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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Os “ratinhos de biblioteca” viram exemplo para o país

Tatiana Duarte

A taxa de leitura entre os pequenos é superior à de adultos, aponta pesquisa. A média entre 5 e 10 anos fica em 6,9 livros por ano.

acervo de títulos lidos por André Vinícius Zicka Schmidt é digno de dar inveja a qualquer adulto acostumado com o mundo das letras. Com 6 anos, o menino contabilizou a leitura de 154 livros. Ele lê desde os 4 anos e neste período a sua média de leitura foi sete vezes maior do que a observada nesta faixa etária. Segundo a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, entre os 5 e 10 anos de idade, a criança brasileira lê, em média, 6,9 livros por ano. No caso de André, essa média sobe para 51,3 livros por ano.

O menino se destaca também pela complexidade de suas escolhas. Entre as obras lidas por André, nem todas são classificadas como literatura infantil. A façanha literária colocou André como o mais jovem brasileiro a concluir o módulo de Língua Portuguesa do método Kumon. De acordo com a gerente da filial Curitiba do Kumon, Márcia Augusta Torres, alguns adultos não conseguem concluir essa etapa. “O adiantamento do André é comparável a oito anos escolares”, diz.

Desafio

Gostar de ler não é incomum no universo infantil. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, as crianças leem mais que os adultos. Juntos, os gêneros “Li­­te­ratura Infantil” e “Livros Di­­dáticos” representam 66% na escolha dos leitores brasileiros. O estudo feito no ano passado é o último desse tipo divulgado no país.

De acordo com a gerente de projetos do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla, o maior desafio é fazer com que as pessoas continuem a ler após a idade escolar. “A literatura como disciplina da escola é um ganho pedagógico, mas os educadores devem ter o cuidado de fazer com que a leitura ocorra de forma prazerosa”, diz.

No caso da pequena Giordana Zanetti Silva, 10 anos, a diversão veio aliada à responsabilidade. De tanto gostar de ler, a menina foi apelidada de “ratinha de biblioteca” pelos colegas da escola e passou a ser referência de leitura em sala de aula. A influência foi tanta que Giordana foi convidada por uma editora para avaliar o conteú­­do dos livros traduzidos que serão lançados. Ao menos uma vez por mês, Giordana vai até a editora palpitar sobre a capa, imagens e, principalmente, sobre o texto dos livros a se­­rem lançados dentro da categoria infanto-juvenil. “Acho legal. Gos­­to de ler. Minha mãe contava his­­tórias para mim desde quando eu tinha 4 anos. Comecei a ler livros com poucas páginas, de­­pois fui aumentando. Leio mais ou menos três li­­ vros por semana”, diz.

De casa

Crianças que têm hábito de leitura geralmente seguem a influência que recebem dos pais, de algum parente ou até mesmo do professor. No caso dos gêmeos Danilo e Vinícius Ferreira, 8 anos, o gosto pela leitura veio com indicações dadas por um primo, Vítor, de 10 anos, que mora em Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo. “Ele lia bastante, falava que era legal e a gente começou a se interessar”, conta Danilo.

O hábito ganhou um empurrãozinho dos pais, que presenteiam os meninos com pelo menos um livro por mês. A quantidade não é suficiente, segundo relata a mãe dos gêmeos, a funcionária pública Odisséia Lobrigatte Ferreira, 40 anos. “Os dois são verdadeiros devoradores de livro. Em um ou dois dias, eles leem um livro inteiro”, diz. Cada um tem preferências diferentes. Danilo tem gosto bem eclético. Já Vinicius gosta mais do gênero suspense. “As escolhas deles nem sempre estão dentro da faixa etária. Mas leio tudo antes para ver se é adequado”, diz Odisséia.

