quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ler também é exercício!

Por Carolina Abranches

Hábito de ler age como uma musculação para o cérebro

O hábito de ler proporciona muitos benefícios à saúde. A leitura ajuda a reduzir o estresse e estimular a memória. Sua prática age como uma musculação para o cérebro e os médicos recomendam que se leia um livro por mês. Ao acompanhar um texto, exige-se do cérebro um conhecimento dos sistemas de linguagem, obrigando o leitor a realizar um trabalho ativo de compreensão e interpretação de texto. E isso ajuda a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo déficits de memória e declínios das funções cognitivas.

O ato de ler envolve quatro processadores: o processador ortográfico, que diz respeito à maneira de escrever as palavras; o processador de palavras refere-se ao sentido de uma palavra; o processador fonológico refere-se à unidade menor que forma uma sílaba ou uma palavra; e o processador de contexto que se refere à sintaxe, ao papel de cada palavra numa frase, formando uma estrutura com um significado maior que a palavra, desenvolve noções linguística e regras gramaticais.

Estudos mostram que hábeis leitores não necessitam mais do processador fonológico para entender o significado de uma palavra escrita. Já maus leitores apresentam dificuldades nos processadores visuais e/ou auditivos, cometendo distorções, inversões, trocas e omissões, as chamadas dislexias. Conforme os tipos de dislexia, estudos mostraram lesões nas áreas, occipital, temporal ou ainda parietal.

Fonte: BemStar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Ler e escrever no SESC

O texto abaixo é um clipping tirado do site do Serviço Social do Comércio (SESC)

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Tenho insistido nas conversas descompromissadas com os confrades da Academia Brasileira de Letras no quanto é difícil saber ler.

Há quem leia e não perceba, há quem leia e não se ilustre, há quem leia sem saber para quê. Há, assim, quem leia sem ler. Apenas vê os textos.

Certa ocasião disse isto numa palestra para estudantes da Escola SESC de Ensino Médio e arrematei que não bastava aprender a escrever era imperioso saber ler. Concluí: só sabe escrever quem lê bem.

Agora mesmo temos a prova disso com o próprio alunado daquela escola, aliás, no gênero a melhor do Brasil. Privilegiando a docência de nível e a biblioteca valiosa, os alunos procuram ler, radiografando os textos. Isso resultou, como naturalmente deveria ser, em que detivessem altos índices de aprovação em exames seletivos de abrangência nacional. E mais, notas altas em redação. Notas absolutamente diferenciadas.

O zelo com que são organizadas as pautas de leituras e a animação dedicada a discutir as obras, as escolas literárias, as inclinações estilísticas dos autores, tudo leva a que os estudantes saibam o que estão lendo e, em conseqüência, saibam redigir.

Meu pai, um modesto professor de ginásio no interior de Pernambuco, deu-me muita sabedoria, inclusive no que deveria ser o procedimento a adotar com a leitura que me favorecesse aprender a escrever: "Leia Machado de Assis". Segui indagando: "E depois?" A resposta: "Leia Machado de Assis." Compreendi que deveria ler infinitamente Machado de Assis. Não sei se o fiz bem, mas isto é outra história... Ora, o que aconteceu aos alunos da Escola SESC é que redigiram bem por conta do hábito da leitura, da fruição do acervo da bem cuidada biblioteca.

ESFORÇO. Se as escolas de ensino médio se esforçassem - já que fazer até mesmo parecido com a Escola SESC é difícil -em seguir essa trilha de leitura, grupos de debate, apoio de biblioteca, cultivo da dissertação, a realidade do ensino básico de português seria outra.

Os órgãos gerenciadores do ensino, no Rio, tem a obrigação de freqüentar aquele estabelecimento localizado nos confins da Barra, para que se orientem como fazer. Ir lá, enfrentar trânsito e distância, e se confrontar com uma obra exemplar que o País, não só o Rio, fica a dever ao Sistema S, no caso, ao SESC. Fará muito bem a todos. Se navegar é preciso, ter a humildade em aprender com quem faz bem feito, também é preciso. E o navegar, de que fala a boa tradição dos navegadores, no alto mar ou na beira da praia, é buscar aprender.

Fonte: SESC

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Que livros os alunos devem ler?

