quinta-feira, 14 de abril de 2011

O papel das fábulas na educação leitora das crianças

Vicente Martins
professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, Estado do Ceará.


O signo linguístico, isto é, a palavra, segundo Ferdinand de Saussure, possui duas faces: o significante, que corresponde à imagem acústica que nos vem à mente quando ouvimos uma palavra; e o significado, termo relacionado à ideia ou ao conceito que temos de algo. Graças à teoria de Saussure, a palavra passou a ser uma unidade importante na estrutura das línguas, especialmente as modernas.


As palavras têm traços discretos, traçados icônicos, sugestivos e históricos dos nossos ancestrais, e sons distintivos (fonemas). Todavia, as palavras têm, também, ideologia, ou seja, o pensamento dominante dos que, em determinado momento da civilização, dão as regras de convivência social ou ditam as condutas ou o comportamento das pessoas, muitas vezes interditando de forma avassaladora o corpo e a alma delas, como ocorre em muitas formas de governo, partidos políticos ou religiões duras, de modo que as pessoas não são consideradas construtoras de sua história, sujeitos de sua liberdade e de sua aprendizagem.

A interdição do corpo, especialmente da nossa voz e do gesto, podemos observar ideologicamente na formação de algumas palavras de origem clássica. É o caso de infância, que significa aquele que não fala. A palavra infância, tão presente nas teorias da aquisição da linguagem, não poucas vezes parece ainda conservar essa ideia em teorias de aquisição da linguagem que não veem nas crianças sujeitos de sua própria fala ou linguagem.

Na visão tradicional dos gregos e romanos, acreditava-se que as crianças, pelo menos nos três primeiros anos de vida, não sabiam falar como os adultos e que o balbucio articulado não poderia ser considerado um prenúncio importante de uma capacidade de expressão verbal, mas que as crianças eram unicamente capazes de escutar os mais velhos, para que, ouvindo “a fala dos adultos”, imitassem-nos e aprendessem, após os três anos, a iniciar-se na difícil habilidade de “falar como os grandes”. A fábula é, assim, o gênero textual escolhido pelos adultos para que as crianças aprendam lições de vida, da moral e da ética das coletividades, especialmente das famílias.

As fábulas, como sabemos, são narrações populares ou artísticas de fatos puramente imaginados. A imaginação é importante para quem fala e escuta e, na sociedade letrada, imprescindível para o leitor iniciante diante do texto escrito que precisa ser oralizado em determinados contextos de comunicação. Se as fábulas favorecem a imaginação criadora desde a infância, logo as habilidades linguísticas serão beneficiadas com a escuta ativa por parte das crianças durante os anos da pré-escola em que escutam, de forma prazerosa, fábulas, parlendas para fazer rir, trava-línguas, contos e histórias do folclore de sua comunidade.

Mais tarde, saem, aos quatro ou cinco anos de idade, da préescola, última etapa da Educação Infantil, ou de seus lares, em que são compulsoriamente matriculados nas escolas de Ensino Fundamental, em busca da educação formal e do conhecimento cultural e historicamente acumulado pelos povos. As crianças, agora aos seis anos, terão que escrever bem e ser formalmente criativas. Não poderão escrever rabiscos ou escrever por escrever como ocorria na Educação Infantil. Terão que escrever um texto criativo e com imaginação criadora, mas dentro dos padrões cultos e prescritivos da palavra e dos textos escolares.

No Ensino Fundamental, para ingressar na sociedade letrada, há a exigência contumaz de que as crianças terão que ler e escrever corretamente. Desse modo, a ortografia, que depende muito da memória visual, encontrará boa receptividade nas crianças que tenham sido estimuladas, desde a Educação Infantil, a recontar as histórias fabulosas que ouviram de pais, amigos, contadores de histórias e professoras.

Graças a essa formação pelo ouvir, formaremos, plenamente, na última etapa da Educação Básica, o Ensino Médio, leitores e escritores proficientes para a vida social. Por isso, desde cedo, se faz necessária a educação leitora, escritora e ortográfica das crianças, de modo a levar os educandos, com ou sem dificuldades na aprendizagem das habilidades linguísticas, a desenvolverem a “capacidade de evocar imagens de objetos anteriormente percebidos” e, assim, oferecer boas tarefas que envolvam as habilidades da linguagem escrita.