André e Giordana também foram incentivados em casa, antes de se tornarem leitores vorazes. André é sempre presenteado pelos parentes com livros e revistas. Já Giordana escutava e observava as histórias contadas pela mãe, a enfermeira Marli Vieira Zanetti Silva, 42 anos, desde pequenininha. “Agora ela é a maior incentivadora de seus colegas de escola”, comenta a mãe.

Na opinião da professora de Redação Doralice Araújo, mestre em Metodologia de Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), quando o incentivo à leitura ocorre dentro de casa, é muito difícil que essa criança deixe o hábito de lado, mesmo depois de acabada a idade escolar. “Essa fome, voracidade pela leitura, vem do exemplo que as crianças têm em casa”, diz.

Estímulo



Veja algumas dicas para estimular seu filho a tomar gosto pela leitura:

Ambiente

> Crie ambientes favoráveis à atividade. Deixe livros próximos à cama, revistas e jornais no banheiro e na sala. Uma iluminação adequada é essencial. Cuidado ainda com o silêncio.

Exemplo

> Seja exemplo de leitura. Pais, professores e outros adultos mais próximos da criança que se mostram leitores apaixonados são modelos a serem seguidos.

Escolas

> Escolas onde há bibliotecas fartas e livros dentro da própria sala de aula estimulam o hábito da leitura. Além disso, é preciso criar tempos específicos para estimular o contato das crianças com os livros.

Estímulo extra

> Presenteie as crianças com livros ou assinaturas de revistas de histórias em quadrinhos. Sempre procure a indicação de idade e, quando possível, veja a obra antes de entregá-la à criança.

Passeios

> Leve os pequenos desde cedo às bibliotecas, estimule a confecção das carteirinhas e empréstimos de livros. Também é recomendável levar os pequenos aos espaços onde há contadores de histórias, como em shoppings.







Fonte: Gazeta do Povo

Ações de incentivo à leitura crescem no país

Na tentativa de reverter o baixo interesse dos brasileiros pelos livros --fato apontado em pesquisas do setor--, iniciativas tanto públicas quanto privadas de incentivo à leitura se multiplicam pelo país.

O movimento pode ser medido pelo número de ações cadastradas no Plano Nacional do Livro e Leitura, articulado pela União, mas que possui a participação dos Estados e municípios e da sociedade civil.

Lançado em março de 2006, o programa praticamente dobrou o número de iniciativas cadastradas em um ano, de 162 para 306. Há outras cem ações ainda sob análise da coordenação do plano.

Além disso, o prêmio VivaLeitura (promovido pelo governo federal e pela Organização dos Estados Ibero-Americanos, patrocinado e realizado pela Fundação Santillana) recebeu 3.031 projetos em 2006, que estão sendo sistematizados e também poderão ser incluídos no plano nacional.

As diversas ações visam reverter a atual situação da leitura no país: o brasileiro lê, em média, 1,8 livro por ano, segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro e de entidades ligadas a editores. Na França, o índice é de 7, e na Colômbia, de 2,4. Além disso, cerca de 10% das cidades do país não têm bibliotecas públicas.

O Plano Nacional do Livro e Leitura visa integrar ações que vão desde o programa da União de distribuição de livros didáticos para o ensino básico, que consome R$ 571 milhões, até projetos não-governamentais como o do Instituto Ecofuturo ("Ler é Preciso"), que premia crianças e jovens em concursos de redação, além de doar bibliotecas comunitárias.

No total, o plano deverá contar neste ano com mais de R$ 800 milhões. Só as ações da iniciativa privada movimentarão R$ 38 milhões. "Existem muitas iniciativas de incentivo à leitura no país, mas elas estavam desarticuladas, o que causa uma perda de recursos financeiros e humanos", afirma José Castilho Marques Neto, secretário-executivo do plano.

Apesar do crescimento no número de ações, Marques admite que o número é insuficiente. Para ele, a situação será satisfatória quando chegar a mil iniciativas cadastradas.

