terça-feira, 3 de agosto de 2010

Contadores de histórias encantam gerações e incentivam a leitura

Ana Clara Brant  Publicação: 22/06/2010

“Certa palavra dorme na sombra de um livro raro. Como desencantá-la? É a senha da vida, a senha do mundo. Vou procurá-la. Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo. Se tarda o encontro, se não a encontro, não desanimo, procuro sempre…”Palavra mágica, poema de Carlos Drummond de Andrade, trata do poder e da magia que a palavra, o grande instrumento dos poetas, exerce.

Tino Freitas, do Roedores de Livro:
mercado de contadores está crescendo

Seja na forma escrita, falada, jamais podemos subestimá-la. Um dos ofícios mais antigos de que se têm notícia, os contadores de história(1) sabem como ninguém desse fascínio. E é através dela, da palavra, que eles vêm encantando gerações. “Além de você exercitar o prazer de ouvir, ainda mais nesse mundo tão conturbado em que vivemos, onde quase não há espaço para se escutar, a gente ainda consegue dar ênfase ao valor da palavra. O contador resgata esse ouvir e esse falar. Quando conto uma história, tento potencializar cada pessoa a contar depois a sua história. A gente faz com que o indivíduo se exponha à criação e deixe-se transformar por esse jogo”, ressalta Elisete Teixeira, atriz e uma das precursoras na arte de contar histórias em Brasília.

Contadores de história. - (Clara Rosa/Divulgação)

Se antigamente as histórias eram contadas somente pelos pais e avós na cabeceira da cama ou ao redor de uma fogueira, hoje, o contador se tornou uma profissão e está presente nas escolas, shoppings, praças, hospitais e feiras. A essência de narrar não mudou, mas muitos grupos se valem de outras técnicas como o teatro, os bonecos e a música para dar uma incrementada nas fábulas, contos e lendas.

Contadores de história. - (Clara Rosa/Divulgação)

As meninas do Tagarelas, por exemplo, grupo criado há 15 anos por Miriam Rocha e Simone Carneiro, apresentam as histórias utilizando recursos como fantoches, avental chinês, instrumentos musicais e painéis, e acreditam que eles ajudam a dar mais dinâmica e a estimular a imaginação de quem está ouvindo. “São artifícios que os contadores têm na hora de narrar. Mas a base é a oralidade mesmo. Percebo que há uma carência não só nas crianças, mas nos adultos em estar ouvindo histórias. Além do mais, sentimos a necessidade de resgatar as histórias infantis, que vêm sendo atropeladas por uma onda tecnológica onde as crianças se fecham em um mundo individualista”, acredita Miriam.

Contadores de história do Grupo Tagarelas - (Léo Carvalho/Divulgação)

Já a contadora e escritora Clara Rosa afirma que a meninada do século 21 gosta sim dessa onda high tech, mas não deixa, jamais, de ser criança. “Contar histórias é uma arte, uma magia que encanta qualquer um. Mesmo com a tecnologia, o videogame, o computador, a criança não deixa nunca de se sentir atraída pela contação, porque ela se transporta para um outro mundo, viaja para um universo que é só dela, que ela fantasiou. E o mais interessante é que isso não fica restrito aos pequenos. Gente de todas as idades se deixa seduzir pela contação de histórias”, opina ela, que organiza a cada dois meses um sarau na Biblioteca Demonstrativa de Brasília com vários contadores de histórias da cidade e um convidado de fora. “Nossa intenção agora é realizar um Festival Internacional de Contadores de História em Brasília, algo que nunca teve por aqui”, espera.

Crianças assistem ao grupo de contadores de histórias
 Matrakaberta, no Boulevard Shopping
 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Para Tino Freitas, do Roedores de Livro, um dos grupos do ramo mais conhecidos na cidade, quando se conta histórias com paixão, independentemente da forma que for, o ganho pessoal acontece antes da apresentação, quando o contador — que, segundo ele, deve ser antes de tudo um bom leitor — mergulha nos livros, na cultura do mundo, para escolher o que vai contar para o outro. “Aí, acontece a outra mágica, que é dividir com o outro essas histórias, o prazer de conhecê-las, a alegria de contá-las e, quem sabe, incentivando-o a contar a outro também, independente da forma”, destaca.