Ao certo, nem todas as crianças têm o mesmo insight no período da Educação Infantil. Muitas, por exemplo, com atraso na fala, já observado pelos pais e professores nas creches e na pré-escola, tendem a ter comprometimento na leitura em voz alta no Ensino Fundamental, a que chamamos de dislexia. Para as crianças disléxicas, as fábulas, principalmente, são altamente benéficas do ponto de vista pedagógico por serem um gênero da literatura que se caracteriza por trazer uma curta narrativa, em prosa ou verso; que tem, entre as personagens, animais que agem como seres humanos; e que ilustra um preceito moral. São as fábulas em prosa que facilitam a compreensão leitora; e as em verso, as que ajudam na sensibilização às rimas e, por consequência, na decodificação leitora.


No tocante às tarefas de avaliação da compreensão leitora, inclusive com fins de promoção escolar — ainda tão presentes no currículo para definir a aferição do rendimento —, a boa recomendação pedagógica é que os professores tomem como bons gêneros literários as fábulas de Esopo, as parlendas de origem nacional, o rico regionalismo linguístico e literário dos cordéis das comunidades rurais, por não quererem que reproduzam a “mesma fala” do texto, levando os pequenos a recontarem a história de sua gente com suas próprias palavras. É o que, em linguística, chamamos de paráfrase. A paráfrase é um recurso didático dos mais viáveis e produtivos nas atividades em que o professor requer conhecimentos antes, durante e depois da leitura por parte dos seus alunos.

Eis um exemplo de fábula de Esopo que conduz as crianças, na primeira infância, à compreensão leitora na Educação Infantil, a partir da escuta ativa, e à formação leitora crítica, nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

O Sapo e o Boi

Há muito, muito tempo, existiu um boi imponente. Um dia, o boi estava dando seu passeio da tarde quando um pobre sapo todo malvestido o olhou e ficou maravilhado. Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.

— Olhem só o tamanho do sujeito! Até que ele é elegante, mas grande coisa; se eu quisesse, também seria.

Dizendo isso, o sapo começou a estufar a barriga e, em pouco tempo, já estava com o dobro do seu tamanho normal.

— Já estou grande que nem ele? — perguntou aos outros sapos.

— Não, ainda está longe! — responderam os amigos. O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.

— Não — disseram de novo os outros sapos —, e é melhor você parar com isso, porque senão vai acabar se machucando.

Mas era tanta a vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando, estufando até estourar.

Moral: Seja sempre você mesmo.

Sugestões de Leitura:

AIMARD, Paule. O Surgimento da Criança na Criança. Porto Alegre: Artmed, 1998.

BALIEIRO JR., Ari Pedro. Psicolingüística. In: MUSSALIM, Fernanda;

BENTES, Anna Christina (Orgs.). Introdução à Lingüística: Domínios e Fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001.

DEL RÉ, Alessandra. A Aquisição da Linguagem: uma Abordagem Psicolingüística. São Paulo: Contexto, 2006.

KATO, Mary A. No Mundo da Escrita: uma Perspectiva Psicolingüística. São Paulo: Ática, 1990.

KAUFMAN, Diana. A Natureza da Linguagem e sua Aquisição. In: GERBER, Adele. Problemas de Aprendizagem Relacionados à Linguagem: sua Natureza e Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.

PUYUELO, Miguel, RONDAL, Jean-Adolphe. Manual de Desenvolvimento e Alterações da Linguagem na Criança e no Adulto. Porto Alegre: Artmed, 2007.

SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da Linguagem. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (Orgs.). Introdução à Lingüística: Domínios e Fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001.

SHAYWITZ, Sally. Entendendo a Dislexia: um Novo e Completo Programa para Todos os Níveis de Problemas de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 2006.

VIGOTSKI, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

Fonte: Construir Notícias

O mundo mágico da na arte de aprender Literatura Infantil


“O maior desafio é conhecer cada criança como ela realmente é, saber o que ela é capaz de fazer e centrar a educação nas capacidades, forças e nos interesses dessas crianças.” Howard Gardner

APRESENTAÇÃO

O presente trabalho tem como escopo despertar, nas crianças do projeto Educar para Vida, o interesse de ler e interpretar, de forma prazerosa e dinâmica, o que estão lendo, através de produções que compõem o acervo literário infantil, como A casa (música de Vinicius de Moraes) e Aquarela (música de Vinicius e Toquinho), textos de Monteiro Lobato, poemas de Cecília Meireles, Gonçalves Dias, livros da coleção Literatura em Minha Casa, e deve trabalhar, ainda, contos, parlendas, adivinhações, dentre outros.

É de grande valia ressaltar que, durante a realização do projeto, serão trabalhadas ainda as disciplinas: Português, Matemática, Ciências, Literatura Infantil, Arte, além dos Temas Transversais (natureza, sociedade e meio ambiente).

O projeto será desenvolvido a partir do segundo semestre e será ministrado pelas educadoras Alessandra Xavier e Nayana Cristine.

