sábado, 20 de agosto de 2011

Professores e pais estimulam jovens a ler em Rio Preto

Depois de uma nota baixa na escola, estudante adquiriu prazer pelos livros

Suelen Silveira / TV TEM



Atrair os jovens para a leitura se tornou um desafio para os pais e professores. Como mostrar que um livro é interessante com acesso tão fácil à internet, por exemplo, cheia de fotos, sons e vídeos?

Na Biblioteca Municipal de São José do Rio Preto, é possível retirar bons livros sem pagar nada. É por meio da leitura que conhecemos novas palavras e ampliamos o vocabulário. Os livros também estimulam a criatividade, ajudam a formar opinião, ter um posicionamento sobre diferentes temas.

Uma das formas encontradas foi aliar as duas ferramentas, como as histórias de Harry Potter, que já atraíram milhões de telespectadores aos cinemas e já venderam mais de 400 milhões de livros.

Os recursos para incentivar a leitura estão cada vez mais fascinantes. Os tradicionais livros de papel dão lugar para outros bem diferentes; por exemplo, há publicações que podem ser levadas para piscina ou para o banho, porque as páginas são impermeáveis.

Em outro caso, a criança pode contar sua própria versão, com o fantoche que vem com o livro. Desta forma, os pequenos aprendem como a leitura pode levar a conhecer mundos bastante interessantes.

De algumas caixas, saem histórias fantásticas. Basta soltar a imaginação. Cada aluno interpreta o conto do jeito que quiser e mostra o resultado com as maquetes. Crianças e jovens brasileiros estão lendo mais. No ano passado, foram lançados 12 mil novos títulos no país, sendo 2,5 mil direcionados ao público mais novo.

E ao contrário do que muita gente imaginava, o computador não substitui o livro na vida dos jovens. Aliás, pode ser um bom aliado. Luis Antonio Gonçalves Neto é um leitor que surpreende: já leu mais de 2 mil livros. No blog, ele exercita outra paixão: a escrita. O estudante lê em média dois livros por dia, e o responsável por esse resultado é o pai. Depois de uma nota baixa na escola, ele obrigou o filho a ler dez livros. Aí, o adolescente não parou mais.

Alunos de Cesário Lange saem pelas ruas para contar histórias



Histórias como ferramentas de ensino. É assim que a cultura popular é tratada numa escola municipal de Cesário Lange. Os alunos não só conhecem o folclore regional, como saem pelas ruas da cidade contando causos.

Só mesmo uma boa história consegue deixar as crianças hipnotizadas. São contos, fábulas, crônicas, lendas e até piadas. Textos diversificados que incentivam, principalmente, a pesquisa e a leitura.

Das escolas, as crianças também saem as ruas e contam histórias para todo mundo ouvir. Seja para quem está na janela de casa, na fila dos correios e na Praça de Cesário Lange.

Contar histórias incentiva a escrita, a leitura, proporciona a interação com as pessoas e leva, crianças e adultos, ao mundo da imaginação.

Fonte: Tem Notícias

Leitura é estimulada por contadores de histórias na região noroeste

Suélen Silveira / TV TEM



Quantos livros você já leu neste ano? Infelizmente muitos responderão nenhum. E mudar esta realidade é o desafio de um grupo de contadores de histórias. Eles frequentam áreas de lazer da região noroeste em busca de novos leitores. Para ser um contador de histórias não basta apenas ler, tem que interpretar, viver o personagem ou vários personagens ao mesmo tempo. No caso de Tatiana Barbosa, é quase um teatro.

Enredos que provocam reações no público. Eles cantam juntos. E também dão sua contribuição para compor a história. Ao ar livre é que a ‘contação' de histórias acontece, bem no bosque da cidade. Os pais vêm para passear com as crianças e todos acabam passando um dia bem diferente, cheio de lazer e de descobertas com as histórias que ouvem. Ana clara, de apenas 6 anos, foi atraída pelo novo.

Mas a literatura não foi novidade só para menina. No alto da experiência dos 87 anos, Anália da Silva parou para aprender histórias que nunca tinha ouvido. E até quem esperava que era só público, de repente, se torna autor de uma história bem personalizada. Marcos Paulo tem só 9 anos. Mas impressionou a todos. O menino é um exemplo em um país onde quase metade da população não lê livros regularmente, segundo o Ibope. A ideia do projeto de incentivo à leitura é desta bibliotecária.

