sábado, 4 de dezembro de 2010

Leitura faz bem para o corpo

Matéria publicada no jornal "O Liberal" em 16 de março de 2010

A Biblioterapia é uma das ferramentas utilizadas no tratamento dos internos do Hospital Universitário Barros Barreto

Alexandra Cavalcanti
Da Redação

Além de proporcionar bons momentos, a leitura também pode ajudar na superação de momentos difíceis. Esse é o ponto de partida para o trabalho desenvolvido pelo Projeto “Biblioterapia”, no Hospital Universidade João de Barros Barreto (HUJBB), em Belém. A técnica é antiga, mas ainda pouco conhecida no país e estimula tanto pacientes internados quanto seus acompanhantes à leitura de livros, revistas e jornais, ajudando-os a lidar melhor com o ambiente hospitalar.

O projeto começou em 2003 partindo do princípio de que uma boa leitura pode amenizar as pressões do dia a dia, inclusive de quem está em tratamento médico. “A dinâmica desse trabalho é aliviar as tensões dos pacientes internados e de seus acompanhantes. Tirar um pouco do foco da doença e levar para a leitura, porque a rotina hospitalar pode causar, entre outras coisas, irritação e até depressão”, explica a coordenadora do projeto e bibliotecária Rosiany Silva.

A primeira parte do projeto consiste em colher informações sobre os assuntos que interessam a esse público alvo. “Visitamos as enfermarias para saber previamente qual tipo de leitura chama atenção dessas pessoas, tanto pacientes quanto acompanhantes”, ressalta a coordenadora. A partir daí, esse material é separado para as ações do projeto.

Nessas pesquisas, para a sur-presa dos envolvidos, algumas curiosidades foram desco-bertas. Uma delas é que leituras relacionadas à agricultura familiar estão entre as preferidas. “Temos muitos pacientes que vêm do interior do estado e esse tipo de leitura faz parte do universo de onde vivem”, explica. Mas também é grande o número de pessoas que se identifica com outros assuntos, como direito tra-balhista, textos didáticos sobre determinadas doenças, além de literatura brasileira e infantil. “Na pediatria especialmente trabalhamos bastante com os contos de fadas e com gibis”, afirma.

Para acompanhar a limitação de alguns pacientes, a coordenadora conta que são u-sadas outras dinâmicas, sempre com a colaboração de voluntários. “O Hospital Barros Barreto é de alta complexidade, por isso, atendemos casos bem específicos, como por exemplo, pessoas que sofrem de diabetes e perderam a visão. Nessas situações, o monitor faz a leitura para esse paciente. O mesmo acontece no caso de analfabetos e pessoas com outras dificuldades para a leitura. Utilizamos também CDs e levamos o rádio até o paciente para que ele possa ouvir histórias”, ressalta Rosiany.

Em Belém, o projeto desenvolvido no Hospital Universitário ganhou ainda um reforço extra. Além da leitura de livros e periódicos, o trabalho utiliza recursos audiovisuais. “Fazemos também sessão de cinema, dinâmicas de grupo e até mesmo sessões de anedotas, que eles gostam bastante”, conta a bibliotecária. O importante, segundo ela, é o uso da linguagem cultural para motivar os pacientes e acompanhantes em ambiente hospitalar.

A biblioterapia não promete milagres e não tem ainda uma comprovação científica sobre seus benefícios, mas ao longo de sete anos, vem colhendo bons resultados. “Temos depoimentos e relatos de experiências muito positivas. Casos, por exemplo, como de pacientes que não interagem com o médico durante o tratamento, seja por timidez ou outro motivo, mas que passam a ter um outro comportamento depois de participar das ações do projeto”, conta.

O retorno também aparece de outras formas. “Alguns pacientes ou acompanhantes participantes do projeto pedem para levar o livro para casa, porque gostaram da leitura e querem levá-la para suas comunidades. Isso é muito bom e nos deixa muito satisfeitos com esse trabalho”, afirma a coordenadora.

Projeto muda a visão do hospital

Para a biblioterapia, a leitura funciona como “alimento da liberdade”, tal como afirmou Fernando Pessoa através de seu heterônimo Álvaro de Campos. Lendo, a pessoa se distancia dos redemoinhos e dos turbilhões das emoções vividas em determinado momento. No ambiente hospitalar, esse efeito não é diferente. Ao invés de sentimentos de ansiedade, agressividade, angústia, tristeza, medo e outras reações devido à doença ou mesmo ao afastamento de casa, o paciente pode entrar num ambiente de bem estar físico, mental e espiritual.