Tradição oral

Os contadores de histórias têm suas origens na tradição oral, pois o conhecimento era transmitido verbalmente de uma geração para outra; graças à oralidade, as sociedades antigas foram preservadas. Na década de 1970, nos Estados Unidos, muitos narradores tornaram-se profissionais da literatura oral. Um resultado disso foi a criação da National Association for the Perpetuation and Preservation of Storytelling (NAPPS), agora National Storytelling Network (Rede Nacional de Literatura Oral), que auxilia a angariar recursos para narradores e organizadores de festivais.

Resgate de tradições

Um dos principais benefícios proporcionados pela arte de contar histórias é o estímulo à leitura e o resgate de narrativas e personagens dos tempos da carochinha. O músico Marcelo Tibúrcio e a esposa, a pedagoga e professora Adriana de Oliveira Maciel, criaram o grupo Matrakaberta, de Taguatinga, que segue bem a linha tradicional dessa manifestação artística. “Fazemos um trabalho de incentivo à nossa cultura, ao nosso folclore. As crianças conhecem o Mickey, o Tarzan, a Bela Adormecida, mas não sabem quem é o caipora, o saci, a burrinha. Por isso a gente tenta resgatar essa tradição dos nossos avós. O nosso modo de contar é bem próximo do tradicional”, comenta Marcelo.

Crianças assistem ao grupo de contadores de histórias
Matrakaberta, no Boulevard Shopping
 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Para Adriana, o contador tem um papel fundamental na formação das crianças, pois, por meio da maneira que narra, vai despertar ou não a curiosidade delas. “Através da contação de histórias, a gente pretende incentivar a imaginação e a expressão criativa, além do gosto pela leitura. O ser humano, por natureza, gosta de imaginar. Está na sua essência, principalmente da criança. A nossa função é estimular esse terceiro olho também”, destaca a contadora do Matrakaberta que se apresenta gratuitamente no projeto Hora Animada, do Boulevard Shopping, todos os sábados à tarde.

Performance

Mesmo com um número razoável de grupos, Brasília ainda engatinha na contação de histórias, se comparada aos grandes centros do país, como Rio e São Paulo. A cidade ainda carece de espaços e, sobretudo, divulgação. Tino Freitas, do Roedores de Livro, revela que sente que o mercado está crescendo por aqui, embora isso esteja muito restrito ao público infantil. “Há algumas pessoas que se destacam pela performance ou por estar há mais tempo em atividade. Mas ainda cabe ousar no repertório e valorizar o cachê. Acredito que, se alguém se aventurar a contar histórias com paixão e talento para adultos, encontrará um público extenso e atento. É uma área ainda pouco enveredada por aqui. Mas fica o recado: o público, mesmo infantil, tem que ser tratado com inteligência e respeito”, defende.

Contadores de história. Juliana e Tino Freitas (Ana Paula Bernardes/Divulgação)

Aldanei Menegaz, do grupo Eu Vou te Contar, está desenvolvendo uma dissetação de mestrado em que traça um panorama dos contadores de história no Distrito Federal e diz que está se surpreendendo com o número de pessoas, principalmente, de professores que querem aprender esse ofício.

Para saber mais







Casa do Saber democratiza a leitura

Prestes a completar três anos, o projeto já implantou 73 bibliotecas e atende atualmente 160 mil pessoas no DF

Publicação: 17/06/2010

Todos os dias, a moradora da Estrutural Jennifer Oliveira, 6 anos, espera ansiosa pela hora de ir à Escola Classe do Setor Residencial Indústria e Abastecimento (SRIA). Lá, a garota começa a se familiarizar com o alfabeto para aprender a ler. Durante o intervalo, pula corda com as amigas. Quando chega a hora das atividades interdisciplinares, a aluna do 1º ano do ensino fundamental mergulha em páginas com desenhos e figuras coloridas. As ilustrações que ajudam o processo de alfabetização da menina ficam nos livros da biblioteca da instituição, montada pelo projeto Casa do Saber, patrocinado pela Rede Gasol.

O programa leva conhecimento a comunidades carentes e a detentos do Distrito Federal. O Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda ganhou ontem uma unidade do projeto com 5 mil livros. O espaço atenderá os 1,5 mil internos e também os servidores do local. Das 73 bibliotecas, 10 atendem detentos. “Mudamos o comportamento no Presídio Feminino do Gama”, orgulha-se o gestor do projeto, Antônio Matias. A meta é inserir salas como essas em todo o sistema penitenciário do DF.

