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sábado, 20 de agosto de 2011

Formar jovens leitores

MÁRCIA LORCA

Uma das buscas constantes do trabalho do professor é manter o gosto pela leitura nos alunos. É fato que, no início do ensino fundamental, essa competência se forma motivada pelas atividades desenvolvidas pelo professor em sala de aula. Entretanto, o problema emerge na passagem para os quatro últimos anos do mesmo ensino fundamental, momento em que o adolescente deixa de gostar de ler, abandonando os livros ao pó das prateleiras.
 
 
Nessa fase, o aluno passa a ter novos focos de interesse e a escola, que antes recebia a maior parte de sua energia curiosa, fica em segundo plano. Em consequência, a leitura, especialmente de obras literárias, diminui consideravelmente. Eis a grande inquietação de professores, pais e demais  educadores: por que a leitura é abandonada? O que motiva o aluno a criar,em alguns casos, aversão a isso?

Várias são as pesquisas em busca de identificar os fatores que incentivam o aluno à leitura. Elas apontam normalmente as influências da família, com a presença de pais leitores; o acesso direto aos livros; o trabalho pedagógico da escola e do professor; entre tantas outras. O que pouco se discute são as causas desse distanciamento entre o adolescente e o livro literário.

Como ponto de partida para tal discussão, seria ingênuo desconsiderar a fase de desenvolvimento por que passam os adolescentes. O momento é de busca da autocompreensão, da independência e da escolha de suas ideologias e filosofias vitais, isso sem contar as interferências tecnológicas muito mais atraentes. A energia passa a se concentrar em novos focos, especialmente no conhecimento do outro e da descoberta das emoções no envolvimento com o outro. E aqui ler não é, nem faz parte do gasto dessa energia.

Para acalorar a discussão, trago para a cena desse embate o trabalho docente com a leitura literária. Com raras exceções, o professor é quem mutila qualquer desejo de ler ao escolher as leituras obrigatórias que serão trabalhadas em sala de aula. A escolha não parte de um diagnóstico a respeito do gosto literário do aluno, mas é direcionada pela preocupação essencialmente pedagógica e, nos casos do ensino médio, fundamentada pelo vestibular. Buscar livros que eduquem moralmente nossos alunos ou pautar-se nas famosas listas de vestibular não é estímulo para a formação de leitores.

O que um educador deixa de lado é o fato de que, pela passagem ao longo dos anos escolares iniciais, o aluno forma gostos muito individuais sobre o que quer ler, sobre os temas que lhe são pertinentes determinados pela idade, crença ou sexo. Pesquisar esses gostos e investir neles pode ser um caminho na busca de, não apenas formar, mas ir além da construção de leitores críticos e vorazes por livros.

Dar as costas para os livros recém-lançados também não pode ser postura de formadores de leitores. É preciso lembrar que as obras não nasceram velhas, houve época em que se configuravam também como novas produções e que, muitas vezes, foram tomadas como expressões não artísticas, fora dos cânones estabelecidos pela crítica.

Ampliar nossas visões sobre livros e literatura é condição imprescindível para transformar mal  “ledores” em leitores. Quem sabe a aversão à leitura literária não seja reflexo da faltade criatividade nas formas de avaliar, responsáveis por destituir o livro como fonte de vivências e experiências que ampliam o horizonte de quem lê?

Márcia Lorca é mestre pela Unesp de Assis, pesquisadora da área de Literatura Infantil e Juvenil e professora de Literatura do ensino médio em Araçatuba

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Estímulo à leitura é desafio urgente

Mostrar a prática como atividade prazerosa é prioridade

Autor: Leonardo Meira - Jornal Santuário
03/06/2011

Cento e noventa e dois milhões de habitantes. Quinta nação mais populosa do planeta e um país de dimensões continentais repleto de... não leitores. Segundo dados da última edição do estudo Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2008, somente 66,5 milhões de pessoas encaixam-se no perfil “leitores” – leram ao menos um livro nos últimos três meses anteriores à pesquisa –, o equivalente a apenas 35% da população.

Os motivos para a falta de uma cultura literária no país são os mais variados. Passam pelos historicamente elevados preços das publicações, falta de políticas públicas claras para o setor, baixos níveis de escolaridade e de poder aquisitivo da população, ausência de equipamentos culturais eficazes – como bibliotecas públicas –, vinculação entre livro e obrigações escolares e, principalmente, o imaginário coletivo. Quem já não ouviu máximas como “o brasileiro não gosta de ler”, “não se interessa por cultura”? Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita (Alle) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutora Lilian Lopes, essa é uma falsa ideia que termina por justificar a ausência de pesados e necessários investimentos nessa direção. “Se desejarmos um trânsito que seja livre e possível a muitos por toda a gama de esferas culturais, temos de entender que construir uma nação nesse sentido requer bastante esforço dos órgãos públicos e civis e é um projeto de longa duração”, afirma.

“Ler” ocupa o 5º lugar na lista do que o brasileiro mais gosta de fazer durante o tempo livre, com 35% da preferência (60 milhões de pessoas), segundo a pesquisa Retratos. E o que fazer para inverter essa equação? O consenso é que uma grande teia de relações precisa ser tecida, contando com o somatório de esforços de todos os agentes sociais.

Mesmo que ainda sejam necessárias ações mais efetivas de todas as esferas da sociedade para que mudanças mais plausíveis se concretizem, há sinais de que há esperança pela frente. Entre 2009 e 2010, por exemplo, houve um incremento de 9,6% nas vendas das livrarias de todo o país, segundo dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL), e 13% a mais de pessoas consumiram algum bem cultural, de acordo com pesquisa feita pela Fecomércio-RJ. O número de leitores também aumentou consideravelmente entre 2000 e 2007, passando de 26 milhões para 66,5 milhões de leitores, conforme a Retratos.

Iniciativas do governo

As políticas públicas relacionadas ao Livro e à Leitura encorparam-se de modo especial Após 2003, com a sanção da Política Nacional do Livro. Essa lei assegura ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro, considerando-o meio principal de difusão da cultura. Outras iniciativas também foram criadas na última década, como o Prêmio Vivaleitura, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e também houve a desoneração fiscal sobre os livros. O PNLL estrutura-se com base em quatro eixos estratégicos principais, que têm como ponto comum a prioridade de transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia a dia do brasileiro. Já foram criados mais de duzentos projetos para democratização do acesso à leitura, diversos para fortalecimento de redes de bibliotecas, distribuição de livros gratuitos. Há cerca de 1.000 projetos e programas cadastrados.

O consultor e pesquisador de políticas públicas para o livro e leitura, Felipe Lindoso, acredita que faltam ao PNLL os mecanismos institucionais que permitam sua concretização. “Hoje, não há uma integração das diferentes ações governamentais, nem no governo federal e muito menos nos governos estaduais e municipais. Essa é uma questão que tem de ser encarada com mais decisão: fazer que o PNLL seja efetivamente um lugar de integração das ações dos diferentes níveis de governo e da sociedade civil, e para isso é preciso dispor de mecanismos institucionais mais eficientes”, opina. Todas as políticas públicas relacionadas ao livro e à leitura no país estão em processo de transferência de responsabilidade e coordenação para a Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
A entidade também está criando um programa de Livrarias Populares, com o objetivo de estimular editoras a produzirem livros com preços acessíveis e de boa qualidade gráfica e editorial, que serão distribuídos em pontos de venda espalhados no país. “O projeto tem como objetivo estimular a abertura de 10 mil novos pontos de vendas de livros.

Com um conceito parecido com o Programa Farmácia Popular, o objetivo é ampliar o acesso da população aos livros, estimulando o próprio mercado a produzir e oferecer produtos mais baratos (com preços de até R$ 10,00). Com o aumento de tiragem, o mercado editorial consegue produzir a custos mais baixos, sem comprometer a qualidade. Através de editais para distribuição, o Governo participa da compra de títulos, sem interferir no conteúdo editorial dos livros”, explica o presidente da FBN, Galeno Amorim.

Indústria editorial

Em 2004, houve imunidade com relação aos tributos que até então incidiam sobre a cadeia produtiva do livro (PIS e Cofi ns). Isso fez com que o preço fi casse mais acessível e aumentasse o volume de vendas – em 2009, houve incremento de 82 milhões de exemplares com relação ao número de 2004, segundo pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). “O público tem fome de livros e o apetite só tende a crescer. Como tornar essa relação mais virtuosa? Uma saída para diminuir o preço é aumentar a tiragem – se mais pessoas consumissem livros, haveria uma economia de escala que poderia reduzir o valor final. Além disso, também se poderia trabalhar com a ideia de uma tarifa mais acessível para a expedição de livros pelos Correios, pois há casos em que o frete torna-se mais caro que o próprio exemplar”, defende a presidente do Snel e vice-presidente técnica do Instituto Pró-Livro (IPL), Sônia Machado Jardim. Autor do livro O Brasil pode ser um país de leitores?, Lindoso acredita que seja preciso garantir o acesso à multiplicidade de bens culturais como parte integrante da cidadania e mesmo das condições de vida. Ele aponta os problemas de distribuição em um país de dimensões continentais e a ausência na sociedade brasileira de um movimento que incorporasse as bibliotecas como elemento fundamental de sua organização como alguns dos pontos frágeis da
indústria editorial brasileira. “O livro impresso em papel já está totalmente desonerado. Mas estamos diante do desafio do livro eletrônico, e os equipamentos leitores (e-readers) ainda têm uma pesada carga tributária. Os e-readers podem ter um papel muito importante no aumento dos índices de leitura, e esse assunto precisa ser resolvido. Por outro lado, ainda não temos medidas eficazes de fomento para o surgimento de novas livrarias e o estabelecimento de mais pontos de venda. A questão do preço fixo – que prejudica as livrarias independentes – não foi enfrentada. A difusão dos autores brasileiros (não só de literatura) no exterior também é muito precária”, avalia.

