sábado, 22 de maio de 2010

Entrevista com Mirta Torres, estudiosa da didática da leitura e da escrita

Pesquisadora argentina defende que, para trabalhar com produção de textual, os professores também precisam ser bons leitores e escritores

Ana Gonzaga

MIRTA TORRES
"Tal como um piloto de avião precisa acumular
horas de voo para ser hábil, um escritor precisa
somar muitas oportunidades de escrita." Foto: Axel Indik

Se ensinar as crianças a produzir textos de qualidade é um desafio, preparar os educadores para realizar essas tarefas é uma responsabilidade igualmente complexa e instigante. E é essa missão que Mirta Torres tomou para direcionar sua carreira. Especialista em didática da leitura e da escrita, ela já foi diretora de Educação primária de Buenos Aires e esteve à frente de vários programas de melhoramento pedagógico.
Atualmente, coordena um grupo que trabalha com a alfabetização de alunos que foram reprovados ou entraram na escola mais tarde e também integra o projeto Maestro + Maestro, que, prevendo dois professores para cada sala de aula, visa diminuir as dificuldades de estudantes do 1o grau, etapa em que se concentram os maiores índices de repetência no sistema argentino. Apesar da pouca afinidade com a língua portuguesa, Mirta garante que sua experiência pedagógica na Argentina pode ser bastante útil para os professores que lidam com produção de texto no Brasil. "Valem o raciocínio e as estratégias", diz ela, que concedeu esta entrevista por telefone à NOVA ESCOLA de sua residência, em Buenos Aires.

Como definir o que é uma produção de qualidade?
MIRTA O escritor tem de ter um propósito claro que o leve a escrever, tal como preparar um texto para o seminário ou um convite para uma festa.

O bom texto é aquele que cumpre o propósito de quem o produz. Para isso, o que é preciso ser ensinado aos alunos?
MIRTA Diversos aspectos colaboram para que sejam produzidos textos qualificados entre aceitáveis e bons. A turma toda deve ser incentivada a escrever de maneira habitual e frequente. Tal como um piloto de avião precisa acumular horas de voo para ser hábil, um escritor precisa somar muitas oportunidades de escrita. Na prática, quer dizer que os estudantes devem ser estimulados a elaborar perguntas sobre um tema estudado e resumir a matéria para passar a um colega que faltou. São escritos menos ambiciosos, porém também exigem escrever, ler e corrigir. Embora, em muitas situações escolares de escrita, o texto não tenha outro propósito a não ser o de escrever para aprender a escrita, é fundamental gerar condições didáticas com sentido social. Elas devem garantir a construção de produções contextualizadas, que ultrapassem os muros da escola, como uma solicitação por escrito para o diretor de um museu, de permissão para uma visita. Assim, antes de começar a escrever, aprende-se que é preciso saber quem é o leitor e as informações necessárias.

Por isso é ruim propor que se escreva sobre um tema livre ou aberto, por exemplo, "Minhas Férias"?
MIRTA A escrita nunca deve ser livre. Precisa ser produzida em um contexto, sempre. A psicolinguista argentina Emilia Ferreiro caracteriza muito bem essa questão. Ela diz que "não há nada menos livre do que um texto livre". Muitas coisas incidem sobre qualquer texto: os propósitos que guiam a escrita, os destinatários e a situação comunicativa. As crianças têm de aprender que o material deve se refletir no leitor.

Como os educadores podem ajudar os estudantes a refinar seus textos?
MIRTA Vou responder citando um caso de alunos de 7 anos que estavam reescrevendo a história de Pinóquio. Eles ditavam para a professora: "Pinóquio caiu no mar e a baleia o engoliu. A baleia ficou com Pinóquio em sua barriga durante três dias e depois de três dias jogou Pinóquio na praia". Ela leu em voz alta o parágrafo, comentou que algo soava mal e releu enfatizando o nome Pinóquio. "Fala-se muitas vezes o nome Pinóquio", concluíram. "Como poderíamos evitar isso?", ela perguntou. Os pequenos sugeriram correções: "Pinóquio caiu no mar e a baleia o engoliu. A baleia ficou com
ele em sua barriga durante três dias e depois de três dias o jogou na praia". Depois
disso, a professora sugeriu que o fragmento correspondente do conto fosse relido, o que resultou na troca de barriga por ventre. Para evitar a repetição da expressão "três dias", foram propostas algumas opções: "ao final desse tempo", "logo", "depois" e "então". As crianças escolheram "logo". Assim que se chegou à terceira versão, um menino disse que algo soava mal, repetindo a expressão que a docente já havia usado. Ele continuou: "Quando Pinóquio cai no mar, trata-se de uma baleia, uma baleia qualquer. Depois, quando ela carrega Pinóquio durante três dias na barriga, no ventre, então é a baleia porque não se trata de uma baleia qualquer". Então, foi reescrito: "Pinóquio caiu no mar e uma baleia o engoliu. A baleia ficou com ele em seu ventre durante três dias e logo o jogou na praia".

