler para as
crianças, segundo pesquisa realizada pela Fundação Itaú em parceria com o
Datafolha. Uma visita à biblioteca pode ajudar a mudar essa realidade.
Na
biblioteca, há muito mais variedade de obras, além de espaços especiais
para realizar a leitura. Para as crianças, ter o hábito de frequentar
uma biblioteca, além de trazer grande aprendizado, pode ser uma grande
diversão.
No entanto, essa também não é uma realidade no Brasil. Na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, 67% dos entrevistados declararam a existência de uma biblioteca pública no bairro ou na cidade em que moram e, entre esses, 71% a classificaram como de "fácil acesso", porém apenas 24% afirmaram frequentá-las e somente 12% costumam ler em bibliotecas. Uma possível explicação para essa "impopularidade" das bibliotecas está na representação desses espaços no imaginário da população. A maioria as associa a lugares para estudar (71%) ou pesquisar (61%). Poucos veem as bibliotecas como espaços de lazer (12%) ou para passar o tempo (10%). Um outro dado que chama a atenção é que 33% afirmaram que "nada" os faria frequentar uma biblioteca.
Para falar sobre a importância e as possibilidades das bibliotecas, conversamos com Maria Antonieta Cunha, diretora do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas da Biblioteca Nacional, e Marcos Afonso Pontes de Souza, diretor da Biblioteca da Floresta, uma biblioteca especializada em assuntos e autores da Amazônia e do Acre, criada pelo Governo do Estado do Acre.
A função da biblioteca: O objetivo de uma biblioteca é colocar à disposição dos usuários materiais do seu interesse, mas foi-se o tempo em que as bibliotecas eram lugares chatos e empoeirados. "A biblioteca é extremamente dinâmica e progride cada vez mais com o desenvolvimento da própria ideia da ciência da informação", diz Maria Antonieta. "Em uma biblioteca, coexistem, por exemplo, o computador, a internet e outras artes que estabelecem um diálogo importante com a literatura para a formação da cabeça do cidadão".
A biblioteca não pode ser vista apenas como um lugar de consulta e pesquisa para complementar o currículo da escola.
Formando leitores: Para aproximar a população dos livros, a biblioteca não deve se limitar a suas quatro paredes. "Dá para criar uma série de atividades seja na empresa, na escola, na praça pública ou no presídio e aí a biblioteca estará cumprindo o seu papel que é ajudar a formar cidadãos leitores", explica Maria Antonieta. Para a diretora, a biblioteca cria leitores ao desenvolver neles o gosto pelo conhecimento e o gosto pela literatura e artes em geral. No entanto, no geral, as bibliotecas não estão preparadas para isso. "Os bibliotecários e os espaços que nós temos, muitas vezes, não facilitam essa ação", diz.
A biblioteca e as crianças: As crianças estão sempre em busca de conhecimento. Por isso, a biblioteca é o lugar ideal para os pequenos. Algumas bibliotecas têm atividades especiais para as crianças. A Biblioteca da Floresta, por exemplo, desenvolveu uma série de atividades na Semana da Criança, como contações de histórias e fantoches, jogos online educativos e jogos de tabuleiros, cantigas de roda e piquenique.
Fazer rodas de leitura, trazer autores de livros, inventar histórias ou até mesmo deixar a criança se movimentar livre para a biblioteca são bons exemplos de atividades, segundo Maria Antonieta. "Fazendo da biblioteca um espaço não só de leitura, mas de criação, nós conseguimos fazer a criança se interessar tanto pelo espaço da biblioteca quanto pela leitura, que é o objetivo maior", explica.
Como aproveitar a biblioteca: São os adultos, professores e pais, que despertam o interesse da criança pela biblioteca. No entanto, ir à biblioteca não deve ser um castigo ou uma obrigação. "É preciso fazer uma visita não burocrática, mas de sensibilização do espaço", diz Marcos Afonso. Para Maria Antonieta, "a biblioteca deve ser apresentada como um espaço de escolha de leituras. É um lugar para desvendar um mundo".
Pensando na comunidade: A
biblioteca deve atender a comunidade. Nesse sentido, a Biblioteca da
Floresta é inovadora por ser temática. O acervo é voltado para a
história da região, com material sobre os índios, os seringueiros, a
floresta e a trajetória da luta socioambiental da Amazônia. Maria
Antonieta explica que algumas bibliotecas estão inseridas em espaços
onde é importante ter essa especificidade, como é o caso de Rio Branco.
"Conforme a localização e o interessa da comunidade, deve haver sim uma
linha dentro do arquivo que contemple o tema que é uma grande demanda
daquela comunidade". Porém, mesmo nas bibliotecas temáticas, é
importante que o acervo também seja variado, para atrair e conquistar
novos leitores.
Fonte: Jornal da Manhã
domingo, 21 de outubro de 2012
30 mandamentos para ser leitor, escritor e crítico
Decalógo do leitor
Por Alberto Mussa
I - Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer.
II - Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais. Serão cinqüenta, serão cem. Não devem faltar As mil e uma noites, Dostoiévski, Thomas Mann, Balzac, Adonias, Conrad, Jorge de Lima, Poe, García Márquez, Cervantes, Alencar, Camões, Dumas, Dante, Shakespeare, Wassermann, Melville, Flaubert, Graciliano, Borges, Tchekhov, Sófocles, Machado, Schnitzler, Carpentier, Calvino, Rosa, Eça, Perec, Roa Bastos, Onetti, Boccaccio, Jorge Amado, Benedetti, Pessoa, Kafka, Bioy Casares, Asturias, Callado,Rulfo, Nelson Rodrigues, Lorca, Homero, Lima Barreto, Cortázar, Goethe, Voltaire, Emily Brontë, Sade, Arregui, Verissimo, Bowles, Faulkner, Maupassant, Tolstói, Proust, Autran Dourado, Hugo, Zweig, Saer, Kadaré, Márai, Henry James, Castro Alves.
