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sábado, 11 de setembro de 2010

Projetos incentivam o hábito da leitura

Parceria contribui para a revitalização de salas de leitura nas escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal

Uma parceria entre escolas da Secretaria de Educação (SEDF) com o Projeto Bibliotecas Casas do Saber tem refutado as previsões pessimistas sobre o futuro do livro diante das novas tecnologias. Um exemplo desta ação foi a inauguração da Sala de Leitura Monteiro Lobato, na Escola Classe Café Sem Troco no Paranoá, nesta quarta-feira (1º de setembro).

O projeto Casas do Saber, desenvolvido pela Rede Gasol, tem realizado um trabalho de arrecadação de livros nos postos de combustível do Distrito Federal. Com a colaboração de voluntários, os livros são selecionados e distribuídos para as bibliotecas beneficiadas. Os espaços a serem destinados às salas de leitura também recebem manutenção e mobília.

Na EC Café Sem Troco, a sala recebeu, além do acervo, estantes, mesas e cadeiras e um computador. A iniciativa favoreceu os 284 alunos da instituição educacional. Para o diretor da instituição, Marcelo Soares de Oliveira, a inauguração contribuiu para a valorização da leitura. “Queremos instigar nossos alunos a se tornarem leitores conscientes. Com o novo acervo, nossos projetos de leitura serão consolidados”.

A escola já desenvolve diversos projetos como o “Centopéia Sabida” e o “Diário de Bordo”. No primeiro, um dos servidores da escola fantasiado leva uma maleta de livros a cada sala de aula e desenvolve conteúdos de acordo com a disciplina em foco. O outro incentiva o hábito da leitura e da escrita – o aluno pega emprestado um livro e, ao devolvê-lo, narra aspectos da sua vida e observações da obra escolhida.

Outra instituição beneficiada é a Escola Classe do SRIA, no Setor de Indústria e Abastecimento. O projeto Casa do Saber reformou a sala de leitura, que foi batizada como Casa dos Sonhos. O nome sugestivo foi escolhido por votação entre os estudantes. Também foi criado o projeto Hora da Leitura: todos os dias, após o intervalo, os alunos ouvem música clássica, enquanto leem obras literárias.

A sala de leitura Ruth Rocha, da Escola Classe 2 da Estrutural, que atende 758 alunos, também faz parte do projeto. Uma vez por semana, o projeto “Lendo e aprendendo” promove uma pausa para leitura, de aproximadamente uma hora, com a participação de servidores e alunos. Os estudantes, além da leitura na escola, levam os livros escolhidos para casa e depois escrevem suas impressões em um caderno de registro.

Segundo a diretora, Maria Leodenice Alves, os livros são instrumentos poderosos para a promoção da cidadania. “Mesmo com todo o aparato tecnológico, o livro sempre terá seu espaço. No período de alfabetização, por exemplo, são imprescindíveis às crianças”, finaliza.

Projeto Bibliotecas Casa do Saber

Criado em 2007, tem beneficiado as escolas da rede pública de ensino e outras instituições, como o Centro de Detenção Provisória (CDP), do Complexo Penitenciário da Papuda.

Para o diretor operacional da rede Gasol, Antônio José Matias de Sousa, a iniciativa é importante, pois, à medida em que valoriza a leitura, possibilita a ampliação do conhecimento. “Inauguramos a 78ª biblioteca, no Café Sem Troco. É gratificante ver como a leitura é um instrumento de transformação. No presídio feminino, por exemplo, o comportamento das internas foi modificado por meio da leitura.”

Ascom - Secretaria de Educação

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Formação literária do professor: nunca é tarde para gostar de ler

Muitos professores brasileiros não tiveram a chance de construir uma história como leitores de literatura. Mas sempre é tempo de criar o hábito de leitura e também inspirar seus alunos

Foto: Omar Paixão

Você terminou de ler um romance. Chega à escola e corre para compartilhar a experiência com os colegas. Fala sobre os conflitos do personagem (sem entregar o fim da história, é claro) e comenta que já viveu vários dos questionamentos narrados na história - razão pela qual a trama prendeu a atenção do começo ao fim. Outro professor aproveita para dizer que já leu algo do mesmo autor - e a conversa continua, animada, até a hora de a aula começar.

"Um mesmo livro nunca é o mesmo para duas pessoas", já disse o poeta Ferreira Gullar. Essa experiência, ao mesmo tempo pessoal e coletiva, é tão rica porque nos permite entrar em contato com uma realidade diferente da nossa - e, graças a isso, (re)construir nossa própria história dia após dia.

Porém a realidade de grande parte dos docentes brasileiros está bem longe disso. Muitos não tiveram acesso a obras literárias em casa nem construíram práticas sociais de leitura (na Educação Básica e nos cursos de graduação universitária). "O professor médio brasileiro do ensino público teve pouco acesso e estímulo a ler. Por isso, conhece poucas obras de literatura contemporânea e clássica", afirma Zoara Failla, gerente executiva de projetos do Instituto Pró-Livro. Então, o que fazer para transformar essa pessoa que tem pouca familiaridade com a literatura em um agente disseminador de boas práticas leitoras? O mais importante é saber que nunca é tarde para se deixar encantar pela literatura e começar uma trajetória como leitor - ou, quem sabe, ampliar ainda mais os conhecimentos sobre os livros. Vamos nessa?

Por que ler

O leitor literário lê por razões variadas: rir, refletir, investigar, relembrar, chorar e até sentir medo. Lê porque mergulha no que autores e personagens pensam e sentem - no passado, presente ou futuro, em lugares distantes ou que nem sequer existem. Lê porque as narrativas literárias o ajudam a refletir sobre a vida e a construir significados para ela.

Como virar um leitor

Não existe um caminho único para se tornar um leitor literário. Você pode começar por textos simples do ponto de vista linguístico e depois passar para os mais complexos - ou iniciar por temas próximos e partir para os mais distantes. "E há os que preferem os grandes desafios desde o princípio porque sabem que eles têm algo a oferecer, nem que seja a estranheza", afirma Ana Flávia Alonço Castanho, selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Um bom caminho para alavancar o gosto pelos livros é procurar uma comunidade de leitores (podem ser os professores da escola, os amigos, os parentes - o importante é encontrar gente que goste de ler). Em Andar entre Livros, Teresa Colomer, professora de Literatura na Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, afirma que "ao compartilhar as impressões sobre uma leitura passamos a saber os significados que a obra tem para os outros, o que enriquece nosso repertório". Outra vantagem desse diálogo permanente é a troca de indicações de textos e autores.

O livro (e outras linguagens)

Para os adultos que estão se iniciando no mundo da literatura, perceber as relações entre os livros e outras linguagens é também um caminho interessante. Ver um filme, ouvir uma música ou assistir a uma peça de teatro baseados em obras literárias e depois ler o texto original - ou vice-versa - é ótimo para entender como uma história é contada de maneiras diferentes. Cada formato tem uma especificidade e prioriza determinados elementos, como a descrição do personagem ou do cenário. É inevitável fazer algumas perguntas. O que mudou do texto para a encenação? Como o cinema traduziu em imagens uma paisagem antes descrita só em palavras? E os personagens, como foram retratados? Isso ajuda a despertar o senso crítico e, claro, querer ler mais.

Foto: Omar Paixão

Quando ler

A leitura deve ser uma atividade cotidiana, mas não precisa ter hora marcada nem deve se restringir a obras novas. Que tal retomar um livro que foi difícil de ler (ou aquele que você adorou)? Em determinada época da vida, um título pode parecer complexo ou não emocionar e, em outras, ganhar novos sentidos. Já no caso dos livros preferidos, nada melhor do que sentir novamente as sensações que a obra provocou, reler os trechos que mais gostou e relembrar as razões que o levaram a eleger aquele escritor como uma referência.

Onde ler

A leitura é um hobby e cada pessoa conhece o melhor lugar para se entregar aos livros. Há quem goste de ler deitado na cama, antes de dormir. Ou ler no ônibus, a caminho do trabalho. Outros preferem o sofá da sala. E você?

O que ler

Muita gente diz que o bom leitor é aquele que lê os grandes clássicos da literatura. Bobagem. Um leitor competente lê de tudo e passeia por gêneros variados, trilhando o próprio percurso. "Como diz o poeta brasileiro José Paulo Paes, devemos ler desde pornografia até metafísica", argumenta Heloisa Ramos, especialista em Língua Portuguesa e formadora do projeto Letras de Luz, da Fundação Victor Civita (FVC). Os best-sellers, por exemplo, recorrem a padrões narrativos simples e trazem certo conforto. "É por isso que tanta gente gosta dessas obras", afirma Celinha Nascimento, mestre em Literatura Brasileira e assessora de escolas públicas e particulares. "Mas não tenha medo de explorar outras possibilidades", sugere (confira na próxima página sugestões para aprofundar-se no mundo da literatura). Aguns livros exigem mais, pedem esforço intelectual, persistência e concentração. Em troca, costumam nos recompensar mais. "Ler Machado de Assis pode não ser fácil, mas não há dúvida de que proporciona muito mais possibilidades de reflexão", afirma Ana Flávia. Só não deixe que tudo isso vire sinônimo de sofrimento. "Fica mais fácil aceitar os percalços da leitura quando encontramos alguma satisfação", argumenta Celinha. Isso vale para você e para seus colegas. E também para seus alunos. Pode parecer difícil, mas basta dar o primeiro passo - ou melhor, abrir o primeiro livro. Boas leituras!

