terça-feira, 29 de junho de 2010

Cobrador monta biblioteca itinerante em ônibus de Brasília

Acervo com 4.000 títulos foi montado a partir de doações. Passageiros podem retirar livros de graça.

Com a ajuda de doações, o cobrador Antonio Conceição Ferreira montou uma biblioteca itinerante em Brasília dentro do ônibus onde trabalha.

Os passageiros podem retirar os livros de graça para ler durante a viagem ou levá-los para casa.

No início, Antonio ficou com medo de fixar o porta-livros no ônibus. Achou que alguém até podia reclamar, mas a biblioteca itinerante já tem quase um ano e até agora só recebeu elogios.

“Às vezes, estou em pé, o ônibus lotado, e, ainda assim, dá um tempinho, pego o livro, abro, continuo lendo e o tempo passa mais rápido”, diz Adriana Leandro, operadora de telemarketing.

Quem lê anota o nome numa ficha e devolve o livro quando quiser. "Não cobro nada. É só apenas o incentivo à leitura para que o trabalhador tenha um poder crítico e incentive o seu filho no caminho da educação”, afirma Antonio.

Acervo

O acervo fica guardado num quartinho alugado do outro lado da rua onde ele mora. São pilhas e pilhas de livros e revistas: 4.000 títulos que valem mais do que o salário de R$569 dele.

“A minha idéia começou eu colocando o livro em cima da caixa do cobrador. O passageiro passava olhando, via o título”, conta Antonio. “Aí, teve uma passageira que ficou olhando e perguntou: ‘Cobrador, o senhor gosta de ler?’ Falei: ‘Gosto’.” E, a partir de então, ele começou a receber doações.

“Só educação que dá uma vida melhor para o ser humano”, diz o cobrador, que nasceu no interior do Maranhão e mora no Distrito Federal num quarto e sala no fundo de um terreno com a mulher e dois filhos.

Fonte: G1

Livros de graça nas ruas

Iniciativa de professora e 30 alunos do Instituto Coração de Jesus de abandonar obras literárias em espaços da Praça da Estação, no Centro da capital, encanta trabalhadores

Daniel Antunes - Estado de Minas
Publicação: 24/04/2010


Cláudio Roberto, gari que achou livro no banco da praça:
"Não sou muito de leitura, mas achei esse livro interessante"

A manhã de sexta-feira foi atípica para muita gente que saiu para trabalhar e passou pela Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. A iniciativa de uma professora de inglês deixou surpresos os pedestres, que encontraram durante o trajeto livros espalhados nos bancos, telefones públicos, nas escadarias do metrô e no chão da praça. O objetivo da educadora Eliene de Souza, 26 anos, e dos 30 alunos da 5ª série do Instituto Coração de Jesus, do Bairro Nova Suíssa, na Região Oeste da capital, era despertar a atenção da população para a importância da leitura no cotidiano. O projeto “Leave a Book!” (abandone um livro) foi inspirado num modelo de troca de livros nos Estados Unidos, conhecido como Bookcrossing, uma prática de deixar um livro num local público para que outros o encontrem, leiam e voltem a abandoná-lo em algum lugar e assim sucessivamente.

Dentro de cada livro, foi deixado um bilhete, informando ao leitor que poderia levá-lo para casa. Colocamos também um endereço de e-mail, para que o leitor pudesse comentar sobre o livro e o projeto. Também, em cada livro, o estudante deixou escrito o motivo da indicação. Na pesquisa que fizemos com os alunos, descobrimos que o método de indicar livro é dos mais eficientes para o incentivo da leitura”, comentou a professora Eliene de Souza.

A auxiliar administrativa Elizete Ferreira de Oliveira, de 21 anos, olhou com desconfiança, pensou em parar, seguiu adiante, mas acabou voltando. Encontrou na escadaria da estação do metrô, na Praça da Estação, um livro infantil que narra a história de uma menina, que aprende de forma descontraída a importância da família. Pensou nos dois filhos ainda pequenos que gostam de ler e acabou pegando o material, e depois de folhear, colocou-o na bolsa e seguiu adiante para o trabalho. “No início, fiquei surpresa, achei que alguém havia perdido o livro, mas, como dono não apareceu, resolvi levar para casa. Depois quero indicá-lo para outras pessoas. É uma ideia muito inteligente, que tem tudo para dar certo e atrair mais pessoas para essa diversão que é a leitura”, comentou.

DESCANSO

A poucos metros, o gari Cláudio Roberto, de 36 anos, sentava num dos bancos da Praça da Estação para descansar. Era mais um dia de trabalho exaustivo debaixo do forte calor. No assento, achou um livro que conta a história de um menino e seus amigos que disputam as ruas do bairro com uma turma adversária. Olhou para os lados e, como não encontrou o dono do livro, acabou aproveitando o momento de descanso para ler. “Não sou muito de leitura, mas achei esse livro interessante”, afirmou.

O ritmo frenético do dia a dia da promotora de vendas Dulcinéia Gregório, de 37, foi interrompido quando entrava na estação do metrô. No caminho, encontrou um livro na escadaria. Achou estranho, mas resolveu pegar o material que contava a história da Bíblia. “Sou evangélica e o título do livro me chamou a atenção. Não sou de andar olhando para o chão, mas hoje tive a sorte de encontrar esse livro.”

A história adaptada do livro Maria vai com as outras, desenhos e histórias de Sylvia Orthof, será a diversão do fim de semana dos filhos e dos sobrinhos do porteiro Hormino Ribeiro do Amaral, de 46, que encontrou o livro no chão da Praça da Estação, perto do chafariz, quando voltava para casa depois de trabalhar durante a madrugada. “Só peguei porque vi o bilhete informando que o livro era para ser levado para casa por quem o encontrasse. Vou pedir a minha mulher para ler a história para as crianças”, entusiasmou.

