quinta-feira, 26 de julho de 2012

Divulgação Projeto: “Arteteca – Lendo Imagens"

Prorrogação do prazo de inscrição

Gostaríamos de convidá-los a nos ajudar a divulgar a novidade do projeto Arteteca: o prazo de inscrição foi prorrogado para 30 de agosto de 2012. Encaminho novamente, em anexo informações do projeto e a ficha de inscrição. Lembrando que os critérios de participação: 
- professores da rede pública que lecionem no 5º, 6º e 7º ano do Ensino Fundamental em cidades com menos de cem mil habitantes

Contamos com a ajuda de todos.
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Prezados,

É com prazer que convidamos professores e professoras que lecionem para turmas de 5º, 6º ou 7º anos do Ensino Fundamental, de escolas públicas brasileiras de cidades com menos de 100 mil habitantes, para participarem do projeto "Arteteca: Lendo Imagens".
Arteteca: Lendo Imagens é uma iniciativa do Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura.
O programa foi criado em 2011 com o objetivo de contribuir na qualificação do processo de alfabetização e letramento das crianças em escolas públicas brasileiras. Desde então, milhares de escolas vêm participando de suas iniciativas, como os “Contadores de Histórias Encantadas” e o “Teatro de Brinquedo”.  Agora, o Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura apresenta “Arteteca: Lendo Imagens”.
A participação no projeto é totalmente gratuita. Caso sua escola decida participar, a inscrição deverá ser feita em nome do professor ou professora que utilizará os materiais em sala de aula.  Somente 1 professor poderá ser inscrito e receberá um conjunto de materiais didáticos composto por:

·         1 exemplar do livro A História da Arte, E. H. Gombrich.

·         1 Guia do Professor com propostas de atividades para serem realizadas em sala de aula;
·         2 conjuntos compostos por 40 mini reproduções de obras de arte;

·         20 fichas ilustradas com obras de arte brasileiras;

·         CD com imagens das obras de arte digitalizadas;

·         Cartazes.

Para participar, o professor deverá preencher todos os dados solicitados na “Ficha de Inscrição”, que acompanha este documento.

Poderá enviar a “Ficha de Inscrição”:
Por correio:
Central de Relacionamento “Programa Endesa Brasil de Educação e Cultura” – Arteteca: Lendo Imagens.  Avenida Angélica, 2632, 10º andar, Consolação, São Paulo – SP. CEP 01228-200
Por email:
contato@arteteca.com.br  (as inscrições por email só serão aceitas se tiverem  todos os dados solicitados na “Ficha de Inscrição”).
Por telefone:
Ligue para 0800-770-2969 e tenha em mãos todos os dados solicitados na “Ficha de Inscrição”.
As inscrições serão aceitas até o dia 30 de agosto de 2012.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Geladeira quebrada vira biblioteca pública em praça de Araraquara, SP

Felipe Turioni 
Do G1 Araraquara e Região

"Geladeiroteca" customizada tem livros de diversos autores e assuntos. População pode realizar trocas e levar obras para casa.

Geladeiroteca em Araraquara (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Geladeira customizada possui acervo com livros e revistas (Foto: Felipe Turioni/G1)
 
Uma geladeira quebrada passou a ter um destino diferente em uma praça na região central de Araraquara (SP). Nas prateleiras do antigo refrigerador, ao invés de condimentos e comida, estão livros. A ‘Geladeiroteca’ ganhou uma customização de um artista plástico local e chama atenção de quem passa pela Praça das Bandeiras, na Rua Voluntários da Pátria (Rua 5).

“A ideia pode parecer estranha, mas foi uma alternativa encontrada para conseguir deixar os livros ao ar livre, sem se preocupar com a chuva, por exemplo”, explica a atriz Fabiana Virgílio, idealizadora do projeto. “Poderia ser uma caixa de acrílico, mas não teria a mesma graça, além disso, a gente sempre abre uma geladeira quando está com fome e por que não abrir uma para alimentar a alma?”, acrescenta.

