quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passo Fundo (RS) tem maior índice de leitores do país

Por André Trigueiro

Nosso programa é sobre iniciativas bem sucedidas de estímulo à leitura em nosso país. Em média, cada brasileiro lê menos de dois livros por ano. A repórter Roberta Salinet mostra o que tem feito a diferença em Passo Fundo (RS), onde a média de leitura é de 6,5 livros por habitante/ano.
A palavra falada, escrita, contada, pensada ou não pronunciada, seja qual for a forma que tenha, sempre fez parte da minha vida. Li muito durante a minha infância e sigo assim até hoje. Sempre me comoveu demais saber que meu pai, já falecido, havia lido uma enciclopédia inteira numa biblioteca pública de Passo Fundo porque não tinha dinheiro para comprar livros. Antes de me formar jornalista me formei professora de literatura. Por isso a leitura faz parte da minha vida, tanto, tanto, que me arrisquei a falar um pouco sobre isso antes de contar a experiência maravilhosa que foi para mim produzir essa matéria para o Cidades e Soluções.

Passo Fundo é uma bela cidade de 185 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul e assim como tantas outras tem problemas nas áreas de segurança, saúde… estamos no Brasil.
Mas Passo Fundo é diferente de todas as outras cidades brasileiras quando o assunto é leitura, literatura. Isso porque a cidade é palco de um encontro sem igual, que a cada dois anos reúne escritores e leitores: a Jornada Nacional de Literatura.

Na preparação para os encontros, os alunos das redes particular e pública têm contato com as obras, discutem em sala de aula e se preparam de tal forma, que quando encontram os autores já estão íntimos dos livros.

A conseqüência desse namoro com a literatura é concreta: o maior índice de leitores do país. Uma média por habitante de 6,5 livros lidos ao ano, três vezes maior do que a brasileira.

Bem, assim que recebemos o convite, feito pela equipe do programa, para contar a solução adotada por Passo Fundo para atingir esse índice, partimos eu e o repórter cinematográfico Jeferson Barbosa. A produção do VT teve o auxílio da produtora Natália Fávero.
Isso foi depois de um domingo inteiro de orações para que o tempo melhorasse e que a chuva, que tem sido constante aqui no sul, nos desse uma trégua. Deu certo.

Na nossa jornada encontramos seu Martins, motorista do ônibus Fabuloso, uma biblioteca itinerante que percorre as escolas do município. Logo que gravei a entrevista com ele tive certeza de que tudo sairia conforme o esperado. Seu Martins passa horas com os olhos grudados nos livros enquanto as crianças visitam o Fabuloso.
“A leitura transforma, abre a mente, me faz ser um pessoa provida de senso crítico, é a faculdade que eu não pude fazer”, me disse ele.

Bem, depois disso ainda visitamos o Mundo da Leitura, um espaço da Universidade de Passo Fundo (UPF), onde alunos especiais da APAE se divertiam com um teatro de sombras, conferimos a alegria dos estudantes no Largo da Literatura e por fim, contamos a história de Gustavo Melo, um jovem escritor pernambucano que trocou o mar pelo frio de Passo Fundo. Tudo isso mostrado através da percepção estética apuradíssima do Jeferson, que é incansável em buscar ângulos novos para ressaltar a beleza das cenas…

Bem, está sendo uma delícia dividir com os telespectadores a alegria de perceber que há soluções para problemas considerados graves, como a questão da leitura em nosso país.
E se o exemplo do Circo das Letras, idealizado em Passo Fundo por uma professora chamada Tânia Rösing, hoje reconhecida por alguns dos maiores escritores do Brasil e do Mundo, inspirar alguém que assita a reportagem a fazer o mesmo em sua cidade, nosso trabalho vai ter valido ainda mais a pena.