III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver lendo deitado, ou num ônibus, ou na praia, ou em qualquer outra situação imprópria, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso.
IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. Com dois por mês, serão 1.440. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. Serão apenas 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.
V - Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam. Também é importante criticar o autor, apontar falhas e inverossimilhanças. Anote telefones e endereços de pessoas proibidas, faça cálculos nas inúteis páginas finais. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, com mais comodidade e rapidez que mexendo em teclados ou cursores de tela. O livro vai com você ao banheiro e à cama. Vai com você de metrô, de ônibus, e de táxi. Vai com você para outros países. Há apenas duas regras básicas: use lápis; e não empreste.
Por Alberto Mussa
I - Nunca leia por hábito: um livro não é uma escova de dentes. Leia por vício, leia por dependência química. A literatura é a possibilidade de viver vidas múltiplas, em algumas horas. E tem até finalidades práticas: amplia a compreensão do mundo, permite a aquisição de conhecimentos objetivos, aprimora a capacidade de expressão, reduz os batimentos cardíacos, diminui a ansiedade, aumenta a libido. Mas é essencialmente lúdica, é essencialmente inútil, como devem ser as coisas que nos dão prazer.
II - Comece a ler desde cedo, se puder. Ou pelo menos comece. E pelos clássicos, pelos consensuais. Serão cinqüenta, serão cem. Não devem faltar As mil e uma noites, Dostoiévski, Thomas Mann, Balzac, Adonias, Conrad, Jorge de Lima, Poe, García Márquez, Cervantes, Alencar, Camões, Dumas, Dante, Shakespeare, Wassermann, Melville, Flaubert, Graciliano, Borges, Tchekhov, Sófocles, Machado, Schnitzler, Carpentier, Calvino, Rosa, Eça, Perec, Roa Bastos, Onetti, Boccaccio, Jorge Amado, Benedetti, Pessoa, Kafka, Bioy Casares, Asturias, Callado,Rulfo, Nelson Rodrigues, Lorca, Homero, Lima Barreto, Cortázar, Goethe, Voltaire, Emily Brontë, Sade, Arregui, Verissimo, Bowles, Faulkner, Maupassant, Tolstói, Proust, Autran Dourado, Hugo, Zweig, Saer, Kadaré, Márai, Henry James, Castro Alves.
III - Nunca leia sem dicionário. Se estiver lendo deitado, ou num ônibus, ou na praia, ou em qualquer outra situação imprópria, anote as palavras que você não conhece, para consultar depois. Elas nunca são escritas por acaso.
IV - Perca menos tempo diante do computador, da televisão, dos jornais e crie um sistema de leitura, estabeleça metas. Se puder ler um livro por mês, dos 16 aos 75 anos, terá lido 720 livros. Se, no mês das férias, em vez de um, puder ler quatro, chegará nos 900. Com dois por mês, serão 1.440. À razão de um por semana, alcançará 3.120. Com a média ideal de três por semana, serão 9.360. Serão apenas 9.360. É importante escolher bem o que você vai ler.
V - Faça do livro um objeto pessoal, um objeto íntimo. Escreva nele; assinale as frases marcantes, as passagens que o emocionam. Também é importante criticar o autor, apontar falhas e inverossimilhanças. Anote telefones e endereços de pessoas proibidas, faça cálculos nas inúteis páginas finais. O livro é o mais interativo dos objetos. Você pode avançar e recuar, folheando, com mais comodidade e rapidez que mexendo em teclados ou cursores de tela. O livro vai com você ao banheiro e à cama. Vai com você de metrô, de ônibus, e de táxi. Vai com você para outros países. Há apenas duas regras básicas: use lápis; e não empreste.