“Esse projeto traz como contribuição uma ideia mais positiva do Hospital como espaço não apenas de sofrimento, mas também de lazer, aprendizado e troca de experiências quando em contato com a leitura e com outras pessoas”, conta a coordenadora do Projeto. A bibliotecária Vera Carvalho, uma das primeiras a trabalhar no projeto dentro do hospital explica que há o envolvimento de equipe multiprofissional, composta por bibliotecário, assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional e bolsistas de biblioteconomia e serviço social. O grupo disponibiliza livros, revistas e jornais de acordo com uma temática definida e o paciente escolhe o tipo de leitura com a qual mais se identifica.

Além dessas leituras, os pacientes também participam de palestras e exibições de filmes sobre educação e saúde, contação de histórias, leitura de mensagens, audição de músicas e textos de autoajuda, peças de teatro, pintura, entre outras atividades, com a finalidade de melhorar o seu estado emocional. “Desde o início, quando ele foi implantado pela Dra Elisa Sá, o projeto sempre foi bem aceito pelos pacientes e seus acompanhantes, porque se tornou uma forma atrativa deles saírem daquela rotina de hospital. Lembro ainda do primeiro filme que exibimos dentro do projeto, foi o „Auto da Compadecida‟. Todos gostaram e riram bastante”, relembra.

O Projeto trabalha com crianças, pacientes adultos e idosos internados no Hospital Universitário João Barros Barreto, dando preferência aos de longa permanência, os que não recebem visitas ou estão desacompanhados. “Percebemos que, além da melhoria do estado físico, o hospital pode contribuir para a elevação da autoestima e até para mudança de comportamento por meio de diferentes formas de ação, como a leitura”, assegura Rosiany da Silva.

No ano passado, o projeto ganhou uma sala própria dentro do hospital, onde são guardados todos os materiais usados, desde livros, revistas, material lúdico, entre outros, tudo fruto de doação.
 
Serviço

Quem quiser fazer doação de materiais para o projeto pode procurar o setor de Biblioterapia do Hospital Universitário João de Barros Barreto.
 
Fonte: jornal "O Liberal"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Projeto Ler e Pensar lança livro sobre a importância da leitura na escola

Objetivo é contribuir para que outros educadores tenham novas ideias e também estimulem a leitura em suas salas de aula.

Leitura: o mundo além das palavras, é primeiro livro do projeto Ler e Pensar, do jornal Gazeta do Povo (PR) e do Instituto RPC. Lançado em outubro, a publicação é a grande inovação do projeto em 2010: relaciona práticas desenvolvidas em sala de aula, por diversos professores do Ler e Pensar, com ensaios escritos por especialistas que contribuiram com o projeto ao longo dos últimos dez anos.

Desde 2001, afinal, o Ler e Pensar sempre procurou estimular a leitura como prática cotidiana de professores, vendo nesta iniciativa o caminho para a formação de cidadãos críticos e alunos melhor formados e informados. Utilizando o jornal como um recurso para isso, a experiência do Ler e Pensar oferece aos professores uma revisão de metodologias e aprendizado de novas formas de trabalho.

Agora, muito dessa história foi transformado em um livro no qual teoria e prática estão relacionadas em temas inovadores – como a Ciberleitura – e desafiadores – como a leitura no período de alfabetização, ou a formação de leitores críticos. A pequena edição, distribuída aos presentes no evento e enviada às Secretarias Municipais de Educação participantes do Ler e Pensar, serve para reconhecer boas iniciativas de professores, que fazem do incentivo à leitura uma missão de vida.

Confira, a seguir, os temas apresentados no livro e descubra, você também o mundo além das palavras. Para ler o livro em PDF basta acessar o link:

Leitura: o mundo além das palavras

Leitura: o mundo além das palavras, é primeiro livro do projeto Ler e Pensar, do jornal Gazeta do Povo (PR) e do Instituto RPC. Lançado em outubro, a publicação é a grande inovação do projeto em 2010: relaciona práticas desenvolvidas em sala de aula, por diversos professores do Ler e Pensar, com ensaios escritos por especialistas que contribuiram com o projeto ao longo dos últimos dez anos.

