sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Leitores antes mesmo de nascer

22/09/2011

Projeto piloto do Bebelendo incentiva a leitura desde a gestação e a primeira infância e já apresenta resultados

Bebês embalados por livros e histórias que os manterão conectados ao hábito da leitura por toda a vida. Esse estímulo ao contato com as histórias desde a gestação e o nascimento -- assim como a promoção da leitura entre as mães, pais e cuidadores das crianças -- é o objetivo do programa Bebelendo, inspirado também nas ações de formação de leitores das Jornadas Literárias, que já faz experiências práticas.

Desde fevereiro de 2010, o projeto idealizado por Rita de Cássica, à época professora da Universidade de Passo Fundo e hoje consultora da Unesco, é aplicado nos municípios gaúchos de Erechim e Tapejara. Hoje, cerca de 40 pessoas participam do projeto -- gestantes e bebês de famílias de vulnerabilidade social -- que tem apoio financeiro da Unesco e conta com aparatos físicos e funcionários da prefeitura dos municípios. E muitos resultados já estão sendo observados: os bebês que participaram do programa mostram maior atenção às histórias e interesse pelos livros, enquanto as mães leem mais e servem como mediadoras não só com o bebê, mas também com os outros filhos. Agora, a expectativa de Rita é conferir o resultado na fala dos bebês.

As últimas descobertas da neurociência mostram que de 0 a 3 anos acontece um importante desenvolvimento cerebral. E que pode haver mudanças de acordo com os estímulos fornecidos. “Os comportamentos dessa fase servem de base para a vida toda”, explica Rita. Através do contato com a leitura e literatura neste período, acredita-se que a criança também vai ter uma capacidade linguística mais bem desenvolvida: 50% da capacidade é hereditária, e 50% pode ser influenciada pelo meio. “Então, se as mães leem mais elas também influenciam na capacidade linguística do filho.”

O projeto propõe que desde a gestação a mulher participe de encontros semanais nas bibliotecas municipais. Em um primeiro momento, a professora Rita explica às mães a importância de estimular a leitura e a contação de histórias desde a gestação. Então, a partir do sétimo mês, as gestantes passaram a se encontrar semanalmente com duas mediadoras na biblioteca para ouvir uma história contada, aprender cantigas de ninar e parlendas – que devem contar e cantar aos bebês. Aos poucos, são estimuladas a introduzir as histórias e os livros a eles.

Passado um ano e sete meses de trabalho, os resultados são animadores. “Observamos claramente que os bebês desenvolveram comportamentos de leitores. Eles prestam muita atenção quando se contam histórias, muito mais do que os bebês que não participaram do programa”, conta Rita. Outras descobertas: o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê ficou mais forte e os pequenos também ficaram mais sensíveis à música e se movimentam no ritmo dela. Por sua vez, as mães também desenvolveram comportamentos de leitoras, retirando em média três livros por mês da biblioteca. “Agora estamos ansiosos para ver os resultados na fala dos bebês, de como as histórias estimularam a sua capacidade linguística”, diz Rita.

O programa piloto do Bebelendo vai durar ao todo três anos, contando com a parceria da Unesco. Resultado do trabalho de mestrado da professora Rita, o projeto é detalhado no livro Programa Bebelendo – uma intervenção precoce de leitura, escrito em parceria com a sua orientadora de Mestrado, a professora Tania Rösing, que também é coordenadora das Jornadas Literárias de Passo Fundo. “A grande meta é que o programa se torne uma política pública em todo o País”, entusiasma-se Rita. 

Fonte: PublishNews

domingo, 18 de setembro de 2011

“Quem não ler e se informar será jogado para fora da sociedade”, diz escritor


Umuarama – O escritor mineiro, Affonso Romano de Sant'Anna, esteve na última terça-feira (13) em Umuarama para participar da 30ª edição da Semana Literária do Sesc. Em um bate papo com a professora universitária Cacilda Zafaneli, Affonso falou sobre a literatura nos dias de hoje, e em como a tecnologia e a contação de histórias pode ajudar na formação de leitores, fazendo um alerta: “quem não ler e se informar na sociedade do século XXI, principalmente nos próximos anos, será ‘descartado’”.

AGENTES LITERÁRIOS

Frente às dificuldades de se formar novos leitores, e como criador do PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios, Romano defende cada vez mais a importância dos contadores de histórias para despertar a nova geração.