Dentro do refrigerador há obras de diversos autores e diferentes temas, desde literatura infantil até livros específicos de administração, economia e política. O ‘abastecimento’ inicial da geladeira foi feita pelos idealizadores, mas a proposta é que as pessoas também façam doações no local e troquem as obras. “Não queremos manter nenhuma amarra e a ideia é que os livros fiquem livres, as pessoas possam pegar, ler ali na praça, levar pra casa, trocar por algum outro livro”.

Customizada pelo desenhista Hugo Elias, a ‘Geladeiroteca’ pretende transmitir a ideia de coletividade do projeto. “Os desenhos lembram isso, essa troca, e é o que queremos manter”, diz a atriz. Algumas livrarias, sebos e centros espíritas doaram algumas obras para o acervo.

Geladeiroteca em Araraquara (Foto: Felipe Turioni/G1) 
Livros podem ser lidos no local ou levados para casa (Foto: Felipe Turioni/G1)
 
Para o porteiro Anderson Deodato, de 26 anos, a ideia é criativa. “Chamou a minha atenção e eu abri a geladeira, sem saber se poderia pegar algum livro. Depois perguntei ao pessoal que estava no bar e disseram que podia pegar e levei o ‘Pequeno Príncipe’ para casa”, comenta. “Hoje vim de novo para ver se a geladeira estava lotada para eu trazer alguns que minha mãe não tem interesse em guardar mais”, completa.

Amigos da praça

A idealizadora da ‘Geladeiroteca’ é integrante da Associação dos Amigos da Praça das Bandeiras, formada em 2010 para revitalizar o espaço, que vinha sendo utilizado para consumo e tráfico de drogas. “A praça era considerada a ‘cracolândia’ da cidade, e não havia melhor maneira de mudar a situação investindo na transformação do ser humano com cultura”, observa.

A associação será formalizada em breve. Na terça-feira (19), às 22h, haverá uma assembleia de fundação dos Amigos da Praça das Bandeiras para acertar os detalhes da oficialização. “Precisamos nos formalizar para obter mais apoio”, explica Virgílio. A proposta da associação é fazer eventos culturais no local. Atualmente, a praça recebe shows e games nos finais de semana.

Fonte: G1

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Para aumentar número de leitores é preciso criar elo entre internet e literatura, diz professora

Publicado em 10/07/2012 Da Agência Brasil

Para a docente, os jovens também se dedicam à leitura e à escrita no ambiente virtual
 
A ampliação do hábito da leitura entre estudantes brasileiros requer a existência de mediadores preparados que entendam as novas ferramentas tecnológicas para levá-los a fazer a ligação com o mundo em que vivem por meio da literatura. Isso é o que defende a diretora adjunta da Cátedra Unesco de Leitura da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Eliana Yunes.

— Nós temos poucos mediadores aptos a entrar nesse diálogo, nesses suportes, nessas novas linguagens e que tragam uma herança cultural vastíssima.

Na avaliação de Eliana, os estudantes, mesmo no uso da internet, podem dedicar mais tempo à escrita e à leitura do que teriam as pessoas há cerca de 20 anos. 
— Eles são obrigados a ler, a escrever, a se comunicar.

Eliane admitiu, contudo, que sem uma mediação adequada, “existe uma simplificação do uso da língua”. A leitura dos estudantes que estão conectados às redes sociais acaba circunscrita a um universo muito estreito ao qual eles têm acesso com facilidade.

— Está na onda, está na moda. Tem a coisa da tribo, do grupo.

A professora disse que essa leitura, porém, não possui a densidade necessária para levar os alunos à formação de um pensamento crítico. Para ela, falta a esses estudantes um trabalho de ligação com a leitura criativa ( presente na literatura, por exemplo), algo que pode ser feito pelas escolas e até pelas famílias.

— Falta uma mediação que permita que esses meninos tenham acesso, mesmo via internet, a sites muito bons de poesia, de blogs, pequenas histórias, de museus, que discutem música, história.

