Mostrando postagens com marcador estímulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estímulo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Para gostar de ler... na escola

Encontrar o prazer na leitura depende de estímulos certos na idade certa. Entenda melhor como funciona a escolha dos títulos indicados para as crianças e as estratégias de educadores para estimular esse hábito

Denise Mirás

Em tempos como estes, em que a criança é cercada de informações e apelos dos mais diversos meios de comunicação, a formação do hábito de ler exige cada vez mais dos professores a aplicação de estratégias que despertem o gosto pelos livros, de forma que ele se mantenha por toda a vida – na verdade, pelo estímulo da imaginação, driblando o argumento dos adolescentes de que é “chato”. E, se a família tem papel fundamental nesta tarefa, a batalha dos responsáveis pelo ensino de literatura nas escolas é diária - e é dura. Ainda mais no caso do trato com jovens que se agitam em grupos, conectados à internet, que se preparam para o vestibular reclamando dos clássicos, da linguagem “difícil” e dos longos trechos descritivos que escapam à sua realidade.

Mas, se essa luta exige um arsenal de táticas pedagógicas, que inclui discussão de obras em blogs, por exemplo, existem soluções criativas e baratas que também estão ajudando a formar e manter leitores, daqueles que carregam os livros para cima e para baixo e não largam as “viagens da imaginação” nem em viagens reais, durante as férias.

Silvia Fichmann, pedagoga com especialização em tecnologias da comunicação aplicadas à educação, trabalha na Escola do Futuro, da USP, e vai direto ao ponto: “Muitas vezes, em vez de a escola estimular o aluno à leitura, se dá o contrário. Dependendo do professor, a criança sai de lá odiando isso.” Silvia observa que, na infância, normalmente a criança gosta muito de ir a livrarias e feiras, atraída pelos livros com muitas imagens, coloridos. Mas, com o tempo, pode deixar de gostar. Como driblar essa situação? “É preciso criar estratégias diferentes em vez de impor. Por que todos têm de ler determinada obra? Podemos selecionar dez, de estilos diferentes, e dar chance ao aluno de escolher um. Depois, cada um pode ‘apresentar’ o que leu de forma criativa, seja por slides, imagens, dramatização, trocando experiências e se motivando por outros estilos.” Para Silvia, há ferramentas mais recentes a serem utilizadas. “A internet motiva a ler mais sobre todos os assuntos em diferentes formatos. Podemos pensar em um mix: as crianças leem e depois criam blogs para discutir aspectos das obras.”

Não existe imposição de livros pelo Ministério da Educação, ou por uma Secretaria Estadual como a de São Paulo. Existem, sim, os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), com orientações à formação do leitor, do ensino fundamental ao médio, “menos sistemática e mais como ajuda do ponto de vista das escolhas”, “privilegiando a base da literatura brasileira – não só de tradição literária, mas também as contemporâneas significativas” e mesmo de outras nacionalidades.

Para Silvia, que coordena o Linca (Laboratório de Investigação de Novos Cenários de Aprendizagem), na Escola do Futuro, é possível motivar a leitura trabalhando com criatividade. Os gêneros contam, sim, para a criança ou o adolescente ser motivado. Conta também a adequação à idade e à personalidade da criança. “O segredo é o equilíbrio”, diz Silvia.

CLÁSSICOS: A FUVEST MANDA

Assim, as decisões cabem a cada escola – e, em última instância, a cada professor. Seguindo o interesse da maioria (escola, pais e alunos), no entanto, muito da literatura que se estuda, especialmente no último ano do ensino médio, visa à aprovação no vestibular. Assim, na prática, a escolha de obras passa, quase obrigatoriamente, pela lista da Fuvest/Unicamp.

Fábio Zapata Moreno, professor de português e literatura do Colégio Santa Maria, em São Paulo, é sincero: “Não dá para fugir da Fuvest porque há cobrança nesse sentido – dos pais, da escola e dos próprios alunos. Os livros são intercalados com outros, mas são títulos que merecem ser lidos. Clássicos que carregam o imaginário de toda uma cultura, que dão respaldo para a vida”.

A cada aula, Fábio procura mostrar o que há de interessante no que está sendo lido pela classe, de forma que o aluno fique curioso, que fale de surpresas e dúvidas. “Digo que também achava ‘chato’, quando era adolescente... Para eles, ler O ateneu, de Raul Pompeia, é ‘um absurdo’. Querem ‘morrer’ quando se fala de A cidade e as serras, de Eça de Queirós... Mas não tem negociação.”

Em 2008, seu segundo ano do ensino médio leu Budapeste, de Chico Buarque; Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco; Iracema, de José de Alencar; Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida; Dom Casmurro, de Machado de Assis; O cortiço, de Aluísio Azevedo; e Niketche – Uma história de poligamia, da moçambicana Paulina Chiziane. Agora, em 2009, os alunos do terceiro ano vão ler Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago; O último vôo do flamingo, do moçambicano Mia Couto; Vidas secas, de Graciliano Ramos; Capitães de areia, de Jorge Amado; Nova antologia poética, de Vinicius de Moraes; e Sagarana, de Guimarães Rosa.

A lista da Fuvest 2009 traz: Memórias de um sargento de milícias, Iracema, Vidas secas, Sagarana, Dom Casmurro e ainda Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, A cidade e as serras, A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade e Poemas completos, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa).

Como o professor Fábio, José Ruy Lozano, professor de literatura e redação do Colégio Santo Américo, em São Paulo, critica os resumos mastigados de cursinhos, por conta da “indústria do vestibular”, também espalhados pela internet. O professor procura mesclar autores de língua portuguesa com obras de escritores como o alemão Goethe, por exemplo (adota O sofrimento do jovem Werther, marco do início do Romantismo, para ser lido antes de Iracema). “O colégio procura variar, para criar o gosto pela leitura. Adotamos clássicos luso-brasileiros e de outras culturas. Mas também é preciso mediação, ler com o aluno – e não ‘para’ ele” – na sala de aula, para que sejam identificados pensamentos subentendidos, a riqueza do texto, para que o livro passe de ‘chato’ a ‘interessante’. Tratamos também de temas mais atuais – como Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel García Márquez, que discorre sobre violência e mandonismo político”, diz Lozano.

QUANDO GINA ERA UM ESCÂNDALO

Maria José Dupré, ou Sra. Leandro Dupré como assinava seus livros, dividiu a vida de Gina em três fases no romance homônimo. Com fama de “devassa”, a personagem era proibida para moças “de família”, mas nada segurava garotas apaixonadas por literatura... e curiosas.

Quem conta é Stael Martinez de Camargo, modista que, aos 75 anos, segue firme nas leituras desde que aprendeu a ler na cartilha, aos seis anos de idade, em um grupo escolar no bairro paulistano do Ipiranga, nos anos 1940, nos passos da mãe, Cândida Árias Martinez. O pai, Ángel Martinez Marques, tinha um bar e, para sorte da filha Stael, deixava o Chico Jornaleiro guardar ali seus jornais, revistas e gibis. Em troca, tinha permissão para ler tudo: revistas, gibis, Capitão América, Mandrake, almanaques de fim de ano.... “Não havia banca. O jornaleiro vendia na rua, no máximo em cima de caixote. Subia nos estribos dos bondes abertos e ali, pendurado, ia vendendo. Às vezes minha mãe cismava que gibi ‘dava mau exemplo’, mas eu lia. Atrás da porta da cozinha, escondido.” Ao lado do bar, a madrinha Giacomina tinha um bazar, onde vendia de xícaras a livros. “Eu pedia de joelhos para ler as revistas de romance água com açúcar. Para mim, ler as aventuras era como estar vivendo uma vida diferente da minha.”

Stael foi estudar Educação Doméstica e continuou atrás de livros na biblioteca do colégio – leu a vida de todos os santos, um por um. E o proibidíssimo Gina. Por conta de algumas obras, até levou surra... Na escola das 8h às 17h30, estudava todas as matérias, além de polidez, costura, bordado, cozinha. Na aula de bordado, as meninas se revezavam a cada dia, para ler capítulos em voz alta, enquanto as outras trabalhavam. Jamais títulos de Monteiro Lobato, “comunista”... Em Histórias do mundo para crianças (esgotado), o autor explicava a origem da Terra, da vida, dos dinossauros. Nada de Adão e Eva no Paraíso. “Não se podia nem falar dos livros dele, todos proibidos, sob pena de ir para o castigo.” Stael leu todos!

NOS PASSOS DA MÃE

Décadas depois, outra garota, Ingrid Biesemeyer-Bellinghausen, vivia querendo ir até a única livraria do centro de São Bernardo do Campo (SP). Como a pequena Stael, também acompanhava o gosto da mãe. “O objeto ‘livro’ me atraía. Eu ficava pensando: que será que tem lá dentro?” Ingrid lia um atrás do outro. Também desenhava e se formou em artes plásticas. Quando ficou grávida de Michelle, passou a desenhar pensando em um mundo melhor para criar os filhos... Por insistência de amigos, levou colagens e uma historinha para a editora DCL em 1998. Foi com O mundinho que iniciou sua carreira de autora de obras infantis – escritora e ilustradora com mais de 30 títulos publicados, entre eles Um mundinho para todos, com caracteres também em braile.

“É um conjunto de coisas que envolve a criança que irá despertar os pequeninhos que começam a ser alfabetizados. Nesta idade, é muito importante imagens convidativas – e as histórias precisam encantar. O Nicholas [seu segundo filho, que está com 4 anos], quando vai dormir, quer que eu leia para ele. E não pode ser ‘só’ um capítulo; ele já quer ler tudo. A Michelle, com 10 anos, parece que já pegou gosto. Anda lendo livros mais grossos, até juvenis.”

MUITO ALÉM DO “CAIR NA PROVA”

Maria Helena Costa, professora de língua portuguesa do ensino fundamental na Escola Nossa Senhora das Graças (o “Gracinha”), em São Paulo, trabalha com formação de professores e também fala do ambiente familiar como fundamental na formação do leitor. “Muitos alunos leem apenas porque a escola exige. Há concorrência com computador, internet, jogos eletrônicos e até celular. Mas, para a formação do leitor, é fundamental ter livros e leitores em casa, que possibilitem à criança criar uma cultura de leitura.”