JUSTIFICATIVA

Em tempos hodiernos, em que se vive na era da informação e do conhecimento, o ato de ler é uma necessidade constante, uma vez que proporciona ao educando abrir-se para outras culturas. A cultura universal é produto de todos os povos. O aluno só poderá contribuir para essa universalidade se, primeiro, constituir-se como indivíduo consciente de sua própria expressão cultural. Portanto, se desejamos formar cidadãos leitores, criativos e aptos a intervir na sociedade em que estiverem inseridos, um dos requisitos fundamentais é o enriquecimento do cotidiano infantil com a inserção de leituras de contos, lendas, poemas, etc., nas quais a riqueza e o acervo de brincadeiras constituirão o banco de dados de imagens culturais utilizados nas situações interativas. Dispor de tais recursos é de grande valia para instrumentalizar a criança para a construção do conhecimento e da sua socialização.

O educador não pode nem deve se limitar à ideia de que a leitura é uma simples decodificação de símbolos, mas deve buscar, na sua essência, os pressupostos básicos para fazer aflorar o senso crítico nos seus alunos, partindo de uma necessidade própria de instigar constantemente, socializar a curiosidade, sabendo julgá-la quando necessário. Para que possamos formar leitores críticos, é necessário, portanto, propiciar, nas salas de aula, a dinamização da cultura viva, diversificada e criativa. Ler e contar histórias devem ser atividades obrigatórias na programação diária das turmas do projeto. De acordo com os PCN, “Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva” (p. 23). É, portanto, na percepção das situações discursivas que o aluno poderá se constituir como cidadão e exercer seus direitos como usuário da língua.

Saber ouvir é outro aspecto de grande importância na aprendizagem. A leitura de histórias, poemas, contos e fábulas é uma atividade que se presta muito bem para desenvolver, no aluno, a capacidade de ouvir. Pois acompanhar a sequência lógica dos fatos da narrativa, procurando compreender o enredo, é uma atividade que atrai, dá alegria e atende também à necessidade infantil de fantasia, encantamento e relaxamento, além de enriquecer o vocabulário de maneira agradável pelo contato com a modalidade culta da língua, ou seja, uma linguagem mais elaborada. Para Paulo Freire, “a educação, sozinha, não transforma a sociedade; sem ela, tampouco a sociedade muda”.

Dessa perspectiva de despertar, nos educandos, a busca prazerosa pelo ato de ler e, consequentemente, de escrever, de promover a leitura entre eles de maneira autônoma, reflexiva e crítica, foi que surgiu a ideia da criação deste trabalho.


OBJETIVOS

Geral

• Promover, nos educandos, o apreço pela leitura e escrita a partir do desenvolvimento de trabalhos com histórias infantis, clássicos, contos, lendas, poemas, adivinhações, parlendas e músicas, de forma prazerosa e diversificada, a fim de alcançar os objetivos pedagógicos.

• Favorecer o desenvolvimento cognitivo e sociocultural das crianças.

Específicos

• Trabalhar a leitura, a escrita e a interpretação dos alunos a partir dos desenhos e sinais gráficos que o texto a ser abordado apresenta.

• Trocar informações respeitando sempre a opinião do outro. • Extrair, do texto, um referencial positivo de bons hábitos e atitudes.

• Estimular o pensamento crítico.

• Ampliar o vocabulário.

• Desenvolver habilidades artísticas a partir do desenho, da pintura ou da confecção de uma cena que tenha chamado atenção.

METODOLOGIA

O projeto O Mundo Mágico da Literatura Infantil na Arte de Aprender foi idealizado com o propósito de estimular a leitura e a escrita, suscitar a criatividade e a inteligência dos educandos, no geral oriundos de famílias que, via de regra, são desprovidas de recursos e maiores conhecimentos acerca do que está sendo proposto.

Partindo desse pressuposto, o projeto será efetivado da seguinte forma:

• Apresentação do texto a ser trabalhado.

• Levantamento dos conhecimentos prévios, estabelecendo um paralelo com o conhecimento formal, de maneira contextualizada, desafiando o aluno a pensar sobre a experiência vivenciada.

• Leitura coletiva e individual de textos (histórias, poemas, contos, etc.).

• Discussão do texto estudado.

• Produção de texto: coletiva e individual (oral e escrita).

• Interpretação de diferentes linguagens.

• Ampliação do vocabulário.


Atividades

• Dinâmicas de grupo.

• Leituras individual e coletiva.

• Produção de textos.

• Jogos diversos com personagens (de memória, escrita das letras do alfabeto, imagens e palavras).

• Leituras diversas.

• Escrita espontânea.