Confira, a seguir, os temas apresentados no livro e descubra, você também o mundo além das palavras. Para ler o livro em PDF basta acessar o link: http://www2.rpc.com.br/clientes/irpc/portal/Files/News/file/livro-leitura.pdf.

Alfabetização e Letramento

O primeiro capítulo do livro debate o incentivo à leitura durante o período de alfabetização. Quem encara o desafio de teorizar sobre o assunto é a professora Angela Mari Gusso, doutora em Estudos Linguísticos, ex-professora da Rede Municipal de Ensino de Curitiba e docente em cursos de graduação e pós-graduação.

A teoria de Ângela é passada à prática por Elenice da Cruz Gonçalves, professora da Escola Rural Municipal de Santa Bárbara de Cima, em Palmeira. Utilizando o jornal com alunos em fase inicial de alfabetização, Elenice relaciona elementos lúdicos para estimular a leitura e alguns de seus bons resultados são relatados no livro.

Apropriação da Leitura Crítica

O desafio de ler criticamente exige, no mínimo, informações comparativas, fontes históricas, referências e análise de cenário. É isto o que aponta o jornalista e doutor em Literatura Brasileira, José Carlos Fernandes, professor em cursos universitários e jornalista da Gazeta do Povo, desde 1989.

Na Escola Municipal Germano Paciornick, de Curitiba, a professora Janisse Cordova Dornelas da Costa conseguiu aplicar a ideia da leitura crítica para alunos da 4ª série, fazendo das suas aulas um momento para promover mudanças nas atitudes e no modo de pensar dos alunos, e provando que a tarefa pode ser árdua, mas não impossível.

Práticas de Leitura no Ensino Fundamental

A proposta deste capítulo é despertar o interesse dos alunos pela leitura, na medida em que ele progride no Ensino Fundamental. Para isto, a pedagoga e mestranda em Educação, Ana Gabriela Simões Borges, coordenadora geral do Instituto RPC e a jornalista e mestre em Educação Andressa Grilo Assagra, responsável pela produção de conteúdos do Projeto Ler e Pensar, indicam pequenas práticas que podem ser desenvolvidas para tornar a sala de aula um espaço alfabetizador e de encantamento para a leitura.

Quem mostra que isto é possível é Márcia Bíscaro Kaminski, professora de 4.ª série na Escola Municipal José Eurípedes Gonçalves, do município de Campina Grande do Sul. Para Márcia, despertar o gosto pela leitura e estimular a produção de textos entre seus alunos é tarefa cotidiana.

Literatura Infantil e Contação de Histórias na Escola

A leitura deve ser trabalhada de acordo com o gênero textual, por isso são diversas as maneiras de ler, assim como diversos são os textos e os objetivos de leitura. Pensando nisso, Elisa Maria Dalla Bona relaciona Literatura Infantil e Contação de Histórias na Escola, num ensaio relacionado à prática da professora Suely Rubbo Coelli, que atua na Escola Municipal Frei Tiago Luchese, no município de Bituruna. Utilizando a técnica da Contação de Histórias, Suely mescla emoção, razão e imaginação, literatura e contação de histórias, incentivando seus alunos a associar experiências e ideias.

Leitura Significativa e Contextualizada

Ler não é somente identificar símbolos, juntar letras, relacioná-las aos seus respectivos sons e repetir frases lidas em cartazes ou anúncios. Ler significa decifrar informações e reconhecer seus significados e interações com o mundo. Essa discussão é feita no livro por Benedito da Costa Neto, professor de Língua Portuguesa e de Literatura, consultor, crítico de arte e escritor.

Já a prática em sala de aula deste capítulo foi feita por Adriana Margarete Rolim da Silva Gonçalves, professora do contra-turno da Unidade de Educação Integral Abranches, em Curitiba. Com aulas dinâmicas e divertidas, Adriana usa a leitura de jornal para motivar o aprendizado entre jovens adolescentes e faz das suas aulas um exemplo de criatividade, interatividade e estímulo ao protagonismo.

