sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Projeto Ler para Crer

 Parabenizo a iniciativa Professora Doutora Lídia Eugenia Cavalcante e aos alunos do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará.

Desejamos muita prosperidade ao Projeto Ler para Crer.
A marca visual do Ler Para Crer foi inspirada na história de “Dom Quixote”. E não poderia haver história melhor para ilustrar esse projeto que visa, acima de tudo, formar bons leitores. Afinal, Dom Quixote é um grande leitor que traz para a realidade os personagens da sua imaginação.

O Projeto Ler Para Crer surgiu com o objetivo de levar aos municípios cearenses a semente da leitura em forma de biblioteca. No ano de 2009 foram premiados três municípios cearenses para participar do Projeto: Aquiraz, Itaitinga e Redenção. Os municípios receberam dos professores da UFC dois dias de oficinas preparatórias para a implantação do Projeto. Após esse momento, surgiram as movimentações das comunidades para a criação das bibliotecas comunitárias como procura por espaço, doação de livros, participação de voluntários, dentre outros. A partir daí aos poucos a comunidade cria mecanismos para movimentar a biblioteca.

Aquiraz - Profª Lídia com bolsistas trabalhando no acervo
da Biblioteca da comunidade de Patacas
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O que é o Projeto:
Universidade Federal do Ceará / Departamento de Ciências da Informação
A/C Profª Dra. Lídia Eugênia Cavalcante - E-mail: lidia@ufc.br  - Fone: (85) 3366-7696 - Endereço e FAX: Av. da Universidade, 2853 - Benfica, CEP 60020-180, Fortaleza-Ceará-Brasil
http://projetolerparacrer.blogspot.com/

Aquiraz - Chegada do Projeto

Descrição Sumária:
O Projeto Ler para Crer - oficinas itinerantes para a implantação de bibliotecas investe na formação de mediadores de leitura da região e também na implantação de novas bibliotecas comunitárias em municípios cearenses.

Data/Início: 02/01/2009

Descrição:
O Projeto Ler para Crer - oficinas itinerantes para a implantação de bibliotecas desenvolve metodologias para a gestão participativa e formação de mediadores de leitura, mediante a implantação de bibliotecas comunitárias em municípios cearenses. Acontece atualmente em três municípios: Aquiraz, Redenção e Itaitinga. É um projeto do Departamento de Ciências da Informação, da Universidade Federal do Ceará, aprovado pelo Edital ProExt Cultura 2008 e conta com a participação de seis professores e uma equipe de aproximadamente 25 estudantes, entre bolsistas e voluntários.

Estudantes de Biblioteconomia da UFC e voluntárias

Justificativa:
Sabe-se que nos últimos anos muitas foram as iniciativas populares de criação de bibliotecas comunitárias no Brasil. Empiricamente ações individuais e coletivas vão se constituindo, visando o enfrentamento das dificuldades surgidas no cotidiano pela falta de acesso à informação e à leitura. De certa forma, é no compartilhamento das dificuldades enfrentadas que os moradores se unem para potencializar recurso, cultura, talento, criatividade e força política para o empoderamento comunitário. A criação de bibliotecas comunitárias é, portanto, movimento colaborativo de partilha e convivência entre seres plurais, de rica competência cultural e humana, para o combate à exclusão informacional. Mediante a constituição de acervos, com a face de cada um e o reconhecimento de que a leitura de livros, histórias, imagens, textos, sons e movimentos é capaz de transformar o cotidiano e a vida daqueles que vivem em comunidade, pode-se desenvolver mecanismos de combate às desigualdades sociais a partir da articulação local. Neste contexto, a presença da universidade, em suas vertentes técnicas, socioculturais e pedagógicas, pode contribuir no que tange ao desenvolvimento de metodologias para o aprimoramento das ações, principalmente com relação à elaboração e implementação de projetos a médio e a longo prazo. Em consonância com essas motivações comunitárias, surge o Projeto Ler para Crer, desenvolvido por professores e estudantes da UFC, com o intuito de fortalecer as iniciativas das comunidades, mediante competências metodológicas e técnicas acadêmicas e do potencial existente em cada localidade.

