quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dica de leitura: "Para Ler Literatura como um Professor" - Em livro, professor ensina a compreender literatura nas entrelinhas

da Livraria da Folha
Tipos de personagens, ritmos de enredo e composição de capítulos são analisados por Thomas C. Foster em "Para Ler Literatura como um Professor", lançado neste mês pela editora Lua de Papel. O livro mostra como interpretar os diferentes pontos de vista que compõem as histórias literárias.

A partir das obras literárias, o professor de ficção contemporânea, drama e poesia da Universidade de Michigan (EUA) esclarece as simbologias dos personagens, dos objetos e de suas respectivas atitudes. O autor esmiúça as ações que compõem as entrelinhas de cada narrativa.

O livro mostra ao leitor como ele deve treinar a "linguagem de leitura", para que aproveite ao máximo os códigos e os padrões dos textos. Na abertura de cada capítulo, Foster introduz e contextualiza os autores que serão citados.

Foster afirma que os literatos aprendem a absorver os detalhes de primeiro plano somente. Para isso, o professor recomenda muita leitura e revela segredos para os interessados se aprofundarem na análise dos textos.

Tendo como exemplo a moda do "vampilirismo", o autor se utiliza do enredo das principais obras sobre o tema para demonstrar que o vampirismo não trata somente de vampiros, mas de temas como egoísmo, luxúria, dentre outros tabus sociais.


Para Foster, fantasmas e vampiros nunca são apenas fantasmas e vampiros.

Fonte: Folha on-line

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Projeto quer estimular a leitura

Ester Leão
Projeto conta com a presença de escritor para atrair público infanto-juvenil
A qualidade da educação está atrelada à leitura, alunos e pessoas, em geral, que têm o hábito de ler são mais instruídas e informadas sobre diversos temas. A prática da leitura só acrescenta positivamente o intelecto, por exemplo, escreve bem quem lê bastante, além de enriquecer o vocabulário e a linguagem. No Brasil, a falta de leitura é uma questão cultural. Diante dessa realidade negativa quanto à incidência de leitura pelas pessoas, vários projetos e programas educacionais já surgiram, no intuito de motivar a leitura e facilitar o acesso a livros de diversos autores e temas.

Partindo deste princípio, temos a necessidade de se criar um ambiente adequado para leitura na escola, especialmente direcionado para alunos do ensino infantil e fundamental. Como estimular a leitura desde a tenra idade, sem tornar a prática uma atividade 'cansativa'? Com o objetivo de motivar a leitura e torná-la habitual entre as crianças, o Unicolégio promove o - ‘Encontro com o autor'’ com a missão de diminuir a distância existente entre o autor e leitor.

INCENTIVO
O projeto lançado há alguns anos pela instituição, contou com a presença do escritor italiano Michelle Iacocca, na quinta-feira (15) e hoje (16). O ilustrador de livros infanto-juvenis falou sobre uma de suas obras intitulada - As aventuras de Bambolina. "Ler este livro é como ler a realidade que nos circunda, a cidade, os lugares, as circunstâncias, as pessoas, o nosso mundo ou, pelo menos, o pedaço dele em que vivemos. Primeiro com os olhos, depois com a emoção", observa o autor. Durante a manhã de ontem (15), Iacocca esteve com os alunos do Unicolégio, onde autografou suas obras e trocou experiências e histórias de vida com os pequenos ouvintes. "Muitos de meus textos partiram desse contato direto com as crianças. Esclarecer suas dúvidas e ouvir seus relatos fortalece cada vez mais esse vínculo entre autor e leitor", explica.

A coordenadora do 6º e 9º ano do ensino fundamental, Natalina Battistella, ressaltou a importância do projeto e as consequências positivas que o estímulo à leitura pode trazer ao futuro desses jovens estudantes. "O objetivo é atraí-los para esse ambiente literário, mostrando o quão agradável e prazeroso pode ser o hábito da leitura, além de obter conhecimento", disse.

Fonte: O Liberal

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Cultivador de livros

Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 04/05/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B.