Biblioteca Pública

Uma das metas do PNLL é a implantação, modernização e qualificação de acervos, equipamentos e instalações de bibliotecas de acesso público nos municípios brasileiros. De acordo com Galeno Amorim, o Brasil está próximo de zerar o número de cidades sem bibliotecas – número que chegava a 1300 em 2003, segundo dados do IBGE. Esses espaços são vistos por grandes parcelas da população como “depósito de livros” ou lugares aos quais recorrer somente para pesquisas escolares. É nesse sentido que a visão da Biblioteca precisa ser transformada em seu valor simbólico no imaginário da população, passando a ser vista como local onde se estar alegremente, passear, como disponibilidade de acesso ao conhecimento e ao prazer de ler.

Implantar e equipar de modo qualitativo bibliotecas que sejam públicas são ações que podem resolver parte considerável do problema da falta de leitura. “Ao lado disso são necessários conjuntos de medidas que apontem para outras maneiras de significar esses lugares. Temos que considerar que em grande medida somos herdeiros de uma tradição cultural que vê a biblioteca como esse local sagrado, diferenciado. Esses significados se prendem a elementos de permanência. Como estar alegremente num local que costuma exigir silêncio absoluto dos usuários e é cheio de impedimentos de toda natureza? O desafio é buscar outros modos de compor, usar e praticar esses espaços”, indica a professora Lilian Lopes. Um exemplo disso é a Biblioteca Modelo de Manguinhos, inaugurada no ano passado, no Rio de Janeiro, com recursos do Ministério da Cultura. A área onde antes existiam galpões foi totalmente urbanizada e tornou-se local de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade da cidade. “É uma biblioteca pública multifuncional. Seu formato contempla ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à Internet. Este é um exemplo de como o conceito de biblioteca pode ser ampliado, distanciando-se muito dessa ideia de ‘depósito de livros’. Precisamos avançar mais nessa direção”, complementa o presidente da FBN.

No entanto, pesquisa feita pelo próprio Ministério da Cultura e divulgada no final do ano passado aponta que a situação ainda é catastrófica. A maioria das bibliotecas abre precariamente nos horários comerciais (quem trabalha não tem acesso); falta pessoal especializado; o nível de informatização é baixo; a maioria das bibliotecas não possui sistemas informatizados e, principalmente, ainda não há um sistema de bibliotecas com hierarquia (bibliotecas de porte que supram as necessidades de regiões com maior quantidade de acervo), interligação e sistemas de empréstimos entre si.

Formação de leitores

Em meio à vasta gama de iniciativas sociais de fomento à leitura está o Grupo Projetos de Leitura, coordenado pelo escritor Laé de Souza. Um dos projetos do grupo chama-se Ler é Bom, Experimente! e é dirigido ao público infantil e juvenil das escolas públicas. Desde 2004, mais de três mil escolas em diversas regiões do Brasil já foram atendidas. Laé acredita que a formação do hábito de leitura nas crianças deve ser compromisso partilhado, especialmente, entre família e escola. “Na família, é indispensável a leitura dos pais para os filhos e a conversa sobre um texto lido. Aguçar a curiosidade para e leitura não é obrigação somente dos professores. Pais que gostam da leitura terão mais facilidade de formar filhos leitores. A escola precisa utilizar métodos para formar leitores. Para isso, é necessário que o aluno leia por prazer e que o próprio professor também conheça o prazer da leitura”, ressalta. Aí surge a necessidade crucial de transformar o professor em um mediador da leitura como atividade prazerosa, não tarefa penosa.

“É preciso despertar o interesse pela leitura. As dificuldades de acesso ao livro só são resolvidas quando o próprio livro ganha valor na vida de cada pessoa. É preciso incrementar ações efetivas no que diz respeito ao simbolismo do livro para conquistar novos leitores”, sugere a coordenadora de projetos do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla. O tipo de contato que os diversos núcleos – família, escola, entre outros – possuem com os materiais de leitura, a disposição em relação a essa prática, os modos de apresentar esses materiais, exercitar suas leituras, falar sobre elas, afeta diretamente o processo de formação dos futuros leitores. “Distribuir as leituras conforme a faixa etária – especialmente quando se trata da literatura para crianças e jovens – faz parte de nosso senso mais comum. No entanto, podemos olhar para outras categorias, como aquelas apoiadas nos distintos gêneros literários e níveis de leitura, por exemplo. Também na escola pode ser feita uma abordagem transdisciplinar, pois a escrita sempre diz respeito a todas as disciplinas, é uma responsabilidade a ser compartilhada por todos os profissionais e não cabe apenas (como se costuma pensar) ao professor de português”, defende a coordenadora do Alle.

A questão do analfabetismo funcional – pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente letras ou frases, sentenças, textos curtos e números, não desenvolve habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas básicas – também é um problema que precisa ser solucionado com ações mais efetivas junto à educação básica.

De acordo com a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, realizada em 2009, a taxa de analfabetismo funcional é de 20,3%. Isso significa que um em cada cinco brasileiros enfrenta o problema.

Retratos da Leitura no Brasil

Um dos principais estudos sobre o comportamento leitor no país é a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. A iniciativa é gerenciada pelo quarteto Instituto Pró-Livro (IPL), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Já foram publicadas pesquisas em 2001, 2008 e uma terceira edição será divulgada no segundo semestre deste ano. Os resultados revelam o comportamento leitor da população, a percepção da leitura no imaginário coletivo, definem o perfil do leitor e do não leitor de livros, identificam as preferências dos leitores e os canais e formas de acesso à leitura e suas principais barreiras.

Confira os principais resultados da última edição:

Número de leitores
2000 - 26 milhões de leitores (1,8 livro lido por leitor/ano)
2007 - 66,5 milhões de leitores (3,7 livros lidos por leitor/ano)
* Vale destacar que as duas edições tiveram metodologias diferentes. A primeira comparação plenamente confiável da série histórica será possível apenas após a publicação da pesquisa deste ano.

Referência
60% dos leitores se habituaram a ver os pais lendo
63% dos não leitores nunca ou quase nunca viam isso em casa

Motivação para ler
63% leem por prazer, gosto ou necessidade espontânea

Motivação para comprar um livro
28% compra por prazer ou gosto pela leitura

Maior influência para ler
49% mãe (ou responsável mulher)
33% professora
30% pai (ou responsável homem)

O que a leitura significa
69% indica fonte de conhecimento é o valor mais associado à leitura

O que brasileiro gosta de fazer no tempo livre
Ler aparece em 5º lugar, com 35% da preferência (60 milhões), atrás de “Assistir televisão”, “Ouvir música”, “Descansar” e “Ouvir rádio”.

Frequência da leitura
1 vez por dia - 20% jornais
1 vez por semana - 27% revistas
1 vez por mês - 14% livros em geral

NÚMEROS
2% é a despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras com recreação e cultura (o equivalente a R$ 42,76), à frente apenas dos gastos com “fumo” e “serviços pessoais”

0,2% é a participação da despesa orçamentária com cultura no total da despesa das esferas de governo (federal, estadual e municipal). De acordo com os dados mais recentes, do R$ 1,538 bilhão de gastos orçamentários dos governos em 2005, apenas R$ 3,129 milhões foram destinados à cultura. É o mesmo que dizer que todos os níveis de governo do país aplicaram em ações culturais menos de 1% do que está previsto, por exemplo, para construir um estádio em Salvador para abrigar os jogos da Copa de 2014 (com capacidade para 44.100 pessoas, a obra está orçada em R$ 360 milhões) R$ 16,99 é o investimento per capita das três esferas de governo com cultura.

Fonte: IBGE

Dados extraídos do Blog do Galeno

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A influência das práticas de leitura na formação de leitores

Matéria publicada em Publicada: 25/08/2008

Por mais que se tente explicar por que o brasileiro lê muito pouco, as justificativas não são simples. Conseqüentemente, qualquer ação que possa incentivar crianças, jovens e adultos a ler mais requer uma análise profunda do atual cenário educacional. Mas uma coisa parece estar clara: se não existe motivação para desfrutar o prazer da leitura, então é preciso transformar a relação que as crianças têm com o livro para incentivar a formação de leitores. "A leitura deve ser fonte de conhecimento, mas também é fonte de emoção, de prazer e de lazer", diz Maria Alice Armelin, coordenadora do Entre na Roda do Cenpec e co-autora dos materiais didáticos do projeto, cujo foco é a formação de orientadores de leitura.

Diante desse contexto, um dos desafios é formar, de fato, pessoas que praticam a leitura e não apenas sujeitos que sabem decifrar o código da escrita. Ou seja, essa relação estritamente escolar e obrigatória que boa parte das crianças têm com a leitura precisa ser complementada com a sua prática cultural e social.