| VI -
Não se deixe dominar pelo complexo de vira-lata. Leia muito, leia
sempre a literatura brasileira. Ela está entre as grandes. Temos o maior
escritor do século XIX, que foi Machado de Assis; e um dos cinco
maiores do século XX, que foram Borges, Perec, Kafka, Bioy Casares e
Guimarães Rosa. Temos um dos quatro maiores épicos ocidentais, que foram
Homero, Dante, Camões e Jorge de Lima. E temos um dos três maiores
dramaturgos de todos os tempos, que foram Sófocles, Shakespeare e Nelson
Rodrigues. VII - Na natureza, são as espécies muito adaptadas ao próprio hábitat que tendem mais rapidamente à extinção. Prefira a literatura brasileira, mas faça viagens regulares. Das letras européias e da América do Norte vem a maioria dos nossos grandes mestres. A literatura hispano-americana é simplesmente indispensável. Particularmente os argentinos. Mas busque também o diferente: há grandezas literárias na África e na Ásia. Impossível desconhecer Angola, Moçambique e Cabo Verde. Volte também ao passado: à Idade Média, ao mundo árabe, aos clássicos gregos e latinos. E não esqueça o Oriente; não esqueça que literatura nenhuma se compara às da Índia e às da China. E chegue, finalmente, às mitologias dos povos ágrafos, mergulhe na poesia selvagem. São eles que estão na origem disso tudo; é por causa deles que estamos aqui. VIII - Tente evitar a repetição dos mesmos gêneros, dos mesmos temas, dos mesmos estilos, dos mesmos autores. A grande literatura está espalhada por romances, contos, crônicas, poemas e peças de teatro. Nenhum gênero é, em tese, superior a outro. Não se preocupe, aliás, com o conceito de gênero: história, filosofia, etnologia, memórias, viagens, reportagem, divulgação científica, auto-ajuda – tudo isso pode ser literatura. Um bom livro tem de ser inteligente, bem escrito e capaz de provocar alguma espécie de emoção. IX - A vida tem outras coisas muito boas. Por isso, não tenha pena de abandonar pelo meio os livros desinteressantes. O leitor experiente desenvolve a capacidade de perceber logo, em no máximo 30 páginas, se um livro será bom ou mau. Só não diga que um livro é ruim antes de ler pelo menos algumas linhas: nada pode ser tão estúpido quanto o preconceito. X - Forme seu próprio cânone. Se não gostar de um clássico, não se sinta menos inteligente. Não se intimide quando um especialista diz que determinado autor é um gênio, e que o livro do gênio é historicamente fundamental. O fato de uma obra ser ou não importante é problema que tange a críticos; talvez a escritores. Não leve nenhum deles a sério; não leve a literatura a sério; não leve a vida a sério. E faça o seu próprio decálogo: neste momento, você será um leitor. |
Decálogo do autor
Por Miguel Sanches Neto
Depois de leitor, você pode se tornar, então, escritor– embora, pasme, muitos hoje pulem a leitura, por julgá-la dispensável, e já desejem publicar
I - Não fique mandando seus originais para todo mundo.Acontece que você escreve para ser lido extramuros, e deseja testar sua obra num terreno mais neutro. E não quer ficar a vida inteira escrevendo apenas para uma pessoa. O que fazer então para não virar um chato? No passado, eu aconselharia mandar os textos para jornais e revistas literárias, foi o que eu fiz quando era um iniciante bem iniciante. Mas os jovens agora têm uma arma mais democrática. Publicar na internet. Há muitos espaços coletivos, uma liberdade de inclusão de textos novos e você ainda pode criar seu próprio site ou blog, mas cuidado para não incomodar as pessoas, enviando mensagens e avisos para que leiam você.
II - Publique seus textos em sites e blogs e deixe que sigam o rumo deles. Depois de um tempo publicando eletronicamente, você vai encontrar alguns leitores. Terá de ler os textos deles, e dar opiniões e fazer sugestões, mas também receberá muitas dicas.
III - Leia os contemporâneos, até para saber onde é o seu lugar. Existe um batalhão de internautas ávidos por leitura e em alguns casos você atingirá o alvo e terá acontecido a magia de um texto encontrar a pessoa que o justifica. Mas todo texto escrito na internet sonha um dia virar livro. Sites e blogs são etapas, exercícios de aquecimento. Só o livro impresso dá status autoral. O que fazer quando eu tiver mais de dois gigas de textos literários? Está na hora de publicar um livro maior do que Em busca do tempo perdido? Bem, é nesse momento que você pode continuar sendo um escritor iniciante comum ou subir à categoria de iniciante com experiência. Você terá que reduzir essas centenas e centenas de páginas a um formato razoável, que não tome muito tempo de leitura de quem, eventualmente, se interessar por um livro de estréia. Para isso,
você terá de ser impiedoso, esquecer os elogios da mulher e dos amigos e selecionar seu produto, trabalhando duro para que fique sempre melhor.
IV - Considere apenas uma pequenina parte de toda a sua produção inicial, e invista na revisão dela, sabendo que revisar é cortar. O livro está pronto. Não tem mais do que 200 páginas, você dedicou anos a ele e ainda continua um iniciante. Mas um iniciante responsável, pois não mandou logo imprimir suas obras completas com não sei quantos tomos, logo você que talvez nem tenha completado 30 anos. Mas você quer fazer circular a sua literatura de maneira mais formal. Quer o livro impresso. E isso é hoje muito fácil. Você conhece um amigo que conhece uma gráfica digital que faz pequenas tiragens e parcela em tantas vezes. O livro está pronto. E anda sobrando um dinheirinho, é só economizar na cerveja.
V - Gaste todo seu dinheiro extra em cerveja, viagens, restaurantes e não pague a publicação do próprio livro. Se você fizer isso, ficará novamente ansioso para mandar a todo mundo o volume, esperando opiniões que vão comparar o seu trabalho ao dos mestres. O livro impresso, mesmo quando auto-impresso, dá esta sensação de poder. Somos enfim Autores. E podemos montar frases assim: Borges e eu valorizamos o universal. Do ponto de vista técnico, Borges e eu estamos no mesmo nível: produzimos obras impressas; mas a comparação não vai adiante. Então como publicar o primeiro livro se não conhecemos ninguém nas editoras? E aí começa um outro problema: procurar pessoas bem postas em editoras e solicitar apresentações. Na maioria das vezes isso não funciona. E, mesmo quando o livro é publicado, ele não acontece, pois foi um movimento artificial.