A exemplo disso, o escritor citou um projeto que aconteceu no Ceará. A secretaria de educação treinou algumas pessoas e deu uma bicicleta para cada uma, com cerca de 20 livros para passar por diversas regiões da cidade com o objetivo de incentivar a leitura. “De repente, um sujeito está ali, em uma beira de estrada, sozinho e chega um agente que começa a conversar com ele, por fim, apresentando um livro”, explicou.

O escritor afirmou que esse trabalho modificou o panorama do Ceará e hoje todo o país está copiando esta ideia. Existem atualmente 10 mil programas de leitura no Brasil. “Consegue-se encontrar hoje bibliotecas dentro de borracharias, açougues e isso é fantástico”, comentou.

ESSENCIALIDADE DA LEITURA

Segundo Romano, quem não se informar estará liquidado na sociedade do século XXI, principalmente nas próximas décadas. “Eu já estou tirando o meu time de campo, mas quem for viver o século XXI e não ler e se informar, vai ser lixo jogado para fora da sociedade. O único jeito é ler”, afirmou.

E são esses que não se informam que também se enquadram em um terceiro tipo de analfabetismo, além dos que não sabem ler e escrever e do analfabetismo funcional: o tecnológico. Para isso Romano elogia o uso dos blogs e a quantidade de livros que pode ser baixada gratuitamente na internet. Deste modo, a biblioteca ser muito longe ou o livro ser caro não são desculpas para deixar de ler.

Apesar de a sociedade tecnológica levar o indivíduo para se alimentar apenas da linguagem de imagem, esse cruzamento de gerações que está sendo vivido mostra que “compete a nós apresentar soluções”, refletiu.

LEITURA É TRABALHO

Romano afirmou que leitura não é apenas prazer, como professores e pedagogos adoram pregar nas salas de aula. “Prazer é apenas metade da conversa. Leitura é trabalho, é exercício de uma tecnologia: saber ler e interpretar”, disse.

Uma obra que tem além da qualidade estética e artística um leque de informações muito grande, pode atingir também muito mais gente. Para se ler, por exemplo, Dante Alighieri e o seu Inferno, Purgatório e Paraíso – na obra A Divina Comédia – deve-se ter conhecimento de história, geografia, teologia, filosofia. “Mas uma pessoa simples, sem grandes formações, também pode captar no seu cotidiano algo daquilo tudo”, conta.

LEITURA TEM PODER

Quando escreveu o texto “A Mulher Madura”, Romano se deparou com inúmeras mulheres que o procuravam para contar a importância daquelas palavras em suas vidas. Algumas até faziam centenas de cópias para distribuir. E são várias obras literárias que possuem essa mesma força. “Por causa de um texto pessoas mudam de emprego, de casa, de marido e é por isso que é importante ler. Seja pelo motivo que for, até por egoísmo seria bom que as pessoas lessem”, expõe.

FALTA DE OPORTUNIDADES?

Questionado sobre uma afirmação do escritor Ziraldo que disse “como querer que uma criança leia um livro dentro de um barraco em uma favela do Rio de Janeiro a 40º?”, Romano contou uma história de uma biblioteca que foi colocada dentro de um hospital.

A ideia inusitada aparenta também ser inútil. Mas só aparenta.

“Um dos pacientes não queria aceitar a alta porque não havia terminado um livro que lhe interessava muito. O médico descobriu então, que esse paciente era analfabeto e foi questioná-lo, quando então o enfermo disse: levo este livro pro cara do leito 42 e ‘leio na leitura dele’. Resumindo: quem quer ler, lê nas circunstâncias mais difíceis, não há desculpa”, finalizou Romano.

Ontem foi a vez dos escritores Alice Ruiz e Fabrício Carpinejar falarem sobre “Literatura e Sedução”. Hoje, a Semana Literária contará com o lançamento de uma prata da casa, Simoni Maria Martins com o livro de poesias “Procura-se”. O lançamento acontecerá às 20 horas no salão social do Sesc. A Semana Literária segue até amanhã.

“Estamos em uma sociedade permissiva. Sou contra o autoritarismo, mas hoje a educação concede liberdade demais. Professor tem que ser antes de tudo um sedutor e o aluno deve ser levado a descobrir o seu interesse, o seu assunto preferido, seja ele qual for”

SAIBA MAIS SOBRE AFFONSO
Affonso Romano de Sant'Anna é um caso raro de artista e intelectual que une a palavra à ação. Com uma produção diversificada e consistente, pensa o Brasil e a cultura do seu tempo, e se destaca como teórico, como poeta, como cronista, como professor, como administrador cultural e como jornalista.

