segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Como despertar o interesse pela leitura

Matéria publicada em 25/01/2011

Redação Pritt

Foto: Jack Horst

Iniciar as crianças no mundo da leitura é papel dos pais e dos professores. A psicopedagoga Marcia Zebini, de São Paulo, explica que narrar histórias, interpretar, passear por bibliotecas e livrarias pode ser um ótimo começo para construir, tijolinho por tijolinho, um leitor apaixonado

Contar histórias é uma boa forma de incentivar a leitura?
Sim. Os pais devem ler para os filhos desde que são bebês. Isso estimula a parte criativa, percepção auditiva.

Na idade escolar, a partir de 6 anos, quando a criança tem contato com o livro, é importante que o adulto ajude no entendimento do que é lido.

Em muitos casos, a criança tem dificuldade de compreensão. Ler como eles motiva muito. Outra coisa que dá muito resultado é levar os filhos a bibliotecas, eventos com presença de autores e espaços infantis nas livrarias, onde elas possam escolher os livros.

Se os pais tiverem o hábito de ler pode ajudar?
Sim, porque você educa pelo exemplo. Muitas vezes, as crianças têm problemas na escola e com a leitura porque tem problemas familiares e emocionais. E quando os pais mudam a conduta e lêem junto com os filhos, melhora também o relacionamento entre eles. A partir do momento que o adulto para a correria, lê com o filho e interpreta, ele dá atenção, carinho, amor.

Como o livro deve ser trabalhado na escola?
Nas salas de aula, tem que ter um cantinho da leitura para que os alunos possam pegar um livro quando terminarem os exercícios. Se o professor sugerir uma leitura, faça um círculo, peça para cada um ler um trecho, faça perguntas, interprete. Isso vai desenvolver o senso crítico dos alunos. Caso contrário, eles não saberão interpretar o que estão nas entrelinhas do texto.

Você é a favor de ter uma avaliação sobre o livro?
Sou contra. Existem muitas maneiras de verificar se o aluno leu ou não o livro e acho que a prova desestimula. Nas primeiras séries, acho importante leitura em grupo, em círculo. Depois do sexto ano em diante, concordo que possa ter uma avaliação, mas isso não deve ter um peso muito grande. Pedir para dramatizar uma obra, por exemplo, é uma boa atividade.

Como estimular os alunos a freqüentarem mais a biblioteca?
Para tudo, a gente precisa de um modelo. Então, primeiro o pai e a mãe devem levá-los. Tem bibliotecas que podem ser um ótimo passeio. Eles podem ir, levar o livro para casa, ler com o filho e devolver depois. Dá trabalho, mas é uma forma de conhecer o espaço. Tem que mostrar para a criança que a biblioteca é um lugar que ela possa recorrer. O professor deve ir com a turma para a biblioteca, explicar como é o espaço, estimular os alunos a pegarem livros. Só assim eles vão conhecer o espaço e passar a frequentá-lo.

Fonte: Blog Pritt

Frase leitura

"Se os pais tiverem o hábito de ler e aprender coisas novas, há grande possibilidade de os filhos trilharem o mesmo caminho"

Cássia Urbano Gallo
Licenciada em Educação Artística e com Especialização em Psicopedagogia pelo Instituto "Sedes Sapientiae"

Como os pais podem ajudar na aprendizagem dos filhos

"Alunos que leem mais têm desempenho melhor, importando pouco o que leem: a correlação é observada para livros, jornais e revistas. Alunos que tiveram pais que leram para eles na tenra infância têm melhor desempenho"

Photoalto/Getty Images
As boas escolas ensinam, mas só quem pode educar para a vida são os pais

Os pais zelosos costumam fazer grandes esforços pela educação de seus filhos. Têm razão. Há poucas áreas da vida de uma pessoa que não são direta e positivamente influenciadas pela sua educação. Estudo aumenta a renda, reduz a criminalidade e a desigualdade de renda, tem impactos positivos sobre a saúde e diminui até o risco de vitimização pela violência urbana. Muitos pais, porém, concentram seus esforços no lugar errado: procuram escolas caras, com instalações vistosas e tecnologicamente avançadas, e entopem seus filhos de atividades extracurriculares. A pesquisa empírica, ainda que esteja longe de poder prescrever um mapa completo de tudo aquilo que os pais podem fazer para que seus filhos cheguem a Harvard, já identifica uma série de fatores importantes (e outros irrelevantes) para o sucesso acadêmico das crianças.

