quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A biblioteca vai ao restaurante

Rosângela Angonese

No país em que menos de 8% da população brasileira compra livros, conforme divulgado neste site, iniciativa como a do Quintana Café & Restaurante em Curitiba é louvável do ponto de vista da cultura e do incentivo a leitura.


Do ponto de vista dos negócios, a iniciativa nos estimula a refletir sobre o que é inovação.

Quando pensamos em inovação logo vêm à cabeça os produtos high tech, os altos investimentos em pesquisa e gênios desvendando coisas completamente mirabolantes e jamais imaginadas.

Pode ser que inovação seja isso, mas também é a criação de processos diferenciados a partir de ideias simples e criativas como as implementadas pelo Quintana Café & Restaurante, em Curitiba.

O Quintana, como o nome sugere, é um café e restaurante inspirado na poesia, na literatura e, é claro, no escritor gaúcho Mario Quintana. Lá a literatura e a gastronomia convivem em harmonia. Um dos sócios, editor literário, abriu sua biblioteca particular para os clientes, que podem folhear ou ler os livros no próprio restaurante e até levá-los para casa como empréstimo. E o mais incrível, preenchendo uma simples ficha com telefone e e-mail, os clientes levam e trazem honestamente os livros emprestados.

Enquanto comem os clientes apreciam artistas locais recitarem poemas ou contando estórias, além de poderem ouvir uma boa música ao vivo, variando o estilo a cada dia da semana.

Pelo lado da gastronomia, ele também não deixa para menos, localizado numa área nobre da cidade, cultiva nos seus jardins todos aqueles temperinhos que dão cheiro e sabor à comida: manjericão, alecrim, sálvia, etc.

Ao degustar a comida a sensação é de estar saboreando o frescor daqueles temperinhos da horta, vistos do corredor que conduz ao interior do restaurante.

O exemplo desse empreendimento mostra que idéias simples e cuidados com os detalhes transformam um negócio ordinário num empreendimento diferenciado e de extraordinária delicadeza.

Fonte: Blog do Sidney

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É de criança que se forma um leitor

Por Jean Souza Romeiro

Estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) referente ao hábito da leitura em 52 países revela que o Brasil ocupa a 47ª posição. Mais do que isso, mesmo tendo elevado a média de livros que os brasileiros leem por ano de 1,8 para mais de quatro nos últimos anos, o ranking é um sinal de alerta para que haja maior empenho em relação à Educação. Em países desenvolvidos, uma pessoa lê em média 10 livros ao ano.

Na opinião da Claudio Amadio, criador da Cidade do Livro, há que se comemorar a transformação por que a educação vem passando. “Percebemos uma ação conjunta de pais e educadores no sentido de desmistificar a ideia de que os livros são chatos e de mostrar na prática que é perfeitamente possível se divertir em meio a livros e num ambiente cultural”.

Amadio revela que a cada ano aumenta o número de escolas que adotam o primeiro parque temático cultural brasileiro como passeio. Inaugurada há 12 anos, a Cidade do Livro combina diversão e cultura em um grande espaço, onde as crianças são recebidas num cenário de livros gigantes. Cerca de 10 mil educadores e 80 mil alunos realizam o passeio monitorado todos os anos, entre os meses de março e dezembro.

“Muitos educadores relatam ter percebido que as crianças passaram a se interessar mais por livros depois de visitar a Cidade do Livro. Mas há outras atitudes que devem ser tomadas para incentivar a leitura. Quando os livros são enaltecidos em sala de aula, por exemplo, os alunos geralmente se sentem motivados a ler em casa, junto aos pais e aos irmãos”, diz o empresário.

Claudio Amadio aponta 5 dicas para formar bons leitores:

1. Maior participação dos pais. “Além de estreitar os laços familiares, a leitura favorece a diferenciação entre a palavra escrita e a impressa, permitindo que a criança construa um vocabulário mais rico, desenvolva habilidades auditivas e concentração, crie o gosto pela literatura e encare a leitura como uma alternativa de lazer para a família.”

2. Comprometimento da escola. “Cada vez mais os educadores integram o incentivo à leitura e o letramento aos projetos interdisciplinares da escola. Tanto as escolas particulares como as públicas vêm desenvolvendo excelentes projetos de leitura. Em face das limitações de verba, o ideal sempre fala mais alto e a criatividade acaba compensando.”

3. Envolvimento da iniciativa privada. “Com a criação de leis de incentivo à cultura, tanto federal (Lei Rouanet) como estadual (ProAC/SP), a iniciativa privada já está se dando conta do importante papel social que pode e deve desempenhar. Devido ao bom uso de recursos públicos, crianças de outros estados estão entrando em contato com o projeto itinerante da Cidade do Livro, por exemplo.”