Dois atores são fundamentais para despertar nas crianças o prazer pela leitura: a família e a escola. A mãe, como maior influência na formação de leitores, deve cativar os filhos para desenvolver esse gosto. "É mais fácil que uma criança se torne leitora se ela crescer numa casa em que as pessoas manuseiam livros e lêem. Além disso, ao ler ou contar histórias, os pais estreitam vínculos com os filhos", explica Maria Alice. Por outro lado, dos 4,7 livros per capita que o brasileiro lê em um ano, 3,4 são livros didáticos ou indicados pelo colégio, o que indica que a escola pode e deve tirar proveito desse protagonismo para que crianças e jovens desenvolvam uma relação mais rica e diversa com a leitura.

Formação de professores e mediadores de leitura

Cientes de que, ao lado da família, a escola ocupa papel central para a formação de leitores, o MEC e as secretarias estaduais e municipais de educação passaram a formular políticas públicas para combater essa defasagem nos índices de leitura. Em 2000, o MEC criou o Profa, um programa de formação de professores alfabetizadores com foco bastante acentuado nas práticas de leitura.

De modo semelhante, outras iniciativas foram surgindo pelo país, como o projeto Ler e Escrever, da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, que além de estabelecer as orientações didáticas para a prática de leitura, procura aproximar o trabalho dos diretores e coordenadores das escolas. "Uma gestão acaba em quatro anos, por isso é preciso dar autonomia e segurança aos quadros intermediários, às diretorias de ensino e aos supervisores para que eles possam dar continuidade ao trabalho", explica Claudia Aratangy, diretora de Projetos Especiais da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e uma das coordenadoras do Ler e Escrever.

Segundo Maria Alice, essa aproximação com os gestores é fundamental para conscientizá-los da importância das atividades de leitura em sala de aula. "Muitas vezes, essas atividades são preteridas em função da necessidade de ensinar conteúdos específicos da disciplina, como o plural, o verbo etc. Mas a leitura permite assimilar esses mesmos conteúdos de forma viva e agradável, sem o peso de responder exercícios maçantes", conta.

Além do trabalho com professores e gestores, realizado por meio de parcerias com secretarias de educação e cultura, o Entre na Roda não se limita à escola e é voltado para educadores em geral, com diferentes níveis de formação, incluindo voluntários que realizam rodas de leitura em praças públicas, ONGs, hospitais e até penitenciárias. A idéia é que eles também atuem como mediadores, estimulando a leitura por meio de diferentes gêneros e autores. "Após participar de uma formação do projeto, uma bibliotecária de São Carlos expôs os livros de um determinado autor, fornecendo informações sobre sua vida e obra na biblioteca. Com isso, ela ampliou as retiradas de livros de 338 para 1447 naquele mês", conta Maria Alice.

Cativando os leitores

Para incentivar o debate sobre como os livros devem ser utilizados pelos professores, Claudia Aratangy participou da 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, apresentando a palestra "Livros na escola: basta para formar leitores?", que, como ela mesma ressalta, trata-se de uma pergunta retórica: é claro que não é suficiente. "Os livros ficam guardados na escola ou são colocados em salas de leitura pouco freqüentadas, o que dificulta o acesso dos alunos", diz. Ela não só propõe que os professores leiam para os alunos todos os dias, como enfatiza a necessidade de uma mudança nas práticas de leitura. "É preciso compartilhar com os alunos os efeitos que os textos produzem e retratar a beleza de certas expressões ou fragmentos da história. Ao explicitar essas passagens estamos ensinando o que é ser um leitor".

As rodas de leitura propostas pelo Entre na Roda, seja dentro ou fora da escola, seguem o mesmo princípio e procuram estabelecer uma relação que extrapole o simples ato de abrir um livro, com uma conversa anterior e outra posterior à leitura. "A contextualização do que se lê é muito importante para destacar aspectos interessantes do texto e do autor. Criar um clima relacionado à história é uma forma, entre outras, de sensibilizar o leitor para que ele tenha interesse em ouvir ou ler o texto. Depois, o texto dará elementos para a troca de idéias e a reflexão sobre os temas abordados. Isso ajuda a criar um vínculo e uma interação com o grupo", detalha Maria Alice.

A prática social e cotidiana da leitura pode ser estimulada com diferentes textos, adequando a modalidade aos propósitos específicos. "É preciso dialogar com o texto. Pode-se pegar o jornal para comentar as manchetes e as legendas ou estudar por que os textos publicitários utilizam o verbo no imperativo", sugere Claudia. Na opinião de Maria Alice, é necessário ampliar o repertório de leitura e reduzir a influência exclusiva do livro didático, que, muitas vezes traz apenas fragmentos de um texto. "A diversidade é importante para formar o leitor, já que abre diferentes portas de entrada para o mundo da leitura. Os gibis podem ser um bom começo, já que clássicos como Don Quixote são publicados em quadrinhos e podem estimular a criança a ler a obra original no futuro."

Fonte: Cenpec

quinta-feira, 14 de abril de 2011

É preciso dar sentido à leitura

Márcio Ferrari
mferrari@abril.com.br


Segundo a educadora argentina Delia Lerner, o conhecimento acumulado desde os anos 1970 permite ao professor reformular conceitos e práticas para formar leitores de verdade.


Uma série de pesquisas científicas feita nos últimos 35 anos provocou alterações radicais no conhecimento da aquisição da leitura e da escrita pelas crianças. Em consequência, mudaram as concepções do ensino de língua e de alfabetização e também o modo de abordar esses conteúdos. Entre os especialistas no assunto, a educadora argentina Delia Lerner se destaca pela atuação abrangente e intensa em termos científicos e práticos. Ela assessora órgãos governamentais e instituições particulares na Espanha e em vários países da América Latina. Professora de graduação e de mestrado nas universidades de Buenos Aires e La Plata, Delia trabalha ainda numa escola de nível fundamental — que considera seu “melhor laboratório” — e é consultora de diversos projetos. No Brasil, participa do programa Escola que Vale, do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo, e aconselha o Ministério da Educação nas áreas de alfabetização, currículos e livros didáticos. Seu campo de atuação estende-se também à didática da Matemática. “Quando dá tempo, eu escrevo”, completa Delia, que tem vários livros publicados no Brasil. A seguir, ela fala sobre o ensino de leitura e escrita, os equívocos mais comuns na área e a formação de professores.

Por que tem sido tão difícil formar leitores na América Latina?

Delia Lerner – A dificuldade não se limita a esta ou àquela região. Na América Latina, sobretudo nos setores mais pobres, a tarefa fica muito a cargo da escola, o que a torna mais complexa. Isso porque há muitas tensões vinculadas ao tempo disponível para ensinar e também ao entendimento sobre o que é formar leitores. Tradicionalmente, as escolas consideram que o objetivo de ensino não é leitura e escrita, mas a língua. Entre esses dois objetivos, existem diferenças. Quando se concebe que o tema é a língua, os conteúdos prioritários são os descritivos, principalmente a gramática e a ortografia. Mas, se o objeto fundamental são as práticas de leitura e escrita, a língua passa a ser incluída num assunto maior, em que não é tão fácil determinar a ordem dos conteúdos, como ocorre com a gramática.

O processo de formação de leitores deve começar com a alfabetização?

DL – As duas coisas não se distinguem. A participação na cultura escrita deveria começar muito antes da conduta à aprendizagem da própria escrita. As crianças cujos pais leem histórias para elas ou que presenciam comentários sobre notícias de jornal estão aprendendo muito sobre a linguagem escrita. Para isso, não faz falta saber ler e escrever no sentido convencional. Ao adotar uma perspectiva global, o conhecimento se aprofunda.

Só que essa convivência inicial com a leitura não existe nos setores mais pobres...

DL – Normalmente, é isso o que ocorre, mas não é a regra. Eu trabalho em bairros de periferia na Venezuela e conheci famílias que leem assiduamente. Lembro-me de uma menina que chegou ao 2º ano muito avançada na construção do sistema de escrita. O que acontecia: sua mãe é cabeleireira, levava para casa revistas para aprender novos penteados e as compartilhava com a garota. Portanto, o contato pode ser maior ou menor com certos materiais, mas existe. Só que a escola é uma instituição cujas expectativas estão modeladas à imagem e semelhança da classe média para cima. Estou de acordo com isso, porque creio que uma de suas funções é democratizar a cultura dominante. Se, assim que entram na creche, as crianças ouvem a leitura de diferentes materiais, conseguem ingressar na escrita dominante desde pequenas.

Até que ponto o aprendizado é melhor se a escolarização começa mais cedo?

DL – Antes se pensava que, para conhecer as histórias infantis, era preciso saber ler. A escola deve começar a ler para os alunos o mais cedo possível. Para os de família de baixa renda, está a cargo do professor provocar situações desse tipo, de que os outros dispõem desde que nascem. Isso não significa antecipar a exigência de que saibam ler e escrever. O sistema escolar tem um limite tênue entre dar oportunidades de aprender certos conteúdos e cobrar seu conhecimento.

De que forma os conhecimentos científicos das últimas décadas mudaram o conceito de leitura?