Comecemos pelo início. Ou, aliás, antes dele: na escolha do(a) parceiro(a). As pesquisas revelam que o fator mais importante para o aprendizado das crianças é o nível educacional de seus pais. A escolarização dos pais é mais importante do que a escolarização dos professores (três vezes mais, para ser exato) e do que qualquer outra variável ligada à educação — inclusive a renda dos pais (um aumento de um ano da escolaridade dos pais tem impacto nove vezes maior sobre a escolaridade dos filhos do que um aumento de 10% da renda). Não é que a renda dos pais não seja importante: ela é, sim, em todo o mundo. Mas a escolaridade é mais. Muito do que atribuímos ao nível de renda dos pais é, na verdade, determinado por seu nível educacional, pois pessoas mais instruídas acabam ganhando mais dinheiro.

Nascido o filho, uma boa notícia: não há, que eu saiba, comprovação de que os métodos de aceleração de desenvolvimento cognitivo para bebês, sejam eles quais forem, tenham qualquer impacto. Alguns, como a linha de produtos Baby Einstein, por exemplo, foram recentemente identificados como tendo inclusive uma relação negativa com o desenvolvimento vocabular. As pesquisas também vêm demonstrando que não há correlação do QI de uma criança em idade pré-escolar com seu desempenho futuro (a relação começa a aparecer lá pelos 8 ou 9 anos), de forma que não há razão para desespero se o seu filho não estiver fazendo cálculo infinitesimal antes de abandonar as fraldas.

Não há, igualmente, impactos positivos para os bebês que frequentam creches. Há, sim, impactos significativos e bastante relevantes para as crianças que frequentam a pré-escola. Falaremos mais sobre ela no próximo mês, mas quem puder colocar o filho na pré-escola estará dando um importante empurrão ao desenvolvimento do filho, que perdura a vida toda.

Finda a pré-escola, os pais que têm a sorte de poder colocar seus filhos em escolas particulares deparam com a decisão que parece ser a definitiva: em que escola matricular o rebento? A boa notícia é que essa decisão é bem menos importante do que parece. A má é que o trabalho dos pais não termina depois da decisão de onde colocar o filho. Pelo contrário: a pesquisa mostra que aquilo que acontece dentro de casa é mais importante do que a escolha da escola. Um estudo recente, por exemplo, decompôs a diferença de performance entre escolas públicas e particulares no Saeb, teste educacional do MEC, e encontrou o seguinte: nos resultados brutos, a escola particular tem desempenho 50% acima da pública. Porém, quando inserimos na equação o nível de renda dos pais dos alunos, essa diferença cai para 16%. Dois terços da diferença entre escolas públicas e privadas se devem, portanto, não a fatores da escola, mas do alunado. (Esse estudo e todos os outros mencionados neste artigo estão disponíveis em twitter.com/gustavoioschpe.)

Isso não quer dizer que a escola não importa, obviamente. Ela importa, e muito. Mas as diferenças mais importantes são entre sistemas escolares de países ou regiões diferentes. Dentro do mesmo sistema, em termos de aprendizagem, as diferenças são menos importantes do que a maioria imagina. Para os pais preocupados em escolher a melhor escola possível para o sucesso acadêmico do seu filho, o Enem é um bom sinalizador. Não é uma ferramenta definitiva, já que a participação no exame é opcional, produzindo uma amostra não aleatória, mas é um bom começo. Para escolas com resultados parecidos no Enem, usaria, como critério de “desempate”, as práticas consagradas de sala de aula e os critérios de formação de professores e gestores detalhados na trilogia publicada neste espaço nos últimos meses.

O mais importante que os pais podem fazer, porém, está dentro de casa, diuturnamente. O acesso e o apreço a bens culturais, especialmente livros, são fundamentais. A quantidade de livros que o aluno tem em casa é apontada, em diversos estudos, como uma das mais importantes variáveis explicativas para seu desempenho. É claro que não basta ter livros: é preciso lê-los, e viver em um ambiente em que o conhecimento é valorizado. Alunos que leem mais têm desempenho melhor, importando pouco o que leem: a correlação é observada para livros, jornais e revistas. Alunos que tiveram pais que leram para eles na tenra infância têm melhor desempenho. Pais envolvidos com a vida escolar dos filhos e que os incentivam a fazer o dever de casa têm impacto positivo (curiosamente, o envolvimento dos pais no ambiente escolar tem se mostrado irrelevante). Porém, pais que fazem o dever de casa com (ou pelo) seu filho provocam piora no desempenho acadêmico, por melhores que sejam as intenções.

