quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Importância da Leitura

Texto publicado em 11/7/2006
Maria Carolina
Professora de Língua Portuguesa e Redação do Ensino Médio e Normal  

A prática da leitura se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a "compreender" o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contato com um livro, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo - embora, muitas vezes, não nos demos conta. 

A atividade de leitura não corresponde a uma simples decodificação de símbolos, mas significa, de fato, interpretar e compreender o que se lê. Segundo Angela Kleiman, a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido do texto, não podendo transformar-se em mera decifração de signos linguísticos sem a compreensão semântica dos mesmos. 

Nesse processamento do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: os linguísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e seu uso; os textuais, que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o texto; e os de mundo, que correspondem ao acervo pessoal do leitor. Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do que se lê é alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação. Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo. 

Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume. Conforme afirma Leonardo Boff, cada um lê com os olhos que tem. E interpreta onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender o que alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isto faz da leitura sempre um releitura. [...] Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. 

A partir daí, podemos começar a refletir sobre o relacionamento leitor-texto. Já dissemos que ler é, acima de tudo, compreender. Para que isso aconteça, além dos já referidos processamento cognitivo da leitura e conhecimentos prévios necessários a ela, é preciso que o leitor esteja comprometido com sua leitura. Ele precisa manter um posicionamento crítico sobre o que lê, não apenas passivo. Quando atende a essa necessidade, o leitor se projeta no texto, levando para dentro dele toda sua vivência pessoal, com suas emoções, expectativas, seus preconceitos etc. É por isso que consegue ser tocado pela leitura. 

Assim, o leitor mergulha no texto e se confunde com ele, em busca de seu sentido. Isso é o que afirma Roland Barthes, quando compara o leitor a uma aranha:

[...] o texto se faz, se trabalha através de um entrelaçamento perpétuo; perdido neste tecido - nessa textura -, o sujeito se desfaz nele, qual uma aranha que se dissolve ela mesma nas secreções construtivas de sua teia. 

Dessa forma, o único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor; é ele mesmo quem constrói as imagens acerca do que está lendo. Por isso ela se revela como uma atividade extremamente frutífera e prazerosa. Por meio dela, além de adquimirmos mais conhecimentos e cultura - o que nos fornece maior capacidade de diálogo e nos prepara melhor para atingir às necessidades de um mercado de trabalho exigente -, experimentamos novas experiências, ao conhecermos mais do mundo em que vivemos e também sobre nós mesmos, já que ela nos leva à reflexão. 

E refletir, sabemos, é o que permite ao homem abrir as portas de sua percepção. Quando movido por curiosidade, pelo desejo de crescer, o homem se renova constantemente, tornando-se cada dia mais apto a estar no mundo, capaz de compreender até as entrelinhas daquilo que ouve e vê, do sistema em que está inserido. Assim, tem ampliada sua visão de mundo e seu horizonte de expectativas. 

Desse modo, a leitura se configura como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem. 

Há entretanto, uma condição para que a leitura seja de fato prazerosa e válida: o desejo do leitor. Como afirma Daniel Pennac, "o verbo ler não suporta o imperativo". Quando transformada em obrigação, a leitura se resume a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, Pennac prescreve alguns direitos do leitor, como o de escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler. Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um imã que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.

Ler além das palavras

Junto com os meios tradicionais, as novas tecnologias estimulam a iniciação à leitura

Desde a popularização da internet, a circulação de textos e imagens alcançaram um patamar inimaginável. Com o surgimento dos tablets, novas formas de leitura e relação com o texto escrito estão se configurando. Diante desses novos suportes e tecnologias, a introdução ao hábito da leitura acontece hoje de forma muito diferente. Desde muito pequenas, as crianças têm que lidar com estímulos diversos de leitura, o que torna a interpretação e hierarquização de informações algo primordial na educação.

A chave de um bom processo de alfabetização, de acordo com o professor de literatura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do grupo de pesquisa Leitura e Literatura na Escola, João Ceccantini, é não se limitar a nenhum recurso específico e explorar diversas atividades de leitura e interpretação. “A alfabetização não se dá só nos livros, se dá em tudo, quando a criança vê o letreiro do ônibus, uma propaganda, uma placa”, diz. De acordo com ele, o maior desafio que a escola está vivendo é mudar sua antiga função de transmitir conteúdo para a de concentrar esforços na formação do senso crítico dos alunos, a fim de que eles sejam capazes de hierarquizar a grande quantidade de informação que têm ao alcance o tempo todo. “O papel da escola é ensinar como as crianças podem lidar com essa informação toda que está disponível nesses suportes e linguagens de uma maneira exigente, saber transitar, saber separar o que é importante do que é descartável, saber pensar, estabelecer relações, saber ser sujeito e se posicionar, porque aquele mundo de conteúdo não faz mais sentido para a escola”, destaca.

O projeto pedagógico de leitura do colégio Arquidiocesano, na Vila Mariana, em São Paulo, tem como fundamento o conceito amplo de leitura do educador Paulo Freire, que consiste na ideia de que a leitura de mundo precede a leitura da palavra e que a compreensão de um texto implica a percepção das relações entre texto e contexto. Uma das práticas pedagógicas desenvolvidas nesse sentido é o exercício do olhar e a leitura. Realizada com alunos do 1º ano do Ensino Fundamental, é baseada na premissa de que ler também é ver.

O livro O Menino que Aprendeu a Ver, de Ruth Rocha, sobre uma criança em fase de alfabetização que observa seu entorno e contexto de mundo, é o ponto de partida da atividade. Após a leitura compartilhada e discussão das situações que o protagonista vivencia, a professora propõe que os alunos fotografem com máquinas digitais textos verbais e não verbais que chamarem sua atenção no quarteirão em volta da escola. “Uma fotografia de uma caixinha de suco largada no muro é um texto que revela uma certa relação do cidadão com a cidade. Ou seja, é um projeto que desperta nas crianças essa outra possibilidade de compreensão do espaço que os rodeia e do espaço da leitura”, analisa a professora do 1º ano do Ensino Fundamental do Arquidiocesano e doutora em Linguística aplicada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Cláudia Gil Ryckebusch.

Depois, na sala, há um debate a respeito da leitura e da relação entre o sujeito e a cidade, presente nas fotografias produzidas pelos alunos. No laboratório de informática, eles escolhem juntos as melhores fotos, que serão expostas na mostra de trabalhos no final do ano. “Tem relatos de pais que dizem que, depois do projeto, as crianças começaram a ler todas as placas de rua”, diz Cláudia.
As atividades pedagógicas que envolvem imagem e leitura diferem de acordo com a fase da escolarização. Os livros exclusivos de palavras e imagens, que constituem um gênero na literatura infantil, são indicados no início da Educação Infantil, na fase de decodificação dos signos. “Sem dúvida as imagens ajudam no processo de introdução do hábito de leitura nas crianças. Nesses livros para crianças pequenas, as ilustrações trazem certos objetos que serão o cerne da história, elas acabam servindo como um suporte para a criança, estimulando à concentração, à focalização daquele signo, à atenção e à associação daquele signo a determinada palavra”, afirma Ceccantini.