• Adivinhações usando como tema os personagens trabalhados.

• Atividades matemáticas.

• Desenhos dirigidos e espontâneos.

• Dobraduras.

• Pinturas.

• Dramatizações.

• Mímicas.

• Sequência de figuras.

• Colagens.

• Aulas externas.

Recursos didáticos

• Livros de literatura infantil, clássicos, livros didáticos.

• Revistas, jornais, gravuras, painéis.

• Lápis colorido e giz de cera.

• Tintas: guache, glitter e relevo (cores diversas).

• Pincéis.

• Papel (40 kg, A4, ofício, camurça, crepom, cartão, etc.; cores diversas).

• CDs.

• TV.

• DVD (aparelho).

• Histórias em DVD.

• Máquina fotográfica.

• Internet.

Avaliação

Sendo a avaliação um processo contínuo e sistemático, farse-á mediante os seguintes aspectos:

• Observação.

• Participação.

• Desenvolvimento cognitivo.

• Produção nas atividades.

• Senso crítico.


Referências bibliográficas

BARRO, João de. A formiguinha e a neve. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2001. v. 04.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

HERMIDA, Jorge Fernando. Educação infantil: política e fundamentos. João Pessoa: Universitária/UFPB, 2007.


Construindo o Saber

O ato de ler pertence aos elementos essenciais do universo. Segundo Paulo Freire, todos somos leitores e só a partir dessa certeza é que tudo o mais no mundo cria-se e recria-se. Através da leitura, o homem forma conceitos e questiona sentidos, generaliza palavras e particulariza idéias, comunica verdades e desconstrói hipóteses.

Sem a leitura, nada no universo da linguagem é possível, e “tudo” só é possível pelo viés do universo da linguagem.

Quando um professor conta histórias em sala de aula, ele consegue levar ao seu aluno. Um dos elementos mais necessárias ao desenvolvimento do ser humano: a ação de criar, recriar, imaginar, ir além do real e conseguir ser mais sensível, mais feliz. Na verdade, todo professor deve ser um leitor, pois só assim poderá auxiliar na formação de leitores.

A seguir, sugerimos, através do texto de Linda Campbel “alguns tópicos” que servirão à reflexão sobre o assunto ora abordado.

Os professores como contadores de histórias

Quando os recursos não estão prontamente disponíveis, ou quando um professor deseja explorar o conteúdo do ensino de várias maneiras, contar histórias oferece uma opção que encanta tanto ouvintes jovens quanto adultos. Qualquer assunto ou tema adquire vida quando é narrado como uma história. Além disso, pessoas de todas as idades acham mais fácil reter uma informação quando ela é codificada em uma história. Mesmo que muitos entre nós aleguem não ser contadores de histórias, todos realmente o somos! Cada um de nós tem histórias de sua vida que gosta de compartilhar, muitos gostam de contar piadas, narrar sonhos ou até fazer “fofoca” sobre os outros - uma prática que pode ser a base para futuros contos populares ou lendas.

Histórias Temáticas

De onde podemos extrair histórias para a sala de aula? De nos-sas próprias experiências de vida. A lembrança de suas próprias reações quando criança ao se deparar com as disciplinas escolares pode proporcionar ao professor histórias da vida real para compartilhar com os alunos que estão aprendendo um conteúdo semelhante. Reelaborar um conteúdo temático como uma história é outra opção que é mais fácil do que de início pode parecer. Um enredo pode ser rapidamente criado identificando-se os personagens principais e algum desafio com os quais eles se confrontam. Os professores podem refletir sobre o conteúdo que planejam ensinar e considerar quais personagens e enredo aparecem como possibilidades para a narração de histórias. Além disso, os alunos estão quase sempre ansiosos para criar e contar histórias que incorporem o conteúdo escolar.

As Dimensões Culturais da Narração de Histórias

Contar histórias é também uma maneira poderosa de proporcionar aos alunos um insight sobre a história e sobre culturas diferentes. Os alunos podem interessar-se por saber que a narração de histórias é mais antiga do que a história escrita. Antes da leitura e da escrita serem comuns, as narrativas transmitiam a história oral de uma cultura - incluindo as esperanças, os medos, os valores e as realizações de seu povo.

Por exemplo, durante a época da escravidão nos Estados Unidos, as histórias assumiram também um outro propósito. Como os escravos não tinham permissão para se reunir em grupos com mais de cinco pessoas, nem falar ou escrever em seus idiomas africanos nativos, nem escrever em inglês, eles inventaram histórias de animais para criar um sentido de comunidade que lhes era negado. O animal que escolheram para muitas de suas histórias foi o coelho - um ser tão impotente quanto os escravos, mas que também sabia de tudo o que acontecia a seu redor, embora por necessidade per-manecesse silencioso. O coelho chamava-se Coelho Brer. Escutando as histórias do Coelho Brer, os alunos podem desenvolver empatia com os escravos que o criaram como personagem central do seu folclore.

