terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cada leitura em sua época

20/03/2011
 
Além de incentivar, pais devem indicar livros e observar conteúdo de enredo 

 
Obter informações do autor e do livro vem ajudando muito a comerciante Dulce Ferres Gomes, 50, a selecionar as obras literárias indicadas para seus dois filhos, Maria Vitória, de 9 anos, e Alan, de 10 anos. As duas crianças estudam na 4ª série da escola Antônio Gomes e adoram frequentar livrarias e ler.

Este comportamento além de apropriado para a formação dos pequenos tem um papel essencial na formação de leitores. As duas crianças de Dulce encontram na leitura uma forma de lazer e distração.

“Cada um gosta de um estilo de livro. A menina, por exemplo, gosta de ler de tudo, livros, revistas e até jornais. Já o menino prefere as histórias em quadrinhos”, conta.

Na gama de leitura de Maria Vitória, Dulce colocou uma ressalva: ainda não está na hora de tramas como ‘Lua Nova’ e ‘Crepúsculo’, best-sellers da escritora norte-americana Stephenie Meyer, que é uma verdadeira febre entre o público juvenil, principalmente com as meninas adolescentes.

“Explico para ela: tudo tem seu tempo, chegará a sua vez de ler ‘Lua Nova’ e outros livros deste gênero”, ressalta a mãe. O gênero em questão enfoca realismo fantástico e aspectos do sobrenatural, em meio as paixões e as dúvidas da adolescência.

Como Maria Vitória só tem 9 anos, Dulce compreende que a leitura mais apropriada para ela são as tramas infantis, os contos de fadas e historinhas lúdicas. Porém, uma vez, Maria Vitória não resistiu à curiosidade de leitora e, mesmo escondida de sua mãe, leu um romance do tipo. “Escondi o livro no travesseiro e lia à noite, antes de dormir. Gostei da história”, revela a peraltice.

Dulce teve uma conversa com a filha e explicou, mais uma vez, que tudo tem seu tempo e que ela poderia queimar etapas da infância ao buscar uma literatura mais adulta. “Falei que ela não entenderia a trama e tudo mais”, diz.

Ação e HQs prendem atenção dos meninos

Se as meninas e adolescentes se encantam pelo cavalheirismo do vampiro ético Edward, protagonista das tramas de Stephenie Meyer, autora de ‘Lua Nova’ e ‘Crepúsculo’, entre outros, o heroísmo de Batman, a força de Hulk e a perspicácia de Sherlock Holmes dominam as leituras dos meninos. Alan Ferres Gomes, 10 anos, irmão de Maria Vitória, 9 anos, revela que é fã do Batman e de suas histórias em quadrinhos.

“O Batman tem um carro que é muito legal! Já o Hulk é muito forte!”, detalha o pequeno leitor. Para o estudante Pedro Henrique da Silva, 11 anos, aluno da escola pública Baltazar de Godoy, o mistério em livros sobre investigações de detetives é o que mais lhe agrada.

“Em livros de mistério você começa a ler e a conhecer os personagens, que são suspeitos. Aí, no final, você descobre quem era o verdadeiro culpado”, diz.

Como orientar a leitura?

Para orientar a leitura dos pequenos é preciso seguir um roteiro inspirado em perguntas. A primeira delas é a seguinte: ‘O que você espera de um livro para o seu filho?’. Outras questões essenciais: ‘Que ensine algo didaticamente?’ e ‘Que tenha moral no final?’. A partir destas reflexões, os pais conseguirão compor uma orientação ideal, bem próximo do que é apropriado a cada idade.

Na análise do escritor Mário Milani, integrante da Associação dos Poetas e Escritores de Marília (Apem), na fase da alfabetização, como são os casos de Maria Vitória e Alan, o mais indicado são obras que reúnam teor didático, com criatividade, tudo para estimular aprendizado com imaginação. “Recentemente li uma informação que me deixou preocupado: os estudantes brasileiros são os que menos possuem livros em casa. Isso é triste e devemos mudar este panorama”, pontua. Milani entende como fundamental o acompanhamento dos pais na formação de leitor dos filhos. “Idas às livrarias integram esta formação”.

Lar de Meninas cria biblioteca comunitária na rodoviária de Marília - SP

02/07/2011
 
São mais de 300 livros entre enciclopédias, romances, gibis e revistas


O Lar de Meninas Amelie Boudet inaugurou na sala de espera da rodoviária de Marília, uma biblioteca comunitária com mais de 300 livros. O público encontra nas prateleiras livros didáticos, enciclopédias, romances, gibis, revistas e livros de auto-ajuda.

O objetivo, segundo o presidente da entidade Nelson Cezário Motta, é estimular a leitura entre os passageiros da rodoviária. “Muitas pessoas ficam aguardando o ônibus sem ter o que fazer. A partir de agora elas terão a oportunidade de ler um livro durante esse período de espera”, disse.