Objetivos:
- Desenvolver metodologias para a implantação de bibliotecas comunitárias, mediante movimento colaborativo e de gestão participativa dos indivíduos em suas comunidades, universidade e poder público municipal;
- Dar subsídio para a formação profissional dos estudantes do curso de Biblioteconomia, de modo a fortalecer o papel sociocultural do futuro bibliotecário junto à sociedade, ampliado as relações entre ensino, pesquisa e extensão;
- Capacitar os moradores de cada município atendido para tornarem-se mediadores de leitura, compreendendo o papel que a biblioteca comunitária deve exercer em relação à democratização do conhecimento e a formação cidadã do indivíduo e do grupo no qual está inserido.

Parte do acervo reunido nas bibliotecas após
trabalho de restauração e catalogação

Estratégias:
Todo o trabalho desenvolvido no projeto parte de metodologias geradoras de processo dinâmico para a realização das ações, mediante competências que vão se constituindo de modo reflexivo, articulado, político e técnico para o desenvolvimento local e em âmbito sociocultural. Em cada município, realizou-se seminário para sensibilização e explicação da metodologia do projeto, de três dias cada, com as comunidades e apoio das prefeituras locais. Após a realização dos encontros, democraticamente as comunidades se manifestavam sobre o interesse em implantar bibliotecas em suas localidades, discutindo possibilidade de espaços, formação dos acervos, reuniões entre os moradores e constituição de grupos de trabalho. A organização do acervo e a realização de atividades nas comunidades, para a efetiva implantação das bibliotecas, ocorreram por meio de mutirões. Semanalmente, agenda-se uma visita da equipe da Universidade Federal do Ceará, constituída por docentes e alunos do Curso de Biblioteconomia, com aproximadamente 15 pessoas, para cada uma das bibliotecas. Ao final de cada dia, contabilizara-se aproximadamente 300 livros prontos para o empréstimo e a formação dos colaboradores da biblioteca.

Parte do acervo reunido nas bibliotecas após
trabalho de restauração e catalogação

Público Alvo:
O Projeto é destinado a todos os moradores das comunidades onde encontra-se inserido, no caso, moradores dos municípios de Aquiraz, Itaitinga e Redenção no Estado do Ceará.

Beneficiados:1.500 pessoas.

Realizadores:
- Departamento de Ciências da Informação / Universidade Federal do Ceará.
- Moradores das comunidades atendidas.

Patrocinadores:
- ProExt - Edital 2008
- Pró-Reitoria de Extensão - Universidade Federal do Ceará
- Secretaria de Educação de Aquiraz - CE
- Secretaria de Cultura de Itaitinga - CE
- Secretaria de Cultura de Redenção - CE
- Parceiros Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.

Fonte: Projeto Ler para Crer

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Livros que puxam outras histórias

Cristiane Rogerio

Ler um livro é mesmo como puxar um novelo de lã. Mas eu penso mais como um novelo de lã que está amarrado a outro novelo, de outra cor, que por sua vez está enganchado em outro, e em outro, até ir nesse embalo para sempre.

Uma história puxa outra. A gente lê uma frase e lembra de outra em outro livro. Ou lembra de um livro do mesmo escritor ou ilustrador. E corre para a estante, doido de vontade de rir de novo ou emocionar-se com a releitura. É como ouvir uma boa música no rádio: você é pego pela memória que transporta você a outro momento da vida, ótimo para mergulhar na lembrança. Acontece comigo o tempo todo. E isso só é possível por termos referências. E as referências só ocorrem quando temos oportunidades.

Tive esta reflexão lendo o A Cicatriz, o novo livro do escritor Ilan Brenman, ilustrado pela Ionit Zilberman e lançado pela Companhia das Letrinhas. Ilan conta a história de uma menina que levou um tombo, preciso ir ao hospital levar pontos e, claro, ganhou uma bela de uma cicatriz. Poderia ser apenas um relato de cotidiano, mas por meio da cicatriz a menina descobre que outras pessoas que ela conhece também carregam cicatrizes e, que – lembrem-se todos! – cicatrizes são o quê??? HISTÓRIAS!

A gente tem por cultura dar peso às palavras. Minha mãe, por exemplo, não me deixava pronunciar nem a palavra “maldita”, nem a “inveja”. Cicatriz é uma destas que têm um peso pelo significado que nos carrega, nos transmite. A filha de um amigo meu ao invés de dizer “cicatriz” dizia “cicatriste”! A palavra vem da dor. Mas a dor traz também a história, a maturidade, a experiência. O mais bonito desse livro é ver a menina indo atrás das histórias das cicatrizes das pessoas e dar valor a isso. Porque uma história puxa outra, que puxa sentimento, puxa referência, opinião, conversa. É para isso que livro está entre nós. Para ficarmos juntos, o mundo todo, por suas histórias.

