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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pesquisas científicas comprovam que o hábito de ler promove o desenvolvimento do cérebro

“O conhecimento abre janelas para um mundo desconhecido, que é ampliado a partir da boa leitura”, observa o ministro Mendonça Filho (Foto: Isabelle Araújo/MEC) 

Decifrar, compreender, generalizar, sintetizar ou até mesmo propor hipóteses são funções superiores da mente, usadas durante a leitura. Talvez por isso, pesquisas científicas realizadas nos Estados Unidos – Universidade de Stanford ­– e na França – Unidade de Neuroimagiologia Cognitiva do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm/Comissão de Energia Atômica e de Energias) comprovam que a leitura faz bem ao cérebro.
 
No Brasil, além de reconhecer a importância da prática, é celebrado o 12 de outubro como Dia Nacional da Leitura, instituído pela Lei nº 11.899, de 8 de janeiro de 2009, que instituiu, também, a Semana Nacional da Leitura e da Literatura.


“Um jovem, uma criança que lê, amplia seu vocabulário, seu conhecimento, sua redação e escrita”, observa o ministro da Educação, Mendonça Filho. “O conhecimento abre janelas para um mundo desconhecido, que é ampliado a partir da boa leitura.”


Cérebro – De acordo com a professora e escritora Lucília do Carmo Garcez, doutora em linguística aplicada, a leitura é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. “É como se fosse uma expansão do cérebro”, diz. Ela faz uma comparação com o aprendizado audiovisual, no qual a pessoa age de forma mais passiva. “Na leitura, é preciso ativar diversas camadas de reflexão para compreender.”


Escritora de livros infantis há mais de 20 anos, Lucília destaca a necessidade de uma alfabetização sólida para transformar uma pessoa em leitor. “É importante assegurar que as pessoas tenham uma alfabetização bem consolidada e, depois disso, é preciso que a sociedade valorize a leitura”, afirma.

Além do acesso aos livros, a escritora salienta a importância de as escolas contarem com bibliotecas e de as crianças frequentarem esses espaços. Outras atividades, como feiras de livros e debates com escritores, são citadas. “É preciso que as crianças vejam os leitores lendo e que sejam motivadas a procurar leituras com respostas às indagações interiores que elas têm”, destaca.


Sempre envolvida com o estímulo à leitura, Lucília também visita escolas e conversa com as crianças sobre os mais diversos temas, dentre eles, as temáticas de seus livros. Dentre suas últimas publicações está Tonho e os Dragões, sobre um menino com leucemia. A obra foi escrita para o Hospital da Criança. Outro livro recente é Palavras Mágicas, sobre uma criança que sonha estar em um tapete mágico. Ela desce em um parque de diversões sem bilheteria. Tudo é feito por meio de palavras e boas maneiras, como por gentileza, por favor, com licença, eu gostaria e muito obrigado. A escritora faz parte do grupo Casa de Autores.


Fábulas – Com a mesma vontade, a professora Heucionéia Rocha Bassetto desenvolve projetos na Escola Estadual José dos Santos, da rede de ensino do município paulista de Jales. No ano passado, um dos projetos, Na Trilha das Autorias Misteriosas, foi selecionado entre os ganhadores do Prêmio Professores do Brasil. Este ano, o projeto Fábulas promove leitura, escrita e revisão textual.


O resultado da iniciativa foi uma coletânea de fábulas, feita pelos alunos do quarto ano do ensino fundamental e entregue para a sala de leitura para fazer parte do acervo da escola. “Para o aluno escrever um texto de qualidade ele precisa saber o porquê de escrever esse texto. Quem vai ler o texto? Onde ele vai circular? Qual gênero e qual vai ser a estrutura desse texto? Tudo isso foi trabalhado”, garante a professora.


“Esse projeto tem um propósito didático, porque neles os alunos se sentem parte do processo e do trabalho, se sentem responsáveis pelo que estão fazendo”, acrescenta Heucionéia, ao afirmar que com metas as crianças se envolvem com mais entusiasmo nos projetos.

“Dá gosto de fazer a leitura dos textos produzidos por eles. Trabalham com descrições de cenário, de personagem, marcadores temporais e até técnicas discursivas para evitar a repetição de elementos de ligação”, completa Heucineia Rocha Bassetto, ao comentar a qualidade dos textos produzidos pelos futuros escritores.


“Ler é aprender e é ampliar as oportunidades de educação para as crianças, jovens e adultos também. Ler é uma excelente prática que deve ser cada vez mais cultivada por todos nós”, conclui o ministro.


Assessoria de Comunicação Social 



Fonte: MEC

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Leitura para e com as crianças: da gestação aos 5 anos

Por Equipe Instituto Alfa e Beto


Criar o hábito de leitura em família é uma forma especial de estabelecer relações e fortalecer laços afetivos. Além das conversas entre pais e filhos, a leitura realizada em família é comprovadamente responsável por melhorar o desempenho escolar das crianças. Mas isso não significa que você precisa esperar até a criança ingressar na escola para começar a ler com ela. Pelo contrário. Quem lê para os bebês garante a eles um vocabulário maior.
Uma pesquisa recente realizada por pesquisadores das universidades do Estado da Pensilvânia, Califórnia Irvine e Columbia (as três nos Estados Unidos) mostrou que crianças que conheciam mais palavras aos dois anos de idade estavam mais bem preparadas, tanto no âmbito acadêmico quanto de comportamento, quando chegaram à pré-escola. Elas registraram melhores resultados em leitura e matemática, mais autocontrole e menos problemas de ansiedade. Ou seja, quanto antes a leitura começar, melhor.
Por mais que exista boa vontade da família em ler para as crianças na Primeira Infância, muitas vezes há dúvidas sobre como isso deve ser feito, principalmente quando se trata de bebês bem pequenos. Para ajudar nessa interação, nós elaboramos uma lista de como fazer a leitura para as crianças, desde a gravidez (sim, os bebês entendem a leitura quando ainda estão dentro da barriga!) até os 5 anos de idade. Mas atenção: não significa que depois dos 5 anos o hábito deve ser deixado de lado. Ele apenas vai ganhar reforço e complemento com o apoio dos educadores.