Por Miguel Sanches Neto
Depois de leitor, você pode se tornar, então, escritor– embora, pasme, muitos hoje pulem a leitura, por julgá-la dispensável, e já desejem publicar
I - Não fique mandando seus originais para todo mundo.Acontece que você escreve para ser lido extramuros, e deseja testar sua obra num terreno mais neutro. E não quer ficar a vida inteira escrevendo apenas para uma pessoa. O que fazer então para não virar um chato? No passado, eu aconselharia mandar os textos para jornais e revistas literárias, foi o que eu fiz quando era um iniciante bem iniciante. Mas os jovens agora têm uma arma mais democrática. Publicar na internet. Há muitos espaços coletivos, uma liberdade de inclusão de textos novos e você ainda pode criar seu próprio site ou blog, mas cuidado para não incomodar as pessoas, enviando mensagens e avisos para que leiam você.
II - Publique seus textos em sites e blogs e deixe que sigam o rumo deles. Depois de um tempo publicando eletronicamente, você vai encontrar alguns leitores. Terá de ler os textos deles, e dar opiniões e fazer sugestões, mas também receberá muitas dicas.
III - Leia os contemporâneos, até para saber onde é o seu lugar. Existe um batalhão de internautas ávidos por leitura e em alguns casos você atingirá o alvo e terá acontecido a magia de um texto encontrar a pessoa que o justifica. Mas todo texto escrito na internet sonha um dia virar livro. Sites e blogs são etapas, exercícios de aquecimento. Só o livro impresso dá status autoral. O que fazer quando eu tiver mais de dois gigas de textos literários? Está na hora de publicar um livro maior do que Em busca do tempo perdido? Bem, é nesse momento que você pode continuar sendo um escritor iniciante comum ou subir à categoria de iniciante com experiência. Você terá que reduzir essas centenas e centenas de páginas a um formato razoável, que não tome muito tempo de leitura de quem, eventualmente, se interessar por um livro de estréia. Para isso,
você terá de ser impiedoso, esquecer os elogios da mulher e dos amigos e selecionar seu produto, trabalhando duro para que fique sempre melhor.
IV - Considere apenas uma pequenina parte de toda a sua produção inicial, e invista na revisão dela, sabendo que revisar é cortar. O livro está pronto. Não tem mais do que 200 páginas, você dedicou anos a ele e ainda continua um iniciante. Mas um iniciante responsável, pois não mandou logo imprimir suas obras completas com não sei quantos tomos, logo você que talvez nem tenha completado 30 anos. Mas você quer fazer circular a sua literatura de maneira mais formal. Quer o livro impresso. E isso é hoje muito fácil. Você conhece um amigo que conhece uma gráfica digital que faz pequenas tiragens e parcela em tantas vezes. O livro está pronto. E anda sobrando um dinheirinho, é só economizar na cerveja.
V - Gaste todo seu dinheiro extra em cerveja, viagens, restaurantes e não pague a publicação do próprio livro. Se você fizer isso, ficará novamente ansioso para mandar a todo mundo o volume, esperando opiniões que vão comparar o seu trabalho ao dos mestres. O livro impresso, mesmo quando auto-impresso, dá esta sensação de poder. Somos enfim Autores. E podemos montar frases assim: Borges e eu valorizamos o universal. Do ponto de vista técnico, Borges e eu estamos no mesmo nível: produzimos obras impressas; mas a comparação não vai adiante. Então como publicar o primeiro livro se não conhecemos ninguém nas editoras? E aí começa um outro problema: procurar pessoas bem postas em editoras e solicitar apresentações. Na maioria das vezes isso não funciona. E, mesmo quando o livro é publicado, ele não acontece, pois foi um movimento artificial.
VI - Nunca peça a ninguém para indicar o
seu livro a uma editora. Se por acaso um amigo conhece e gosta de seu
trabalho, ele vai fazer isso naturalmente, com alguma chance de sucesso.
Tente fazer tudo sozinho, como se não tivesse ninguém mais para ajudar
você do que o seu próprio livro. Sim, este livro em que você colocou
todas as suas fichas. E como você só pode contar com ele...
VII - Mande seu livro a todos os concursos possíveis e a editoras bem escolhidas, pois cada uma tem seu perfil editorial. É melhor gastar seu dinheiro com selos e fotocópias do que com a impressão de uma obra que não será distribuída e que terá de ser enviada a quem não a solicitou. Enquanto isso, dedique-se a atividades afins para controlar a ansiedade, porque essas coisas de literatura demoram, demoram muito mesmo. Você pode traduzir textos literários para consumo próprio ou para jornais e revistas, pode fazer resenhas de obras marcantes, ler os clássicos ou simplesmente manter um diário íntimo. O importante é se ocupar. Com sorte e tendo o livro alguma qualidade além de ter custado tanto esforço, ele acaba publicado. Até o meu terminou publicado, e foi quando me tornei um iniciante adulto. Tinha um livro de ficção no catálogo de uma grande editora. E aí tive de aprender outras coisas. Há centenas de livros de iniciantes chegando aos jornais e revistas para resenhas e uma quantidade muito maior de títulos consagrados. E a maioria vai ficar sem espaço nos jornais. E é natural que os exemplares distribuídos para a imprensa acabem nos sebos, pois não há resenhistas para tantas obras.
VIII - Não force os amigos e conhecidos a escrever sobre seu livro. Não quer dizer que eles não possam escrever, podem sim, mas mande o livro e, se eles não acusarem recebimento ou não comentarem mais o assunto, esqueça e não lhes queira mal, eles são nossos amigos mesmo não gostando do que escrevemos. Se um ou outro amigo escrever sobre o livro, festeje mesmo se ele não entender nada ou valorizar coisas que não julgamos relevantes em nosso trabalho. E mande umas palavras de agradecimento, pois você teve enfim uma apreciação. E se um amigo escrever mal de nosso livro, justamente dessa obra que nos custou tanto? Se for um desconhecido, ainda vá lá, mas um amigo, aquele amigo para quem você fez isso e aquilo.