Além de melhorar a articulação entre as ações, o projeto permitirá a identificação das áreas onde não há programa de incentivo à leitura, que terão de ser prioritariamente atendidas em projetos futuros.

Algumas das iniciativas adotadas no plano são os prêmios que incentivam a leitura. O do Instituto Ecofuturo, por exemplo, distribui livros e computadores para os 60 finalistas, além de instalar uma biblioteca comunitária num local indicado pelos premiados.

Na edição 2005-2006, houve 21 mil redações inscritas. A expectativa para este ano é receber 50 mil textos. "É fundamental criar condições para que as pessoas compreendam o que lêem e consigam se expressar", diz Christine Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto Ecofuturo.

Outra iniciativa grande é o Prêmio Vivaleitura. O objetivo é estimular e reconhecer as melhores ações relacionadas à leitura no país. Na sua primeira edição, no ano passado, o vencedor de cada uma das três categorias recebeu R$ 25 mil.

Fonte: Folha on-line

Livro precisa ser um vício

O segredo com crianças de 7 a 9 anos, segundo a escritora, é não forçar a barra

Mais de 40 títulos para crianças e adolescentes estão no currículo da escritora Fanny Abramovich, que também já esteve "do lado de cá" da sala de aula: ela foi professora de Educação Infantil e arte-educadora por mais de 30 anos. Seus primeiros livros instigavam professores a repensar seu papel, como em Que Raio de Professora Sou Eu (Ed. Scipione). Hoje, no entanto, é ficção o que ela mais gosta de escrever.

Como estimular a leitura entre crianças de 7 a 9 anos?
FANNY ABRAMOVICH Contar histórias com paixão e não forçar a barra são formas de estimular a leitura. Muitos alunos meus, de 40 anos atrás, já me encontraram pela vida e ainda lembram do jeito como eu contava histórias. Eles não esquecem porque isso os marcou. Ler não pode ser hábito, tem de ser vício. E contar histórias, ler para as crianças, ajuda a "viciá-las".

Por que nessa idade histórias de terror fazem tanto sucesso? O que exatamente mobiliza o interesse delas por esse tema?
FANNY Não acho que sejam apenas histórias de terror que interessam às crianças nessa faixa etária. Elas gostam de ler histórias engraçadas, tristes, de suspense, de comédia... O que realmente as prende é a emoção. Mas os monstros representam o medo das crianças, e talvez por isso algumas gostem tanto desse gênero literário.

A criança dos anos 1970 não é a mesma de hoje. O que mudou? O que elas liam há 30 anos? Liase mais naquela época?
FANNY Boas histórias atraem as pessoas através dos tempos. Não me consta que as pessoas deixaram de gostar das histórias da Bíblia ou de fadas. E não acredito que apenas as crianças lêem menos. No sistema escolar, quem está lendo menos são os educadores. E eles infl uenciam bastante a leitura junto à garotada. Hoje, criam-se salas especiais de leitura, com professores especializados, cursos de mediação de leitura e mais uma série de recursos. Nesse processo, aquilo que era uma "simples gostosura" - sentar no chão e contar histórias - acaba se perdendo.

O que mais atrai em sua obra?
FANNY Meus livros fazem sucesso porque são engraçados, não têm lição de moral e são escritos em linguagem coloquial. Mas faz apenas dez anos que escrevo para o público infantil. Antes, eu escrevia para jovens e, antes ainda, para educadores. Escrever para crianças não é fácil. É preciso ritmo e poesia, além de saber contar uma história com poucas palavras.

Fonte: Revista Escola

Educar é contar histórias

Texto
Claudio de Moura Castro

Bons professores eletrizam seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar

De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.

Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa.

Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias. Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Row-ling. Eles é que sabem.

Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando apresentadas a sangue-frio: "Seja X a largura de um retângulo...". De fato, não se aprende matemática sem contextualização em exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula e propor a seus alunos: "Vamos construir um novo quadro-negro. De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E de quantos metros lineares de moldura?". Aí está a narrativa para ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a amperagem, pois em um cano "grosso" flui mais água. Aprendidos esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.