Durante a gestação
  • Leia seus livros preferidos, de preferência em voz alta.
  • Cante cantigas, recite poemas e converse com o bebê enquanto acaricia a barriga.
Primeiros três meses de vida
  • Aproveite momentos da rotina, como a hora do banho e da amamentação, para contar histórias, caprichando na entonação.
  • Peça a participação de todos na família. A leitura não é uma prática que deve ser feita apenas pela mãe. Pais, avós, tios e irmãos podem ajudar. Se houver outra criança em casa, peça que ela leia seus livros preferidos para o bebê – isso vai incentivar o aprendizado dos dois. 
De 3 a 12 meses de vida
  • Quando a criança já começa a desenvolver mais controle dos movimentos e consegue segurar objetos leves, você já pode entregar livros nas mãos dela. Há opções emborrachadas e com cantos arredondados que podem ser manuseadas por bebês sem riscos de acidentes, inclusive na hora do banho.
  • Leia apontando as figuras e as palavras para a criança. Assim ela vai criar associação entre aquela imagem e a palavra que está escutando.
  • Após os seis meses, quando o bebê já pode consumir outros alimentos além do leite materno, aproveite enquanto ele come para contar histórias.
  • Nessa fase, os livros preferidos das crianças são aqueles que mostram fotos de outros bebês e também livros que mostram expressões faciais, sorrisos e choros, por exemplo.
Dos 12 aos 24 meses de vida
  • Livros com objetos familiares, como brinquedos e alimentos, são os preferidos nessa fase. As crianças também gostam de histórias que contem rotinas do dia, como uma visita na casa dos avós e cenas familiares.
  • Quando estiver na rua, também incentive a leitura. Aponte imagens, letras e palavras e peça para ela tentar adivinhar.
  • Não force a criança a ler. Leia enquanto ela está interessada, mesmo que seja por alguns minutos todos os dias. Aos poucos, vá aumentando o tempo de leitura.
 Dos 24 aos 36 meses de vida
  • Apresente livros com mais de uma palavra por página.
  • Leia nos momentos de espera, como no ponto de ônibus ou na recepção de um hospital. Crianças nessa fase são inquietas, a leitura vai ajudá-las a se concentrar.
  • Apresente histórias com rimas e onomatopeias e peça para a criança reproduzir os sons.
  • Leia preferencialmente histórias engraçadas, pois nessa fase as crianças já estão desenvolvendo o senso de humor.
Dos 3 aos 5 anos de idade
  • Introduza narrativas mais complexas, como contos, fábulas e roteiros de aventura. Histórias da Bíblia também podem ser adaptadas para que a criança compreenda o texto.
  • Não leia apenas livros. Jornais, revistas e capas de DVDs com o resumo da história também podem despertar o interesse.
  • Peça para que a criança leia a história para você. Diga para ela caprichar na fala.

Para todas as idades
  • Leia todos os dias. Esse é um hábito que a gente cria, assim como sentar para almoçar, escovar os dentes e deitar para dormir.
  • Leia várias vezes a mesma história. Ao contrário dos adultos, as crianças gostam de escutar as mesmas histórias diversas vezes. Com isso, elas desenvolvem a compreensão do contexto.
  • Pergunte para a criança quais são suas histórias favoritas e leia para elas.
  • Quando ler histórias repetidas, peça para a criança ajudar a contá-la, pois ela já vai conhecer o enredo. Mesmo assim, coloque emoção na leitura, como se fosse a primeira vez.
  • Apresente livros novos. Não é porque a criança gosta de uma história que você só vai ler aquela. Diga “vamos ler algo novo? Depois nós lemos sua história”, e combine com ela quando isso será feito. E, é claro, cumpra o que prometeu.

*****
Quer saber mais sobre como ler para crianças? Faça o download da cartilhaPrimeira Infância, Primeiras Leituras.
Quer saber quais livros ler para as crianças? Confira o Guia IAB de Leitura, com os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola
Quer saber mais sobre leitura na Primeira Infância? Clique aqui.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estudo comprova que leitura modifica a estrutura do cérebro

Se você é um ávido leitor, saiba que esse hábito pode mudar a estrutura do seu cérebro. Entenda como isso funciona

 
Fonte: Shutterstock
 O hábito de ler diferentes tipos de obras desenvolve 
uma alta conectividade no córtex temporal esquerdo

A maioria das pessoas já sabe os benefícios que a leitura traz para o cérebro: aumento da capacidade de manter a atenção, aumento do vocabulário, entre outras coisas. Entretanto, um estudo recente realizado pela Emory University, nos Estados Unidos, chegou a um resultado surpreendente: ler muito pode mudar a estrutura cerebral.

Estudos passados mostraram como cérebro se comporta durante a leitura. Agora, os pesquisadores Gregory S. Berns, Kristina Blaine, Michael J. Prietula e Brandon E. Pye quiseram entender se o hábito de ler pode trazer modificações mais permanentes ao cérebro. Eles desenvolveram um processo de leitura com estudantes da Emory University: um grupo misturou romances com livros relacionados aos seus cursos, e o outro grupo leu somente estudos e obras acadêmicas.

Após o fim da pesquisa, o resultado foi maior do que eles imaginavam. Os alunos que criaram o hábito de ler diferentes tipos de obras desenvolveram uma alta conectividade no córtex temporal esquerdo, área responsável pela assimilação da linguagem. Isso significa que eles conseguiam compreender e processar o que estava escrito de maneira mais rápida e completa do que pessoas que não possuíam o hábito de ler.

Além disso, as conectividades do córtex temporal esquerdo fazem com que o cérebro consiga conectar ideias (palavras) com as sensações que elas representam. Ou seja: ao lerem a palavra “correr”, os participantes que liam mais conseguiam sentir as sensações de uma corrida de maneira mais eficaz do que os outros.
A conclusão que os pesquisadores chegaram é que pessoas que possuem o hábito de ler conseguem sentir uma empatia maior com os personagens dos livros e, por isso, vivenciar uma experiência mais forte com a leitura. Que tal um bom livro? Aqui você pode baixar mais de 1.000 livros grátis. Confira a lista e boa leitura!

Fonte: Universia

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Hábito da leitura deve vir da infância


31ª edição da Feira do Livro de Brasília
Pesquisa mostra que mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura  (Valter Campanato / ABr)
 
A leitura, além de ser um dos maiores prazeres da vida, ajuda a abrir um mundo de oportunidades. Quem lê sabe mais, aprende melhor, tira boas notas na escola e, depois de adulto, consegue bons empregos. Mas, infelizmente, poucos brasileiros têm o hábito da leitura.
 
O “leitor ativo” é a pessoa que lê pelo menos quatro livros por ano. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 2001 havia no País apenas 26 milhões de leitores ativos. Isso é muito pouco para um país como o nosso, de cerca de 170 milhões de habitantes. E segundo o Ministério da Educação, a grande maioria dos livros produzidos por ano no Brasil é de livros didáticos.

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, de 2001, aponta que somente um terço da população adulta alfabetizada aprecia a leitura de livros. E existe grande diferença de região para região do País: mais da metade dos compradores de livros (58%) concentram-se nos estados do Sul e do Sudeste. Outra coisa a considerar é que, de cada 10 não-leitores, 7 são de classes com baixo poder aquisitivo.

Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que mais de um terço da população (34%) nunca foi a uma biblioteca. Nas classes D e E, esse percentual é de 49%.

Quantos livros cada pessoa lê por ano?

- 7 na França
- 5,1 nos Estados Unidos
- 5 na Itália
- 4,9 na Inglaterra
- 1,8 no Brasil

No Brasil apenas 16% da população detêm 73% dos livros. De 1995 a 2003, a venda de livros caiu 50%, e o número de títulos lançados, 13%.
Da população adulta alfabetizada do país:
- um terço aprecia a leitura de livros
- 61% têm muito pouco ou nenhum contato com livro
- 47% possuem no máximo dez livros em casa

Mudança

E o que fazer para mudar essa situação? A família e a escola podem ajudar muito. "Quem nasceu em uma família de leitores, independentemente do poder aquisitivo dessa família, tem muitas chances de se tornar um grande apreciador dos livros", acredita o presidente do Instituto Brasil Leitor (IBL), William Nacked.

Um dado do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) parece sustentar essa opinião: a mãe é apontada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura. Professores são citados por 36%, e o pai, por 24% dos entrevistados.

