sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ler com regularidade é benéfico para a saúde

27 de Agosto de 2012

Ler com regularidade é benéfico para a saúde

São cada vez mais as evidências de que ler faz bem à saúde. Estudos realizados por diferentes instituições de ensino superior internacionais revelam que os benefícios vão desde a memória e do aumento da plasticidade do cérebro à melhoria das relações interpessoais e da empatia, passando, até, pela redução da pressão arterial.
 
De acordo com jornal Daily Mail, o debate acerca da importância da leitura reacendeu-se graças a um estudo recente da Universidade da Califórnia, nos EUA, destinado a publicação na revista científica Archives of Neurology.
 
A investigação em questão mostrou que o desenvolvimento de atividades que estimulam o cérebro, nomeadamente a leitura diária desde tenra idade, pode ajudar a prevenir a doença de Alzheimer, inibindo a formação das placas amilóides, proteínas encontradas nos pacientes que sofrem do problema.
 
Os cientistas analisaram o cérebro de adultos saudáveis com idade igual ou superior a 60 anos e sem sinais de demências, concluindo que aqueles que levavam a cabo atividades como a leitura, o xadrez ou a escrita desde os seis anos de vida mostravam níveis muito baixos destas placas e, consequentemente, menor risco de desenvolver a doença.

Vantagens começam nos primeiros anos

 
As vantagens começam, aliás, a sentir-se desde os primeiros anos. Ouvida pelo diário britânico, a neurocientista Susan Greenfield salientou que a leitura ajuda a aumentar os níveis de concentração das crianças e a sua capacidade de pensar com clareza, o que tem impactos nas fases mais tardias da vida.
 
"As histórias têm um início, um meio e um fim, uma estrutura que encoraja os nossos cérebros a pensar em sequência, a associar causa, efeito e significado", explicou a especialista, acrescentando que esse facto justifica a importância de os pais lerem aos filhos e sublinhando que "quanto mais o fazemos, melhores nos tornamos" a nível cerebral.
 
Além disso, mais do que, por exemplo, um jogo de computador, a leitura ajuda a gerar empatia para com os outros e a melhorar as competências relacionais. "Num jogo podemos ter de salvar uma princesa, mas não queremos saber dela, só queremos ganhar. Mas, num livro, a princesa tem um passado, um presente e um futuro, tem relações e motivações. Podemos identificar-nos com ela", esclarece Greenfield.
 
Em 2009, dois outros estudos tinham já provado os efeitos positivos da leitura na saúde. Um grupo de investigadores norte-americanos mostrou, à data, que, ao ler, o nosso cérebro constrói as imagens, sons, cheiros e sabores descritos, fazendo com que sejam utilizadas as mesmas partes da sua estrutura usadas em experiências da vida real que, assim, são ativadas e criam novas ligações neuronais.
 
No mesmo ano, especialistas da Universidade de Sussex, no Reino Unido, concluíram ainda que ler durante apenas cinco minutos permite reduzir o stress em mais de dois terços, sendo mais benéfico do que, por exemplo, ouvir música ou dar um passeio. Este alívio da tensão está relacionado com a distração que advém da leitura, que relaxa os músculos e diminui a pressão arterial.

Clique
AQUI para aceder ao estudo realizado pela Universidade de Berkeley (em inglês).

Fonte: Boas Notícias

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O livro certo para a pessoa certa

Publicado em 05/08/2012 | Yuri Al’Hanati
 
Indicação de amigos, professores e até mesmo dar um livro de presente são alguns bons caminhos para criar o gosto pela leitura

 Claudecir Rocha acredita que apresentar o livro certo a alguém pode formar um leitor

O cenário atual da literatura no Brasil não é dos mais favoráveis, a julgar pela última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, levantada pelo Instituto Pró-Livro. O estudo, que foi publicado em março deste ano e será lançado em formato de livro na Bienal do Livro de São Paulo estima que apenas metade da população brasileira lê, e os que leem não consomem mais do que dois livros inteiros por ano, aumentando décimos de uma média que, historicamente, sempre foi baixa. 