Práticas de Leitura na Comunicação e na Educação

Não há como interpretar uma informação ignorando a forma como a mesma é percebida pelo indivíduo receptor, suas referências e relações sociais. Toda comunicação pressupõe um receptor capaz de desvendar mensagens, promover elaborações culturais, e chegar à construção de relações entre a informação a que tem acesso ao seu próprio universo social. Quem discute o tema neste capítulo é a doutoranda em Educação Marlei Gomes da Silva Malinoski, professora da Secretaria Estadual de Educação do Paraná e da Universidade Tuiuti do Paraná. O tema é visto sob a ótica da professora e coordenadora da Unidade de Educação Integral Contraturno Dr. Osvaldo Cruz, em Curitiba, Mary Lucia Medeiros Baldança.

Leituras, Literaturas e Escola

Este capítulo é dedicado à análise comparativa entre o texto verbal e o texto literário, indicando que há uma relação entre o verbal e o literário que precisa ser compreendida e trabalhada no ambiente escolar. Catia Toledo Mendonça, doutora em Estudos Literários e professora universitária, teoriza sobre o tema; a prática é de Expedita Estevão da Silva, da Escola Municipal Augusto Staben, de Campina Grande do Sul.

Ciberleitura

Como e por que incentivar a leitura em ambientes virtuais? Como contribuir para a formação de cidadãos críticos e participativos, lançando mão dos recursos disponíveis no ciberespaço? Estas e outras dúvidas são respondidas por Márcia Silva Di Palma, mestre em Educação e professora universitária. Para ilustrar, eis a experiência da professora Sonia Maria Alves Domingues, da Escola Municipal Paulo Freire, de Curitiba. Veterana no uso do jornal impresso como recurso pedagógico, há dez anos ela desenvolve atividades utilizando esse instrumento como apoio às suas aulas. Recentemente, passou a trabalhar também com o jornal em plataforma eletrônica e revolucionou a utilização da sala de informática da escola.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Leia para seu filho

Essa brincadeira gostosa, que estreita os laços familiares, também ajuda no desenvolvimento pedagógico e psicológico da criança e deve ser encarada com seriedade

Texto: Camila Carvas - 09/08/2010

Ouvir e contar histórias relaxa, aumenta o vocabulário,
melhora a dicção, desenvolve a criatividade
 e o raciocínio lógico nas crianças
"Era uma vez" é o começo de uma história que pode fazer toda a diferença no desenvolvimento infantil. Quando papai e mamãe - professores e até irmãos mais velhos - se sentam com os pequenos para ler um livro ou contar uma historinha, mais do que um mundo encantado de fantasia, eles estão descortinando uma verdadeira experiência de aprendizado. Para completar, essa aula ainda pode ser transformada em momento de intimidade e amor familiar que, muitas vezes, se perde em meio ao caos do dia a dia. Mas, como toda brincadeira de criança, a "contação" é coisa séria.

Ao lado de bonecas e carrinhos, ela funciona como um mediador da relação entre a meninada, os adultos e o mundo. E, apesar da sua importância pedagógica e psicológica, deve ser mantida sempre no campo da arte, e não no do exame, como é comum acontecer na escola. A atividade deve ser lúdica e divertida, sem imposições, cobranças, tarefas ou castigos. "Tudo o que é feito com e para as crianças precisa ser envolvente e realizado com afeto", diz Christine Fontelles, responsável pelo Programa Ler é Preciso, do Instituto Ecofuturo. Não há motivos, então, para ser diferente com as histórias.

Contar e ler um relato deve ser algo prazeroso. É por meio dessas atividades, e do contato com o imaginário e com a ficção, que meninos e meninas descobrem e expressam sentimentos que não conheciam ou ainda não eram capazes de compreender. "Devido ao próprio estágio de desenvolvimento, as crianças não possuem muitos recursos para administrar esse lado emocional", conta a psiquiatra Marisol Montero Sendin, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Como a linguagem verbal ainda é incipiente, a forma natural de expressão são a imagem, o jogo e o faz de conta. "Na falta de outras possibilidades, a dificuldade de lidar com as emoções se manifestará por meio da agressividade, problemas de aprendizado, de sono ou alimentares", diz Marisol. Enquanto os personagens enfrentam coisas estranhas, a garotada tem contato com o medo, o ciúme e o luto. Em um diálogo interno, adquirem conceitos e vivenciam experiências valiosas. Cada conto que a criança conta contribui para a construção de um autorretrato para o qual ela pode olhar, pensar e mudar.