Com mais de 40 livros publicados, professor em diversas universidades brasileiras - UFMG, PUC/RJ, URFJ, UFF, no exterior lecionou nas universidades da California (UCLA), Koln (Alemanha), Aix-en-Provence (França). Seu talento foi confirmado pelo estímulo recebido de várias fundações internacionais como a Ford Foundation, Guggenheim, Gulbenkian e o DAAD da Alemanha, que lhe concederam bolsas de estudo e pesquisa em diversos países.

Nascido em Belo Horizonte (1937), desde os anos 60 teve participação ativa nos movimentos que transformaram a poesia brasileira, interagindo com os grupos de vanguarda e construindo sua própria linguagem e trajetória.

Data desta época sua participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Embora jovem, seu nome já aparece nas principais publicações culturais do país. Por isto, como poeta e cronista foi considerado pela revista “Imprensa”, em 1990, como um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião do Brasil.

Nos anos 70, dirigindo o Departamento de Letras e Artes, PUC/RJ, estruturou a pós graduação em literatura brasileira do Brasil, considerada uma das melhores do país. Trouxe ao Brasil conferencistas estrangeiros como Michel Foucault e apesar das dificuldades impostas pela ditadura realizou uma série de encontros nacionais de professores, escritores e críticos literários além de promover a “ Expoesia” - evento que reuniu 600 poetas num balanço da poesia brasileira.

Como jornalista trabalhou nos principais jornais e revistas do país: Jornal do Brasil (pesquisa e copydesk), Senhor(colaborador) ,Veja(critico), Isto É(Cronista), colaborador do jornal O Estado de São Paulo. Foi cronista d da Manchete e do Jornal do Brasil . e está no O Globo desde 1988.

Nos duros tempos da última ditadura militar, Affonso Romano de Sant'Anna publicou corajosos poemas nos principais jornais do país, não nos suplementos literários, mas nas páginas de política . Poemas como “ Que país é este?” (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão), foram transformados em “posters”, aos milhares, e colocados em escritórios, sindicatos, universidades e bares.

Nessa época produziu uma série de poemas para a televisão (Globo) .Esses poemas eram transmitidos no horário nobre, no noticiário noturno e atingiam uma audiência de 60 milhões de pessoas.

Como presidente da Biblioteca Nacional — a oitava biblioteca do mundo, com oito milhões de volumes — realizou entre 1990 e 1996 a modernização tecnológica da instituição, informatizando-a, ampliando seus edifícios e lançando programas de alcance nacional e internacional.

Criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, que reúne 3.000 instituições e o PROLER ( Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios em 1991 lançou o programa “Uma biblioteca em cada município”.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

7 dicas para contar historias

1 Escolha o livro de acordo com a idade. Para as crianças pequenas, a obra deve ter histórias curtas e muitas ilustrações.

2 A leitura não tem restrição de lugar nem de horário. Pode ser no quarto, na sala, até mesmo durante o almoço ou o jantar.
3 Tenha uma caixinha com garrafas plásticas, latas, itens coloridos e barulhentos para simbolizar os personagens. Um lápis, por exemplo, transformase em varinha de condão da fada. A criança, quando ajuda na manipulação desses objetos, interage ainda mais com a narrativa.
4 Dê entonação diferente para cada personagem. Para um monstro, use voz mais grave, enquanto a fada ou donzela pede um tom suave. Gestos também são importantes, tenha liberdade para improvisar.
5 A criança pode ajudar a construir o personagem e até mudar o enredo do conto. Nesse caso, em outro momento, narre a versão original. É importante que ela saiba como é a história verdadeira escrita pelo autor.
6 Mude de história, caso a criança diga que não está gostando. Pergunte a ela o que quer ouvir.
7 Crie um ritual para começar e encerrar a contação usando músicas ou brincadeiras. Aposte nas expressões “Era uma vez...” para iniciar a história e, para finalizar, “Saiu por uma porta, entrou pela outra, quem quiser que conte outra.”

Projeto Letras Soltas - Presidente Prudente lança projeto para incetivar a leitura

Domingo, 11/09/2011

O Projeto Letras Soltas consiste na prática de deixar os livros em locais públicos para que as pessoas encontrem e leiam. Depois de lidos, elas têm que deixar o livro em outro lugar para que novas pessoas possam usufruir a leitura.