Lena Costa, autora de obras didáticas de língua portuguesa (com Ana Paula Torres, orientadora pedagógica no Gracinha, recebeu o Prêmio Jabuti em 1998 pela coleção “Tantas palavras”), explica que parte da estratégia para tornar os livros mais “palatáveis” para determinadas idades passa pelas diversas edições de uma obra: texto integral, adaptado, edição renovada, obra original.

Para Lena, é importante que a criança já entre em contato com obras clássicas em textos adaptados, como As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, com tradução de Marina Colasanti, que costuma colocar na lista de férias do sétimo ano. “É o texto integral, sim, mas adaptado.” E por que, então, não dar apenas títulos que já são escritos originalmente para tal idade? “Além desses, ao trabalharmos com clássicos, por exemplo, com linguagem adaptada, temos um ganho pedagógico. É enriquecedor para a criança ter contato com as mais variadas versões, mesmo com um original em dois volumes com 500 páginas cada um! O professor pode mostrar para a criança, para ela pegar, ver. E ela pode comparar com o que está lendo, ver o filme, se for o caso, ser levada a comparar as duas linguagens. Isso é muito positivo. Quando se tornar adulta, não terá problemas para ler aquela obra, por exemplo, no original. Pelo contrário: vai querer fazer isso.”

Das estratégias, Lena também cita a leitura compartilhada na sala de aula, de forma que o aluno saiba a quê dar mais atenção, o que anotar. Assim, é possível, também, assinalar trechos que a criança poderá “pular”, como sequências descritivas de As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, ou partes muito filosóficas do Frankenstein, de Mary Shelley, sempre explicando os porquês.”

É preciso criar situações em torno da obra, faze-la significativa para os alunos, e não apenas algo que “vai cair na prova”. “Certamente é trabalhoso para o professor procurar diferentes versões e linguagens... Exige tempo, repertório, infraestrutura na escola.” E que o professor esteja motivado e informado. Se não existe mais sentido em proibir livros por serem “mais picantes”, como se dizia, por exemplo, de A carne, de Júlio Ribeiro, Lena lembra da reação negativa recente a O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon, por causa de “palavrões”, com pais fazendo queixa formal contra a professora, e a direção da escola e alguns professores considerando a obra inadequada, sem que ninguém argumentasse quanto a sua qualidade literária.

CRIATIVIDADE E MOTIVAÇÃO

Um exemplo de trabalho bem simples e criativo, que está levando crianças pequenas à leitura, é citado por Maria Aparecida Cheruti Frare, que, em Catanduva (SP), dirige uma das Regionais de Ensino da Secretaria Estadual de Educação. Começou na Escola Antônio Maximiano Rodrigues, em que cada aluno recebia uma cartolina, com seu nome e a carinha de uma centopéia. A cada livrinho lido e fichado, a criança ganhava uma parte do corpo da centopéia para colar na cartolina. A história se espalhou por 15 municípios.

“Inicialmente, se pensou que cada aluno leria 10, 15 livros, mas teve criança que leu mais de 200. Elas foram para as bibliotecas e, lá, colocamos cartazes sugerindo mais títulos, descrevendo seus temas. À medida que lê e gosta, vai entrando em vários mundos e tem prazer, a criança quer mais”, diz a dirigente. “A ideia é que se mostre o ideal, mas que eles mesmos também selecionem suas leituras, de forma a não abandonar os livros.”

O ensino público ainda está engatinhando com relação a formas de motivação, mas há algum andamento. A Escola Estadual Fernão Dias Paes, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, distribuirá para cada aluno, por iniciativa da Secretaria de Educação, kits contendo três clássicos, “que alguns alunos gostam e outros detestam”, como observa Maria Regina Cortez, coordenadora do colégio. Se não existe obrigatoriedade de os professores adotarem estas obras, existe o costume, pela lista do vestibular. De qualquer maneira, o professor trabalhará de forma a desenvolver o interesse dos alunos, “o que não significa que todos irão adorar”, como diz Regina. “Mas explicamos que para não gostar é preciso, antes, conhecer... O adolescente pode até ‘escapar’, por um período, da leitura, mas, se tiver sido levado a gostar de ler desde pequeno, certamente voltará para os livros.”


LER É BOM

“Eu gosto de ler porque é bom. Deixa eu pensar um pouco... Quando começo, entro em uma história; começo a imaginar e viver nela. É como um filme, só que usando o livro e a imaginação. Gosto mais de aventura e terror, obras que têm ação. Minha série preferida é a de terror Goosebumps. São crianças de 12, 13, 14 anos, que têm uma vida normal, mas aí viajam e vivem experiências inesperadas, encontram coisas bem diferentes, monstros... Já li vários, que foram comprados ou que pedi emprestados. Também gosto muito do Harry Potter. Não vai ter mais, mas tem outro personagem (Os contos de Beedle, o bardo), e eu ainda tenho dois para ler. Acabei o número 5. Também gosto do Tintin. O último livro que lemos na escola no ano passado foi A invenção de Hugo Cabret. Começa com um menino pobre que tem um pai que é bom de consertar coisas. Tinha uma máquina, que projetava imagens, só que o menino não sabia. E o pai morre antes de ele saber, no meio da história. Mas ele descobre que é uma máquina de projetar filmes. Foi um dos que mais gostei. Na escola, depois que a gente lê, a gente conversa, faz comentários sobre o que mais gostou. Depois, tem meio que uma prova, oral ou por escrito.”
Éric Yves Wuilleumier, 12 anos, 7º ano do ensino fundamental

LIVROS PARA APRENDER

“Não gosto nem desgosto de ler. Se eu entender o livro, aí gosto. Os últimos que a escola pediu para ler foram Ilíada e A odisséia. Achei os dois meio chatos, com muitas palavras difíceis. Se a história for legal e tiver palavra difícil, tudo bem, é até bom para aprender novas palavras. Mas, se a história não for muito legal e tiver palavra difícil, você se desprende dela, perde o interesse. Tenho muitos amigos que pegaram birra de leitura. Não peguei porque, quando era menor, me divertia com títulos cheios de desenhos. Pode ser legal se for o livro certo. O professor de português é que manda ler para a gente aprender mais sobre o assunto que está estudando. A escola não dá obra legal, dá livro para a gente aprender. O mais legal que já li foi O guia do mochileiro das galáxias. Meu irmão tinha lido e resolvi ler. Adorei, a história era muito maluca, do jeito que eu gosto. O mais chato foi O menino do dedo verde. Entre A Ilíada e A Odisséia, preferi a Ilíada, pois falava de guerra. Mas eu sei que estes livros são importantes para aprender. Se pensar no que aprendo com a literatura que a escola recomenda e no que aprendo com os que pego, como O guia e Harry Potter, os da escola dão de um milhão a zero.”
Lourenço Costa Biselli, 11 anos, 7º ano do ensino fundamental

Matéria publicada em Março/2009

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pesquisa aponta aumento de mercado de livros para crianças e adolescentes

Autor: Redação JL

A leitura não é apenas uma das ferramentas mais importantes para o estudo e o trabalho, é também um dos grandes prazeres da vida. Ajudar as crianças e os jovens a descobrirem essa verdade é uma missão importante, que cada cidadão deve abraçar com entusiasmo.

A indústria livreira do Brasil tem feito a sua parte. Segundo a pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008”, que a Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe) elaborou a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), no período de 2008 o número de títulos voltados ao público infantil cresceu 14,02% na comparação com 2007. Também houve um incremento de 41,88% nos lançamentos de novas obras de literatura juvenil. Esses percentuais, num universo total de 13,39% novos títulos colocados no mercado, revela uma clara disposição em atingir mais crianças e jovens.

Além de apostar em mais títulos, as editoras também colocaram mais exemplares no mercado: foram 4,95% a mais de livros infantis e 9,26% a mais de livros juvenis do que em 2007. Vale ressaltar que, na média geral, a produção de novos exemplares foi 3,17% menor em 2008 do que no ano anterior.

O fato de os jovens e as crianças estarem lendo mais do que os adultos já havia sido evidenciada em levantamentos anteriores. A "Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil", de 2007, revelou que cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre cinco e 17 anos. Entre os entrevistados de até 10 anos de idade, a média foi de 6,9 livros por ano. A estatística aumenta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) e cai levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). Infelizmente, porém, a maior parte das leituras é feita por exigência da escola: somente 0,9 livro é escolhido por iniciativa própria entre os leitores de até 10 anos, subindo para 1,4 na faixa dos 11 aos 13 anos e para 1,6 entre os jovens de até 17 anos.

A mesma pesquisa também demonstrou que o incentivo para a formação de jovens leitores vem da escola e da família, sobretudo das mães. Cerca de 73% dos leitores com idade entre cinco e 10 anos citaram as mães como principais incentivadoras do hábito e da leitura. E, entre os adultos que cultivam o hábito de ler, um em cada três disse ter lembrança da mãe lendo um livro, e 87% afirmaram que os pais liam para eles antes de dormir.

Para estimular as crianças e os jovens a, cada vez mais, lerem por prazer e não por obrigação, algumas medidas são importantes. A primeira delas consiste em facilitar o acesso às obras literárias. De acordo com a presidente da CBL, Rosely Boschini, estimular a leitura significa construir mais e melhores bibliotecas, equipada com mobiliário especialmente desenhado e estantes com altura adequada, de modo a facilitar o acesso dos pequenos leitores aos seus objetos de interesse. "Aumentar o número de bibliotecas é fundamental, pois há um grande número de municípios brasileiros que não dispõem de nenhuma. Mais livrarias também são necessárias. O Brasil tem hoje menos de 4 mil estabelecimentos do gênero, enquanto o ideal seria existirem pelo menos 10 mil", diz.

Outro ponto importante apontado por ela é que o livro tem que ser atrativo e interessante. "Neste ponto, as editoras brasileiras vêm cumprindo seu papel. Dos livros laváveis para bebês aos romances de aventura destinados aos jovens, há um universo de publicações lindamente encadernadas, com acabamentos primorosos e enredos variados, perfeitos convites para quem está começando a vida ingressar num mundo novo de aventuras, sonhos, fantasias e experiências variadas. Tanto isso é verdade que o produto editorial brasileiro vem obtendo grande sucesso nas feiras internacionais do setor, como a de Bolonha, principal eventual mundial do setor de livros infanto-juvenis".