Para ela, essa páginas na internet permitem que os alunos saiam desse “chão raso” e possam ser levados para uma experiência criativa da linguagem. 
 
— Quem não lê tem muita dificuldade de escrever, de ampliar o seu universo de escrita, de virar efetivamente um escritor. Como eles têm pouca familiaridade com a língua viva, seria necessário que os adultos se preparassem melhor, buscando conhecer essa nova tecnologia para que a mediação, tanto pela escola como pela família, pudesse ser exercida de forma a partilhar com os alunos leituras de boa qualidade.

A professora defende também que a mediação restaura o fio que liga o passado ao futuro no presente desses estudantes. Ela reiterou que a falta de conhecimento de professores e pais desses suportes modernos de comunicação e a falta de habilidade de envolver alunos em uma discussão de um universo mais rico impedem meninos e meninas de desfrutarem uma herança cultural, “da qual eles são legítimos herdeiros”.

— Acho que a questão da escola passa pelo problema da mediação. Se nós não formos leitores de várias linguagens, de vários suportes, nós perderemos realmente o passo com essa geração, que está velozmente à nossa frente, buscando outras linguagens, outras formas de comunicação. É preciso que os estudantes percebam que a literatura não é um peso ou uma obrigação. Literatura é vida.

Para Eliana, a literatura faz falta porque desloca o olhar das pessoas de uma coisa “líquida e certa”, para um lugar de reflexão, de discussão sobre o mundo e a vida humana. Isso pode ser encontrado não só no livro impresso, em papel, como também no livro digital.

— Esse jogo contemporâneo é muito rico. Quanto mais suportes a gente tiver para a palavra escrita e para abrigar a reflexão sobre a condição do ser humano, melhor a gente vai poder abraçar as várias modalidades, que estão vivas, da palavra. 
Pesquisa

De acordo com pesquisa do Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro com 4 mil estudantes e 1,2 mil responsáveis, 93% dos alunos do ensino médio da rede pública do estado tinham celulares em dezembro de 2011 e 78% possuíam computador, sendo que 92% tinham acesso frequente à internet.

Em contrapartida, 14% dos alunos declararam não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Entre os que não leram nada, 17% residiam no interior e 12% na região metropolitana. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%.

Entre os alunos que leram mais que um livro em média nos últimos cinco anos, a pesquisa registrou que 14% leram entre seis e dez livros, 8% entre 11 e 20 e 10% leram mais que 20 livros em cinco anos.
 
Fonte: R7

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É preciso construir pontes entre sala de aula e biblioteca'

09 de julho de 2012  

Educadora acredita que o professor deve sugerir leituras desafiadoras, mas não impor filtros aos best-sellers

OCIMARA BALMANT - O Estado de S.Paulo
 
"É preciso acabar com as dicotomias e estimular a leitura sem preconceito, tanto na infância como na adolescência. Esse desafio deve instigar o trabalho do professor", afirma a argentina Cecilia Bonjur. 

Formada em Letras e especialista em literatura infantil e juvenil, Cecilia é crítica de livros para crianças e adolescentes, com atuação na formação de professores e mediadores de leitura. Ela esteve no Brasil para participar do seminário Conversas ao Pé da Página, onde conversou com o Estado.

Como a senhora avalia o trabalho de fomento à leitura que os docentes fazem em sala de aula? Eles estão preparados para a tarefa? 

Acredito que toda formação dirigida a professores precisa partir do princípio de que eles são leitores e acreditar, de fato, que são capazes de fazer. Se pensarmos no que não sabem, no que não têm, apenas os desvalorizamos. E não se pode subestimá-los. Isso não significa tirar deles a responsabilidade sobre sua formação, mas ter confiança no que podem realizar e lhes dar ferramentas para isso.
Quais tipos de ferramentas?

É importante criar dispositivos de formação contínua que deem conta da carência de formação de base dos docentes, porque jornadas e cursos curtos são insuficientes. Pode ser custoso e demorado, mas vale a pena se pensarmos que a atitude do professor pode determinar se uma criança vai ou não gostar de ler.
Mesmo porque esse estímulo tem diminuído dentro das famílias, não é?

