quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Brincar de Ler

Christine Castilho Fontelles*

Quando um bebê começa a ser gerado no útero da mãe, e coloniza o coração das famílias à sua volta, imediatamente nascem expectativas e inquietações. Uma série de providências e cuidados especiais iniciam uma rotina especial para acolher esta nova vida. A mãe faz exercícios, yoga, drenagem linfática, começa a cantar e ler para o filho que vai chegar, arrematando cuidadosamente uma cumplicidade para toda a vida. No enxoval do bebê constam itens fundamentais como fraldas, lençóis, toalhas, mamadeiras, termômetro, brinquedos, livros.

No útero da mãe, o bebê já participa do ambiente que o hospeda. Ambos estão profundamente ligados. Ele ouve a sua voz e reage aos estímulos proporcionados. Seus corações batem simultaneamente. Quando nasce, é envolto em acalantos e ouve belas histórias. Agora, apesar de intimamente ligado à mãe, também reconhece os carinhos da família. Nos banhos matinais, a água morna e a suavidade do toque das mãos de seus cuidadores dão o tom aconchegante ao ambiente. E para que tudo fique divertido – brincadeira é coisa séria para criança, é seu meio de reconhecer o mundo que o cerca –, boiam em sua banheira bichinhos de borracha e livros de plástico, coloridos. Aos poucos, o bebê manuseia estes objetos, reproduzindo o gesto cotidiano de seus cuidadores.

Os meses avançam e a interação do bebê com o mundo é cada vez mais intensa. Rola pelo chão, instigado por objetos que chamam a sua atenção, exercitando os seus “acessórios” – tronco, braços, pernas, pés, mãos. Tudo deve ser suave ao toque do bebê, os brinquedos e livrinhos são de panos coloridos. Curioso, observa atentamente os movimentos realizados por seus pais e cuidadores. Com a bola, pra lá e pra cá; o carrinho, que vai e vem; a boneca, que se aproxima e se afasta; as páginas do livro que abrem e fecham, em conexão com a voz dos adultos que lhe ofertam esta brincadeira.

Os objetos passam da mão à boca. Os bebês se encontram em plena fase oral e literalmente experimentam o mundo que os cercam! Começam a engatinhar ao som de canções que lhe são tocadas ou cantadas – tentam imitar os sons emitidos pelos seus cuidadores. Passam sobre tudo que está no caminho: almofadas, brinquedos e livros cartonados, com muita imagem e muita cor. Levam-nos à boca e os seguem com os olhos fascinados na medida em que um adulto vira suas páginas revelando novas formas, cores, novos sons. Assim vai aprendendo que a vaca faz “muuuu”, o galo faz “cocoricó”, o cachorro faz “au au”, as buzinas fazem “bi bi”. O mundo é divertido, colorido, aconchegante e tem sempre alguém pronto pra lhe doar tempo, cuidado, amor e muitos, muitos sons. Devagar ele aprende que esses sons são palavras e que as palavras são “imagens” para se ver, ouvir, falar e escrever.

Livros são meios de transporte

As preferências vão surgindo ao longo das experimentações: sabores, cores, músicas, brinquedos, histórias, lugares, pessoas – os vínculos mais estreitos, claro, são reservados à mãe, ao pai, aos irmãos, à família e aos cuidadores. Com eles, olha e escuta atentamente, repete sons e atitudes. Em seu baú de brinquedos tem bola, boneca, livro, peteca, monta-monta, bichinhos, carrinho... Ah! E os livros, com sons ao toque do dedinho, texturas diferentes e pop ups são os mais curtidos – como é igualmente curtida a presença do cuidador, sua voz, seu toque, seu carinho. Todo objeto, brinquedo e livro são meios de transporte de cuidados e de afeto.

Pesquisas feitas pelo Instituto Paulo Montenegro revelam que o gosto da leitura tem influência direta das mães (41%), dos professores (36%) e dos pais (24%). Portanto, proporcionar ao bebê uma rotina de contatos com a leitura em voz alta e com os livros, além de garantir-lhe um melhor desempenho escolar, terá papel importantíssimo na elaboração de suas emoções e na construção da sua base afetiva.