Você, desde cedo, precisa lutar pelos seus direitos, e um deles é o de ler e estudar sempre. Peça aos seus pais e professores para lhe darem acesso a bons livros. Nem sempre é preciso gastar dinheiro com isso: você pode usar as bibliotecas públicas da sua cidade e da sua escola, ou trocar livros com os amigos.
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
Fonte: EBC

domingo, 16 de março de 2014

O que os pais podem fazer para criar o hábito da leitura em seus filhos

Por Rocio Brescia / obrigaram leitura, livrarias visitam e compartilhar leituras são algumas das dicas quanto possível para prestar atenção


Gráfico: Chachi Verona

Hoje mais do que nunca, a leitura corre o risco de ser visto pelas crianças como uma imposição sobre os pais e professores.

 A criança pode crescer sem o hábito de dedicar parte do seu tempo para mergulhar nas letras e lidar com as aventuras fascinantes nos mares do sul. É na primeira década de vida, quando as pessoas podem adquirir este hábito, nesses 10 anos tem a oportunidade de absorver para sempre a alegria da leitura como uma necessidade mimada e desejado. Educadores dizem que você aprende a gostar de ler e, por isso, devemos estar conscientes de que é algo que pode ser ensinado. Para isso, a unidade básica da família. Ensinar a leitura é o tema que os pais devem passar para os seus filhos, tendo em conta a sua qualidade, motivação, gostos e interesses. Em suma, o desafio é estimular a curiosidade sobre os livros.
 
O que posso fazer para os meus filhos a ler?
 
• Sem leitura atraente. Como qualquer atividade, a leitura exige perseverança para se tornar hábitos. Força nunca deve ler, mas você pode (e deve) se tornar uma ocorrência diária. A chave está na parte final do tempo de lazer, como assistir TV ou jogar. Em tenra idade serão os pais e mães que exercem esta função diretamente. Com o tempo, o espaço dedicado à leitura será ampliada, e as próprias crianças vão decidir como, quando e onde a leitura.
 
• Acessibilidade dos livros. Embora não brinquedos, livros deve ser acessível, tanto o seu próprio e dos outros. É necessário remover o estatuto de objecto importante que apenas opera livrarias. Além disso, você tem que aumentar as bibliotecas-se desde o nascimento, porque um livro depois de lida, cruza o limiar do meramente material.
 
• Visite bibliotecas. Feiras ou exposições pode se tornar um hobby que traz literatura para crianças. A idéia de ser cercado por tantas possibilidades familiariza a criança com este tipo de comércio e adiciona recurso. Além disso, se for dada uma soma de dinheiro a fim de escolher o título que você gosta, começa a desenvolver critérios para comprar e aprender a distinguir o que o trabalho vale a pena adquirir.
 
• Personalizado diária. Nightly Leia uma história para os mais pequenos, eventualmente, tornar-se um hábito de leitura diária.
 
• dirimir dúvidas. Deve olhar juntos nos termos do dicionário não compreendidos. Esta boa prática é instilada para ampliar o vocabulário.
 
• Não proíba livros. Deve ser prestado muita atenção na idade crítica da adolescência, porque grandes leitores infantis são perdidos nesta fase. Neste sentido, a escolha é irrelevante. Nunca deve proibir títulos. Em vez disso, é importante para explicar por que ele não vai entender o que você lê, e qual é a razão não vale a pena perder tempo. Isto será conseguido despertar o seu espírito crítico.
 
• Seja um membro de uma biblioteca. Uma maneira fácil e acessível é acompanhar as crianças muito jovens para as bibliotecas. Permitir acesso livros sem gastar grandes quantias de dinheiro. Eles também servem para ensinar como escolher os títulos, e introduzir os jovens leitores para o valor da responsabilidade, uma vez que são eles que devem devolver o exemplar emprestado.
 
• Adaptar-se aos gostos Tudo é susceptível de se tornar a abordagem desculpa para leitura. Uma questão atual, eventos ou fatos que as pessoas chamam a sua atenção ou um filme que tem animado deles são excelentes ocasiões para despertar paixão livros.
 
• Compartilhar leitura. Conforme as crianças crescem, você pode oferecer-lhes livros que os pais estão lendo. É muito motivador e divertido comentário família nos personagens ou algum capítulo que se mostrou interessante. A leitura é um tópico atraente de conversa entre pais e filhos.
 
É essencial para transmitir às crianças que a leitura de livros tem outras vantagens, além de melhorar a atenção e estimular a curiosidade sobre diferentes temas: apoiar melhor maneira de expressar pensamentos e para melhorar as relações humanas.
 
(*) Leia mais sobre Fundação www.leer.org.ar

Fonte: La Capital 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Ler bons livros: Melhor forma para manter a mente ativa

Se você for um leitor voraz, sua mente não será a única beneficiária. Os efeitos positivos do hábito da leitura provavelmente recairão também sobre os seus amigos e seus familiares. Ler, particularmente livros de narrativa, pode melhorar nossa capacidade empática, como demonstra recente estudo norte-americano


 Por: Equipe Oásis

A habilidade de se conectar com as emoções dos outros, intuindo as suas convicções e antecipando os seus desejos, é conhecida como importante teoria da mente. Alguns pesquisadores da New School for Social Research em Nova York quiseram verificar se a experiência de leitura de situações literárias desenvolvidas em romances com personagens complexos e de personalidade multifacetada efetivamente melhora a nossa capacidade de entrar na pele do próximo.

Os cientistas recrutaram três grupos de voluntários que se dedicaram a três tarefas diversas: o primeiro grupo teve de ler textos narrativos de alta qualidade, todos eles agraciados com o prestigioso prêmio literário norte-americano National Book Award; o segundo teve de ler trechos de bestsellers vendidos online (histórias com personagens bastante "rasos" inseridos em situações de sabor popular e mundano); ao terceiro grupo nada foi dado para ler.

A todos, depois, foi solicitado identificar as emoções escondidas atrás de algumas expressões faciais: um teste de empatia no qual os que tinham lido romances mais "empenhados" obtiveram claramente os melhores resultados.


Os livros são necessários

O estudo dos resultados estimulantes deixou, no entanto, algumas dúvidas em suspenso: quais são, por exemplo, as situações contidas no fio narrativo que fazem – realmente – a diferença? Pode ser, perguntam alguns pesquisadores, que se trate simplesmenteforma para manter a mente ativa do maior esforço cognitivo empregado para enfrentar uma leitura "culta" o fator que incrementa também as capacidades relacionais.

A pesquisa, de qualquer modo, ressalta a importância de se viver no seio de uma comunidade que promova a leitura. Ler, sem dúvida, melhora as capacidades empáticas da pessoa.


Os "ratos de biblioteca" permanecem jovens

Outra importante pesquisa, também norte-americana, soma-se à que foi comentada acima e demonstra que a leitura e a escritura mantêm à distância o espectro da deterioração cognitiva.

Confirma-se pela enésima vez que a natureza não perdoa: no mundo natural, que é o mundo em que vivemos, tudo aquilo que não é usado apodrece ou se deteriora. No plano humano, essa verdade vale para todos os níveis da nossa existência: físico, sexual, emocional, mental, etc.

Se para evitar a deterioração do corpo físico existem as longas caminhadas, as piscinas, a ioga e a ginástica, para manter o cérebro em ação e bem treinado nada é melhor do que a prática diária da leitura e da escritura. O hábito de desafiar o cérebro com atividades estimulantes afasta e retarda o surgimento dos processos de declínio cognitivo. Isto é o que revela um amplo estudo norte-americano publicado na revista Neurology. Esses resultados confirmam aquilo que o senso comum já conhece há muito tempo.