Isso é fato. Há muitas casas sem livros e sem leitores. Por isso, é tão importante que as bibliotecas escolares cresçam, que seus acervos sejam mais profundos, que se aproveitem todas as oportunidades de construir pontes entre o conteúdo das salas de aula e a biblioteca. E estamos em um momento bom para pensar nessas pontes.

Por quê?

Porque o problema da leitura sempre foi menos grave nos países com mais possibilidade de acesso a bens culturais. Mas hoje temos um momento migratório muito grande e, além disso, o primeiro mundo está vivendo uma crise econômica que parecia que só pertencia a países pobres. A desigualdade está repartida e isso é bom para pensar estratégias mundiais de aumento do acesso aos livros. 

Não parece difícil conquistar leitores de material impresso na era da internet?

Devemos fazer com que os leitores tenham acesso aos múltiplos suportes e deixar claro que no mundo das tecnologias não está todo o conhecimento estabelecido. Há algumas limitações que só deixam de existir quando a aprendizagem é vinculada aos livros. Quando os alunos começam a encontrar os tesouros e desafios dos livros, eles se deixam seduzir. 

Daí, a importância do mediador bem formado...

Sim, porque a criança se deixa seduzir quando os mediadores são sedutores, transmitem essa paixão. Por isso, a importância do bibliotecário, que é o profissional que conhece tanto os livros quanto os alunos. Porque o professor conhece os alunos de seu curso. O bibliotecário vai além. Ele abre o jogo da descoberta e acompanha o crescimento dos leitores dia após dia. Se houver um trabalho em parceria com o professor, é o cenário ideal para o nascimento de leitores potentes que podem influenciar a família toda.

Com a participação da escola?

Isso. Porque há pais realmente omissos em relação à leitura e incentivo aos filhos. Mas muitos deles não o fazem porque realmente não têm condições materiais ou por achar que não têm capacidade, que os bens culturais não são para eles. É aí que a escola entra na história, e as bibliotecas são lugares excelentes para essa manifestação contracultural que gere confiança e hospitalidade.
E como fica a seleção dessa literatura a ser apresentada? 

Eu não subestimaria nenhum tipo de leitura. Acredito que as escolas e as bibliotecas devem receber os leitores com o mundo que eles trazem, com as leituras que têm e, a partir daí, ampliar os horizontes, sugerir aprofundamentos. Se você opõe o best-seller à cultura culta, gera outra falsa dicotomia. Me parece muito mais interessante a convivência de cultura, a mestiçagem, as hibridações.
E, no caso das crianças, vale desafiá-las? 

Sim. Entre adultos, há uma falsa impressão de que a leitura infantil deveria ser simples e representar coisas próximas às crianças. Essa visão é equivocada e tem a ver com preconceitos e versões simplistas de teorias psicopedagógicas. O professor não pode agir assim. Ele precisa saber quem são seus leitores e pensar em didáticas mais profundas e flexíveis, em vez de simplesmente ignorar o tipo de leitura que, previamente, ele pode considerar inadequada.

O que é adequado?

Qualquer coisa. Desde que se considere o leitor como poderoso, potente. Não se pode esquecer, nunca, que a valorização dos leitores passa por colocar à disposição deles textos desafiantes, que comovem e colocam para funcionar a inteligência e o coração ao mesmo tempo. Quando se faz isso, fica clara a constatação: as crianças são ávidas leitoras de mundos estranhos, distantes e metafóricos, e se sentem muito agradecidas quando os adultos as tratam como gente que pode, que consegue. Todo pai e todo professor deveria ter isso em mente.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Leitura na aurora da globalização

Especialista em História da Literatura e ganhadora do Prêmio Jabuti, Márcia Abreu fala da popularização do livro no século XIX
Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro: coleção abordará trajeto internacional do livro no período oitocentista, com 37 estudiosos de vários países