Igualar as condições de acesso, incentivar as crianças de maneira positiva e envolver cada vez mais os pais e os professores na missão de iniciarem os mais jovens no universo infinito da leitura são providências urgentes e fundamentais para todos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Meta é qualidade da educação

À frente do maior império de comunicação do País com os irmãos, José Roberto Marinho diz que só o conhecimento rompe definitivamente o ciclo da pobreza

Por Celso Kinjô

José Roberto Marinho herdou uma responsabilidade e tanto. Com seus irmãos Roberto Irineu e João Roberto, dirige um conglomerado de comunicação que envolve redes de televisão (abertas e fechadas, inclusive no exterior), rádio, jornal e revista, portais de internet, produtoras de conteúdo para tv paga, gravadoras, distribuidoras de filmes.

Caçula do trio, 53 anos, vice-presidente das Organizações Globo, comanda também a Fundação Roberto Marinho, que há mais de quatro décadas tem como missão facilitar o acesso aos universos da cultura e da educação, através de seus meios de comunicação.

Na XIV Bienal Internacional do Rio, José Roberto recebeu, em nome da empresa, o troféu José Olympio, em homenagem ao empenho que a Globo vem dedicando ao livro e à leitura. Em 1993, seu pai, jornalista Roberto Marinho, foi agraciado com o mesmo prêmio.

Nesta entrevista exclusiva a Panorama Editorial, o empresário analisa o desafio estratégico que se coloca para o País, o de reduzir as desigualdades, aumentar a escolaridade e, assim, elevar a oferta e a demanda do mercado editorial.

Índice baixo de escolarização e ensino de qualidade discutível. Seriam essas as causas para o irrisório índice de leitura da população? Ou seria mais a falta de acesso ao livro?
“Ambas são verdadeiras. O número de analfabetos funcionais no país é gigantesco. E, se uma pessoa não sabe interpretar o que lê, o mundo do livro não existe para ela. Se ela estudou apenas até o primeiro ciclo do ensino fundamental, por exemplo, deixou de ler inúmeros livros didáticos e paradidáticos que seriam essenciais para a sua formação. O acesso restrito ao livro é outro fator determinante. Além da questão da renda, há problemas como a baixa proporção de bibliotecas públicas e em escolas. Sem dúvida, iniciativas públicas e privadas são fundamentais para reverter esse quadro e elevar o patamar de conhecimento, liberdade e autonomia propiciados pelo hábito da leitura.”

Em sua opinião, como o Brasil pode vencer o analfabetismo (total e funcional), e o agora reconhecido analfabetismo digital? O Sr. acha que o Governo tem feito a sua parte? E a iniciativa privada, deveria participar mais desse esforço do Estado?
“Sabemos que só o conhecimento rompe definitivamente o ciclo de pobreza e melhora de forma sustentada a vida das pessoas. Para atingirmos esse objetivo, é necessário um esforço conjunto – como é o caso do ‘Compromisso Todos pela Educação’ –, que envolve os governos, o setor privado e a sociedade civil organizada. Além de uma questão ética, o desenvolvimento humano é condição para a competitividade do país no mundo globalizado. A qualidade da educação precisa ser, de fato, a prioridade absoluta na agenda nacional, com políticas de Estado continuadas (registre-se avanços nesse sentido) e uma atuação complementar – esse é um ponto-chave para alcançarmos a escala necessária – entre os diferentes setores e atores. E, logicamente, o acesso aos bens culturais e às tecnologias de informação e comunicação precisa estar contemplado nessa busca de soluções, ou as oportunidades serão cada vez mais desiguais.”

De que maneira se pode aumentar o acesso da população ao livro e à leitura? Tão somente através de mais bibliotecas?
“É inegável a importância de se formar desde cedo nas crianças o hábito da leitura, apresentando a elas publicações que estimulem e reforcem o prazer de ler. O ideal é que esse hábito comece dentro de casa e depois tenha continuidade na escola. Para isso, os pais também devem ler – de modo a incentivar que os filhos façam a mesma coisa – e os professores devem ter condições de apresentar leituras diversificadas para os alunos. E os meios de comunicação podem ter um papel de grande relevância”. As Organizações Globo buscam contribuir com a ampliação do acesso à leitura de diferentes formas. Por exemplo, por meio do ‘Novo Telecurso’, metodologia pioneira da Fundação Roberto Marinho, foram distribuídos mais de 600 mil livros nos dois últimos anos.

Através do projeto ‘Época na Educação’, do qual já participaram mais de 1.600 escolas, os alunos e professores recebem revistas, fascículos especialmente desenvolvidos e têm acesso a conteúdos na internet, em um conjunto de atividades que ajudam a desenvolver a leitura e a pesquisa. O jornal O Globo também mantém o projeto ‘Quem Lê Jornal Sabe Mais’, de incentivo à leitura em sala de aula, e o Extra, em onze anos, distribuiu gratuitamente mais de seis milhões de livros, para citar apenas algumas iniciativas.

Recentemente, O Globo lançou ainda, associado ao caderno literário semanal Prosa & Verso, o projeto ‘O Livreiro’, a primeira rede social na internet dedicada aos livros. No campo social, o ‘Criança Esperança’ destina recursos para projetos que promovem a inclusão através da leitura, e o ‘Amigos da Escola’ estimula a participação da comunidade em atividades que têm a leitura como eixo de atuação”.

Sobre televisão: que influência exerce no estímulo à leitura da criança e do jovem? Ela inibe, estanca, estimula a vontade de ler?
“Estamos certos de que uma programação televisiva de qualidade, que busque informar, entreter e educar, com ações voltadas para a valorização do conhecimento e da nossa identidade e diversidade cultural, tem papel importante nesse sentido. Por exemplo, quantas obras de teledramaturgia adaptadas ou inspiradas na literatura nacional não impulsionaram fortemente as vendas de livros?”

O advento de novas mídias eletrônicas vai interferir e até ocupar espaços tradicionais do livro? Ou trata-se de um falso dilema?
“Acreditamos que as diversas mídias são complementares. O home vídeo ampliou a distribuição de filmes. O rádio não acabou com o surgimento da TV. As novas mídias e as novas plataformas para distribuição digital e leitura de livros ganharão espaço, mas o livro físico continuará existindo.”

Em suas diversas mídias, a Rede Globo tem apoiado de modo claro o estímulo à leitura. De que forma se pode mensurar os resultados dessa experiência? Poderia citar exemplos?
“Desde 1965, a teledramaturgia da TV Globo adaptou para o vídeo 72 obras inspiradas ou baseadas na literatura. Foram minisséries, novelas e especiais difundindo em larga escala, no Brasil e no exterior, obras e autores consagrados, assim como revelando novos talentos nacionais. Somente nos últimos quatro anos, a Rede Globo veiculou gratuitamente o equivalente a R$ 37 milhões em campanhas nacionais e regionais de apoio às feiras literárias e de incentivo à formação de novos leitores. Entre 2006 e 2009, o jornalismo da Rede Globo produziu mais de 3500 matérias nacionais e regionais sobre literatura, incluindo a cobertura das principais feiras literárias do País.

Na internet, o portal G1 mantém blogs, faz entrevistas, coberturas e transmissões sobre eventos literários. O assunto é também permanente nos mais diversos sites de programas da Rede Globo. No merchandising social, 61 cenas de incentivo à leitura estiveram presentes nas telenovelas nos últimos quatro anos, difundindo o tema em horário nobre, em todo o território nacional.

A literatura está presente também em espaços relevantes nos Canais Globosat de TV por assinatura e em todas as empresas das Organizações Globo, com ações permanentes e diversificadas.”

Qual é a orientação da empresa no que se refere à divulgação de eventos literários, como feiras, do tipo Flip ou outras mais modestas, exposições, bienais do livro?
“Além do expressivo investimento na veiculação gratuita de campanhas nacionais e regionais de apoio a feiras literárias, e de ampla cobertura jornalística, realizados pelas Organizações Globo, sobre os quais falamos, contamos com participação assídua nos principais eventos literários. E realizamos iniciativas especiais: em 2007, por exemplo, vinhetas temáticas (“plim-plins”) foram criadas para promover a edição da Bienal daquele ano na Rede Globo.

No que se refere ao Sistema Globo de Rádio, a Rede CBN monta estúdios e ancora programas das bienais, produzindo debates, entrevistas e até oficinas, como aconteceu esse ano aqui no Rio. Além da cobertura das feiras literárias, feita também pela Rádio Globo, a CBN leva ao ar reportagens dedicadas ao tema e mantém o boletim diário ‘Tempo de Letras’. Todo esse material fica também disponível no site da emissora.”

A direção da empresa estimula, especificamente, ações de merchandising em favor do livro e da leitura?
“Conforme falamos, contamos com uma quantidade significativa de ações de merchandising social na teledramaturgia que estimulam a leitura e evidenciam a importância desse hábito. É muito comum ver personagens de novelas lendo um livro, comentando sobre uma obra ou autor. É importante que o público perceba que a leitura tem que estar presente no dia a dia. É lembrete aos pais: as crianças precisam ter acesso fácil ao livro em casa. Os pais precisam contar histórias, apresentar o mundo da literatura, e dar o exemplo.”

O Sr. tem uma mensagem otimista em relação ao futuro do livro?
“O Brasil caminha – precisamos acelerar bastante o passo, claro – para se tornar uma sociedade menos desigual. Pode avançar muito nas próximas décadas no desenvolvimento econômico, sem esquecer da inclusão social e do meio ambiente. Isso significa que milhões de pessoas passarão a ter a acesso a bens culturais e à informação escrita. A escolaridade aumentará, assim como a qualidade da educação, com a convergência de prioridades em torno do tema. Isso aumentará a demanda e a oferta no mercado editorial. Temos a certeza de que com esforço conjunto podemos melhorar os índices de leitura e conhecimento no país, reforçando a democracia e a nossa identidade.”

A importância de contar histórias para as crianças

Cláudia Marques Cunha Silva

Como recurso psicopedagógico a história abre espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade

Por que contar histórias para as crianças?

A história é uma narrativa que se baseia num tipo de discurso calcado no imaginário de uma cultura. As fábulas, os contos, as lendas são organizados de acordo com o repertório de mitos que a sociedade produz. Quando estas narrativas são lidas ou contadas por um adulto para uma criança, abre-se uma oportunidade para que estes mitos, tão importantes para a construção de sua identidade social e cultural, possam ser apresentados a ela.

Qual a diferença entre ler e contar uma história?