Roberta Salinet, repórter da RBS TV - Passo Fundo

O açougue-biblioteca que tomou as ruas de Brasília

Por Mariana Saraiva

A leitura faz parte do cotidiano de poucos brasileiros, quase sempre relacionada à escola. Em Brasília, um empresário trabalha para aproximar o livro da rotina da população, levando mini-bibliotecas para pontos de ônibus e em um açougue. A repórter Viviane Basile foi conferir o projeto Parada Cultural e registrou o sucesso da empreitada.
Quem é de Brasília já está acostumado com as perguntas indelicadas. É só viajar, dizer que é daqui, para ouvir um sonoro: “De Brasília? Aquela cidade de ladrão?”. Nós, brasilienses, costumamos ser comparados também com corruptos e mentirosos. Pagamos um preço alto por sediarmos o Poder.

Por esse simples motivo é tão bacana poder contar um boa história daqui. Sim, em Brasília há gente trabalhadora, honesta e cheia de ideais para mudar o País. É o caso do Luiz Amorim, o açougueiro-livreiro mais querido do pedaço! Luiz, de origem pobre, revolucionou as paradas de ônibus de uma das avenidas mais movimentadas da capital federal, a W3 norte. Montou 35 bibliotecas ao ar livre, abertas 24 horas para qualquer um pegar o livro que desejar.

Na rua, enquanto preparávamos o material para o Cidades e Soluções, eu e o repórter cinematográfico Josuel Ávila constatamos que o sonho do Luiz faz a diferença na vida de muita gente. Conversamos com diaristas, empregadas domésticas e camelôs que começaram a ler depois da instalação das bibliotecas nas paradas. São pessoas que não entrariam numa livraria para comprar. O livro, infelizmente, ainda está bem distante do dia-a-dia de muitos brasileiros.
Das paradas seguimos para a Esplanada. Brasília é uma cidade de muitos contrastes. Concordo que as diferenças estão presentes em todo o Brasil, mas aqui há um destaque. Especialmente para os jornalistas. É que você pula do povo para o ministro em minutos. Foi o que aconteceu nessa reportagem. Dos leitores da W3 fomos conversar com o ministro da Cultura. O ministro conhecia o projeto do Luiz e outros mais que também são mostrados nessa edição do Cidades e Soluções. Ele reconheceu que há falhas nas políticas de incentivo à leitura. Mas disse que está trabalhando firme para tentar mudar isso. Enquanto o governo não encontra a solução, prosperam os sonhos do Luiz e de outros brasileiros, que de pouco em pouco oferecem as palavras para quem dificilmente teria acesso à elas.

Viviane Basile, repórter da TV Globo / Brasília

Em Araçatuba - SP - Benefícios dos grupos de leitura

 LEITORA
A professora Noêmia Kajimoto, de Araçatuba, participa
de um grupo que se reúne uma vezpor mês há um ano.
 Os membros adquirem livros por conta própria,
os lêem e discutem em cada data de encontro

Eles são capazes de proporcionar a cada participante muito mais que o desenvolvimento do gosto pelos livros. Capacidade crítica e autoconhecimento são algumas das benesses que vão além das páginas escritas

Emmanuela Zambon

A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo, já afirmava com sabedoria o poeta inglês Joseph Addison. Concordando com a premissa do ensaísta, muitas pessoas reconhecem o poder dos momentos íntimos com um livro ao confessar que ele pode ser considerado uma janela para o mundo.

De acordo com uma pesquisa recente feita pelo Instituto Prólivro, de São Paulo, criado em 2006 após estudos de representantes do governo e entidades do livro, nas horas vagas aproximadamente 77% dos brasileiros ainda preferem assistir à TV. Seguindo a listagem, ouvir música é a preferência de 53%, descansar de 50%, ouvir rádio de 39% e, por fim, a leitura, que atinge o gosto de 35% dos entrevistados.

Tão importante quanto o hábito de ler, é participar de um grupo de leitura. Mesmo com o cotidiano atarefado, prevalece a necessidade de colocar em prática o que se lê e discutir com outras pessoas as visões abordadas em cada obra e ainda ter conhecimento do que o outro pensa a respeito de vários assuntos.