PROJETO

O projeto “Leave a Book!” ainda deve envolver alunos de 5ª e 6ª séries do Instituto Coração de Jesus. Uma fábrica, praças nos arredores da escola no Bairro Nova Suíça, Região Oeste da capital, e um local turístico de Belo Horizonte, a ser definido, serão os próximos locais onde os alunos vão deixar os livros. “Mostrando para as pessoas a importância da leitura, os estudantes também acabam ganhando incentivo extra para continuar a ler. Para elaborarmos o projeto, pesquisamos os hábitos de leitura no mundo e comparamos o Brasil com os países da Europa. Os alunos descobriram que no Brasil essa prática é muito menor do que nos países desenvolvidos”, contou Eliene de Souza.

O estudante Bruno Vinícius, de 11 anos, que participou da entrega dos livros, disse que, depois de ver o interesse da população que pegou os livros, já pensa em distribuir os exemplares que já leu e guarda em casa. “Se não serve mais para mim, para outras pessoas pode ser importante e a gente tem de incentivar o interesse das pessoas pela leitura”, afirmou.

COMO FUNCIONA

Desde 2001, um site norte-americano, chamado Bookcrossing, mescla o mundo on-line com o mundo off-line por meio de livros. Os interessados cadastram-se no site, juntamente com o livro que pretende “doar ao mundo”. Colocam um número de rastreamento único (definido pelo site) e instruções dentro de cada livro e aí é só deixá-lo em algum lugar público para ser encontrado. Quando alguém encontra um destes livros, tem todas as instruções necessárias para ir ao site registrar a localização do livro e depois repassá-lo, dando continuidade ao processo. Além do valor cultural da iniciativa, participar de um projeto como este pode ser muito divertido. Nunca se sabe onde um livro vai parar. “A nossa ideia era fazer esse mesmo processo em Belo Horizonte com os alunos, mas é muito complicado. Por isso, criamos um e-mail para a pessoas que encontrar o livro nos escrever e dizer se pretende passá-lo adiante”, conta Eliene de Souza.

Fonte: Uai

sábado, 26 de junho de 2010

Poema "Viajar pela leitura" de Clarice Pacheco

Mais um clique e outro poema sobre leitura.

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Clarice Pacheco

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim, sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!

Poema " A leitura" de Marisa Gonçalves de Almeida Santos

Um clique aqui, ali e acolá e encontro esse poema sobre leitura. Achei muito legal... Compartilho com vocês.

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Marisa Gonçalves de Almeida Santos
Sorocaba / SP

A leitura

Caminho entre prateleiras;
Eiras... beiras de papéis;
Deleito-me nas esteiras das rimas;
Poesias;
Crônicas... literaturas infinitas;
Embriago-me no coquetel das palavras;
Mistura inebriante de poeira e traça voraz???
Acelero meu intelecto;
Transporto-me para os contos...
De fadas;
De amadas... safadas...
Emoções...
Divagações!
Letras miúdas... cinzentas;
Impressão amarelada pelo tempo;
Puro conhecimento!
Escorrego nos "Ss"; "Us"...
Faço das letras diversão pueril...
Escorregadores; escadas e trampolins;
Me arrisco...
Despenco!
Embaraço-me nas cedilhas... nos tils;
Cerro meus olhos;
Entrego-me!
Deixo Sofia nas asas da imaginação me levar;
E me revelar...
Mistérios que somente o livro tem!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Os espaços convencionais e alternativos de leitura - 2006 - Dissertação de Ivana Aparecida Lins Gesteira

A dissertação da Ivana foi defendida na Universidade Federal da Bahia - UFBA

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GESTEIRA, Ivana Aparecida Lins.  Os espaços convencionais e alternativos de leitura.

Resumo da dissertação:
Espaços Alternativos de Leitura visa a abordar a questão da leitura como instrumento capaz de contribuir para que os sujeitos tenham a consciência democrática e permaneçam ativos no mundo do trabalho da atual sociedade. O objetivo principal é apresentar um estudo sobre o acesso à informação discutindo questões relativas à disseminação da informação, o papel da biblioteca pública e às redes humanas de leitura. O acesso à informação e ao conhecimento pelas classes sociais menos privilegiadas, através da utilização dos espaços públicos de leitura. Por meio de um estudo exploratório, investiga-se o papel da biblioteca pública, como sendo um espaço convencional de leitura e que não vem atendendo aos seus objetivos primordiais, que é o de contribuir para a compreensão do mundo e ampliação dos horizontes que fortalecem a cidadania, por meio da ação cultural, cedendo espaço para o atendimento aos leitores advindos da rede básica de ensino, que buscam a pesquisa escolar. São estudados os Espaços Alternativos de Leitura – EALs que surgem e se legitimam nas comunidades carentes para dar conta do escasso número de bibliotecas públicas, e que se caracterizam, na sua organização e estruturação, em formato de redes colaborativas ou solidárias. Os resultados apresentados destacam o mapeamento dos Espaços Alternativos de Leitura existentes na cidade do Salvador. Realiza-se um levantamento que identifica 12 desses espaços de leitura, divididos aqui em dois tipos, físicos ou virtuais, e uma investigação no intuito de conferir maior visibilidade e compreensão na sua origem, estrutura e funcionamento.

Acesso ao texto na íntegra:
http://www.bibliotecadigital.ufba.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=622