Porém, alguns dados complementares da pesquisa guardam em si pequenas esperanças de reversão do quadro a longo ou, quem sabe, curto prazo. Por exemplo, a falta de gosto pela leitura não é um empecilho, já que 62% dos entrevistados dizem gostar pelo menos um pouco de ler. E embora 87% dos que não leem afirmem nunca ter ganhado um livro, 88% dos que ganharam garantem a importância do presente para despertar o interesse por ler.

Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

   O estudante Arthur Tertuliano quase sempre ganha livros de presente

O valor de um livro presenteado, portanto, pode ser maior do que se supõe. É no que acredita o comerciante Cássio Busetto, 36 anos. “Eu sempre parto do princípio de que se alguém não gosta de ler é porque nunca foi apresentado aos livros certos. E por livro certo me refiro aos livros de qualidade e também do interesse da pessoa, que possam trazer conhecimento ou uma visão de mundo interessante.” Busetto tem o costume de dar livros de presente para as pessoas quando sabe que há um mínimo interesse pela literatura, mas é criterioso. “Procuro dar um livro que combine um pouco o gosto dela com o meu, para não presentear com algo que eu considero de mau gosto. Quando a pessoa não lê, mas tem algum interesse, procuro dar algo mais leve e agradável, um entretenimento que possa levar a leituras mais densas.”

Hillé Puonto, pseudônimo da anônima autora do blog Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, já ajudou muita gente a encontrar esse presente, e afirma: “o que mais percebo entre as pessoas que vão à livraria atrás de um livro como forma de presente é a necessidade de se comunicar com o presenteado. Há muitas que gostam de compartilhar experiências. Eu, por exemplo, adoro presentear meus amigos com livros que tenham, de alguma forma, representado algo para mim.”

Quem recebe o presente confirma as opiniões acima. O mestrando em estudos literários da Universidade Federal do Paraná, Arthur Tertuliano, 25 anos, ganha quase sempre um livro como presente, e diz que o mimo desperta seu interesse. “Às vezes, fico muito curioso com o que a pessoa pode estar querendo dizer com ‘este livro é a sua cara’, ou dou prioridade para lê-lo quando eu sei que ela está ansiosa para comentar sobre ele”, conta, citando como exemplo o livro Duna, de Frank Hebert, que ganhou de um amigo. “Estou lendo este não só porque a dedicatória é excelente, mas porque sei que meu amigo gosta bastante do livro e gostaria de comentá-lo comigo.”

Indicação valiosa

Esse compartilhamento de experiências no ato de presentear é outro fator de peso para criar leitores. A pesquisa aponta que o regalo representa 21% do acesso a livros e a indicação das pessoas é o terceiro maior fator de influência na hora de escolher um livro para ler, ficando atrás do título do livro e do tema. “Eu tenho um amigo que costuma pensar bastante nos presentes e, há três anos, os livros que ganho dele de aniversário estão entre os melhores que recebo”, comenta Tertuliano, concordando que uma boa indicação faz toda a diferença: “você pode dar algo no estilo do que a pessoa gosta, apresentando algo de que ela ouviu falar, mas com que nunca teve contato direto, ou mesmo abrindo seus horizontes em algum sentido.”

E a principal indicação acontece na sala de aula: 45% dos entrevistados que leem garantem que foi o professor que os influenciou ao hábito, mais do que a mãe (43%) e o pai (17%). O professor de ensino médio e ex-livreiro das Livrarias Curitiba, Claudecir Rocha, 32 anos, acredita que é só uma questão de fisgar o potencial leitor pelo título certo. “É preciso indicar algo agradável antes de apresentar o que eles precisam estudar. Se um aluno de ensino médio tiver de ler só Dom Casmurro, ele nunca mais vai ler Machado de Assis na vida, mas um conto do Machado já é mais apetecível”, afirma, e completa contando sua própria experiência: “li com meus alunos o conto ‘Feliz Ano Novo’, do Rubem Fonseca, e agora eles adoram o escritor. É só uma questão de despertar a curiosidade, e a pessoa nunca mais deixa de ler.”