Apesar de parecer uma atitude só de quem tem tempo para se dedicar a esses encontros, desenvolver atividades em grupos de leitura é uma tarefa que envolve mais do que subsídios culturais e conhecimento. Um indivíduo que participa dessas reuniões com algum tipo de periodicidade pode conquistar desenvoltura pessoal e capacidade de respeitar e discutir a opinião de terceiros.

Um grupo de estudos criado em Araçatuba, que ainda não possui um nome específico, nasceu com o intuito de continuar os estudos realizados por alunos da Unipaz, e acabou assumindo uma proporção bem maior: ajudar no desenvolvimento pessoal de cada integrante. Com uma formação de cerca de dez membros, o grupo se reúne uma vez por mês há um ano, como afirma a professora e freqüentadora das reuniões Noêmia Kajimoto, de 60 anos.

DISCUSSÃO

As obras, que são adquiridas pelos participantes por conta própria, são lidas e discutidas em cada data de encontro. Há uma orientação dos capítulos que devem ser abordados e, depois de um mês, a turma se encontra para debater e escolher um novo título para a próxima data.

Além de abordarem os assuntos propostos em cada texto, os membros também colocam em pauta o que está acontecendo no mundo, fazendo uma ponte entre o tema do livro com a realidade atual em que vivemos. "Nós trazemos para o livro o que está acontecendo no mundo, e o nosso cotidiano também levamos para o livro", conta Noêmia, completando que o que ela discute no grupo consegue aplicar em sua vida.

Para a professora, esse grupo oferece a oportunidade de conhecer a visão das outras pessoas e consequentemente adquirir mais conhecimento. "Nós começamos a ler mais e a conhecer a opinião dos outros membros." Essas pessoas que se reúnem vão crescer não só profissionalmente, mas ganham o mérito de evoluir pessoalmente. "Quem se reúne pode tirar dúvidas, relacionar-se com o próximo e aprender, já que somente a leitura acaba sendo uma prática solitária", explica a psicopedagoga Elizabeth Lopes Manhas Bertolino, de Birigui.

Noêmia também faz parte de um outro grupo, existente há mais de 20 anos na cidade, que possui a finalidade de agregar professores de inglês de várias escolas de idiomas para estudos e reciclagem. Os 13 membros atuais, nas reuniões que acontecem em todas as sextas-feiras, em locais distintos, trocam experiências e ainda organizam materiais didáticos com liberdade. Todos os professores de inglês podem participar. O telefone para informações é (18) 3623-2192.

EVOLUÇÃO

A professora araçatubense Cidinha Baracat, que também faz parte do grupo de Noêmia, reconhece a importância de se relacionar em grupo para discutir temas abordados em livros. Segundo ela, essa experiência serve para o enriquecimento pessoal, já que as pessoas contribuem para o conhecimento do outro.

Cidinha explica que essa forma de atividade a ajuda a se relacionar com a sociedade, ajudando o seu intelecto e emocional. "Dessa forma, conseguimos conservar melhor as histórias que lemos. Participar de um grupo de leitura é melhor do que apenas ler uma obra", enfatiza.

Carolina Madeira, outra integrante, explica que todos podem participar, desde que haja interesse em leitura e tenha disponibilidade. Quem quiser fazer parte dos encontros mensais deve enviar um e-mail para caromadeira@terra.com.br.

Os grupos de leitura são essenciais

A afirmação é do jornalista Galeno Amorim, de São Paulo, um dos maiores incentivadores da literatura. Com 12 livros escritos, e 350 mil exemplares vendidos, responde como diretor do Observatório do Livro e da Literatura. Em entrevista à Folha da Região, ele afirma que as reuniões para discutir livros são importantes para desenvolver o hábito da leitura.