Durante a alfabetização, é interessante que as ilustrações nos livros sejam trabalhadas como um texto não verbal, como uma expansão do conteúdo para o mundo das imagens, da estética, que serve para apoiar a compreensão e o interesse, mas que não pode funcionar separadamente. “A imagem atrai pela fruição estética. Quando a ilustração compõe o sentido do texto, a criança faz um esforço para interpretar. Na história em quadrinhos, por exemplo, a narrativa se faz muito pela imagem, ela vai interpretando essa imagem, pois ela tem essa capacidade de interagir tanto com textos verbais como com não verbais”, diz a professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), Telma Ferraz Leal. 
 
Leitura digital

Quando usadas a serviço de propósitos pedagógicos, as novas tecnologias e suportes também servem como aliados no processo de introdução do hábito de leitura. “Hoje, o modo de as crianças consumirem cultura passa por essa complexidade, pois elas gostam de ler o livro, depois ver o filme, ouvir a música, visitar a página, jogar o game daquele personagem. Elas fazem esse trânsito entre as linguagens e suportes todos, sem achar que um é melhor que o outro”, afirma Ceccantini. Segundo ele, atividades na internet, como a leitura de resenhas sobre obras, a busca de informações sobre o autor, entre outras referências suscitadas pela leitura, já fazem parte do cotidiano dos alunos e são enriquecedoras do ponto de vista da formação de leitor. “Se os alunos estão lendo uma releitura de Alice, por exemplo, é interessante sugerir uma pesquisa sobre como era a Alice verdadeira, como era a primeira edição do livro ou como as crianças liam Alice naquela época”, propõe.

Com a popularização dos tablets e livros digitais, a diretora pedagógica da Escola Castanheiras, em Santana do Parnaíba, Débora Vaz de Almeida acredita que eles devem ser usados em classe apenas se fizerem parte do contexto tanto dos alunos quanto dos professores. “Algumas famílias sustentam gerações de leitores só com uma boa biblioteca de papel, mas, se essas ?novas tecnologias e suportes fazem parte do contexto local, da experiência da escola e da dos pais, por que não?”, questiona. “Atualmente, podemos ler no livro, no jornal, nas livrarias, nas bibliotecas, podemos comprar ou não comprar, podemos ler nos IPads e podemos ouvir ler nos audiolivros. A tecnologia é um suporte, o que importa é a qualidade do livro.” De acordo com a pedagoga, a escola deve avaliar em quais situações o uso da tecnologia faz sentido e sempre variar os suportes e modos de uso. “Quando o aluno vai produzir um texto, é muito mais inteligente escrever em meio digital do que em papel, porque a edição é mais bem feita, posso recortar e colar, ver as várias versões. Em outros momentos, quando é só tomar nota, o bom e velho caderno dá conta”, acrescenta.

Durante um ano, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental do colégio Porto Seguro, na unidade Panamby, em São Paulo, dedicam-se a um projeto de elaboração de um livros digitais. Como atividade preparatória, a professora lê o livro Pergunte ao Dr. Bicudo sobre Animais, de Claire Llewellyn, para os alunos, que podem acompanhá-la por meio da projeção da obra na lousa. O livro é sobre um conselheiro sentimental que recebe cartas de diversos animais com problemas. Em seguida, há uma discussão sobre o gênero da carta e sobre características dos animais. Dividida em duplas, a turma começa a se preparar para apresentar uma miniaula sobre um animal que escolheram. Em casa, eles pesquisam, em livros e na internet, informações para preencher uma ficha técnica que auxilia a elaboração da aula. “Os alunos aprendem a pesquisar nas aulas de informática da escola. Ao buscar diferentes fontes de informação, as crianças também se exercitam para diferenciar o essencial do secundário”, afirma a coordenadora pedagógica e professora do 3º ano, Luciana Centini.

Após o planejamento e apresentação da miniaula, que deve contemplar aspectos básicos dos hábitos alimentares dos animais, os demais alunos da classe sugerem perguntas que poderiam ser feitas ao Dr. Bicudo a partir das informações pesquisadas. As sugestões são entregues à dupla, que pode utilizá-las na elaboração do texto do livros digitais. A obra consiste em uma carta com a pergunta de um animal endereçada ao Dr. Bicudo. No laboratório de informática, os alunos digitam as cartas e fazem, no programa de desenho Paint, as ilustrações para compor o livro digital. A atividade é encerrada com uma manhã de autógrafos, com a presença dos pais, para o lançamento do livro da classe. Os livros digitais estão disponíveis nos IPads e no blog do colégio para as famílias fazerem o download.

Formação do leitor

Pais que leem histórias antes de a criança dormir, professores que trabalham a leitura como prazer em vez de obrigação ou amigos que indicam títulos são fundamentais para estimular o hábito de leitura nas crianças. “É importantíssimo estabelecer o quanto antes uma relação afetiva entre a criança e o livro”, afirma Ceccantini. “Isso não significa que muita gente não se torne leitora sem esse estímulo inicial, mas ele pode significar uma relação mais duradoura com os livros ao longo da vida.”

Na escola, as práticas pedagógicas que podem ser utilizadas para introduzir o hábito são diversas, mas acima de tudo devem ser iniciadas desde antes da alfabetização. “A língua é muito mais do que um código. Antes de eu ensinar para as crianças o que a gente chama de aspectos notacionais, que são as características da representação gráfica da linguagem, ela precisa participar de situações em que essa língua esteja em uso”, afirma Débora.

A leitura compartilhada, em que os alunos acompanham o professor em seus próprios exemplares ou em cópias do texto, e as rodas de leitura, em que o professor lê parte de uma obra e em seguida promove uma discussão em classe sobre o que foi lido, são atividades centrais nessa fase. “Em função de fazer a leitura compartilhada de forma regular, as crianças começam a ajustar o que está sendo lido com o que está escrito e esta é uma situação alfabetizadora. Elas começam a perceber que nos poemas quase sempre há a presença de rimas, que os contos clássicos começam com ‘era uma vez’, ‘há muito tempo’, ‘em algum lugar’”, diz Débora. “Elas começam a conhecer a organização da linguagem escrita e perceber que tem regras, convenções e regularidades que elas quase sempre podem observar.” Segundo Telma, quando o professor realiza atividades de leitura em voz alta e conversa sobre o que foi lido, ele está ajudando a criança a desenvolver habilidades de compreensão de texto, como elaborar inferências, apreender sentidos gerais e relacionar um texto com outro, que vão ajudá-la na fase de alfabetização.

De acordo com Ceccantini, é importante que essa leitura não esteja vinculada a cumprir determinada tarefa escolar e sim que o foco da atividade seja o prazer, a vivência de emoções. “Um adulto cheio de afetividade fazendo da leitura um gesto de carinho, de alegria, de brincadeira é uma aproximação prazerosa que deixa marcas no inconsciente. Esse envolvimento afetivo é central e está muito ligado ao prazer que o homem de todas as épocas tem de ouvir histórias”, diz. “Não tem gesto mais ancestral que isso na humanidade, alguém que vai contar histórias para todos ouvirem.”

Outro aspecto importante é a escolha dos títulos. Apresentar textos muito fáceis, com poucas palavras e leque reduzido de fonemas é subestimar as crianças. “As pessoas costumam achar que elas vão gostar mais de histórias com linguagem simplificada e esquemática e isso não é verdade”, diz Telma. Segundo Débora, deve-se, independentemente da idade, ler textos de verdade, literariamente ricos, bem escritos e de gêneros variados e todos esses repertórios devem estar disponíveis na sala de aula, na biblioteca e em várias situações.

No Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, São Paulo, a leitura compartilhada e a roda de leitura fazem parte da rotina semanal dos alunos desde a Educação Infantil até os primeiros anos do Ensino Fundamental. No 2º ano, por exemplo, a professora lê em voz alta um capítulo de O Saci, de Monteiro Lobato, a cada dia. A ideia é que ela seja a mediadora entre os alunos e os “textos difíceis”, lendo títulos que eles teriam dificuldade de ler sozinhos. “O Saci é uma leitura bastante exigente para leitores de 7 ou 8 anos, pois tem um vocabulário distante do deles, as construções são pouco usuais na fala cotidiana, além do texto ser mais extenso”, afirma a coordenadora pedagógica do Santa Cruz, Miriam Louise Sequerra. “Por meio da leitura da professora, eles também passam por dificuldades, mas, como contam com esse apoio, vão entrando na leitura, se envolvendo e, de repente, está todo mundo cativado pelo clima do livro.”

Já na atividade Aula de Leituras, os alunos retiram um livro do acervo que se encontra na sala de leitura (pequena biblioteca utilizada pelos alunos de um mesmo ciclo escolar), têm uma semana para lê-lo em casa e, depois, em classe, são estimulados a comentar a obra e indicá-la aos colegas, com a orientação da professora. “O intuito, neste caso, é desenvolver outros comportamentos associados à leitura, tais como indicar, comentar ou escolher um livro, de acordo com critérios que cada um constrói a partir de sua vivência como leitor”, comenta Miriam. “Como essa atividade ocorre desde a Educação Infantil até o 5º ano, é perceptível como os alunos vão refinando sua capacidade de escolher livros de acordo com preferências que também vão se construindo”, diz. “No início, a capa ou o colorido das imagens são os critérios. Depois, o motivo da seleção vai se transformando: o assunto, o autor, o gênero ou mesmo a indicação do colega.”

BOXE 1 – Lição de casa

É tarefa dos pais estimular uma relação ?afetiva dos filhos com a literatura em casa

Os pais desempenham papel fundamental no processo de formação do gosto pela leitura dos filhos. O ideal é que eles sejam modelos de leitores para os filhos e que a introdução do hábito de ler comece em casa e continue no colégio. “O maior incentivo à leitura em casa é ter pais efetivamente leitores, porque uma coisa é o pai que diz que ler é importante, que você tem que ler, que ler faz subir na vida, e outra é o pai que, quando tem um problema, está mexendo no jardim e não sabe o que fazer, por exemplo, vai recorrer a um livro”, diz o professor de literatura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do grupo de pesquisa Leitura e Literatura na Escola, João Ceccantini. No caso da população de baixa renda, em que os pais não se tornaram leitores por falta de acesso, a valoração do hábito de ler também tem efeito na formação das crianças. “É importante que as crianças tenham acesso a obras em casa, mas às vezes as famílias não têm condições de comprar. No entanto, se você for pensar, livros custam o mesmo que um brinquedo. É importante que os pais encarem o livro como brinquedo e presenteiem os filhos com livros”, afirma a professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), Telma Ferraz Leal.

Outros hábitos indicados são comprar livros junto com os filhos, ou ir a bibliotecas ou espaços comunitários de leitura, ler frequentemente para eles, ter livros em todos os cômodos da casa, incentivar as crianças a fazerem sua pequena biblioteca, de forma que o livro faça parte do cotidiano da casa. Segundo a diretora pedagógica da Escola Castanheiras, Débora Vaz de Almeida, os pais devem tentar identificar livros que fazem parte do interesse das crianças para ir construindo um acervo e uma história de leitura a partir daquilo que se tem em casa. “Tem que ter um lugar no quarto das crianças pra uma história de leitor, o livro preferido, o livro que a escola indicou, que a avó deu, mas não só ter o livro, ter e ler o livro”, diz.

BOXE 2 – Primeiros passos da leitura

O Sesc realiza várias ações direcionadas ao incentivo à leitura para crianças

O Sesc tem diversas atividades em prol da difusão do livro e formação de leitores. Na unidade Pompeia, os pais podem levar seus filhos, de 0 a 3 anos, para o Espaço de Leitura, uma sala adaptada com livros voltados para a faixa etária e com a mediação de educadores, que orientam atividades lúdicas, jogos e brincadeiras literárias. As unidades Bom Retiro, Santo Amaro e Ribeirão Preto também contam com salas de leitura para crianças. “Em várias atividades de contação de histórias, o pai é convidado a fazer ele próprio a narrativa de uma história para a criança. Esperamos que a presença de pais e filhos nesse espaço e a vivência dessa experiência estimule práticas similares em casa”, afirma o Assistente de Literatura na Gerência de Ação Cultural (GEAC) Francis Manzoni.

Já no Espaço Ler na Escola, dez malas com 85 livros da literatura infantil e juvenil e 15 publicações de história em quadrinhos circulam por escolas do ciclo 2 da Rede Estadual de Ensino de São Carlos. Antes de receberem o material, os professores e diretores passam por um treinamento que explora as possibilidades de atividades com os livros, como rodas de leitura, contação de histórias e oficinas de texto. A mala, que fica uma semana em cada sala, acompanha também uma apostila com propostas pedagógicas.  

Também na linha de projetos de difusão do livro, existe o BiblioSesc, programa que leva bibliotecas volantes, transportadas por caminhões, a 26 pontos de Itaquera, Interlagos, Osasco e São Caetano. Segundo Manzoni, a procura pelos livros é muito grande. Em um único dia, centenas de crianças retiram títulos em cada bairro visitado. Escolas, ONGs e creches realizam atividades vinculadas ao BiblioSesc. “Os professores levam as crianças para pegar livros que muitas vezes são trabalhados no contexto escolar ou são para interesse próprio. Então, o caminhão passa a se integrar à realidade cultural desses bairros atendidos”, afirma ele.

As bibliotecas das unidades Belenzinho, Bom Retiro e Santo Amaro dispõem de três equipamentos para a leitura de livros e periódicos do acervo para cegos e pessoas com baixa visão. O videoampliador possibilita às pessoas com baixa visão aumentar texto e imagem de um livro. Já o Poet Compact é um scanner que reconhece textos e os narra em português. O terceiro equipamento é a linha braile, uma espécie de régua que se acopla ao computador e ao scanner que gera eletronicamente pontos em relevo, permitindo aos cegos que leiam pelo tato. A unidade Belenzinho também conta com 240 audiolivros.

Até agosto, acontece no Sesc Pinheiros a segunda edição do seminário Conversas ao Pé da Página, que tem o objetivo de promover o intercâmbio de experiências e conhecimentos relacionados a literatura, leitura, formação de leitores e livros para crianças e jovens. Profissionais e intelectuais do Brasil e do exterior debatem sobre saraus de poesia, leituras no século 21, salas de leitura, entre outros temas. A curadoria do evento é do Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude A Cor da Letra e da Revista Emília, publicação sobre leitura, literatura e formação de leitores.

Fonte: Revista E

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A nova leitura e a nova (re)escrita

28 maio 2012
 
O papel cada vez mais importante da biblioteca escolar

Por Cássia Furtado, especial para biblioo

O processo leitura e escrita tem forte relação com a história e com a cultura, influenciando e sendo influenciada pelas transformações que afetam a sociedade civil. Em época não muito remota, ao falar-se em leitura, vinha em mente os signos alfabéticos, livros e instituições como escola e biblioteca; hoje a leitura envolve uma multiplicidade de signos, de documentos e está desvinculada de uma instituição específica. Lê-se vídeos, sites, textos, imagens, chat… Considera-se que a tecnologia de informação e comunicação, de maneira especial a web 2.0, pode expandir as oportunidades de leitura e escrita, e dessa maneira ser parceira do livro tradicional no incentivo a essas práticas.