A leitura é uma atividade social que nasce a partir da mediação de um adulto educador, pais e professores, com a criança. Não nascemos leitores; nos tornamos leitores porque esta é uma prática social. Nos tornamos leitores por convívio e por contato. Como diz a fonoaudióloga Lucila Pastorelo, mestre em psicolinguística pela USP, “falamos com os bebês para que aprendam a falar; dançamos com os bebês para que aprendam a dançar. É preciso ler para crianças pequenas, bem pequenas, sempre. Para que elas possam ler, ter acesso ao mundo e tornarem-se cada vez mais humanas”.

As crianças se tornam leitoras literalmente no colo dos pais, mesmo que estes não saibam ler ou tenham dificuldades de leitura. Mais tarde, na escola, dão sequência a este aprendizado acompanhadas de seus professores, como mostra este belo relato do poeta Bartolomeu Campos de Queirós: “Meu trabalho, enquanto professor, passou a ser dar asas às fantasias das crianças. Não desprezar a intuição como meio de ler a poesia que circula no mundo veio ser a minha metodologia. Por ser assim, a arte, com sua total falta de preconceitos, guiava nosso convívio. E nós éramos felizes”.

E até parece que eles já nascem sabendo disso, como nos revelou o Petrus, garoto de 13 anos de Laranjal Paulista (SP): “Podemos não aprender a ler e escrever na barriga da mãe, mas lá é que as nossas palavras são feitas, e quando nascemos elas estão somente esperando em nossa boca para sair e se soltarem no mundo”.

*Christine Castilho Fontelles é Diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo

Fonte: Ecofuturo

sábado, 15 de outubro de 2011

Professora inova e alunos lêem mais de 10 livros por semestre

Data: 13/10/2011

Maracy Dourado, conta que antes do Projeto Mala da Leitura, fazer com que os estudantes se interessassem pelos livros era um sacrifício



Implantado há cinco anos, hoje a escola colhe os bons frutos de um projeto simples, mas que se tornou sucesso na unidade escolar. A iniciativa partiu da professora de Língua Portuguesa, que diante da necessidade de estimular a leitura nas salas de aula, teve a ideia de rechear uma mala com vários livros, e transformar as aulas que antes não saiam da teoria em verdadeiras viagens. A escola é o CAIC – Centro de Atenção Integral à Criança, em Palmas, onde adolescentes que não tinham o hábito da leitura, hoje chegam a ler mais de 10 livros por semestre.

A professora responsável, Maracy Dourado, conta que antes do Projeto Mala da Leitura, fazer com que os estudantes se interessassem pelos livros era um sacrifício. “Nossos alunos achavam a literatura uma tarefa enfadonha, ler um livro inteiro então era uma missão quase impossível. A solução foi inovar e criar uma atmosfera de magia e mistério que envolve o mundo dos contos, crônicas, fábulas, dentro de uma mala e dar partida à primeira viagem. Ao longo do projeto percebemos que eles foram começando a se interessar e até mesmo gostar da leitura, mas o mais significativo foi como meus alunos mudaram no que diz respeito à concentração e capacidade de interpretação. O rendimento ultrapassou a disciplina de Língua Portuguesa alcançando outras áreas do conhecimento”, explica a professora.

E quando se entra na sala onde o projeto está sendo aplicado, a impressão é de estar dentro de uma biblioteca, o silêncio só é quebrado quando toca o alarme para o término da aula. E é na sala que os estudantes realizam a leitura. As aulas acontecem duas vezes por semana e são aplicadas em todas as turmas do 6° ao 9° ano da unidade escolar.

E quem leva a mala para a sala são os próprios alunos. Desta vez quem ficou com a missão foi Adria Raab. “O projeto nos fez conhecer um mundo inexplorado, agora gosto muito de ler, e também de poder ajudar nas aulas”, diz. Antes de começar a ler os alunos carimbam um passaporte, na ficha de leitura os meninos registram em que pagina começaram e terminaram a leitura. “Assim na hora atividade posso avaliar o progresso de cada estudante”, afirma Maracy.