DL – Em minha história, tudo começou com os estudos de Emília Ferreiro sobre a psicogênese da língua escrita, que mostraram o processo de aquisição de conhecimento como um conjunto de problemas cognitivos, e não somente uma técnica. Em relação às práticas sociais, foram fundamentais os estudos em História, Sociologia e Antropologia e autores como Roger Chartier e Jean Hébrard. Investigações psicolinguísticas, desde os anos 1970, mostram que não se lê letra por letra, que a leitura implica uma construção de significados e que eles não estão no texto, mas são construídos pelo leitor. Tudo isso começou a abrir a possibilidade de conceituar de outra maneira o objetivo de ensino e a participação dos sujeitos na apropriação dessas práticas.

Que tipo de atividade favorece a apropriação de significado?

DL – Temos construído situações didáticas, como os projetos de produção e interpretação dirigidos a um fim. Por exemplo: uma antologia de contos fantásticos da literatura inglesa do século 19. Os alunos leem para escolher, algo que normalmente não se faz na escola. Ou então o professor propõe a composição de um texto sobre um conteúdo, o que implica um trabalho de aprendizado e de seleção, tendo em vista que o produto final será afixado no mural ou publicado num site da Internet. Isso restitui os propósitos comunicativos da leitura e da escrita, sem abrir mão da finalidade didática.

O que são práticas sociais de leitura?

DL – Em nossa sociedade, ainda que não fisicamente, existem comunidades de leitores. Cada um de nós pertence a várias delas, de um jornal diário, de um determinado autor, etc. Nessas comunidades, há questões que são práticas sociais, e não só de cada um. É o que chamamos de comportamento de leitores: comentar livros, discutir o sentido de um trecho, interpretá-lo, indicar textos que são importantes para nós, consumir resenhas e informações sobre literatura.

Em que sentido a escola cumpre esse papel?

DL – Em muitos casos, o enfoque se distancia das práticas sociais de leitura. Fora da escola, lê-se para aprender a fazer certas coisas ou saber algo sobre um assunto de interesse ou para interar-se sobre os acontecimentos. No caso da literatura, pode-se dizer que se lê para entrar num outro mundo possível. Na escola, costuma-se ler para aprender, e só. Pode ser que as crianças, sobretudo as que provêm de meios sociais onde não se produzem leitores, aprendam como se faz, mas não para quê. Nesse caso, terão dificuldade em ver sentido na leitura.

É possível formar uma comunidade de leitores dentro da própria escola?

DL – É desejável que a escola se abra ao exterior. Eu participei de uma experiência em que se instalou um quiosque no pátio, com material para os pais, numa região em que havia muitas pessoas supostamente analfabetas. Houve um movimento muito forte de procura por material instrutivo sobre diferentes profissões: mecânicos, costureiras, etc. em Buenos Aires, e um diretor atraiu a comunidade com um programa semanal de leitura para visitantes.

A organização teórica das situações didáticas não conflita com a imprevisibilidade dos acontecimentos na sala de aula?

DL – Faço uma pergunta parecida. O conhecimento dos médicos sobre doenças flexibiliza-os para fazer diagnósticos e definir que medicamentos indicar a um paciente? É a mesma coisa. O conhecimento didático nunca vai abranger tudo o que pode acontecer durante o ensino e a aprendizagem. Trata-se de entender as variáveis que estão implicadas numa situação didática, não de prescrever regras. Os resultados de pesquisa são complexos, e não receituários do tipo “Vá e faça”. Os professores precisam produzir respostas próprias, mas não inventar o que já se sabe.

Que competências um professor de língua precisa ter hoje em dia?

DL – O professor não precisa saber a história da leitura ou Sociologia e Antropologia. Mas é indispensável que os processos de formação permitam a ele elaborar situações efetivas de aprendizagem. Insisto nisso porque, em geral, encara-se o docente como profissional da prática. É preciso saber que o trabalho de ensinar é muito difícil. É crucial reconhecer que há um conjunto de saberes específicos a serem dominados e que eles são fundamentalmente didáticos.


Qual é o problema do tempo didático?

DL – Práticas requerem períodos longos para serem exercidas porque não dependem apenas do conhecimento de regras. Aprende-se a ler por meio de muitas leituras, do conhecimento de diversos autores, de vários setores da cultura escrita, etc. Tudo isso depende de jornadas longas. É um processo em espiral, no qual se volta a certos conteúdos sob uma nova perspectiva. Há aspectos que ocorrem simultaneamente e necessitam de diferentes situações para que sejam apropriados.

A organização de horários nas escolas costuma ser um obstáculo para esse aprendizado?

DL – Sim, mas isso pode ser modificado. Na Argentina, trabalha-se por blocos de 80 minutos, três vezes por semana. O mais difícil de controlar é o longo prazo. Para dar sentido à leitura, são necessários projetos que não cabem em um dia. Por exemplo: adota-se, por dois meses, a atividade de conhecer um autor para se descobrir o que caracteriza seu estilo, os fios condutores de sua obra, etc. Infelizmente, as escolas costumam ensinar fragmentos de saber distribuídos em pequenas parcelas de tempo.

A ênfase na formação de leitores e produtores de escrita prejudica o ensino da gramática?

DL – Sim e não. Reserva-se menos tempo à gramática, mas esse conteúdo ganha mais sentido porque, na prática, ele passa a ser reflexão sobre a própria língua. Essa possibilidade permite ao autor distanciar-se de seu texto, pondo-se no lugar do leitor. As noções gramaticais construídas por meio de leitura e escrita são assumidas pelos estudantes como próprias. Do contrário, os conhecimentos se perdem. Todo ano, os professores têm de voltar a ensinar sujeito e predicado porque, usualmente, ensina-se a gramática como se a língua materna fosse algo alheio ao sujeito, e não uma tomada de consciência do que já se sabe, embora sem conceituar.

E quanto à ortografia?

DL – Quando se escreve para comunicar, e não somente para ser avaliado, o interesse pela ortografia cresce muito. É preciso saber que a escrita tem regras e é conveniente conhecê-las. Todos buscam regularidades. Por isso, é importante apresentar a ortografia como um produto social resultante de uma história, o que leva algumas palavras a serem escritas de um jeito, e não de outro.

Que problemas a senhora vê nas atividades habituais de interpretação de texto?

DL – O texto é um conjunto de marcas sobre um papel; alguém o deixou ali pensando num sentido, e quem lê atribuirá outro, que coincide parcialmente com o primeiro. Quem interpreta o faz em relação ao que sabe. Além disso, entende-se o texto de modos diferentes, segundo o propósito. No caso de um manual de instruções, aproximo-me ao máximo do que quis dizer quem o escreveu. Mas, se estou diante de um artigo de jornal no qual procuro algo específico que me interessa, posso ler saltando trechos. As diferentes interpretações não dependem exclusivamente do texto em si. Por isso, não faz sentido fazer perguntas simplesmente sobre o que está escrito ali se elas podem ser respondidas sem uma compreensão verdadeira do texto.

Como a escrita pode ser um instrumento de reflexão sobre o próprio pensamento?

DL – Quando está produzindo, por exemplo, o resumo de um texto, o aluno é obrigado a compreendê-lo mais do que quando apenas o lê. Precisa explicar aquilo a que se refere e usa a escrita para organizar o que entendeu. Do lado literário, quando alguém produz uma resenha, precisa voltar à obra, com perguntas feitas do ponto de vista do escritor. Há muitas maneiras de aproximar-se de diferentes gêneros e propósitos ao utilizar a escrita como meio de reconstruir o conhecimento.

Fonte: Revista Nova Escola. Ano XXI, n. 195, set. 2006. p. 13–16.

Formação do Leitor

“Saber ler não é suficiente para transformar uma nação. É preciso ler mais. E leitores são formados, basicamente, com literatura. Isso porque a literatura é a palavra expressa em arte, alimento essencial do imaginário.”  Elizabeth Serra


Ana Paula Maranhão

Ao longo dos anos, muito vem se falando da importância da formação do leitor, mas pouco se tem feito no sentido de instrumentalizar pais e professores, no que diz respeito ao desenvolvimento do gosto pela leitura. Visto que o ato de ler não visa só a formação acadêmica da criança, mas a sua formação como cidadã.

Trabalhar com formação do leitor passa inevitavelmente pela leitura de livros, de imagens e do seu cotidiano com seu acervo cultural, que lhe dará visão de mundo.

Desde pequena, a criança escuta histórias narradas por sua mãe, seu pai ou seus familiares mais próximos. Elas são passadas de geração a geração, chegando aos seus ouvidos como um presente de amor, como bem dizia Lewis Carol, escritor de Alice no País das Maravilhas, ao comentar sobre os contos de fadas.

Os contos de fadas, as fábulas, as histórias bíblicas, os poemas, as anedotas ou até as histórias inventadas pelos seus pais carregam o poder de encantar e deslumbrar a todos os que os ouvem.

É ouvindo que podemos sentir emoções importantes na vida, como: tristeza, raiva, irritação, medo, alegria, segurança, insegurança, irritação, bem-estar, pavor, tranqüilidade, liberdade, entre muitas outras sensações.

As histórias podem ajudar o leitor porque, em vez de apresentar conselhos num embrulho bem-feito, elas abrem um caminho para uma discussão. Como ressalta Bruno Bettelheim, as histórias ajudam a criança leitora a explorar os perigos do mundo num nível simbólico, não oferecendo regras simplistas ou enigmáticas, mas encorajando-a a confiar e a desenvolver seu sistema natural de proteção, seus próprios instintos, suas emoções.