Pensamento e memória

O estudo foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores do Rush University Medical Center de Chicago. Esses neurocientistas monitoraram, através de uma bateria de testes, as atividades de pensamento e memória de 294 indivíduos de idade avançada. Os voluntários, que foram seguidos durante cerca de 6 anos, tiveram de responder um questionário a respeito dos seus hábitos de leitura e de escritura durante a juventude, a idade adulta e a velhice.

Depois da morte dos voluntários, acontecida a uma idade média de 89 anos, os cientistas examinaram através de uma autopsia os seus cérebros para identificar sinais fisiológicos de demência, como lesões, placas e aglomerados neurofibrilares (depósitos proteicos que se acumulam sobre as fibras nervosas). Tais anomalias são muito comuns em pessoas de idade avançada e podem causar importantes déficits de memória e de cognição.

Nos pacientes que sofrem de Mal de Alzheimer essas placas, devido a uma proteína chamada betamiloide, se depositam progressivamente sobre os neurônios tornando-os incapazes de transmitir impulsos. Alguns pesquisadores creem que esse mesmo processo pode ser uma das causas prováveis de doenças escleróticas e autoimunes como a esclerose múltipla.


Diferenças impressionantes

Os pacientes acostumados às atividades intelectivas mostraram uma taxa de declínio cognitivo 15% mais lenta em relação a quem cultivou menos os hábitos de ler e escrever.

Em particular, ficou evidente que manter um alto ritmo de leitura até mesmo em idades avançadas reduz o declínio da memória de 32% em relação à norma. Quem, ao contrário, abandona (ou quase abandona) o hábito de ler e escrever com o passar dos anos, corre o risco de uma piora da memória 48% mais rápida do que os que se mantêm ativos e em treinamento. Os dados foram ajustados também com base nas diversas quantidades de placas e aglomerados encontrados durante as autopsias. Em outras palavras, ao lado dos fatores físicos que causam demência senil, calculou-se também o peso da atividade cognitiva na prevenção e deterioração das faculdades cerebrais.

"A pesquisa confirma que tudo aquilo que, instintivamente, os muitos familiares proporcionam a seus doentes de Alzheimer funciona realmente para impedir ou retardar o avanço da doença", comenta a médica Patrizia Spadin, presidente da Associação Italiana para a Doença de Alzheimer. "Claro – continua Patrizia Spadin – a atividade 'formal' de reabilitação cognitiva conduz a resultados mensuráveis e comprovados. Mas também encontrar-se com amigos, dar um passeio, viajar, praticar um esporte, ler um bom livro, fazer palavras cruzadas e comer de modo sadio, além de influenciar positivamente o estado de humor, beneficia as células cerebrais e, portanto, a mente. Para quem se sente impotente em face de uma doença tão devastadora como a demência, é fundamental saber que essas armas existem, funcionam e devem ser usadas na batalha contra a deterioração cognitiva.

Fonte: Brasil 247

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O hábito de leitura e sua saúde

Por Luciana Ribeiro

Os benefícios da leitura e os impactos diretos na saúde de quem lê. Todos os dias recebemos uma avalanche de informações sobre saúde, principalmente a saúde do corpo: alimente-se bem!, exercite-se com frequência!, beba água!, entre outras. Todos almejam sentir-se bem e ter bons hábitos faz parte disso. É exatamente esse o assunto que abordaremos aqui, dessa vez sob um enfoque não muito habitual, a respeito de uma prática que, apesar de todos os benefícios, poucas vezes é associada à saúde: a leitura. Se você chegou até aqui: parabéns! Você já está praticando!

 A escrita possibilitou o registro do pensamento humano e o acesso às ideias de outrem. Marcou o fim da pré-história e, desde então, alicerça a evolução do homem, permitindo que o conhecimento acumulado seja passado de geração em geração. Os registros, inicialmente gravados nas paredes das cavernas, evoluíram do papiro ao papel, até chegar ao meio digital. Hoje, os meios de acesso à informação são os mais diversos, entre eles: livros, filmes, computadores, internet. Os três últimos, por oferecerem uma interação mais dinâmica e que não exige grandes esforços, representam forte concorrência à prática da leitura.

 Um exemplo disso é o fato de muitas pessoas optarem por ver o filme ao invés de ler o livro. Ao tomar essa decisão, têm acesso à imagem projetada na tela, imaginada por outra pessoa e disponibilizada dentro dos limites permitidos pelos recursos utilizados. Por outro lado, aquelas que optam por ler o livro, constroem as imagens de acordo com o seu próprio universo e vivência, de forma única, ilimitada.

Dificilmente a película supera as imagens criadas pela mente. Estudos mostram que o tipo de imaginação gerada quando se lê um livro é muito diferente da imaginação gerada ao assistir um filme. A leitura estimula a imaginação, a criatividade, a compreensão do mundo e a autocompreensão. Por isso, quem lê o livro e depois assiste o filme, geralmente se frustra.

 Tem mais: a leitura enriquece o vocabulário, leva a uma melhor escrita, aumenta a capacidade de organizar as ideias e, consequentemente, de expressá-las, estimula a memória, estimula a criatividade, eleva a autoestima. Tantos benefícios exercem impacto direto na saúde e no dia a dia de quem lê, influenciando desde a capacidade de raciocínio e comunicação até a qualidade do sono. A leitura abre portas para novos mundos, dá acesso a outras formas de pensar, permite uma viagem sem sair do lugar.

 Aquele que não possui o hábito de ler pode começar por publicações periódicas, tais como jornais e revistas. Textos na internet também são uma boa opção. Para dar início, escolha aquela que se encaixe com o seu perfil, que vá de acordo com os seus gostos e interesses pessoais e, sobretudo, que proporcione algum grau de satisfação. Para a prática da leitura, não há tempo nem idade certos e não há contraindicação. O importante é dar o primeiro passo.

Portanto: alimente-se bem, exercite-se regularmente, beba água…e leia!


Luciana Ribeiro é Brasiliense. Graduada em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília. Pós-graduada em Gestão Estratégica da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Fonte: Revista Biblioo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Prazer de Ler por Ler: Leitura Lazer na Biblioteca Universitária


Por Cátia Cristina Souza



No decorrer de um curso superior, uma das etapas mais significativas do aprendizado acadêmico é a pesquisa, para desenvolver essa atividade com louvor é preciso que o aluno frequente a biblioteca, é nessa hora que o bibliotecário percebe que muitos usuários não possuem intimidade com o ambiente biblioteca observando sinais que vão desde o aspecto comportamental – tom de voz por exemplo, até a total falta de habilidade na pesquisa.

Grande parte da população brasileira ainda não tem acesso à leitura, consequentemente não desenvolve seus direitos de cidadão por simples ignorância. Sabe-se que a prática da leitura é comumente e estimulada na escola, onde as atividades em geral são focadas para isso, em contramão, a teoria na realidade é que a maioria das instituições de ensino escolar não possui biblioteca, tampouco profissional bibliotecário habilitado para incentivar e promover a leitura entre os pequenos.

Os programas do governo de ampliação de acesso ao ensino superior têm permitido que jovens de baixa renda tenham acesso à faculdade e, consequentemente, à biblioteca. Seria uma falácia afirmar que apenas jovens de baixa renda não conhecem a biblioteca, infelizmente, muitos jovens de alto poder aquisitivo por falta de interesse ou até mesmo por falta de incentivo não possuem o hábito de frequentar biblioteca, existem ainda aqueles que mesmo sem condições socioeconômicas favoráveis descobriram o prazer de se aventurar no mundo da leitura.