Segundo ele, a ideia da Casa do Saber surgiu a partir de uma campanha de arrecadação de livros promovida por funcionários da Gasol. Depois de recolhido, o material era doado para a Secretaria de Educação. “Percebemos que o destino final não estava sendo cumprido e decidimos mudar”, relembra Matias. Foi assim que o projeto avançou, passando da doação de publicações para a construção de bibliotecas. “Mas não é só montar uma sala. Precisamos de técnicas para fazer a iniciativa dar certo”, explica.

Com o apoio da Associação dos Bibliotecários do DF e de outras entidades, a iniciativa completa três anos em agosto. A primeira Casa do Saber foi inaugurada em uma escola pública do Lago Oeste. O acervo da biblioteca chega hoje a 16 mil livros. “Na semana passada, fui até lá e vi 25 alunos usufruindo do espaço. Também notei que vários livros estavam emprestados”, relata. Segundo Matias, hoje, aproximadamente 160 mil pessoas são atendidas pelo programa.

Educação

A diretora da Escola Classe do SRIA, Consuelo Cintra, acredita que a biblioteca do local, batizada de Casa dos Sonhos pelos próprios estudantes, trouxe melhorias para o ensino dos 165 alunos da instituição. “Os professores ganharam um lugar para contar histórias e realizar outras atividades”, explica. Consuelo conta que, antes da inauguração da Casa do Saber, a sala de leitura do colégio funcionava de forma precária. “Não havia nem mesas e tínhamos poucos livros. Agora, conseguimos enriquecer o nosso acervo”, justifica.

Há, no espaço, livros didáticos e de literatura infantil. A presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, a coordenadora técnica do projeto, Iza Antunes, conta que antes de idealizar uma nova unidade, a equipe analisa o perfil dos futuros usuários e define as obras mais indicadas àquele público. A instituição beneficiada precisa somente ter o espaço livre e disponiblizar um funcionário para administrar o local. De acordo com ela, a Gasol promove cursos de capacitação para os interessados em atuar na área, com aulas ministradas por profissionais da associação.

“Nunca compramos um livro. O acervo é todo formado por doações”, conta Matias. O coordenador operacional do projeto, Rivelino Braga, calcula que aproximadamente 20 mil livros sejam arrecadados por mês somente no DF. As cidades de Cascavel (CE) e Impertariz (MA) também já ganharam unidade do projeto. Além disso, a Casa do Saber enviou 20 mil publicações para Angola. “Pretendemos integrar o material todo em uma mesma rede”, adianta Rivelino.

O projeto em números
73
número de bibliotecas
10
bibliotecas em presídios do DF
1,6 milhão
Quantidade total de livros
160 mil
Pessoas atendidas por mês

FAÇA SUA PARTE
A Casa do Saber precisa atualmente de livros infantis, mas publicações de outros assuntos também são bem-vindas. As doações podem ser feitas nos postos de combustíveis da Rede Gasol.

A equipe do projeto também busca o material no local determinado pelo doador mediante agendamento pelo telefone: 0800 61 4553.

"O Poder de Transformação da Leitura" - Veja exemplos de redações que receberam nota máxima no Enem 2006

Redação 1
Ler para compreender

Vivemos na era em que para nos inserir no mundo profissional devemos portar de boa formação e informação. Nada melhor para obtê-las do que sendo leitor assíduo, quem pratica a leitura está fazendo o mesmo com a consciência, o raciocínio e a visão crítica.

A leitura tem a capacidade de influenciar nosso modo de agir, pensar e falar. Com a sua prática freqüente, tudo isso é expresso de forma clara e objetiva. Pessoas que não possuem esse hábito ficam presas a gestos e formas rudimentares de comunicação.

Isso tudo é comprovado por meio de pesquisar as quais revelam que, na maioria dos casos, pessoas com ativa participação no mundo das palavras possuem um bom acervo léxico e, por isso, entram mais fácil no mercado de trabalho ocupando cargos de diretoria.

Porém, conter um bom vocabulário não torna-se (sic) o único meio de “vencer na vida”. É preciso ler e compreender para poder opinar, criticar e modificar situações.