4. Maior atenção das editoras, livrarias e autores. “No Brasil, temos poucas livrarias em relação à nossa área física e à população do país. Mesmo assim, um livro fechado na estante apenas decora o ambiente. Por isso, é preciso intermediar esse contato com o livro de maneira lúdica e criativa. Cada vez mais as crianças têm acesso a livros que se diferenciam nos formatos, tipos, ilustrações e assuntos. Existem livros para todas as idades e todos os bolsos, com muita qualidade nos textos de escritores nacionais e nos textos traduzidos”.

5. Aumentar oferta de diversões globalizadas. “Este quesito combina iniciativas mistas, que partem tanto do governo, como das empresas, das escolas, dos pais e da mídia. Ao lado dos esportes, das viagens, do videogame e da televisão, é importante que a oferta de programas de lazer passe a enfatizar mais a diversão e a cultura ao mesmo tempo. Crianças habituadas desde pequenas a rituais culturais certamente desenvolvem maior interesse pela leitura na fase adulta”.

Fonte: Porto Cultura

Métodos para contar histórias

Principles of Story Telling, Barry McWilliams
Traduzido e publicado com autorização do autor.

Ao escolher um método, comece por analizar a história e qual o seu objetivo. Em geral use:
Narração: quando a história tem um enredo simples e elementos familiares.

Participação ou cantos: quando você tem partes que se repetem frequentemente e/ou frases engraçadas.

Material visual: quando a história for complicada ou contiver elementos desconhecidos.

Histórias caracterizadas: teatro, fantasias ou um único boneco. Quando o envolvimento ou o teatro ajudam a enfatizar a mensagem da história ou para facilitar a expressão de sentimentos e pensamentos interiores.

Dramatização: quando se quer ilustrar uma aplicação da mensagem ou se tem muitos personagens de igual importância.

Outras possibilidades são:

# Ler a história diretamente para as crianças. Ao se preparar leia a história diversas vezes e pelo menos uma vez em voz alta. Ao ler para as crianças seja tão animado como se estivesse contando-a; leia devagar e olhe nos olhos das crianças.

# "Vamos fazer de conta" muito bom para explorar atos e suas consequências.

# Contar uma experiência; algo que aconteceu a você, e de preferência que não te coloque como um "bom" exemplo.

# Discussão / perguntas e repostas (melhor com crianças mais velhas); lembre-se que uma história biblica não é uma palestra.

Métodos Envolventes:

# História participativa. Como quando um mágico usa alguém da platéia.

Em geral nós guardamos 60% do que fazemos, 30% do que apenas vemos e apenas 10% do que apenas escutamos.

# Coros, cantos e histórias com eco. O professor combina com as crianças uma frase ou atitude à qual elas devem responder com uma palavra ou gesto específico. Ou faça com que as crianças criem os efeitos sonoros de acordo com a história sempre que você indicar. É impressionante a quantidade de coisas que eles memorizam assim.

# Pantomima: É especialmente eficaz com grupos pequenos de crianças menores, em que eles "participam" na história ao representar.

# Teatralizando: apos contar rápida e resumidamente a história deixe as crianças se tornarem os personagens.

# Jogo de personificação: cada criança assume um personagem e deve reagir às situações que você apresenta.
Métodos visuais:

# Histórias em sequencia: a medida que a história evolui, use uma série de figuras para ilustrá-la. Livros de colorir são boas fontes de material; Cuidado com: temporização (para que as figuras não sejam apresentadas antes do fato), controle o interesse do grupo e não distraia a atenção deles dos pontos importantes.

# Quadros de Figuras ou palavras: A chave aqui é o elemento surpresa (o que será acrecentado depois?)

# Figuras misteriosas: a medida que a história é contada vá desenhando uma série de linhas e formas sem sentido até que as linhas se formem objetos reconhecidos que dão ênfase a partes da história. (Simplifique o trabalho fazendo os traços a lápis, bem claro, antes. Certifique-se que o quadro e o desenho são grandes o suficiente para ser vistos por todos. Falar e desenhar ao mesmo tempo é mais complicado que parece; conheça bem a história e pratique antes).

# Acrósticos: podem ser usados durante a lição preenchendo com as palavras no correr da história. (ex. escreva JESUS no quadro; a medida que a história continua escreva: José no J de Jesus, Esteve no E de Jesus, etc...