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

6º PRÊMIO UFF DE LITERATURA CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS

6º PRÊMIO UFF DE LITERATURA
CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS
REGULAMENTO
I – Do objetivo
Promovido pela Editora da Universidade Federal Fluminense (EdUFF), este concurso tem como objetivo estimular a produção literária e incentivar  a cultura, premiando contos, crônicas e poesias.
II – Das condições
1 – Poderão participar do PRÊMIO UFF DE LITERATURA escritores de língua portuguesa, editados ou inéditos, independentemente de sua nacionalidade.
2 – O texto apresentado deverá ser rigorosamente inédito, seja na forma impressa, seja na forma eletrônica.
3 - Serão automaticamente desclassificados textos que se descubra já terem sido publicados em blogs, sites ou em quaisquer outras formas de divulgação.
4 – Não serão aceitas obras póstumas nem assinadas por grupos.
5 – É vedada a participação de membros da comissão organizadora do 6o PRÊMIO UFF DE LITERATURA.
6 – Cada concorrente poderá participar com apenas 1 (um) texto, em cada categoria, sendo vedada a coautoria.
7 – Os participantes poderão concorrer em mais de uma categoria, enviando os trabalhos nas várias categorias com um único pseudônimo, num mesmo envelope.
8 - Celebrando o centenário do poeta niteroiense Luís Antônio Pimentel, o tema proposto é: “O contador de histórias”.
9 – As obras podem ser ficcionais, não tendo de se basear em figuras reais. O poeta Luís Antônio Pimentel apenas inspira o tema proposto. Os poemas, crônicas e contos não precisam mencioná-lo, nem se inspirar em qualquer figura real.
10 - CONTO: Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 2cm. Os contos não poderão ultrapassar o limite de 4 (quatro) páginas.
11 – As crônicas e poesias não poderão exceder 3 (três) páginas. Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 2cm. 

