sexta-feira, 21 de maio de 2010

Incentivo ao prazer da leitura começa na alfabetização

Alunos de escola da Vila Barracão, em Porto Alegre, despertam o gosto pela leitura.
Alunos sentados, lêm livros.Arquivo pessoal

Fátima Schenini

Apaixonada por alfabetização, a professora Beatriz Rocha Gonçalves acredita que o fato de incentivar o prazer da leitura entre os pequenos estudantes poderá transformá-los em futuros autores e leitores. Por essa razão, tem desenvolvido inúmeros projetos de estímulo à leitura com seus alunos de 1º ano, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Álvaro Alberto Motta e Silva, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Sempre procuro ler para as crianças os mais variados textos. E, no final de cada ano, noto que elas têm apreciado ler”, destaca Beatriz, que é formada em pedagogia, com habilitação em educação infantil e pós-graduação em alfabetização. Há 14 anos trabalhando com crianças, há nove ela atua na Escola Motta e Silva, onde além de lecionar exerce ainda a função de vice-diretora. O colégio fica na Vila Barracão, uma comunidade pobre da Zona Sul da capital gaúcha e é frequentada por crianças de classes populares.

Um dos projetos criado por Beatriz é Despertando o Gosto pela Leitura, que pode ser lido no Portal do Professor. Desenvolvido em seis aulas, o projeto possibilita que as crianças se familiarizem com a linguagem e os elementos presentes nos livros de histórias, nos jornais e nos textos instrucionais, presentes em regras de jogos e receitas culinárias, por exemplo. Além disso, o projeto pretende ampliar o vocabulário dos alunos e fazer com que eles interpretem e recontem os textos lidos.

Outro projeto desenvolvido por Beatriz foi Cantigas de Roda, onde ela trabalhou de forma lúdica a leitura e a escrita. A proposta era resgatar cantigas antigas, com pais e avós. Já no projeto Histórias Infantis, além de conhecer as obras, os alunos receberam informações sobre as biografias de autores famosos. A professora diz que foi um trabalho bastante lúdico e os estudantes puderam apreciar as atividades propostas e os jogos (bingo, trilha, memória, entre outros) realizados a partir dos livros trabalhados no projeto. “Os contos de fadas são ótimos para os alunos fantasiarem, criarem e, consequentemente, despertarem o gosto pela leitura”, acredita Beatriz, que também utiliza poesias para alfabetizar as crianças.

“A cada ano, vejo como as crianças estão gostando de ler. Elas começam a retirar livros da biblioteca, espontaneamente, para ler em casa”, ressalta. Segundo a professora, a biblioteca da escola tem algumas obras bem interessantes, mas estão lutando para aumentar o acervo de livros.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Leitura nos presídios - Programa EntreLinhas da TV Cultura

O Entrelinhas visitou a Penitenciária Feminina do Butantã para mostrar o projeto Leiturativa, um programa de incentivo à leitura nos presídios do Estado de São Paulo, com criação de bibliotecas e rodas de leitura. A reportagem conversou com os idealizadores do projeto e com presidiárias que relatam essa experiência que transforma o convívio com os livros e com a literatura numa forma de inclusão social e de recuperação da cidadania.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ler é o melhor exercício

Segundo especialistas, o hábito de leitura exercita as funções cerebrais e é uma ótima solução para manter a mente saudável

Amália Dornellas

O melhor exercício para a mente é a leitura. Quando os olhos passam pelas letras, uma série de atividades cerebrais é ativada. O pensamento e a mente são acionados, exercitando todas as funções do cérebro. A memória visual, auditiva, de leitura, dos sentimentos e todas as demais entram em ação quando a primeira frase é lida.

De acordo com um dos maiores especialistas em memória no Brasil, Ivan Izquierdo, ter o hábito de leitura é a melhor solução para se manter a mente e a memória saudáveis. Doutor em medicina, Izquierdo é um dos maiores pesquisadores do mundo na área de fisiologia da memória e coordena o Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

“No momento em que lemos uma palavra que começa com A, o cérebro faz um mapeamento de tudo o que começa com A. Se em seguida vem a letra M, ele faz uma segunda seleção, e assim por diante”. Neste processo o cérebro seleciona os significados das palavras para a leitura, relaciona os sistemas, como o idioma, e busca na memória tudo o que está relacionado às palavras, como imagens, sons e sentimentos.