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

Livro é coisa de amigo, sim!

Personagens e histórias que falam sobre amizade e estimular a troca de livros entre as crianças: que jeito gostoso de homenagear o bom de ter um amigo


Cristiane Rogerio

Hoje, 20 de julho, é dia de amigo e, quando fui pensar em escrever a coluna só pude lembrar de histórias que nos relembram do gostoso que é ter amigos. O primeiro livro que me veio à mente foi Pedro e Tina (Ed. Brinque-Book), do australiano Stephen Michael King. Na história, duas crianças bem diferentes se unem pela amizade para “ensinar” um e outro como é possível vivermos de um jeito diferente.

Mas são tantas histórias! Bem, não poderia deixar de lembrar de O Menino Maluquinho (Ed. Melhoramentos), em que Ziraldo põe lá para nós uma turma de amigos inesquecível, que a gente nunca cansa de ler e esperar novas aventuras. Há também aqueles em que a amizade não nasce assim tão fácil, como em Eles que Não se Amavam (Ed. Nova Fronteira), texto de Celso Sisto e ilustrações de André Neves. Nesta emocionante história, Alberto e Bernardo são dois meninos que simplesmente se odiavam. Tudo que um gostava, o outro desgostava. A situação era tão feia que a turma toda tinha que se dividir: ou ficava amigo de um, ou de outro. E a raiva foi crescendo, crescendo, crescendo até que tudo foi destruído. E, diante desse extremo – só depois de tudo acontecido – eles decidem fazer as pazes. O livro, claro, põe em questionamento: poderiam ter resolvido tudo antes? E, pela metáfora do exagero, já nos dá um toque sutil sobre até onde devemos levar as nossas discussões ou desavenças.

Eu adoro um bem recente que se chama Matias Quer um Amigo (Larousse Júnior) e tem texto e ilustrações da pernambucana Elma. Ela conta a história de uma toupeira que sai pela floresta na certeza de encontrar um ‘verdadeiro amigo’. Vai perguntando de bicho em bicho e, nas andanças, descobre o valor da amizade.

Enfim, são somente inspirações. Mesmo porque, amigo é coisa de a gente homenagear todos os dias. E compartilhar leituras pode ser uma maneira muito criativa e saudável de fazer. Eu aqui adoro contar para todos cada livro incrível que chega ou que eu encontro. Dou de presente, empresto. É minha forma de carinhar. A gente pode também estimular esse hábito nas crianças. Compartilhar livro é compartilhar emoção, uma forma de dizer que ama, que se importa. Feliz dias dos amigos! Sempre.

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Biblioterapia pode ser mais eficaz que antidepressivo

Hélio schwartsman
Articulista da folha

Livros de autoajuda na área médica vendem horrores por uma razão muito simples: eles funcionam.


Num trabalho publicado em 2004 no periódico "Psychological Medicine", Peter den Boer e seus colegas da Universidade de Gronigen, na Holanda, compararam vários estudos que avaliaram a eficácia de livros de autoajuda (biblioterapia) em casos clínicos de ansiedade e depressão.

Concluíram que a biblioterapia é significativamente mais eficaz do que placebos ou inclusão em lista de espera para terapia, e praticamente tão eficaz quanto tratamentos curtos ministrados por um profissional. Ainda mais interessante, ela se mostrou medianamente mais eficaz do que o uso de antidepressivos.

Esses resultados estão em linha com o que foi apurado em outras metanálises feitas principalmente nos anos 90, e também com as conclusões de uma força-tarefa que a Associação Psicológica Americana (APA) montou em fins dos anos 80.

Antes, porém, de trocar seu psiquiatra (R$ 400 a sessão) e seu Prozac (R$ 145 a caixa com 28 cápsulas) por um livro (R$ 19,90 o exemplar de 'Como Curar a Depressão', Ed. Sextante), convém fazer algumas ponderações sobre esses achados.

Parte do efeito positivo da biblioterapia pode ser atribuído a um viés de seleção. Deprimidos que buscam ativamente uma mudança de comportamento -ou seja, aqueles que compram os livros- são melhores candidatos à cura do que os pacientes que sucumbiram à apatia.