São duas coisas muito diferentes, porém ambas muito importantes. Um texto escrito segue as normas da língua escrita, que são completamente diferentes daquelas da linguagem falada. Quando uma criança ouve a leitura de uma história ela introjeta funções sintáticas da língua, além de aumentar seu vocabulário e seu campo semântico. Porém, aquele que lê a história deve dominar a arte de contá-la, estar preparado suficientemente para fazê-lo com apoio no texto, sabendo utilizar o livro como acessório integrado à técnica da voz e do gesto.

Além disso, quem lê para uma criança não lhe transmite apenas o conteúdo da história; promovendo seu encontro com a leitura, possibilita-lhe adquirir um modelo de leitor e desenvolve nela o prazer de ler e o sentido de valor pelo livro.

Há opiniões divergentes neste campo: alguns autores consideram que o contador sem o livro tem mais liberdade de acentuar emoções, modificar o enredo segundo as reações da criança e portanto, melhor comunicação com o público infantil. Teria ainda mais disponibilidade para trabalhar sua voz e seu gesto.

Somos partidárias, neste aspecto de que o importante é como ler e como contar, porque é preciso que se tenha técnica e preparo para despertar o desejo e o prazer das crianças.
Para que contar histórias?

Um dos principais objetivos de se contar histórias é o da recreação. Mas a importância de contar histórias vai muito além. Por meio delas podemos enriquecer as experiências infantis, desenvolvendo diversas formas de linguagem, ampliando o vocabulário, formando o caráter, desenvolvendo a confiança na força do bem, proporcionando a ela viver o imaginário.

Além disso, as histórias estimulam o desenvolvimento de funções cognitivas importantes para o pensamento, tais como a comparação (entre as figuras e o texto lido ou narrado) o pensamento hipotético, o raciocínio lógico, pensamento divergente ou convergente, as relações espaciais e temporais( toda história tem princípio, meio e fim ) Os enredos geralmente são organizados de forma que um conteúdo moral possa ser inferido das ações dos personagens e isso colabora para a construção da ética e da cidadania em nossas crianças.

Como selecionar histórias para ler ou contar?

Segundo Luiza Lameirão, existem dois tipos de histórias: aquelas que servem de alimento para a alma, permitindo a transmissão de valores e de imagens arquetípicas fundamentais para a construção da subjetividade; e aquelas que servem para despertar o raciocínio e o interesse da criança para formas de agir e estar no mundo

- são chamadas histórias matéria - importantes para a estruturação dos aspectos objetivos de nossa personalidade. Estas últimas devem ser selecionadas de acordo com o desenvolvimento cognitivo do ouvinte porque exigem maior compreensão racional e analítica.

Como se aprende a contar histórias?

Em cursos de capacitação pode-se adquirir as competências necessárias para se contar histórias, aprendendo as técnicas básicas de voz, gesto, materiais de apoio, dentre outras.

Podemos destacar algumas orientações básicas para contar histórias:

· Escolha leituras que tenham ligação direta com o sexo, a idade, o ambiente familiar e o nível sócio econômico da clientela.

· Incentive as crianças diariamente, contando pequenas histórias sem mesmo ter o livro nas mãos.

· Use entonação de voz atraente, sem exageros, faça suspense, faça drama, se emocione, expresse sua opinião sobre o tema e dê oportunidade para que a criança também apresente sua opinião.

· Enriquecer a narração com ruídos (onomatopéias) como miau! Au! Au!

· Movimente o corpo (olhos, mãos e braços), mas sem exageros.

· Evite cacoetes como: aí... então... entenderam... não é?

· Crie a “hora da história”. Na escola, um bom horário é após o recreio para acalmar a turma; em casa pode ser à noite, antes de dormir;

· Determine um dia ou horário para cada aluno ler ou contar uma história. Não force mingúem.

· Em casa, estimule a criança a recontar a história que ouviu; compre livros, dê livros de presente em aniversários, natal e outras festividades;

· Sempre que possível sente-se no nível das crianças.

· Explique quando necessário, o significado das palavras novas.

· Preserve a atenção das crianças no local em que a história está sendo contada. (muito barulho, pessoas estranhas interrompendo, etc.).

Quais as implicações psicopedagógicas do ato de contar histórias?

A história, como já foi dito, possibilita a articulação entre objetividade e subjetividade, espaço “ entre “ no qual se situa o trabalho psicopedagógico. É, portanto, um recurso que pode ser usado tanto no diagnóstico como na intervenção psicopedagógica em instituições e na clínica. O conteúdo mítico, as ações praticadas pelos personagens, os valores morais implícitos na narrativa, permitem projeções que facilitam a elaboração de questões emocionais, muitas vezes expressas como sintomas que se apresentam na aprendizagem. A compreensão dos enredos, a análise dos conteúdos, a estrutura lingüística subjacente ao texto, permitem ao profissional investigar questões cognitivas presentes nas dificuldades do processo de aprendizagem.

Como recurso psicopedagógico a história abre espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade.

Cláudia Marques Cunha Silva - Mestra em Engenharia de Produção com ênfase em Mídia e Conhecimento pela UFSC; Psicopedagoga, coordenadora do Núcleo Sul Mineiro da ABPp; Docente de vários cursos de Pós-Graduação em Psicopedagogia no sul de Minas, tais como: UNINCOR, UNIVAS, UEG-Campus Divinópolis, UCAM, UVA (Convênio com Aprender-atividades integradas) e FEFC- Formiga.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mineiros propositalmente esquecem livros em lugares públicos

Em Ibiá, no Alto Paranaíba mineiro, uma forma diferente de disseminar cultura. Há livros esquecidos em praças, pontos de ônibus, telefones públicos e até em árvores. A intenção é estimular a leitura.



Fonte: Via Brasil

segunda-feira, 8 de março de 2010

ICDL (International Children´s Digital Library): uma biblioteca de literatura infantil e juvenil digital

A ICDL (International Children´s Digital Library) é uma biblioteca de literatura infantil e juvenil digital, de caráter multicultural, com um acervo de cerca de 4.000 livros de diferentes países, línguas e tradições culturais. A ICDL foi desenvolvida pelo College of Information Studies da Universidade de Maryland, que mantém convênio de cooperação com a PUC-Rio para a criação de uma interface brasileira desta biblioteca digital através do Projeto ICDL-Brasil – uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Engenharia Semiótica (SERG) do Departamento de Informática da PUC-Rio. A Cátedra colabora com a ICDL-Brasil, promovendo o intercâmbio de informações em literatura infantil e juvenil para o desenvolvimento de ferramentas de estímulo à leitura no Brasil.
Ao acessar a página da ICDL você encontrará:

1. Rigor científico: elaborado por uma equipe altamente qualificada.

2. Prazer de ler: pode ser usado por todos: crianças, pais, professores, bibliotecários.

3. Linguagem lúdica e interativa: permite vários modos de ler.

4. Experiências de aprendizagem individual e/ou coletiva por meio do livro eletrônico.: pode ser acessada de casa ou da escola.

A ICDL é uma riqueza que pode ser utilizada em diversas situações por crianças, pais, professores, bibliotecários. As crianças podem manter uma estante com os livros que mais gostem; Os pais podem extrair temas para ajudar a explicar lições importantes; Os professores podem utilizar o caráter multicultural da coleção para o ensino de línguas; E o melhor, qualquer pessoa pode acessar e abrir um livro para ler por prazer.

Acessar o ICDL: International Children´s Digital Library

Fonte: Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio

sexta-feira, 5 de março de 2010

Crianças que ouvem histórias aprendem dois meses antes

Por Mariana de Araújo Barbosa

Mais de dois meses de avanço. As crianças a quem os pais lêem histórias aprendem dois meses mais cedo que as outras. Na altura em que entram para a escola primária, aprender a ler, a escrever e a fazer contas é mais fácil. Segundo um estudo britânico feito a 19 mil bebés e cujos primeiros resultados foram conhecidos ontem, as crianças que ouvem histórias contadas pelos pais aprendem mais depressa e com maior facilidade, não só a ler e a escrever, mas também a contar e a fazer operações matemáticas.

"Os pais devem ler às crianças porque isso lhes desenvolve o cérebro e o raciocínio. Deve ser incentivado - mas nunca uma obrigação", explica ao i o psiquiatra Daniel Sampaio.

Os investigadores do Millennium Cohort Study começaram a seguir crianças inglesas nascidas no início do século xxi com o objectivo de estabelecer um "perfil" de caracterização da geração pós-viragem do século. Os primeiros resultados divulgados referem-se a 2006 e 2007, altura em que as crianças que participam no estudo tinham cinco anos.

"O potencial máximo de aprendizagem do cérebro acontece até aos seis anos. Está provado do ponto de vista neurológico. O que fazemos até essa altura é vital: se o estímulo for o correcto, potencia as capacidades", defende a psicoterapeuta Rita Ribeiro. A especialista conta ao i que a leitura, quando feita de "forma adequada à faixa etária, potencia as sinapses" - movimentos cerebrais relacionados com a comunicação entre neurónios. "Quanto mais cedo for introduzida de forma lúdica, melhor. Aumenta a capacidade de comunicar, melhora o vocabulário da criança e potencia a criatividade e a imaginação. E ainda a probabilidade de a criança vir a tornar-se uma boa leitora", fundamenta.

A ideia de que ler às crianças é benéfico para o desenvolvimento e para a aprendizagem é um dos fundamentos do Plano Nacional de Leitura. Numa biblioteca de crianças deve haver livros "o mais variados possível", com temas como "medos" ou que lhes permitam conhecer outras realidades, "para não corrermos riscos de criar crianças alheadas do mundo e que pensam que os ovos vêm do supermercado", acrescenta.

Andar também conta Mas aprender não é só ouvir histórias. O estudo conclui também que os bebés que andam mais cedo têm mais facilidade em aprender em idade escolar. Aos cinco anos nota-se nas raparigas uma maior criatividade.

Os resultados obtidos pelos britânicos indicam ainda que os rapazes têm uma desvantagem de mais de quatro meses em matéria de leitura em relação ao sexo oposto. "Por regra, as meninas falam melhor e mais cedo que os rapazes. E eles começam a andar antes delas", conta Rita Ribeiro. A psicoterapeuta acredita tratar-se de um factor cultural. "Os pais, por exemplo, têm brincadeiras muito mais físicas com os filhos rapazes", esclarece.

