terça-feira, 20 de março de 2012

Texto da "Sala de Leitura" Editora WMF Martins Fontes


Quando lemos um livro, nossa imaginação sempre dá vida à história que está sendo contada: vemos a rua por onde a personagem passeia, ouvimos o som da risada do menino, adivinhamos as cores presentes em cada passagem do texto... Inspiradas por essas imagens, algumas pessoas são levadas a utilizar outras formas de expressão para contar uma história que leram.

É o que faz um cineasta, por exemplo, quando se baseia num livro para fazer um filme. Acontece que cada leitor imagina a história do seu jeito, e por isso é tão comum ouvirmos alguém dizer: “Ah, achei o livro muito melhor do que o filme.” Pensamos em apresentar nesta sala de leitura alguns livros de nosso catálogo que deram origem a obras de cinema. Sugerimos que, depois da leitura, você assista ao filme.

Talvez seja uma surpresa constatar que alguém imaginou a história de maneira tão diferente da sua. Será uma boa oportunidade para compartilhar a infinidade de imagens e emoções que um mesmo livro pode despertar.

Fonte: Sala de Leitura Nº30 - Março de 2012 - Editora WMF Martins Fontes

sexta-feira, 16 de março de 2012

A criança e a maturidade para a leitura, segundo a idade


Foto: Cindiann 

Cada leitor é único. No entanto, nos momentos iniciais da leitura há certos pontos comuns de observação. Esses marcos abaixo não são taxativos, isso vai depender de muitos fatores sociais, comportamentais, culturais, familiares, neurológicos que cada indivíduo vivencia e irá reproduzir, de uma maneira ou de outra, na prática da leitura.
Historicamente, é a partir, dos anos 50 e 60, que  a criança se converte em protagonista dos livros infantis. Ocorre a adaptação psicológica ao papel de leitor – identificação. Os temas de interesse giram em torno de aventuras protagonizadas por um bando, explicada pela busca de enquadramento em um grupo.

6 a 8 anos

  •  Pensamento intuitivo, pré-lógico;
  • Relação com o livro de animismo (animismo, em breves palavras,  é um conceito antropológico que reproduz a relação dos seres com algo já existente. Esse objeto representa algo mítico, de origem religiosa, inexplicável racionalmente);
  • Extensão da experiência da vida;
  • Adequação imagem-texto, de acordo com o progressivo desenvolvimento da criança;
  • Passagem da fase animista para a fase da fantasia;
  • Não se deve sobrecarregar a criança, pois para ela é um momento de grande esforço com o aprendizado da leitura;
  • É bom que haja presença sempre marcante de humor.

 8 a 10 anos

  • Livros ligados à experiência de vida da criança (maior autonomia, ela começa a integrar outros grupos);
  • Linguagem deve ser objetiva, sem falsas retóricas, floreios ocos;
  • Preferência por ação;
  • Ilustrações devem instigar a criança a continuar;
  • Necessidade de determinar um tempo para a criança continuar a ler;
  • Pais podem acompanhar os filhos em visitas à Biblioteca Pública ou à livraria;
  • Manuseio de livros de consulta a partir dessa idade;
  • Temas relacionados à natureza ganham interesse;
  • Momento bom para apresentar outros gêneros como o teatro.

10 a 12 anos

  • Momento de ocorrência de transformações fisiológicas;
  • Aparecimento de pensamento hipotético-dedutivo;
  • Surgimento de crítica e autocrítica;
  • Temas de preferência: aventura, humor, mundo dos animais, mistério;
  • Cria afinidade com autores;
  • Necessidade de maior solidão (mudanças fisiológicas, orgânicas e comportamentais).

A partir dos 13 anos

  • É comum ocorrer um certo abandono;
  • Há um processo de evolução da personalidade;
  • A precipitação dos professores em literatura para essas idades com relação aos clássicos, pode resultar negativamente.
  • Temas giram em torno de: problemática social, confronto entre grupos étnicos ou sociais diferentes, guerras, violência, situações de marginalidade, abandono.
A partir disso, dá para refletir e trabalhar melhor um livro em casa ou na escola.
Faça um teste!
Pesquise mais em 
SOBRINO, Javier García (org.), et. al. A criança o livro: A aventura de ler, Portugal: Porto Editora, 2000.

Fonte: Livros e Afins

quinta-feira, 15 de março de 2012

Receitas de Leitura!