Só neste semestre, e bem antes do término do ano letivo, Guilherme Dorneles já leu oito títulos. O estudante conta que com o projeto passou a ter mais facilidade na hora de escrever. “Tenho certeza que vou estar preparado quando o vestibular chegar. Como a gente lê durante o horário da aula, não dá preguiça de ler depois e quando se percebe já lemos vários livros”, conta o estudante.

Outra aluna que não perde uma aula é Marta Pereira. Ela conta que aprendeu a gostar de ler depois das aulas de literatura e que agora não vai mais parar. “Nos livros a gente conhece novas estórias e com muitas delas aprendemos bastante, em cada aula viajamos para um novo mundo de descobertas, esse projeto é muito importante. E por isso agradeço a professora que é nota 10!”, revela.

Foto: Georgia
Fonte: por Geórgia Milhomem em Educação
Postador: surgiu.com (abr)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Nunca digo não quando ela pede um livro", diz mãe sobre Dia das Crianças

Além de festejar as crianças, 12 de outubro é o Dia Nacional da Leitura.
Especialista dá dicas para estimular o gosto por livros durante a infância.

Ana Carolina Moreno Do G1, em São Paulo

Ao acordar nesta quarta-feira (12), Carol Miletic, de 8 anos, vai ganhar, além de uma boneca, um livro de presente no Dia das Crianças. A obra, que pertence à série Monster High, estrelada por monstros adolescentes, vai se somar aos cerca de 50 itens da biblioteca da garota, segundo as contas de sua mãe, a contadora Simone Miletic, de 35 anos.

Por incentivo dos pais, leitores inveterados, e da escola, Carol lê no mínimo um livro por semana - média bem superior à das crianças brasileiras entre 5 e 10 anos, que leem 6,9 livros por ano (a grande maioria deles por indicação escolar).

O número, relativo a uma pesquisa nacional do Instituto Pró-Livro publicada em 2008, é pequeno em comparação a outros países, como o Japão. O Ministério da Educação, Ciências e Tecnologia japonês afirmou que as crianças retiraram em média 35,9 livros das bibliotecas públicas em 2007. Esses dados são colhidos a cada três anos desde 1954.

No Brasil, a faixa etária que mais lê é a das crianças de 11 a 13 anos, segundo a pesquisa (leia o arquivo em pdf). São 8,5 livros por ano, sendo que apenas 1,4 deles foram lidos fora da escola. A partir dessa idade, a freqüência de leitura cai: a média da população brasileira acima de cinco anos é de 4,7 livros lidos por ano.


Segundo Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo, não é possível obrigar ninguém a ter o gosto pela leitura, mas é muito difícil que alguém sem incentivo na infância venha a se interessar pelos livros no futuro.

"O que a gente pode fazer é semear. Nós não nascemos leitores, nos tornamos leitores por convívio e contato. É permanente mesmo, começa na gestação e se estende por toda a vida”, diz ela.

No estudo do Instituto Pró-Livro, a mãe é citada pela maioria dos leitores como principal inspiração para cultivar o hábito. Os números também mostram como a família pode incentivar - ou frear - a leitura. Entre as pessoas que se declararam não leitoras (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa), 85% afirmou que nunca ganhou um livro de presente.

Já entre os leitores, a porcentagem de pessoas que foram presenteadas com um livro sobe para 52%.

O exemplo dos pais também conta: 60% dos leitores se acostumaram a ver os pais lendo durante sua infância, enquanto 63% dos não leitores nunca ou quase nunca viu esse costume dentro de casa.

Simone Miletic e a filha Carol em exposição sobre o
livro 'O Pequeno Príncipe' (Foto: Arquivo pessoal)

Simone, que ganhou o primeiro livro do pai e era levada à livraria pela mãe uma vez por semana, afirma que Carol teve contato com livros desde a gestação. Antes de conseguir ler sozinha, imitava a mãe sentando ao lado dela com um livro no colo.