"Brincar é uma maneira equilibrada de crescer. Agora tendemos a querer que tudo aconteça demasiado rápido, mas o desenvolvimento humano é biológico, ou seja, acontece de acordo com uma tabela natural. O cérebro de um bebé tem o mesmo tamanho que tinha na Idade da Pedra, por isso tem as mesmas necessidades básicas que sempre teve", esclarece Sue Palmer, especialista em psicologia infantil e autora do livro "Toxic Childhood", ao i. A especialista acrescenta que a importância dos primeiros anos de vida já está estabelecida. "São preponderantes para o desenvolvimento do corpo e do cérebro. As experiências das crianças ao longo destes anos têm uma enorme influência não só no potencial que apresentam depois na escola, mas também na personalidade e no bem-estar geral", diz ao i. Essa preocupação, segundo Sue Palmer, passa por deixar as crianças experimentarem o mundo "segundo o seu próprio instinto", ainda que protegidas pelos adultos.

"A personalidade e o potencial constroem-se sobretudo nos primeiros meses de vida. Quanto mais amor, conversa, brincadeira e histórias um bebé tiver, maior o seu desenvolvimento", conclui Palmer.

Fonte: Ionline

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estimulando a leitura

Psicopedagoga Ana Cássia Maturano dá dicas para ocupar as crianças nas férias e, de quebra, formar pequenos leitores.

Mês de férias escolares, período em que a maioria das crianças, se não vai para uma colônia de férias, fica o dia inteiro em casa. Esse tempo ocioso é, quase sempre, gasto diante da TV. Segundo a psicopedagoga Ana Cássia Maturano, os pais poderiam usar o período das férias para criarem o hábito da leitura entre as crianças. “Além de ocupar a criança, o tempo é preenchido com uma atividade que desenvolve o intelecto”, afirma.

Com tantas atividades eletrônicas, opções multimídia de ensino e de divertimento, os livros são cada vez menos requisitados nas horas de lazer pelo público infantil. Contudo, como hábitos também são adquiridos por influência dos pais, as crianças podem aprender a gostar de ler a partir de atitudes simples. “A prática da leitura exige uma atitude ativa, permitindo o exercício da criatividade, da imaginação e da livre interpretação”, explica a especialista.

A psicopedagoga sugere, para fazer da leitura uma atividade prazerosa, que os pais desde cedo presenteiem os filhos com livros e levem os pequenos leitores a bibliotecas ou em eventos como a Bienal do Livro.Um bom começo é o próprio modelo dos pais, demonstrando prazer nessa atividade. Eles podem comentar com os filhos o que leram, buscar informações em material impresso e ler para e com as crianças num momento de prazer.

Ana Cássia explica que nunca a leitura pode ser aplicada como um castigo, para não tomar conotação indesejada, pois a criança pode associar esta atividade à punição. “Isso tolheria qualquer entusiasmo, pois tal prática adquiriria um valor negativo” afirma.

Um tipo de livro para cada idade

A leitura pode e deve ser estimulada na criança desde cedo. “A faixa etária é só um indicador”, ressalta a psicóloga. “Antes de mais nada, é necessário observar o desenvolvimento da criança para perceber o que é mais adequado a ela, pois quanto mais nova, maior deve ser a participação do adulto em atividades envolvendo livros”. Confira as dicas da psicóloga para o estímulo da leitura em cada faixa etária:

Entre um ano e meio e três anos: Nas crianças menores, Ana Cássia sugere incluir entre os brinquedos livros de papelão, plástico ou pano, contendo gravuras que permitirão a criança explorar o ambiente pelo tato e nomear os objetos.

Dos três aos seis anos: Aqui os livros só com imagens e enredos curtos são os mais indicados, já que as crianças utilizam atividades lúdicas no seu impulso de descobrir o mundo real e a linguagem nesta fase. “No material deve haver o predomínio absoluto das imagens, simples e de fácil comunicação visual, retratando histórias comuns relacionadas ao cotidiano da criança, que possam ter algum significado para ela”, explica Ana Cássia. “O enredo deve ser curto, contendo humor e mistério, com repetição dos elementos para a manutenção de sua atenção”. A participação do adulto é essencial, segundo a psicóloga, “enquanto leitor das situações apresentadas, permitindo à criança estabelecer uma conexão entre o mundo real e o mundo da palavra, que nomeia o real”. Ela alerta para a necessidade de o adulto tornar a leitura interessante e incluir a criança como um participante ativo, “fazendo-a interagir com a história por meio de perguntas, por exemplo, ou pedindo que reconte a ´estória´ numa outra situação”.

Dos seis aos oito anos: é nesta idade que a criança inicia o aprendizado formal da escrita. Segundo Ana Cássia, a atividade requer ainda o predomínio da imagem como ferramenta para ajudar a criança a entender o texto. Assim, as situações apresentadas devem ser simples, referir-se ao mundo maravilhoso ou cotidiano, com toques de humor e ter começo, meio e fim. Outra dica, segundo a especialista, é buscar histórias com personagens bem definidos quanto ao caráter, “para evitar que a criança se confunda quanto a esse aspecto”. Para uma melhor compreensão do texto nesta fase, ele deve ser breve, conter palavras de silabas simples, frases em ordem direta e elementos repetitivos. Os temas podem ser variados, mas um elemento sempre atrativo nesta etapa é o da inteligência vencendo a força. “Não se deve perder de vista que o pequeno leitor está se arriscando numa nova aventura, com muitos obstáculos a serem superados”, explica Ana Cássia. “Por essa razão, o incentivo carinhoso e compreensivo do adulto é fundamental nessa descoberta”.

Dos oito aos 10 anos: Nesta fase em que a criança já tem um domínio maior do mecanismo da leitura, Ana Cássia indica livros contendo imagens dentro de uma relação dinâmica entre o verbal e o visual, de modo a ampliar a compreensão do texto. As frases continuam simples, porém devem ser substituídas aos poucos por períodos compostos por coordenação. Com começo, meio e fim, as histórias preferencialmente devem contar com uma situação central, a ser resolvida com toques de humor e situações inesperadas, podendo ser reais ou fantásticas. “Mais uma vez o adulto assume papel importante, não só de incentivador da atividade, mas também no pós-leitura, funcionando como um suporte frente ás dificuldades”, explica a psicóloga.

Dos 10 aos 12 anos: Nesta idade, o leitor já domina o mecanismo da leitura, tem maior capacidade de concentração e abstração e é capaz de compreender o mundo expresso no livro. Os textos podem ser mais densos, maiores, com uma linguagem mais elaborada, sendo as imagens dispensáveis. Ana Cássia ressalta que há, nesta fase, uma grande atração por confronto de idéias, por heróis humanos que lutam por seus ideais, histórias de problemas cotidianos que impedem a realização do indivíduo ou histórias de amor, por elementos desafiadores da inteligência, num contexto realista ou maravilhoso. Há uma farta variedade de literatura para essa faixa de idade. Exemplos são contos, crônicas, novelas de aventuras ou sentimentais, mitos, lendas, ficção científica, policial, documentários, histórias de humor, de raças ou animais. E o adulto, qual função ocupa nessa empreitada? “Aqui o leitor já é um pré-adolescente, alguém que se sente muito forte e portanto dispensa a participação dos adultos, que podem assumir o papel de desafiados desse ser em ebulição”, ressalta a psicóloga.

A partir dos 12 anos: Nesta etapa encontra-se o leitor crítico que, por ter um pensamento mais reflexivo e dominar plenamente a leitura, é capaz de fazer uma reflexão mais profunda do texto a da realidade. O mercado editorial para essa faixa etária é bastante amplo. “Um adolescente que foi estimulado durante sua vida para o exercício da leitura, que freqüentou livrarias e bienais, de uma maneira positiva, não terá dificuldade em saber o que ler, não só por seus interesses, mas por já estar habituado a atividades do gênero”, resume Ana Cássia.

Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga pela USP, especializada em Problemas de Aprendizagem. É co-autora do livro Puericultura – Princípios e Práticas, onde aborda aspectos relacionados a ‘estimulação cultural da criança’.

Fonte: Guia do Bebê

Dicas para estimular o gosto pela leitura nas crianças

Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo

São dicas simples que podem ajudar a formar um leitor desde a mais tenra idade. A leitura deve ser sentida como algo prazeroso, sem nenhum caráter de obrigação.

- Reserve algumas horas por dia para a leitura em família. Faça com que a criança aprecie esse momento, em vez de encará-lo como uma obrigação ou como uma “aula”.
- Freqüente livrarias e bibliotecas com a criança e leve-a para eventos de contadores de histórias ou conte-as você mesmo. Faça disso um programa de lazer.
- Converse com as crianças sobre livros e peça-lhes que comentem a história que acabaram de ler. Isso estimula a formação do pensamento crítico e o desenvolvimento da linguagem.
- Em aniversários de crianças, dê livros de presente.
- Estabeleça horários fixos para computador, videogame e TV. Tente dosar essas atividades com a leitura.
- Gibis e jornais também são essenciais para desenvolver o gosto pela leitura.
- Jogos com palavras e frases também podem estimular o hábito pela leitura.
- Sempre leia em voz alta. Isso faz com que a criança perceba a relação entre a palavra escrita e a falada. Abuse do recurso da entonação para deixar a narrativa mais atraente.
- Repetir a leitura muitas vezes é normal, pois a criança está memorizando e fazendo cada vez mais ligações entre o que ouve o que vê no livro (desenhos, expressões e palavras).
- Ao mostrar um livro a uma criança pequena, pare cada vez que virar a página, e espera a sua reação.
- Ofereça a seu filho material variado de leitura (para se divertir, para aprender, para passar o tempo...): ler não é coisa que se só se faça em livros.
- Ensine a importância de cuidar e conservar os livros, mas não exija que eles fiquem sempre impecáveis, pois isso é sinal de que não foram lidos mostre que um mesmo exemplar pode servir para várias pessoas e incentive a troca de publicações entre as crianças.
- Incentive atividades que exigem leitura, como cozinhar (ler receitas), fazer brinquedos (ler instruções), descobrir coisas curiosas em livros...
- Estabeleça uma noite por semana para leitura (em lugar da TV).
- Deixe bilhetes para seu filho, e peça respostas por escrito.
- Estimule o seu filho a utilizar a biblioteca de sua escola ou, na falta dela, a biblioteca pública de seu bairro. Além dos livros, ele pode encontrar outros amiguinhos que gostem de ler e participar das atividades que as bibliotecas realizam.