As tecnologias sociais, por valorizarem o contributo coletivo, oportunizam aos leitores a leitura interativa e capacidade de expressão, sendo assim instrumentos relevantes para aquisição de informações sobre o texto literário, interação entre leitores, livros e autores e, consequentemente, conduzem ao estímulo da prática da leitura e escrita. A web 2.0 oferece ainda maior motivação para a literatura devido à convergência de múltiplas linguagens e oportunidade de espaço para criação em torno do texto literário. As atividades colaborativas em torno da literatura envolvem ações, em que a pessoa precisa expor sobre sua leitura. Tal ato acarreta resultados positivos para todos os envolvidos, tanto para quem recebe a nova informação, que entra em contato com novos conhecimentos, experiências e interpretações, como, e ainda mais, para quem produz, pois tem a oportunidade de criar e expressar seu próprio conhecimento.

As imagens na vanguarda

O argumento fica mais intenso quando se trata de incentivo a leitura literária pelas crianças. Dessa maneira, deve-se utilizar o fascínio que as mesmas têm pela sinergia entre os vários códigos e aliar ao texto literário como estratégia. O uso e a importância de imagens na literatura infantil, desde o primórdio, representam uma atitude de vanguarda, pois precedeu a era da convergência de linguagens, ao unir palavras e ilustrações com o objetivo de atrair e estimular a leitura, sensibilizar o leitor, além de adornar e enriquecer a estética literária.

A biblioteca escolar incumbida da responsabilidade de efetivar o gosto pela leitura trabalha agora em novo panorama; seu usuário potencial tem as tecnologias incorporadas de forma natural e imediata nas suas rotinas sociais, comunicativas, informacionais, educacionais e de lazer. Nesse sentido, percebe-se a necessidade desta instituição se aproximar dos seus utilizadores. Conhecer as estratégias que usam para criar, compartilhar, colecionar e organizar a informação, a forma como se comunicam e se socializam, assim como também, aceitar a maneira como aproveitam o ócio, é fundamental para a biblioteca manter-se presente e viva para seu público e para a sociedade em geral.

Biblioteca, leitores e literatura

Sugere-se que a biblioteca escolar deva ser o principal caminho de interação entre os leitores e destes com a literatura, tanto em texto impresso como no mundo digital e fazer a convergência entre essas pessoas e linguagens. Partilhar leituras deve ser encarado como uma maneira de incentivar a prática da mesma. Torna-se relevante conhecer as atividades que as crianças desenvolvem quando usam internet, pois assim as bibliotecas podem desenvolver estratégias mais eficientes no incentivo à leitura, mais próximas da realidade do seu público e proporcionando maior interação com o mesmo. Dessa forma, poderá resgatar também o leitor que se encontra disperso, conquistando dessa maneira a formação de novos utilizadores.

Com a constante presença da internet no cotidiano das crianças, considera-se que a biblioteca deve incluir nas atividades de leitura os sítios de livros digitais, visando trabalhar com os dois formatos: livros impressos e livros digitais. Além do que, a biblioteca pode utilizar sítios diversos relacionados com a literatura e outras expressões culturais para o incentivo à leitura literária, fazendo a ponte entre as diversas manifestações culturais. Ainda mais com a web 2.0 que possibilita maior dinamismo à leitura, pois permite ao leitor amplo espaço de atuação: ler, recriar e criar em cima do texto. O leitor, agora, além de mais ativo e autônomo, tem mais oportunidade de seleção, de criação e até de reinvenção do texto, nas mais variadas formas de expressão.

A biblioteca é o único espaço na escola onde as crianças e jovens tem liberdade de leitura e escrita, longe de avaliação, tarefas e testes.  Dessa forma, deve cada vez mais aproximar-se do seu usuário, de suas formas de leitura e escrita, de comunicação e partilha. Assim, nasce uma nova biblioteca escolar!

Cássia Furtado é professora mestre da Universidade Federal do Maranhão, doutoranda em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais na Universidade de Aveiro/Universidade do Porto (Portugal).

Fonte: Biblioo

terça-feira, 22 de maio de 2012

A biblioteca como pedra fundamental em atividades de incentivo à leitura

Por María del Mar Marquez Román *
Estamos sempre falando sobre a construção de atividades de leitura, mas a forma de realizá-los? É possível fazer essas atividades a partir de qualquer área, não só na língua? Por exemplo, em todos os indivíduos é uma leitura informativa através da realização de monografias. Como evitar se tornar um copiar e colar? E a poesia, eles podem ler e entender nossos alunos? Além disso, como transformar em qualquer atividade para incentivar a leitura?
 
Este artigo tem como objetivo responder a essas perguntas, e por isso vamos propor uma série de atividades originais, que foram feitos a partir de diferentes áreas, com grande sucesso entre os estudantes. Veja também o papel da biblioteca escolar desempenha nestas actividades.
 
A linguagem da imagem
 
 
Saber ler uma imagem hoje é muito importante porque vivemos numa sociedade em que tais textos estão cada vez mais imponente ambos os textos contínuos, formados apenas por imagens, como textos contínuos. Por isso, é uma leitura que, não podemos esquecer de nossas atividades. Para fazer isso oferecemos várias idéias.
 
O mundo dos quadrinhos é muito atraente para a nossa juventude. Há história de quadrinhos, fantasia, baseado em obras de literatura clássica, a juventude. Isto permite uma primeira abordagem para a leitura de uma forma divertida. Por exemplo, a poesia, mesmo que pareça incrível. Como? A classe é dividida em vários poemas de autores diferentes, em grupos de dois ou três alunos. A experiência aqui refletem autores da Andaluzia levou a Geração de 27. Os alunos começaram por ler seus poemas e, em seguida, procurar informações sobre o autor, o tempo, o contexto histórico, e assim por diante., Para que pudessem chegar a um entendimento integral do texto. Depois de ler e ouvir as atividades, começou a contar uma história baseada no poema. Com essa história mais tarde produziu uma história em quadrinhos cuja capa continha poesia original funcionou. A estratégia tinha um título muito sugestivo: ". Pinceladas da poesia" Como você pode supor, para esta atividade é muito interessante que os alunos possam familiarizar-se primeiro com o mundo dos quadrinhos, e não fazer nada melhor do que leitura. Neste sentido, a biblioteca pode fornecer material escolar, por isso não deixe de incluí-los em seus catálogos.
 
Outra opção é criar um blog de fotos onde os alunos podem "ler" alguma coisa sobre um assunto específico. Este é o caso do blog de ​​fotos matemática que apresentamos.
 