Quer se juntar aos contadores de histórias, basta ligar para o telefone (17) 3202-2316. O próximo encontro será no domingo (28), na Cidade das Crianças. Na tarde desta quinta-feira (11), a Biblioteca realiza o projeto "A Hora do Conto", a partir das 15h, na seção infantil.

Fonte: Tem Notícias

Araçatuba cria pontos de leitura para população

Patrícia Mendonça / TV TEM



Ler é uma atividade que só faz bem: além de relaxar, as pessoas aprendem muito com os livros. O problema é que no Brasil, eles são muito caros e nem todo mundo tem como ir até a biblioteca. Por isso, um projeto está levando a literatura para diversos pontos em Araçatuba.

É ao ar livre que Madalena Carlini gosta de ter a boa companhia de um livro. Por meio das palavras de grandes escritores, ela tem momentos de prazer. O gosto pela literatura é tanto que Mardalena decidiu dividir com pessoas que muitas vezes nem conhece. Ela colocou em prática um desejo antigo. Trouxe para uma praça um ponto de leitura.

Qualquer pessoa pode escolher um livro e ler em casa. Simples assim. A única exigência é que depois eles sejam devolvidos à geladeira, como alimentos para outras mentes. A ideia deu tão certo, que os livros doados quase não param lá. A Secretaria de Cultura já tinha um projeto parecido. Agora, outros 5 pontos de leitura estão funcionando. Entre os locais está o Pronto-Socorro Municipal. Lá, os pacientes e os funcionários ficam bem perto dos livros. É difícil resistir à uma boa história.

Fonte: Tem Notícias

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

RPG “ensina” Machado de Assis

Luiz Gustavo Cristino

Com o objetivo de incentivar a leitura das obras do autor, pesquisador da Unesp de Araraquara leva a prática do jogo de mesa para as salas de aula e transforma contos em aventuras


Em vez de uma terra distante, na Idade Média, o cenário é o Rio de Janeiro do século 19. E, no lugar de controlar poderosos magos, elfos ou arqueiros, assume-se o papel de Brás Cubas, Bentinho ou Capitu. Tudo isso em plena sala de aula. É mais ou menos essa a proposta de uma pesquisa feita pela Unesp em Araraquara que buscou adaptar a estratégia dos jogos de RPG (nos quais essas figurinhas mágicas ou guerreiras são carimbadas) para despertar em alunos do ensino médio o interesse por Machado de Assis.

O autor do estudo, Victor Caparica, conta que o RPG foi a forma encontrada para agregar um outro tipo de valor à obra machadiana. “Não que ela não tenha valor por si, muito pelo contrário, mas, numa geração de Harry Potter e O Código Da Vinci, que são livros de grande apelo aventureiro, é necessária uma maneira diferente de despertar nesses alunos o interesse para esse tipo de literatura”, explica o bacharel e licenciado em Língua e Literatura Romana e em Língua e Literatura Portuguesa.

Para Maria de Lourdes Baldan, professora da Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Araraquara e orientadora do projeto, adotar o jogo no ensino da literatura é interessante por facilitar a familiarização dos alunos com aspectos como a organização narrativa, os tipos de narração e a composição de personagens.

No caso específico de Machado, a estratégia é particularmente vantajosa considerando o grau de adaptabilidade de suas obras a aventuras de RPG. “Ele é um autor que aprofunda a composição de personagens e explora menos a complexidade de enredos”, diz a pesquisadora. “Além disso, o interesse dos alunos pelo jogo é muito grande, e só isso já torna a ferramenta útil para os professores”, completa.

O trabalho, que integrou o estágio obrigatório para a obtenção do diploma de licenciatura de Caparica ao seu projeto de iniciação científica, adaptou enredos de contos do autor carioca para esses jogos de mesa. As adaptações foram oferecidas a um grupo de 28 alunos do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual Bento de Abreu, em Araraquara.

Interpretando personagens

Existentes no mundo desde a década de 1970, os Role Playing Games (jogos de interpretação de personagens, em tradução livre) ganharam o Brasil nos anos 1990, e não param de ser difundidos desde então. Neles, um grupo de jogadores, orientado por um enredo inicial predeterminado, cria seus personagens e age com um objetivo em comum, que é o de construir uma história ao fim da qual o grupo deve triunfar (por exemplo, derrotar um dragão).