É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas - até que apareçam outras mais eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos.

Fonte: Veja

Brasileiro não gosta de ler?

Texto
Lya Luft

A meninada precisa ser seduzida. Ler pode ser divertido e interessante, pode entusiasmar, distrair e dar prazer

Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim, alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina um documento que conseguiu ler e... entender. A imensa maioria dos ditos meramente alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos - um dado melancólico para qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz parte de ser gente.

Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras. Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda imaturos.

Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.

O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce, fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso, mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio, como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros, mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem lhe foi aberta.

Fonte: Edição 2125 - Revista VEJA

A importância da leitura

Texto
Redação Educar


Como incentivar seu filho a ler e a ter amor pelos livros

Pesquisas do mundo todo mostram que a criança que lê e tem contato com a literatura desde cedo, principalmente se for com o acompanhamento dos pais, é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende melhor, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor de forma geral. "Por meio da leitura, a criança desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire cultura, conhecimentos e valores", diz Márcia Tim, professora de literatura do Colégio Augusto Laranja, de São Paulo (SP).

A leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da escrita. A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a alfabetização e ajuda em todas as disciplinas, já que o principal suporte para o aprendizado na escola é o livro didático. Ler também é importante porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras.

Quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida. Isso quer dizer que o contato com os livros pode mudar o futuro dos seus filhos. Parece exagero? Nos Estados Unidos, por exemplo, a Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children’s Reading Foundation) garante que, para a criança de 0 a 5 anos, cada ano ouvindo historinhas e folheando livros equivale a 50 mil dólares a mais na sua futura renda.

Então, o que está esperando? Veja nossas recomendações e estimule seu filho a embarcar na aventura que só o bom leitor conhece. Você pode encontrar boas dicas de livros em nossa biblioteca básica de leitura!

Para ler, clique nos itens abaixo:

Quais são os benefícios da leitura?

Segundo o Ministério da Educação (MEC) e outros órgãos ligados à Educação, a leitura:

Desenvolve o repertório: ler é um ato valioso para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. É uma forma de ter acesso às informações e, com elas, buscar melhorias para você e para o mundo.

Liga o senso crítico na tomada: livros, inclusive os romances, nos ajudam a entender o mundo e nós mesmos.

Amplia o nosso conhecimento geral: além de ser envolvente, a leitura expande nossas referências e nossa capacidade de comunicação.

Aumenta o vocabulário: graças aos livros, descobrimos novas palavras e novos usos para as que já conhecemos

Estimula a criatividade: ler é fundamental para soltar a imaginação. Por meio dos livros, criamos lugares, personagens, histórias…

Emociona e causa impacto: quem já se sentiu triste (ou feliz) ao fim de um romance sabe o poder que um bom livro tem.

Muda sua vida: quem lê desde cedo está muito mais preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida.

Facilita a escrita: ler é um hábito que se reflete no domínio da escrita. Ou seja, quem lê mais escreve melhor.

Quando começar a ler para meu filho?

O quanto antes. As pesquisas mostram que quem começa a ler cedo tem mais chances de se tornar um leitor assíduo. Mostram também que o contato com narrativas melhora o futuro desempenho da criança. Por isso, leia - ou conte as histórias que você conhece - para seu filho desde bebê. É importante usar a entonação e a emoção!

Como incentivar meu filho a ler?

Pequenos passos, como deixar os livros ao alcance das mãos e ler pelo menos 20 minutos por dia, fazem toda a diferença. Algumas dicas práticas:

Dê o exemplo e leia você também. É bom para você e excelente para seu filho, que seguirá seu modelo naturalmente.

Deixe os livros à mão para ele folhear e inventar histórias. Livros têm de ser vividos, usados, não podem parecer objetos sagrados.