# Flanelógrafo: Muito útil se a sequencia, movimento e relacionamentos são importantes para a história.

Métodos visuais são especialmente importantes se objetos desconhecidos são parte da história. As vezes é melhor apresentar os objetos antes da história para evitar confusão durante a narrativa.

Outros métodos visuais incluem modelagem, dobraduras, quadros de giz, mapas...

Métodos dramáticos

Ao contar uma história, lembre-se que suas expressões faciais e gestos são tão importantes como o tom e o som da sua voz. Aprenda a exagerar emoções, desenvolva diferentes vozes e personalidades, conte histórias em "bumerangue", isto é você dialoga com você mesmo.

# História narrativa. O professor assume a postura de observador / testemunha, até as vezes usando uma fantasia. Ajude as crianças a "estar lá" com você, ver através dos seus olhos.

# Esquetes ou quadros vivos. A história toda ou partes são encenadas.

# Entrevista: onde o professor entrevista um personagem convidado (requer 2 pessoas ou você e 1 boneco)

Bonecos e fantoches.Existem diversos tipos de fantoches. Os mais simples podem ser feitos a partir de uma meia ou saco de papel ou simplesmente recortando silhuetas e colando-as a palitos de picolé.

Cada fantoche deve ter uma personalidade clara (ex. nervoso, tímido, orgulhoso.. ) e também uma voz que não devem mudar durante a história.

Não use fantoches apenas para narrar a história; converse com o boneco ou faça com que atuem.

Tome cuidado ao usar fantoches em um teatro, para que eles não caiam da cena, a medida que seus braços cansem e para que sua voz alcance a platéia. Cuidado com movimentos fora de sincronia, diálogos muito complexos e excesso de objetos e cenários. Mantenha contato visual (olhar) entre os fantoches e entre fantoches e crianças.

Cuidados gerais:

Atente para moralização: Nós estamos tentanto comunicar o amor de Deus para pecadores e não morais ou "faças" e "não faças". Não confunda o evangelho com a sabedoria da idade ou conselhos paternais.

Atente para possiveis erros de interpretação dos objetivos da lição. Cuide para não pegar as histórias literalmente ou carregá-las com outras conotações em detrimento da mensagem.

Fonte: Idéias e Dicas para Juventude Evangélica e Escola Dominical

Como contar histórias?

Como contar histórias?
 Principles of Story Telling, Barry McWilliams
Traduzido e publicado com autorização do autor. 
  • Passe segurança! Não se desculpe ao começar, nem em palavras nem com uma expressão corporal encurvada. 
  •  Conte em suas próprias palavras. Deixe a imaginação funcionar - isto é o que cria mágica e não malabarismos da memória. 
  • Se der branco, continue. Não faça caretas, chingue nem desculpe-se. Continue descrevendo detalhes de cores, locais.. isto estimula a imaginação e ajuda a memória. Ou então faça uma pausa, olhando todos nos olhos, como para levantar suspense (não olhe para o chão). Improvise!  
  •  Mantenha as histórias até 10 minutos de extensão. Ensaie e cronometre.
  • A introdução é crucial. Você vai ganhar ou perder nos 3 primeiros minutos dependendo de como você começa. 
  • Você tem que criar sua audiência no grupo de crianças, cada uma com seus próprios pensamentos e focos de atenção, antes que você possa começar a contar uma história para elas. Deve haver, na introdução, o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade, unindo as crianças em antecipação. Não dê tudo na introdução. Sempre mantenha um certo nível de mistério, antecipação e surpresa durante toda a história.
  • Nós adultos tendemos a subestimar a capacidade das crianças de imaginar e fantasiar, e assim, muitas vezes fazemos muitos esforços para esplicar ou justificar o cenário, ou explicar tudo com detalhes. Na verdade, o que atrai as crianças é a possibilidade de entender os aspectos implausíveis da história depois; o que é ótimo, você tem a atenção delas e elas ficarão pensando no que você disse.
  • Para contar histórias você precisa de um pouco de habilidade em vendas, sinceridade (não tente fingir alegria, tristeza, etc.. seja verdadeiro!), entusiasmo (não significa ser barulhento ou articificial), animação (em gestos, voz, expressão facial) e mais importante, ser você mesmo.  
  • Nós queremos que a mensagem chege clara e bem definida. Nosso objetivo é comunicar as verdades da Bíblia de uma maneira pessoal e com uma aplicação clara. Seja qual for a maneira que você conte a história, tenha certeza de ser objetivo! Não assuma que as crianças vão entender. Torne a história o mais real possível. Não conte a história de uma maneira cansada ou mal resumida. Pule dentro da narrativa, com a mesma intensidade que os fatos... escolha UM ponto e conte-o como se fosse a notícia mais interessante do mundo.
  • Mantenha simples e direto.
  • Uma vez terminada a história, não fique divagando e corrigindo. Deixe os pensamentos das crianças presos no ponto da história, na mensagem central.
  • Quanto mais você praticar, melhores ficarão as suas técnicas. Teste diferentes métodos, seja criativo. Você sempre aprende com suas experiências. Não seja extremamente tímido ou preocupado "com o que os outros irão dizer se...". Não tenha medo de ser um palhaço ou fazer papel de bobo para Cristo e para as crianças. Humildade, amor e oração são elementos importantes para contar histórias, juntamente com criatividade e inovação. As crianças pegam muito mais do que a história de você; elas percebem o seu entusiasmo pessoal com a mensagem. Elas precisam ver que você foi tocado pela Palavra. Prepare o seu coração enquanto prepara a história.
  • Tenha certeza de colocar algum drama, suspense na história. Deve haver uma situação que dirija ao climax e ao final da história. O conflito pode ser introduzido imediatamente ou aos poucos para aumentar o suspense e a intriga. Tente levar os ouvintes a se preocupar junto com os personagens e se envolver com o que acontece.
  • O professor deve estudar a lição muito bem. Você precisa saber muita coisa para poder ensinar um poquinho.
  • Crianças aprendem com seus sentidos. Elas adoram sentir, cheirar, tocar, escutar e ver. Descreva personagens e locais vividamente, ajudando-os a solidarizar-se com os personagens.
  • Numa audiência mista, tente colocar a história ao nível do mais novo.