Publicado em Agosto 2010

Fonte: Nova Escola

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Espetáculo infantil "Histórias Daqui e de Lá" conscientiza o público infantil sobre o hábito pela leitura


Texto: Fernanda Lima e Lincoln Spada
Foto: Rodrigo Fernandes

Foi possível escutar dezenas de risadas infantis vindas da Biblioteca Municipal de Cubatão, durante a canção final de "Histórias Daqui e de Lá", peça apresentada no local, nesta terça-feira, dia 3. A alegria das narrativas das atrizes Danielle Barros e Lívia Sales contagiou o público do Ensino Fundamental I da UME Acre nas duas sessões: às 9 e às 15 horas. O espetáculo está em cartaz há 15 anos na companhia As Meninas do Conto, e desde 2008 é encenado no Programa Viagem Literária, projeto da Secretaria de Estado da Cultura em parceria com bibliotecas municipais. Tendo uma colcha de retalhos como pano de fundo, as atrizes encantavam as crianças com contos que remetem à tradição oral. Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Câmara Cascudo foram alguns dos autores que tiveram suas histórias atualizadas na versão das narradoras. Ricardo Campinas Gonçalves, de seis anos de idade, abraça contente sua mãe, a Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Patrícia Campinas Gonçalves, que diz: "Quando você trabalha com o lúdico, as crianças desenvolvem mais a criatividade e interagem ainda mais com o mundo".

Na ponta dos pés, Danielle despertava a curiosidade dos estudantes: "E Pequetito se tornou um lindo, garboso e alto samurai". Depois dos aplausos, a professora de Educação Artística da Escola Estadual Afonso Schmidt, Laura Ribeiro, elogia o trabalho da companhia teatral: "De fato, a narrativa é um recurso ilimitado para a imaginação dos alunos". A atriz complementa: "O universo das histórias pertence às crianças. A história é o meio de chegarmos às nossas raízes, precisamos fazer essa continuidade oral chegar às futuras gerações".


Espetáculo - Olhos atentos, sorrisos no rosto, imaginação aberta e muitas gargalhadas. Foi assim que aproximadamente 50 crianças da UME Acre Cota 200 reagiram ao escutar histórias sentadas no chão de uma das salas da biblioteca municipal. Quem estava atrás ficou de joelhos para não perder nenhum movimento das meninas do conto.

Tambor, balafon, carrilhão, conduíte, prato, chapéu, avental, anel, entre outros instrumentos de percussão e adereços, encantaram ainda mais as narrações. Com um simples chapéu surgia um personagem, com um avental aparecia outro. E as crianças não paravam de rir, não só pelos contos, como também pela música, que era transformada em uma emocionante viagem. “Conta de novo”, disse uma aluna após ouvir a história “A Pequenininha”. Mas não só as crianças, os adultos também puderam relembrar sua infância. Prova disso foram as risadas que ressoavam nos corredores da biblioteca.

Nathalia Rodrigues Leonel, de seis anos, estudante do 1° ano do Ensino Fundamental, participou pela primeira vez de uma aula diferente: “Só a minha mãe me conta histórias, e foi muito legal ouvir outra pessoa. Senti medo e alegria simultaneamente”. Já para a Sofia Oliveira da Silva, de sete anos, além de sua mãe, só a professora contava histórias. “Elas fazem mágicas. Foi muito legal ouvi-as com os instrumentos”, afirmou a aluna do primeiro ano.

Ao final do espetáculo, levantando o braço e um pouco tímida, uma criança perguntou: “Vocês usam a imaginação?” A atriz Danielle respondeu: “Sim, com certeza. A gente pegou essas histórias dentro da biblioteca, por que a gente vai embora, mas as histórias ficam”. Baseado em contos literários, Histórias Daqui e de Lá tem direção de Simone Grande, cenário e figurino de Luciana Bueno.

Educação pela fábula – “História é metade de quem ouve e metade de quem conta. E hoje, todos nós contamos histórias”, disse Danielle. Dilcelene de Souza de Aquino, uma das professoras das cinco turmas que estiveram na biblioteca, também acredita na educação pela fábula. “Foi maravilhoso. As duas associaram os sons com os contos. E foi dessa forma que elas incentivaram os professores a fazer essa didática na escola”, ressaltou.

As atrizes acreditam na educação emancipadora. “A criança aprende a história porque existem valores nela. A gente planta a sementinha e a tendência é sempre continuar. Todo mundo pode contar histórias”, explicou Danielle.

Chefe da Divisão de Bibliotecas e Arquivo Histórico de Cubatão, Welington Ribeiro Borges ressalta: "Esse momento tem a função de despertar o interesse das crianças de freqüentar a biblioteca e de desenvolver o hábito da leitura". O Programa Viagem Literária proporciona eventos artísticos mensais nas bibliotecas do Estado de São Paulo. Cubatão participa das programações desde a primeira edição, em 2008.

sábado, 31 de julho de 2010

Imaginação dos filhos é fértil

Ana Paula Nascimento

Acostumada a ler intuitivamente para os filhos desde quando eles eram bêbês, Vanessa Almeida tem consciência da sua contribuição em cultivar neles desde cedo o prazer pelo hábito da leitura. Hoje Ana Clara, 4 anos, Antônio Miguel, 6, João Gabriel, 10, e Maria Raphaely, 12, são frequentadores assíduos da Biblioteca Pública Infantil de Londrina.

Todo sábado ir à biblioteca é um dos programas favoritos da família leitora, que sempre conta com a presença do pai, Gelson Almeida - contador que passou a gostar de ler por influência da esposa e começou a se preocupar mais com o assunto depois que teve a primeira filha.

No início, com os filhos, Vanessa utilizava os livros de plástico e pano, mas também lia em voz alta trechos de algum livro. ''Mesmo que eles não entendam, prestam atenção e é uma forma de estimular''. Além de ajudar no desenvolvimento da fala e da escrita, trazendo benefícios para a fase escolar, Vanessa conta que a imaginação dos filhos também ficou ''fértil''. ''É impressionante ouvir as histórias que eles inventam.''

Entre os irmãos mais velhos, João Gabriel e Maria Raphaely, a disputa é grande e eles chegam até a terem algumas briguinhas quando um conta o final do livro que o irmão está ainda pela metade. Maria Raphaely gosta de ler livros de aventura e já foi pega lendo à noite com a ajuda de uma lanterna. Seu irmão é fã de histórias de aventura, ação e fantasia.

Além da média de dez livros que a família empresta por semana, o casal sempre separa um livro para a ''leitura da família''. ''Nos reunimos com as crianças e fazemos uma leitura compartilhada com eles, em voz alta, já que não dá para ficarmos individualmente lendo com eles'', lembra Gelson.

Criatividade

A funcionária administrativa Cláudia Fukuda aproveita o período de férias para levar aos sábados as filhas - Emily, 6, e Yukari, 9 - à Biblioteca Infantil. Quando estão em aula, ela dá uma escapadinha do trabalho para fazer o empréstimo dos livros. As meninas nasceram no Japão, e desde quando voltou a Londrina, no ano passado, a leitura tem sido um aliado importante na aprendizagem do português. ''No Japão, é muito comum vermos livrarias e bibliotecas em qualquer lugar. As crianças têm fácil acesso aos livros, que são mais criativos e melhor elaborados que os daqui'', ressalta.

Apesar de não ter desenvolvido o prazer pela leitura desde a infância, Cláudia afirma que tenta fazer diferente com as filhas: ''Eu lia muito por obrigação. Só na fase adulta é que descobri o prazer pelos livros e hoje fico até de madrugada lendo. E tento passar isso para elas''.

Cláudia também tenta driblar com os livros o interesse das filhas pela televisão e Cláudia Fukuda dribla com os livros o interesse das filhas Emily e Yukari pela televisão e jogos no computador: ‘‘Sempre estimulo a leitura dos livros'', destaca.

A Biblioteca Pública Infantil atualmente contém um acervo com 7.557 livros, com uma média mensal de 700 livros por mês. A carteirinha pode ser feita para crianças a partir de cinco anos; para as menores, os pais devem fazer o empréstimo.

Matéria publicada em 25/07/2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A geração Y tem o hábito de ler?


Por Carol Phillips*

Como professora, sou obcecada por ler e escrever. Por isso, dois posts do blog The Next Great Generation me chamaram a atenção recentemente, já que sugerem haver uma indiferença por parte dos jovens que estão na faculdade em relação aos livros e textos tradicionais.

Jeannie: “Conseguindo a atenção da Geração Y” – “Ainda que eu tivesse o dinheiro para comprar todos os livros de que precisava na faculdade, a maioria deles serviu para juntar pó na minha estante. Parte do meu completo desinteresse vem do fato de que, no segundo em que um livro é publicado hoje, já está obsoleto. Desde que eu estava na quinta série, era capaz de acessar qualquer informação na internet de forma mais rápida e precisa do que conseguiria fazer em um livro. Além disso, a informação online é gratuita (e se não for, você vai procurar em outro site até encontrar “de graça”). Com um orçamento restrito e recursos grátis ilimitados, existe algum tipo de livro que poderia atrair meu interesse?”