“Acho que nunca disse não para ela quando ela pede um livro. É diferente de brinquedo. Para livro, não digo não”, diz a contadora.

Mesmo com tanto estímulo, os pais de Carol passaram por uma fase difícil no processo da alfabetização. A garota teve problemas de aprendizagem na escola e decidiu rejeitar os livros em casa. “Foi muito dolorido até perceber que era um problema dela com a escola e trocá-la de escola”, conta Simone, que hoje leva a filha a livrarias como sua mãe fazia.
 
Guilherme com seu amigo inseparável e um livro
debaixo do braço (Foto: Arquivo pessoal)

Herança de colecionador

O publicitário Alexandre Linhares Giesbrecht, de 35 anos, diz que o filho Guilherme ganhou muitos brinquedos no terceiro aniversário, há duas semanas, e que neste Dia das Crianças vai ganhar um par de calçados.

Os livros, na família dele, são vistos mais como pequenos presentes do dia-a-dia. Guilherme ainda não sabe, mas é dono de uma coleção de revistas em quadrinhos do Pato Donald desde o mês em que nasceu. Alexandre, que quando criança foi incentivado pelo pai a colecionar revistas, decidiu fazer o mesmo com o filho.

"Ele gosta de manter o contato, de estar sempre com um livro, fica folheando”, diz o publicitário sobre Guilherme. “Desde quando mal sabia segurar um livro ficava olhando. É algo que o fascina. Ele pede para a gente contar as histórias pra ele.”

Segundo Alexandre, o item inseparável de Guilherme quando vai à escola é um macaquinho de pelúcia. Mas, quase sempre, ele pede para levar um livro consigo, seja infantil ou de leitura avançada, como os títulos da escritora britânica Agatha Christie. “Se a gente não deixa ele chora”, diz o pai.

 Alexandre Giesbrecht e o filho Guilherme, que não sabe ler, mas tem fascínio por livros (Foto: Arquivo pessoal)
 

Tecnologia
 
Embora defenda que o incentivo à leitura deve começar cedo e se estender durante toda a educação dos filhos, Christine afirma que evitar o contato com suportes mais modernos não é necessário. “As tecnologias não são concorrentes. O computador é mais um caminho, um lugar por onde você envereda também. Uma criança ou jovem que tem entorno cultural bom vai se servir das mídias digitais para fazer suas pesquisas, leituras, escrever, ler, acessar”, afirma ela.

Suportes midiáticos, segundo ela, devem ser apresentados pelos pais para os filhos com a mesma diversidade que alimentos ou músicas.

“Mais do que hábito de leitura, a gente está falando de construção de linguagem”, explica a diretora do Ecofuturo. Segundo ela, a tarefa é desafiadora.

“Quando a gente lê uma imagem, batemos o olho está tudo ali. Com o texto escrito, é formiguinha por formiguinha para formar as letrinhas. O texto se revela pra nós aos poucos, é profundamente diferente da imagem. A imagem é totalizante, o texto não. Quando você lê a imagem você não fantasia, quando você lê isso promove a construção de sinapses extremamente valiosas”, conta.

Carol já tem a própria biblioteca em casa
(Foto: Arquivo pessoal)

Aplicativos

Carol Miletic, que aos quatro anos deslizava sozinha o pequeno dedo na tela sensível ao toque do celular da mãe, para mostrar fotos de seu gato, hoje, aos oito, tem seu próprio netbook e iPod touch. Neles ela mantém um perfil em uma rede social só para crianças, monitorada pelos pais, e se diverte e aprende com diversos aplicativos, como jogos de raciocínio e matemática. Mas, segundo Simone, o único vício da menina que precisa ser limitado é a televisão.

“Ela não é fanática [por computadores]. Tem alguns aplicativos para livros, mas prefere os de papel”, afirma a contadora.