Como a professora fez para que os alunos incorporassem essa prática?
MIRTA Durante a produção, ela recordou com a turma como e por que havia sido substituído o nome Pinóquio a fim de que fosse elaborada uma regra geral, registrada no caderno: "Quando se fala em um personagem e o leitor sabe que se fala dele, não é necessário escrever seu nome. Podemos colocar 'o', 'a', 'os', 'as'".

Para escrever bem, é fundamental ser um bom leitor?
MIRTA Sim. A formação leitora ajuda na formação do escritor. A familiaridade com outros textos fornece modelos e conhecimento sobre outros gêneros e estruturas. Devemos ler como escritores: voltar ao texto para verificar de que maneira um autor resolveu um problema semelhante ao que temos em mãos, por exemplo. No mais, a leitura desperta o desejo de escrever. Cabe à escola abrir diversas possibilidades: oferecer títulos que fascinam crianças e jovens sem reforçar o que o mercado já oferece de maneira excessiva. Não precisa ofertar livros do Harry Potter, mas obras de Robert Louis Stevenson (1850-1894), como A Ilha do Tesouro, precisam ser recomendadas. Ambos são valiosos, só que, se os do segundo tipo não forem oferecidos, dificilmente os leitores vão decidir lê-los. Mas há que destacar que nem todo bom leitor é um bom escritor. Muitos de nós somos excelentes leitores, porém somente escrevemos de modo aceitável.

O que se espera de um educador como leitor?
MIRTA Ele deve desfrutar da leitura, estar atento aos gostos dos estudantes e considerar sua importância como uma ponte entre eles e os textos. Pequenas, as crianças não podem sozinhas e, já maiores, precisam de ajuda para acessar grandes obras, que não enfrentariam por iniciativa própria. É válido destacar que o docente que seja um bom leitor é capaz de descobrir a ambiguidade, a obscuridade ou a pobreza presentes nos textos e compartilhar isso com o grupo.

A partir de quando os alunos devem produzir textos?
MIRTA Essa atividade pode ser anterior à aquisição da habilidade de escrever. As discussões entre eles e o professor sobre "como fica melhor", "como se poderia dizer", "o que falta colocar" permitem refletir sobre a escrita. Assim, muitos, antes de estarem plenamente alfabetizados, já conhecem as características da linguagem escrita por terem escutado bastante leitura em voz alta. Quer dizer, já podem se dedicar à produção de textos, como ditantes. Lembro-me de um projeto chamado Cuentos de Piratas, desenvolvido com crianças de 5 anos. A professora lia para elas os contos e todos levavam os livros para casa para reler e folhear. Depois, juntamente com a docente, faziam listas de personagens, tomavam nota dos conflitos que apareciam em histórias de piratas, colocavam legendas na imagem de um barco: timão, vela, proa, popa. Finalmente, em grupo, criaram uma história de piratas.

Quais são as etapas essenciais da produção de texto?
MIRTA A escrita propriamente dita leva tempo: se escreve e se relê para saber como
prosseguir, o que falta, se está indo bem, se convém substituir algum parágrafo ou reescrever tudo. O processo de leitura e correção não é posterior à escrita, mas parte dela. Ao considerar terminado, o passo seguinte é reler ou dar para outro leitor fazer isso e opinar. Feitas as correções finais, passa-se o texto a limpo com o formato mais ou menos definitivo. Contudo, as etapas não devem ser enumeradas porque não são fixas e sucessivas. Elas constituem um processo de vai e vem.

Como o educador deve escolher o que enfocar primeiro na revisão?
MIRTA Cada texto é único. Todavia, é imprescindível - sobretudo com turmas que já têm autonomia na produção - fazer uma primeira leitura para checar a coerência. Se os alunos se concentrarem em detalhes, podem não conseguir checar a coerência geral.