Recursos Multiculturais da Narração de Histórias

Há muitos recursos disponíveis para o professor que deseja apresentar os alunos a outras culturas, em parte contando histórias. Quando são contadas histórias multiculturais, os professores podem pedir aos alunos que escutem e reúnam informações sobre várias culturas. Depois de escutar uma história, os professores e os alunos podem discutir a estrutura e a sua mensagem, além de suas implicações culturais. As sugestões propostas incluem:

Qual é o local da história?

Que valores a história transmite?

Como a linguagem é usada na história?

A história reforça alguns estereótipos?

A história diminui alguns estereótipos sobre essa cultura?

Os bibliotecários da escola e do município geralmente conhecem muitos recursos para a narração de histórias e estão prontos para identificar histórias para acompanhar qualquer estudo cultural.

Os alunos como contadores de histórias

Alguns alunos irão alegremente apresentar-se como voluntários para contar histórias para os colegas. Outros acharão a idéia assustadora. Escutar histórias envolve várias habilidades de escuta, enquanto contar histórias requer habilidades lingüísticas. Contar histórias, uma forma divertida e importante de comunicação lingüística, ensina aos alunos o ritmo, o tom e as nuances da linguagem. Os educadores interessados em estimular a narração de histórias em suas salas de aula podem considerar as seguintes diretrizes:

Diretrizes para a Narração de Histórias:

1. Exemplifique você mesmo a narração da história.

2. Identifique contadores de histórias locais para visitar sua classe. Você pode descobrir se há uma associação de contadores de histórias perto de você ou talvez, como na Filadélfia, um contador de histórias oficial da cidade.

3. Ajude os alunos a encontrarem histórias - a partir do conteúdo das aulas, de sonhos, acontecimentos familiares ou escolares, histórias que eles já conhecem, antologias ou entrevistas com pessoas mais velhas

4. Ensine aos alunos algumas habilidades da narração de histórias, tais como:

. começar com uma abertura interessante;

. não aumentar muito o número de personagens;

. certificar-se de que a história contém imagens que os ouvintes podem “ver” ou imaginar;

. estimular o uso de comparações e metáforas;

. animar os pontos-chave da história com efeitos sonoros, voz, gestos e movimentos corporais;

. manter a voz clara, expressiva e compassada;

. fazer contato visual com os ouvintes;

. considerar se deve ou não haver participação dos ouvintes.

5. Praticar a narração de histórias com toda a classe. O professor pode selecionar uma história e lê-la parte por parte, para a classe, pedindo aos alunos que façam sugestões pra torná-la mais viva e interessante. A classe pode ser dividida em grupos, e pode ser designada a cada grupo uma parte da história para ser aprendida e depois contada em seqüência.

6. Para contadores de histórias iniciantes, pode-se aliviar a ansiedade fazendo os alunos contarem suas histórias para pequenos grupos de quatro ou cinco colegas, em vez de contá-la para a classe toda. Os alunos que se oferecem como voluntários podem contar suas histórias para grupos maiores. Contar histórias para crianças menores, em geral, também alivia a tensão desnecessária..

CAMPBELL, Linda; CAMPBELL, Bruce; DICKINSON, Dee. Ensino e aprendizagem por meios das inteligências múltiplas. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Fonte: Construir Notícias

E AGORA? Leitura fichada ou leitor esvaziado?

A prova do livro ou a cumplicidade leitora?  

Jonas Ribeiro

Em primeiro lugar, um livro infantil nasce para ser lido e tatuado nos olhos leitores das crianças. Ele nasce para dançar com as meninas leitoras dos olhos das crianças. Isso! Em cheio! Acertamos na mosca! Um livro infantil existe para assegurar a gratuidade de ser, por si só, um presente incondicional. E fica bastante claro e óbvio que, quando um educador entrega um presente para uma criança, convém que ele não exija nada em troca. Caso ele esperasse um retorno, o livro, enquanto presente da própria língua materna e da criatividade humana, perderia as suas qualidades intrínsecas em relação à literariedade e perderia também a sua função estética para ganhar uma função utilitária. Por essa razão, condeno o escritor que, num ato especulativo, escreve para preencher lacunas do mercado editorial e enalteço aquele que escreve pelo prazer de servir uma refeição literária ao leitor, pelo ato de generosidade e afetividade em si mesmos justificados.