III – Da inscrição
1 – As inscrições estarão abertas até 15 de agosto de 2012.
2 – Os trabalhos deverão ser enviados pelo correio em carta registrada ou via Sedex para: 6oPRÊMIO UFF DE LITERATURA - EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (EdUFF), RUA MIGUEL DE FRIAS, 9, ANEXO, SOBRELOJA, ICARAÍ, NITERÓI, CEP – 24220-900, ou entregues neste endereço. Os textos deverão ser remetidos a tempo de chegarem à EdUFF até o dia 15 de agosto de 2012.
3 – Serão automaticamente desclassificados os textos que chegarem à editora após o dia 15 de agosto de 2012.
4 – Os textos, em 4 (quatro) vias impressas, com as páginas numeradas e grampeadas, deverão apresentar apenas o título do trabalho e o pseudônimo do autor. O pseudônimo escolhido não pode permitir a identificação do autor. Logo, é vedada a utilização dos nomes literários, que o autor utilize ao publicar seus textos.
5 – As cópias impressas deverão vir acompanhadas de um CD com: versão digital (compatível com o Word do Windows) do(s) texto(s) e dos dados do autor (NOME, ENDEREÇO, E.MAIL, TELEFONES PARA CONTATO).
6- O concorrente deve escrever no próprio CD, com caneta adequada para que não se apague, o título do trabalho e o seu pseudônimo.
7 – Junto com este material deve ser encaminhado um envelope lacrado, identificado externamente apenas com CATEGORIA do(s) texto(s) (conto, crônica ou poesia) inscritos, TÍTULO (S) do(s) trabalho(s) e PSEUDÔNIMO do autor. Internamente, deve conter um documento informando: título(s) e categoria(s) do(s) trabalho(s), pseudônimo, nome completo do autor, nome que deve constar na antologia (em caso de classificação), além de endereço completo do mesmo, telefones e e.mail para contato, números de RG e CPF, bem como um minicurrículo de no máximo 1.000 (mil) caracteres ou 170 palavras.
IV – Da seleção
1 – O julgamento será feito por uma comissão julgadora composta por intelectuais de saber amplamente reconhecido e comprovado em literatura.
2 – A avaliação dos textos será realizada com base nos critérios de adequação ao tema proposto, originalidade, criatividade, qualidade técnica empregada e respeito à limitação de caracteres especificada nos itens 10 e 11, da parte II (Das Condições).
3- As decisões da comissão julgadora serão irrecorríveis.
4 – Serão selecionados 20 (vinte) textos em cada categoria para publicação de uma antologia pela EdUFF.
5 – A classificação final será divulgada em dezembro de 2012, em local a ser divulgado.
V – Da premiação
1 – O autor classificado em primeiro lugar em cada categoria receberá como prêmio um notebook. A editora se reserva o direito de definir marca e configurações do equipamento. Os vencedores farão jus também ao troféu Itapuca.
2 – A publicação dos textos selecionados se constituirá no prêmio para os primeiros lugares e demais classificados.
3 – Os autores classificados em primeiro lugar em cada categoria receberão 10 (dez) exemplares da antologia; os segundos colocados, 8 (oito); os terceiros, 5 (cinco). Os demais 17 autores selecionados receberão 3 (três) exemplares da coletânea.
4 – Ao inscrever-se, os participantes concordam em ceder os direitos autorais dos textos à EdUFF, para publicação ou divulgação por meio eletrônico.
5 – A EdUFF não será responsável por nenhuma despesa referente ao comparecimento dos participantes à cerimônia de premiação.
VI – Das disposições finais
1 – A Fundação Euclides da Cunha, a Pró-Reitoria de Extensão da UFF e a Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro são os patrocinadores deste concurso.
2 - Após o término do concurso, os textos recebidos não serão devolvidos.
3 – A participação neste concurso implica a aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
4 - Casos omissos serão resolvidos pela comissão julgadora e organização do concurso.

“Ler ou não ler" é, uma vez mais, a questão

Filipe de Sousa
Texto publicado originalmente no jornal: GAZETA VALEPARAIBANA
Julho/2012

Nas sociedades contemporâneas, a leitura (em contexto escolar, profissional ou de lazer) assume um papel importantíssimo na promoção do desenvolvimento cultural, científico, político e, consequentemente, econômico dos povos e dos indivíduos. Por isso, tanto se tem refletido sobre a forma de incentivar e motivar as pessoas para a leitura, em especial as crianças e os jovens, que ainda não criaram e enraizaram esse hábito tão enriquecedor.

Interlocutor privilegiado, pelo tempo que partilha com os mais novos, a escola pode ajudar a criar e a sedimentar hábitos de leitura quer promovendo e explorando o livro, com temáticas adequadas e atrativas para as correspondentes faixas etárias, quer dinamizando atividades inovadoras e interessantes com livros na biblioteca escolar, quer propondo a navegação em sites diversificados que põem o aluno em contacto com a leitura de diferentes suportes, muitas vezes interativos. Estas são, fundamentalmente, as questões sobre as quais nos debruçaremos no artigo que se segue.

As crianças e os jovens aprendem muito do que sabem acerca do mundo e da vida espontaneamente, em contextos muito diversificados que abrangem o grupo familiar, o círculo de amigos, as micro-sociedades ou grupos em que se inserem e os meios de comunicação social, desde a televisão até à Internet.

Mas é, sem dúvida, na escola e, frequentemente, através do livro, que aprendem de forma mais organizada a sistematizar as informações e os conhecimentos, a pensar, a olhar com espírito crítico a realidade circundante, a problematizar o mundo, a encontrar resposta para os problemas que enfrentam, a respeitar as  diferenças étnicas, sociais e pessoais e, muitas vezes, a interiorizar os seus direitos e deveres, como pessoas e como cidadãos. Enfim, o contacto com o livro enriquece culturalmente o indivíduo e promove a sua autonomia. Para já não falar, especificamente, da importância do livro e da leitura para o melhoramento da competência linguística oral e para a aprendizagem do código escrito da sua própria língua.