IX - Nunca passe recibo às críticas negativas. Ao publicar você se torna uma pessoa pública. E deve absorver todas as opiniões, inclusive os elogios equivocados. Deixe que as opiniões se formem em torno de seu trabalho, e talvez a verdade suplante os equívocos, principalmente se a verdade for que nosso trabalho não é lá essas coisas. O livro está publicado, você já pensa no próximo, saíram algumas resenhas, umas superficiais, outras negativas, uma muito correta. Você é então um iniciante com um currículo mínimo. Daí você recebe a prestação de contas da editora, dizendo que, no primeiro trimestre, as devoluções foram maiores do que as vendas. Como isso é possível? Vejam quantos livros a editora mandou de cortesia. Eu não posso ter vendido apenas 238 exemplares se, só no lançamento, vendi 100, o gerente da livraria até elogiou – enfim uma vantagem de ter família grande.
X - Evite reclamar de sua editora. Uma editora não existe para reverenciar nosso talento a toda hora. É uma empresa que busca o lucro, que tem dezenas de autores iguais a nós e que quer ter lucro com nosso livro, sendo a primeira prejudicada quando ele não vende. Não precisamos dizer que é a melhor editora do mundo só porque nos editou, mas é bom pensar que ocorreu uma aposta conjunta e que não se alcançou o resultado esperado. Mas que há oportunidades para outras apostas e, um dia, quem sabe...Foi tentando seguir estas regras que consegui ser o autor iniciante que hoje eu sou.
VII - Mande seu livro a todos os concursos possíveis e a editoras bem escolhidas, pois cada uma tem seu perfil editorial. É melhor gastar seu dinheiro com selos e fotocópias do que com a impressão de uma obra que não será distribuída e que terá de ser enviada a quem não a solicitou. Enquanto isso, dedique-se a atividades afins para controlar a ansiedade, porque essas coisas de literatura demoram, demoram muito mesmo. Você pode traduzir textos literários para consumo próprio ou para jornais e revistas, pode fazer resenhas de obras marcantes, ler os clássicos ou simplesmente manter um diário íntimo. O importante é se ocupar. Com sorte e tendo o livro alguma qualidade além de ter custado tanto esforço, ele acaba publicado. Até o meu terminou publicado, e foi quando me tornei um iniciante adulto. Tinha um livro de ficção no catálogo de uma grande editora. E aí tive de aprender outras coisas. Há centenas de livros de iniciantes chegando aos jornais e revistas para resenhas e uma quantidade muito maior de títulos consagrados. E a maioria vai ficar sem espaço nos jornais. E é natural que os exemplares distribuídos para a imprensa acabem nos sebos, pois não há resenhistas para tantas obras.
VIII - Não force os amigos e conhecidos a escrever sobre seu livro. Não quer dizer que eles não possam escrever, podem sim, mas mande o livro e, se eles não acusarem recebimento ou não comentarem mais o assunto, esqueça e não lhes queira mal, eles são nossos amigos mesmo não gostando do que escrevemos. Se um ou outro amigo escrever sobre o livro, festeje mesmo se ele não entender nada ou valorizar coisas que não julgamos relevantes em nosso trabalho. E mande umas palavras de agradecimento, pois você teve enfim uma apreciação. E se um amigo escrever mal de nosso livro, justamente dessa obra que nos custou tanto? Se for um desconhecido, ainda vá lá, mas um amigo, aquele amigo para quem você fez isso e aquilo.
IX - Nunca passe recibo às críticas negativas. Ao publicar você se torna uma pessoa pública. E deve absorver todas as opiniões, inclusive os elogios equivocados. Deixe que as opiniões se formem em torno de seu trabalho, e talvez a verdade suplante os equívocos, principalmente se a verdade for que nosso trabalho não é lá essas coisas. O livro está publicado, você já pensa no próximo, saíram algumas resenhas, umas superficiais, outras negativas, uma muito correta. Você é então um iniciante com um currículo mínimo. Daí você recebe a prestação de contas da editora, dizendo que, no primeiro trimestre, as devoluções foram maiores do que as vendas. Como isso é possível? Vejam quantos livros a editora mandou de cortesia. Eu não posso ter vendido apenas 238 exemplares se, só no lançamento, vendi 100, o gerente da livraria até elogiou – enfim uma vantagem de ter família grande.
X - Evite reclamar de sua editora. Uma editora não existe para reverenciar nosso talento a toda hora. É uma empresa que busca o lucro, que tem dezenas de autores iguais a nós e que quer ter lucro com nosso livro, sendo a primeira prejudicada quando ele não vende. Não precisamos dizer que é a melhor editora do mundo só porque nos editou, mas é bom pensar que ocorreu uma aposta conjunta e que não se alcançou o resultado esperado. Mas que há oportunidades para outras apostas e, um dia, quem sabe...Foi tentando seguir estas regras que consegui ser o autor iniciante que hoje eu sou.
Decálogo do crítico
Por Michel Laub
Ler por obrigação, ganhar pouco, ser odiado por autores criticados ou ignorados por você. Ante tantos dissabores, saiba para que serve, afinal, fazer crítica literária
I - Um bom começo pode ser a leitura de O imperador do vinho, de Elin McCoy, a biografia do americano Robert Parker. Trata-se da figura mais polêmica do universo milionário da enologia. Uma nota alta na The Wine Advocate, sua newsletter, é capaz de enriquecer um fabricante; uma nota baixa pode significar a falência. O olfato de Parker é segurado em cerca de US$ 1 milhão. Ao longo dos anos, percebeu-se que ele gostava de vinhos frutados. Muitas propriedades, até algumas tradicionais da França, passaram a chamar especialistas para estudar o solo, mudar a forma do plantio e da colheita, tudo para colher uvas que originassem vinhos adequados a esse gosto.