Alexandre afirma que, apesar de ainda não ser alfabetizado, Guilherme já se vira bem no iPad. “Ele gosta de um joguinho em que tem que levar uma criança para a escola, passando por pontes, e de um musical, que vira um teclado”, conta.

O menino, que acaba de completar três anos, recentemente desbloqueou o celular do pai e ligou sozinho para a mãe, ao ver sua foto na tela, sabendo, por observação, que tocar nela acionaria a chamada.

Fonte: G1

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Devemos ler ou contar uma história?

Mónica Semedo, Educadora de Infância
04/03/2005

"Alimentar o imaginário da criança é desenvolver a função simbólica com textos, imagens, sons." Jean Paul Sartre

Desde crianças que ouvimos os nossos pais, avós, amigos ou familiares contarem-nos histórias de encantar em noites sem fim...contavam-nos histórias que tinham na memória, ou mesmo inventadas no momento, inspirados numa formiga que por ali passava perto.

Talvez por, na nossa infância, não existirem muitos livros infantis, a mensagem era passada de boca em boca e todos tinham o hábito de contar uma história. Sentávamo-nos num colinho quentinho e brincávamos com os dedos do nosso contador de histórias, enquanto sonhávamos e viajávamos com o que estávamos a ouvir...muitas vezes adormecíamos embalados por aquelas tão belas palavras...

Nos dias que correm, os livros infantis abundam nas nossas casas e o contar histórias foi desaparecendo, certo é que os colinhos quentinhos perduram e para lhes fazer companhia existe sempre um livro do agrado da criança dando-lhe segurança, porque sabe que tem ali um amigo que a faz fantasiar e imaginar mil e uma aventuras em que gostaria de entrar.

Mas se não temos o hábito de ler ou de contar histórias, qual o melhor caminho a seguir? Ambas as situações são muito importantes e válidas para estimular a criança para a leitura. Porque vai proporcionar-lhe momentos agradáveis e de grande cumplicidade com o colinho quentinho do seu contador de histórias e com os livros em geral.

Para o adulto que não está habituado a lidar com histórias, ler uma é mais fácil, fá-lo sentir-se muito mais seguro e capaz de fazer passar a mensagem ao pequenino que a ouve, e das próximas vezes que o fizer, vai ser tão natural que aquele receio inicial vai desaparecer e nunca mais se vai lembrar dele. Alguns autores defendem que contar uma história à criança dá mais liberdade a quem o faz, porque pode modificar o enredo da história consoante a reacção de quem a ouve, sem no entanto, a alterar. Mas se a lermos vamos passar à criança um modelo de leitor, como deve manusear um livro, desenvolvendo o prazer de ler e o sentido do valor pelo livro.

Claro que ambas as situações são importantes e não nos podemos deixar assustar pelo papão de não termos jeito para contar histórias...coragem! 

12 dicas que facilitam o hábito da leitura

PublishNews - 29/09/2011
 
Confira as 12 dicas que podem dar uma forcinha para quem deseja inserir os livros em sua rotina

Leitura, além de gosto, é hábito. E pra estimular esse hábito, o Blog Livros e Afins, de Alessandro Martins, dá 12 dicas que podem dar uma forcinha para quem deseja inserir os livros em sua rotina. A primeira delas é: busque o prazer de ler, em seguida, tenha sempre um livro consigo, não esqueça de cuidar dos seus olhos, tenha meios alternativos de leitura, procure aperfeiçoar sua leitura e aprenda, de uma vez por todas, como funciona um agregados de feeds. Pra conferir as dicas detalhadamente.