Fazer intervenções enquanto os estudantes produzem é correto? Ou é melhor deixá-los terminar e revisar só ao fim do trabalho?
MIRTA As situações didáticas de escrita não são todas iguais. Em alguns casos, é interessante observar os escritos durante o processo para ajudar a turma a relê-los, a retomar o fio do relato e a corrigir uma expressão. Em outros, é melhor deixar que escrevam sem intervir. Há alguns anos, em um projeto com crianças de 7 e 8 anos, lançamos mão de um recurso didático que deu ótimos resultados. Organizávamos as aulas de modo que não houvesse tempo suficiente para terminar os textos, fazendo com que o grupo produzisse apenas uma parte dele. Na aula seguinte, a produção era lida para recordar até onde haviam chegado e decidir como continuar. Essa situação genuína da releitura permite descobrir erros, pensar formas apropriadas de expressão, enfim, ajuda a tomar distância do escrito e retomá-lo como leitor.

É válido que os próprios alunos revisem os textos dos colegas?
MIRTA Minha experiência mostra que nem sempre é produtivo que os estudantes leiam mutuamente as produções dos companheiros. Os menores não entendem a letra e os maiores nem sempre sabem o que procurar, o que faz com que fiquem detidos em detalhes que não interferem na qualidade final. A revisão dos colegas ganha valor quando o professor propõe revisar conjuntamente o texto, orientando a leitura e sugerindo opções. O texto eleito para ser revisado coletivamente deve representar os obstáculos que a maioria encontra. Uma vez descobertos no texto do companheiro os
aspectos que devem ser revistos, o professor pode sugerir que cada um revise sua própria produção.

Como ensinar gramática e as normas da língua no interior das práticas de leitura e escrita?
MIRTA Efetivamente, se recorrem à gramática e às normas da língua quando é necessário penetrar em aspectos da compreensão de um texto, como "qual é o sujeito do parágrafo?", mas principalmente para revisar. De acordo com a idade da garotada, alguns aspectos são retomados em outros momentos, dedicados só à reflexão gramatical.

É comum encontrarmos pessoas que dizem não saber escrever bem e se sentem mais seguras ao falar, o que leva a entender que a passagem do oral para o escrito é o ponto de dificuldade delas. Como isso pode ser enfrentando na escola?
MIRTA Não creio que isso se deva à passagem do oral para o escrito. A fala permite
gestos, alusões que reforçam o peso do que foi dito. Temos uma grande prática cotidiana na comunicação oral e muito menor na escrita. Quem considera mais fácil se comunicar oralmente está, sem dúvida, pensando em trocas familiares e não em apresentações orais formais, como as conferências, que exigem verbalizar e organizar todos os momentos da exposição. Nesses casos, as dificuldades encontradas são parecidas com a de escrever. Ensinar a escrever e a falar de forma aceitável exige empenho do professor, que deve guiar a turma com mãos firmes e seguras.

Fonte: Nova Escola

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A importância de ser um professor leitor

Foto: João Bittar
Antes de ensinar a ler é preciso tornar-se leitor
Professora lê para alunos sentados no chão.

O professor entra na sala de aula, pergunta se os alunos leram o livro recomendado. Alguns dizem que sim, outros começam a inventar histórias enquanto os demais desconversam. Dia de prova. A professora permite consultar o livro, mas muitos alunos se saem mal porque não sabem nem em que página estaria a informação necessária para responder as questões. A cena não é agradável para um educador, mas é comum em muitas escolas brasileiras, sejam elas públicas ou particulares. Professores relatam suas experiências em blogs, páginas da internet e nas conversas no corredor do colégio e pedem auxílio a colegas e especialistas para driblar as dificuldades. Inventam artimanhas para prender a atenção dos alunos, mas esquecem que antes de ensinar a ler, é necessário tornarem-se leitores.

Na visão da pós-doutora em Linguística, Letras e Artes Marisa Lajolo, nem todo professor lê por prazer e existem ainda os que não têm acesso à leitura. “Tenho a impressão de que grande parte da formação inicial e continuada oferecida ao professor o encara mais como um ‘formador de leitores’ do que como uma pessoa que precisa ser formada como leitora”, avalia. Ela acredita que uma das melhores formas de trabalhar isso nos professores é buscar seu “histórico de leitura”. “O que leram , quando leram, do que gostaram, do que não gostaram, que experiências de leitura viveram quando eram crianças”, indica. Marisa afirma que aliar essa avaliação a discussões sólidas de questões de linguagem, de escrita e de leitura pode capacitá-los a trabalhar a leitura com seus alunos.