Fontes:
- “Passaporte para Leitura”, publicação do Instituto Ecofuturo
- Incentivo à Leitura – Plenarinho (http://www.plenarinho.gov.br/sala_leitura/nossa-biblioteca/incentivo-a-leitura
- Ler é um barato (http://www.colegiosantamaria.com.br/santamaria/aprenda-mais/artigos/ver.asp?artigo_id=13

Leia mais: Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O papel da escola no incentivo à leitura

Cristiane Rogerio e Marina Vidigal

Imagine uma escola em que as crianças topam com um livro a toda a hora. Quando querem procurar algo para fazer, lá estão os exemplares, disponíveis. Se é hora de procurar informações, também estão eles lá, como opções. Para incentivar a escrita, contar histórias, eles são as estrelas. E aqui, estamos falando de literatura: uma história que faça o leitor viajar, encontrar com medos, ver suas dúvidas, dar muita risada, descobrir o mundo. E treinar muito, claro, sua capacidade de leitura, de entendimento, de prazer com o livro.

Crianças que convivem em ambientes de leitores e para as quais adultos lêem com freqüência, interessam-se mais pela leitura e desenvolvem-se com maior facilidade nesta área. CRESCER conversou com educadores, pedagogos, críticos de literatura infantil e especialistas em programas de incentivo à leitura e listou aqui o que pode fazer uma escola ser realmente parceira nesta bela empreitada.

Leitura diária

Em muitas escolas, é comum a leitura diária de história, desde o primeiro ano de vida da criança. “Lendo, discutindo trechos da história e chamando a atenção para as ilustrações, favorecemos aspectos fundamentais da leitura, como compreensão de texto, seqüência narrativa, personagens e espaço”, diz Maria de Remédios Ferreira Cardoso, vice-diretora da Educação Infantil da Escola Móbile (São Paulo, SP). Mesmo as crianças já alfabetizadas devem ser expostas a leituras, que, neste caso podem ser compartilhadas em classe e acompanhadas de discussão do texto, dos elementos que o compõem e de análise do enredo.

Oportunidade de manuseio de livros

Para que as crianças adquiram intimidade com os livros, é importante terem oportunidades de tocá-los, sem a intervenção de adultos. Fica tudo no ritmo da criança.

Acervos diversificados

Os livros devem ser diferentes, adequados à idade dos alunos, constantemente atualizados e bem conservados. As visitas à biblioteca devem fazer parte da rotina das crianças e, no local, é importante haver um profissional capaz de orientar os alunos e estimular a leitura de obras adequadas.

Os livros deles

Para as crianças, a possibilidade de levarem para a escola seus livros preferidos é um grande estímulo. Muitas escolas incentivam a prática, lendo em sala os livros dos alunos. Isso fará com que eles com compartilhem com os amigos e, quem sabem, emprestem um para o outro.

Pais como parceiros

As escolas devem chamar os pais como aliados no estímulo à leitura. Podem ser indicações em conversas, via internet ou em reuniões. Ou colocar livros à disposição na escola e convidar os pais a conhecer o acervo.

Visita de autores

Encontros com autores são positivos para as crianças adquirirem maior intimidade com seus livros, histórias e personagens e perceberem que criar histórias é inclusive uma profissão. Mas a escolha precisa ser bem cuidada: de preferência, a escolha deve partir – ou pelo menos ser muito bem aprovada – pelas crianças. Nada de fazer as crianças conhecerem o autor indicado somente porque ele vai lá. O bacana é oferecer, ver o que agrada e contatar as editoras.

Professores leitores e atualizados

Para atuar na formação de novos leitores, ninguém melhor do que professores leitores., nem a contratação de um professor deve ser efetivada caso ele não se revele um leitor ativo. “O trabalho feito por professores não leitores pode prejudicar o vínculo da criança com o livro, pois quem não garimpa livros antes da indicação e da adoção, nem sempre vai escolher títulos realmente capazes de sensibilizar os alunos”, diz Sueli Cagneti, professora de Literatura Infantil e Juvenil da Universidade da Região de Joinville (SC). Elizabeth Serra, pedagoga e Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, concorda e acredita que a escola deve promover grupos de leitura entre professores, como parte de um projeto de formação continuada.

Leituras obrigatórias

As leituras obrigatórias parecem ser um recurso inevitável, já que as crianças precisam vivenciar determinadas experiências literárias ao longo da vida escolar. A escola deve procurar, no entanto, fazer dessas leituras algo prazeroso para a criança. A leitura obrigatória pode ser um bom instrumento pedagógico, permitindo que as crianças apresentem seus pontos de vista, diferentes interpretações e opiniões. “Na escola Grão de Chão, utilizamos, por exemplo, uma ficha de avaliação em que a criança diz se adorou, gostou ou não gostou da leitura. Com isso, ela aprende que um texto chato para um, pode ser divertido aos olhos de outro”, afirma Paula Ruggiero, Coordenadora Pedagógica da escola.

Quando for hora de apresentar os clássicos da literatura brasileira e mundial, o empenho em “conquistar” este novo leitor deve continuar.

“Por apresentarem uma linguagem elaborada e tratarem de assuntos por vezes complexos, os clássicos precisam ser mais trabalhados em sala, fazendo trocas de opinião, predição sobre acontecimentos, explicações paralelas sobre fatores históricos, maneiras de pensar da época, por exemplo”, afirma, Maria Cecilia Materon Botelho, diretora pedagógica da SEE-SAW/Panamby Bilingual School.

Nada de mensagens obrigatórias

Livro não tem uma única interpretação, uma mensagem absoluta, muito menos obrigatória de a criança encontrar, ler nas entrelinhas. “Mais do que apreender o conteúdo de uma história, um poema ou uma ilustração, a criança deve se apropriar das estratégias de aproximação com os textos e com a literatura”, diz Peter O’ Sagae, leitor crítico e editor do site Dobras da Leitura.

Fonte: Revista Crescer

O melhor exemplo é o dos pais

Fátima Guimarães
26 Out 2006

O estímulo à leitura deve começar cedo e incentivado sempre pela família e a escola. Na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, O POVO falou com especialistas em educação que alertam que o melhor exemplo deve partir de dentro de casa

Contar e ler histórias, presentear com livros, freqüentar espaços de leitura. São estratégias importantes na formação do leitor. E quanto mais cedo a criança for apresentada ao "mundo " dos livros, melhor. A escolha deve levar em consideração a faixa etária e para os pequenos são recomendados livros coloridos e com narrativas curtas.

Mas como incentivar o hábito da leitura? Para a autora do livro Cultivando um bom leitor desde o berço, Diane McGuinness, o melhor predicado é o desenvolvimento das habilidades da linguagem desde os primeiros cinco anos de vida. A especialista em psicopedagogia e arte-educação, Tâmara Bezerra, diz que primeiro é preciso aproximar a criança dos livros desde cedo para que se familiarize com as narrativas. "É importante apresentar a leitura como atividade prazerosa". Para os pequenos, são recomendados narrativas curtas e livros coloridos. Ela lembra que pode se contar que se tem na memória e ao ler histórias, apresentar o livro como sendo parte dessa história.

Para a psicopedagoga Cristina Rocha, a introdução à leitura pode partir da contação de história e estimular sempre à medida que a criança for crescendo. Nas livrarias existem títulos para todas as idades e a escolha deve obedecer a esse critério para que não perca o interesse pela leitura. "Não podemos trabalhar a leitura como obrigação, mas como prazer, de forma lúdica". Ela observa que além da leitura, pode-se estimular a dramatização, que a criança interprete o que leu.

Mestre em educação e doutor em sociologia, Luis Eduardo Távora Furtado Ribeiro, lembra que quanto mais cedo iniciar o gosto pela leitura, melhor. Ele, que é diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, ressalta que importante os pais lerem para as crianças, falar sobre boa leitura, apresentar reportagens interessantes. Segundo ele, isso também ajuda a aproximar os adultos da leitura. Luis ressalta que os benefícios de quem ler são muitos: "É bom para a espiritualidade, amplia os conhecimentos em todos os aspectos".

Mas se os pais querem que seus filhos sejam leitores, os especialistas em educação lembram que o exemplo deve partir deles. "Nada como o exemplo dentro de casa", alerta Cristina Bezerra. Os pais e a escola representam papel fundamental no processo de desenvolvimento da linguagem e no hábito de leitura. Formar o hábito de ler na adolescência é mais difícil, mas não impossível. Por isso, Tâmara Bezerra observa que a contação de história deve ser diariamente e em todas as faixas etárias. "Precisamos acabar com o mito que contar história é coisa para criança".

Serviço:
Livro: Cultivando um leitor desde o berço
Autora: Diane McGuinnes
Editora Record
Total de páginas: 320
Preço médio: R$ 37,90

COMO INCENTIVAR A LEITURA

- A introdução à leitura pode ser iniciada com a contação de história seja na hora de dormir, durante uma viagem.

- Na hora de contar histórias para os pequenos, devem ser escolhidas as narrativas curtas. Se for presentear, escolha os livros coloridos

- Para os bebês, tem livros de tecidos, plásticos que podem ser manuseados sem problema

- Os pais podem apresentar a leitura a partir do momento que a criança comece a falar

- É importante presentear com livros. A escolha deve ser feita com base na idade da criança.

- Os pais devem dar o exemplo, adquirindo bons livros, revistas, jornais e disponibilizando para todos de casa

- A família e a escola têm papel importante na formação do gosto pela leitura

- Estimule a leitura e depois peça para a criança contar a história, dramatizar, desenhar

- A tecnologia é importante, mas não deve substituir o prazer da leitura. Por isso, estabeleça horários para que a criança fique no computador, na televisão ou no vídeo game.