Reserve um horário para a leitura e transforme em um momento de prazer. Aconchegue-se com seu filho, leia para ele, mostrando as palavras. Quando ele crescer, ajude-o na leitura.

Frequente livrarias e bibliotecas. Dê livros, gibis ou revistas de presente.

Comente sempre o livro com ele. Incentive-o a falar da história e contá-la para outras pessoas.

Empreste livros para os amiguinhos dele. Estimule a troca e as conversas.

Estimule atividades que usem a leitura - jogos, receitas, mapas

Como escolher um livro para meu filho?

Livros com temas atraentes e linguagem adequada para cada idade são garantia de diversão. Para conquistar os pequenos leitores, é preciso recomendar livros pelos quais eles se interessem. Tomando o cuidado, claro, de escolher obras que proponham algum tipo de reflexão e que sejam bem escritas”, diz Ana Elvira Casadei Iorio, professora do Colégio São Luís, de São Paulo (SP).

Cuidado para não forçar a barra - nunca obrigue a leitura nem indique obras impróprias para a sua faixa etária. “Se começarmos exigindo que eles leiam livros mais sérios e pesados, podemos perder o leitor, completa a professora.

Por que é importante que eu leia para o meu filho?

Antes de mais nada, porque isso vai estreitar o vínculo familiar... Afinal, trata-se de uma experiência compartilhada. Lendo, você ri e se emociona, mostra à criança seu lado humano e capta os sentimentos dela. Quem não se lembra da cena do filme "ET - O Extraterrestre" em que a mãe lê "Peter Pan", clássico de James M. Barrie, para a pequena Drew Barrymore: "Se você acredita em fadas, bata palmas!". E as duas batem palmas animadamente. Só Spielberg para mostrar tão bem esse momento de intimidade e alegria em família.

Quanto tempo eu devo ler para meu filho?

Nos Estados Unidos, são muitas as campanhas pró-leitura. Uma delas, da Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation, www.readingfoundation.org), que reúne instituições voltadas à disseminação da leitura, tem um slogan que diz muito em poucas palavras: “Leia com uma criança. São os 20 minutos mais importantes de seu dia”. Ou seja, não é preciso ler por muito tempo, mas é importante inserir a leitura na rotina da criança e da família.

Como deve ser a leitura para crianças pré-alfabéticas?

Compartilhar uma história já é uma forma de leitura. "O fato de a criança ainda não saber ler convencionalmente não significa que não possa presenciar das mais variadas situações de leitura", explica Clélia Cortez, coordenadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo (SP). Nesta situação, o adulto é um mediador entre a criança e o livro, ou seja, é ele quem lê para ela, de preferência com entonação e emoção. "Neste momento, o que interessa é o prazer pela leitura e o afeto que envolve o momento", reforça Clélia Cortez.

Muitos dos livros para crianças em fase de pré-alfabetização são verdadeiros brinquedos. Coloridos e dobráveis, eles são muito lúdicos, o que estimula o gosto pelos livros. "Desde pequenas, as crianças devem se sentir motivadas a ler. Elas precisam perceber a leitura como um desafio interessante e prazeroso", completa Clélia Cortez.

Como escolher um livro para crianças?

É importante atentar para a adequação entre a idade da criança e a faixa etária indicada no próprio livro. Indicações de parentes, amigos e principalmente, educadores, ajudam - e muito. É válido considerar também os temas que interessam mais aos pequenos leitores. Outro aspecto fundamental é apresentar às crianças narrativas simples, porém ricas - afinal os textos precisam ter vocabulário acessível, mas não podem subestimar o pequeno leitor. "Embora possa ser menor, a narrativa tem uma riqueza na construção da linguagem, até porque as crianças dessa idade estão em processo de construção da oralidade e precisam ter boas referências. A linguagem está relacionada com o pensamento, por isso a importância de oferecer ricas narrativas", diz Clélia Cortez, coordenadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo (SP).