Através das nossas emoções, formamo-nos como seres pensantes, capazes de estabelecer pontes entre o possível e o imaginário (se for trabalhado). Proporcionando um conhecimento sobre os nossos problemas interiores e nos tornando capazes de estabelecer relações entre nossos sentimentos.

Para uma história chamar a atenção de um leitor, ela deverá ter componentes que despertem principalmente a sua curiosidade e imaginação, desenvolvendo, em primeira instância, o seu intelecto como um ser envolto de sentimentos e emoções. Deverão ser apresentadas de maneira simples, divertida, sem solicitações ao leitor, sem preceitos ou normas, mas através de retratos feitos com palavras.

Antes de aprender a ler, a criança leitora precisa fazer uma idéia do que é a leitura. Como é que ela pode abordar a leitura sem compreender que espécie de objeto é um livro e que texto escrito transcreve a linguagem? Não se pode ter o desejo de ler sem saber o que é isso. A leitura feita pelas pessoas que rodeiam a criança desenvolve nela o desejo de ler por si mesma, tão irresistível quanto o desejo de começar a andar sozinha.

Para isso, precisamos ter nossas escolas cúmplices desse desejo, ou melhor falando, desse prazer. Seria impossível falar de prazer para quem nunca o experi-mentou. De onde se conclui que pais e professores sem prazer não podem formar bons leitores.

Então como poderíamos formar leitores com prazer?

O primeiro passo seria a audição de livros, sabendo que esta é um dos primeiros sentidos a se desenvolver no homem. O feto com quatro meses já tem apurado o seu senso auditivo. E é através dele que as funções cognitivas, lingüísticas e afetivas irão se desenvolver.

No nível cognitivo, ela abre uma janela para o conhecimento que a observação sobre atividades cotidianas não consegue comunicar, permitindo estabelecer associações esclarecedoras entre a experiência dos outros e a sua própria. Provocando assim a compreensão dos fatos e dos atos, organizando-os melhor, retendo informações e elaborando roteiros com seus esquemas mentais.

Formação de Leitores

No nível lingüístico, a audição de livros permite esclarecer um conjunto variado de relações entre a linguagem escrita e a linguagem falada; o sentido da leitura; as fronteiras entre as palavras; e a recorrência das letras, dos sons e da pontuação utilizada, aumentando a estrutura de seu repertório e desenvolvendo estruturas de frases e textos. A criança leitora habitua-se a parafrasear, a dizer de outro modo, a compreender e a utilizar figuras de estilo.

Essas capacidades lhe serão particularmente úteis após os dois primeiros anos de aprendizagem da leitura, durante os quais os textos a serem lidos são ainda relativamente simples. Com efeito, os conhecimentos lingüísticos adquiridos durante a audição de livros (histórias) proporcionam-lhe um trunfo considerável para enfrentar uma leitura progressivamente mais sofisticada.

No nível afetivo, descobre-se o universo da leitura pela voz, pela entonação e pela significação daqueles em que a criança tem mais confiança e com quem ela mais se identifica. Através de suas histórias favoritas, seus pais e professores desempenham um papel importante com seus comentários e suas explicações. Frutificando os subsídios cognitivos e lingüísticos, sendo através deles que o leitor descarrega todas as suas emoções e seus sentimentos, sempre lhes dando um novo significado. Desse modo, ele irá perceber a função social da leitura.

Formar um leitor é algo sutil e democrático, exigindo a única pedagogia possível: a do afeto e da liberdade (Maria Dinorah,1996).

Segundo estatísticas internacionais, forma-se um leitor mais ou menos até os quatorze anos de idade, num processo que tem raízes no lar, onde a criança, desde os primeiros anos de vida, convive com a magia das histórias, lendas, poesias... Especialistas chegam a afirmar que esse processo tem início no ventre materno. Aprendendo a gostar de ler, antes mesmo de saber ler.

José Morais, em seu livro A arte de Ler, afirma que “Os prazeres da leitura são múltiplos. Lemos para saber, para compreender, para refletir. Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar (há várias maneiras de sonhar...). A melhor maneira de começar a sonhar é por meio dos livros...”

Deduzimos então, como Maria Dinorah, professora e escritora, que “Uma criança sem livros é um prenúncio de um tempo sem idéias”. Para ela, o livro tem o poder de desenvolver na criança leitora a criatividade, a sensibilidade, o senso crítico, a sociabilidade e a imaginação; e leva a criança a aprender. É lendo que se aprende a ler, a escrever e a interpretar, formando assim um verdadeiro leitor, leitor no mundo que o rodeia. Numa palestra, Emília Ferreira falava: “Contem muitas histórias para as crianças, desde pequeninas”. Bill Gates, o papa da computação, em entrevista ao Jornal do Brasil de 15 de dezembro de 1996, revelou: “Computadores não substituem livros”. Cecília Meireles citava: “A literatura melhor é a que as crianças lêem com prazer”. Assim falava Fanny Abramovich: “Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias”. Monteiro Lobato, que desejava muito fazer “um livro onde as crianças pudessem morar”, também comentava: “Um país é feito de homens e livros”. Percebemos em todas as citações o quanto é encantador proporcionar o prazer pela leitura.

Para formarmos leitores, precisamos ter prazer; o prazer da audição, de se encontrar consigo mesmo, de ser ator e espectador, mesmo que ela ainda não saiba ler. Daniel Pennac, em seu livro Como Um Romance, revela-nos os dez direitos imprescritíveis de um leitor:

01. O direito de não ler.

02. O direito de pular páginas.

03. O direito de não terminar um livro.

04. O direito de reler.

05. O direito de ler qualquer coisa.

06. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).

07. O direito de ler em qualquer lugar.

08. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

09. O direito de ler em voz alta.

10. O direito de calar.

É importante que esses direitos estejam incorporados às práticas cotidianas do leitor, propiciando-lhe informações culturais e oportunidade de se apaixonar pelas leituras e pelos livros, dando alimento à sua imaginação. Proporcionando o máximo de conforto e liberdade, pretende-se despertar o desejo e o prazer de ser um verdadeiro leitor.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Diálogo entre cultura impressa e digital responde ao desafio da formação do leitor no século XXI

29/7/2010 - Professores de ensino fundamental e médio vivem em todo mundo talvez o maior desafio da sua história: formar leitores em uma sociedade que sofreu a mudança drástica da cultura impressa para a digital e do paradigma de leitura para o de navegação. Como a escola pode formar leitores nessa contemporaneidade, quando impera uma cultura à qual os professores aderem como emigrantes, enquanto os alunos são os nativos? E como fazer desse leitor.com recém-inventado, esse adolescente zapper que ziguezagueia como um pássaro, um autor intérprete crítico e produtor de sentidos? E ainda: como potencializar as possibilidades de interatividade e multilinearidade da internet em favor da apreensão de saberes complexo em uma sociedade lan house, onde reina o sensorial, o efêmero e a superficialidade dos chats e jogos virtuais?

A busca de respostas a esse desafio reuniu três educadoras em torno da conferência “A formação do leitor no século XXI”, realizada na tarde de quarta-feira (28/7), terceiro dia da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa e Ciência, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). As pesquisadoras Maria Zaíra Turchi, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e Marly Amarilha, da UFRN, apresentaram reflexões e saídas para esse impasse, tão urgente e emergente a ponto de constituir grupos de estudos e uma linha de pesquisa dentro da SBPC.

Alice Aurea Penteado, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), complementou a discussão apresentando os critérios de compra de livros dentro do Edital de Convocação para o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE 2011), que primam pela oferta de uma linguagem atraente para os jovens. O diálogo relacional entre gerações e linguagens diferentes, a postura do professor-aprendiz e a convicção de que nenhuma forma de leitura é superior à outra são posições compactuadas pelos palestrantes como ponto de partida para o enfrentamento da questão contemporânea da leitura.

O professor precisa suspender o preconceito contra a cultura digital e imergir no universo dos adolescentes para criar possibilidades de formação do gosto pela leitura, como Maria Zaíra. Mas também não deve se sentir inferiorizado diante das novas tecnologias e nem se acuar como se não tivesse, com sua experiência letrada e impressa, mais contribuição a dar para a formação desse leitor zappeante, conforme alertou Marly Amarilha. É justamente na tangência entre as duas culturas – digital e impressa – que reside a riqueza do momento contemporâneo e é nessa troca que se abrem novas possibilidades de ensino, como pode se abstrair do debate.

Valendo-se do conceito de hipermodernidade do filósofo Gilles Lipovetsky, Zaíra lembrou que a internet é a configuração simbólica mais poderosa da hipermodernidade, caracterizada pela hiperprofusão de imagens. Na hipermodernidade, as esferas da vida humana vivem uma escalada ilimitada em busca da velocidade e da visibilidade. Como nunca antes, a sociedade de consumo se constitui pelo signo do excesso e da exacerbação da mercadoria, marcas e serviços. Os comportamentos e os adolescentes estão imersos nessa engrenagem que coloca a própria escola em crise, uma vez que as mídias são muito mais eficazes do que ela na multiplicação dos gestos, dos comportamentos, dos valores e das linguagens, lembra a estudiosa.