Características de uma boa história:
Tema único e bem definido; Enredo bem desenvolvido; Estilo: imagens vívidas, sons e ritmo agradáveis; Caracterização; Coerente com a fonte; Apelo dramático; Apropriado e adequado aos ouvintes.

  
Fonte: Idéias e Dicas para Juventude Evangélica e Escola Dominical

A arte de ( ENCANTAR ) Contar Histórias

Paulo Henrique A. Vieira (PH)
phavieira@gmail.com  

A narração de histórias remota os princípios da comunicação do ser humano. Na antiguidade era forma pelo qual o conhecimento era adquirido. Os nômades , viajantes, andarilhos e todos os tipos de pessoas viajantes e viajadas, sempre narravam suas histórias, suas aventuras e andanças pelo mundo, aos ouvintes que se interesavam por tais fatos e narrativas, e através delas, absorviam o que lhes interessava, fazendo uso desta informação da maneira que mais lhes era pertinente.

Nos dias atuais a narração de histórias, ou a arte de contar histórias e uma atividade ligada a diversos afazeres e voltada para cada momento diferente, porém ainda com o mesmo objetivo especifico, que é construir no ouvinte um momento auditivo de interação com o contador de histórias, de modo tal que através deste contato, as histórias possam imprimir algum sentido direto na vida destes ouvintes, servindo de meio interativo para a caracterização do seu espaço, fazendo com que este ouvinte possa fazer ligações com seu cotidiano e desta forma, ajudar a este ouvinte na percepção de sua realidade, e como agir para modificar o que desejar.

Através das histórias observamos a nossa própria vida e fatos ocorridos, através da comparação pensamos e repensamos nossas atitudes.

A contação de histórias deve ser exercida para pessoas de todas as idades, em todas as condições. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos se interessam por uma boa história contada, e todos acabam fazendo ligações individuais com a narrativa.

A contação de histórias e ferramenta muito bem utilizada também em diversos momentos, porém e mais validos citar dois momentos, os quais, me interessam mais.

Primeiro no apoio/auxilio no tratamento de criañças enfermas e doentes, claro o contador de histórias deve antes de tudo ter um discernimento muito bom para saber bem qual a história deve ser contada, deve antes ater-se a realidade da crianças hospitalizadas e ai sim escolher temas e historias que auxilien de forma positiva no tratamento destas crianças.

E por segundo, a contação de histórias no ambiente da Biblioteca Escolar, enquato auxilio/apoio ao incentivo a leitura de crianças. Esta atividade e de suma importância neste contexto devido mediação que pode ser feita entre os livros e as crianças, o ludico, as imagens, a narrativa, desperta nas crianças que estão sendo alfabetizadas o interesse pelo livro e pela literatura, fazendo com que estas façam ligações diversas com o texto narrado e seu universo infantil.
É uma arte encantar e contar histórias!
Fonte: Overmundo