Na verdade, caro educador, considero uma situação bastante desconfortável e incômoda quando uma obra literária costuma ser estudada e destrinchada exaustivamente. Todo o prazer que o leitor colheu da leitura escapa pela tangente e a própria leitura acaba virando uma barganha dentro da escola. Se o aluno ler, ele recebe nota. E, se a leitura deixou de ser feita, o aluno, tão-somente, segundo Daniel Pennac, exerceu o seu “direito de não ler”. Nenhuma tragédia. Nada de tão grave assim aconteceu. Não nos esqueçamos de que pode ocorrer de o livro adotado não encontrar nenhum atrativo junto ao aluno. Estou para conhecer um livro que agrade a gregos e a troianos. E o fato de ter deixado de ler um ou outro livro não significa que o aluno deixará de ser um leitor brilhante; pelo contrário, isso pode apenas significar que ele exerceu o seu livre-arbítrio leitor. Talvez essa relutância em ler tenha a sua causa enraizada na certeza de que haverá uma cobrança posterior à leitura, o que, vamos e venhamos, pode inibir o curso de uma relação saudável entre o livro e o aluno.

Penso que, antes de valer-se de uma ficha de leitura, que não carrega consigo a mesma carga emocional do livro, o educador deveria procurar seduzir o aluno para a obra e para as vantagens que a literatura costuma trazer para a existência de todo leitor. Agindo dessa forma, o educador terá chances cada vez maiores de abrir um espaço natural da presença e da necessidade do livro na rotina de seus alunos, finalmente leitores. Provavelmente, quando esse aluno concluir os seus estudos formais e deixar a universidade, ele terá o livro como um amigo, um aliado; e mais, ele freqüentará livrarias, sebos, bibliotecas e transmitirá essa paixão para seus filhos.

Se a escola e a família não souberem fazer essa ponte, o aluno preferirá buscar prazer em outros veículos de lazer. E aí, perderemos a batalha. Teremos conosco a ficha de leitura preenchida pela letra do aluno. Acontece que esse mesmo aluno não estará preenchido pelas letras do livro. Qual a função dessa vã cobrança? Receberemos a ficha cheia de respostas secas, quadradas, bem formatadas (à altura das perguntas) e teremos um aluno vazio de infinitude leitora, literária.

Para alguns livros, a ficha de leitura funciona. Para a maioria, pode ter um efeito castrador e desalentador para a prática da leitura. Mais do que a ficha de leitura preenchida com coerência, estamos atrás de um aluno preenchido com as ambigüidades e as sutilezas emocionais da Literatura. Estamos atrás de um aluno enriquecido pela Literatura, de um aluno que tenha tido o seu universo interior ampliado com a incorporação das incontáveis portas que a Literatura pode abrir para a sua observação, perspicácia e sensibilidade apurada.

O livro didático da disciplina Língua Portuguesa tem a função de ensinar as regras e o mecanismo da língua materna, e nele o aluno pode escrever à vontade, fazer exercícios e ser avaliado. Já o livro de leitura não carrega a pretensão e a finalidade de ter quaisquer funções práticas e avaliativas. O livro de leitura apenas nutre um grande desejo de oferecer uma experiência única do idioma pátrio e de proporcionar ao leitor/aluno uma reflexão de si mesmo e do mundo que o cerca. Tudo muito tênue.

Se quisermos que o aluno ame o livro, precisamos edificar, ao longo do tempo, um relacionamento belo e significativo entre os dois, entre aluno e livro. Não devemos ficar agindo como um pombo-correio mexeriqueiro, dizendo para o livro: “O Fulano não gosta de ler e achou você um chato de galocha”. E depois dizendo para o Fulano: “Se você não ler, você não vai conseguir fazer a prova do livro, não vai passar de ano e não vai prestar para nada”. Daí dizemos para o livro: “O Fulano deixou de ler as suas páginas porque você não deu nenhum sorriso para ele e nem ao menos o cumprimentou”. E de intriga em intriga vamos conseguindo distanciar o livro do dia-a-dia do aluno.

Parâmetros curriculares são importantes, mas a criança é muito mais.

É para elas que escritores, ilustradores e editores fazem os livros.

Um livro não precisa ser fichado.

Um livro quer ser um amigo, ser lido, ser livre, ser incorporado no imaginário do leitor e, acima de tudo e de todas as justificativas mais mirabolantes e convincentes que a inteligência humana possa conceber, um livro só quer ser um livro, ser ele mesmo e poder ler em tantos olhos leitores a aventura de sua alma, a quintessência de sua razão de ser.