Katie Wall: “Concluí a faculdade sem ler um livro sequer” – Em maio de 2009 me formei pela Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, considerada uma das melhores universidades públicas do país, e nunca abri um livro sequer. Não estou dizendo que a faculdade não era desafiadora, mas todo o tempo que passei lendo e estudando, nunca precisei dos livros. Quando tinha que fazer trabalhos, conseguia encontrar tudo online….”
Ainda que eu entenda o ponto de vista dessas duas jovens sobre as alternativas online que estão substituindo os livros, me angustia ouvi-las dizendo que não valorizam a leitura.

Trabalho arduamente para fazer com que meus alunos leiam. Tentei diferentes técnicas ao longo dos anos – quizzes diários, cases semanais, testes sobre o material escrito, entre outros. Esse ano, tentei usar um texto compatível com a linguagem da geração Y, MKTG3, by 4LTR Press. Os alunos realmente gostaram do livro, então acabaram lendo.

O que tornou esse livro mais atrativo? Primeiro, posso dizer que ele era muito visual. O texto era geralmente tratado como um elemento gráfico. O estilo da escrita tinha um approach diferente e interessante. Por último, o livro em si possuía apenas o básico, e os extras poderiam ser conferidos online. Os alunos adoraram isso.

Há fortes evidências de que a geração Y ainda tem o hábito de ler. Um estudo feito em abril pela McKinsey na Inglaterra mostrou que, em média, uma pessoa recebe 72 minutos de informação por dia, comparando-se a 60 minutos em 2006. O aumento se deu, prioritariamente, nas informações recebidas pela população abaixo de 35 anos.

Além disso, a leitura pode não ser uma prioridade, mas a geração Y passa mais tempo lendo do que as gerações anteriores. Porém, esses jovens lêem de maneira diferente. Vão em busca de informação, então possuem um propósito e são excelentes examinadores. Meu filho de 16 anos lê poucas histórias de ficção além do que é pedido em seu curso de inglês, mas por outro lado lê livros de esporte ilustrados e busca histórias de assuntos de seu interesse.

Entretanto, tudo isso também pode significar que eles não estão oferecendo toda a atenção à leitura. Em seu livro Grown Up Digital, Don Tapscott conta a história de Joe O’Shea, um líder estudantil de 22 anos residente na Flórida, que estava indo estudar em Oxford. O´Shea disse a seguinte frase a respeito dos livros:

“Eu não leio livros, prefiro ir ao Google, onde posso absorver informações relevantes de forma rápido. Algumas delas vêm dos próprios livros. Mas sentar e ler um livro do começo ao fim não faz sentido para mim. Você precisa saber ser um ‘caçador’ habilidoso.”

Desde o início de seu livro, Tapscott utiliza diversas páginas para descrever como e por que a geração Y desenvolveu essas surpreendentes habilidades de examinar, explicando como essa habilidade trará a eles a referência para que se tornem leitores mais sofisticados.

As habilidades de exame e da leitura com um propósito, presentes na geração Y, podem ser uma boa notícia para o Marketing. Entendendo o tipo de informação buscada por esses jovens, será possível engajá-los de maneira mais profunda por meio do conteúdo. E encontrar o tipo de informação que buscam nunca foi tão fácil. Palavras-chave, trending topics do Twitter e outras ferramentas são portas para um relevante conteúdo.

Talvez o ponto principal seja que a geração Y é capaz de absorver grande quantidade de informação visual de uma só vez, provavelmente mais do que as gerações mais velhas, desde que isso seja apresentado de forma atraente e fácil de digerir. Isso torna o design, muitas vezes, tão ou mais importante que a boa escrita. Em estudos nos quais tivemos a oportunidade de comparar grupos pela idade, é incrível como os jovens consumidores se mobilizam mais de acordo com a maneira que a informação aparece na tela. Os consumidores mais velhos tendem a ignorar o design, mesmo que seja pobre, focando no significado. A geração Y tem grande dificuldade em deixar ileso o que passa por seus olhos.

*Carol Phillips é presidente e fundadora da consultoria em estratégia de marca “Brand Amplitude”. Ela também é professora na respeitada Universidade de Notre Dame. Carol iniciou sua carreira como pesquisadora de mercado e trabalhando com planejamento estratégico na Leo Burnett. Mais tarde, como Diretora de Contas, liderou equipes em quatro agências diferentes – Y&R, Leo Burnett, Mullen e JWT – com uma variedade de clientes incluindo Sprint, Nextel, Ameritech, Heinz, 7UP e Philip Morris. Acesse o blog de Carol Phillips: http://www.millennialmarketing.com/.

17/05/2010 by Blogueiro Convidado

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Considerações sobre a leitura

Girl reading on the beach, Picasso

Miriam Mambrini

Por que o brasileiro lê tão pouco? A primeira resposta costuma ser: porque o livro é caro. Ora, esse argumento só é válido em parte. Não é preciso comprar um livro para lê-lo. Ele está disponível em bibliotecas públicas, onde ninguém precisa pagar. Pode-se também pedir livros emprestados a amigos ou comprá-los por muito pouco num sebo. O brasileiro não lê porque não tem o hábito de ler, não gosta de ler.

Se recuássemos no tempo um século, três quartos de século, encontraríamos um número significativo de leitores em nosso país. Hoje, o computador, a televisão, o cinema, o esporte e a agitação da vida moderna jogaram a leitura para o último plano na opção de lazer. Isso sem falar no apelo irresistível do sol, no calor de nosso país tropical, que convida as pessoas para as praias e as atividades ao ar livre.

Festas literárias, feiras e encontros vêm contribuindo para divulgar livros e autores. Ainda assim, sua repercussão não extrapola muito o pequeno círculo dos profissionais do livro. Atinge, quando muito, uns poucos aficionados de um ou outro escritor consagrado, ou simplesmente curiosos em busca de um programa diferente.

As escolas vêm se esforçando para despertar o gosto da leitura nas crianças e formar futuros leitores. Pesquisas revelam que têm alcançado êxito com os pequenos. Eles gostam de ler e leem um número razoável de livros, mas não se tornam leitores por toda a vida. Aos 12 anos, o interesse decresce e os adolescentes, na sua grande maioria, consideram a leitura um dever maçante. Se paralelamente à escola houvesse o estímulo da família, e, sobretudo, o exemplo da família, talvez o quadro fosse outro e o esforço inicial não se perdesse. Mas os adultos, que também leem pouco, quando leem, não podem dar o exemplo.

Ficamos restritos a um número muito pequeno de pessoas que se interessam verdadeiramente pelos livros e, em particular, pelos de literatura. Se os leitores são poucos, os livros são muitos. Os lançamentos chegam às livrarias como um tsunami literário, deixando os livreiros às voltas com o sério problema de expô-los. Como os best-sellers e os livros de autoajuda, estrangeiros na sua maioria, são uma aposta certa, acabam por inundar as bancadas mais visíveis, empurrando a produção literária nacional para um canto escondido. São esses livros já aprovados em outros países e frequentadores constantes da lista dos mais vendidos, que se compram para presentear amigos. A eles, pode-se juntar os escritos por celebridades, que têm lugar garantido na mídia.

Presentes

Cabe dizer que grande parte dos livros é adquirida para ser dada de presente. O comprador não vai lê-los, vai entregá-los a outros para que o leiam. Se quiserem. De qualquer maneira, o presente está dado, e dar livros revela cultura e refinamento.

Espremidos, sufocados, rejeitados, os livros brasileiros de literatura contemporânea, quase sempre publicados por editoras pequenas, só são encontrados por quem já ouviu falar deles, seja por ter lido alguma resenha, seja pela recomendação de um amigo, e o pede pelo título ao livreiro. Quanto aos demais, dificilmente têm chance de deixarem as prateleiras, pois não estão acessíveis para serem folheados e despertarem a atenção.

Embora o número de livros cresça constantemente, o espaço da literatura vem encolhendo. Há poucos interessados na leitura que não pretende passar ensinamentos objetivos, nem discutíveis receitas de bem viver, mas que pode trazer momentos de prazer, diversão e conhecimentos importantes sobre o mundo e os seres humanos. Para agravar o problema, alguns de nossos autores, fiéis a um modismo de certo círculo literário, escrevem livros inacessíveis ao leitor comum. Difíceis, herméticos, confusos, pesados, às vezes mal escritos, esses livros são logo abandonados por quem os comprou inadvertidamente. Mais um leitor desiste da nossa literatura e volta aos best-sellers.

Sempre haverá quem queira ler, e quem queira escrever. Hoje o número dos que escrevem, aliás, parece crescer em proporção muito superior ao dos que leem. Há mesmo autores que não gostam de ler, que preferem não se deixar "contaminar" pelo estilo e pelas ideias de outros.

Reverter a situação e valorizar a literatura brasileira exige dedicação e esforço por parte dos que por ela se interessam. Já falamos do trabalho das escolas, do estímulo das festas literárias e feiras. Será que editoras, livrarias e formadores de opinião estão se engajando suficientemente nesse esforço? Talvez não estejam se ocupando de um nicho importante de possíveis leitores, aqueles que raramente leem, mas que encontrariam prazer na leitura se os livros adequados lhes fossem oferecidos.

