sábado, 10 de abril de 2010

Incentivar a Leitura

Por Gabriel Chalita

"O maior acontecimento de minha vida foi, sem sombra de dúvida, a biblioteca de meu pai". A frase impactante e, ao mesmo tempo, grandiosa, por tudo o que traz implícita, foi proferida pelo escritor argentino Jorge Luis Borges.

"O maior acontecimento de minha vida foi, sem sombra de dúvida, a biblioteca de meu pai". A frase impactante e, ao mesmo tempo, grandiosa, por tudo o que traz implícita, foi proferida pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Sua paixão pelos livros seguiu avassaladora até o final de sua vida, quando já estava cego e dependente de amigos ou familiares que liam para ele todos os dias. Borges sofria de um problema congênito na visão, proveniente de seus ascendentes paternos. Mesmo assim, isso não foi empecilho para que ele se tornasse um dos maiores escritores de todos os tempos, autor de preciosidades como "Ficções" e "O Aleph". Todavia, sua história poderia ter sido outra se, desde menino, não tivesse tido acesso ao maravilhoso e encantado mundo dos livros. Clássicos como "As mil e uma noites" ajudaram a fazer com que o menino tímido e retraído da Buenos Aires romântica do início do século 20 pudesse dar asas a uma imaginação já privilegiada, originando o escritor fenomenal em que se transformaria mais tarde. Mudemos, agora, de cenário. Brasil. Recife. No conto "Felicidade Clandestina", Clarice Lispector narra, de forma primorosa, o sofrimento de uma menina pobre cujo sonho era ler "Reinações de Narizinho", clássico de Monteiro Lobato. No final da narrativa, após ter conseguido seu tão desejado exemplar, a menina permanece abraçada ao livro, em êxtase, sem abri-lo por um bom tempo, tamanho é o seu respeito e admiração pelo tesouro recém-adquirido. Entre os grandes escritores, o que não faltam são histórias relatando o amor que devotavam aos livros, ao conhecimento, ao aprendizado... O que seria desses homens e mulheres das letras não fosse o contato precoce com a literatura? Teriam eles seguido rumos diferentes? Teriam se tornado os grandes mestres que conhecemos? Possivelmente, não. Daí a importância crucial de as escolas incentivarem a leitura e a familiarização dos estudantes com o espaço fantástico que são as bibliotecas. Cabe aos diretores e professores organizarem visitas das classes a esses centros do saber em suas escolas. A prática, com certeza, fará toda a diferença na vida das crianças e adolescentes. Para os mais novos, podem ser organizados leituras de histórias em rodas, com direito a interatividade e atividades que, já em sala de aula, complementem o trabalho iniciado na biblioteca. Quando o assunto é o estímulo à leitura, a criação de programas de incentivo é fundamental. Programas como o "Leia Mais" e campanhas como Tempo de Leitura são exemplos bem-sucedidos. Só o "Leia Mais" atendeu mais de 2 milhões de alunos do ensino médio com 3 milhões de livros de literatura. Foram investidos 20 milhões de reais com o envolvimento de 1.245 escritores e 1.934 títulos diferentes para a escolha das próprias escolas. Já a campanha "Tempo de Leitura" teve como palavra-chave o compartilhamento. Mais de 8,5 milhões de alunos do Brasil inteiro, de 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental, levaram para casa uma das seis coleções compostas de cinco volumes do projeto "Literatura em Minha Casa", do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O PNBE está disponibilizando 30 títulos literários diferentes, contabilizando um total de 12,18 milhões de coleções. Livros de Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Ângela Lago. Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Oscar Wilde, Mark Twain, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e outros escritores e poetas nacionais e internacionais vão fazer parte da biblioteca particular dos alunos. Parafraseando Monteiro Lobato: um país se faz com homens e com livros. É assim que se constrói o futuro e se garante às novas gerações, uma sociedade e um mundo mais condizente com o sonho de todos os grandes escritores e poetas. O verdadeiro educador deve trabalhar em seus aprendizes o desenvolvimento desses valores. Este texto tem como objetivo ser um convite para que reflitamos sobre livros, bibliotecas, sonhos e o quanto eles podem ser fundamentais na vida de todos nós. E para salientar esse conceito, nada mais adequado do que lembrar um trecho do poema O Livro e a América, de Castro Alves: "Oh, Bendito o que semeia/Livros... livros à mão cheia.../E mando o povo pensar!/O livro caindo n alma/É gérmen que faz a palma,/É chuva que faz o mar".

Fonte: Gabriel Chalita

Ações para gostar de ler

Por Gabriel Chalita


Há muito que se pode fazer para desenvolver a leitura. Como a Semana Nacional da Leitura.
Num conto denso, apesar de econômicas duas páginas, Clarice Lispector mostra a expectativa de uma menina que sonha com a leitura de Reinações de Narizinho, que uma colega prometeu emprestar e não emprestava nunca, de pura maldade. O conto se chama Felicidade Clandestina, e sintetiza a paixão pela leitura. A frase que comove pela expressividade é esta: "Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o."

Foi centrada sobre esta paixão que se desenvolve, a cada ano, em Passo Fundo, a chamada Capital Brasileira da Leitura, a Jornada Nacional de Literatura, que na semana de 27 a 31 de agosto cumpriu a sua 12ª edição. Concebida por Josué Guimarães, o escritor passo fundense autor de "Dona Anja" e de "Camilo Mortágua", a Jornada Nacional de Literatura é uma das mais louváveis iniciativas que o Brasil encontrou de divulgar este maravilhoso objeto de desejo que é o livro.