Os concursos de fotografia que fazemos em nosso centro também pode dar lugar à leitura da imagem, se uma actividade destinada corretamente. O Dia da Não Violência Contra a Mulher é geralmente trabalham em algumas classes este assunto, talvez fazer os alunos ler notícias e encontrar informações sobre diferentes casos e leis que são sobre o assunto. E com isso nós estamos fazendo uma leitura compreensiva. Agora, podemos adicionar a expressão, que neste caso, pode-se fazer isto através da linguagem da imagem. Para fazer isso, os alunos podem tirar fotografias que refletem sua pesquisa e leitura anterior, e se organizar uma competição, o melhor, como isso envolve o centro de toda e motiva os alunos a fazer um trabalho melhor. Apresentamos aqui um vídeo com esta experiência, intitulado " A mulher no centro . "
 
Esta atividade pode ser feito a qualquer momento. Dia de Leitura (16 de dezembro) é uma oportunidade ideal. Neste caso, os alunos tiveram que procurar nos livros ou textos online, poemas e frases relacionadas à leitura, para que pudessem procurar sua inspiração. De lá, eles foram convidados a preencher um quadro com o tema da leitura, e para trazer no fundo de um slogan que poderia ser inventado ou retirado de outro autor, mas sempre com base na leitura. Os resultados foram muito bem. Deixamos o vídeo final para que você possa ver por si mesmo. Seu título é " verbos ler e outros . "
 
A biblioteca é o lugar para realizar as atividades exigidas antes, como temos periódicos, livros de referência e, claro, computadores com acesso à Internet.
 
Por fim, sugerimos uma atividade chamada "Histórias sem palavras." Nele, os alunos tiveram que preparar uma montagem de imagens que contam uma história sem palavras. Essas imagens eram fotografias que eram os próprios protagonistas. A montagem pode ser feito em papel / cartão ou digital, usando um programa de edição de vídeo. Este já tinha que escrever a sua história, preparando um pequeno script e uma descrição dos personagens e lugares. A história, podemos baseá-la em um poema ou um livro que leu, para que eles possam fazer sua própria versão.
 
Leitura audiovisual
 
Fazer um curta-metragem é uma das atividades que os alunos gostariam. E ainda melhor se, ao final deste trabalho preparou uma cerimônia do Oscar. Mas estamos nos lados.
 
Como sempre, temos de começar a leitura. Neste caso, optamos pelo tema do meio ambiente, que pode aparecer em muitos livros. Pode levar os alunos à biblioteca para escolher um livro, selecionado por nós daqueles que tratam o assunto sobre o qual decidi trabalhar. A partir daqui, a turma foi dividida em vários grupos, e cada um foi atribuído um ponto: a reciclagem, o consumo de sacos de plástico, a poluição sonora, etc.
 
Depois de procurar informações para concluir a leitura inicial, preparou um roteiro de seu filme. Nos Rede de Bibliotecas Escolares Profissionais de Cadiz , em "Incentivo Leitura", você pode encontrar um modelo de como isso pode ser um pequeno script. Você também pode baixar dois documentos que são muito bons no site da cidade 21 , em seu Concurso curto em Sustentabilidade Urbana : Orientações e dicas para a preparação de um vídeo e um modelo de autorização para menores. É também muito interessante a folha de dados.
 
Os alunos levaram os papéis de diretor, maquiagem, atores e atrizes, etc, que devem aparecer no final de seu filme nos créditos. E aqui começou o tiroteio e posterior montagem das cenas. Olho! Se você fizer essa atividade, prazo plantéatela longo porque leva algum tempo.
 
Após a conclusão do filme, houve uma primeira passagem apenas para os estudantes que haviam participado da atividade. -Se secretamente eleito o melhor de cada filme. Posteriormente organizou uma cerimônia do Oscar no salão, com audiências em todo o centro. Nele, depois de ver as produções, foi para entregar os diplomas de melhor diretor, melhor ator / atriz, etc. A atividade é muito gratificante em todos os sentidos, e uma experiência inesquecível. Deixamos o link para ver o filme vencedor, intitulado " A Jornada de degradação . "
 
Informações de procura de emprego
 
O trabalho de buscar informações (Leia Informação) são o que costumamos fazer na maioria das áreas, especialmente quando celebra datas importantes ou estender aos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Normalmente, propomos um tema e colocar os alunos para encontrar informações sobre o computador ou em vários manuais que encontramos em nossa biblioteca e depois fazer o trabalho que, na maioria dos casos, é limitada a um copiar e colar, para o que a finalidade deste tipo de leitura não foi satisfeita. Às vezes este trabalho é concluído com uma oral, que não funciona corretamente.
 
Como desenvolver uma estratégia para desenvolver a leitura informacional de forma eficaz? Vamos propor algumas atividades.
 
Trabalhe na Wikipedia
 
Vamos descer e imprimir um artigo da Wikipedia que, em seguida, distribuí-lo aos alunos. Nós copiamos apenas dominar dados para que nós nos encaixamos em uma página.
 
O formato apresentado é o seguinte: Visão Geral, História, Demografia, Atrações, Geografia, Desporto, Festivais, Cultura, Governo, etc
 
Então, vamos desenvolver uma série de perguntas sobre o artigo teve como objetivo compreender o texto, para extrair dados críticos, ou o seu vocabulário e expressão. As perguntas finais serão à vista.
Quando todas essas questões, o estudante pretende desenvolver um texto semelhante, escolhendo-o de qualquer cidade, ou mesmo inventar.
 
Em seguida, faça uma compilação de nossas cidades, que pode ser exposto oralmente para a classe ou transferir para um blog. Você também pode tentar outros textos da Wikipédia: a literária, científica, matemática, etc.
 
"Geografia de uma vida"
 
Neste caso, o trabalho é coletar dados sobre um personagem. No exemplo que escolhemos para anexar um autor da Geração de 27, mas pode ser qualquer outro. O estudante vai encontrar as informações que são convidados a preencher o quadro abaixo. Após isso, você deve mapear o caminho escolhido personagem geográfica em um mapa. Como poeta, por favor também escolher alguns de seus versos para mostrar que ele estava no lugar e formá-los no mapa. Este mapa pode ser em papel ou tela de computador, usando um programa de edição de imagem como o Gimp.
 
Murais Digitais
 
Muitas vezes, depois de uma leitura informativa, pedimos aos nossos alunos a fazer uma parede para expor na sala de aula ou nos corredores do centro. Nós oferecemos-lhe uma grande ferramenta para murais, mas digital: Glogster .
 
É uma página on-line onde cada grupo de aluno ou estudante pode fazer a sua parede de forma interativa. Isso pode incluir fotografias, textos, vídeos ou arquivos de som. A apresentação é totalmente personalizável, estimulando a criatividade dos alunos. Mesmo o professor pode criar uma conta para um grupo de classe, para que as obras são armazenados lá e todos os estudantes podem ver o que fizeram os seus pares.
 