Como escolher um livro para adolescentes?

Para os mais velhos, vale a pluralidade de gêneros literários e finalidades - livros para divertir, para imaginar, para conhecer outras culturas, para estudar; livros que abordem valores e boas atitudes, que tenham personagens com os quais eles se identifiquem. O principal é, de novo, que tragam boas referências. "É nessa fase que os alunos estão começando a produzir seus próprios textos", diz a Lara Pecora Polazzo, professora do Colégio Santa Maria, de São Paulo (SP).

A leitura ajuda a aumentar o vocabulário?

Sim, a leitura ajuda a aumentar o vocabulário, pois familiariza a criança com a palavra escrita e, de quebra, ajuda a fixar a grafia correta das palavras e a construção harmônica das frases.

Textos com estrutura de repetição costumam ser muito apreciados pelas crianças. São fáceis de memorizar e ainda possibilitam a identificação das palavras repetidas, o que é importante para a alfabetização. "Ao acompanhar a leitura das palavras de um livro, a criança, mesmo que ainda não seja alfabetizada, vai sendo introduzida no mundo das letras", afirma Célia Cortez, coordenadora pedagógica do Colégio Vera Cruz, em São Paulo (SP).

Como diferenciar um livro ruim de um bom?

Em tese, toda leitura é bem-vinda. Ter contato com obras de diferentes estilos é fundamental. "Livros para divertir, para imaginar, para conhecer outras culturas, para estudar; livros que abordem valores e boas atitudes, que tenham personagens com os quais as crianças se identifiquem", afirma Lara Pecora Polazzo, professora do Colégio Santa Maria, de São Paulo (SP). Por isso, não há problemas em ler com interesse - compulsão, até - best-sellers como Crepúsculo ou Harry Potter. Mas os pais têm obrigação de intermediar o contato do filho com outras experiências literárias. "A orientação de um leitor mais experiente é muito importante", diz Neusa Sallai, professora do Colégio Rio Branco, de São Paulo (SP).

É importante que eu mesmo leia?

Sim, pois o hábito da leitura é contagiante. Se os pais, volta e meia, ficam quietinhos, mergulhados num bom livro, a criança com certeza receberá a mensagem: ler é gostoso. Por isso, dê o bom exemplo. A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", publicada pelo Instituto Pró-Livro em 2009, indica que, 55% dos entrevistados que não lêem nunca viram os pais lendo e 86% nunca foram presenteados com livros na infância. Precisamos mudar isso!

Quer que seu filho leia mais? Então faça o mesmo e comece a substituir alguns momentos em frente à TV pela leitura.

Sempre que estiver lendo um jornal, chame seu filho para ver algo interessante que você encontrou. Pode ser uma tirinha engraçada, uma imagem ou uma notícia do interesse dele.

Não sabe que programas fazer com as crianças? Frequente livrarias. Deixe seus filhos folhearem os livros, leia histórias para eles e, quando possível, leve algum para casa. E, mesmo que você possa, não compre muitos num só dia. Procure manter o hábito de voltar lá outras vezes e levar um por vez.

Quantos livros meu filho deve ler por ano?

Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), cada brasileiro lê pouco mais de dois livros por ano. Na Inglaterra, que tem um dos melhores sistemas de ensino do mundo, a média chega a cinco livros anuais. Que tal acompanhar o ritmo dos ingleses ou, até mesmo, superá-lo?

Eu não tenho dinheiro para comprar livros. O que faço?


Para quem não compra livros porque são caros, é hora de abandonar a desculpa: a maioria dos brasileiros não precisa, necessariamente, gastar aos montes nas livrarias. Segundo dados do IBGE, 85% dos nossos municípios possuem bibliotecas públicas e bem equipadas! Acostume-se a frequentá-las com o seu filho e mostre quanta coisa interessante ele pode descobrir com os livros.