II - Saiba que esse talvez seja o exemplo máximo de crítico bem-sucedido no mundo de hoje – rico de fato, influente de fato, uma presença de fato essencial em seu meio. Quase todos os outros profissionais da categoria, trabalhem eles com música, cinema, gastronomia, televisão ou concursos de beleza, estão bem mais próximos da figura descrita por George Orwell em Confissões de um resenhista: “Trinta e cinco anos, mas aparenta cinqüenta(...) [trabalha num] conjugado frio, mas abafado (...). Dos milhares de livros que aparecem todo ano, é quase certo que existam 50 ou 100 sobre os quais teria prazer em escrever. Se for de primeira categoria na profissão, pode conseguir dez ou vinte. É mais provável que consiga dois ou três”.
III - Ou seja, prepare-se para uma atividade enfadonha e mal-remunerada. Você lerá só por obrigação. Nunca mais irá atrás de um livro indicado por um amigo. Nunca mais fechará um livro com a sensação de que, para o bem ou para o mal, não há nada a dizer sobre ele. Porque sempre haverá o que dizer. Se não houver, as contas não são pagas.
IV - Não se preocupe, porém. Há muitos truques para encher essas páginas em branco. Se você quer desancar um livro e não sabe como, recorra a alguns adjetivos algo abstratos em se tratando de literatura, mas ainda assim úteis numa resenha. A timidez, por exemplo. Argumente que o autor não explora suficientemente os conflitos de sua obra. Afinal, explorar conflitos é uma tarefa que não tem fim, e há um momento em que todo autor, por mais extrovertido que seja, precisa parar. Outros chavões sempre à mão: excesso de objetividade,excesso de subjetivismo, excesso de frieza, excesso de dramaticidade. A categoria das “idéias fora de lugar”, deslocada de seu contexto original, também ajuda bastante. Um romance correto, instigante e envolvente pode ser atacado por reproduzir um modelo “burguês” de contar histórias, incompatível com o nosso tempo. Um romance sem essas características pode ser destruído, justamente, por ser mal-escrito e não envolver o leitor.
V - Para o caso contrário, isto é, se você quer elogiar um livro que acha ruim – o das linhas finais do item IV, por exemplo –, há dois recursos clássicos: a) em relação à prosa desagradável, escatológica e/ou ilegível, diga que ela reproduz o incômodo e a irredutibilidade de sentidos do mundo contemporâneo; b) em relação à trama caótica e fragmentária, quando não se entende o que é início, o que é fim e do que é mesmo que estamos falando, afirme que a maçaroca reproduz, como uma “metáfora estrutural”, o caos fragmentário da sociedade pós-industrial.
Por Michel Laub
Ler por obrigação, ganhar pouco, ser odiado por autores criticados ou ignorados por você. Ante tantos dissabores, saiba para que serve, afinal, fazer crítica literária
I - Um bom começo pode ser a leitura de O imperador do vinho, de Elin McCoy, a biografia do americano Robert Parker. Trata-se da figura mais polêmica do universo milionário da enologia. Uma nota alta na The Wine Advocate, sua newsletter, é capaz de enriquecer um fabricante; uma nota baixa pode significar a falência. O olfato de Parker é segurado em cerca de US$ 1 milhão. Ao longo dos anos, percebeu-se que ele gostava de vinhos frutados. Muitas propriedades, até algumas tradicionais da França, passaram a chamar especialistas para estudar o solo, mudar a forma do plantio e da colheita, tudo para colher uvas que originassem vinhos adequados a esse gosto.
II - Saiba que esse talvez seja o exemplo máximo de crítico bem-sucedido no mundo de hoje – rico de fato, influente de fato, uma presença de fato essencial em seu meio. Quase todos os outros profissionais da categoria, trabalhem eles com música, cinema, gastronomia, televisão ou concursos de beleza, estão bem mais próximos da figura descrita por George Orwell em Confissões de um resenhista: “Trinta e cinco anos, mas aparenta cinqüenta(...) [trabalha num] conjugado frio, mas abafado (...). Dos milhares de livros que aparecem todo ano, é quase certo que existam 50 ou 100 sobre os quais teria prazer em escrever. Se for de primeira categoria na profissão, pode conseguir dez ou vinte. É mais provável que consiga dois ou três”.
III - Ou seja, prepare-se para uma atividade enfadonha e mal-remunerada. Você lerá só por obrigação. Nunca mais irá atrás de um livro indicado por um amigo. Nunca mais fechará um livro com a sensação de que, para o bem ou para o mal, não há nada a dizer sobre ele. Porque sempre haverá o que dizer. Se não houver, as contas não são pagas.