Se quisermos ampliar o universo de leitores, precisamos agradá-los, mimá-los, oferecer-lhes o que gostam, trazendo-lhes boas histórias, personagens que reconhecem e algo mais: um texto ágil, bem escrito, e surpresas, pois a literatura pressupõe a surpresa, o suspense e o inusitado.

Não se deve desperdiçar a chance de cativar um novo público para a literatura. Os escritores brasileiros que têm condição de encantar quem procura esquecer seus problemas no prazer de uma história bem contada, que prenda a atenção e divirta, ainda são pouco valorizados. No entanto, são eles que podem abrir as portas para novos leitores, e prepará-los para a leitura de livros mais requintados.

Publicado em 8/2/2010

Fonte: Digestivo Cultural

sábado, 3 de julho de 2010

Livros digitais criam novas chances de acesso à leitura

Sucesso depende ainda da solução de gargalos ligados ao custo e hábito

Publicado em 01/07/2010


A chegada dos livros digitais abre um novo potencial de popularização da leitura no Brasil. O País, que segundo levantamento Retratos da Leitura, realizado em 2008 pelo IPL (Instituto do Pró-Livro), tem cerca de 45% da população fora de contato qualquer tipo de leitura, poderia aproveitar a nova tecnologia para mudar o panorama. A chance, entretanto, esbarra em alguns gargalos que as novas tecnologias carregam, como adaptação aos novos formatos, aceitação dos escritores e público, reformulação do modelo de negócio e acesso aos aparelhos necessários para a leitura.

Marco Simões, coordenador pedagógico da Faculdade de Computação e Informática da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) é taxativo em relação ao livro virtual como grande ponto de virada para o cenário de leitura no Brasil. "Os leitores digitais não modificarão o atual panorama brasileiro, até porque a vontade de ler não depende do que às pessoas tem em mãos", diz ele, que é autor do livro "História da Leitura: do papiro ao papel digital". O hábito, segundo Simões, depende da família, da escola e do incentivo dos pais.

Ainda que o estímulo da leitura não esteja diretamente relacionado à sedução que aparelhos modernos com alta capacidade de armazenamento de dados despertem, Antonio Luiz Basile, professor de Ciência da Computação da Universidade Mackenzie, enumera uma série de vantagens que podem aproximar os brasileiros dos livros. "Com a exclusão dos gastos com papel e encargos gráficos, a tendência é que o custo da publicação seja mais baixo", aponta ele. Embora os valores dos livros digitais sejam menores, será necessário o investimento na produção em massa e conseqüente barateamento do custo do leitor digital, a menos que se decida usar um computador normal para ler os livros adquiridos. Mas essa saída eliminaria a portabilidade do livro digital.

Hoje, o aparelho custa no Brasil em média R$ 1.000. O valor deverá delimitar a leitura digital às classes mais altas da sociedade e não resolverá o problema dos brasileiros que alegam não ler por causa dos altos custos das publicações. A pesquisa Retratos da Leitura aponta que 7% da população de não-leitores no País se encaixam nesse contexto. A tendência, no entanto, segundo Basile, é que o valor do leitor digital caia pelo menos pela metade. "Hoje é muito caro por causa das novas tecnologias empregadas e pela falta de concorrência. Depois que o custo de fabricação diminuir e aparelhos de diferentes marcas forem lançados, a opção se tornará mais acessível", aposta ele.

A vantagem da nova tecnologia, para Jézio Gutierre, editor executivo da Editora UNESP (Universidade Estadual Paulista), é a mobilidade, bem como a comodidade de carregar inúmeros textos num único aparelho. Ele afirma que essa possibilidade poderá ser bem aproveitada, principalmente, pelos estudantes. A conexão com a Internet sem fio, segundo Basile, também permitirá maior interatividade com o livro. Opção que, segundo ele, levará o leitor a se informar não apenas pela obra e incentivará o aprofundamento em outros assuntos descritos nela.

"A tecnologia possibilita que o leitor obtenha informações complementares e até mesmo traduções simultâneas durante a leitura", cita Basile. O benefício poderá ser testado no próximo livro de Laurentino Gomes, previsto para ser lançado em setembro de 2010. De acordo com o autor de "1808", obra terá uma versão digital com uma linha do tempo interativa. "O leitor poderá explorar os acontecimentos da época, além de ter acesso a mapas, por exemplo", conta Gomes.

A partir do uso das tecnologias também será possível enviar e receber obras na velocidade do clique de um mouse. Fato que, segundo o autor, poderá aumentar o leque de opções na hora de escolher as obras. "Será possível ter acesso aos livros estrangeiros muito mais rápido que antes, já que não será preciso esperar que ele chegue até nós por qualquer tipo de transporte que seja", prevê Gomes.

Preservação do papel

Embora as vantagens do livro digital sejam bastante animadoras, não deverão ser suficientes para substituir o papel. Para Simões, o motivo é bem simples. "Enquanto o papel existe há mais de mil anos, o digital não completa nem uma década de existência", compara Simões, que diz que as leituras não são substituídas, tampouco podem ser comparadas. "O manuseio, a sensação de segurar um livro e até mesmo seu cheiro nunca poderão ser reproduzidos por nenhum aparelho", dispara ele.

A tendência, na opinião de Gomes, é que os dois modelos passem por transformações. "Nenhum deles, no entanto, desaparecerá", garante o autor, que aposta na sincronia e no intercâmbio entre papel e leitor. Para ele, a novidade poderá incentivar o leitor a procurar uma mesma obra em diferentes formatos. "As novas tecnologias não competem entre si, apenas se complementam", acredita ele. Basile acrescenta que o impulso pelo uso do leitor digital será grande. "Mas com o tempo, as pessoas saberão a hora certa de usar cada um deles", conta o professor da Mackenzie.

Adaptação mercado editorial

Assim como a indústria fonográfica precisou pensar em formas de se reinventar quando o formato de compressão MP3 e os programas de compartilhamento invadiram a rede mundial de computadores, a indústria e o meio editorial se veem numa situação muito parecida com a chegada dos leitores digitais. Embora ainda em estado embrionário, muito já é discutido quanto às mudanças que esses leitores trarão no processo de produção dos materiais digitais.

Jézio Gutierre, editor executivo da Editora UNESP, acredita que a indústria e os autores ainda não sabem ao certo qual será o futuro dessa nova tendência tecnológica e literária. Ainda sim, afirma que o papel das editoras dentro desse contexto é muito claro. "É preciso preparar os profissionais da área, experimentar fontes e tamanhos de letras, além de novos meios de diagramação necessários para a leitura em tela, já que estamos acostumados com séculos de leitura em livros", explica ele.

A própria editora UNESP já entrou nesse novo ramo digitalizando parte do seu acervo. São 44 obras concluídas e outras 55 que estão em fase de preparação para o começo do ano que vem. Para Gutierre, essa iniciativa, além de oferecer títulos acadêmicos de maneira fácil e rápida para quem se interessar por elas, serve também como ponto de partida para descobrir o que o mercado espera dessas obras. "São atitudes como essas, de pesquisa de mercado e técnicas de edição, que mostrarão o tipo de livro digital que será consumido no futuro", diz ele.

Para o editor o importante nesse momento é criar textos e obras que se adequem aos leitores digitais. "As possibilidades do papel digital são muito mais vastas do que a do papel normal, por isso é hora de criar livros em que o leitor possa interagir com o tema e que o prendam cada vez mais à história", afirma.

Fonte: Universia

Leitura - Exercício para mente e alma

VISITA: Fernanda e Letícia Biagi frequentam
semanalmente a biblioteca municipal acompanhadas
 pela mãe, Ester, que estimula a leitura diariamente
 com meia hora do exercício todas as noites

Ler é uma atividade que requer dedicação; alguns projetos estimulam a prática e facilitam o contato com obras diversificadas

Fernanda Mariano
fernanda.mariano@folhadaregiao.com.br

Em tempos de páginas virtuais e downloads de obras literárias completas, as bibliotecas mantêm fiéis frequentadores. Não têm mais o mesmo número de adeptos que já a procuraram um dia, mas está entre as tradicionais alternativas que estimulam e mobilizam para o exercício de ler. Especialistas frisam que a leitura é um hábito a ser desenvolvido. Precisa ser exercitado! As bibliotecas surgem como as academias próprias para o desenvolvimento desta habilidade, mas muitos outros projetos que priorizam a literatura podem ajudar neste processo.

Pessoas como Ester Alves Domingues Biagi e as filhas Fernanda, 8 anos, e Letícia, 11, visitam religiosamente a biblioteca Rubens do Amaral, em Araçatuba, pelo menos uma vez por semana. "Todos os dias, antes de dormir, temos um momento para a leitura, quando lemos por pelo menos meia hora", conta a mãe. "Com isso, sempre estamos em busca de novas obras", diz.

"A biblioteca tem, hoje, condições de atender públicos diversificados; e ainda é procurada por estudantes que querem complementar pesquisas e por pessoas que gostam do ambiente tranquilo para o estudo", afirma a responsável pela biblioteca Rubens do Amaral, Marlene Umbelina Martinez Rodrigues.

De acordo com dados atualizados desta biblioteca, 21.138 araçatubenses - aproximadamente 10% da população - estão cadastrados, somente nesta unidade, para o empréstimo de obras. Marlene afirma que cerca de 5 mil pessoas passam, por mês, pelo lugar, para consultas e busca por livros.