Jonas Ribeiro,
escritor, ilustrador e contador de histórias
(Oi, amigos do livro!!! Retirei o texto acima do capítulo Por uma política de leitura na escola de um livro que estou acabando de escrever. Só falta ajeitar mais dois capítulos e pronto, ele seguirá para alguma editora amiga. Ele se chama Contos de desarmado para coração desarmado. Espero que a gente volte a se encontrar em outras páginas, seguindo o fio de Ariadne de outras tantas palavras.)

Poesias de dar água na boca
Editora Ave Maria

Em nome da paz
Editora Dimensão

Gente que mora dentro da gente
Editora Dimensão

Furos tampados de muitos papos-furados
Franco editora

Avó maluca lelé da cuca & Vovó pirada da pá virada
Franco Editora

Eu te amo para sempre
Editora Dimensão

A Aids e alguns fantasmas no diário de Rodrigo
Editora Elementar

10 dicas para incentivar o seu filho a ler

Conheça atividades simples - e baratas! - que podem transformar seu filho em um pequeno grande leitor

13/04/2011
Texto: Marina Azaredo
Leitura desde cedo: incentive seu filho a ter amor pelos livros

"Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava em um outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro." O relato é de Lygia Bojunga. Quando criança, ela fazia do livro um brinquedo. Já adulta, transformou-se em uma das principais escritoras brasileiras de livros infantis. A história de Lygia ilustra e comprova a teoria de que o contato com os livros desde cedo é importante para incentivar o gosto pela literatura.

Os benefícios da leitura são amplamente conhecidos. Quem lê adquire cultura, passa a escrever melhor, tem mais senso crítico, amplia o vocabulário e tem melhor desempenho escolar, dentre muitas outras vantagens. Por isso, é importante ler e ter contato com obras literárias desde os primeiros meses de vida. Mas como fazer com que crianças em fase de alfabetização se interessem pelos livros? É verdade que, em meio a brinquedos cada vez mais lúdicos e cheios de recursos tecnológicos, essa não é uma tarefa fácil. Mas pequenas ações podem fazer a diferença.

"O comportamento da família influencia diretamente os hábitos da criança. Se os pais leem muito, a tendência natural é que a criança também adquira o gosto pelos livros", afirma Rosane Lunardelli, doutora em Estudos da Linguagem e professora Universidade Estadual de Londrina (UEL). A família tem o papel, portanto de mostrar para a criança que a leitura é uma atividade prazerosa, e não apenas uma obrigação, algo que deve ser feito porque foi pedido na escola, por exemplo. "As crianças precisam ser encantadas pela leitura", diz Lucinea Rezende, doutora em Educação e também professora da UEL.

Para seduzir pela leitura, há diversas atividades que os pais e outros familiares podem colocar em prática com a criança e, assim, fazer do ato de ler um momento divertido. No período da alfabetização - antes dela e um pouco depois também -, especialistas sugerem que se misture a leitura com brincadeira, fazendo, por exemplo, representações da história lida, incentivando a criança a criar os próprios livros e pedindo que a criança ilustre uma história. "Para encantar as crianças pequenas, é essencial brincar com o livro", recomenda Maria Afonsina Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Maria Afonsina também dá uma dica: nunca reclame dos preços dos livros diante do seu filho. "O livro precisa ser valorizado", diz ela.

Leia a seguir dicas para transformar o seu filho em fase de alfabetização em um pequeno grande leitor:

1. Respeite o ritmo do seu filho
Não se preocupe se o livro escolhido pelo seu filho parecer infantil demais. Cada criança tem um ritmo diferente. O importante é que o livro esteja sempre presente. A criança costuma dar sinais quando se sente preparada para passar para um próximo nível de leitura. "É preciso estudar o outro, entender o que ele gosta e respeitar as preferências", afirma Maria Afonsina Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da Uesb.

2. Siga o gosto do seu filho
Talvez o que o seu filho gosta de ler não seja exatamente o que você gostaria que ele lesse. Mas, para adquirir o hábito a leitura, é preciso sentir prazer. Então, se o seu filho prefere ler livros de super-heróis aos clássicos contos de fada, por exemplo, não se preocupe (e nem pense em proibi-lo!). "É importante entender a criança e lhe proporcionar leituras que atendam aos seus desejos", diz Rosane Lunardelli, da UEL.