Sabemos que o Brasil lê pouco, e não é nossa intenção bater de novo nessa mesma tecla. É melhor saltar a etapa da constatação vazia e passar para soluções. Afora eventos como o de Passo Fundo, belíssimo no seu conceito e na sua forma, há muito mais que é possível fazer, no dia-a-dia, em casa mesmo, com nossos filhos ou com qualquer criança do nosso relacionamento, para desenvolver o hábito da leitura.

A primeira providência é dos pais, ao estabelecer o hábito de ler histórias para os filhos. Nietzsche relatou, em seus "Escritos autobiográficos", que sua mãe o ensinou a ler e escrever, antes mesmo que ele ingressasse na Escola Primária de Naumburg. E o ensinou tão cedo porque uma das recordações mais vivas de sua primeira infância foi a do escritório onde seu pai preparava suas pregações destinadas à pequena igreja luterana da cidade de Röcken. No escritório, estantes repletas de livros, muitos deles com numerosas ilustrações, as quais faziam daquele lugar o seu preferido na casa.

As escolas devem assumir estratégias de incentivo à leitura, também, como a leitura de contos em voz alta pelas crianças, para incentivar a expressividade e a oralidade. E dramatizações, a cargo de contadores de histórias.

Os professores, por sua vez, devem escolher livros que despertem a atenção das crianças, evitando livros que bloqueiem o desejo da leitura. Todos os autores são fascinantes, mas é necessário planejar o caminho da leitura.

A mídia pode participar ativamente, como fazem Gilberto Braga, Walcyr Carrasco e outros, divulgando em suas novelas autores nacionais e incentivando a leitura. Os programas jornalísticos também podem apoiar, divulgando, por exemplo, iniciativas populares de criação de bibliotecas nas comunidades.

E, ao final, o governo pode e deve executar ações como programas que estimulem a criança a levarem livros para a casa. Desta forma, poderemos ter mais crianças como a personagem de Clarice Lispector, que às vezes se sentava na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante." Este é o tamanho da paixão que a leitura desperta.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mais cartazes

"Ler é viajar no tempo"
 
"Ler ilumina"
 
"A leitura leva a sua imaginação às alturas"
"Quem lê, viaja pelo mundo"
 
"O livro e você.
Um pas de deux perfeito"
"Pode mergulhar de cabeça"
"Quem lê, voa."
Droga Raia

Escola e família: parceria na formação de leitores autônomos

Um dos principais objetivos da Escola da Ilha é contribuir para a formação de leitores autônomos. Sabemos que as práticas que geram o gosto pela leitura têm início antes da chegada da criança à escola e vão além do tempo que ela passa na escola. Entretanto, temos clareza da importância das ações desenvolvidas pela instituição escolar com relação ao ensino da leitura e ao gosto pela leitura.
Por isso, listamos algumas das atividades mais presentes no cotidiano dos nossos alunos e outras que poderão ser vivenciadas em casa ou ainda desenvolvidas em parceria entre a escola e a família:

» Garantia de horário de leitura em sala, na biblioteca ou em casa (todos lendo, sem cobrança de atividades relacionadas, mas com espaço para comentar as leituras feitas);

» Ciranda de livros com títulos propostos pelos professores;

» Ciranda de livros com livros trazidos pelos alunos;

» Leitura de livros feita pelo professor ou pelo colega;

*Leitura de livros por capítulos;

*Projetos literários com atividades diferenciadas dentro da temática do livro lido;

*Rodas de conversa sobre um livro lido por todos os alunos;

*Leitura de reportagens interessantes;

*Leitura de textos científicos (relacionados aos projetos ou conforme os interesses dos alunos);

*Oficina de poesia;

*Oficina de escrita e reescrita de textos;

*Leitura na biblioteca da escola;

*Contação de histórias;

*Reconto de histórias;

*Escolha de livro para empréstimo;

*Comentários (propagandas) sobre livros lidos, que estimulem o desejo de ler;

*Fazer um resumo do livro lido;

*Ler para a criança, quando possível, causar suspense, dramatizar, aguçar a curiosidade;

*Ler com a criança fazendo um rodízio (o adulto lê uma página e a criança outra);

*Ler sobre temas estudados;

*Ler notícias de jornais, enfatizando a parte cultural;

*Ouvir a leitura feita por outros leitores;

*Freqüentar bibliotecas, museus e galerias de arte;

*Freqüentar cinemas, teatros, eventos culturais e ler nos jornais notícias e críticas relacionadas;

*Freqüentar livrarias para conferir lançamentos, ler e comprar livros;

*Contar para os alunos/filhos experiências pessoais com a leitura vividas na infância e na adolescência;

*Deixar livros à disposição das crianças (mini-biblioteca);

*Assinar e/ou comprar jornais e revistas adequadas à faixa etária dos filhos;

*Mostrar que a leitura faz parte do seu dia-a-dia.
Concordamos com Jean Hébrard, quando ele afirma que: “... a capacidade de ler ultrapassa consideravelmente a capacidade de decifrar”.

Sendo assim, não é apenas o aprendizado do sistema de representação da língua materna que está em jogo, mas, principalmente, o uso social que os nossos alunos venham a fazer da leitura como ferramenta para conhecer, para se informar, para compartilhar, para apreciar, para se emocionar, para se encantar, para se divertir... enfim, para saber mais.