Nessa sociedade de explosão de linguagens, o papel da escola é muito mais complexo, porque não se trata apenas de ensinar a ler na concepção clássica, mas de “ler além da linguagem verbal, a visual, a auditiva, olfativa, gustativa, bem como os gestos, as cores, a moda, o comportamento”. Citando Décio Pignatari, no capítulo “Você sabe ler objetos?”, do livro Semiótica e Literatura, ela enfatiza a necessidade de a escola perceber-se no tempo em que a explosão de informações seguiu-se a explosão de linguagens, na televisão, no cinema, no trânsito, na arquitetura, na publicidade, na informática, na literatura, nos códigos, enfim, da Babel cotidiana. “Consumir é comunicar-se. Não há dúvida de que a inserção do jovem no contexto histórico depende não apenas da sua capacidade de leitores de palavras, mas da sua destreza enquanto leitores de múltiplas linguagens”.

Na cena presente, a compreensão de uma gramática das imagens como estratégia de leitura é tão importante quanto a alfabetização para ler o código escrito. Navegar no espaço virtual exige dos leitores formados em outra cultura, em outro ritual, uma nova compreensão e uma nova atitude, defende. “Talvez nós professores estejamos precisando de um explicador”, diz ela, referindo-se metaforicamente à bela passagem de A linguagem secreta do cinema. Nessa obra, Jean-Claude Carrière conta que, no início do século XX, era comum nos cinemas, bem ao lado da tela, a presença de um funcionário para explicar ao público o que estava acontecendo no filme. A figura do explicador só desaparece em 1920, quando bem ou mal o público já estava alfabetizado na linguagem cinematográfica.

A formação do leitor contemporâneo deve considerar a sua participação cotidiana nas novas mídias digitais, marcada pela interatividade, acrescenta a conferencista. Ao unir, de modo sequencial, fragmentos de informações de naturezas heterogêneas, o leitor experimenta na sua interação com o potencial dialógico da hipermídia um tipo de comunicação multilinear em que está livre para estabelecer sozinho a ordem textual ou para se perder na desordem das partes. “O navegador coloca em ação habilidades de leitura distintas daquelas empregadas pelo leitor de um texto ou livro impresso”. Esse leitor imersivo atua como editor ao escolher o que ler. Nesse ponto, a professora da UFRN, Marly, complementa que, tão importante quanto ensinar a ler é ensinar a ter critérios de escolha de fontes de leitura no mundo virtual.

Zaíra propõe ainda que a escola conheça as possibilidades das novas formas de leitura interativa, sobretudo a dos blogs de escritores, que permitem a interatividade na construção da narrativa. Segundo sua pesquisa sobre a participação de adolescentes em blogs de autor, essa escrita é marcada pela brevidade dos textos, escritos em linguagem coloquial, com a grafia correta, mas sem o uso constante do internetês, como fazem os leitores de outros blogs. O prazer reside no uso das possibilidades interativas, na liberdade do comentário, da interferência imediata no texto, alterando a sequência, as conexões entre os personagens ou mesmo reescrevendo as histórias, como em um jogo textual. A popularização do escritor nos blogs, com sua presença na tela ou nas conferências virtuais, é capaz de alterar o padrão de consumo intelectual e interferir nas escolhas de livros dos leitores, acredita.

Citando a pesquisadora argentina Beatriz Sarlo, defende que a escola beneficie-se do que seus alunos aprendem em outros lugares e aproveite as habilidades hipertextuais de leitura. Mas isso “até certo ponto”, como diz Sarlo. É que, segundo a autora, essas habilidades, caracterizadas pela rapidez e o imediatismo, pela emoção do jogo, mas também pela brevidade e pelo desinteresse no pormenor ou nas entrelinhas, não fornecem capacidades suficientes para a aquisição de outros, tais como precisão verbal, interpretação e produção de argumentações escritas. “Ou seja, são insuficientes para transformar um adolescente em leitor e produtor de textos”.

É aí que entra o professor emigrante como colaborador do nativo, na nomenclatura proposta por Marly, aprendendo e ensinando com sua herança do universo impresso, não mais como um tiranossauro autoritário remanescente de eras passadas, mas como o elo de ligação do mundo da escrita com o mundo presente. Esse professor, que em um futuro próximo talvez nem receba mais esse nome, ao mesmo tempo estrangeiro e habitante dessa plataforma de bits e vídeo-games, ocupa o entrelugar privilegiado para fazer o corte na adesão eufórica e acrítica às novas tecnologias e mostrar que a própria escrita engendrou a internet não como um artefato alienígena ou futurista, mas como um invento tecnológico e cultural capaz de ajudar a construir sujeitos históricos mais livres.

Fonte: SBPC

quinta-feira, 31 de março de 2011

Formando leitores: o importante papel do PNLL

Matéria publicada em 28/02/2011

Moacyr Scliar [1]

Em meados do século XIX, o Rio de Janeiro tinha apenas dez livrarias, provavelmente sem muitos clientes: um censo realizado à época de Machado de Assis, e na mesma capital federal, mostrava uma porcentagem de analfabetismo em torno de 80%.

Não é difícil explicar essa situação de analfabetismo e de falta de leitores. No Brasil colonial, o ensino era precário e reservado a uns poucos filhos de privilegiados. Universidades não existiam: os jovens que podiam iam estudar na Universidade de Coimbra, em Portugal. As coisas começaram a mudar quando, em 1808, a corte portuguesa, fugindo à invasão napoleônica, transferiu-se para o Brasil. Foi criada a Biblioteca Real e a primeira gráfica-editora, a Imprensa Régia, que, contudo, tinha o monopólio da edição de livros e só publicava o que era autorizado pela coroa. Quando esta disposição foi revogada (em 1821, às vésperas da independência e provavelmente anunciando-a), multiplicaram-se os jornais, folhetos, revistas. Neste processo tiveram forte papel os franceses Edouard e Heinrich Laemmert e Baptiste Louis Garnier, livreiros que também editavam autores brasileiros: Garnier lançou José Veríssimo, Olavo Bilac, Artur Azevedo, Bernardo Guimarães, Silvio Romero, João do Rio, Joaquim Nabuco; Laemmert tinha em seu catálogo Graça Aranha e Machado de Assis. Suas livrarias, inclusive, tornaram-se célebres pontos de encontro dos escritores. Àquela altura, começo do século XX, começava a surgir um público leitor, às vezes surpreendendo os editores: quando a Laemmert recusou-se a publicar uma obra que parecia “cientificista” e extensa, o próprio autor resolveu financiar a edição. E fez muito bem, Euclides da Cunha: Os sertões, magistral retrato da Guerra de Canudos e do Brasil sertanejo, vendeu, em pouco mais de um ano, 6 mil exemplares. Autêntico best-seller.

O fato de que os escritores não conseguiam viver de literatura (muitos eram funcionários públicos ou profissionais liberais), não impedia a existência de uma vida literária. Em 1897, e por influência de Machado de Assis, era criada a Academia Brasileira de Letras. Com o movimento modernista de 1922 surgiram revistas literárias, a Klaxon, para a qual escreveram Anita Malfatti, Sérgio Milliet, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral.

Nas primeiras décadas do século XX apareceram editoras importantes: a José Olympio, que editou sucessos como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e Vidas secas de Graciliano Ramos, além de Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e Guimarães Rosa, sem falar em clássicos da literatura mundial, como Balzac, Dostoiévsky, Jack London, Tolstói. A produção crescia; o número de editoras (a maioria delas no Rio, ainda que o parque gráfico de São Paulo fosse maior) aumentou quase 50% entre os anos de 1936 e 1944. Em meados do século XX o país editava, por ano, cerca de 4 mil títulos, representando 20 milhões de exemplares. Durante o Estado Novo, regime de exceção que ampliou os poderes de Getúlio Vargas (presidente de 1930 a 1945), a atividade cultural passou a ser controlada pelo DIP, Departamento de Imprensa; a censura estava presente no rádio, imprensa, música, ensino. E foi também Vargas que, em 1937, criou o Instituto Nacional do Livro, com o objetivo de desenvolver uma política governamental na área.

Ao mesmo tempo, havia uma descentralização da atividade editorial. No Rio Grande do Sul surgiu a Editora Globo, dirigida por Henrique Bertaso que teria como colaborador ninguém menos que o escritor Érico Veríssimo, grande tradutor e editor familiarizado com o contexto literário mundial. A Globo editava clássicos, best-sellers, e autores gaúchos: Dyonelio Machado, Darcy Azambuja, Pedro Vergara, e o próprio Érico Veríssimo que, com Jorge Amado, formava a dupla de autores mais lida no país.

E os leitores?

Ainda não são muitos. O Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, dos quais 95 milhões podem ser considerados leitores; mas eles leem, em média, 1,3 livro por ano. Nos Estados Unidos, esta cifra é de 11 livros por ano; na França, 7 livros por ano; na Argentina, 3,2 livros por ano. Não se trata de uma rejeição da leitura; uma enquete mostrou que 75% gostam de ler. Pergunta: por que, então, os brasileiros não leem mais? O argumento mais comum é o do preço do livro, de fato ainda muito caro. Mas isto é o resultado de um círculo vicioso: o livro custa caro porque vende pouco, e vende pouco porque é caro. Dizia-se que brasileiro não gosta de livro de bolso, que prefere edições de luxo, com capa dura, para, das prateleiras, dar a impressão de que o dono da casa era pessoa culta. Agora, porém, vê-se que o livro de bolso tem um público cada vez maior.