O famoso "senta que lá vem história" não tem momento certo ou idade mínima para começar. A paulistana Laura Volponi Medeiros, de 2 anos e meio, já era uma ouvinte atenta mesmo antes de nascer. "Quando estava grávida de Laura, minha mulher se sentava na cadeira e, enquanto na morava a barriga, lia um monte de livros", conta o pai da menina, o vendedor Wellington Medeiros, de 32 anos. Hoje, mesmo sem ter sido alfabetizada, a menina adora "ler". Nos semáforos, sempre que possível pede para Medeiros pegar jornais gratuitos e propagandas e os folheia do alto de sua cadeirinha de segurança.

Como uma esponja, a criança tende a absorver tudo que os adultos ao seu redor fazem. É assim que ela aprende, por imitação e repetição.

Portanto, se os pais leem, as chances de os filhos se tornarem leitores é enorme. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, uma associação sem fins lucrativos cuja missão é fomentar a leitura e a difusão de livros, revela que um em cada três leitores brasileiros se lembra de ter visto a mãe lendo alguma coisa. O levantamento mostra também que 49% do público adulto considerado leitor, ou seja, que leu pelo menos um livro nos últimos três meses, se refere à figura materna como a pessoa que mais o incentivou. Entre garotos e garotas, esse número sobe para 73%. Mas os pais também têm um papel de destaque nesse cenário. Afinal, 30% dos leitores os consideram como maiores responsáveis por incutir neles o prazer de conjugar o verbo ler.


Por falar em verbos, não importa se se trata de ler ou de contar histórias, ambos desenvolvem a criatividade, a imaginação e o raciocínio lógico da meninada. Estudos indicam, inclusive, que a leitura em voz alta na primeira infância melhora o desempenho escolar. Permitir que os pequenos inventem novos finais deixa a brincadeira ainda mais estimulante. "Aqui no Brasil, onde os livros infantis são muito caros, vale recortar figuras de jornal e revista, fazer colagens, pintar com o dedo e criar sua própria obra", sugere Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O mais importante é a interação: ao desenhar, modelar ou recontar uma história, a criança põe para fora fatos do seu próprio mundo.
 
Para os pequeninos, comprar livros de plástico, que possam ser usados até no banho, ou mesmo mordidos, é uma boa sugestão. Os de pano, laváveis à máquina, também são interessantes. "Os livros têm que ser de posse", explica Maria Ângela. "Deve-se ensinar à criança que é preciso tomar cuidado com eles, que não se pode rasgá-los, mas sem impor nenhum tipo de obstáculo a seu acesso", explica. Quando ela estiver cansada e dispersa, por exemplo, é possível contar uma história em capítulos, como nas novelas. Assim, no dia seguinte, continuará curiosa e disposta a ouvir um pouco mais.
 
Outra estratégia é guardar os livros junto com os brinquedos. Na casa da Laura, nossa futura leitora, os livros estão todos ao seu alcance. "Ela mesma escolhe e pega a história que quer ouvir", diz Wellington Medeiros. A literatura também pode colaborar no tratamento de traumas, doenças e dificuldades psicoemocionais (veja o quadro à esquerda). No final das contas, isso ajuda a melhorar a imunidade e até a cicatrização. Ler ou ouvir histórias traz benefícios ao corpo e à mente infantis. Fim!
 

Crianças que leem para cães…

por: Equipe do Educar para Crescer

Estudo conclui que crianças que leem para cães
 desenvolvem melhor a leitura e a fala


…se beneficiam da atividade por não se sentirem julgadas ou pressionadas para acertar

Essa é a conclusão de um estudo feito pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que avaliou quanto os animais de estimação podem influenciar a familiaridade dos pequenos com as palavras. Durante a pesquisa, meninos e meninas foram incentivados a ler em voz alta para cachorros e, a cada semana, repetiam a tarefa, aumentando o tempo de leitura – que passou de dez para 20 minutos ao longo de quatro meses. “Após a experiência, houve melhora de até 30% na fluência verbal”, ressalta o veterinário Martin Smith, autor do trabalho. Os motivos para isso, no entanto, não foram completamente esclarecidos. “Sabemos que o ambiente tranquilo e a certeza de que o cão não vai julgar o desempenho da criança são fatores importantes, segundo elas próprias”, conta Smith.

• 75% das crianças que participaram da pesquisa passaram a ler com mais confiança após os testes

• 30 palavras por minuto foi quanto a velocidade de leitura aumentou

* Matéria de Lúcia Nascimento, originalmente publicada na edição de outubro de 2010 da revista Saúde!