Uma procura que poderia ser maior se houvesse mais consciência sobre a importância da leitura. "Trata-se de uma atividade que engrandece a pessoa intelectualmente e emocionalmente", comenta o professor de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa, Carlos Eduardo Brefore Pinheiro, coordenador de uma escola particular de ensino fundamental e professor de gradução.

O especialista destaca a necessidade de empenho e dedicação no ato de ler. "A leitura é um exercício, precisa ter metas, a curto e longo prazos", destaca. "Sabemos que existem vários níveis de leitura e para alcançar o estágio no qual ela se torna um prazer, é preciso praticar", ensina.

Por isso, o professor ressalta, é necessário especial estímulo na infância, para o desenvolvimento de adultos leitores. "Vale lembrar que essa habilidades capacita o indivíduo para ações do dia a dia, para leituras nas entrelinhas, percepções diferenciadas e o exercício da cidadania", destaca Carlos Pinheiro.

LEIA

Hoje, Dia Nacional do Livro, é uma boa data para dar início a um programa de aperfeiçoamento à leitura. Existem várias opções de projetos de responsabilidade social que podem contribuir para esse propósito. Algumas entidades mantêm espaços para essa atividade e disponibilizam obras literárias e periódicos para a população.

O projeto "Livro para todos", coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, conta com 19 pontos de distribuição. Neles, os responsáveis deixam obras diversificadas à disposição da população. A ideia do projeto é que os leitores levem o livro para casa e, depois, devolvam no mesmo local, que deve ser de seu fácil acesso.

Entre os pontos estão algumas das UBSs (Unidades Básicas de Saúde), como a do Jardim Planalto; o 1º Cartório de Notas e Protestos, empresas comerciais de vários pontos da cidade além da própria secretaria de Cultura.

O "Livro para todos" precisa, permanentemente, de doações de livros, que podem ser feitas na própria Secretaria Municipal de Cultura (rua Anita Garibaldi, 75, Centro) ou nos pontos de distribuição, identificados com um cartaz que destaca o nome do projeto. O telefone para informações é o (18) 3636-1270.

A leitura e consulta a obras literárias também podem ser realizadas por meio do projeto "Leitura livre", do Sesc (Serviço Social do Comércio). A entidade disponibiliza revistas e jornais em sua sede em Birigui e na sala de leitura do Polo Avançado em Araçatuba. Neles, há uma estante que reúne as publicações disponíveis, inclusive livros. A consulta pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Em ambas as cidades, não é permitido retirar as obras da central de atendimento. O Pólo Avançado do Sesc em Araçatuba fica na rua José Bonifácio, 39, no centro. Em Birigui, o Sesc fica na travessa Sete de Setembro, 05, Vila Xavier. Informações (18) 3608-5400 ou (18) 3642-7040.

O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) permite que a população utilize os serviços de sua biblioteca. Basta fazer uma inscrição para realizar o empréstimo. O local fica aberto de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h, na sede da instituição, na avenida João Arruda Brasil. 500.

Em Araçatuba também há iniciativas de empresas privadas que fomentam a leitura. Os interessados devem buscar informações nas bibliotecas de escolas, entidades e empresas particulares.

Matéria publicada em 29 de outubro de 2009

Fonte: Folha da Região

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ler rima com prazer


O sem-teto Severino Manoel de Souza nos pegou a todos de surpresa quando em 2006 sua história chegou à mídia. O catador de papel havia inaugurado em setembro de 2005 uma biblioteca com livros encontrados no lixo em um prédio invadido no centro de São Paulo, na Avenida Prestes Maia. Os usuários eram os próprios moradores do prédio, cerca de 1.800 pessoas devidamente cadastradas em um computador doado a Severino. No acervo, entre os mais de 16 mil títulos, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Jorge Amado, Gabriel García Márquez e tantos outros. O prédio foi desocupado e Severino ficou sem o seu acervo.

Com a perseverança que só os corajosos têm, o pernambucano nascido no sítio Olho D’Água Seco montou em Itapecerica da Serra, em São Paulo, uma nova biblioteca que já conta com 4.500 títulos. Para ele, Machado de Assis é o preferido e, durante a entrevista à Revista da Cultura, comentou que neste ano são comemorados os 100 anos da morte do escritor e colocou até uma placa na sua biblioteca lembrando o público sobre a data. Severino diz que aprende muita coisa boa nos livros e gosta especialmente de romance e poesia. E ele é realmente um apaixonado por livros. “Para mim, são como uma boa sobremesa. Hoje mesmo, depois do almoço, achei um ‘livrozinho’ de Camões, sentei na beirada da cama e fiquei lendo”.

A história de Severino contraria todas as estatísticas e também os nossos aparentes motivos para não pegarmos um livro para ler. “Meus pais nunca leram pra mim” ou ainda “a professora só dava coisa chata” são as principais respostas às perguntas sobre o fato de alguém não ter o hábito da leitura.

Culpas a parte, o que pode ser feito realmente para mudarmos o quadro apresentado nas pesquisas – veja o resultado da mais recente delas no box da página ao lado – e começarmos enfim a desenvolver o gosto pelos livros? “Não existe propriamente uma receita. Digo sempre que quem não lê não sabe o que está perdendo”, afirma o bibliófilo José Mindlin. “Inicialmente, é importante apresentar a leitura como fonte de prazer, e não como obrigação”, ressalta. “Tanto a família como a escola podem ser instrumentos fundamentais para despertar esse interesse. Colocaria a família em primeiro lugar, mas, na hipótese de esta não ter biblioteca ou interesse pelos livros, passaria essa responsabilidade à escola, onde a tarefa poderia ter condições de ser executada”, complementa Mindlin.

Para Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, os pais são os principais responsáveis pelo incentivo à leitura. “Antes de adquirir o hábito, os filhos querem imitar os pais. Um bom leitor se faz fundamentalmente em casa, mas toda colaboração através de exemplos é sempre muito útil”.

Uma das sugestões de Mindlin para disseminar o gosto pela leitura é que existam muito mais bibliotecas públicas e escolares: “Nos Estados Unidos, por exemplo, qualquer cidadezinha tem uma biblioteca circulante que, se não possuir o livro procurado, trata sempre de obtê-lo”, diz o bibliófilo. “Ter o livro não devia ser condição de leitura. O acesso a estes deve ser feito por bibliotecas públicas e escolares, independentemente dos esforços para estabelecer o contato mais pessoal de crianças e jovens com o livro”, explica.

É preciso formar leitores

O Brasil tem hoje cerca de 650 municípios sem nenhuma biblioteca, mas há números que são promissores. Segundo José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, o PNLL, articulado pelos ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC), que reúne um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas, há aproximadamente 5 mil bibliotecas públicas, 10 mil comunitárias e quase 55 mil escolares. “É um número já expressivo, embora saibamos das imensas deficiências de acervo, instalações etc.”, diz Castilho. “Quanto às livrarias, falta um número ainda maior, conforme o levantamento da ANL, principalmente se pensarmos que o número das 2.600 livrarias existentes cobre cerca de 600 cidades do país”, explica o secretário.

Em São Paulo, a Secretaria da Cultura do Estado mantém o programa “São Paulo: um estado de leitores”, que caminha a passos largos desde 2003 para disseminar o hábito de leitura. Além da implantação de bibliotecas em vários municípios, salas de leitura estão sendo criadas em hospitais, penitenciárias, condomínios de baixa renda e associações de bairros. “Mas cabe notar, no entanto, que não basta criar bibliotecas, é preciso também formar bibliotecários interessados”, ressalta José Mindlin. Nesse sentido, José Luiz Goldfarb, coordenador do “São Paulo: um estado de leitores”, destaca que a Secretaria da Cultura oferece o curso “Entre na roda” para a formação desses profissionais “É muito importante capacitar o profissional que vai atuar nas bibliotecas e salas de leitura. São os multiplicadores do gosto pela leitura e eles têm papel fundamental junto ao público.”

Goldfarb comenta ainda a importância da revitalização das bibliotecas existentes. “Em alguns municípios, o acervo da biblioteca é de 20, 30 anos atrás, e é necessário fazer a atualização para que o leitor se sinta atraído a freqüentar aquele espaço”, diz. Para cooperar com a modernização dos acervos, a Livraria Cultura tornou-se parceira da Secretaria da Cultura neste programa e lançou em outubro de 2007 o projeto “Adote Biblioteca”, cujo objetivo é enriquecer as bibliotecas públicas de 30 municípios de São Paulo, selecionadas por Goldfbarb. No site da Cultura – www.livrariacultura.com.br - é possível comprar um livro e doar a uma dessas cidades. “Esse projeto vem ao encontro a uma das nossas missões, a de facilitar o acesso ao livro e conseqüentemente à leitura e à cultura”, explica Pedro Herz.

O secretário José Castilho concorda com Mindlin: “A simples presença da biblioteca estimula apenas o leitor já ‘iniciado’, mas não aquele que precisa ser estimulado por mediadores de leitura, capacitados para isso, que transmitam por meio de atividades permanentes o gosto pela leitura. Não basta apenas edificar, modernizar e reformar bibliotecas, é necessária a mediação para que a ação final, que é ler, ter o gosto pela leitura para sempre, prevaleça”, conclui.