Doutora em Educação, Eleuza Rodrigues Maria Barboza acredita que a leitura e a escrita são a base para a aprendizagem das crianças e dos jovens. Para ela, todos os professores, independentemente da disciplina que lecionam, deveriam trabalhar com as habilidades da leitura e da escrita. “As dificuldades encontradas pelos professores vêm de uma formação que não priorizou o seu próprio desenvolvimento enquanto leitores e escritores proficientes. Saem das universidades e se deparam com uma diversidade imensa de alunos nas suas salas de aula e têm que aprender fazendo e, muitas vezes, sozinhos”, destaca.

Eleuza que agora atua como secretária de Educação de Juiz de Fora (MG), diz que toda atividade de incentivo à leitura é importante, tanto para alunos quanto para professores. Ela diz que Em Juiz de Fora, algumas escolas começaram a promover a leitura coletiva. Nela, todos os professores e alunos de uma escola trabalham com um livro de literatura previamente escolhido. “Dessa leitura derivam várias atividades que vão desde manifestações de expressão artística, representações teatrais, até atividades de outras áreas como história, geografia, matemática baseadas no livro que todos leram”, conta. Segundo ela, todos aprendem e todos acabam se desenvolvendo nas habilidades da leitura e da escrita.

Em seu trabalho no Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caesd) da Universidade Federal de Juiz de Fora, Eleuza observou que estudos de alguns estados mostraram que 30% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental tinham desempenho muito baixo na leitura. Para reverter esse quadro, além de melhorar a formação dos professores, Eleuza aconselha a aliar recursos disponíveis, como a tecnologia à leitura para conseguir bons resultados. “Em uma escola em que o professor pode contar com o computador e a internet, o dinamismo das aulas cresce e o ambiente motivador abre um leque grande de possibilidade de trabalho com recursos que enriquecem tanto o professor quanto os alunos e ainda facilita a comunicação que se estabelece entre eles”, conclui.

Marisa Lajolo completa: “um professor, paradoxalmente, é um profissional que precisa ser conquistado para o exercício de suas tarefas”.

Melhor escola do interior de São Paulo estimula a leitura

Duas vezes por semana, durante uma hora, toda a escola para no horário da leitura.
Alunos sentados no chão, lendo. Arquivo da escola

Fátima Schenini

Uma escola de ensino fundamental de Itapetininga, município paulista localizado a 170 Km da capital, obteve excelentes resultados com as estratégias de incentivo à leitura que realiza desde 2002. Desde que passou a desenvolver os projetos permanentes Leitura em Família e Roda de Leitura, a Escola Estadual Professor Astor Vasques Lopes vem obtendo avanços significativos nos índices estaduais e nacionais de avaliação. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação, a escola alcançou em 2007, a nota 5,2, bem acima da média nacional das séries iniciais que foi de 4,2.

Já no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), a escola com 380 alunos, em sua maior parte oriundos de famílias de baixa renda e instrução, conquistou em 2008 o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) – fase Diretoria Regional de Ensino. Em 2009, obteve a primeira colocação na fase estadual do Idesp, com a média 8,55 - a melhor entre 1.945 escolas estaduais.

“Esse resultado foi uma surpresa muito grande. Foi emocionante”, diz a diretora da escola, Arlete Milanezi Ansbach, há 12 anos nessa função. Formada em letras e em pedagogia, ela acredita que o estímulo à leitura realmente contribuiu muito para a obtenção dessa colocação, embora destaque também o empenho e o acompanhamento de toda a equipe do colégio. “Nossa equipe é maravilhosa e realmente vestiu a camisa”, salienta Arlete.
Os projetos de leitura ocorrem ao longo do ano letivo.
Alunos fazem leitura na sala de aula

“O projeto Roda da Leitura começou quando percebemos a dificuldade dos alunos na elaboração de redações e relatos, no Saresp 2002”, diz a professora do 3º ano, Claudete de Araújo Cavalcante, há 22 anos no magistério. Ao fazer uma análise das características sociais e antropológicas das famílias dos alunos, a equipe escolar verificou que havia a necessidade de promover um maior envolvimento dos pais no cotidiano escolar. Para isso, além de promover reuniões que causassem impacto e reflexão, passaram a convidar os pais para participarem dos encontros do Roda da Leitura, uma vez por mês, junto com os filhos.