3. Faça passeios que tragam a leitura para o cotidiano
"Os pais precisam dar possibilidades para que as crianças se sintam envolvidas pela leitura", recomenda Lucinea Rezende, da UEL. Por isso, no seu tempo livre, procure fazer atividades com o seu filho que você possa relacionar com um livro. Uma ida ao zoológico, por exemplo, torna-se muito mais interessante depois que a criança leu um livro sobre o reino animal. E vice-versa: uma leitura sobre animais é mais bacana depois que a criança teve a oportunidade de ver de perto os bichinhos. E, assim como essa, há muitas outras maneiras de juntar passeios de fim de semana com a leitura: livro de experiências + visita a museu de ciências, livro de história + passeio em local histórico, visita a museu de arte + livro infantil sobre arte... As possibilidades são inúmeras!

4. Incentive a leitura antes de dormir
Incentive o seu filho a ler todas as noites. E, se ele ainda não for alfabetizado, conte histórias para ele antes de dormir. Por isso, é importante que ele tenha uma fonte de iluminação direta ao lado da cama, como um abajur. Uma ideia bacana é dar um presente para a criança nos fins de semana: permita que ela fique acordada até um pouco mais tarde para ler na antes de dormir. A professora Maria Afonsina Matos, da Uesb, relata que costumava contar histórias para os seus filhos todas as noites. "Hoje eles são adultos que leem muito", conta.

5. Improvise representações dos livros
"Concluída a leitura de um livro, os pais podem organizar peças de teatro baseadas na obra", sugere Lucinea Rezende, da UEL. Uma boa ideia é convidar outras crianças para participar da atividade. Os adultos podem ajudá-las a elaborar uma espécie de roteiro e pensar nas vestimentas e nos cenários a serem criados. Depois dos ensaios, a peça pode ser apresentada para um grupo de pais ou para toda a família. Também é interessante gravar com o celular ou uma filmadora a encenação da peça, para que depois a criança possa ver o próprio desempenho.

6. "Publique" o livro do seu filho
Proponha para o seu filho que ele faça o próprio livro. "As crianças gostam de criar histórias, viver personagens, imaginar paisagens", diz Maria Afonsina Matos, da Uesb. Primeiro, peça que ele tire fotos (e imprima-as) ou recorte figuras de revistas antigas. Depois, a partir das imagens, peça que ele escreva uma história. Ajude-o a criar uma capa para o livro e, por fim, coloque-o na estante, junto com outros livros. Que criança não adoraria ter um livro de sua autoria na biblioteca de casa?

7. Organize um clube do livro
Convide amigos e colegas de escola do seu filho para uma espécie de festa da leitura. No início, cada criança lê o trecho de um livro que pode até ser escolhido por eles (mas com orientação dos adultos). Depois de lida a obra, organize um debate sobre a história. Tudo isso pode ser feito durante uma tarde de sábado ou domingo, com direito a guloseimas que as crianças adoram, como cachorro-quente e chocolate quente (no fim de semana, pode!). "Na infância, a leitura tem de estar ligada a uma atividade divertida", afirma Rosane Lunardelli, da UEL.

8. Ajude-o a ler melhor
Muitas crianças ficam frustradas por ler muito devagar em voz alta. Se é o caso do seu filho, você pode ajudá-lo fazendo exercícios, como cronometrar o tempo que ele leva para ler um texto ou o trecho de um livro em voz alta. A atividade pode ser repetida várias vezes em dias diferentes e, assim, a criança vai poder comprovar o próprio desenvolvimento. Para aprimorar a atividade, peça que ele faça vozes diferentes para cara personagem da história. "A sonoridade fascina as crianças", explica Lucinea Rezende, da UEL.

9. Não pare de ler para ele
Após a alfabetização, é importante incentivar que a criança leia sozinha, mas isso não significa que você deva parar de ler para ela. Quando um adulto lê em voz alta um livro um pouco mais difícil, a criança é capaz de compreendê-lo, o que provavelmente não aconteceria se ela estivesse lendo sozinha. Abuse das vozes diferentes, dos sons, das entonações. Assim, a história fica muito mais emocionante. Parlendas e músicas, por exemplo, são ideais para serem lidas em voz alta. "Histórias lidas em voz alta e com emoção deixam as crianças mais leves, mais soltas", afirma Maria Afonsina Matos, da Uesb.

10. Frequente livrarias e bibliotecas
"Para adquirir o gosto pela leitura, a criança precisa se familiarizar com o ambiente de leitura", diz Rosane Lunardelli, da UEL. E, enquanto o acervo literário de casa é limitado, nas livrarias e nas bibliotecas a criança pode ter contato com uma infinidade de obras diferentes. Transforme as idas a livrarias, bibliotecas e feiras do livro em um programa de fim de semana. Hoje, nas grandes cidades, muitas livrarias e bibliotecas públicas oferecem atividades específicas para as crianças. E esse programa ainda é de graça. Algumas livrarias, inclusive, têm espaços para leitura (sem que os livros precisem ser comprados!).