A pedagoga Cristina Antunes, que trabalha com José Mindlin há quase 30 anos, conta que o que mais impressiona nos Estados Unidos é a relação entre as bibliotecas americanas e a comunidade – a consciência da população sobre a importância das bibliotecas e destas sobre o seu papel. “Essas bibliotecas realmente fazem parte do cotidiano das pessoas, do mesmo modo como ir ao cinema, ir ao parque, ir ao museu. Ir à biblioteca é um ‘programa’ prazeroso, pois elas oferecem um sem-número de atividades”, explica. “Por outro lado, a postura das pessoas que trabalham nas bibliotecas, o conhecimento que, em geral, os bibliotecários têm do papel que desempenham e da razão da existência daqueles acervos muda completamente a qualidade do atendimento ao público, seja este público uma criança ou um pesquisador especializado. Esse tipo de relação biblioteca-comunidade é muito pouco explorada em nosso país”, conclui.

Além da necessidade de criação de novas bibliotecas, é fundamental a formação daqueles que as dirigem, dos que atendem ao público e dos animadores das atividades ali desenvolvidas, para que elas sejam vistas como fonte de prazer. E isso deve começar nas bibliotecas escolares. Para o coordenador do Livro e Literatura da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, RS, Baiard Brocker, o hábito da leitura pode ser incentivado desde as séries iniciais através de atividades diversas, como hora do conto, feira de livros, feira de troca de livros, visita de escritores e dramatização de textos de literatura infantil. Para ele, é essencial a dinamização das bibliotecas escolares: “É fundamental que a biblioteca esteja inserida na programação de toda a escola, pois é nela que os alunos devem procurar as informações para complementar tarefas escolares e também é nela que eles devem ser estimulados a procurar prazer através da leitura”.


A troca que estimula

O interesse pode vir de formas diferentes, e o incentivo da família, do professor, de um bibliotecário ou de um vendedor de livros pode mudar totalmente a relação com a leitura. Mas é importante que escolas, governos, livrarias, associações de bairros e ONGs da área ajudem a estimular a formação de leitores. “A idéia equivocada, mas que ainda se espalha entre nós – a de que o brasileiro não gosta de ler – é facilmente derrubada quando o Estado ou organizações da sociedade dão acessibilidade à população”, diz o secretário José Castilho Marques Neto.

Um bom exemplo desse tipo de ação é a Feira de Troca de Livros e Gibis organizada pela prefeitura de São Paulo. Realizada nos parques da cidade, aos domingos, a feira acontece pelo segundo ano consecutivo. “As pessoas adoram, em cada parque é um público e você percebe isso pelos livros trocados”, conta Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo. Na feira podem ser trocados livros e gibis por outros expostos em bancas. Não há nenhuma relação com o valor do livro, a exigência é que estejam em bom estado.

Acompanhada pelos avós Dimas Canteiro e Luci Góes Penha, Giovana Penha da Conceição, de 10 anos, chegou à feira realizada no Parque do Ibirapuera com uma sacola de livros e gibis. “Eu trouxe um monte de coisa, trouxe até a minha mala cheia de livros. Gosto de mistério, de suspense e de gibi”, conta a estudante. “A minha professora passa um monte de livros pra gente ler. A gente lê, faz trabalhos e aí eu fico com mais vontade de ler. Eu leio qualquer um, os que ela indica e outros também”. E o avô entusiasmado não pensou duas vezes antes de levar a neta. “Eu li no jornal que teria essa feira e ela lê muito, essa menina é incrível! Ela pega um livro e, se gosta, devora”, diz. “Falei com a avó, ‘vamos levá-la, vamos separar o que ela tem de livro, pra escolher o que ela vai trocar’”. Sobre a importância de ter o hábito de ler, Dimas Canteiro afirmou: “É muito importante. A leitura é o início da educação de uma criança; antigamente a gente não recebia tanto incentivo”.


Para Baiard Brocker, o acesso ao livro existe, não existe é interesse da maior parte das pessoas pelo livro, pois isso não é valorizado. “Por exemplo, que presentes são dados, via de regra, às crianças em situações de aniversário, Natal etc.? Geralmente bobagens plásticas e eletrônicas.” Segundo o coordenador, se mais livros fossem comprados, mais barato seria seu custo. “Para que mais livros sejam comprados, é necessário que se realizem campanhas maciças de valorização do livro e, principalmente da leitura, pois, como diz Jean Foucambert, no livro A Leitura em Questão (esgotado), devemos desenvolver mais uma atitude – ler – do que o objeto – livro”, conclui.

Mais e mais leitores

Outro fator importante que pode colaborar para a divulgação do hábito de leitura no Brasil é a possibilidade de ampliação do número de leitores por exemplar de um mesmo livro. Ações nesse sentido, como a Feira de Trocas, por exemplo, podem suprir a carência daqueles que têm a vontade de ler, mas não têm condições de adquirir o livro.

Para José Mindlin, é preciso trabalhar para o surgimento do hábito de transferência. “Quando digo que ter o livro não deveria ser condição de leitura, estou pensando naquelas pessoas que não têm possibilidade de adquirir livros, mas têm o desejo de ler”, explica. “Ter o livro também é uma coisa muito boa. Eu que o diga...!”, brinca o maior bibliófilo do Brasil.


A própria história da Livraria Cultura começou dessa forma, quando Eva Herz, mãe de Pedro Herz, teve a idéia de abrir um serviço de aluguel de livros. “Ela achava justamente que quanto mais pessoas lessem o mesmo livro, melhor”, conta Pedro. “Nesta mesma linha de pensamento, lançamos há alguns anos um serviço chamado ‘Mais Leitores’, no qual recompramos livros vendidos para clientes com até seis meses de uso e em bom estado. Depois, vendemos apenas em nosso site este mesmo livro pela metade do preço do exemplar novo”, explica o livreiro.

Em Brasília, a Parada Cultural da ONG Projetos Culturais T-Bone instalou 17 bibliotecas nos pontos de ônibus da Asa Norte que funcionam 24 horas. O empréstimo requer apenas um cadastro feito no local e o potencial leitor, enquanto aguarda a sua condução, pode desfrutar da companhia de um bom livro. E bem sabemos que esse tempo de espera nem sempre é tão curto quanto gostaríamos.

Projetos existem, e muitos. Novas bibliotecas e salas de leitura são inauguradas com certa freqüência, ONGs criam projetos na área, livrarias lançam programas, governos promovem feiras de trocas e bibliotecas ambulantes, contadores de histórias iniciam os pequenos, e líderes comunitários, de grão em grão, vão fazendo o que podem.

Para o pernambucano Severino, o que falta são campanhas publicitárias visando a divulgação do livro e da leitura. “Para incentivar o hábito, é importante que tenha propaganda nas revistas, nos jornais, na televisão, no rádio”, sugere. “Deviam fazer comerciais sobre livros e escritores, assim as pessoas leriam mais”. E complementa: “É como a moda, antes dela sair, sai primeiro a propaganda e aí as pessoas já vão em cima. Com o livro devia ser igual”.

Fica o recado de quem, apesar da vida dura, e talvez até por isso mesmo, reconhece o prazer e a viagem que só a leitura de um bom livro pode proporcionar.

A gente não que só comida

A editora Rita Tavares há dois anos costuma comprar livros e doá-los à comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. Mensalmente um livro é escolhido por eles, comprado por ela em sites de lojas e enviado diretamente à comunidade. “Por um tempo entregaram, mas depois deixaram de entregar, alegando dificuldade de acesso, claro, por ser uma favela”. Rita só conseguiu realizar a entrega dos livros doados com a Livraria Cultura. “Fui pessoalmente à Livraria, combinei tudo com eles, foram feitas consultas ao setor de entrega... foi uma mobilização, mas deu certo”. A editora destaca que acabou fazendo um casamento entre dois serviços da Cultura: doa livros para Paraisópolis pela Entrega Foguete e aproveita para enviar algum exemplar também pelo “Adote Biblioteca”. Rita alerta para o formato da doação. “Doei o Harry Potter para Paraisópolis e no mês seguinte eles me pediram novamente. Afirmei que já tinha mandado e eles explicaram que havia uma fila de 57 pessoas para ler o único exemplar”, conta. “Isso demonstra que as pessoas têm vontade de ler”. Essa via de mão dupla pode definir um futuro leitor. Não adianta impor uma leitura, mas sim ligá-la sempre ao prazer, a algo que vai trazer bons momentos, e não a uma obrigação. “Existe um intervalo muito grande entre o que eu acho que as pessoas querem ler, e o que realmente as pessoas querem ler, por isso peço que eles indiquem os livros”. Fica para Rita a certeza de que eles serão lidos.

Matéria publicada em junho/2008

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ler é prazeroso!

Autor: Mariele Parronchi

Bruno, Caio, Marcelo, Mariana, Matheus, Talita e Vinícius são estudantes do ensino médio. Todos possuem o hábito de ler... porque estão na época de se preparar para o vestibular. "Lemos os livros necessários para as provas de vestibular, mas são poucos. Preferimos os resumos ou até mesmo os filmes indicados. É mais fácil", falam. Ou seja: a leitura ainda está longe de ocupar um espaço mais nobre na vida dos jovens brasileiros.