Diante de tudo isso, sabe-se que o mundo da leitura pode transformar, enriquecer culturalmente e socialmente o ser humano. Não podemos compreender e sermos compreendidos sem sabermos utilizar a comunicação de forma correta e, portanto, torna-se indispensável a intimidade com a leitura.

Redação 2
Quadro Negro

Se para Monteiro Lobato um país se faz de homens e livros, para os governantes diferente não poderia ser. O papel da leitura na formação de um indivíduo é de notória importância. Basta-nos observar a relevância da escrita até mesmo na marcação histórica do homem, que destaca, por tal motivo, a pré-história.

Em uma esfera mais prática, pode-se perceber que nenhum grande pensador fez-se uma exceção e não deixou seu legado através da escrita, dos seus livros, das anotações. Exemplos não são escassos: de Aristóteles a Nietzsche, de Newton a Ohm, sejam pergaminhos fossilizados ou produções da imprensa de Gutenberg, muito devemos a esses escritos. Desta forma, iniciarmos o nosso processo de transformação adquirindo tamanha produção intelectual que nos é disponibilizada.

A aquisição de idéias pelo ser humano apresenta um grande efeito colateral: a reflexão. A leitura é capaz de nos oferecer o poder de questionar, sendo a mesma freqüente em nossas vidas. Outrossim, é impossível que a nossa visão do mundo ao redor não se modifique com essa capacidade adquirida.

Embora a questão e a dúvida sejam de extrema importância a um ser pensante, precisam ter um curto prazo de validade. A necessidade de resposta nos é intrínseca e gera novas idéias, fechando, assim, um círculo vicioso, o qual nos integra e nunca terminamos de transformar e sermos transformados.

A leitura é a base para o desenvolvimento e a integração na sociedade e na vida, porquanto viver não é apenas respirar. Se Descartes estiver certo, é preciso pensar. Pensando, poderemos mudar o quadro negro do país e construir o Brasil de Monteiro Lobato: quadro negro apenas na sala de aula, repleto de idéias, pensamentos, autores, repleto de transformação e de vida.

Redação 3
Quando o sol da cultura está baixo, até os mais ínfimos seres emitem luz

Marcel Proust, grande escritor e exemplo máximo de uma vida dedicada unicamente à leitura e à literatura, disse em seus escritos “cada leitor, quando lê, é um leitor de si mesmo”. O que Proust evidencia nessa frase deixa em aberto uma série de interpretações que podem ser realizadas a partir do hábito entusiástico e não visto como uma obrigação, pela leitura.

Estar em contato com o universo das palavras e nele encontrar uma atividade prazerosa, ao mesmo tempo que nos leva a absorver todo o conhecimento exterior, também nos conduz a uma busca de tudo que representa algo de nós mesmos nesse conhecimento que chega até nós. Em cada nova leitura, ocorre algo semelhante a uma lapidação de nossos desejos e predileções.

Os livros constituem um tipo de transporte de conhecimento diferente da televisão por exemplo, onde as informações são transmitidas a todo o momento, e para tal, só precisa de nossa permissão para a passagem de suas imagens através de nosso córtex. O nível de saber que podemos extrair de um livro possui o mesmo limite de nossa vontade de fazê-lo. E, ao contrário das informações “prontas” da televisão, temos a total liberdade de interpretação, o que confere o aperfeiçoamento de nosso senso crítico e o melhoramento de como nos posicionamos diante do mundo.

O hábito da leitura não possui caráter elitista e nem está associado ao poder aquisitivo. Em qualquer cidade, por menor que seja, há uma biblioteca, basta que tenhamos interesse em desvendar todo o mistério contido nela. Ao ler, nos tornamos mais cultos, mais seguros de nossas convicções, nos expressamos e escrevemos melhor. Medidas públicas devem ser realizadas para garantir essa acessibilidade e assim, seus respectivos países possam brilhar, iluminados pelo sol da cultura.

Redação 4
Benefícios da leitura

Como a leitura pode transformação nossa realidade? A leitura é extremamente importante, não apenas por ser fundamental em nossa formação intelectual, mas também por permitir a todos um acesso a um mundo de informações, idéias e sonhos. Sim, pois ler é ampliar horizontes e deixar que a imaginação desenhe situações e lugares desconhecidos e isto é um direito de todos.