Livros, farmácias, centros de saúde?!

As pessoas perguntarão: - O que é que uma coisa tem a ver com a outra?!

Ao que respondemos: - Tudo! 

Ambos são factores fundamentais para o bem-estar individual na dose e na escolha certa. Tal como os medicamentos, também os livros são surpreendentemente diversificados, multicolores e poderosos. Os seus princípios activos (informação, cultura e prazer) tomados na dose certa são fundamentais para o crescimento intelectual, profissional e pessoal.

"Receitas de leitura" consiste em colocar no balcão das farmácias e centros de saúde um pequeno expositor da Biblioteca Municipal, que disponibiliza aos clientes receitas de leitura de 36 títulos diferentes de literatura, que visam estimular o gosto pela leitura. Ao aproximarmos estes serviços (biblioteca, farmácias e centros de saúde) através da difusão de um receituário de leituras, ambicionamos tornar os cidadãos mais felizes, porque plenamente saudáveis.

Foi com o arranque desta iniciativa que a Biblioteca Municipal de Coimbra comemorou o Dia Mundial do Livro receitando leituras a toda a população de Coimbra. Não desperdice este medicamento grátis, prove uma amostra numa farmácia ou centro de saúde perto de si, sinta os seus princípios activos e venha até nós. Podemos não ter acertado com a amostra adequada a si, mas de certeza que encontrará o seu livro “mágico” na vasta e diversificada panóplia desta sua casa da leitura – Biblioteca Municipal de Coimbra.

Leia, porque…ler é o melhor remédio!


Receitas de Leitura:
A insustentável leveza do ser Ficheiro em formato PDF
A rainha do sul Ficheiro em formato PDF
As bruxas Ficheiro em formato PDF
Equador Ficheiro em formato PDF
O diário de Bridget Jones Ficheiro em formato PDF
O perfume Ficheiro em formato PDF




Fonte: Biblioteca Municipal de Coimbra

segunda-feira, 12 de março de 2012

13 atitudes que mostram se você é um leitor competente


A leitura ajuda a formar referências simbólicas, afetivas e de pensamento do indivíduo. A pessoa que lê se transforma a cada livro lido e também transforma o mundo ao seu redor. Para começar essa onda de mudanças é importante saber:

Você é um leitor competente?

O leitor competente:
  1. Sabe buscar textos de acordo com seu horizonte de expectativas, selecionando obras a partir de suas preferências;
  2. Conhece locais em que os livros e demais materiais de leitura se encontram (bibliotecas, salas de leitura, livrarias, editoras, etc);
  3. Frequenta espaços de mediadores de leitura (lançamentos, exposições, palestras, encontros com escritores);
  4. Identifica livros e outros materiais nas estantes, sabendo procurar o que lhe interessa;
  5. Localiza dados na obra (editora, local, data de publicação, prefácio, sumário, índice);
  6. Segue as pistas da leitura oferecidas pelo autor;
  7. Reconhece a estrutura da obra e preenche os vazios de acordo com a sua maturidade leitora e existencial;
  8. É capaz de dialogar com novos textos, posicionando-se criticamente diante deles;
  9. Troca impressões e informações com outros leitores;
  10. Integra-se em grupos de leitores e se expressa em diferentes linguagens o que leu;
  11. Conhece e se posiciona diante da crítica de livros lidos;
  12. É receptivo a novos textos, alargando seu gosto pela leitura e seu leque de preferências;
  13. Amplia seu horizonte de expectativas por meio de leitura desafiadora; têm consciência do seu crescimento como leitor e como ser humano, propiciado pela leitura.
Aproveite e leia o artigo Como pesquisar na biblioteca.
Fonte: COSTA, Marta Morais da, Metodologia do ensino da literatura infantil, Curitiba: Ibpex, 2007.
Crédito da imagem.

Fonte: Livros e Afins

sábado, 10 de março de 2012

Leitura Literária - Entrevista

Sábado, 10 de março de 2012


Há quanto tempo realiza pesquisas sobre a formação de leitores? O que motivou-o (a) a isso?