“A memória é uma das funções cerebrais mais importantes e uma das que ficam mais lentas com a idade. Pensamos por conta do que recordamos”, diz. Quan­­to mais a pessoa lê, menos prejuízo a memória tem com o tempo. Segundo o pesquisador, isso já está mais do que comprovado. “Nas profissões que exigem leitura, como a de professor e de ator, nota-se menor perda de memória e o desenvolvimento de doenças como o alzheimer é bem mais lento e suportável para o portador.”

Mente seletiva

Situações como esquecer a chave mais de uma vez por dia, não lembrar se fechou a janela ou onde estacionou o carro não são motivos para preocupações. Segundo Izquierdo, ao se chegar aos 40 anos a memória começa a perdurar menos. “Vemos um filme, lembramos o nome do ator, mas daqui a três dias esquecemos. Isso acontece com o trivial, a memória menos importante persiste por menos tempo para dar lugar às coisas mais importantes.”

Para quem não chegou aos 40, esses típicos esquecimentos são consequência do estresse e da agitação da rotina. De acordo com a psicóloga e especialista em programação neurolinguística Carla Correia, com a quantidade de coisas que as pessoas têm a fazer no mesmo dia, a memória automatiza alguns comandos. “Nossa mente foca no que é prioritário. Des­­ligar o computador ou fechar a porta fica registrado no inconsciente por ser automático para o cérebro, por isso esquecemos, mas não significa que não temos memória”, explica.

Ginástica cerebral

Carla Correia ministra o curso Fitness Mental, em São Paulo, e ensina como exercitar as partes do cérebro que costumam entrar no modo automático. “Assim como um músculo precisa de exercício para não ficar flácido, se não exercitamos a mente, as sinapses – comunicação entre os neurônios – ficam enfraquecidas, perdemos a criatividade e esquecemos mais facilmente”. Esta “ginástica” otimiza a multiplicação celular dos neurônios e pode aumentar a eficiência e agilidade da mente.

A capacidade do cérebro de armazenar informações é muito grande, mas alternar as memórias é muito importante, de acordo com o neurologista e responsável pelas disciplinas de memória da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Arthur Oscar Schelp. “Se lembrássemos a todo o momento de tudo não conseguiríamos ter uma vida normal. A memória está sempre se reciclando, preservando um pedacinho da antiga. Quando forçamos para nos lembrar de algo, resgatamos esse pedaço e o reconstruí­­mos.” Segundo ele, é importante procurar um neurologista quando os brancos começam a prejudicar a execução de atividades rotineiras (como dirigir, cozinhar, ir ao banco) ou quando há grande disparidade sobre a época de ocorrência de um fato, por exemplo, quando não se sabe se algo ocorreu ontem ou há dez anos.

Dicas
Saiba como exercitar sua mente e garantir uma melhor memória:

- Faça coisas diferentes do que está acostumado, como variar os caminhos para se chegar ao trabalho.

- Se fizer o mesmo trajeto, procure algo que nunca tenha observado. Relacionar e perceber a diferença é um ótimo exercício.

- Troque o relógio de mão, a lixeira ou a saboneteira de lugar. Tudo o que você faz automaticamente deixa a mente preguiçosa. Quando a modificação se tornar automática já está na hora de mudar novamente.

- Separe a roupa, apague a luz e então se vista. O cérebro vai pensar de forma diferente.

- Faça caça-palavras, jogos matemáticos, quebra-cabeças. Mas, fique atento. Quando eles tornam-se automáticos já não são mais efetivos como exercício para a mente.

- Faça qualquer atividade que fuja da sua rotina ou que não seja automatizada. Some placas de carro, faça contas de cabeça.

- Veja as horas olhando no espelho ou fotografias de cabeça para baixo. O cérebro vai ter de pensar ao contrário.

- Tome banho em ordem diferente do que você está acostumado.

- Ande de costas no corredor da sua casa. Observe se não há nada que possa machucar por perto.

- Faça aula de música, de canto, aprenda um instrumento.

- Aprenda um novo idioma e mantenha atividades intelectuais.

Fonte: Carla Correia, psicóloga especializada em programação neurolinguística e palestrante do curso Fitness Mental, em São Paulo.