A biblioteca deve ser ocupada segundo as necessidades de sua comunidade oferecendo um clima agradável para a pesquisa, cultura e lazer independente das limitações de ordem financeira e social. A biblioteca universitária pode ir além dos livros condizentes ao currículo proposto pela instituição e assim, ajudar a promover uma sociedade leitora. É de conhecimento geral que a leitura desenvolve um papel importante no acúmulo de conhecimentos e habilidades, dessa forma o usuário que frequenta a biblioteca com o intuito de ler por ler, pode tornar-se um exímio pesquisador.

O bibliotecário de instituição de ensino superior pode desenvolver seu papel social de incentivo e promoção à leitura em nosso país, reservando espaço em seu acervo para a “leitura lazer” aquela leitura descomprometida com o conteúdo acadêmico, mas que contribui para a formação do indivíduo. Muitas são as formas de formar um acervo descomprometido com o conteúdo acadêmico, em geral as instituições utilizam o espaço reservado para a literatura, outras vão além reservando salas com poltronas e almofadas dando mais conforto a essa prática. Nessa hora entra em prática a criatividade e habilidade do bibliotecário para formar seu ambiente de “leitura lazer”, desenvolvendo parcerias com editoras para doação de livros quiçá lançamentos cobiçados ou até mesmo campanhas entre os usuários da biblioteca, o que vale é transformar as ideias em ação de incentivo e promoção da leitura.

A missão do bibliotecário é facilitar o acesso a informação, esse profissional deve estar consciente que é um agente de mudanças. Despertar o hábito da leitura nos usuários da biblioteca universitária é ingrediente importante para o envaidecimento do ego profissional e pessoal. 

domingo, 2 de junho de 2013

Dez motivos pelos quais você deveria ler todos os dias

Se você acha que a leitura é uma prática entediante, talvez seja hora de rever seus conceitos. Conheça 10 bons motivos para ler todos os dias e transformar isso em um hábito 

10 motivos pelos quais você deveria ler todos os dias
Crédito: Shutterstock.com
Livros com histórias envolventes são capazes de desligar você do mundo ao redor, fazendo com que sua atenção esteja inteiramente voltada para o que acontece na trama
 
Uma das práticas que os jovens consideram mais entediantes é a leitura. Não é raro ouvir reclamações sobre a obrigatoriedade da leitura, mesmo que algumas histórias surpreendam por atrair o interesse. Contudo, estabelecer o hábito da leitura pode trazer diversos benefícios para a vida, tanto no mundo acadêmico quanto na carreira. Confira a seguir 10 motivos pelos quais você deveria ler todos os dias:

1. Estímulo mental

O cérebro necessita treinamento para se manter forte e saudável e a leitura é uma ótima maneira de estimular a mente e mantê-la ativa. Além disso, estudos mostram que os estímulos mentais desaceleram o progresso de doenças como demência e Alzheimer. 

2. Redução do estresse

Quando você se insere em uma nova história diferente da sua, os níveis de estresse que você viveu no dia são diminuídos radicalmente. Uma história bem escrita pode transportá-lo para uma nova realidade, o que vai distraí-lo dos problemas do momento. 

3. Aumento do conhecimento

Tudo o que você lê é enviado para o seu cérebro com uma etiqueta de “novas informações”. Mesmo que elas não pareçam tão essenciais para você agora, em algum momento elas podem ajudá-lo, como em uma entrevista de emprego ou mesmo durante um debate em sala de aula. 

4. Expansão de vocabulário

A leitura expõe você a novas palavras que inevitavelmente elas serão incluídas no seu vocabulário. Conhecer um número grande de palavras é importante porque permite que você seja mais articulado em seus discursos, de maneira que até mesmo a sua confiança será impulsionada. 

5. Desenvolvimento da memória

Quando você lê um livro (especialmente os grandes) precisa se lembrar de todos os personagens, seus pontos de vista, o contexto em que cada um está inserido e todos os desvios que a história sofreu. A boa notícia é que você pode utilizar isso a seu favor, fazendo dos livros um treino para a sua memória. Guardar essa quantidade de informações faz com que você esteja mais apto para se lembrar de eventos cotidianos.
 
 
Ler Cervantes é bom para o cérebro
 

6. Habilidade de pensamento crítico

Já leu um livro que prometia um mistério confuso e acabou por desvendá-lo antes mesmo do meio da história? Isso mostra a sua agilidade de pensamento e suas habilidades de pensamento crítico. Esse tipo de talento também é desenvolvido por meio da leitura. Portanto, quanto mais você lê, mais aumenta sua habilidade de estabelecer conexões. 

7. Aumento de foco e concentração

O mundo agitado de hoje faz com que sua atenção seja dividida em várias partes, de modo que manter-se concentrado em apenas uma tarefa torna-se um desafio. Contudo, livros com histórias envolventes são capazes de desligar você do mundo ao redor, fazendo com que sua atenção esteja inteiramente voltada para o que acontece na trama. Embora você não perceba, esse tipo de exercício ajuda você a se concentrar em outras ocasiões, como quando precisa finalizar um projeto urgente. 

8. Habilidades de escrita

Esse tipo de habilidade anda lado a lado com a expansão do seu vocabulário. Assim como a leitura permite a você ser alguém mais articulado na fala, também vai ajuda-lo a colocar com mais clareza os seus pensamentos no papel. Isso vai dar a você a chance de produzir textos com mais qualidade, não apenas de vocabulário, como também correção gramatical e ideias mais ricas. 

9. Tranquilidade

O fato de envolver você em uma história e livrá-lo do estresse cotidiano faz do livro uma ótima ferramenta para alcançar a paz interior. Nos momentos de estresse, procure se distrair do que acontece com uma história que atrai seu interesse. Isso vai acalmá-lo e ajudá-lo a melhorar seu humor. 

10. Entretenimento a baixo custo

Muitas pessoas acreditam que o conceito de diversão está diretamente ligado aos altos custos de uma viagem ou mesmo de uma festa. Contudo, se você encontrar um livro que chame a sua atenção, poderá viajar sem sair da sua casa. E se você acha que os preços cobrados por um livro também são abusivos, pode baixar aqui mais de 1.000 títulos gratuitamente.
 
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Leitura: um hábito para a vida inteira que pode começar antes de nascer

  Edição: Tereza Barbosa



A escritora Alessanda Roscoe defende o Aletramento Fraterno (Portal de Notícias do Senado / www.senado.gov.br)

Brasília - Iniciativas de incentivo à leitura se espalham por todo o país. No Distrito Federal, a escritora Alessanda Roscoe defende o Aletramento Fraterno que consiste em ler para os filhos ainda durante a gravidez. O nome tem uma razão de ser: estimular o hábito da leitura em uma criança é uma tarefa que pode envolver toda a família.

Autora de 17 livros, a escritora conta que, desde a primeira gravidez, lê em voz alta para os filhos. Quando ficou grávida pela terceira vez, a parceria com o marido e os filhos se intensificou. “Aos poucos, meus filhos mais velhos e meu marido foram entrando no ritual e tivemos excelentes momentos lendo para a barriga”, diz.
Leia mais:
Alessandra faz oficinas sobre o assunto e orienta “casais grávidos”. É dela também a ideia do clube de leituras para bebês, o Uni Duni Ler. “É maravilhoso ver como eles curtem, interagem e adquirem intimidade com as histórias e os livros”.