As raízes dessa situação podem estar na colonização portuguesa, que não tinha como preocupação o desenvolvimento cultural das colônias. Tanto que, no Brasil, foi somente em meados de 1840 que surgiram as primeiras livrarias e bibliotecas.

No âmbito escolar, foi no século 20 que o mercado editorial olhou o público infanto-juvenil como consumidor e passou a publicar livros adequados a esse contigente.
A modernidade, porém, criou outros obstáculos. "Hoje em dia temos a Internet, que facilita muito as coisas. Um livro custa em média R$ 30 e na Internet posso achar o resumo de graça, além de ser mais fácil", opina Vinícius Giacon, de 18 anos.

A influência que a Internet provoca nos hábitos de leitura do adolescente é um tema que polemiza os debates sobre educação. A rede internacional de computadores foi o meio de comunicação que mais rapidamente se expandiu no mundo. As tecnologias de informação e comunicação na Internet disponibilizam o acervo de bibliotecas digitais e virtuais, expandindo os limites do ensino e pesquisa.

Os interesses de leitura sofrem influência da idade, sexo, grau de alfabetização, etnia, fatores socioeconômicos e disponibilidade de material. A influência da família, o comportamento dos professores e bibliotecários e os ambientes social, psicológico e educacional também concorrem para a formação de atitudes em relação à leitura.

Para a professora de Português Lia Rossetti, a leitura faz parte do desenvolvimento humano. Aglomera, diz ela, aspectos ideológicos, culturais e filosóficos que irão compor o pensamento humano, exigindo uma posição crítica do leitor. "O hábito de ler tem que ser cultivado desde pequeno. Os jovens de hoje não são incentivados a ler, tanto em casa como na escola. Se você está acostumado a ver seus pais lendo desde pequeno, com certeza criará o hábito", explica.

Conforme Lia, a leitura deve ser prazerosa. "O emprego de obras literárias nas escolas deve ser de maneira cativante", fala. Segundo a educadora, as pessoas que lêem têm outra visão das situações. "Grande parte de nossa evolução depende diretamente do que ouvimos e principalmente do que aprendemos pelas leituras. Um livro, um texto, um jornal se constituem em meios para elevar-nos intelectual e espiritualmente", opina.

Matheus Breda, 19, concorda. Para o estudante, a prática da leitura traz benefícios para o futuro. "Leio jornal todo dia. Com o hábito da leitura, temos assunto para conversar, imaginação para escrever e também nào passamos apuros na hora de ler", conta.

País é 7º no mercado de livros

O Brasil ocupa o sétimo lugar no mercado mundial de livros. O índice é de um livro por habitante - longe da relação norte-americana de dez livros por habitante.

Mariana de Almeida, 19, considera a cultura brasileira carente de leitura. "O adolescente considera a leitura das obras literárias como uma atividade penosa. Portanto, é papel fundamental da escola e da biblioteca reverter este pensamento e cativar o jovem a descobrir o significado da leitura", diz a estudante.

Pesquisa aponta aumento de mercado de livros para crianças e adolescentes

Autor: Redação JL

A leitura não é apenas uma das ferramentas mais importantes para o estudo e o trabalho, é também um dos grandes prazeres da vida. Ajudar as crianças e os jovens a descobrirem essa verdade é uma missão importante, que cada cidadão deve abraçar com entusiasmo.

A indústria livreira do Brasil tem feito a sua parte. Segundo a pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008”, que a Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) elaborou a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), no período de 2008 o número de títulos voltados ao público infantil cresceu 14,02% na comparação com 2007. Também houve um incremento de 41,88% nos lançamentos de novas obras de literatura juvenil. Esses percentuais, num universo total de 13,39% novos títulos colocados no mercado, revela uma clara disposição em atingir mais crianças e jovens.

Além de apostar em mais títulos, as editoras também colocaram mais exemplares no mercado: foram 4,95% a mais de livros infantis e 9,26% a mais de livros juvenis do que em 2007. Vale ressaltar que, na média geral, a produção de novos exemplares foi 3,17% menor em 2008 do que no ano anterior.

O fato de os jovens e as crianças estarem lendo mais do que os adultos já havia sido evidenciada em levantamentos anteriores. A "Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil", de 2007, revelou que cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre cinco e 17 anos. Entre os entrevistados de até 10 anos de idade, a média foi de 6,9 livros por ano. A estatística aumenta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) e cai levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). Infelizmente, porém, a maior parte das leituras é feita por exigência da escola: somente 0,9 livro é escolhido por iniciativa própria entre os leitores de até 10 anos, subindo para 1,4 na faixa dos 11 aos 13 anos e para 1,6 entre os jovens de até 17 anos.

A mesma pesquisa também demonstrou que o incentivo para a formação de jovens leitores vem da escola e da família, sobretudo das mães. Cerca de 73% dos leitores com idade entre cinco e 10 anos citaram as mães como principais incentivadoras do hábito e da leitura. E, entre os adultos que cultivam o hábito de ler, um em cada três disse ter lembrança da mãe lendo um livro, e 87% afirmaram que os pais liam para eles antes de dormir.

Para estimular as crianças e os jovens a, cada vez mais, lerem por prazer e não por obrigação, algumas medidas são importantes. A primeira delas consiste em facilitar o acesso às obras literárias. De acordo com a presidente da CBL, Rosely Boschini, estimular a leitura significa construir mais e melhores bibliotecas, equipada com mobiliário especialmente desenhado e estantes com altura adequada, de modo a facilitar o acesso dos pequenos leitores aos seus objetos de interesse. "Aumentar o número de bibliotecas é fundamental, pois há um grande número de municípios brasileiros que não dispõem de nenhuma. Mais livrarias também são necessárias. O Brasil tem hoje menos de 4 mil estabelecimentos do gênero, enquanto o ideal seria existirem pelo menos 10 mil", diz.

Outro ponto importante apontado por ela é que o livro tem que ser atrativo e interessante. "Neste ponto, as editoras brasileiras vêm cumprindo seu papel. Dos livros laváveis para bebês aos romances de aventura destinados aos jovens, há um universo de publicações lindamente encadernadas, com acabamentos primorosos e enredos variados, perfeitos convites para quem está começando a vida ingressar num mundo novo de aventuras, sonhos, fantasias e experiências variadas. Tanto isso é verdade que o produto editorial brasileiro vem obtendo grande sucesso nas feiras internacionais do setor, como a de Bolonha, principal eventual mundial do setor de livros infanto-juvenis".

Igualar as condições de acesso, incentivar as crianças de maneira positiva e envolver cada vez mais os pais e os professores na missão de iniciarem os mais jovens no universo infinito da leitura são providências urgentes e fundamentais para todos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

De verdura e leitura

Helena Maria Gramiscelli Magalhães

Ao longo dos anos de exercício do magistério, venho ouvindo chavões e máximas que penetram o processo educacional que se impregna dessas sandices e as perpetuam. Ando meio cansada deles, principalmente daquele que se refere ao (desenvolver o) gosto pela leitura.

Como ocorre isso? Não ocorre. Ninguém ensina ninguém a gostar de algo ou de alguém. Não posso, por exemplo, ensinar minha amiga solteira a gostar de um homem maravilhoso que conheço, ou se apaixonar por ele. Sou eu quem o acha galante e gentil cavalheiro, talhado para fazer par com ela. Que técnica poderia eu usar para que ela se interessasse por ele? Nenhuma. Isso não existe. No caso das paixões e dos amores, você troca olhares com uma pessoa e algo ocorre; é o famoso bateu, é o chan, que ninguém entende ou segura. Daí para frente, é só alegria, conquista fácil, se o chan bateu também tiver batido no parceiro.

Minhas netas nunca gostaram dos verdinhos, as decantadas verduras tão necessárias à alimentação de todos para garantir boa saúde; gostar delas é problemas para as crianças, aliás, para alguns adultos, também, crianças que já foram e delas bem se recordam.

Verdade nua e crua é que elas, as verduras, as tais verdinhas, são horríveis mesmo, não têm gosto algum, de nada. Se quisermos que elas tenham sabor, temos de adicionar sal, tempero, azeite, ou molhos, alcaparras, mostarda e, aí, sim, desfrutamos delas, achando que seu sabor é bom, quando esse gosto é proveniente não delas, mas indubitavelmente, dos temperos que a elas adicionamos.

Em função da boa saúde, e para atender às demandas dos ditos populares e dos nutricionistas de plantão, dizemos às crianças que as verduras são gostosas. É isso mesmo, a gente mente para as crianças na tentativa de enganá-las. Ledo engano, o desgosto se reflete em seus rostos, quando elas comem os tais verdinhos que, desacompanhados, não fedem, nem cheiram; são insípidos. E, embora eu admita sempre que elas sejam essenciais à saúde, sou frontalmente contra as mentiras, principalmente as desnecessárias, quando se trata de como lidar com crianças ou adolescentes em seu processo de formação física, moral e psicológica. E, considero mentira desnecessária, tanto dizer às crianças que verduras são gostosas, quanto dizer a quem não gosta de ler, que ler é bom.

Verduras são “gostosas” para quem já se acostumou a comê-las – sim, comê-las é questão de hábito, não de gosto –, sem discutir seu sabor e porque já entende o importante papel que elas desempenham como elementos fundamentais do processo de crescimento físico e mental dos indivíduos e no da manutenção da saúde.