Motta explica que na biblioteca comunitária não há o tradicional controle de saída e devolução de livros; o usuário pode levá-lo embora sem a obrigatoriedade de devolver. “A intenção é fazer com que o livro circule, dando a outras pessoas a oportunidade de ler também”.

Toda semana um funcionário do Lar de Meninas passa pelo local para organizar e completar as estantes. O projeto vai continuar enquanto a entidade tiver livros para repor. “As pessoas devem ficar a vontade para pegar os livros, mas contamos com a população para manter e conservar”, afirma Motta.

Os livros disponíveis na biblioteca comunitária foram doados para o Lar de Meninas pela população. A entidade possui um estoque de cerca de 300 livros para repor conforme for necessário.

O estudante João Antonio de Moraes, 23, aprovou a iniciativa. “Para quem precisa esperar durante muito tempo é bom. O livro distrai e o tempo passa mais rápido”.

O motorista Sandro Alberto Pereira, 37, teve que esperar 30 minutos pelo ônibus e aproveitou o tempo livre para ler. “É um projeto muito interessante porque incentiva a leitura”, disse.

Os interessados em doar livros devem ligar no telefone 3417-4930 ou comparecer no Lar de Meninas, localizado na rua Amelie Boudet, 55, bairro Parque São Jorge, zona sul.


Fonte: Diário de Marília

Leitura é fundamental

Luiz Gonzaga Bertelli *
03/09/2011

Nessa semana, a literatura voltou a ocupar um merecido espaço de destaque nas conversas e na mídia. No primeiro dia de setembro começou a XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro, possivelmente o único evento do país, em termos de grandiosidade e importância, a concorrer com a mostra paulista que só volta a ser realizada no ano que vem.

O assunto vem bem a calhar, especialmente depois que a Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou um levantamento de resultados preocupantes: os universitários não leem mais do que 1 a 4 livros por ano.

Ressalte-se que essa é a média nacional, ou seja, há faculdades como a Federal do Maranhão em que 23,24% dos estudantes não tocam em um livro sequer durante o ano. Na outra ponta da estatística, está a Federal do Rio Grande do Sul, da qual 23% dos alunos leem mais de dez obras no período.

O comportamento do estudante que gravita entre os dois extremos – especialmente aqueles que pendem para o mau exemplo maranhense – deve ser recriminado. É verdade que geralmente ocupamos essas linhas para exaltar os benefícios das vivências práticas para a formação do futuro profissional, mas é imperioso ressaltar que elas terão seus efeitos potencializados com o hábito da leitura – até porque as aulas expositivas nunca abarcam a totalidade dos conhecimentos necessários para a futura profissão.

Nos livros estão ideias e conceitos capazes de ampliar a capacidade analítica dos leitores, que ganham lastro para reflexões mais aprofundadas sobre a realidade e as próprias atividades profissionais, habilidade apreciada na atuação e formação de líderes.

Além disso, ultrapassando a esfera das publicações técnicas, os leitores entram em contato com um universo de informações que enriquecem seu repertório de conhecimentos e sua visão crítica, aprimorando uma série de outras competências úteis tanto para a carreira quanto para a vida.

Para cultivar o hábito da leitura, é preciso empenho, disciplina e uma dose generosa de interesse, especialmente por parte dessa nova geração conectada com as informações rápidas – e por que não dizer rasas? – da internet e dos estímulos visuais dos jogos eletrônicos.

Em tempo, convém deixar outra orientação aos estudantes: não se esqueçam dos jornais. Esse, por exemplo, que você tem em mãos nesse momento é um ótimo ponto de partida. Há empresas que avaliam o nível de atualização dos candidatos a estágio ou emprego pela quantidade de periódicos lidos, valorizando quem está mais bem informado. Por fim, lembre-se sempre da máxima: “conhecimento não ocupa espaço”. Torne-se um assíduo frequentador da biblioteca da sua cidade, nos últimos anos não foram poucos os relatos de instituições que foram fechadas pela falta de procura do público.

* Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ler histórias é a melhor forma de incentivar as crianças à leitura

09/10/2008
Gabriela Agustini
Em São Paulo

Ler histórias para crianças ainda não alfabetizadas é a melhor forma de incentivá-las à leitura. E, para estimular o hábito, é preciso que ele esteja inserido na rotina. O conselho é da psicóloga Cisele Ortiz , coordenadora do Instituto Avisa Lá, uma ONG que trabalha com a formação de educadores.

"Desde antes de nascer até os 7 anos, quando já pode ler sozinha, é importante que alguém narre as histórias para a criança permitindo que ela entre em contato com o mundo da literatura", diz.

Segundo a psicóloga, é ouvindo histórias que os pequenos têm uma primeira experiência com a linguagem escrita e sua estrutura. "Quando ficar mais velha, essa criança certamente reconhecerá o valor cultural que um texto tem", diz Cisele.

Ela ressalta ainda a diferença entre ler uma história e contá-la. "Quando lemos, usamos uma linguagem diferente da falada, o que introduz elementos que serão formalizados, mais para frente, na escola."