Ouvir e Falar
 
Nos últimos anos, vem se destacando a oral, tanto na compreensão e na sua expressão, por isso vamos oferecer uma gama de atividades orais que podem motivar os alunos para trabalhar a leitura junto com o conhecimento do assunto em questão .
  • As músicas são muito úteis em qualquer área e para celebrar dias importantes. Um exemplo é a canção do bebê, Manuel Carrasco e Andy e Lucas, todos sobre a não-violência doméstica. Para o Dia da Paz, como sobre Juanes? E se quiser enviar-nos para uma área particular, a questão da imigração e do racismo aparece em "Documentos mojaos" Chambao. Claro, ouvir e ler de volta as letras dessas músicas devem ser acompanhadas de atividades de compreensão que nós mesmos podemos produzir.
  • Alguma vez você já tentou trabalhar a matemática para ler e ouvir uma música? Temos, por exemplo, a canção intitulada " O professor de matemática "Papa Levante, ou" Amor e Matemática ", uma canção em Inglês que você pode trabalhar com a sua tradução.
  • Os podcasts de livros ou textos, em particular, são uma atividade de incentivo à leitura muito enriquecedora. Por exemplo, pedimos aos alunos para fazer uma revisão do seu livro favorito ou um poema especial, que pode servir para homenagear um autor. Para ver como essa atividade, deixamos dois links, ambos da Web " Notas de idioma ": experiências de leitura 2,0 e Homenagem aos poetas .
Encorajamos todas as escolas para fornecer em suas bibliotecas de materiais como CD com músicas Peden ser para trabalhar em sala de aula. Nós mesmos podemos fazer uma coleção de podcasts e CDs de queimaduras, deixou como material de trabalho na biblioteca.
  • A rádio é também uma actividade muito encorajador com que trabalhamos, independentemente de que temos o equipamento necessário. Isso pode ser feito em sala de aula, no plano doméstico, mas muito melhor se montou um microfone e alguns alto-falantes espalhados por todo o centro. A estratégia para desenvolver esta actividade através dos seguintes pontos:
  1. Ouvir atividades: ouvir programas de rádio. Sua estrutura (linha de entrada, a apresentação do programa, e os partidos, de despedida e linha de fundo).
  2. Escrevendo Atividades: Desenvolver um roteiro de nosso programa seguindo estruturas aprendidas.
  3. Falando última atividade: tocar e gravar o programa.
Dependendo da área que deseja trabalhar, podemos fazer um programa de esportes, música, ciência, etc.
 
Atividades de leitura em redes sociais
 
Hoje, a rede permite simultâneas atividades de leitura de diferentes lugares. Uma conta no Facebook ou Myspace pode fazer qualquer uma dessas atividades passam entre grupos de alunos trabalharam em vários sites.
 
Por exemplo, em um instituto de Barcelona, ​​um projeto em sala de aula usando o Facebook. O projeto envolveu a preparação de uma antologia de poesia da Geração de 27, depois de ler vários poemas desta geração e busca de informações sobre ela na biblioteca da escola. Na página do Facebook, cada aluno deu vida a um escritor de sua geração. Eles tiveram que fingir que se vive no momento presente, editando seu perfil, publicando seus poemas e trabalhar colaborativamente para selecionar e comentar sobre estes poemas. Aqui você deixar um link para ver a seqüência de ensino de projeto .
 
Outra atividade é a criação de um blog que começamos com o início de uma história. A partir desta introdução, nossos alunos devem continuar. Os resultados podem ser inesperados e ... fantástico! Recomendamos o uso do blog do Gmail que dá e aquele que você pode acessar a conta de e-mail mesmo. É muito fácil de usar para todos, independentemente da idade. Desta forma também podemos criar um clube do livro sem a presença física.
 
Renovar atividades
 
Às vezes é apenas a renovação das actividades tradicionais que já estamos fazendo em nosso centro e nós queremos dar um pouco de vida para motivar nossos alunos, especialmente incluindo a utilização de novas tecnologias. Algumas ideias que podem servir são como se segue.
  • Concursos literários normalmente fazemos, e quase sempre são narrativa ou poesia. Por exemplo, por que não fazer um concurso de SMS? Você pode indicar que eles podem usar a sua linguagem SMS especial ou não, a um determinado número de caracteres, um tema específico, etc
  • E que tal um concurso de micro? Neste último, podemos levantar uma questão de ciência, geografia, história ou qualquer coisa. Nós também temos que fornecer algumas orientações concretas sobre o número de caracteres, que variam entre 300 e 600, incluindo espaços.
  • Versões da poesia. Nesta atividade, proporcionar aos alunos um poema, ea partir dela, eles oferecem versões diferentes. Por exemplo, foi selecionado o poema "Eu te amo", de Luis Cernuda. As versões que estão fora são de diversas culturas: uma versão gastronômica, um relacionado ao mundo da toxicodependência, outros de amor, um pouco de ódio, etc. Você ainda pode estender essa atividade os alunos se você colocar uma imagem de fundo para o seu poema, seja em papel ou em formato digital, utilizando um editor de imagens.
Como converter qualquer atividade em atividade para incentivar a leitura
 
A base de atividades para incentivar a leitura é ler na leitura de um texto (em qualquer forma) antes ou após a atividade, de modo que incentiva os alunos a tirar o prazer da leitura e para fornecer o autonomia necessária neste campo. Portanto, deve haver um processo de compreensão e de expressão, em qualquer forma.
 
Às vezes estamos engajados em atividades que uma simples mudança de metodologia pode fazer para converter atividade para incentivar a leitura.
 
Por exemplo, imagine que o professor de educação física prepara o aluno para fazer uma exposição do que eles aprenderam durante o curso, usando dança, fitas, cordas, posições diferentes, etc. Para fazer isso, os alunos devem fazer um script que irá explicar o que fazer passo a passo, ea música a ser empregada nessa assembléia. Para esta atividade, aparentemente desconectado da leitura em algo diferente, precisamos de apenas um elemento: baseia-se na leitura de um texto. Para isso, o professor pede o grupo de alunos que o script está indo para executar em um leitor em particular, da qual eles fazem a sua adaptação particular à linguagem corporal. Se percebemos que temos todos os ingredientes para que seja uma atividade para incentivar a leitura:
  • Os alunos têm de ler um livro, trabalhando com compreensão de leitura.
  • Em seguida, desenvolver um script com base nessa leitura, combinando elementos narrativos, auditiva (seleção de músicas) e visuais (exercícios aeróbicos que acompanham cada cena). Aqui é a escrita.
A atividade proposta é muito gratificante, porque incentiva a criatividade dos alunos, combina o trabalho de diversas áreas e desenvolve um grande número de competências básicas que mais poderíamos pedir? Deixamos-lhe uma amostra da atividade com o vídeo " A Volta ao Mundo em 80 Dias ", baseado no livro de Jules Verne.
 
Conclusões
 
Como você pode ver, as atividades para incentivar a leitura pode e deve ser feita a partir de qualquer área. Além disso, notamos que a metodologia utilizada para desenvolver habilidades de leitura, tradicionalmente condenados ao texto escrito mudou significativamente desde os nossos alunos já que eles lêem, mas o contrário. Ressaltamos a importância adquirida neste momento lendo a imagem e actividades a desenvolver habilidades de leitura associados. Esta foi a proposta de Roland Barthes: ". Interpretar um texto não é fazer sentido, mas sim apreciar o plural de que é feito" Por isso, a biblioteca atual usa todos os tipos de textos para a prática de leitura (literatura , música, publicidade, teatro, cinema, etc.), desenvolvendo as habilidades mais básicas de uma pessoa jovem precisa enfrentar a vida e promovendo a aprendizagem ao longo da vida. Nesta perspectiva, procurando o diálogo brincalhão com cada leitura de texto, a partir do qual a produção cultural é dado através de uma variedade de linguagens, não apenas aqueles que têm a ver com a palavra. Eles são, portanto, estas leituras plurais que melhoram a aprendizagem significativa, e como vimos, a biblioteca tem um papel vital na leitura animadora, por isso deve ser a espinha dorsal destas actividades, tanto para o alunos e professores.
 