O clube surgiu em 2010 na creche da filha, Luiza. Cada um dos responsáveis pelas crianças comprou dois livros de uma lista de 30 para que o acervo fosse montado. Mesmo com a participação ativa dos pais, quem escolhe o que levar para casa são as crianças, nas cirandas literárias promovidas semanalmente. Alessandra esclarece que os bebês não leem, mas olham e folheiam os livros e até contam as histórias do seu jeito.

Atualmente, o clube tem 21 sócios efetivos e conta com os amigos do Uni Duni Ler, cerca de 200 pessoas. “O espaço do clube é restrito porque funciona em uma creche, mas promovemos encontros festivos, dos quais todos podem participar”. A escritora ressalta que nesses encontros, muitas vezes são trazidos convidados, no caso, os autores dos livros lidos no clube.

Segundo ela, é preciso respeitar o ritmo dos pequenos, que pedem para ler sempre as mesmas histórias. “Os estudos explicam que a repetição faz parte do desenvolvimento das crianças na primeira infância, elas pedem para ouvir a mesma história infinitas vezes por quererem ver se tudo será como da primeira vez, sentem-se seguras quando já conhecem o final”, ressalta.

A bancária Fernanda Martins Viana é mãe de dois sócios do clube: Carlos, mascote do grupo, de um ano e dez meses e Gabriel, de cinco anos. Para ela, a iniciativa tem que ser copiada. “Nós nos tornamos também leitores. Eu espero ansiosamente o dia do encontro, que me leva para o universo infantil.”

Segunda ela, o filho mais velho já expressa o quanto gosta e o mais novo já está totalmente à vontade nesse mundo. “Ele senta no colo de um pai, ouve um pouco, depois vai para outro. Carlos começa a ter uma intimidade com o livro, que não se torna uma obrigação.”

A criança que é incentivada a ler desde cedo vai criar com o livro uma relação de afeto, diferente daquele que é obrigada a ler. Por isso, a escritora defende que a ideia do clube do livro seja replicada. “É fácil, basta apenas ter uma mala com livros”.

As histórias da escritora surgem de situações que vive com os filhos e com outras crianças. Entre as obras publicadas estão A Fada Emburrada; O Jacaré Bile; O Menino que Virou Fantoche; A Caixinha de Guardar o Tempo e o Guia de Leitura Para Bebês e Pré-Leitores Uni Duni Ler, que já foi distribuído em creches e escolas públicas no Rio Grande do Sul.

Um dos livros de Alessandra, escrito com a filha Beatriz quando tinha 5 anos de idade, inspirou o curta-metragem de animação A Menina que Pescava Estrelas, de 2008.

Fonte: EBC

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Hábito da Leitura - Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

 O Hábito da Leitura

Livro: Vida Feliz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

 
Leia uma pequena página, cada dia, na qual encontres alento e inspiração.

Incorpora este dever aos teus hábitos.

Ela te enriquecerá de júbilo, clareando as nuvens que possam envolver-te nas horas seguintes e arrimando-te ao bem-estar, caso suceda alguma surpresa desagradável.

Todas as pessoas necessitam de um bom conselheiro, e, nessa página, que extrairás do Evangelho, terás a diretriz de segurança e a palavra de sabedoria para qualquer ocorrência.

Se os homens reflexionassem um pouco mais antes de agirem, evitariam males incontáveis.

Já que os outros não o fazem, realiza tu.

O Estudo: Livro: Vida Feliz - Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

 O Estudo

Livro: Vida Feliz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

 

Estuda sempre.

Incorpora às tuas atividades o hábito da boa leitura. Uma página por dia, um trecho nos intervalos do serviço, uma frase para a meditação, tornam-se o cimento forte da tua construção para o futuro.

O conhecimento é um bem que, por mais seja armazenado, jamais toma qualquer espaço. Pelo contrário, faculta mais ampla facilidade para novas aquisições.

As boas leituras enriquecem a mente, acalmam o coração, estimulam ao progresso.

O homem que ignora, caminha às escuras.

Lê um pouco de cada vez, porém, fá-lo constantemente.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A leitura é um esporte

Matéria publicada em 24/09/2012
Escritor português José Jorge Letria 
reitera necessidade de treino e ambiente propício
para a formação de leitores para a vida. 
Foto: Amanda Perobelli 
 
Para ser leitor, assim como no caso de um atleta de alta performance, é preciso mais do que talento ou simples vocação. Antes, são necessárias condições de treino e desenvolvimento para que a tarefa se desenvolva por completo. Esta é a tese do português José Jorge Letria para a manutenção do hábito de leitura entre crianças e jovens. “É bom que se perceba que são os autores dessa área (infantojuvenis) que formam os leitores para os livros de Clarice Lispector, José Saramago, Jorge Amado ou António Lobo Antunes. Quem não começa por um lado dificilmente chega ao outro”, afirma o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.

No Brasil para a 22° Bienal Internacional do Livro de São Paulo e o lançamento de Brincar com as Palavras, o autor, vencedor do prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil de melhor livro de literatura em língua portuguesa com Avô, Conta Outra Vez, revela a Carta Fundamental como ter filhos e netos o impulsionou para o gênero e do papel fundamental da família na manutenção e incentivo dos hábitos de leitura.

Carta Fundamental: O senhor afirma, em Brincar com as Palavras, que as palavras foram seus “primeiros brinquedos, os mais maleáveis e versáteis, os mais sedutores e indestrutíveis”. Essa paixão refere-se mais à língua portuguesa ou à literatura?

José Jorge Letria: Refere-se às palavras em geral, o que significa que a afirmação envolve, sobretudo, a língua portuguesa enquanto base de comunicação e descoberta, e também a própria criação literária, que só veio mais tarde, mas que já estava presente pelo modo como me afeiçoava às palavras e as colecionava, pela sua sonoridade e raridade.

CF: O senhor tem livros publicados de diversos gêneros. De onde vem seu interesse pelo infantojuvenil? Que diferenças há em produzir livros para crianças?

JJL: Comecei por publicar em livro de poesia para adultos, em janeiro de 1973. Mas depois veio o interesse pela literatura para crianças, em 1979, porque tinha filhos pequenos, que também eram o meu público, e porque o meu percurso musical como cantor-autor também passou pelas canções para crianças, que foram, em larga medida, a porta que se abriu para eu começar a escrever para os mais novos.

CF: É recente o reconhecimento, no Brasil, da literatura infantojuvenil como gênero no meio acadêmico. O mesmo ocorre em Portugal? Qual a sua visão sobre esse debate? Em sua opinião, o gênero já tem seu lugar consagrado?

JJL: A literatura para os mais novos tem hoje mais reconhecimento no Brasil, designadamente em nível acadêmico, do que em Portugal, onde é um segmento importante da produção literária, plástica e editorial, mas ainda é visto com desconfiança pelo mundo da investigação acadêmica. O ideal seria considerarem-na de forma plena, sem reservas ou preconceitos, mas enquanto tal não acontecer, justifica-se o seu estudo autônomo. É bom que se perceba que são os autores dessa área que formam os leitores para os livros de Clarice Lispector, José Saramago, Jorge Amado ou António Lobo Antunes. Quem não começa por um lado dificilmente chega ao outro. Para isso não basta aprender a ler jornais esportivos.

CF: O mesmo se dá entre os escritores? Ou ainda é corrente a ideia de que se trata de um gênero “mais fácil”, “ingênuo”, que qualquer um pode escrever livros para crianças?