O problema pode não ser a seleção de obras adotadas pelas escolas, mas sim a forma de abordá-las

Jauranice Rodrigues Cavalcanti


A pergunta pode parecer descabida quando se pensa que nos dias atuais o professor de português tem pouco poder de decisão no que se refere à seleção de textos para seu trabalho em sala de aula. Afinal, os livros didáticos, o material apostilado e as listas de livros dos vestibulares - que servem de referência para a seleção de textos presentes no material didático - decidem e impõem o que deve ser lido na escola e os textos que podem circular nesse espaço.

Mesmo que disponham de material já pronto, os professores costumam se interrogar se devem exigir ou não a leitura de certos títulos (os clássicos), se devem acatar sugestões dos alunos sobre que material selecionar - o que significa, algumas vezes, dar explicações a pais e direção da escola - ou se devem escolher textos mais "fáceis" ou mais "difíceis".

Tais dúvidas são compreensíveis: circulam muitas e diferentes opiniões sobre o assunto, desde as que defendem somente a leitura de textos literários, a presença de títulos de "qualidade" na escola, textos "politicamente corretos" - o que explicaria a exclusão de boa parte da obra de Rubem Fonseca - até os que reivindicam só a leitura de textos cujos temas se aproximem do mundo e interesses dos alunos. Para defender a leitura dos textos selecionados, o professor é obrigado, muitas vezes, a repetir o velho argumento de que "vai cair no vestibular". Ante a obrigação, a saída costuma ser a mais rápida e "indolor" - os alunos leem os resumos dos livros. E assim, ano após ano, continua-se a falar em crise de leitura.

Variedade

O material didático produzido nos últimos anos oferece ao leitor-aluno um volume significativo de atividades de leitura e compreensão elaboradas a partir de textos dos mais variados gêneros. Certamente críticas podem ser feitas quanto à seleção do que aparece nesses manuais, em especial a de textos literários: sempre os mesmos títulos, os mesmos escritores. No que diz respeito à poesia, por exemplo, seria interessante dar a conhecer aos alunos outros poemas de Bandeira e Drummond, além de "Vou-me embora pra Pasárgada" e "Poema de sete faces". Já os textos em prosa, devido à limitação de espaço dos didáticos e apostilas, aparecem na forma de fragmentos que não dão conta de mostrar a complexidade e singularidade das obras.

Diferentes autores já analisaram as atividades de leitura presentes nos livros didáticos. No geral, o que se tem apontado é a inadequação e a improdutividade dessas atividades, uma vez que não exigem reflexões mais acuradas e não levam à formação de leitores de obras literárias. Ao contrário, os exercícios acabam por distorcer o material apresentado, levando o leitor a construir uma ideia equivocada do que seria a leitura (mera apreensão de conteúdo) e do que seria o texto literário, transformado em texto informativo ou apenas usado como exemplo de uma dada escola literária.

Costuma-se atribuir só à produção literária traços que a tornariam mais importante que outras produções, como a presença de recursos expressivos ou a discussão de temas relevantes. Se se leva em conta a própria natureza da linguagem, sua não explicitude, seu caráter dialógico, admite-se que todos os textos, dos mais "simples" aos mais sofisticados, agenciam diferentes recursos linguísticos, manifestam diferentes vozes sociais, revelam, de forma explícita ou silenciosa, diferentes pontos de vista.

Cânone

Isso não significa abrir mão da leitura de obras literárias. A ideia de que só textos "significativos" devem ser trabalhados com os alunos, diretamente ligados a suas experiências, próximos de seus interesses e necessidades, soa equivocada. Isso porque a escola, como instituição responsável pelo ensino da leitura, deve ser um espaço onde os alunos entrem em contato com a literatura que faz parte de nossa herança cultural. Muitos alunos só têm condições de conhecer determinadas produções, as consideradas representativas de nossa cultura, no espaço escolar. Como negar a eles essa oportunidade?

Ressalte-se que o contato com tal produção pode ocorrer de forma a polemizar os critérios que a conduziram a uma posição privilegiada. Não se trata, portanto, de uma mera transmissão de obras consagradas, ou de perpetuar cânones, mas de abrir possibilidades de interlocução dos alunos com produções simbólicas consideradas relevantes.

Outra razão para a leitura de textos literários, não diretamente ligados ao mundo "atual" ou aos interesses dos jovens, é a possibilidade que tal leitura oferece, isto é, a de levar o leitor a conhecer outros mundos, outros pontos de vista, que podem enriquecer suas experiências, ampliar sua vivência e sua condição humana.