Minha decisão ou motivação voltada a estudos sobre a leitura se iniciou quando eu fazia o curso de letras, no final da década de 1960, a partir da consciência de que a leitura é a porta para o conhecimento e para a construção de experiências, além de possibilitar o refinamento das ações e decisões de uma pessoa. Essa motivação permaneceu comigo ao longo de toda a minha vida, principalmente porque o nosso país necessita de muitas pesquisas para apontar soluções, resolver os graves problemas que afligem a área da leitura. Isto considerado, acredito que somo 45 anos de preocupação com vários aspectos das práticas de leitura; em que pese todos esses anos de trabalho, percebo que a nossa evolução foi muito pequena, para não dizer exígua em razão da quantidade de necessidades que estão relacionadas à problemática da leitura.

O que apontam suas pesquisas quando o objeto é a formação literária do professor brasileiro? Em que medida a Universidade tem contribuído (positiva ou negativamente) com o desenvolvimento desse hábito?

Mostram que, ao iniciar a universidade ou curso superior, a formação literária dos estudantes (não somente os futuros professores) tende a diminuir ou a se estreitar por uma série de razões, mas a principal é que a leitura literária é sufocada por outros tipos de leitura, pela preponderância de outros textos, que não o de natureza literária. Nestes termos, salvo raríssimas exceções, a universidade parece agir em sentido contrário a essa formação, não oferecendo, não dispondo um bom cardápio de sugestões para alimentar a fruição literária dos estudantes durante a sua formação. São raras as bibliotecas universitárias que possuem acervos de literatura para incentivar a leitura e alimentar os interesses dos estudantes. Nestes termos, ao longo da escolarização de uma pessoa, a literatura fica quase sempre marginalizada do processo de formação, quase nunca fazendo parte de um projeto pedagógico sólido, bem estruturado e fundamentado em termos da importância da literatura na vida dos cidadãos. Neste caso, as exceções apenas confirmam a regra geral, infelizmente.

Qual a importância e benefícios do incentivo à leitura literária para a formação de um indivíduo, especialmente se este for um educador?

Retomo Antônio Cândido, quando diz, num de seus textos, que a literatura – e consequente a sua leitura – atende às necessidades de fabulação dos seres humanos, colocando-se como um direito de todos. São múltiplos os benefícios da leitura literária, e o seu valor maior está no refinamento das nossas retinas para perceber e compreender o mundo através das aberturas permitidas pelos olhos dos escritores. Acredito que a literatura pode permitir o desenvolvimento de sensibilidades únicas para um educador, abrindo seus olhos para relações inusitadas entre aquilo que ele ensina e o mundo criado pelos escritores.

O que se espera do professor enquanto um mediador de leitura?

Que ele tenha paixão pela leitura e escrita, perceba o texto como fundamento da ensinagem-aprendizagem, seja um informante de leitura, um entusiasta-incentivador, saiba diferenciar os textos, estabeleça unidades coerentes de leitura conforme o perfil dos estudantes que ensina, responda objetivamente às vontades de leitura das crianças, conheça adequadamente a história da leitura em nosso país, sendo sabedor das injustiças que sempre permearam as relações entre a grande maioria dos brasileiros e os textos escritos.
É possível formar leitores se o próprio professor não tem o hábito de ler?

Se o contexto escolar (ou educacional) como um todo constituir um ambiente rico para a leitura, acredito que os leitores podem se desenvolver com autonomia e podem se salvar ou se safar dos professores não-leitores. Como os contextos escolares brasileiros, principalmente os das escolas públicas, são pobres nesse aspecto, tendo a acreditar na impossibilidade de formar leitores com professores distanciados das práticas de leitura.

Há alguma consideração final que o (a) senhor (a) queira fazer?

A dívida social dos governos brasileiros para com o desenvolvimento da leitura é imensa, com contornos de uma grande vergonha que se reproduz de ano para ano e fica cada vez mais medonha. Sabemos quais são os problemas, pois que já evidenciados por várias investigações. Entretanto, os governos olham de esguelha, dão de ombros e repetem as mesmas ações de ano para ano, sem que as melhorias em direção às estruturas permanentes (bibliotecas, por exemplo) venham a acontecer de fato. Por outro lado, tornaram-se comum no Brasil as tentativas de resolver o complexo problema da leitura com programas homeopáticos, assistencialistas, efêmeros, descontínuos, etc. que no mais das vezes atendem aos lucros das editoras, mas não geram efeitos na formação de leitores. Sem quebrar o círculo vicioso e inócuo desses processos, sem colocar no lugar deles as ações globais com altos investimentos (de recursos humanos, de inteligência, de estruturas), continuaremos a patinar no mesmo lugar ou então andar para trás, como vem acontecendo nos últimos anos.