  1.  Em primeiro lugar, busque o prazer de ler: ainda que seja uma leitura densa, dolorosa e triste, há prazer em compartilhar esses sentimentos todos em comunhão artística com o autor e os outros leitores. Descubra como ter a leitura como objetivo e manter o seu prazer.
  2. Tenha sempre um livro consigo: sempre surge a oportunidade de avançar na leitura de um livro, seja na fila do banco, no ônibus ou em algum outro momento inesperado. Atenção: não vá se tornar uma pessoa anti-social. Às vezes uma boa conversa pode ser melhor para passar o tempo. Para esse item, prefira livros pequenos, fáceis de carregar.
  3. Cuide de seus olhos: a não ser que você já domine o braille, vai preferir manter seus olhos em ótimo funcionamento. Esteja atento e faça exames periodicamente. Se precisar usar óculos, use. Fique bem informado sobre seus olhos.
  4. Tenha meios alternativos de leitura: a tecnologia fornece diversas alternativas para atualizar as leituras. Ler na tela do computador pode ser desconfortável, mas já existem formas de ler bons livros, um pouco de cada vez, recebendo pequenos trechos de cinco minutos por em seu email diariamente. Você sabia que até mesmo em seu celular você pode ler livros?
  5. Aperfeiçoe a sua leitura: de que adianta ler se você mal lembra da história um mês depois? Para ler um livro velho como se fosse novo? Bem, a idéia não é má e reler um bom livro sempre é bom, mas se você quer reter mais de tudo aquilo que lê, escolha uma maneira de fazer isso.
  6. Aprenda de uma vez por todas como funciona um agregador de feeds: vamos assumir que, se você está lendo este artigo, você lê blogs. Se lê blogs e ainda não sabe usar um agregador de feeds está muito atrasado e está perdendo tempo ao ter sempre que acessar os seus sites preferidos para saber se eles já foram atualizados ou não. Possivelmente, está perdendo até mesmo textos interessantes. E, muito provavelmente, de blogs que falam de livros, literatura ou que fazem literatura propriamente dita. Aprenda de uma vez a utilizar um agregador de feeds.
  7. Prefira livrarias com bom atendentes: nem sempre os vendedores de livrarias são as melhores pessoas para indicar livros, mas sempre há aquele profissional que se destaca. É aquele que conhece seus gostos e sabe indicar de forma certeira um livro de que você vai gostar. Ou ao menos lhe avisar quando aquela edição que você tanto espera chegou na loja. Em geral, essas pessoas estão nos sebos. Mas há também livrarias com profissionais assim como, em Curitiba, a do Chain e a, infelizmente fechada, do Eleotério.
  8. Saiba fazer pequenos reparos em livros: nem sempre vale a pena. Livros são feitos hoje como um produto qualquer e muitos não valem um centésimo da árvore de onde saiu sua celulose. Mas o bom leitor tem sempre uma ou outra edição rara ou feita com aquela arte que mais não há. Para esses, saiba fazer pequenos reparos e como secá-los no caso de molhados. Mas para evitar esses problemas…
  9. Saiba como guardar seus livros: a melhor maneira de conservar um livro é não o guardando, mas fazendo com que ele circule de mão em mão. O objetivo de um livro é conservar o conhecimento para que esse conhecimento se propague. Guardá-lo em uma estante para o resto da vida é o mesmo que queimá-lo. Mas se você não for capaz de tal generosidade, aprenda a conservar seus livros.
  10. Tenha ao menos um desafio para cada ano: escolha uma grande obra que ainda não tenha lido e comprometa-se a lê-la.
  11. Leia menos para ler mais: se você lê até o ponto de ficar cansado ou de passar os olhos sobre a página sem que se lembre ou tenha consciência do que acabou de ler, algo está errado. Você precisa aprender a parar de ler antes que isso aconteça para que seu horizonte de leitura se amplie e para que a leitura sempre esteja associada a uma atividade prazerosa. Lembre-se: para ler mais, leia menos, mas com mais qualidade.
  12. Saiba onde conseguir livros grátis: livros não são baratos. Você pode conseguir livros grátis na internet com facilidade. Ler na tela ainda é desconfortável, mas esteja ciente das mudanças tecnológicas. É possível que os eBook Readers se popularizem ou, então, alguma outra forma de leitura. Mudanças vão acontecer, não há dúvida. De outra forma, você estaria lendo ainda em papiros e tendo que aprender o funcionamento do livro, essa tecnologia tão recente.
Fonte: Livros e Afins