A leitura permite ao homem se comunicar, aprender e até mesmo desenvolver, trabalhar suas dificuldades. Em reportagem recente, uma grande revista de circulação nacional atribuiu à leitura, a importância de agente fundamental para a transformação social do nosso país. Através do conhecimento da língua, todos tem (sic) acesso à informação e são capazes de emitir uma opinião sobre os acontecimentos. Ter opinião é cidadania e essa parte pode ser a grande transformação social do Brasil.

Os benefícios da leitura são cientificamente comprovados. Pesquisas indicam que crianças que tem (sic) o hábito da leitura incentivado durante toda a vida escolar desenvolvem seu senso crítico e mantém seu rendimento escolar em um nível alto. O analfabetismo, um dos grandes obstáculos da educação no Brasil está sendo combatido com a educação de jovens e adultos, mas a tecnologia está afastando nossas crianças dos livros.

Permitir a uma criança sonhar com uma aventura pela selva ou imaginar uma incrível viagem espacial são algumas das mágicas da leitura. Ler amplia nosso conhecimento, desenvolve a nossa criatividade e nos desperta para um mundo de palavras e com elas construímos o que gostamos, o que queremos e o que sonhamos.

Portanto, garantir a todos o acesso à leitura deve ser uma política de Estado, mas cabe a nós dedicarmos um tempo do nosso dia a um bom livro, incentivar nossos amigos, filhos ou irmãos a se apegarem à leitura e acima de tudo utilizar nosso conhecimento para fazer de nossa cidade, estado ou país, um lugar melhor para se viver.

A leitura é uma viagem sem precisar sair do lugar!

Já imaginou viajar através dos sete mares num tapete voador como do Aladin? Ou ainda conhecer de perto os detalhes do casa de João e Maria? E descobrir cores então? Animais exóticos nunca vistos antes? E colocar a imaginação para trabalhar com histórias ou fábulas mirabolantes de magos e feiticeiros que existem na vida de Harry Potter e da Bella? Essas viagens são possíveis e enriquecem a vida de todas as crianças através dos livros. Isso sem falar que une pais e filhos, quando os pequenos ainda não sabem ler. Além disso, um leitor não nasce, se faz já diz o ditado. É que uma pessoa só será uma leitora de fato se for estimulada a ter prazer com a leitura, e isso deve começar bem cedo. Por isso até para cada idade ou momento da vida existe um livro diferente e oportuno, que proporcionará a aventura chamada imaginação.


Só para se ter uma idéia, para ajudar a garotada sorocabana a viajar com a imaginação, várias escolas municipais da cidade contam com bibliotecas que disponibilizam livros didáticos e recomendados. E quando esses livros não são suficientes aos pequenos aventureiros, entra em cena a Biblioteca Infantil Municipal, no Centro. É lá que estão mais de 19 mil livros à disposição da criançada. O administrador da biblioteca, José Rubens Incao, destaca: 40% do total é voltado aos leitores até 12 anos, o restante está à disposição dos adolescentes. A leitura deve ser prazerosa, mais que pedagógica. Mais do que aprender, o leitor deve se divertir lendo. Os livros são fontes inesgotáveis de aventuras, sabedoria, ensinamentos e não devem nunca ficar na estante, ensina Incao, que garante: esse estímulo deve ser iniciado em casa, pelos papais e mamães.

Para as crianças os livros são convites para ‘ficar junto. É uma forma de estar com os pais, de viajar junto por fábulas, contos de fadas, de aprender em companhia, fala ele, lembrando que é possível viajar mesmo quando o aventureiro não conhece as letras; é nesse momento que os papais e as mamães devem ler o livro escolhido. E como para cada idade existe a aventura na medida certa, há livros que explicam o mundo, a sociedade, falam sobre a diversidade e a importância do respeito, argumenta o administrador. Por isso na biblioteca infantil tem uma gibiteca inteira esperando pelos pequenos leitores, assim como livros clássicos, como A lebre e a tartaruga, ou novos, como a série do Harry Potter ou Crepúsculo, super concorridos pelos adolescentes. Os livros possibilitam sair do cotidiano, de viajar por contos de fadas. Para essas aventuras, bons escritores e ilustradores brasileiros é o que não faltam aqui, convida ele a uma visita à biblioteca.