Mas nem sempre isso acontece. Uma vez iniciada a partida, a história passa a se desenrolar de acordo com o caminho escolhido por cada herói, e eles dependem também da sorte para serem bem sucedidos. Jogadas de dados, entre outras variáveis que podem estar presentes nas regras do jogo, determinam se a ação desejada pelos jogadores realmente ocorrerá – em caso negativo, eles terão de enfrentar adversidades e procurar outros modos para alcançar a vitória. Para garantir que tudo isso ocorra de forma organizada, uma pessoa faz o papel de mestre – o “ juiz” do RPG, que ajuda a definir os rumos do jogo.

Foi nesse contexto que os contos machadianos “Pai Contra Mãe”, “O Enfermeiro” e “A Causa Secreta” foram apresentados aos adolescentes na pesquisa. Divididos em cinco grupos, eles foram instigados a jogar de acordo com o roteiro de cada uma daquelas histórias. Na pesquisa, Caparica contou com a ajuda de amigos, todos jogadores de RPG, como ele, que fizeram o papel de mestres de cada grupo.

Como no RPG todos os personagens são heróis, a figura do protagonista foi diluída em cinco ou seis personagens. No caso de “Pai Contra Mãe”, por exemplo, em vez de apenas uma pessoa – o protagonista Candinho –, foi “enviada” uma equipe para encontrar a escrava fugida. Os mestres descreviam as situações que o grupo enfrentaria – como as dificuldades financeiras da família de Candinho e a recompensa que o aguardaria caso ele capturasse a escrava –, e os jogadores tomavam suas decisões.

“No fim, nunca havia dois grupos com finais idênticos”, afirma o pesquisador. “Alguns grupos até decidiram ajudar a escrava a escapar, ao contrário do que fez o protagonista do conto”, conta ele. “Até porque os alunos tendem a levar a história para a comicidade, o que considero um hábito saudável.”

Só após sete aulas, que serviram para introduzir as regras gerais do RPG, realizar partidas independentes da literatura e então permitir que todos os grupos jogassem com os três enredos, Caparica entregou a cada aluno uma cópia dos contos, explicando, pela primeira vez, que os jogos eram baseados naquelas histórias. “Eu disse: ‘Agora, se vocês quiserem saber como terminam de verdade as histórias que vocês conheceram, leiam estes contos de Machado de Assis’”, conta ele. “Um aluno, inevitavelmente, perguntou ‘Vai ter prova?’, e eu respondi que não.”

O pesquisador diz considerar pouco produtivo tentar convencer os alunos de que eles devem ler porque serão cobrados em avaliações. “Atualmente, é muito fácil entrar na internet e ler resumos”, justifica. Mas a tática já tinha dado certo. No fim, segundo ele, dos 28 alunos, 25 haviam voltado na semana seguinte com os três contos lidos. “Uma vez que você puxa o interesse do aluno e ele começa a ler, o Machado já se vende sozinho. Não é à toa que é o Machado de Assis.”

Fórmulas no lugar de dados

Usar RPG como ferramenta de ensino não é uma estratégia que se limita à literatura. Um projeto de iniciação científica desenvolvido no Instituto de Química (IQ), também da Unesp de Araraquara, incorporou o jogo de mesa ao ensino da disciplina.

Escolher substâncias adequadas (ácidos) para corroer correntes de metal, datar artefatos antigos por meio de conceitos de radioatividade e queimar magnésio para produzir luz, por exemplo, são algumas das tarefas dos estudantes para seguirem com a história.

As aventuras que aplicam esses conceitos foram criadas pelo hoje professor de ensino médio Eduardo Küll. O trabalho, orientado por Luiz Antônio Andrade de Oliveira, do IQ, foi apresentado em julho de 2010 no 15º Encontro Nacional de Ensino de Química, em Brasília, e alguns de seus aspectos foram mantidos em suas aulas.

“Tento mesclar em minhas explicações uma espécie de RPG, sem que os alunos percebam que estão em um RPG”, diz. Segundo ele, a prática rende melhoras nas notas e no interesse dos alunos. “Um simples debate, jogando dados e desafios, pode render ótimos resultados.”