Na sequência, acabou sendo inserido o projeto Leitura em Família. Os estudantes passaram a levar livros para ler em casa, com o pai, a mãe ou outro familiar, juntamente com um caderno para o parente fazer um registro de suas impressões sobre a leitura. “O retorno é emocionante e muito gratificante”, conta Claudete. Segundo ela, os pais são participantes ativos nos dois projetos, tanto em casa quanto na escola, durante os encontros do Roda da Leitura.

A leitura contribuiu muito para os bons resultados da Escola Astor Vasques.
Professora Maria Aparecida Camargo (à esquerda),
diretora Arlete Ansbach (centro), professora
Sônia Matias (à direita) e alunos

“Foi um trabalho de muito incentivo, motivação e persistência da equipe escolar, que culminou numa grande adesão da família ao gosto e prazer pela leitura”, ressalta a professora Isabel Cristina de Moura, 25 anos de magistério, que dá aulas no 2º ano. Segundo ela, os dois projetos contribuem para a formação da cidadania, de maneira que se complementam e viabilizam resultados surpreendentes na aprendizagem dos alunos. Realizados o ano inteiro, têm um encerramento em cada final de semestre por meio de gincana ou sarau literário ou cultural. Além disso, a escola inteira se dedica à leitura, duas vezes por semana: às terças e quintas-feiras, das 10h30 às 11h30 e das 16h30 às 17h30. Às quartas-feiras, esse horário é voltado para a produção de textos e redações.
 
Fonte: Jornal do Professor

Incentivo ao prazer da leitura começa na alfabetização

Alunos de escola da Vila Barracão, em Porto Alegre, despertam o gosto pela leitura.
Alunos sentados, lêm livros.Arquivo pessoal

Fátima Schenini

Apaixonada por alfabetização, a professora Beatriz Rocha Gonçalves acredita que o fato de incentivar o prazer da leitura entre os pequenos estudantes poderá transformá-los em futuros autores e leitores. Por essa razão, tem desenvolvido inúmeros projetos de estímulo à leitura com seus alunos de 1º ano, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Álvaro Alberto Motta e Silva, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Sempre procuro ler para as crianças os mais variados textos. E, no final de cada ano, noto que elas têm apreciado ler”, destaca Beatriz, que é formada em pedagogia, com habilitação em educação infantil e pós-graduação em alfabetização. Há 14 anos trabalhando com crianças, há nove ela atua na Escola Motta e Silva, onde além de lecionar exerce ainda a função de vice-diretora. O colégio fica na Vila Barracão, uma comunidade pobre da Zona Sul da capital gaúcha e é frequentada por crianças de classes populares.

Um dos projetos criado por Beatriz é Despertando o Gosto pela Leitura, que pode ser lido no Portal do Professor. Desenvolvido em seis aulas, o projeto possibilita que as crianças se familiarizem com a linguagem e os elementos presentes nos livros de histórias, nos jornais e nos textos instrucionais, presentes em regras de jogos e receitas culinárias, por exemplo. Além disso, o projeto pretende ampliar o vocabulário dos alunos e fazer com que eles interpretem e recontem os textos lidos.

Outro projeto desenvolvido por Beatriz foi Cantigas de Roda, onde ela trabalhou de forma lúdica a leitura e a escrita. A proposta era resgatar cantigas antigas, com pais e avós. Já no projeto Histórias Infantis, além de conhecer as obras, os alunos receberam informações sobre as biografias de autores famosos. A professora diz que foi um trabalho bastante lúdico e os estudantes puderam apreciar as atividades propostas e os jogos (bingo, trilha, memória, entre outros) realizados a partir dos livros trabalhados no projeto. “Os contos de fadas são ótimos para os alunos fantasiarem, criarem e, consequentemente, despertarem o gosto pela leitura”, acredita Beatriz, que também utiliza poesias para alfabetizar as crianças.

“A cada ano, vejo como as crianças estão gostando de ler. Elas começam a retirar livros da biblioteca, espontaneamente, para ler em casa”, ressalta. Segundo a professora, a biblioteca da escola tem algumas obras bem interessantes, mas estão lutando para aumentar o acervo de livros.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Leitura nos presídios - Programa EntreLinhas da TV Cultura

O Entrelinhas visitou a Penitenciária Feminina do Butantã para mostrar o projeto Leiturativa, um programa de incentivo à leitura nos presídios do Estado de São Paulo, com criação de bibliotecas e rodas de leitura. A reportagem conversou com os idealizadores do projeto e com presidiárias que relatam essa experiência que transforma o convívio com os livros e com a literatura numa forma de inclusão social e de recuperação da cidadania.