Por Oscar D’Ambrosio

Pelo livro Impresso no Brasil: dois séculos de livros brasileiros, que organizou com Aníbal Bragança, Márcia Abreu recebeu o Prêmio Jabuti, o mais importante da área editorial brasileira, em 2011, na categoria Comunicação. Licenciada em Letras e doutora pela Unicamp em Teoria e História Literária, fez pós-doutorado em História Cultural na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. Livre-docente em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, coordena o projeto temático da Fapesp “A circulação transatlântica dos impressos – a globalização da cultura no século XIX”. O conteúdo do livro e o acervo histórico da Editora Unesp foram a base da exposição itinerante “Impresso no Brasil”, que percorre os Câmpus da Universidade, com painéis organizados pela Editora em comemoração aos seus 25 anos de existência. O início da jornada ocorreu em abril, no Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo, com palestra de Márcia sobre a obra premiada.

 
Márcia: atenção ao romance

Jornal Unesp: Como foi a organização deste projeto que recebeu o Prêmio Jabuti?

Márcia Abreu: A ideia original era comemorar os 200 anos da primeira tipografia oficial instalada no Brasil, em 2008, mas tivemos alguns percalços na elaboração do livro, que saiu apenas em 2011, mas teve a honra de receber o Prêmio Jabuti. A organização foi muito complexa. São 40 autores de um livro dividido em duas partes: a primeira é sobre editores, tipógrafos, livreiros e instituições responsáveis pela divulgação do livro no Brasil; e a segunda, sobre os leitores. Esta segunda parte foi a mais desafiadora, pois é mais difícil ter informações sobre os leitores da época.

JU: Por quê?

Márcia: Geralmente, os editores e tipógrafos deixam registros, documentos, enquanto o leitor não deixa nada oficial sobre quem é e como lê. Nossas informações são baseadas nos comentários que os leitores fizeram no canto das páginas ou na margem dos livros. 

JU: Quais motivos levaram a senhora a se especializar em história da leitura?

Márcia: Ela associa duas paixões particulares: literatura e história. Trabalho, por exemplo, com os registros de censura. Pensa-se que esses registros só servem para vetar determinados textos e publicações, mas nem sempre foi assim. Os censores, nos séculos XVIII e XIX, eram pessoas que avaliavam a adequação das obras para a sociedade e escreviam longamente para aprovar os textos, inclusive para dizer que eram ótimos. Eram pareceres enviados para uma banca de homens cultos, que avaliavam e tomavam decisões sobre aquelas obras. Eu me especializei nas leituras que eles faziam sobre
os romances.

JU: Como era visto o romance nesses séculos?

Márcia: As escolas proibiam os romances, pois eram direcionados para o grande público, para as mulheres e para os jovens. Os homens sérios tinham que ler poesias. A grande literatura da época eram os poemas épicos como Os Lusíadas e Odisseia. Apenas no final do século XIX, os autores de romance conseguiram legitimar o gênero, argumentando que existiam obras difíceis e bem elaboradas, diferentes dos romances populares que apopulação consumia. Hoje, as escolas incentivam a leitura de romances, mas ainda existe uma resistência aos best-sellers, como a saga de Harry Potter. O aluno gosta daquilo, mas o professor quer que ele leia outros romances mais elaborados.

JU: Em que consiste o projeto “A circulação transatlântica dos impressos: a globalização da cultura no século XIX”, que a senhora coordena?

Márcia: A proposta é fazer uma história do livro no século XIX em escala internacional. Reunimos 37 pesquisadores num projeto com docentes de Inglaterra, Portugal, França e Brasil. Vamos pesquisar a interação literária entre essas nações.

JU: Como surgiu a sua aproximação com a Editora Unesp?

Márcia: Começou com a publicação pela Editora Unesp, principal editora acadêmica do país, de Cultura letrada, em 2006, livro que teve grande aceitação e sobre o qual ainda sou convidada a dar palestras. Impresso no Brasil, de 2011, foi muito bem divulgado e já teveuma grande repercussão entre os leitores, mesmo antes da premiação do Jabuti.