Crianças aglomeram-se para ver os
livros ao lado de José Luiz Goldfarb

Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça. Tal qual o semeador da famosa parábola bíblica, José Luiz Goldfarb tem cultivado livros. Curador há 20 anos do Prêmio Jabuti, considerado a principal premiação da literatura do país, Goldfarb está à frente de diversos programas de incentivo à leitura, entre eles o São Paulo: um estado de leitores, que já abriu e revitalizou 112 bibliotecas públicas no Estado de São Paulo, além de instalar 410 salas de leitura. Na sexta-feira passada, foi a vez de Boituva ser contemplada com a doação de livros e inauguração da Biblioteca Pública Municipal Ramal Parque Residencial Novo Mundo. Situada na periferia, a unidade deverá atender cerca de 10 mil moradores daquela região.

É claro que o incentivo à leitura não se resume à construção de biblioteca e entrega de livros, vai muito além. Goldfarb sabe bem disso e tem realizado cursos de preparação para capacitar incentivadores da leitura nas cidades onde são entregues as bibliotecas. Em seu discurso de inauguração, disparou: O motivo da inauguração não é nobre, não somos um povo leitor.

O coordenador lembra que o Brasil está em último lugar no quesito leitura. Isso porque durante anos não demos prioridade para isso. Faço questão de ressaltar que estou falando do hábito da leitura e não de ler por obrigação. Leitores todos somos, no trabalho ou na escola, no dia-a-dia de modo geral. Estou falando do prazer de ler e isso ainda não conseguimos no Brasil, lamenta.

Faz parte do programa visitar as cidades contempladas com as bibliotecas para verificar se a população está usufruindo. Prometo voltar à Boituva dia 30 de abril de 2011 para cobrar o uso da população, anunciou durante a entrega do prédio. Conforme o grau de utilização da biblioteca, ela poderá ser abastecida com novos livros semestralmente. Tudo dependerá da comunidade.

Goldfarb esclarece que existem muitas formas de incentivar a leitura, mas o resultado depende de iniciativas de diversos setores da sociedade como associação de moradores, igreja, professores, mídia e empresas. Temos muitas metodologias usadas com sucesso para serem aplicadas na escola, pescaria, escola de samba... São formas de cativar as pessoas para a leitura, afinal a gente não nasce lendo.

Ainda conforme o coordenador, é comum a televisão exibir propagandas diversas, mas nenhuma sobre livros. As livrarias não têm dinheiro para anúncio, isso mostra que o mercado do livro é pequeno.

A batalha do incentivo à leitura, iniciada em 2003, já teve vitórias e derrotas. Nesse período, ocorreram muitas situações. Em Flora Rica, interior de São Paulo, por exemplo, a biblioteca já é um espaço cultural, mas teve cidades que deram problema. Resumindo, é uma luta.

Curador do Prêmio Jabuti há 20 anos, Goldfarb afirma que apesar de não ser um país de leitores, o Brasil tem uma excelente produção de ficção, contos, poesia, ensaios e até mesmo livros de ciências muito criativos. O que falta é quantidade.

Questionado se existe algum autor contemporâneo que promete marcar seu nome como Machado de Assis, Goldfarb fica pensativo. Depois de refletir, arrisca: Tem gente que aposta em Milton Hatoum, mas essa é até uma questão de época. Entre Machado de Assis e a gente, teve Clarice Lispector, que as pessoas ainda estão descobrindo, ressalta.

Para Goldfarb o importante é a leitura. Por isso, não se incomoda com os e-books. Para mim a questão é a leitura, não o suporte. O e-book de qualquer forma é um livro, então não precisa ser do jeito que a gente conhece, basta oferecer possibilidade de leitura. O único inconveniente é que se o e-book descarregar, o leitor dançou.

Entre os livros

Letícia, Andressa, Larissa, Paulo Henrique, Rayane e outras tantas crianças aglomeraram-se para ver os livros que seu bairro, o Parque Residencial Novo Mundo, recebeu. Na sexta-feira passada, a discussão sobre o hábito de ler do brasileiro perdeu um pouco o sentido quando crianças e adultos tomaram posse de sua biblioteca. Se ainda não há o prazer da leitura, é certo que já existe receptividade, curiosidade e vontade de estar entre os livros.