IV - Não se preocupe, porém. Há muitos truques para encher essas páginas em branco. Se você quer desancar um livro e não sabe como, recorra a alguns adjetivos algo abstratos em se tratando de literatura, mas ainda assim úteis numa resenha. A timidez, por exemplo. Argumente que o autor não explora suficientemente os conflitos de sua obra. Afinal, explorar conflitos é uma tarefa que não tem fim, e há um momento em que todo autor, por mais extrovertido que seja, precisa parar. Outros chavões sempre à mão: excesso de objetividade,excesso de subjetivismo, excesso de frieza, excesso de dramaticidade. A categoria das “idéias fora de lugar”, deslocada de seu contexto original, também ajuda bastante. Um romance correto, instigante e envolvente pode ser atacado por reproduzir um modelo “burguês” de contar histórias, incompatível com o nosso tempo. Um romance sem essas características pode ser destruído, justamente, por ser mal-escrito e não envolver o leitor.
V - Para o caso contrário, isto é, se você quer elogiar um livro que acha ruim – o das linhas finais do item IV, por exemplo –, há dois recursos clássicos: a) em relação à prosa desagradável, escatológica e/ou ilegível, diga que ela reproduz o incômodo e a irredutibilidade de sentidos do mundo contemporâneo; b) em relação à trama caótica e fragmentária, quando não se entende o que é início, o que é fim e do que é mesmo que estamos falando, afirme que a maçaroca reproduz, como uma “metáfora estrutural”, o caos fragmentário da sociedade pós-industrial.
VI - Usando desses truques, você está
pronto para fazer nome devido à afinação com o vocabulário crítico de
sua época. Mas se, por um desses acasos raros, você está decidido a
realmente dizer o que pensa, há também dois caminhos a seguir. O
primeiro é confiar cegamente nos seus juízos pessoais, não temendo a
exposição de seus preconceitos íntimos em público. Assim, você terá mais
chances de ser considerado um sujeito ranheta, excêntrico e/ou
pervertido.
VII - O segundo caminho é considerar-se portavoz de um “sistema”, para o qual são válidas mesmo obras que não são do seu agrado (por questões sociológicas, por exemplo). Mesmo que os motivos sejam nobres – sua humildade para não se considerar o juiz definitivo sobre o que é ou não relevante em termos estéticos –, há boas probabilidades de você ser visto como um crítico sem alma, sem coragem, sem graça.
VIII - Independentemente de sua escolha, é inevitável que você seja desprezado. Todos dirão que seu desejo secreto era ser ficcionista ou poeta, que você é leviano demais, complacente demais, que tem algum interesse obscuro – ascender na carreira, agradar aos pares da universidade, arrumar um(a) namorado(a) – ou está a soldo de alguma entidade obscura – grupos literários rivais, editores, maçons, seitas religiosas, partidos políticos de esquerda (se você escrever numa pequena publicação) ou de direita (se receber salário de alguma corporação de mídia).
IX - Mais que isso: você será odiado. Pelos autores que você desanca. Pelos autores que você ignora. Pelos autores que você elogia (os motivos serão sempre os errados, na opinião deles). Pelos outros críticos. Por boa parte do público, mesmo por aquele que o lê com freqüência.
X - Mas se, apesar de tudo isso, você ainda insiste em abraçar a profissão, é bom se perguntar o motivo. Quando criança, usando o olfato, Robert Parker era capaz de listar todos os ingredientes dos pratos que estavam sendo cozinhados na vizinhança, habilidade que o tornaria um campeão absoluto dos “testes cegos” de identificação de uvas e safras. Isso se chama vocação. É o seu caso? Você se sente preparado para conjugar erudição e capacidade interpretativa em tamanha escala? Sendo a resposta afirmativa, trata-se de uma ótima notícia. Não só para você, que talvez tenha achado um modo honesto de ganhar a vida, mas para o próprio meio literário. Porque não há nada de que ele necessite mais, hoje ou em qualquer tempo: alguém que o ajude a firmar tendências, corrigir rumos, separar o joio do trigo. Diferentemente do que se diz, um crítico autêntico não é apenas o advogado do público. Ele é, em última instância, o maior defensor da própria literatura.
VII - O segundo caminho é considerar-se portavoz de um “sistema”, para o qual são válidas mesmo obras que não são do seu agrado (por questões sociológicas, por exemplo). Mesmo que os motivos sejam nobres – sua humildade para não se considerar o juiz definitivo sobre o que é ou não relevante em termos estéticos –, há boas probabilidades de você ser visto como um crítico sem alma, sem coragem, sem graça.
VIII - Independentemente de sua escolha, é inevitável que você seja desprezado. Todos dirão que seu desejo secreto era ser ficcionista ou poeta, que você é leviano demais, complacente demais, que tem algum interesse obscuro – ascender na carreira, agradar aos pares da universidade, arrumar um(a) namorado(a) – ou está a soldo de alguma entidade obscura – grupos literários rivais, editores, maçons, seitas religiosas, partidos políticos de esquerda (se você escrever numa pequena publicação) ou de direita (se receber salário de alguma corporação de mídia).
IX - Mais que isso: você será odiado. Pelos autores que você desanca. Pelos autores que você ignora. Pelos autores que você elogia (os motivos serão sempre os errados, na opinião deles). Pelos outros críticos. Por boa parte do público, mesmo por aquele que o lê com freqüência.
X - Mas se, apesar de tudo isso, você ainda insiste em abraçar a profissão, é bom se perguntar o motivo. Quando criança, usando o olfato, Robert Parker era capaz de listar todos os ingredientes dos pratos que estavam sendo cozinhados na vizinhança, habilidade que o tornaria um campeão absoluto dos “testes cegos” de identificação de uvas e safras. Isso se chama vocação. É o seu caso? Você se sente preparado para conjugar erudição e capacidade interpretativa em tamanha escala? Sendo a resposta afirmativa, trata-se de uma ótima notícia. Não só para você, que talvez tenha achado um modo honesto de ganhar a vida, mas para o próprio meio literário. Porque não há nada de que ele necessite mais, hoje ou em qualquer tempo: alguém que o ajude a firmar tendências, corrigir rumos, separar o joio do trigo. Diferentemente do que se diz, um crítico autêntico não é apenas o advogado do público. Ele é, em última instância, o maior defensor da própria literatura.