Assim, em resumo, para desenvolver uma estratégia de leitura eficaz, que aborda o desenvolvimento de mais CCBB, devemos considerar o seguinte:
  • Tentando entender a motivação dos alunos, despertar o seu interesse. Esta estratégia deve procurar atividades criativas.
  • Incluir sempre que possível o uso de novas tecnologias.
  • O trabalho de ler os diferentes tipos de mídia diferentes.
  • Esforçando-se para enfrentar o número máximo de competências, para o que é bastante útil para desenvolver um trabalho interdisciplinar.
  • Trabalhe em ouvir, falar e escrever.
  • O aluno deve ter um papel ativo, de protagonista na atividade proposta.
  • Além disso, o aluno deve ser sempre clara sobre o objetivo da atividade.
  • Para alcançar este objectivo, é essencial para programar o trabalho de forma adequada.
  • Proporcionar aos alunos um guia para a estratégia delineada, observando a ordem de cada um dos passos a serem tomados no desenvolvimento da atividade proposta.
  • Indique como você vai fazer a avaliação.
  • Para o mundo tudo fora de nossos alunos fazem, seja através de exposições, Youtube, jornal, etc.
Para mais informações
 
Todas as atividades são descritos aqui no site da Rede de Bibliotecas Escolares Profissionais de Cadiz , em " atividades de leitura . " Lá você pode encontrar guias, estratégias de trabalho, os exemplos de cada atividade ...
 
Além disso, na seção "Links" você tem outras propostas interessantes da web atividade para incentivar a leitura.
 
* Maria do Mar Romano Marquez é responsável pela biblioteca da escola IES de Nossa Senhora dos Remédios Ubrique (Cádiz)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Não matem o leitor

Dezembro 2008

ANTONIO CARLOS VIANA

Nenhuma leitura deve ser obrigatória, salvo uma, a de Como um romance, de Daniel Pennac, que sai agora em edição de bolso pela L&PM, em associação com a Rocco, que o publicou pela primeira vez quinze anos atrás. Todas as comissões de vestibular deviam ser obrigadas a ler esse pequeno grande livro de apenas 150 páginas. Depois de sua leitura, talvez deixassem de se preocupar com as tão temidas listas de livros que os vestibulandos devem ler para responder àquelas perguntinhas muitas vezes sem sentido. Prestariam, assim, um grande serviço à formação de leitores no Brasil.

Pennac abre seu livro com uma afirmação que não nos abandonará mais:

O verbo ler não suporta o imperativo. Aversão que partilha com alguns outros: o verbo “amar”… o verbo “sonhar”…
Bem, é sempre possível tentar, é claro. Vamos lá: “Me ame!” “Sonhe!” “Leia!” “Leia logo, que diabo, eu estou mandando você ler!”
— Vá para o seu quarto e leia!
Resultado?
Nulo.

Assim começam os problemas de um ex-futuro leitor. Leitura obrigatória não cria leitores. Pelo contrário, afasta-os dos livros. Quantos alunos continuarão lendo com voracidade poesia e ficção depois do vestibular?

Para evitar a incidência no erro, nada melhor do que ler esse livro de título tão intrigante: Como um romance. De que romance fala Pennac? Logo, logo, o entenderemos. Sua linguagem aliciadora nada tem da monotonia dos livros de intenção pedagógica. Ele nos pega desde o primeiro instante, pois logo entendemos que ele fala da relação entre a criança que se inicia na leitura e a de seus iniciadores, os pais. Desde as primeiras historinhas, cria-se entre eles uma relação amorosa, que cresce a cada noite, antes do sono. O primeiro contato do menino com o livro se dá através dessas leituras que o deixam em permanente estado de excitação:

Sejamos justos. Nós não havíamos pensado, logo no começo, em impor a ele a leitura como dever. Havíamos pensado, a princípio, apenas no seu prazer. Os primeiros anos dele nos haviam deixado em estado de graça. O deslumbramento absoluto diante dessa vida nova nos deu uma espécie de inspiração. Para ele, nos transformamos em contador de histórias. (…) Na fronteira entre o dia e a noite, nos transformávamos em romancista, só dele.

Os pais, a criança e o livro, a trindade perfeita. Não há criança que não espere com ansiedade a hora em que os pais sentam ou deitam com ela na cama e começam a desfiar histórias, algumas lidas, outras inventadas. É um tempo de prazer, sem compromisso outro que o de viajar nas palavras. E ela quer mais, sempre mais, até que o pai ou a mãe, exaustos, a convencem a dormir. Até esse momento somos pedadogos, mas sem nenhuma preocupação com a pedagogia.

Eis que chega o dia em que a trindade se desfaz. O menino vai para a escola. Ele se entusiasma com aprender as letras, é quase um milagre juntá-las e dali sair um nome de seu mundo concreto. A primeira palavra escrita: Mamãe! “Esse grito de alegria celebra o resultado da mais gigantesca viagem intelectual que se possa conceber, uma espécie de primeiro passo na lua, a passagem da mais total arbitrariedade gráfica à significação mais carregada de emoção!”. Mas, eis que de repente…

Luta solitária

Sim, não mais que de repente, parece que tudo se esfuma: a alegria de aprender, a alegria de ler. O que todo pai ou professor observa é que a relação do menino com os livros vai se enfraquecendo. Onde foi parar aquele que gostava tanto de ouvir histórias? A leitura, que fora até então fonte de prazer, sofre uma mutação rápida, começa a se transformar num peso a carregar. Uma vez desfeita a trindade, ele terá agora de lutar solitário com um livro que parece rejeitá-lo.

Jogado o menino na escola, os pais se sentem liberados da obrigação de ler para ele como sempre faziam. Que alívio! Mal sabem que perderam seu ouvinte mais atento. Nessa hora é que deviam estar por perto, mas não estão, pois o menino cresceu, não precisa mais de sua ajuda. Finalmente, ele é capaz de se virar sozinho. Até que notam que alguma coisa não vai bem, algo está acontecendo com aquele que foi um dia leitor tão exigente. Vêm os diagnósticos: um desatento, um preguiçoso que não consegue ler um livro em quinze dias. Nunca levam em conta que o que o torna preguiçoso, desatento, é a obrigação de ler, e ler para responder a fichas de leitura, que são a morte do livro. De seu lado, os professores cobram, e caro, uma leitura que não é do interesse daquele leitor e que só faz perdê-lo. Pennac mostra o caminho:

Ele é, desde o começo, o bom leitor que continuará a ser se os adultos que o circundam alimentarem seu entusiasmo em lugar de pôr à prova sua competência, estimularem seu desejo de aprender, antes de lhe impor o dever de recitar, acompanharem seus esforços, sem se contentar de esperar na virada, consentirem em perder noites, em lugar de procurar ganhar tempo, fizerem vibrar o presente, sem brandir a ameaça do futuro, se recusarem a transformar em obrigação aquilo que era prazer, entretendo esse prazer até que ele se faça um dever, fundindo esse dever na gratuidade de toda aprendizagem cultural, e fazendo com que encontrem eles mesmos o prazer nessa gratuidade.

O que antes era prazer vira obrigação. O menino não vê mais o livro, vê o número de páginas que tem de enfrentar, sempre num prazo curto demais para ele e, o pior de tudo, para fazer uma prova. Um temor o assalta: “Como se sair bem se não o entender?” Ele está só, sente-se mais só que nunca, não há ninguém para salvá-lo. O livro passa a ser visto com inquietação, um antagonista do qual ele tem de se livrar o mais rápido possível.