Aumentar a venda é uma forma de baixar o preço, mas isto só acontece quando as pessoas têm o hábito da leitura. Este, por sua vez, resulta de um processo que se desenvolve por etapas. A primeira dessas ocorre na infância e depende do ambiente afetivo e cultural em que vive a criança. O conceito de “famílias leitoras”, da Unesco, não é uma realidade no Brasil; 63% dos não leitores dizem que nunca viram os pais lendo – faltou-lhes, portanto, um modelo. A tevê tem sido o centro da vida familiar; aquela cena do passado, a mãe ou o pai lendo para os filhos, é uma raridade. As famílias gastam quatro vezes mais com tevê e som do que com material de leitura.

A etapa seguinte é a da escola. As enquetes mostram que, quanto maior o nível de escolaridade das pessoas, maior é o tempo que dedicam à leitura. Entre os entrevistados com ensino superior, apenas 2% não leem. O problema é que, no Brasil, poucos chegam à universidade; 43% dos jovens de 15 a 19 anos sequer concluem o ensino fundamental. Faltam bibliotecas em 113 mil escolas, ou seja, em 68,81% da rede pública de ensino.

Mas, de novo, as coisas estão mudando. Os últimos governos têm se esforçado para preencher esta lacuna; em 2008, as escolas receberam, em média, 39,6 livros cada uma, através do Programa Nacional de Bibliotecas Escolares. A par disto, um grande esforço está sendo desenvolvido para estimular o hábito da leitura entre os escolares. No passado, o ensino da literatura era baseado quase que exclusivamente nos clássicos. Autores importantes, decerto, mas que falam de outras épocas, de outros locais, e numa linguagem nem sempre acessível. Hoje, as escolas trabalham também com escritores contemporâneos, e a interação com o texto é a regra. Os alunos fazem dramatizações, escrevem suas próprias versões dos textos, editam jornais na escola. Os eventos literários são frequentes nas cidades brasileiras; as feiras de livros, as Bienais de Literatura (em cidades como São Paulo, Rio, Salvador, Curitiba) e os festivais literários, dos quais o de Paraty, que traz ao país nomes de destaque na literatura mundial, é um exemplo.

A indústria editorial está em franca expansão, acompanhando o crescimento da economia como um todo. De 2006 a 2008, foram lançados aproximadamente 57 mil novos títulos e impressos mais de um bilhão de exemplares. A indústria editorial atrai investidores estrangeiros, e está deixando de lado o elitismo do passado para buscar o público leitor, sobretudo o leitor jovem. Redes de livraria estão em expansão, e também a oferta do livro de porta em porta: em 2009 quase 30 milhões de livros foram assim vendidos, sobretudo para setores mais pobres. O Brasil tem hoje 2.980 livrarias, uma para cada 64 mil habitantes. Abaixo do que é preconizado pela Unesco - uma livraria para cada 10 mil habitantes, mas com aumento de 10% nos três últimos anos.

Muito importante é fazer chegar o texto impresso à população como um todo, e neste sentido o Plano Nacional do Livro e Leitura, PNLL, instituído pelo Ministério da Cultura e Ministério da Educação, desempenha um papel importante. Estamos falando de um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidos pelo Estado (em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade, visando incrementar a capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia a dia do brasileiro. Um objetivo basicamente democrático, compatível com o progresso que o país atingiu, e que contempla atividades como o fortalecimento da rede atual de bibliotecas, implantação de novas bibliotecas, distribuição de livros gratuitos, e, muito importante, incorporação e uso de tecnologias de informação e comunicação; o fomento à leitura e à formação de mediadores; o desenvolvimento da cadeia produtiva do livro. Sob a segura coordenação de José Castilho Marques Neto, Secretário Executivo, o PNLL tem registrado expressivos êxitos, transformando em realidade aquilo que Castro Alves celebrou em versos famosos: “Oh! Bendito o que semeia/livros, livros à mão cheia”. Se vivo fosse, o poeta aplaudiria de pé o PNLL.
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[1] Moacyr Scliar (Porto Alegre, 1937-2011) é autor de cerca de 90 livros, nos gêneros romance, conto, crônica, ensaio e ficção juvenil, vários traduzidos, vários premiados (recebeu o Jabuti 2009 para melhor livro de ficção). Colabora em vários periódicos no país e no exterior, e é membro da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: PNLL

quarta-feira, 2 de março de 2011

O nascimento das cidades-leitoras

Especialista em políticas públicas de promoção à leitura e implantação de bibliotecas reflete a respeito da experiência de Iepê

Por Edmir Perrotti*

Pequeno município do interior de São Paulo, Iepê vem há tempos trabalhando para se tornar uma Cidade-Leitora. Com isso, já está obtendo resultados que o destacam em avaliações estaduais e nacionais de Educação. Afinal, ter domínio do código escrito é, sabidamente, condição essencial e primeira de aprendizagem. Daí que apostar na leitura é tiro certo.

Todavia, cidades-leitoras não são obra do acaso, nem se constituem por magia, milagre ou decreto. Elas resultam de uma história, de visões e de opções políticas por educação de qualidade, por inclusão de todos nos circuitos do conhecimento e da cultura.

Não nascemos leitores. A formação de leitores é uma tarefa de vida toda. Ler não é um simples fato biológico. Apesar de envolver visão, neurônios e outros aspectos fisiológicos, é um ato eminentemente cultural, é produção de significados. Daí implicar, necessariamente, opções e ações políticas, mobilização pública, além de recursos que vão dos materiais aos saberes e competências diversas e especializadas. As cidades-leitoras somente podem ser formadas nesse movimento dinâmico e permanente envolvendo, além dos próprios leitores, autoridades, famílias, instituições culturais como bibliotecas, casas de cultura, escritores, livreiros, editores, educadores, agentes culturais e inúmeros outros mediadores.

Os sistemas educativos têm um papel central em tais processos. Assim, do ponto de vista das redes escolares, além da prioridade às aprendizagens necessárias à inclusão e apropriação da cultura da escrita, há que se orientar e preparar as equipes pedagógicas para atuarem nesse sentido. E, por equipes pedagógicas, entenda-se os quadros ligados direta e indiretamente à Educação, de autoridades postadas nas Secretarias de Educação aos professores. Pecam as iniciativas centradas exclusivamente nestes últimos. O ato educativo não é fenômeno isolado.

Insere-se numa trama constituída por diferentes agentes educativos com diferentes formações e funções.

O conhecimento não nos chega de pronto; é fruto de esforços e aproximações permanentes e indispensáveis. Daí demandar a adoção de políticas de formação continuada em leitura, tendo por alvo, como dissemos, os quadros profissionais que atuam na Educação. É preciso envolvê-los, torná-los leitores, antes de mais nada. Sem isto, não haverá solução.

Além disso, é preciso uma consciência clara de que não é possível formar leitores na atualidade sem considerar que a escrita vem ganhando contornos específicos de nossa época. Se continuamos a ler em livros, jornais, revistas, lemos também em outros e novos suportes que abrem possibilidades até então inexistentes para a escrita. Num mundo onde espocam mensagens de todo lado, é preciso aprender a ler os suportes tradicionais, como também, as telas dos computadores, o visor dos celulares, os outdoors nas ruas e muitos outros veículos contemporâneos que alteram a escrita e nossas relações com ela. Por outro lado, como no nosso tempo as mensagens escritas agregam outras linguagens, é preciso estabelecer conexões entre linguagem escrita e as linguagens orais, audiovisuais, gestuais, num processo dinâmico de mobilização e conexão multimidiática. Atentos à especificidade e às exigências de cada tipo de linguagem, é preciso colocá-las, todavia, em relação umas com as outras.

Neste século XXI precisamos colocar nossos estudantes em contato contínuo e vivo com as mais variadas fontes do conhecimento. Precisamos criar espaços múltiplos e dinâmicos de leitura e informação, na escola e fora da escola. Precisamos criar oportunidades diversificadas de aprendizagem, possibilitar experiências culturais alargadas aos estudantes nas chamadas “sociedades do conhecimento”.

Nesse sentido, as crianças e os jovens de Iepê não aprendem apenas a reconhecer os signos e utilizá-los para realizar seus deveres escolares; eles os utilizam nas mais diferentes situações cotidianas, em interações que se espalham da escola para a vida e desta para a escola, num movimento permanente de conhecimento e de reconhecimento do outro. A palavra e o mundo, como queria Freire, se conjugam. Vive-se e respira-se, no dia-adia de Iepê, a experiência da escrita em suas variadas manifestações.

Iepê permite vôos e sonhos altos a seus habitantes e a nós todos. Mais que um exemplo, um desafio é lançado! Que tal, caro leitor, sua cidade tornar-se, ela também, leitora?

* Edmir Perroti, professor aposentado da Universidade de São Paulo com mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação, assessorou projetos de promoção à leitura em diversas prefeituras, como as de Jaguariúna (SP) e São Bernardo do Campo (SP).

Fonte: Revista LeituraS nº 1

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Professora pode tornar-se leitora com formação e prazer

Adriana Maricato | Brasília/DF

É difícil para uma professora que não lê estimular a leitura dos alunos. Se a criança vem de uma família que não lê e encontra na escola uma professora na mesma situação, a professora não saberá como despertar e cultivar a leitura. O ambiente de Educação Infantil promotor da leitura precisa contar com professoras leitoras.