Fonte: Entre Livros
5 dicas para despertar o desejo de ler nas crianças
Matéria publicada em 23/04/2012
Hoje, 2 de Abril, é comemorado o "Dia Mundial do Livro Infantil".
Esta data foi escolhida como forma de homenagear um dos maiores ícones
deste categoria, o autor dinamarquês, Hans Christian Andersen, que
nasceu neste dia no ano de 1805. Andersen, dentre outros clássicos,
escreveu "O Patinho Feio", "A Pequena Sereia" e "O Pequeno Soldadinho de Chumbo". Aproveitando a data e atendendo ao pedido da leitora da nossa Fan Page, Fátima Carvalho, vamos dar 5 dicas para lhe ajudar a despertar o desejo de ler no seu filho e nas crianças em geral.
"Antes de continuar lendo a postagem, siga O Vendedor de Livros no Twitter e curta nossa Fan Page no Facebook, e mantenha-se informado e atualizado sobre o que de melhor acontece no Mundo Literário".
Não sei se sabem, mas os livros destinados a crianças e adolescentes,
em volume de vendas, era o segundo nicho editorial mais vendido no
Brasil, só perdia para as obras didáticas adquiridas pelo governo. Hoje,
segundo pesquisas, caiu para terceiro, pois também foi ultrapassado
pelos livros de auto-ajuda.
Independente da posição, os livros infantis sempre foram muito bem vendidos, muitas editoras aproveitaram o momento e criaram selos e equipes específicas para atenderem esta demanda que cresce ano-a-ano.
Mesmo vendendo milhões de livros por ano, os livros infantis ainda estão longe de fazerem parte da realidade de muitas crianças Brasil a fora. Os principais responsáveis (tirando o governo, que não investe em políticas para propagar e divulgar os benefícios da leitura no Brasil) são os pais e educadores, que por negligência, falta de interesse e preparo ou talvez por não acharem importante o ato de ler, podam seus filhos e alunos deste prazer e oportunidade de terem acesso a um Universo, até então, desconhecido.
Mas tem o outro lado da moeda, existem aqueles pais e professores que gostariam que suas crianças lessem, mas não sabem como fazerem isso. Se você se enquadra nesta categoria, leia abaixo estas 5 dicas, tenho certeza que vão lhe ajudar:
1 - Ler histórias: na minha opinião, esta é a dica principal, pois você começa pelo exemplo (a criança ver você lendo) e interação que o ato de ler gera nas outras pessoas, pois possibilita, além da leitura, a dramatização da história com mímicas, diferentes entonações na voz, desenhos, ilustrações, e tudo isso, com a participação da criança;
2 - Criar um ambiente: compre livros, pode ser até aqueles de pintar, e espalhe pelo quarto dela ou no espaço onde ela costuma brincar, faça com que os livros comecem a fazer parte do dia-a-dia do seu filho;
3 - Respeite o gosto dela: não force nada, deixe as coisas acontecerem naturalmente e com o tempo. Tente perceber aqueles livros, histórias e personagens que mais chamam a atenção deles, e a partir daí, direcione o interesse dos seus filhos ou alunos para estes livros, a chance deles gostarem é bem maior;
4 - Frequente livrarias e bibliotecas: como você quer que seu filho se torne um leitor, se você não o chama para ir a uma livraria ou biblioteca contigo. Crie este hábito, se ele disser não, que não está afim, insista um pouco, porém sem ser agressivo. Fale que lá tem um espaço só para "gente da idade dele" (a maioria das livrarias o possuem), repleto de brinquedos, livros e outras crianças para ele brincar e ler junto;
5 - Associe a leitura com brincadeiras: sempre que for ler para seus filhos, pegue também bonecos, carrinhos, bichos de pelúcia e outros materiais, e crie encenações das histórias. Escolha um personagem e faça-o escolher outro (caso ele já saiba ler), e juntos, encenem a drama, criando assim um pequeno teatro da narrativa. Existem outras ideias, tais como: promover jogos, leituras em voz alta, rodas de leitura, e aquilo que a sua imaginação quiser fazer, para brincar e aprender, não há limites. Lembre-se que os brinquedos e as atividades lúdicas fazem parte da vida e mundo das crianças.
Creio que com estas 5 iniciativas, já será possível conseguirmos plantar a "semente" do desejo e interesse nos livros e leitura dentro do coraçãozinho dos nossos pequenos. Tudo vai depender de como estas dicas serão aplicadas, e principalmente da proatividade dos pais em monitorar, acompanhar e encorajarem seus filhos conforme a evolução e desenvolvimento de cada um. Só lembrando que, dica não é regra e muito menos lei, portanto, adapte-as de acordo com a sua necessidade, condição e ambiente. Você, e principalmente seu filho, só tem a ganhar.
Ah, e se você quiser algumas indicações, estou às ordens.
Amigo leitor, o que você achou destas ideias, já pratica alguma delas com seu filho, tem alguma outra que você tentou e deu certo?
Deixe um comentário e compartilhe as suas experiências e opiniões conosco, elas são muito importantes para mim.
Um abraço e boas leituras!
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