Sendo assim, não se trata de que textos privilegiar ou escolher para objeto de leitura - e também de trabalho com os alunos -, mas como olhar esses textos e perceber neles toda sua complexidade. Essa percepção permite desvelar aspectos cruciais para a interpretação, como críticas indiretas, ou a imposição de um certo modo de ver/avaliar o mundo. Nesse sentido, o que faz a diferença é o olhar do professor-leitor que apreende aspectos relevantes e o que seria interessante apontar e discutir.

Diante disso, pode-se afirmar que a questão "Que textos devo selecionar para trabalhar com meus alunos?" deve ser substituída por outra: "Como devo trabalhar os textos com meus alunos?". A mudança representa um passo importante no processo de formação de leitores críticos e leitores de obras literárias.

Jauranice Rodrigues Cavalcanti é professora do departamento de letras da Universidade Federal do Triângulo Mineiro

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Campanha "George, o curioso"

A Biblioteca do Congresso Americano em parceria com o Ad Council, Universal Partnerships & Licensing and Houghton Mifflin Harcourt Publishing Company para desenvolver campanhas de interesse público que caracterizem os personagens da série "George, o Curioso" para incentivar os pais a lerem com os filhos. Na imprensa, televisão e outdoors com os recursos de George e seu melhor amigo e mentor, "O Homem do Chapéu Amarelo", ler os livros juntos e pedindo aos pais para "Ler para seu filho hoje e inspirar o amor pela leitura."


Animação na leitura:

Dê ao seu filho a opção de ler o que eles querem. Isso ajuda-os a criar sua própria identidade e o interesse na leitura.

  • Encontrar os autores que o seu filho goste, e construa as conexões e emoção sobre a leitura;
  • Escolha todos os tipos de livros, tais como não-ficção, ficção e determinados temas. Exponha a vários tipos de literatura e também ajude a determinar a sua preferência pessoal;
  • Sugerir livros que se baseiam em experiências pessoais, como amizade, família, viagens, animais de estimação ou esportes;
  • Pense nos três I's: Interesse, Integração e Invenção
  • Descubra a lista dos livros mais procurados de sua biblioteca.
Faça a leitura juntos:
  • Leia em voz alta para seu filho e com seu filho. Revezem lendo os livros com eles - que promovam a confiança e o relacionamento com a literatura;
  • As crianças mais velhas se beneficiam com a leitura em voz alta - ouvir um adulto ler com fluência e discutir um livro traz grandes benefícios;
  • A pesquisa mostra que a leitura em voz alta para seu filho:
    - Aumenta o seu vocabulário,
    - Melhora a sua capacidade de atenção,
    - Melhora o desenvolvimento emocional,
    - Estimula a imaginação,
    - Cria a compreensão de outras culturas e estilos de vida,
    - Melhora a habilidade de resolução de problemas e críticas.
 Sugestões para leitura em voz alta:
  • Escolha um livro que sirva para a leitura em voz alta - contos, livros engraçados ou assustadores são sempre divertidas;
  • Fazer da leitura uma hora especial. Encontre um lugar aconchegante e confortável para ler;
  • Ser versátil. Você lê pra eles, ou eles leiam para você. Revezem;
  • Apresente o autor e ilustrador. Discutir o que fazer com seu filho. Dizer o nome do autor e ilustrador, mostrando que os livros são criados por pessoas reais;
  • Fale sobre o livro - faça perguntas sobre o que gostou e não gostou, o que achou interessante, etc.;
  • Mostrar as fotos, enquanto você lê.
  • Leia com expressão.
  • Leia juntos todos os dias!
O que se pode esperar de uma criança a ler um livro?

Os 3 I's:

  • Interesse: Quando uma criança quer um livro de informação e / ou diversão.
    - Construa os seus interesses, hobbies, atividades favoritas ou uma viagem que você fez, pedindo-lhes se eles gostariam de um livro sobre um desses temas. 
  • Integração: usar a leitura como uma conexão com outras disciplinas - matemática, ciências, artes, esportes, música e muito mais.
    - Descubra o que seu filho está interessado e sugerir livros desse assunto disponíveis na biblioteca ou livraria. Conecte a leitura com as experiências de sua casa. Por exemplo, encontrar um livro sobre as máquinas que ajudam a explicar porque um brinquedo ou um relógio não está funcionando.
  • Invenção: criação de algo que se relaciona a um livro.
    - A leitura que estimulam as criações ou invenções das crianças. Por exemplo, uma criança que tenha lido o livro, "Cachinhos Dourados e os Três Ursos" pode querer criar mingau que Papai Uso iria comer. A criatividade motivam as crianças ainda mais os seus interesses pela leitura.