JJL: O fundamental num livro para crianças e jovens é que seja inteligível, sem trair a beleza poética da palavra. Há, porém, essa noção enganadora de que ela é uma literatura simples. A Cecília Meireles enfrentou certo estranhamento quando publicou Ou Isto ou Aquilo, por ser uma poetisa com obra consagrada a publicar para crianças. Perguntaram-lhe, então, como era escrever para crianças, ao que ela respondeu: “É o mesmo que escrever para adultos, só que melhor”. Portanto, acho que exige um grande investimento, mas um esforço de simplicidade, que exige muito trabalho de bastidor.

CF: O senhor já afirmou que, como autor, escreve para ser lido, para tocar de alguma forma seu público leitor. Nesse sentido, a figura do mediador tem papel essencial, por ser quem faz a ligação entre as duas pontas desse processo. Que medidas são essenciais para que essa mediação seja bemsucedida? Que tipo de formação ou qualidades são essenciais a um bom mediador?

JJL: Um bom mediador tem de ser, antes de tudo, alguém que goste verdadeiramente do que está a fazer e que acredite no que faz. Por isso tem de gostar de livros e de ler, tem de gostar de partilhar esse amor e de perceber que essa partilha com os mais novos contribui para combater o analfabetismo, para formar leitores e até escritores.

CF: Que papéis desempenham a família e o mediador ou a escola?

JJL: Acredito que a mediação se baseia em três pilares: a família, a escola e o bibliotecário. A família porque, se há livros em casa, se há hábitos de leitura, estamos meio caminho andado. Depois, o professor e o bibliotecário, que são complementares. O grande problema é que, se nas guerras a primeira vítima é a verdade, nas crises a primeira vítima é a cultura. E, num momento como o que vive Portugal, ninguém compra livros e isso dificulta muito as coisas. Assim, a escolha de obras tem de ser mais criteriosa, mesmo que isso signifique editar menos. Todavia, sempre que me encontro com professores e mediadores, tento reforçar neles o sentido de confiança e na estratégia de responsabilidade pelo que fazem. Há que ser um trabalho de paixão, e não burocrático, pois são eles que devem mostrar às crianças que é possível, mesmo com as cargas horárias que têm hoje, que as absorvem muito, há sempre espaço para a leitura. A criança chega em casa cansada e tem o computador, os cursos, o jazz, os esportes, e é importante demonstrar a eles e aos pais que a leitura tem seu espaço e que é mais estruturante que a maior parte dessas coisas.

CF: Numa pesquisa sobre os hábitos dos brasileiros, a Retratos da Leitura no Brasil, aferiu-se que, no País, são lidas quatro obras por ano, apenas metade delas na íntegra. O professor é listado como o principal motivador do hábito, porém, o número de obras lidas cai sensivelmente após a saída da escola. Como evitar esse fenômeno? A escola é suficiente para formar leitores para toda a vida? 

JJL: É natural que as crianças nas escolas leiam mais livros que os adultos. Por várias razões: são obrigadas a fazê-lo, têm mais tempo e a leitura faz parte do seu plano de formação. Os adultos têm menos tempo e a vida mais atarefada com o trabalho e as preocupações profissionais, familiares e sociais. Mas compete depois à família e à comunidade não deixarem morrer o interesse pelo livro e pela leitura. Se os pequenos leitores ficarem desenquadrados e sem estímulo, dificilmente se tornarão grandes leitores, e é do núcleo dos grandes leitores que saem os grandes escritores. É um pouco como o esporte de alta competição: não basta ter talento e vocação, é preciso ter condições de treino e desenvolvimento.

CF: Como costumam ser seus encontros com jovens leitores, como ocorreu recentemente na Bienal do Livro de São Paulo? Que impacto esses megaeventos têm para atrair e formar leitores?

JJL: Estive diversas vezes na Bienal do Livro de São Paulo e acho positivo que sempre haja muitos jovens. Nessa passagem pelo Brasil, pedi para visitar algumas escolas e me surpreendi com o envolvimento das crianças. As perguntas eram espontâneas, e denotavam que eles haviam de fato lido o livro e que aquelas eram curiosidades delas. Alguns tinham curiosidades sobre o processo de escrita próprias de uma criança que está ela mesma envolvida com o ato de escrever. Essa relação com os leitores é um complemento muito importante ao nosso trabalho e hoje se está a perder. As editoras estão muito tecnocratas e distantes, e aqui no Brasil há uma relação mais humanizada entre autor e leitor. Já tenho títulos programados para os próximos anos, e quero muito aprofundar essa minha relação com o Brasil.

CF: Autores lusófonos como Couto, José Luandino Vieira e José Eduardo Agualusa tiveram suas obras difundidas no Brasil graças ao incentivo do governo português. Apenas agora o brasileiro ensaia uma contrapartida. Como avalia o intercâmbio de autores entre países de língua portuguesa?

JJL: O apoio à internacionalização da produção cultural de um país é fundamental, tenha a forma que tiver, e deve ser assegurado sem discriminações ou ao sabor do interesse de grupos editoriais ou outros. Também acredito muito no apoio oficial à tradução, pois é uma via essencial para que livros de autores lusófonos sejam editados e lidos noutros idiomas. Conheço mal o que se passa no Brasil a este nível, mas conheço o enorme potencial da cultura brasileira e a sua capacidade de se afirmar no mundo. Veja-se, a título de exemplo, o que se passa com a música, com as novelas da televisão ou com o cinema. Estou a falar de uma verdadeira potência cultural em nível global. Compete a quem decide e a quem legisla criar condições para que esse patrimônio se mundialize, o que é bom para o Brasil e para todo o universo lusófono. E eu acredito cada vez no potencial cultural, econômico, social e até político da lusofonia. Esta língua que nos une há séculos tem de marcar de forma clara o seu lugar neste mundo em transformação profunda e acelerada.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

E-books ajudam editoras a entender hábitos do leitor

O leitor típico leva apenas sete horas para ler o último livro da trilogia "Jogos Vorazes" no leitor digital Kobo — cerca de 57 páginas por hora. Quase 18.000 leitores que usaram o Kindle, da Amazon.com, marcaram a seguinte frase do segundo tomo da série de Suzanne Collins: "Porque, às vezes, acontecem coisas com as pessoas com as quais elas não estão preparadas para lidar". Já no Nook, o leitor digital da Barnes & Noble, a maior rede americana de livrarias, a primeira coisa que a maioria dos leitores faz ao terminar o primeiro volume da trilogia é baixar o segundo.

Antigamente, nem editora nem autor tinham como saber o que acontece quando um leitor senta para ler um livro. Desiste depois de três páginas? Ou termina o livro em uma sentada? A maioria pula a introdução? Ou a lê com interesse, sublinhando trechos e fazendo anotações nas margens?

Isso mudou. O livro eletrônico — o "e-book" — abriu uma janela para a história por trás das cifras de vendas, revelando não só quanta gente compra um determinado livro, mas com que intensidade a obra foi lida.

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Durante séculos, a leitura foi, basicamente, um ato solitário e privado, uma troca íntima entre o leitor e as palavras impressas no papel. Mas a popularização do livro digital provocou uma profunda mudança na modo como se lê, transformando a atividade em algo mensurável — e de caráter quase público.

Os principais nomes no setor de e-books — Amazon, Apple e Google — podem facilmente saber o quanto um leitor já avançou no livro, quanto tempo dedica à leitura e que palavras usou na pesquisa para encontrar a obra. Aplicativos de leitura para tablets como iPad, Kindle Fire e Nook registram quantas vezes o leitor abre o aplicativo e quanto tempo passa lendo. Varejistas, e certas editoras, começam agora a digerir esses dados, que renderão uma visão sem precedentes da relação do público com livros.