TOP 10 DA BIBLIOTECA INFANTIL

Confira quais são os 10 livros mais lidos e recomendados pela Biblioteca Infantil de Sorocaba:

1) A lebre e a tartaruga - de Becky Bloom;

2) De avestruz a zebra - de Maiti Frank Carril;

3) Dez Sacizinhos - de Tatiana Belinky;

4) Dilermano Constantino Albuquerque Raposo, o morador misterioso - de Lilian Sypriano;

5) Maria Dengosa - de Luiz Raul Machado;

6) Não existe dor gostosa - de Ricardo Azevedo;

7) O pato poliglota - de Ronaldo Simões Coelho;

8) Todo mundo vai ao circo - de Gilles Eduar;

9) Um caldeirão de Poemas - de Tatiana Belinky;

10) Um número depois do outro - de José Paulo Paes e Kiko Farkas;

Júlia Guimarães de Moraes, de 4 anos, adora
as histórias das princesas Ariel e Branca de Neve

Você vai ficar de fora?

O clubinho de sócios da Biblioteca Infantil de Sorocaba já soma 5 mil integrantes. E você pode ser um deles. Para ser um sócio não é preciso pagar nada. Basta levar um documento de identidade (RG ou Certidão de Nascimento), mais um comprovante de endereço (uma conta de água ou de energia). Se a carteirinha for feita no nome da criança, é preciso que esteja acompanhada dos pais ou responsáveis. A Biblioteca Infantil de Sorocaba fica na rua da Penha, 681, no Centro, abre de segunda a sexta-feira das 8h às 17h e nos finais de semana ainda tem eventos, como curso de dobraduras ou apresentações circenses. Informações: (15) 3231.5723.

Matéria publicada em 01/08/2010

Professores devem ser incluídos em programas de leitura

Secretária do MEC defende idéia para sanar as dificuldades de leitura e escrita dos estudantes brasileiros

Priscilla Borges 22/07/2010

Os últimos dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e da Prova Brasil, divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que os estudantes brasileiros possuem dificuldades em ler e escrever, que persistem até o fim da educação básica. As notas obtidas pelos jovens em língua portuguesa e redação – em escolas públicas e privadas – são mais baixas que as de matemática ou ciências, por exemplo.

Mudar essa realidade, na opinião da secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, exige posturas diferentes não só dos alunos. Os professores precisam ser os grandes alvos das políticas de incentivo à leitura. “O problema é que as pessoas lêem pouco. As famílias da maioria dos brasileiros não são letradas e escolarizadas. Por isso, o hábito de leitura tem de ser desenvolvido pela escola. Inclusive o professor deve ser incentivado”, ressalta.

Pilar conta que, em reunião com 1,5 mil professores da cidade de Florianópolis nesta semana, ela fez um teste para checar a escolaridade deles e das famílias. Perguntou a todos, durante a palestra, quantos tinham curso superior. Ela diz que 98% levantaram a mão em resposta afirmativa. Depois, ela perguntou quantos tinham pais e mães com diploma de ensino médio. Dez por cento responderam afirmativamente. Por fim, perguntou a mesma coisa sobre os avós. Nenhum deles levantou a mão.

“O curso superior representa um salto gigantesco para essas pessoas. Mas elas também não foram criadas com hábitos de leitura. Por isso, investimos esse ano em um programa para criar bibliotecas para os professores. Queremos que cada biblioteca escolar tenha uma estante dedicada ao professor. O sucesso dos estudantes depende de um projeto consistente, que envolva toda a escola e induza até o professor a ler”, destaca.

Para a secretária, a Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa também pode contribuir muito para o aprendizado dos alunos na área. Além de estimular os jovens a ler, o evento faz com que os participantes aprimorem a escrita. “No ensino médio, os estudantes precisam saber argumentar para escrever. Elaboramos um jogo em que os professores e os alunos trabalham essa argumentação. Os professores recebem formação para ajudá-los”, diz.

Segundo Pilar, a leitura de estudantes e professores deve mesclar títulos clássicos da literatura com obras contemporâneas, quadrinhos, revistas, jornais e internet. O professor precisa ser o mediador entre os estudantes e as milhares de informações disponíveis atualmente.

“O papel do professor é mostrar para o aluno que os códigos que ele usa para conversar com amigos em ambientes virtuais, por exemplo, não pode ser usado em uma prova. Ele não pode ignorar essa parte da vida do aluno. Ele deve usar essas ferramentas de maneira transformadora. Por isso temos de qualificar o professor”, sentencia.