- Na ida ao shopping, aproveite para passar nas livrarias. Também é recomendado levar os filhos para bancas de revistas

- Se o hábito não for adquirido na infância, mais difícil será na adolescência. Porém, não é impossível

- Os pais devem apresentar diversos tipos de textos literários como crônicas, contos, cordel, poesia

- A leitura traz inúmeros benefícios como prazer espiritual, amplia os conhecimentos

Fonte: Psicopedagoga Cristina Rocha, Luis Távora Furtado Ribeiro, mestre em educação e doutor em sociologia, Tâmara Bezerra, especialista em psicopedagogia e em arte-educação

Fonte: jornal O POVO

Fraldas e livros

Julia Priolli novaescola@atleitor.com.br, colaborou Carol Salles

Acredite: não é perda de tempo ler para quem ainda nem aprendeu a falar. Conheça seis projetos voltados à primeira infância

Pequenos se divertem com livros-brinquedos na UME Doutor Luiz Lopes, em Santos, SP: projeto de leitura no berçário causou espanto no início, mas acabou sendo premiado. Quando a escritora de livros infantis Tatiana Belinky perguntou ao pediatra, nos idos de 1940, em que momento deveria começar a educar seu filho, então com 3 meses de vida, ouviu como resposta: "Você já está atrasada". Parece mera frase de efeito. O fato, porém, é que o doutor estava coberto de razão. Não há idade para dar início à educação de uma criança - e isso vale também para o incentivo à leitura.

Bebês podem até não entender todo o enredo de uma história, mas a leitura em voz alta os coloca em contato com outras dimensões das linguagens oral e escrita, que serão importantes em seu desenvolvimento. "Eles percebem que a fala do dia-a-dia é diferente daquela usada numa leitura, que tem cadência, ritmo e emoção. Entendem, por exemplo, que há um começo, um clímax e um desfecho", explica Fraulein Vidigal de Paula, doutora em Psicologia Escolar.
Especialistas acreditam que, para alguém se interessar por livros na vida adulta, é fundamental que a palavra escrita esteja ao seu alcance desde cedo. Ou seja: estimular a leitura dentro do berçário, com bebês que ainda nem aprenderam a falar, pode ser o caminho mais curto para a formação de um futuro leitor. "Manuseando um livro, eles são capazes de identificar a existência da grafia e passam a estabelecer uma relação direta com a linguagem escrita", afirma Fraulein. Pouco importa se a criança ainda não aprendeu a ler ou se o exemplar em questão é feito de papel, plástico ou tecido.

Eu recomendo

CLÁUDIA LEÃO, criadora do projeto Leitura no Berçário! Por Que Não?, de Santos, vencedor do prêmio Proler

"Para os bebês, a leitura de histórias que assustam é sempre boa sugestão. Os pequenos se entregam ao ritmo, à cadência e à entonação usadas pelo narrador. Melhor ainda se a criança já tiver capacidade de entender o enredo, ou pelo menos parte dele. Aí, ela se empolga de vez. Uma das figuras que mais provocam medo na primeira infância é o Lobo Mau, um clássico dos contos infantis. Por isso, todas as histórias com esse personagem são altamente recomendadas: Chapeuzinho Vermelho, Três Porquinhos, Pedro e o Lobo, entre outras. A Companhia Editora Nacional tem uma compilação belíssima de todos esses contos. E a obra é ilustrada por grandes artistas."

O GRANDE LIVRO DOS LOBOS, Vários autores, 120 págs., Companhia Editora Nacional, tel. (11) 2799-7799, 45 reais

É verdade que leitura para bebês pode assustar até professores. Foi o que descobriu a pedagoga Cláudia Leão, de Santos, no litoral de São Paulo. Em 2002, durante uma reunião com educadoras do berçário onde trabalhava, Cláudia propôs uma atividade de leitura. A idéia foi recebida com espanto e até um pouco de desdém. Mas Cláudia bateu o pé e, da sua teimosia, nasceu o projeto Leitura no Berçário! Por Que Não?. Àquela altura, a pedagoga não fazia idéia do que ainda estava por vir. Cinco anos mais tarde, em 2007, seu trabalho seria amplamente reconhecido e ela receberia um prêmio do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler).

"Manuseando o livro, os bebês são capazes de identificar a grafia e estabelecem uma relação direta com a linguagem escrita"

Para despertar a paixão pelos livros nos pequenos da UME Doutor Luiz Lopes, Cláudia usou uma estratégia muito simples: ela criou livros feitos de pano e feltro que têm, em todas as páginas, desenhos de bichos e fotos de cada um dos bebês, lado a lado, como se fossem personagens de uma história. Quando a criança se reconhece, ao virar uma página e encontrar a própria foto, ela se levanta e escolhe outro livro, trazendo-o de volta à roda de leitura para dar continuidade à brincadeira. "Mecanismos desse tipo levam-na a perceber que entre ela e o livro há uma distância mínima", diz Cláudia. Conforme crescem, tornam-se elas mesmas as contadoras de histórias.

Dicas de leitura

A CASA SONOLENTA, Audrey Wood, 32 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 20,90 reais

A ARCA DE NOÉ, Vinícius de Moraes, 64 págs., Ed. Cia. das Letras, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

MICO MANECO, Ana Maria Machado, 24 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 22,90 reais
EU GOSTO MUITO, Ruth Rocha e Dora Lorch, 16 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 17,90 reais
DE QUE COR VOCÊ É?, Corinne Albaut e Virginie Guérin, 12 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 49,90 reais

Leitura em família

São muitos os benefícios que o contato com livros, ainda na primeira infância, é capaz de proporcionar. Várias funções psicológicas podem ser desenvolvidas, entre elas a memória e a capacidade de estruturar as informações. A leitura em voz alta para uma criança de até 3 anos ajuda a despertar sua sensibilidade para diferentes formas da fala e ainda tem o efeito positivo sobre a chamada atenção seletiva - a capacidade de se desligar de outras fontes de estímulo, mantendo-se concentrada numa só atividade por períodos mais longos. Ler histórias também ajuda no desenvolvimento da noção de tempo. O bom e velho "era uma vez" carrega em si a idéia de algo que acontecia e já não acontece, apresentando à criança a existência do antes, do agora e do depois. "Com a prática da leitura, os bebês desenvolvem estruturas para a ordenar o mundo com base no critério de temporalidade", diz Fraulein Vidigal de Paula.
Na capital mineira, um projeto que estimula o envolvimento dos pais no incentivo à leitura tenta potencializar todas as vantagens que a proximidade com livros pode oferecer aos pequenos. E, assim como o Leitura no Berçário!, também vem colhendo bons resultados. Trata-se do Espaço de Ler, Direito de Todos, que foi implementado em nove creches e atende 950 crianças. Ele é mantido pelo Instituto C&A, que, por meio de seu programa Prazer em Ler, apóia iniciativas para a formação de leitores, com suporte do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Nas creches de Belo Horizonte, são realizadas mediações de leitura com as professoras e também com funcionários das lojas C&A, que participam como voluntários. A cada 15 dias, os próprios pais são convidados a ler histórias para toda a turma. Isso estimula os pequenos a levar livros para casa e continuar por lá a "brincadeira" de leitura com o resto da família.

Eu gostei

DAVID FELIPE GONÇALVES, 2 anos, ouviu muitas histórias no projeto Espaço de Ler, Direito de Todos
David gosta muito do livro Cadê Clarisse?, de Sônia Rosa. O motivo? As ilustrações são grandes e coloridas. "Ele não precisa entender as letras para entender a história", diz a mãe, Solange Cristina Gonçalves.

CADÊ CLARISSE?, Sônia Rosa, 18 págs., Ed. DCL, tel. (11) 3932-5222 , 16 reais

"Crianças, familiares e educadores participam ativamente do espaço das bibliotecas, coisa que não acontecia antes de implementarmos o projeto", diz Leandro Gomes, coordenador pedagógico da Creche Elizabeth Santos e integrante do conselho gestor do projeto. Outras atividades de incentivo à leitura são especialmente aguardadas pelos pequenos. Uma delas: eles podem escolher, entre vários livros colocados sobre a mesa, quais querem ler enquanto tomam lanche.
O Espaço de Ler, Direito de Todos é apenas um dos projetos que apostam na participação intensiva de pais e familiares para garantir o envolvimento das crianças com a leitura. Em Curitiba, outra iniciativa segue a mesma linha. Ela acontece na CEMEI Santa Izabel e tem por trás o Instituto Avisalá, de São Paulo, cujas principais ações se concentram na formação continuada de profissionais que trabalham com Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental.

Dicas de leitura

TRAQUINAGENS E ESTRIPULIAS, Eva Furnari, 32 págs., Ed. Global, tel. (11) 3277-7999 , 18,50 reais

QUEM PEGOU O PÃO DA CASA DO JOÃO?, Bia Villela, 24 págs., Ed. Paulinas, tel. (11) 5081-9333 , 13,80 reais

QUEM TEM MEDO DE CACHORRO?, Ruth Rocha, 24 págs., Ed. Global, tel. (11) 3277-7999 , 21 reais

UM PASSEIO COM A NUVEM SOFIA, Nicoletta Costa, 10 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 39,50 reais

HISTORINHAS DE CONTAR, Natha Caputo e Sara Cone Bryant, 128 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 39,50 reais

HISTÓRIAS COM POESIA, ALGUNS BICHOS E CIA., Duda Machado, 32 págs., Ed. 34, tel. (11) 3816-6777 , 18 reais

A pedagoga Andréia Bonatto, que planejou a atividade, explica: "Toda sexta-feira, as crianças voltam para casa com uma sacolinha de pano. Dentro dela vai um livro, que elas mesmas escolheram, e um caderno, com um bilhete solicitando aos pais que façam a leitura com o filho. Na segunda-feira, os pequenos trazem consigo o livro lido e o caderninho, com anotações feitas pela família sobre a experiência do fim de semana. Então, a professora lê em voz alta o que foi escrito".

O resultado é que, muitas vezes, além de querer recontar a história para os colegas, as crianças também anseiam por compartilhar suas próprias impressões sobre a leitura - exatamente como feito por escrito, no caderno. "A atividade os fez tornarem-se ávidos contadores de histórias. Toda segunda-feira é uma farra, porque cada um quer contar primeiro aquilo que leu no fim de semana", diz Andréia.