De ano para ano vamos tendo cada vez a sensação mais nítida de que aumentam os problemas relacionados com a competência linguística oral e escrita dos jovens em geral, problemas esses denunciados diariamente pela própria família, pelos meios de comunicação social e, claro, amargamente constatados por todos os professores. É visível e constrangedora a dificuldade de certos adolescentes em exporem claramente um raciocínio. No âmbito da escrita já não são só os problemas ortográficos, mas é também o domínio deficiente da pontuação, da acentuação gráfica, da própria construção sintática da frase, bem como o da construção de um simples texto.

Neste contexto, afigura-se-nos óbvia a importância do livro e da leitura como fonte de saber e de cultura e como meio eficaz de aperfeiçoamento linguístico. Todavia, o difícil é ser capaz de conduzir as crianças e os jovens à leitura, quando estão rodeados de tantas e tão diversificadas solicitações e quando, por vezes, até o próprio meio familiar parece avesso a esta atividade e a tudo o que com ela diretamente se relaciona (nomeadamente, consagração efetiva de uma parcela do tempo livre à leitura, discussão de aspectos sobre os quais o livro que lemos nos fez refletir, exteriorização do prazer de ler, visita regular à biblioteca e à livraria e aquisição habitual de livros).

Não pretendemos refletir aqui sobre as razões sociológicas desta falta de tempo familiar para a leitura, senão mesmo falta de vontade, mas é certo que ela não contribui minimamente para a motivação intrínseca para ler que as crianças e os jovens deveriam ter.

Por outro lado, se a própria comunidade escolar (digo, comunidade escolar, e não só professores de Português) não conseguir mostrar aos alunos uma atitude muito positiva em relação ao prazer de ler, quer a finalidade seja informativa ou recreativa, e se não encarar a biblioteca como um espaço de cruzamentos curriculares, de modo a que a sua dinamização seja contínua e feita por todos, dificilmente conseguirá cativar os alunos para a leitura.

Primeiro de Julho dia Mundial das Bibliotecas. Vamos valorizar?

Todos pela dinamização das Bibliotecas Escolares e Públicas.

Fonte: Ofaj

Ler ou não ler? Eis a questão…

Elvis Rocha
Quem testemunha hoje a minha paixão pela comunicação escrita, esse meu prazer explícito em ler e escrever, não imagina como foram difíceis pra mim, os primeiros passos nesse sentido.Aos 7 anos, morando em um sítio, fui matriculado no primeiro ano e, depois de 6 meses, quando morreu a única professora (Dona Genília, que Deus a tenha!), que ensinava do primeiro ao quarto ano (tudo junto), eu não havia aprendido a desenhar uma única letra, sequer.

No ano seguinte fui para a casa de parentes na cidade, matriculado no SESI, permaneci 4 meses, até a morte do meu avô materno e, mais uma vez saí sabendo desenhar o nome da escola e, nada mais.
De volta ao sítio, ainda sem uma professora na escolinha, eu olhava com desgosto para o meu material escolar  e me considerava um incapaz, que queria muito saber, mas, que não conseguiria aprender nada, nunca.