Populares das mais variadas idades e profissões mostraram-se satisfeitos com a instalação da biblioteca. Oferecer acesso aos livros já foi um primeiro passo.

O porteiro João Batista Garcia Oliveira, 51 anos, afirma que não lia antes porque não tinha onde emprestar livro. Faz falta ter um livro para ler, diz. A mesma opinião tem a diarista Josefa Cordeiro Alves Oliveira, 39 anos. Ela lembra que conseguia emprestar livros quando a biblioteca móvel ia para o bairro.

Outra moradora que diz gostar muito de ler é a diarista Priscila Cristina dos Santos, 25 anos. Ter uma biblioteca no bairro é muito bom, é uma oportunidade de aprender mais, de ensinar as crianças e incentivar a ler. Pretendo emprestar livros e ler para meus filhos. Antigamente tinha de ir até a outra biblioteca, no centro, mas como é muito longe, ficava muito tempo sem ler, acho que eu conseguia ler dois livros por ano.

Já a aposentada Filomena Cordeiro Alves, 78 anos, ficou reticente com relação à Biblioteca. Não sei que tipos de livros vão ter.

Letícia Brasileiro, 11 anos, afirma que costumava pegar livros na escola, mas quando chegava o período de férias ficava sem ler porque não tinha biblioteca no bairro. Larissa, 9 anos, irmã de Letícia, também gosta de ler. As duas ainda estimulam a leitura do irmãozinho Paulo Henrique, 3 anos, que gosta da história dos Três Porquinhos.

Também Andressa Moreira da Silva, 9 anos, afirma que gosta muito de ler: Ia até o centro da cidade emprestar livros. Mas agora vai ficar mais fácil.

A Biblioteca Pública Municipal Ramal Parque Residencial Novo Mundo é um ramal da biblioteca central de Boituva, inaugurada com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e o patrocínio do Banco Daycoval, parceiro na instalação de diversas outras bibliotecas no estado de São Paulo.

Dicas para gostar de ler por Plenarinho

Agora que você já conhece a Sala de Leitura do Plenarinho, aqui vão algumas dicas para gostar de ler cada vez mais:

Se há alguém na família que lê, aproveite: essa pessoa pode indicar um bom caminho para você se familiarizar com os livros.

Peça dicas de bons livros aos seus parentes e professores. Eles também podem levar você para conhecer as bibliotecas públicas da sua cidade.

As histórias em quadrinhos são uma boa forma de gostar de ler desde cedo.

Se você é do tipo que gosta de saber sobre a vida dos famosos, leia uma biografia. Se é leitor de jornais, experimente livros de crônicas.

Uma peça ou um filme cuja história foi baseada em um livro pode levá-lo a procurar a obra original.

Freqüente sebos, livrarias e bibliotecas. A proximidade com os livros pode começar a seduzi-lo.

Incentivo à leitura por Plenarinho

Geralmente, a criança precisa do “empurrãozinho” de um adulto para aprender a gostar de ler. E isso é muito natural. Em algum momento, você também já deve ter desejado que seus pais o ajudassem a se tornar um leitor apaixonado, não é mesmo? E nós temos algumas dicas preciosas para os adultos.

Que tal pedir ao papai e à mamãe (ou a outro adulto responsável por você) que leiam os nossos conselhos? Se eles seguirem estes passos, você, leitor mirim, poderá se dar muito bem:

- Reserve algumas horas por dia para a leitura em família. Faça com que a criança aprecie esse momento, em vez de encará-lo como uma obrigação.

- Freqüente livrarias e bibliotecas com a criança e leve-a para eventos de contadores de histórias ou conte-as você mesmo. Faça disso um programa de lazer.

- Converse com as crianças sobre livros e peça-lhes que comentem a história que acabaram de ler. Isso estimula a formação do pensamento crítico.

- Em aniversários de crianças, dê livros de presente.

- Estabeleça horários fixos para computador, videogame e TV. Tente dosar essas atividades com a leitura.

- Jogos com palavras e frases também podem estimular o hábito pela leitura.