Projeto Farmácia das Letras leva livros às casas das pessoas

De porta em porta, Rosângela Tavares Santos Pereira, 39 anos, distribui conhecimento. Na maleta do Centro de Saúde 1 do Recanto das Emas, há remédios, aparelho para medir a pressão dos pacientes e livros, muitos livros. A agente entrega aos moradores de nove quadras da cidade muito mais do que medicamentos e medidas preventivas para manter um corpo são. Leva conforto para a alma e histórias que desenvolvem a imaginação e a criatividade de crianças, adolescentes e idosos saudáveis ou doentes.

A rotina de Rosângela Tavares começa logo cedo. Às 7h30, a agente de saúde já sabe quais quadras vai percorrer. O itinerário – que pode ser da 305 à 310 ou da 508 à 510 do Recanto – é definido dias antes. Todas as 230 famílias recebem o mesmo carinho e atenção. Na mala, Rosângela separa os livros de acordo com o perfil de cada leitor a ser visitado. Isso porque, há dois anos, trabalha com o projeto Farmácia das Letras, criado por ela e adotado por toda a equipe do Centro de Saúde 1 da cidade.

Às 8h, a turma começa a jornada de trabalho. Bate numa porta aqui e noutra acolá. Entra, aplica todo o processo de prevenção às doenças e, depois, em uma conversa tranquila e amigável, tenta aconselhar o paciente sobre a importância da leitura. Abre a maleta, mostra os exemplares reservados e convence o morador a experimentar folheá-los por, pelo menos, dez dias, até que a agente responsável retorne para outra visita preventiva. “A leitura estimula a memória, cria perspectiva nas pessoas e as tira da depressão e da ociosidade”, defende a criadora do projeto.

As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira e, independentemente da distância, são feitas a pé. Os moradores já se acostumaram com os agentes. As pessoas os recebem, oferecem lanches, conversam e contam histórias. “Uma mulher estava sendo alfabetizada e pegou seu primeiro livro. Depois que aprendeu a ler, nunca mais parou e me pedia para levar receitas. Ela se interessou por culinária”, detalha Rosângela. Na prateleira, que fica na casa dela, mais de 580 exemplares. Revistas infantis, livros de autoajuda, poemas, obras didáticas e romances. “Ah, os romances! As mulheres se apaixonam por eles. Acho que são como refúgios para pessoas sofridas de uma comunidade carente. Elas começam a ver que existem maneiras diferentes de enxergar a vida e de serem tratadas”, conta.

Paixão por ler

O amor de Rosângela pela leitura teve início na infância. “Fui criada com minha avó e, certo dia, minha tia começou a fazer faxina nos armários da casa. Na bagunça, um livro velho caiu e eu peguei. Era Iracema. Li uma página, dias depois, outra e mais outra e, quando dei por mim, já havia terminado de ler”, lembra. Da paixão, Rosângela começou a colocar no papel as ideias que borbulhavam em sua cabeça. Escreveu vários poemas e os publicou em duas coletâneas: Manos da quebrada e Anjos da marquise. Depois, a escritora resolveu investir nos estudos. Começou o curso de letras, mas a dificuldade financeira prorrogou a vontade de ser professora e levar mais educação às pessoas.

Hoje, a moradora da Quadra 508 do Recanto das Emas ajuda como pode os amigos e vizinhos de bairro. “Como as crianças são mais difíceis de se conscientizar, fazemos passeios culturais à Feira do Livro e, assim, incentivamos a leitura”, conta. Os amigos Tiago Barbosa Sousa Santos, 11, e Ruan de Sousa, 12, já participaram do evento. “Passamos o dia na feira e lemos muitos livros”, contam. Larisse da Paixão, 11, lembra até o nome da obra que leu: Quem tem medo de quê, de Ruth Rocha. “Ele ensinava que podemos compartilhar nossos medos”, destaca. “Quem lê tem imaginação solta, criatividade e conhece o mundo”, defende Rosângela Tavares.

RIMA COM HUMOR
O livro Quem tem medo de quê?, de Ruth Rocha, tem 24 páginas de rima que dialogam de forma
bem-humorada com as ilustrações de Mariana Massarani. É uma leitura que abre as portas para que os medos, de forma natural, lúdica, sejam revelados.

VIRGEM TABAJARA
Em Iracema, de José de Alencar, a índia virgem tabajara consagrada a Tupã apaixona-se por Martim, guerreiro branco que personifica o inimigo. Por esse amor ela abandona sua tribo, tornando-se esposa dele.



Contar história incentiva leitura

Quem escuta muitas histórias quando criança tem mais chance de adiquirir o hábito da leitura, afirmam especialistas.


Fonte: Ministério da Cultura