Outra especialista no assunto, a coordenadora do projeto de formação de leitores do Colégio Pentágono, em São Paulo, Liliane Araújo, concorda com a importância de o incentivo começar cedo, antes mesmo de as crianças serem alfabetizadas.

Para Araújo, o espaço de leitura deve ser também um local de encontro, com música e troca de idéias entre as crianças - "bem diferente de uma biblioteca tradicional, em que o silêncio predomina". "O livro deve ser um companheiro, um amigo das crianças pequenas", diz.

Livro ou brinquedo?
Ao visitar a seção infantil das livrarias, o consumidor vai encontrar todo tipo de livro - alguns com tantos recursos, como aqueles que vêm com fantoches e pop-ups, que mais se parecem com brinquedos.

Um atrativo nessa "categoria" é a possibilidade de interação que ela promove. "É um convite à criatividade e ao estímulo dos sentidos", explica Araújo. "A criança pode inventar a história, criar e pegar os personagens", exemplifica Ortiz.

Se os livros oferecerem suporte aos pais para contar uma história e para brincar com a criança, eles são uma boa pedida. "Alguns têm painéis imantados ou trazem fantoches, marionetes, teatro de sombras - recursos ótimos para enriquecer o cenário da história", conta Ortiz.

Esses atrativos também são apontados por Araújo como importantes para chamar a atenção dos pequenos leitores. "Quando a criança ainda não é alfabetizada os elementos visuais são os únicos que ela entende. Aprendendo a ler imagens, ela terá o caminho aberto para querer aprender a ler palavras no futuro", diz.

No entanto, Cisele Ortiz faz um alerta: "não é porque ensina uma criança a virar uma página, que o livro desperta interesse por leitura", complementa. Tudo vai depender do uso do produto. Um livrinho daqueles de plástico com figuras e sem texto, por exemplo, será apenas um brinquedo se os pais não o utilizarem para contar uma história. O mesmo vale para produtos com recursos como sons e pop-ups.

Incentivo em casa
A melhor forma de aproximar uma criança da leitura é oferecer a ela o exemplo em casa. "Pais leitores tendem a influenciar o comportamento futuro de seus filhos", atenta Cisele.

Ela conta que promover situações de leitura no dia a dia é um ótimo incentivo. "Existem crianças que aprendem a ler na Igreja, ao tentar acompanhar o folheto da missa como os demais familiares", diz.

"Nesse sentido, uma boa idéia é, por exemplo, deixar a criança em fase de alfabetização ajudar a ler a receita de um bolo que está sendo preparado pela mãe", explica Cisele. "Compartilhar o cotidiano ajuda ainda a estabelecer vínculos emocionais".

Por que ler é fundamental?

Carla Caruso é escritora, pesquisadora e realiza projetos de capacitação de professores no Estado de São Paulo.

“A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo.” Paulo Freire

Afinal por que se afirma que é tão importante ler? Para responder a essa questão, vamos lembrar que o texto – seja de que natureza for – está sempre pronto a ser compreendido, decifrado e interpretado. O processo da leitura exige um esforço que garante uma compreensão ampliada do mundo, de nós mesmos e da nossa relação com o mundo.

Na Roma antiga, o verbo “ler” – do latim legere – além de ler, também podia significar “colher”, “recolher”, “espiar”, “reconhecer traços”, “tomar”, “roubar”. Para os romanos, então, ler era muito mais do que simplesmente reconhecer as palavras e frases dos outdoors de uma avenida, dos índices de desempregos noticiados nos jornais, do discurso político de um candidato à presidência da República, de um poema ou de um conto, de um romance ou de um filme.

Ler é compreender os discursos, mas também é completá-los, descobrindo o que neles não está claramente dito. Talvez “recolher” seja buscar as pistas que o texto tem, “espiar” seja distanciar-se um pouco e não de imediato aquilo que está sendo proposto, “tomar” e “roubar” talvez queira dizer estar prontos a captar, capturar, se apropriar daquilo que está escondido nas entrelinhas de um texto.

Um desfile de palavras vazias?

É assim que a leitura se torna criativa e produtiva, pela descoberta dos sentidos do texto e a atribuição de outros. Do contrário, ela se torna apenas assistir a um desfile de letras, palavras e frases vazias, diante de olhos tão passivos, quanto sonolentos.

O mundo simbólico se amplia diariamente. A maior parte dos fenômenos, seja de natureza política, econômica, social ou cultural, faz parte de um registro contínuo do homem. Também a reinvenção da realidade por meio dos textos literários, que constroem uma nova linguagem, nos dá a dimensão das emoções, sentimentos, críticas e vivências do homem, na sua busca de sentido para a existência. Nos contos, crônicas, romances, poemas, nos mais variados textos criados, há sempre um universo interior e exterior de pessoas que vivem ou viveram num determinado tempo e espaço. Ler os textos escritos e as diversas linguagens inerentes ao ser humano é ampliar o nosso próprio mundo simbólico, é desenvolver nossa capacidade de comunicar e criticar, enfim, é um ato contínuo de recriação e invenção.

Fonte: Portal UOL