Morar perto da escola ajuda. Em uma resenha de oito estudos sobre o tema, os oito indicaram relação negativa entre distância casa-escola e aprendizado dos alunos. Talvez essa relação influencie outro detrator do aprendizado: o absenteísmo. Aluno que falta à aula é, em geral, aluno que aprende menos. Outro fator negativo é o trabalho: alunos que trabalham além de estudar aprendem menos. Infelizmente não conheço estudos sobre o impacto do trabalho nos alunos universitários, mas aposto que parte da enorme diferença de qualidade entre as universidades brasileiras e as americanas se deve ao ambiente de dedicação exclusiva que estas conseguem impor aos seus alunos.

Ter computador em casa também tem resultados mensuráveis sobre o aprendizado. Quem pode comprar um que o faça.

Finalmente, falemos sobre aspectos psicológicos. Um dos grandes esforços dos pais modernos é aumentar a autoestima de seus filhos. Na educação, seu impacto é incerto: de catorze estudos analisando o assunto, só em metade se viu relação positiva entre autoestima e aprendizado. Em outro estudo, descobriu-se que o impacto do desempenho acadêmico é três vezes mais importante que a autoestima do jovem do ensino médio para a determinação do seu salário quando adulto.

Os fatores que têm impacto sobre o aprendizado são outros: gostar de estudar, ter maior motivação, aspirações de futuro mais ambiciosas, persistência e consistência são todas variáveis que estão correlacionadas a melhores notas. Os pais não podem incutir em seus filhos todas essas virtudes (e a interessante discussão sobre quanto controle os pais têm sobre o destino de seus filhos é tema para artigo futuro), mas há muito que podem fazer para criar ambientes domésticos mais propícios ao surgimento ou fortalecimento dessas características.

Por fim, duas ressalvas. Ser bom aluno não significa ser feliz ou bom cidadão ou quaisquer outras virtudes que são tão ou mais desejadas pelos pais que o sucesso acadêmico dos filhos. Elas simplesmente não estão mencionadas aqui porque não constituem minha área de estudo. Segundo, talvez falte nessa lista — por ser simplesmente imensurável — aquilo que de mais importante um pai pode dar a seu filho: amor.

Fonte: Veja

365 dias de incentivo à leitura


Diz a lenda que, em Buenos Aires, o leitor não precisa sair em busca dos livros; eles mesmos se encarregam de ir ao encontro dele. A mais literária das cidades latino-americanas tem motivos de sobra para festejar o ano de 2011: no próximo 23 de abril, passa a ser Capital Mundial do Livro, título conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) às cidades que se candidatam a esta designação e são consideradas merecedoras. Apenas um município é escolhido anualmente. Ao longo de 12 meses – até 23 de abril de 2012 –, o mundo editorial será a grande estrela em Buenos Aires. A capital, que já tem uma rica agenda anual de eventos de literatura e poesia, será palco de inúmeras manifestações para celebrar a nomeação: seminários sobre tradução, leitura digital e autores; semanas de livrarias nos bairros; tertúlias literárias em bares e hotéis; festivais de literatura fantástica e poesia são algumas das atividades previstas.

Em vigor desde 2001, a distinção outorgada pela Unesco é alvo de acirrada disputa entre cidades do mundo todo. A seleção é realizada por uma comissão que analisa os projetos apresentados, o histórico do setor livreiro e editorial, os programas de incentivo à leitura e à difusão do livro, a agenda anual de eventos, incluindo os festivais e concursos literários promovidos pelo poder público ou pela iniciativa privada. A escolha não implica prêmio material, mas é um reconhecimento simbólico à trajetória livreira. “Esta nomeação é uma merecida homenagem aos nossos escritores, livreiros, editores, tradutores, educadores e a todos aqueles que trabalham por amor à palavra”, afirmou o secretário de Cultura de Buenos Aires, Hernán Lombardi. Ele sublinhou que a cidade almejava conquistar o título especialmente em 2011, porque neste ano se celebra o 200º aniversário do Decreto e Regulamento sobre a Liberdade de Imprensa, assinado logo após a independência da Argentina, em 1810. O decreto foi o marco inicial da transformação de Buenos Aires em centro de efervescência literária.