O meio editorial sempre perdeu para o resto da indústria de entretenimento na hora de determinar gostos e hábitos do consumidor. Na televisão, produtores testam incessantemente novos programas em grupos de discussão; estúdios de cinema submetem filmes a uma bateria de testes e alteram o produto final com base na reação do público. Já no mundo editorial, a satisfação do leitor até aqui era avaliada com dados de vendas e resenhas — o que dá uma medida "post mortem" do êxito, mas não ajuda a influenciar ou a prever o sucesso. Isso começa a mudar à medida que editoras e livreiros vasculham a montanha de dados a seu dispor e que mais firmas tecnológicas entram no negócio.

A Barnes & Noble, dona do leitor digital Nook e de 25% a 30% do mercado de livros eletrônicos nos Estados Unidos, começou há pouco a estudar os hábitos de leitura digital do público. Dados colhidos via Nook revelam, por exemplo, até onde o leitor chega em um determinado livro e qual a relação de leitores deste ou daquele gênero com o livro. Jim Hilt, diretor de e-books da empresa, diz que a Barnes & Noble já começa a dividir suas descobertas com editoras para ajudá-las a criar livros que prendam mais a atenção das pessoas.

Para a empresa, que busca uma fatia ainda maior do mercado eletrônico, há muito em jogo. No último ano fiscal, as vendas do Nook subiram 45% e a de livros digitais para o aparelho, 119%. No todo, a Barnes & Nobble faturou US$ 1,3 bilhão com Nooks e e-books, em comparação com US$ 880 milhões no ano anterior. A Microsoft há pouco pagou US$ 300 milhões por uma fatia de 17,6% do Nook.

Hilt, diz que a empresa ainda está "nos estágios iniciais de um profundo [processo] de análise" e está vasculhando "mais dados do que poderia usar". Mas toda essa informação — reunida por grupos de leitores, não individualmente — já rendeu dados úteis. Algumas simplesmente confirmam o que o varejo já sabia só de examinar listas de best-sellers. Um exemplo: quem usa o Nook para ler o primeiro livro de uma série infanto-juvenil popular como a "Divergente", da escritora Veronica Roth (que a Rocco lança no Brasil em novembro), tende a emendar a leitura de um tomo com a do seguinte, quase como se estivesse lendo um único romance.

Graças à análise de dados gerados pelo Nook, a Barnes & Noble já descobriu que se o livro é de não ficção a leitura tende a ser intermitente, que um romance costuma ser lido de uma só vez e que livros de não ficção tendem a ser abandonados antes. Fãs de ficção científica, romances populares e policiais costumam ler mais obras, e mais depressa, do que leitores de ficção literária.

São revelações que já estão influenciando o tipo de obra que a Barnes & Noble vende no Nook. Hilt diz que quando os dados mostraram que o leitor volta e meia não chega ao fim de longas obras de não ficção, a empresa buscou maneiras de envolver mais o leitor de não ficção e longos ensaios jornalísticos. Daí veio a ideia de lançar a coleção "Nook Snaps", com obras curtas sobre temas variados como religião e o movimento Ocupe Wall Street.

Saber exatamente em que ponto o leitor se cansa também poderia ajudar editoras a criar edições digitais com mais firulas — um vídeo, um link ou algum outro recurso multimídia, diz Hilt. Daria para saber, por exemplo, que o interesse em uma série de ficção está caindo se leitores que compraram e devoraram os dois primeiros volumes de repente perdem o pique para ler novos tomos da série, ou simplesmente desistam.

"A maior tendência que estamos tentando descobrir é em que ponto ocorre esse abandono com determinados tipos de livro e o que daria para fazer com as editoras para evitá-lo", explica Hilt. "Se pudermos ajudar escritores a criar livros ainda melhores do que hoje, todo mundo ganha".

Tem escritor que adora a ideia. O romancista Scott Turow diz que sempre achou frustrante a incapacidade do setor de estudar a base de clientes. "Quando reclamei a um dos meus editores que, depois de tanto tempo publicando, ele ainda não sabia quem comprava meus livros, ele respondeu: 'E aí? Ninguém no meio editorial sabe.'". Turow, que é presidente da associação dos escritores dos EUA, a Authors Guild, acrescenta: "Se der para saber que um livro é longo demais e que é preciso ser mais rigoroso no corte, eu, pessoalmente, adoraria ter essa informação".

Outros temem que esse apego a dados acabe impedindo o escritor de assumir o risco da criação — risco que produz a grande literatura. Um livro "pode ser excêntrico, do tamanho que tiver de ser e, nesse quesito, o leitor não devia meter o bedelho", diz Jonathan Galassi, diretor de operações da editora Farrar, Straus & Giroux. "Não vamos encurtar 'Guerra e Paz' só porque alguém não conseguiu chegar ao fim".

A Amazon, em particular, tem uma vantagem na arena: por ser, ao mesmo tempo, varejista e editora, tem condições únicas de usar dados que coleta sobre os hábitos de leitura de clientes. Não é segredo que a Amazon e outras lojas de livros digitais coletam e guardam informações sobre o consumidor — que livros comprou, que livros leu. Usuários do Kindle assinam um termo que autoriza a empresa a armazenar dados gerados pelo aparelho — incluindo a última página lida pelo usuário, além de seus marcadores, observações e anotações — em servidores da empresa.

A Amazon consegue saber que trechos de livros digitais são populares com o público leitor — e exibe parte dessa informação publicamente em seu site.

"Vemos isso como a inteligência coletiva de todas as pessoas que leem pelo Kindle", diz Kinley Pearsall, porta-voz da Amazon. 

Certos defensores da privacidade acham que quem lê um livro eletrônico devia ter a garantia de que seus hábitos de leitura digitais não serão registrados. "Há um ideal na sociedade de que o que alguém lê não é da conta de ninguém", diz Cindy Cohn, diretora jurídica da Electronic Frontier Foundation, uma ONG que defende direitos e a privacidade do consumidor. "Hoje, não há nenhuma maneira de dizer à Amazon que eu quero comprar um livro [no site], mas não quero que xeretem o que estou lendo".

A Amazon não quis comentar a análise e o uso que faz de dados coletados via Kindle.

A migração para o livro digital deflagrou uma verdadeira corrida entre novas empresas de tecnologia interessadas em faturar com a montanha de dados reunida por leitores digitais e aplicativos de leitura. A Kobo, que fabrica leitores, tem um serviço que armazena 2,5 milhões de livros e conta com mais de oito milhões de usuários, verifica quantas horas os leitores dedicam a este ou àquele título e até onde avançam na leitura.

Certas editoras já estão começando a testar digitalmente livros antes de lançar a versão impressa. Mas poucas foram tão longe quanto a Coliloquy. A editora digital, que vende pelo Kindle, pelo Nook e em leitores com sistema Android, tem um formato — o "escolha sua própria aventura" — que permite ao leitor alterar personagens e tramas. Engenheiros da empresa consolidam os dados obtidos de seleções feitas por leitores e mandam o resultado para o autor, que pode ajustar a trama dos próximos livros para refletir a opinião do público.

"Queríamos criar um mecanismo de feedback que até então não existia entre escritor e leitor", diz Waynn Lue, engenheiro da computação que é um dos fundadores da Coliloquy.