Não discutirei as múltiplas facetas e utilidades dos vegetais em sua contribuição para uma alimentação completa e saudável, pois, muitos profissionais da área de nutrição já o fizeram. Comer verduras, hoje, é consenso, em termos de necessidade. No passado, as crianças não discutiam, comiam o que os pais mandavam e estes ignoravam a importância de se comer tais clorofilados, mas colocavam na mesa as folhinhas colhidas das suas hortas. Questão de desconhecimento científico, de hábito, e de economia.

Por isso, acho estranho, quando leio textos de teóricos do ensino de línguas dizerem que vão sugerir atividades cujo objetivo é desenvolver nos alunos o gosto pela leitura de textos escritos; fico surpresa, pois do mesmo modo como não podemos fazer alguém gostar de alguém, ou de verdinhas, não podemos fazer alguém gostar de fazer qualquer coisa, muito menos de ler textos escritos.

A questão é de dupla ordem. Primeiramente, só se pode desenvolver algo que já existe; é questão de semântica e lógica. Não posso desenvolver aquilo que não existe. Se o aluno não gosta de ler, como vamos desenvolver essa falta de gosto, esse gosto que não existe? Eu teria de esperar que ele nascesse de novo já com tal gosto. Em segundo lugar, mentiras têm pernas curtas – os que não gostam de ler, e eles existem, logo descobrem a fraude – e esta leva ao descrédito de quem a apregoa. Daí o risco que os profissionais do ensino das línguas correm ao repetirem afirmativas desse tipo.

Dizer, então, a um aluno que não gosta de ler textos escritos que vai desenvolver seu gosto pela leitura é mentira de discurso semântico e deslavado achincalhe à lógica filosófica, já que, como afirmei, não se desenvolvem entidades, coisas, objetos inexistentes. Se o aluno tem o gosto pela leitura, posso ajudá-lo a desenvolvê-lo, aprimorar sua capacidade interpretativa, até a chegar ao ponto de ele se tornar um viciado em leitura. Sonhar não é proibido! Porém, se o aluno não tem o gosto, tenho um problema que precisa de solução.

Como, por um lado, creio serem essas mentiras uma das causas de os alunos não acreditarem no ensino do português, que já anda enfrentando problemas sérios para ensinar leitura e escrita, já que o ensino depende do ler e do escrever bem, por outro, sabemos que muito já se discutiu sobre essas questões; acho é hora de enfocar as soluções.


Tanto para a verdura quanto para a leitura a solução é a mesma, única e simples: a verdade pura. Digam às crianças que verdura é horrível e nada tem de gostoso, mas que é remédio e, por isso, elas têm de comê-la, que não podem, a exemplo dos remédios, escolherem tomar ou não; elas têm de tomar. Com a verdura ocorre o mesmo: é preciso comer o remédio. Verdura é remédio contra as doenças.

Quanto à leitura de textos, digam o mesmo: se você acha que ler é ruim (e o é para alguns, assim como é puro encantamento para outros), pode continuar a achar. Digam aos alunos que vocês respeitam seu desgosto pela leitura, mas que precisam ler de qualquer modo, não por gosto ou vontade, mas por necessidade: leitura é remédio contra a ignorância; é medicamento tal qual a verdura. Leitura é antídoto contra o veneno da alienação, da opressão, da inculcação de valores escusos, contra o escamoteamento da verdade social e política. Ler institui um estado do saber tão legítimo que, depois de apropriado, ninguém pode tomar ou deletar.

É preciso que os professores aceitem os alunos que não gostam de ler. Eles não têm culpa de não gostarem de ler. Posso garantir isso, porque eu mesma odeio ler, mas leio e muito, todos os dias, por necessidade de estudo, boa saúde mental e sobrevivência no mundo global. Ninguém, mas ninguém mesmo, nem as mais sofisticadas técnicas utilizadas para desenvolver meu gosto pela leitura nesse mundo de Deus, fizeram-me gostar de ler. No entanto, alguém num passado bem distante, sabiamente, me aceitou como eu era: pária por não gosta de ler textos escritos, já que avaliava minhas outras leituras, as amenas como a de mundo e a das imagens que não costumam causar problemas. Esse alguém me ensinou, não a gostar de ler – tarefa inviável -, mas a formar o hábito de leitura, como remédio contra a ignorância e a maldade do mundo.

É isso mesmo, verdura e leitura (... e elas até rimam!) são remédios, uma contra doenças e a outra contra a ignorância, reitero, que têm de ser aplicados em doses homeopáticas, contínuas e progressivas; às vezes, elas precisam ser empurradas goela abaixo com sabedoria e, se vomitadas, devem ser tomadas de novo. Verdura e leitura exigem formação de hábitos, ou seja, que a gente se habitue a usá-las. Agradeço à mestra que me fez entender isso; acho que ela nunca se deu conta disso.

Helena Maria Gramiscelli Magalhães - Professora aposentada da Faculdade de Educação da UFMG, onde lecionou as disciplinas Prática de Ensino de Português e de Línguas Estrangeiras, Didática de Licenciatura e Fundamentos do Ensino de Língua Materna. Leciona no PREPES, pós-graduação da PUC- Minas, nos cursos de inglês e português, as disciplinas Análise do Discurso IV (O discurso do Humor) e Semântica II (O Discurso do Humor Negro Brasileiro), e Semantics and Translation, Morphosyntax e Metodologia da Pesquisa Científica III (Produção de Monografias).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Leitura é uma forma de felicidade...

"Leitura é uma forma de felicidade..." Jorge Luís Borges

Nossos cumprimentos ao JC pela edição de domingo, 5 de junho. A partir da sua manchete - “Para se tornar hábito, escola e pais devem associar leitura à felicidade”, complementando-a com as orientadoras matérias nas páginas 8, 9 e 10, assinadas pela jornalista Luciana La Fortezza, a quem aplaudimos, e aos entrevistados professora Glória Maria Palma e professor Jorge Miguel Marinho. Trabalho necessário e motivador neste país, em que 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm pouco ou nenhum contato com os livros, segundo pesquisa do “Retrato da Leitura no Brasil”.

Um país com 190 milhões de habitantes e 116 milhões de alfabetizados com pouco interesse em leitura é preocupante, considerando ainda que entre eles existam 37 milhões de “analfabetos funcionais”, leitores incapazes de interpretar um texto de quatro linhas.

A Academia Bauruense de Letras vem, há muito tempo, batalhando para minimizar tão grave problema, pelo menos em Bauru e cidades da região, proferindo palestras com enfoque sobre o incentivo à leitura desde o ensino fundamental ao superior nas escolas municipais, particulares e estaduais. E isso dentro da filosofia manifestada ao JC pelo escritor e professor Jorge Miguel Marinho, que preconiza o ensino sem imposições ou amarras.

O método utilizado pela Academia inclui conversas com alunos numa interação lúdica, destacando somente a importância da leitura na existência de qualquer cidadão que deseja crescer na vida social e profissional. Isso se encaixa na síntese do pensamento do professor Jorge: “Simplesmente dando pistas da realidade”. De fato, abolindo as imposições de obrigatoriedade, as cobranças, resta apenas a sugestão implícita de que a leitura é a única fonte de conhecimento que proporciona o progresso e a felicidade pessoal.

A professora Glória Maria Palma afirmou ao JC que “Os educadores apresentam aos seus alunos uma leitura desprovida de prazer.” “Elas (as crianças) lêem, mas fazem uma leitura caótica”.

O hábito de ler é dar asas à imaginação, viajar pelos mundos da fantasia, da realidade e da criatividade — isso é o conteúdo básico das conferências da Academia, objetivando despertar o interesse pela leitura, isto é, “dando pistas” e tornando tal hábito prazeroso e pleno de surpresas, de descobrimentos e de voos até onde a imaginação de cada aluno pode alcançar.

A ABLetras vem sendo gratificada pelo reconhecimento que tem recebido dos dirigentes e professores das escolas por onde tem passado e, principalmente, dos alunos, cujas perguntas chegam a surpreender e a demonstrar o interesses em ler e saber mais.

Para efeito de registro, a nossa Academia já proferiu palestras para mais ou menos 6.000 ouvintes em Bauru, Pederneiras, Piratininga, Avaré, Jaú, Ibitinga e outras cidades, incluindo penitenciárias, o Instituto Penal Agrícola e a Fundação Casa (antiga Febem), em Bauru.

Ultimamente, dentro dos seus limites e do número de ouvintes, ao fim de cada palestra oferece como “ferramentas” muitos livros, para que os alunos desfrutem do conteúdo e comprovem que o prazer de ler inclui aventuras e descobrimentos inesperados.

Reiteramos nossos cumprimentos ao JC, à jornalista Luciana La Fortezza, aos educadores Glória Maria Palma e Jorge Miguel Marinho, pela feliz oportunidade de produzir matéria que, temos a certeza, deve ter despertado interesse nos professores e o entusiasmo nos pais de alunos.

Como voluntários continuaremos, os membros da Academia Bauruense de Letras, a praticar o dever de qualquer entidade semelhante: contribuir para o crescimento intelectual pelas letras e, sempre que solicitada, revelar a forma da felicidade cantada nas páginas dos livros.

Munir Zalaf - presidente da Academia Bauruense de Letras