Meu pai, embora soubesse um pouco, achava que era da escola e dos professores a função de  alfabetizar e ensinar, mas, minha mãe, que só sabia (e sabe) o pouco que aprendera no Mobral, arriscou-se a me ensinar e, diferentemente da didática clássica, ela me dava sílabas inteiras para juntar e formar palavras, fugindo de consoantes e vogais separadas: Ba-la, sa-pa-to, ma-ca-ca, quei-jo, pi-po-ca, etc… O resto, eu aprendi errando (muito). Quando eu já sabia formar as palavras, ela ensinou-me os números e as quatro operações básicas, sem que eu aprendesse a contento, contas de dividir (Até hoje eu apanho disso).
Ainda meio atrapalhado e inseguro, como a criança que começa a andar, eu buscava entre as coisas do patrão, no escritório dele, tudo que pudesse ler: Revistas, jornais, livros, gibis, palavras cruzadas, tudo, tudo que me trouxesse informação e assim, eu me senti, de verdade, descobrindo um novo mundo, um novo e mágico universo. Quando não entendia o sentido de uma palavra, perguntava para alguém ou apelava para o dicionário do patrão (Juiz de direito). E o próprio patrão, percebendo que eu gostava de aprender, me ensinava e corrigia, quando eu escrevia ou falava errado, além de me contar muitas histórias do Brasil, da humanidade e, dele próprio, como exemplo.

Como a letra da minha mãe é bonita e ela começou a me ensinar desenhando pontilhados pra eu sobrescrever, a minha letra também nasceu relativamente boa, a ponto de, no ano seguinte, a professora de outra escola, na cidade, duvidar de que eu não tivesse concluído o primeiro ano e insistido para que eu fosse mandado direto para o segundo, o que eu prontamente, recusei. Foi um ano fácil, de notas excelentes e muita satisfação por constatar que eu não era aquele incapaz que me julgava antes. Faltava apenas aquele primeiro empurrão da minha mãe, para que eu pegasse no tranco e seguisse em frente, sozinho.

O segundo ano eu estudei em outro sítio dos mesmos patrões dos meus pais, para onde eles haviam se mudado. A escola ficava a quatro quilômetros da minha casa, mas, era um percurso que eu fazia todos os dias, a pé, com prazer, sem jamais reclamar. Eu me desesperava sim, quando, por algum motivo, não podia ir.

Nesse novo sítio pra onde nos mudamos, morava Luiz, um rapaz de 16 anos, que nunca havia pisado em uma sala de aula e ele, vendo o meu entusiasmo com os estudos, interessou-se em aprender comigo. Do mesmo modo como minha mãe havia me ensinado, ensinei pra ele e, em pouco tempo ele já fazia algumas leituras curtas na igreja, muito orgulhoso. Se hoje ele disser pra alguém que jamais entrou em uma escola, pela maneira como é inteligente e conhecedor de muitos assuntos, poucos acreditarão nele.
Eu, depois de adulto, percebi que um sobrinho estava tendo dificuldades parecidas com as minhas, para aprender na escola. Encerrou o terceiro ano seguido de estudos sem sair do primeiro ano e, brincando, como fez minha mãe comigo, resolvi arriscar com ele e, para minha surpresa, em apenas uma semana, com muita paciência, ele já sabia desenhar, juntar as letras e formar palavras com as vogais, tipo eu, ei, oi, ui, ia, etc… e, daí pra ele sair do primeiro para os outros anos letivos sendo sempre bem aprovado, foi um pulo.

Por fim, eu acho que, independentemente de hoje as crianças já praticamente nascerem em creches e escolinhas, de terem todas as facilidades e incentivos para estudarem e aprenderem, o incentivo inicial em casa é imprescindível para uma decolagem mais fácil, na escola. O pai, a mãe ou outra pessoa que vá ensinar, precisa ter muita paciência, jamais se irritar e nunca chamar a criança de burra, lesada, incapaz… Mesmo quando o aproveitamento não parecer satisfatório, elogiar, incentivar e mostrar que e como dá para melhorar e recomendar aos instrutores de reforço, que ensinem e não façam pelo seu filho, as tarefas que ele não entender na escola; acompanhar o desempenho dele e exigir da escola, qualidade no ensino, não permitindo jamais que ele seja aprovado, sem méritos para isto, porque um boletim forjado poderá lhe abrir muitas portas no futuro, mas não garantirá que ele fique em um emprego ou que cresça como pessoa ou profissional.

Que o diploma seja a campainha que abrirá muitas portas pra ele e o aprendizado, a rodovia sem fim por onde ele seguirá com segurança e sabedoria…