O livro está tão incorporado na alma dos portenhos que até seria o caso de perguntar se ocupa o mesmo patamar do tango ou do doce de leite. Muitos desfrutam do ócio criativo nos cafés, lendo durante horas enquanto degustam um cortado (café com leite) e saboreiam um pãozinho medialuna. Mais de 300 livrarias de todos os tipos e formatos servem a um público fiel e regular. Uma rede de 28 bibliotecas públicas cobre todo o município. Os cafés que fazem parte do programa municipal Yo Leo en el Bar têm alguns títulos à disposição dos clientes. É só pegar, ler e depois colocar de volta na estante. Sem pagar a mais por isso. Um sistema semelhante, mas voltado para as crianças, funciona na área destinada aos equipamentos infantis de algumas praças.

Madri foi a primeira Capital Mundial do Livro. Em seguida vieram Alexandria (Egito); Nova Délhi (Índia); Antuérpia (Bélgica); Montreal (Canadá); Turim (Itália); Bogotá (Colômbia), Amsterdã (Holanda) e Beirute (Líbano). Liubliana foi a última a desfrutar da nomeação, em 2010. A capital da Eslovênia conclui seu mandato em 23 de abril, quando Buenos Aires dá início ao seu, em cerimônia a ser realizada na Feira Internacional do Livro, que acontece todos os anos na cidade. A data foi escolhida criteriosamente por ser o Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral e lembrar a data de morte de dois grandes da literatura universal: William Shakespeare e Miguel de Cervantes.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uso de gibis em sala de aula incentiva o aprendizado e o gosto pela leitura

Matéria publicada em 7 de outubro de 2010

Por Cleide Quinália Escribano

Há tempos os gibis deixaram de ser apenas uma diversão para a garotada para se tornar também uma ferramenta pedagógica. Cada vez mais presentes em salas de aula, hoje eles são vistos como uma ótima opção para incentivar a leitura em quem está começando a conhecer o mundo das letras. No município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal (RN), por exemplo, a Escola Municipal Vicente de França encontrou nos gibis o caminho para estimular o processo de alfabetização das turmas de 1º e 2º ano do ensino fundamental. Adotado há cerca de dois anos pela professora Conceição Lourenço, o projeto Gibiteca Itinerante – Jovens Leitores, implantado na escola, vem apresentando resultados positivos já observados na avaliação dos alunos.

A professora conta que na sua época escolar a leitura de gibis era simplesmente proibida no colégio, mas ela sempre dava um jeito de escondê-los sob os livros na carteira. Com os gibis, Conceição diz que aprendeu o gosto pela leitura, despertou para muitos aspectos da vida pessoal e, atualmente, eles têm uma função importante na sua vida profissional.

“Os gibis são uma excelente ferramenta para incentivar a leitura nas crianças já que elas se identificam com os personagens. “Eles são protagonistas de situações semelhantes a dos leitores. Vão à escola, ao parque, têm medo do dentista e escovam os dentes, brincam, caem, se machucam, têm pai e têm mãe, o que possibilita uma verdadeira identificação dos alunos com a estória”, diz a professora Conceição.

Para ela, o mais interessante do projeto é que as imagens associadas aos textos permitem que o aluno atribua sentido à história, mesmo sem ainda saber ler, fazendo aumentar o seu campo de conhecimento e percepção de vida.

Nas aulas, Conceição conta com o apoio de um grupo voluntário de 12 alunos do 9º ano do ensino fundamental, que juntos com a professora procuram ajudar a criançada no processo de aprendizagem. Ao ver as revistinhas espalhadas sobre as mesas a turma já sabe que é hora de leitura. Alessandra Bernardino, 8 anos, conta que prefere a revistinha da personagem Mônica “porque ela é muito divertida e parece muito comigo”. Já o menino Elizanildo Robert de Calazans, 9, gosta mais do Cebolinha porque ele mexe muito com a Mônica.