"Toda sexta-feira, as crianças voltam para casa com uma sacolinha. Dentro vai um livro, que elas mesmas escolheram"

Dicas de leitura

BEM-TE-VI E OUTRAS POESIAS, Lalau, 32 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 17,50 reais

A CASA DOS RATINHOS, Marie-José Sacré, 8 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 42,50 reais

DUAS DÚZIAS DE COISINHAS À-TOA QUE DEIXAM A GENTE FELIZ , Otávio Roth, 32 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 14,90 reais

O GRANDE RABANETE, Tatiana Belinky, 32 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-17-2002, 22,90 reais

FUTEBOL, TÊNIS... , Svjetlan Junakovic, 24 págs., Ed. Cosac Naify , tel. (11) 3218-1444 , 39 reais
A GIRAFA QUE COCORICAVA, Keith Faulkner, 12 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

Biblioteca-mirim

No primeiro ano de vida, o bebê aprende a chorar, comer, engatinhar... até andar. A velocidade da transformação é tamanha que, a cada semana, sua capacidade de compreender uma história muda completamente. É por isso que obras clássicas da literatura universal funcionam tão bem: por serem clássicos, são atemporais e emocionam sempre. Podem ser recontados inúmeras vezes, e é assim que os pequenos preferem. Eles gostam de se antecipar à página seguinte e contar o que vai acontecer naquela história. Por isso, ilustrações são especialmente importantes nos livros destinados à primeira infância. Nessa faixa etária, o texto é menos importante, pois as letras ainda não fazem sentido para a criança. O que realmente interessa são as formas e as imagens, além da expressão vocal e facial de quem lê para ela. Do mesmo modo que um bebê é capaz de dormir tranqüilamente ao som de uma doce canção de ninar, sem prestar atenção à letra, ele pode se emocionar escutando uma história que ainda não entende muito bem, só de prestar atenção na voz do contador.

Ao lidar com bebês ou crianças muito pequenas, descobre-se logo que qualquer atividade pedagógica tem prazo de validade. Se está vencida, é hora de mudar. Para driblar a dispersão natural, os momentos de leitura com pequenos de até 3 anos devem ser dinâmicos, com duração variável. Criatividade é a palavra de ordem. E um bom exemplo de abordagem criativa é o projeto Ler é Saber - Primeira Infância, idealizado por Ivani Capelossa, do Instituto Brasil Leitor.

"Entre uma diversão e outra, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os brinquedos. Não é o caso separá-los"

O projeto prevê a instalação de bibliotecas planejadas especialmente para crianças pequenas. Já existem 18 salas de leitura como essas em Centros de Educação Infantil espalhados pelo país. Dessas, nove concentram-se no município de Cubatão, a 57 quilômetros de São Paulo. Lá, quem manda são as crianças: as prateleiras são tão baixinhas que até um bebê, engatinhando, é capaz de alcançar os livros. Os móveis, também desenhados especialmente para o projeto, não têm quinas. O acervo de livros é composto por aproximadamente 400 títulos. Ainda assim, o espaço mais se parece com uma brinquedoteca, tamanha é a quantidade de outros objetos - entre fantoches, marionetes, bonecos e instrumentos musicais, dos mais variados. Tudo isso para tornar mais envolvente, dinâmica e fascinante a atividade de narração de histórias.
Entre uma diversão e outra, explica Ivani, os livros acabam se tornando tão atraentes quanto os próprios brinquedos. "Considero cada um daqueles objetos como parte do acervo da biblioteca", ela afirma. "Não é o caso de separá-los dos livros, pois eles estão relacionados. E uma educadora pode passar a tarde inteira desenvolvendo atividades com as crianças aqui, sem que a diversão se esgote."

Dicas de leitura

MEG, A GATINHA - MUDE A CENA!, Lara Jones, 10 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002 , 40,90 reais

OH!, Josse Goffin, 52 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3241-3677 , 39,40 reais

SEU SONINHO, CADÊ VOCÊ?, Virginie Guérin, 22 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 42 reais

XXII!! 22 BRINCADEIRAS DE LINHAS E LETRAS, Léo Cunha, 32 págs., Ed. Paulinas, tel. (11) 5081-9333 , 18,50 reais

TAMBORIM DÁ SEU ESPETÁCULO, Virginie Guérin, 16 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 45 reais
BRASILEIRINHOS, Lalau, 32 págs., Ed. Cosac Naify, tel. (11) 3218-1444 , 33 reais

Muita imaginação

Nem sempre se pode contar com salas de leitura tão aparelhadas quanto as de Cubatão. E, nesses casos, simples fantoches, marionetes e fantasias são meios de convidar as crianças a participar da história. É assim, com poucos recursos mas muita imaginação, que as mediadoras da creche do Projeto Âncora desenvolvem nos pequenos o amor pelos livros. O projeto, sediado em Cotia, a 34 quilômetros de São Paulo, existe desde 1995, dando a crianças e adolescentes da região a oportunidade de conhecer livros de boa qualidade literária.
O contato com a palavra escrita é estimulado em uma atividade batizada Porto da Leitura, coordenada pelas pedagogas do projeto. Os mediadores são adolescentes atendidos pelo Âncora. Eles recebem capacitação em mediação de leitura pelo A Cor da Letra, uma entidade com sede em São Paulo que desenvolve e acompanha projetos de literatura, juventude, educação, cultura e saúde. E quem escuta as histórias são os bebês, estimulados com brincadeiras relacionadas aos livros escolhidos. Maria de Nazaré Almeida Filho, educadora do Projeto Âncora, revela o segredo do sucesso das histórias: "Vale a pena preparar o ambiente antes da leitura, apagar as luzes, utilizar um cenário... Assim, é mais fácil prender a atenção dos pequenos. Se conseguimos mantê-los atentos por 20 minutos, já é uma vitória".

Na Creche Vovô Juca, em São Paulo, essa dificuldade parece ter sido superada. A instituição, sem fins lucrativos, atende famílias da região do Jardim Taboão. Atuando como voluntários do projeto Ler, Conviver e Aprender, os alunos de Ensino Médio e pré-vestibular do Colégio Universitário Taboão, em Taboão da Serra, na região metropolitana da capital paulista, conseguem a proeza de manter atentos, por duas horas seguidas, os 15 bebês mantidos pela creche.

Pitada Literária

Borboletas rabo-de-andorinha

Coloridas
Labaredas
Feitas
De seda.

Borboletas
Não batem as asas
Só para mostrar
Sua beleza.
Borboletas
Aplaudem
A Natureza.

BRASILEIRINHOS, Lalau, Ed. Cosac Naify
Idéia do professor Mauro Chiavassa, a iniciativa recebeu o selo Escola Solidária em 2007, concedido pelo Instituto Faça Parte. Para envolver as crianças na atividade de contação de histórias, os jovens mediadores de leitura se preparam cuidadosamente: em encontros semanais, sempre acompanhados de um coordenador, eles decidem qual obra literária será objeto de trabalho com os pequenos. A partir daí, desenvolvem uma série de atividades relacionadas à história.

Ler é importante porque...

• Para a formação de bons leitores, é fundamental que as crianças com até 3 anos de idade apreciem e valorizem a escuta e a leitura de histórias desde pequenas.
• A criança cria o hábito de escutar histórias, valorizando o livro como fonte de conhecimento e entretenimento.
• A escuta de histórias na escola oportuniza momentos prazerosos em grupo, enriquece o imaginário, amplia o vocabulário, além de familiarizar a criança com a leitura, uma prática valorizada pela sociedade.

Dicas de leitura

CARNEIRINHO, CARNEIRÃO, Marie Hélène Gregoire, 8 págs., Ed. Salamandra, tel. 0800-17-2002, 41,90 reais

MILA MIMOSA, Camila Moody, 20 págs., Ed. DCL, tel. (11) 3932-5222 , 29,90 reais

TODO MUNDO VAI AO CIRCO, Gilles Eduar, 36 págs., Ed. Companhia das Letrinhas, tel. (11) 3707-3500 , 27 reais

Fonte: Revista Escola

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A internet deve ser uma aliada na formação de leitores, diz Ministério da Cultura

Matéria do Terra, em 21/11/2009

Crianças e jovens entre 5 e 17 anos leem três vezes mais que os adultos, mas 45% afirmam que o fazem por obrigação. Apenas 26% consideram o hábito daleitura um prazer. Os dados, que estão na Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita em 2007 com 5.012 pessoas em 311 municípios, indicam que o jovem leitor não manterá o hábito da leitura depois de concluída a fase escolar. (…)

Na tentativa de ampliar o acesso ao livro e incentivar a formação de leitores, o Ministério da Cultura trata a internet como “aliada”. A modernização das bibliotecas públicas inclui a instalação de centros digitais. “Nada substitui o livro. Não vamos cair na armadilha de opor a internet ao livro. Mas, inevitavelmente, a internet leva o jovem ao universo da leitura e da escrita”, afirma o diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos.

(…) Para Fabiano dos Santos, é importante estimular a leitura de qualidade, mas a formação do hábito é fundamental. “Por isso, tratamos a internet como aliada”, afirma. “A leitura é fundamental para o desenvolvimento humano. É um elemento de inclusão social. Quem lê, amplia seus conhecimentos e sua capacidade de crítica. Ao fim de um livro, você não é mais o mesmo”, completou. (…)

Leia aqui matéria na íntegra.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Projeto: Bibliotecas Escolares - Palavras Andantes

Projeto de Leitura Bibliotecas Escolares: Palavras Andantes

Responsável:
• Rovilson José da Silva (fone: 3372-4103)
E-mail: bibliotecas.escolares@londrina.pr.gov.br

Área de abrangência:
Professores regentes de oficina de biblioteca das escolas municipais.

Proponente:
• Secretaria Municipal de Educação
• Coordenação do projeto de leitura da rede municipal

Período de execução do projeto:
De 2002 aos dias atuais.

Objetivo Geral:
• Estruturar o projeto de formação de leitores para as escolas de ensino fundamental (1º e 2º ciclos) cuja base esteja na formação continuada do professor que medeia a leitura na escola por meio da biblioteca escolar.
Objetivos específicos:
• Realizar semanalmente a Hora do Conto para cada turma matriculada nas escolas da rede municipal de ensino de Londrina.
• Efetuar empréstimos de livros, no mínimo, uma vez por semana para cada aluno.
• Reestruturar a biblioteca escolar arquitetônica e pedagogicamente.
• Ampliar o acervo das bibliotecas escolares.

Descrição:
O projeto de leitura Palavras Andantes é desenvolvido nas 80 escolas da rede municipal de ensino, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Semanalmente, os mais de 30 mil alunos matriculados nas escolas municipais têm, no mínimo, uma Hora do Conto.
Todos os alunos são incentivados frequentar a biblioteca da escola e a emprestar livros para a leitura. Além disso, em geral, as escolas mantêm a biblioteca aberta durante o recreio para leitura e empréstimos.

Fonte: Prefeitura de Londrina