Fonte: Antena Paulista

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Plano Nacional do Livro e Leitura - DECRETO Nº 7.559, DE 1º DE SETEMBRO DE 2011.

Dispõe sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura - PNLL e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 1º, 13 e 14 da Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003,

DECRETA:

Art. 1º O Plano Nacional do Livro e Leitura - PNLL consiste em estratégia permanente de planejamento, apoio, articulação e referência para a execução de ações voltadas para o fomento da leitura no País.

§ 1º São objetivos do PNLL:

I - a democratização do acesso ao livro;

II - a formação de mediadores para o incentivo à leitura;

III - a valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor simbólico; e

IV - o desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional.

§ 2o As ações, programas e projetos do PNLL serão implementados de forma a viabilizar a inclusão de pessoas com deficiência, observadas as condições de acessibilidade.

Art. 2º O PNLL será coordenado em conjunto pelos Ministérios da Cultura e da Educação.

Parágrafo único. Os Ministros de Estado da Cultura e da Educação designarão, em ato conjunto, o Secretário-Executivo do PNLL.

Art. 3º A implementação do PNLL será feita em regime de cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Parágrafo único. A implementação dos programas, projetos e ações instituídos no âmbito do PNLL poderá ser realizada com a participação de instituições públicas ou privadas, mediante a celebração de instrumentos previstos em Lei.

Art. 4º O PNLL será gerido pelas seguintes instâncias colegiadas:

I - Conselho Diretivo;

II – Coordenação-Executiva; e

III - Conselho Consultivo.

Parágrafo único. A participação nas instâncias enumeradas no caput será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.

Art. 5º Compete ao Conselho Diretivo:

I - estabelecer metas e estratégias para a execução do PNLL;

II - definir o modelo de gestão e o processo de revisão periódica do PNLL, observada a Política Nacional do Livro, instituída pela Lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003;

III - elaborar o calendário anual de atividades e eventos do PNLL; e

IV - elaborar o regimento interno de gestão do PNLL e de suas instâncias, que será aprovado pelos Ministros da Cultura e da Educação.

Art. 6º O Conselho Diretivo será composto pelos seguintes membros e respectivos suplentes:

I - dois representantes do Ministério da Cultura;

II - dois representantes do Ministério da Educação;

III - dois representantes da sociedade civil com notório conhecimento literário;

IV - um representante dos autores de livros;

V - um representante dos editores de livros;

VI - um representante da sociedade civil com reconhecida atuação ou conhecimento no tema da acessibilidade; e

VII - o Secretário-Executivo do PNLL.

§ 1º Os representantes de que trata o caput serão designados em ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação, para atuação pelo período de dois anos, sendo permitida uma recondução por igual período.

§ 2º Caberá aos representantes descritos nos incisos I, II e VII do caput a consulta a entidades representativas de autores, de editores e de especialistas em leitura e em acessibilidade para a indicação dos seus respectivos representantes.

§ 3º As decisões do Conselho Diretivo serão adotadas por maioria simples.

§ 4o O ato a que se refere o § 1o designará o responsável pela coordenação do Conselho Diretivo, a ser escolhido dentre os representantes descritos no inciso I do caput.

Art. 7º Compete à Coordenação Executiva:

I - coordenar a execução do PNLL, de modo a garantir:

a) o cumprimento de suas metas e estratégias;

b) a articulação com os executores de programas, ações e projetos do PNLL ou que com ele tenham pertinência; e

c) a divulgação de seus programas, ações e projetos;

II - participar dos processos de revisão periódica do PNLL e de definição de seu modelo de gestão; e

III - divulgar o balanço de cumprimento de metas do PNLL e decisões adotadas pelo Conselho Diretivo, ao final de cada gestão executiva, nos termos de regimento.

Art. 8º A Coordenação-Executiva será composta pelos seguintes membros e respectivos suplentes:

I - o Secretário-Executivo do PNLL, que a coordenará;

II - um representante do Ministério da Cultura;

III - um representante do Ministério da Educação;

IV - um representante da Fundação Biblioteca Nacional; e

V - um representante do Colegiado Setorial referente à área de literatura, livro e leitura, instituído no âmbito do Conselho Nacional de Política Cultural - CNPC, nos termos do § 4º do art. 12 do Decreto nº 5.520, de 24 de agosto de 2005.