Para Magda Soares, da UFMG, um programa de formação de leitores deve se preocupar também com o desenvolvimento do professor como leitor, “porque se a pessoa não tem prazer no convívio com o material escrito, é muito difícil passar isso para as crianças”. Por isso, Rosana Becker, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), defende que é preciso trabalhar na formação continuada dessa professora, que precisa se tornar leitora.

Rosana Becker coordena no Paraná o desenvolvimento de cursos e produtos didáticos para a área de Linguagem e Alfabetização. Esse trabalho é feito a partir da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que faz parte da Rede Nacional de Formação Continuada de Pro fessores do MEC (Rede).

Com sua experiência na for mação de professores, Rosana acredita que não basta disponibilizar acervos de livros e espaços de leitura como bibliotecas. “A professora deve ser envolvida em práticas de leitura, entrando em contato com outros professores leitores, participando de grupos de es tudo, freqüentando cursos, fazendo trabalhos, encontrando espaços de leitura nas salas de aula e nas escolas”. Segundo ela, a partir dessas vivências, os professores podem perceber a importância da leitura nas suas próprias vidas, avaliar se são leitores ou não, e construirem -se como leitores, buscando formas de romperem com suas histórias de não-leitura.

Para formar alunos leitores, o professor necessita de uma concepção clara de leitura, como as crianças aprendem a ler e saber como constituir o acervo para trabalhar com elas. “Não pode subestimar a capacidade das crianças de receberem o texto. Enquanto elas folheiam, também constroem conhecimento e práticas”, esclarece Rosana Becker. Isso signifi ca ter atividades permanentes de leitura em sala de aula. Lendo para as crianças, o professor simultaneamente constitui-se como leitor. A escrita torna-se uma descoberta coletiva na sala de aula: “não é porque a criança não teve acesso que não pode aprender a gostar desses materiais de leitura”, acrescenta a professora do Paraná.

Os programas de formação de leitores devem levar em conta que a leitura do professor não é a mesma das crianças. De acordo com Rosana, “é preciso conhecer o perfil do professor, saber o que ele lê de fato e estas informações podem ser conseguidas na Associação de Leitura do Brasil”. Os acervos para os professores devem ser diversificados, com leitura informativa - jornais, revistas, periódicos, textos científicos sobre educação e também literatura. “O professor precisa conhecer o universo simbólico da Literatura Brasileira e Universal”, diz ela.

Mas Rosana Becker adverte que a professora não pode estar sozinha neste trabalho de leitura. Ela precisa do apoio da direção. A diretora deve garantir um espaço de leitura dentro da creche ou escola e garantir livros de literatura infantil adequados às turmas de Educação Infantil, deixando o material disponível para ser pego, folheado, trocado, acompanhado, cuidado. "Não é para o livro ficar apenas como enfeite bonito na estante da escola, a criança tem que pegá-lo".

Secretarias estaduais e municipais de educação e instituições de ensino superior podem procurar os centros da Rede/MEC na área de Alfabetização e Linguagem para criar programas de formação de professores leitores. Isto trará ganhos para os profissionais e para as crianças. E muito prazer também. Fazem parte da Rede Nacional de Formação Continuada: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mais informações no telefone (0 xx 61 2104-8672) e no site http://www.mec.gov.br/.
 
 
Fonte: Revista Criança nº 41

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Artigo: Formação de leitores: um estudo sobre as histórias em quadrinhos

As ilustrações não fazem parte do artigo

Mariana Oliveira dos Santos Bacharel em Biblioteconomia com Habilitação em Gestão da Informação pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. E-mail: mari.biblio@yahoo.com.br

Resumo: Tem como foco as histórias em quadrinhos (HQs) e sua contribuição para a formação de leitores. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, com caráter exploratório. Na qual se apresenta a trajetória histórica dos quadrinhos no Brasil, as características de linguagem e de estímulo à leitura, assim como a participação do bibliotecário e do professor como sujeitos mediadores entre os quadrinhos e as crianças. Como resultados finais, percebe-se que as HQs recursos eficientes para incentivar a leitura, são informativas e diversificadas, além de contribuírem na formação de leitores mais competentes.

Para ler o artigo na íntegra, acessar o endereço da Revista ACB

As ilustrações não fazem parte do artigo

sábado, 9 de outubro de 2010

A Voz da Leitura: a importância dos pais na formação de jovens leitores*

30/09/2010
Lucila Pastorello**

Vivemos em uma sociedade letrada, em que o domínio da leitura e da escrita não é uma habilidade apenas desejável, mas fundamental para o gozo da cidadania plena. Poderíamos continuar nossa conversa argumentando sobre a importância de saber ler e escrever, comentando a triste realidade nacional no que diz respeito aos índices de alfabetismo funcional, apontando os tropeços das políticas públicas na educação. Mas tais fatos são expostos contínua e exaustivamente nas mídias; não há nada de novo, apesar das condições alarmantes em que nos encontramos atualmente. Prefiro tratar de algumas ideias que, embora não sejam novas, parecem estar adormecidas em nossas discussões sobre leitura, e me parecem fundamentais para que possamos modificar nossa realidade e formar leitores críticos e competentes.

A primeira lembrança: o acesso à leitura começa antes do ingresso da criança na escolarização formal. A escola é atualmente a instituição responsável pela alfabetização e pela apropriação das práticas de lecto-escritura pelas crianças. Mas isso não significa que esta instituição seja a única responsável. As letras estão em toda parte. Começamos a aprender sobre a leitura bem antes de entrarmos na escola e continuamos este aprendizado por toda vida. Mas tomemos cuidado: aprender a ler não é o mesmo que alfabetizar-se.

A alfabetização é uma técnica que permite o deciframento do código escrito. Em nossa escrita alfabética existem relações muito específicas entre os sons da língua e a forma que estruturamos as letras graficamente. A leitura pressupõe naturalmente a alfabetização, mas vai muito, mas muito mais além. Trata-se de uma prática discursiva, o que quer dizer que ler é construir um sentido e não adivinhar o que está escrito. Mais recentemente utiliza-se o termo letramento para dar conta da dimensão discursiva, social e funcional da leitura.

Um bom leitor não é aquele que “entende” o que está escrito, mas é capaz de interpretar a escrita, percebendo as possibilidades de significação do escrito e conduzindo a construção do sentido a partir da articulação do texto às condições em que ele é produzido. Quem escreve, em que condições sócio-históricas, para quem, com quais objetivos, em que gênero discursivo são aspectos importantes para que a leitura possa ser experimentada em toda sua complexidade: não apenas transmitir informações, mas cumprir sua função cultural, social, expressiva e transformadora.

Portanto, aprender a ler é apropriar-se de uma prática cultural. Ler não é um dom natural. Precisamos que outra(s) pessoas(s) nos iniciem na leitura. Na escola? Aos seis ou sete anos? Absolutamente não! Mesmo habilidades naturais, as quais são mais associadas ao desenvolvimento biológico, como andar, por exemplo, requerem tempo e prática para que se constituam. Costumo dizer que para começar a aprender a ler basta estar vivo!

Levar a criança ao mundo das letras é mais que um ato de educação: é um ato de carinho e cuidado. É na família –com irmãos, avós, primos, tios- mas principalmente com os pais, que a criança desenvolve suas primeiras conquistas; é neste ninho que a criança, afetada pela relação com pai e mãe, vai iniciar seu longo caminho de crescimento. Introduzir a criança na leitura (lembremos, não significa alfabetizá-los precocemente) é um dos grandes presentes que os pais podem ofertar a seus pequenos.

Em 2008, comemoramos pela primeira vez o Dia Estadual da Leitura no Estado de São Paulo e em 2009, também pela primeira vez, o dia Nacional da Leitura. Vamos festejar todos os dias e oferecer a nossos pequenos um presente que não gasta, só fica cada vez melhor e maior e vai ser usado a vida toda: a leitura!!!

Para saber mais:

Dia da Leitura: Oficinas Brincar de Ler. http://www.ecofuturo.org.br/ ; http://www.diadaleitura.org.br/  
Nos sites você pode encontrar um bom material sobre leitura, especialmente para os pequenos, incluindo passaportes para a leitura, com dicas ótimas para pais e interessados em geral.

Por que ler para crianças pequenas: Escrevi um texto sobre bons motivos para ler para crianças pequenas, que está disponível também no site da Ecofuturo, em um livro com outros temas bem interessantes. O livro se chama “A vida que a gente quer depende daquilo que a gente faz”.

Sobre letramento, saúde e educação:

BERBERIAN, AP. MORI-DE ANGELIS, C.; MASSI, G. Letramento: Referências em saúde e educação. São Paulo: Plexus, 2006.

CALIL, E. (org.) Trilhas da escrita, Autoria, leitura e ensino. São Paulo: Cortez 2007

* Texto já publicado no site da editora SBS , no ano de 2009.

** Lucila Pastorello , fonoaudióloga, doutora em Educação pela USP, recentemente estruturou a Cia. de Leitores Públicos, que reúne pessoas interessadas em leitura em voz alta e transmissão de textos literários.

Fonte: IFono - Fonoaudiologia em Ação