Outro problema é que os estudos de eficácia normalmente avaliam obras de boa qualidade, escritas por profissionais gabaritados. Essa, evidentemente, não é a regra num mercado que lança milhares de títulos por ano.

E, como os remédios, livros errados envolvem alguns riscos. Num trabalho publicado em 2008 em 'Professional Psychology', Richard Redding e colegas avaliaram 50 obras de alta vendagem nos EUA relativas a transtornos de ansiedade, depressão e trauma.

Como era de esperar, a qualidade e os problemas variam muito. Há desde aqueles livros que apenas esquecem de avisar que o tratamento pode falhar (50% dos títulos) até os que dão conselhos capazes de provocar efeitos adversos (18%).

A boa notícia é que, prestando atenção a alguns poucos itens, como se o autor é um profissional de saúde mental e se tem títulos acadêmicos, é possível fugir das piores arapucas. Em princípio, essa regra deve valer também para o Brasil.

Ressalvas à parte, a literatura médica de autoajuda é um fenômeno que deveria ser olhado com mais carinho por profissionais e autoridades. Ela tende a funcionar ao menos em alguns casos, permite atingir grandes populações, e apresenta a melhor relação custo-benefício.

Matéria publicada em 31/08/2010

Projeto de leitura abre nova biblioteca

DIADEMA - O sucesso do programa cultural e voltado ao incentivo de leitura tem sido tão expressivo e atraído tantas empresas que mais uma companhia acaba de receber o projeto 'Leitura nas Fábricas'. Os funcionários da empresa Apis Delta terão, a partir desta terça-feira (31), um importante acervo de livros que ficará disponível para os empregados.

Realizado pela Prefeitura de Diadema e o Ministério da Cultura, o projeto também conta com o envolvimento de sindicatos e empresas. A iniciativa tenta incentivar no trabalhador o hábito da leitura, e o Ministério da Cultura já investiu cerca de R$ 200 mil para a realização do projeto.

A prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, cuida da implantação e acompanhamento, como a formação dos agentes de leitura, que são indicados entre os trabalhadores. As indústrias cadastradas foram encaminhadas ao projeto por meio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Os Sindicatos dos Químicos do ABC e Construção Civil também participam da iniciativa. Estarão presentes na abertura da nova biblioteca o prefeito de Diadema, a secretária municipal de Cultura e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sergio Nobre, entidade parceira do programa. A primeira biblioteca foi entregue aos trabalhadores no dia 28 de julho, na fábrica IGP, também no município. Ao todo, dez fábricas já aderiram ao programa nesta primeira etapa.

Kits

Para compor o projeto e organizar a biblioteca, cada entidade recebeu um kit com cerca de 650 livros, que envolvia ainda duas estantes e outros móveis para organizar de maneira a oferecer algum conforto aos usuários dos espaços. Segundo os organizadores, além dos livros e das estantes, o kit envolve também uma mesa, uma cadeira, três puffs, um computador completo e uma impressora. Farão parte deste acervo, exemplares de literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, além de DVDs, livros didáticos e enciclopédias, entre outros.

Nesta etapa, dez fábricas aderiram ao projeto. São elas: a Apis Delta, Delga, IGP, Autometal, além da Legas, Grupo Papaiz, Uniforja, e também a TRW, Uniferco e a Metalpart.

Em cada empresa foi implantado um ponto de leitura, onde o trabalhador terá à sua disposição uma "minibiblioteca" em seu local de trabalho.

Expectativa

A expectativa é que nesta fase o programa atenda mais de 20 mil pessoas, entre trabalhadores e familiares, com acesso ao acervo para leitura e empréstimo. As outras fábricas terão seus pontos de leitura inaugurados até o fim do ano. Dezoito funcionários das primeiras dez empresas parceiras passaram por processo de capacitação que começou em 17 de maio no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Os futuros agentes de leitura foram escolhidos com o interesse pessoal para se tornarem orientadores dos pontos de leitura em seus ambientes de trabalho. Nas aulas de capacitação, os agentes receberam orientação sobre a organização do acervo que as fábricas irão receber, de como atender os companheiros que farão uso do espaço e como despertar o interesse pela leitura. Cada empresa indicou datas de instalação, inauguração e horários de funcionamento do ponto de leitura.

Fonte: DCI