Parágrafo único. Os representantes de que trata o caput serão designados pelo período de dois anos, permitida uma recondução por igual período, por meio de ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação, após indicação pelos titulares dos respectivos órgãos ou entidade ou, no caso do inciso V do caput, pelos membros do Colegiado.

Art. 9o Ao Conselho Consultivo compete assistir o Conselho Diretivo e a Coordenação Executiva no exercício de suas atribuições.

§ 1o O Conselho Consultivo será composto pelos membros do Colegiado Setorial a que se refere o inciso V do caput do art. 8º.

§ 2o A coordenação do Conselho Consultivo será definida em ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação.

Art. 10. O PNLL está estruturado em quatro eixos estratégicos e dezenove linhas de ação.

Parágrafo único. São eixos estratégicos e respectivas linhas de ação do PNLL:

I - eixo estratégico I - democratização do acesso:

a) linha de ação 1 - implantação de novas bibliotecas contemplando os requisitos de acessibilidade;

b) linha de ação 2 - fortalecimento da rede atual de bibliotecas de acesso público integradas à comunidade, contemplando os requisitos de acessibilidade;

c) linha de ação 3 - criação de novos espaços de leitura;

d) linha de ação 4 - distribuição de livros gratuitos que contemplem as especificidades dos neoleitores jovens e adultos, em diversos formatos acessíveis;

e) linha de ação 5 - melhoria do acesso ao livro e a outras formas de expressão da leitura; e

f) linha de ação 6 - disponibilização e uso de tecnologias de informação e comunicação, contemplando os requisitos de acessibilidade;

II - eixo estratégico II - fomento à leitura e à formação de mediadores:

a) linha de ação 7 - promoção de atividades de reconhecimento de ações de incentivo e fomento à leitura;

b) linha de ação 8 - formação de mediadores de leitura e de educadores leitores;

c) linha de ação 9 - projetos sociais de leitura;

d) linha de ação 10 - estudos e fomento à pesquisa nas áreas do livro e da leitura;

e) linha de ação 11 - sistemas de informação nas áreas de biblioteca, bibliografia e mercado editorial; e

f) linha de ação 12 - prêmios e reconhecimento às ações de incentivo e fomento às práticas sociais de leitura;

III - eixo estratégico III - valorização institucional da leitura e de seu valor simbólico:

a) linha de ação 13 - ações para converter o fomento às práticas sociais da leitura em política de Estado; e

b) linha de ação 14 - ações para criar consciência sobre o valor social do livro e da leitura; e

IV - eixo estratégico IV - fomento à cadeia criativa e à cadeia produtiva do livro:

a) linha de ação 15 - desenvolvimento da cadeia produtiva do livro;

b) linha de ação 16 - fomento à distribuição, circulação e consumo de bens de leitura;

c) linha de ação 17 - apoio à cadeia criativa do livro e incentivo à leitura literária;

d) linha de ação 18 - fomento às ações de produção, distribuição e circulação de livros e outros materiais de leitura, contemplando as especificidades dos neoleitores jovens e adultos e os diversos formatos acessíveis; e

e) linha de ação 19 - maior presença da produção nacional literária, científica e cultural no exterior.

Art. 11. O Prêmio Viva Leitura integra o PNLL e tem como objetivo estimular, fomentar e reconhecer as melhores experiências que promovam a leitura.

Parágrafo único. Ato conjunto dos Ministros de Estado da Cultura e da Educação disporá sobre as regras e o funcionamento do Prêmio Viva Leitura.

Art. 12. Os Ministérios da Cultura e da Educação darão o suporte técnico-operacional para o gerenciamento do PNLL, inclusive aporte de pessoal, se necessário, permitindo-se a celebração de convênios ou instrumentos congêneres.

Art. 13. Os gestores do PNLL adotarão a consulta pública como um instrumento permanente para assegurar a participação interativa do setor público e da sociedade civil.

Art. 14. O Conselho Diretivo terá o prazo de noventa dias, a contar da publicação deste Decreto, para estabelecer metas e estratégias de que trata o inciso I do caput do art. 5o.

Art. 15. As despesas decorrentes da implementação do PNLL correrão à conta da dotação orçamentária dos órgãos ou entidades executores das ações, projetos e programas.

Art. 16. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 1o de setembro de 2011; 190º da Independência e 123º da República.

DILMA ROUSSEFF
Fernando Haddad
Anna Maria Buarque de Hollanda