"É imprescindível a participação da sociedade, e os grupos de leitura, assim como diversos projetos de pequeno porte, é que vão fazer a prática da leitura se enraizar por toda parte. Se queremos fazer do Brasil um país de cidadãos leitores, todo mundo tem uma tarefa esperando para ser feita", explica Amorim.

Ainda segundo o jornalista, o Brasil não lê mais por dois motivos básicos. O primeiro é porque muitos brasileiros não possuem habilidade técnica para ler, ou seja, além dos analfabetos absolutos, há os analfabetos funcionais, que não conseguem compreender textos. O segundo motivo é o acesso aos livros. O número de bibliotecas é inferior às necessidades do País, como explica Amorim.

O papel dos pais é um dos suportes para que o filho tenha interesse pela leitura. Mas como incentivar a leitura dos filhos sem impor o hábito? "Se os pais são surpreendidos lendo pelos filhos e os livros naquela casa estiverem por toda parte, a criança cresce achando aquilo tudo muito natural e parte de seu cotidiano. Os pais também podem contar histórias e ler para as crianças", finaliza. De acordo com ele, leem-se no Brasil, em média, 4,7 livros por habitante anualmente. E.Z.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Projeto "Meu Broto de Leitura", no Berçário Municipal Mãe Cristina, em Marília, no interior de São Paulo

“É na primeira infância que se formam futuros leitores”, afirma a pedagoga Creuza Soares, que implantou o projeto Meu Broto de Leitura no Berçário Municipal Mãe Cristina, em Marília, no interior de São Paulo.

O Projeto Meu Broto de Leitura: Leitura de Histórias, Contos, Poesias... para Bebês é desenvolvido, desde 2006, no Berçário Municipal Mãe Cristina, em Marília, São Paulo. Sacolas de tecido com livros são enviadas aos pais, juntamente com uma orientação e explicação do projeto, para que eles no fim de semana façam a leitura desses livros para seus filhos. Em 2008, o projeto foi um dos cinco finalistas do Prêmio Viva Leitura e inaugurou a Bebeteca Lu Martinez.
 
Missão do Projeto

Este projeto foi pensado como forma de se abrir caminhos para a promoção da leitura, acreditando que os bebês podem construir uma relação carregada de significado com o livro, quando este tem um vínculo familiar, a partir do uso da biblioteca de classe, estabelecendo estímulos e ligações, valorizando relações através de relatos, campanhas, situações de leitura feitas pelos pais e toda a comunidade escolar.
 
O projeto é realizado no Berçário Municipal Mãe Cristina, localizado na Rua Coronel José Brás nº 536 - Bairro Boa Vista, CEP: 17501-570 em Marília (SP)
contato@meubrotodeleitura.com.br
http://www.meubrotodeleitura.com.br/

Fonte: Meu Broto de Leitura

Conte para seu filho

Confira algumas dicas que darão um toque especial aos momentos de leitura com o seu pequeno

Por Paula Desgualdo
 
- Se ler um livro, conheça a história antes. Assim, você passa mais credibilidade na hora de contar e evita surpresas desagradáveis que possam surgir no texto, como algum conteúdo que não seja apropriado para a idade da criança.
- Tente ser o mais natural possível, contando uma história inventada ou lendo.
- Lembre: toda narrativa precisa ter começo, meio e fim.
- Mostre entusiasmo para que a criança associe a leitura a um momento de alegria e diversão.
- Capriche na interpretação, principalmente se o seu filho for bem pequenino. Mude a voz para diferenciar as personagens, abuse das expressões faciais e onomatopéias.
- Pense na possibilidade de criar um cantinho de leitura para seu filho. Um espaço onde os livros estejam disponíveis para ele o tempo todo.
- Não exija que a criança entenda tudo e ainda faça comentários sobre a história. Respeite o tempo dela para absorver as informações.
- Conte histórias diariamente. Assim você garante que o seu pequeno será um futuro leitor.