Um livro não pode ser escolhido por outrem, a escolha devia ser sempre nossa. Mas há o cânone. Parece que, sem ele, as portas do futuro não se abrirão. O menino terá de ler o que professor acha que ele deve ler. O mais comum, então, é vê-lo adormecer com o livro aberto sobre o peito e, perto da prova, pedir a alguém um resumo ou, mais fácil ainda, percorrer a internet. Algo está errado. Não, não pode ser assim. Ler por obrigação nunca dará certo. Ou se chega ao livro espontaneamente ou ele será logo abandonado.

A leitura para ser boa tem de ser gratuita. Deve servir de “trégua ao combate entre os homens”, mas a escola a transforma numa guerra em que o perdedor é sempre o leitor forçado e, por conseguinte, a própria literatura. Ler devia ser sempre um presente, “um momento fora dos momentos”, um hiato de distensão dentro de um cotidiano tedioso. Quem sabe o valor da leitura não força ninguém a ler. O melhor caminho é o incentivo, ter lido e motivar o outro a procurar o livro que tanto nos entusiasmou e encheu nossas horas por dias e meses.

Daniel Pennac parte do pressuposto de que é o prazer de ler que preside todo ato de leitura e que, se ele existe, “não teme imagem, mesmo televisual e mesmo sob a forma de avalanches cotidianas”. Não adianta culpar a vida moderna, a televisão, a internet. Nada disso é empecilho para quem se habituou naturalmente à leitura. O que devemos sempre nos perguntar é : “O que fizemos daquele leitor ideal que ele (o menino) era?”. Não foi gratuitamente que o livro mágico da infância cedeu lugar ao livro hostil.

Qual a saída?

Pais, não se desesperem! Daniel Pennac traz um pouco de alento àqueles que já perderam a esperança de ver de novo o filho com um livro nas mãos, não os didáticos, mas o de um Thomas Mann, de um Dostoiévski, de um Flaubert. Se seu filho gostava de ler e não lê mais, o prazer de ler não desapareceu assim, de uma hora para outra, não se perdeu, apenas desgarrou-se e um dia será reencontrado.

Uma criança não fica muito interessada em aperfeiçoar o instrumento com o qual é atormentada; mas façais com que esse instrumento sirva a seus prazeres e ela irá logo se aplicar, apesar de vós.
A leitura deve ser algo que se oferece como ato liberador da vida insípida. Uma viagem em que não se exige nada. “A gratuidade, a única moeda da arte.”

Estimular o desejo de aprender, o entusiasmo pelo saber, seria esse o papel da escola. Ler sem cobranças, nos contentarmos em ler apenas. Abandonemos o dogma do “é preciso ler”. Ler sem alegria é não ler. As palavras pesam, o livro em breve estará fechado e, só fato de vê-lo sobre a mesa, assusta. Quando se sugere um livro é para partilhá-lo, é uma prova de amor, você quer que o outro leia aquilo que foi importante para você em certo momento da vida. A gente dá a ler aquilo que nos é mais caro. Antes de tudo, reconciliar o jovem com a leitura. Jamais fazê-lo sentir-se um pária dela.

A escola parece proscrever o prazer de seu espaço. Como se todo conhecimento fosse feito de sofrimento. Há uma dissociação entre vida e escola. “A vida está em outro lugar”, relembrando Rimbaud. Para contrariar isso, Daniel Pennac conta a história de um professor que nunca mandou um aluno ler um livro. O que ele fazia? Todo dia chegava e lia um trecho de alguma obra importante. A turma inteira ficava em suspenso, envolvida por sua leitura. Foi assim que ele despertou aqueles adolescentes para os livros. Nunca a mais leve sugestão de que fossem correndo à biblioteca, mas eles iam, voluntariamente, em busca do autor que mais os tinha tocado.

Uma aluna desse professor assim o descreve:

Ele chegava desgrenhado pelo vento e pelo frio, em sua moto azul e enferrujada. Encurvado, numa japona azul-marinho, cachimbo na boca ou na mão. Esvaziava uma sacola de livros sobre a mesa. E era a vida. (…) Ele caminhava, lendo, uma das mãos no bolso e, a outra, a que segurava o livro, estendida como se, lendo-o, ele o oferecesse a nós. Todas as suas leituras eram como dádivas. Não nos pedia nada em troca.

Ao final do ano, os alunos somavam: Shakespeare, Kafka, Beckett, Cervantes, Cioran, Valéry, Tchecov, Bataille, Strindberg. A lista era imensa. E ela continua no seu depoimento emocionado:

Quando ele se calava, esvaziávamos as livrarias de Renner e de Quimper. E quanto mais líamos, mais, em verdade, nos sentíamos ignorantes, sós sobre as praias de nossa ignorância, e face ao mar. Com ele, no entanto, não tínhamos medo de nos molhar. Mergulhávamos nos livros, sem perder tempo em braçadas friorentas.

O gosto pela leitura — é o que se depreende de Como um romance — depende do professor. Antes de tudo, ele tem de ser um apaixonado por livros. Falar que os jovens não gostam de ler é simplificar demais. Então se parte para o oposto: obrigam-nos a ler o que não querem. O resultado não podia ser outro: distância dos livros.

Então alguém se pergunta: o que fazer para colocar o livro na mão dos jovens? Se for para continuar fazendo o que estamos habituados a fazer, a melhor resposta é: NADA. Pelo grau de rejeição que eles desenvolvem em relação à leitura, vemos que as estratégias postas em prática até agora não deram resultado. Insistir nisso é burrice. O que se pode fazer é preparar melhor os professores para que transmitam sua paixão pelos livros de forma natural. Professor que não tem nos livros sua forma de viver não deveria ensinar. Professor que não tem paixão pela escrita não deveria ensinar a escrever. É preciso que sua fala transmita uma verdade que vem de dentro, nunca de fora. Sobre aquele professor do qual falei mais acima, Pennac diz:

(Ele) não inculcava o saber, ele oferecia o que sabia. Era menos um professor do que um mestre trovador (…) Ele abria os olhos. Acendia lanternas. Engajava sua gente numa estrada de livros, peregrinações sem fim nem certeza, caminhada do homem na direção do homem.

O papel do professor é o de alcoviteira. É ele que vai fazer o elo entre o aluno e o livro, casá-los para sempre. Facilitar o ato de ler, contabilizar páginas, convencê-lo de que lendo cinco páginas por dia, ao final da semana são 30 (dispensemos o domingo); no final do mês, são 120. Que lucro para quem não conseguia ler nada! O professor se transforma, assim, num estrategista da leitura.

Daniel Pennac termina seu livro listando os “direitos imprescritíveis” do leitor. Um deles é o de não ler. Não obstante, os professores de literatura e as comissões dos vestibulares ficam proibidos de exercê-lo em relação a Como um romance. Só assim será possível evitar a morte de mais leitores.

ANTONIO CARLOS VIANA
É escritor. Autor de, entre outros, Cine privé. Vive em Aracaju (SE)
 
 
Daniel PennacO autor Daniel Pennac Nasceu em Casablanca, Marrocos, em 1944, a bordo de um navio, filho de um oficial francês servindo nas colônias do país. É professor de língua francesa, em Paris, e um apaixonado pela pedagogia. O sucesso na literatura chegou com a série de romances sobre o personagem Benjamim Malaussène — O paraíso dos ogros, A pequena vendedora de prosa, Senhor Malaussène e Frutos da Paixão. Na década de 1980, Pennac morou por dois anos em Fortaleza (CE).