Fonte: Educar para crescer

Ler para crer











Texto: Juliana Bernardino e Cynthia Costa

No páreo com outros canais de comunicação, a leitura continua linda. Além de divertir, o fã-clube garante: ler fortalece as emoções, estimula a imaginação e ajuda você a se conhecer melhor.

"A leitura tem o poder de ativar os nossos sentimentos, nos exercita para a compaixão e também desperta em nós a sólida certeza de que podemos melhorar", João Carrascoza, escritor

"Um livro lido é uma aventura vivida", Ezequiel Theodoro da Silva, escritor

Livraria virou point. Um espaço ultracontemporâneo em que livros convivem com CDs, DVDs e revistas na maior harmonia. Poltronas confortáveis convidam a sentar e curtir seus títulos prediletos. Um cafezinho? Fique à vontade. Parece que em meio a tantas histórias, a urgência que rege nosso cotidiano dá um tempo e nos libera para perambular entre as prateleiras, livres enfim de qualquer objetividade. Quem sabe esteja aí a explicação do sucesso das megalojas que se multiplicam nas grandes cidades. "A livraria inspira um desejo de crescimento. Em geral, as pessoas entram sem saber o que querem e ficam muito mais tempo do que haviam planejado", conta Samuel Seibel, proprietário da Livraria da Vila, em São Paulo. A clientela é sortida e reúne toda gama de tribos e gerações, inclusive os internautas mais afoitos. Seibel explica a sobrevivência do livro neste século de tantas tecnologias pelas particularidades que o tornam insubstituível: "O cheiro, a portabilidade, o fato de você poder anotar, dobrar, cuidar, possuir, segurar fazem do livro um veículo único".


Prazer para poucos
Quem observa essa cena pode até pensar que o brasileiro é tão apaixonado por livros quanto o francês, que consome em média 25 títulos por ano. Ledo engano. Segundo dados do estudo Retratos da Leitura no Brasil, realizado em 2007 pelo Instituto Pró-Livro, esse número no país não passa de cinco. "Uma sociedade leitora tem relação direta com uma sociedade educada", avalia Ezequiel Theodoro da Silva, colaborador voluntário da Faculdade de Educação da Unicamp e autor de O Ato de Ler (Cortez) e Leitura na Escola (Global). Ele lamenta que a educação do país esteja parada no tempo, em grande parte devido a um sistema precário de alfabetização. "Sem leitura, não há educação", arremata. Uma pena, especialmente num momento de mudanças em que a sociedade precisa de maior mobilização. Uma pessoa que lê conhece melhor os seus direitos, torna-se mais consciente dos problemas do mundo e tem mais condições de discutir ideias, enxergar soluções. Pudera: já viajou por muitas culturas, ‘conversou’ com especialistas de todas as áreas, foi estimulada a ver a vida de diferentes pontos de vista, tornando-se um cidadão mais atuante.


No divã
Se a comunidade se beneficia do cidadão-leitor, o próprio indivíduo também sai ganhando. Quer saber mais sobre você mesma? Então leia! Romance, ficção, biografia, conto, poesia, autoajuda - não importa o gênero, ler é uma das ações mais decisivas na busca do autoconhecimento. Nas palavras do escritor João Carrascoza, autor de O Volume do Silêncio e Dias Raros, a leitura é um portal de acesso a inúmeros universos que possibilitam a conexão com o nosso próprio eu. Segundo ele, quando lemos, amadurecemos nossas emoções, fortalecemos nosso poder de decisão, definimos e redefinimos nossos valores. "O livro nos faz vagar entre dois mundos: o enredo criado pelo autor e a nossa experiência pessoal", avalia o escritor, que aposta na estimulação intelectual e psicológica que essa experiência propicia.

Theodoro da Silva defende que, como seres sociais, nosso desenvolvimento ocorre na interação com o outro, seja no contato pessoal, seja por meio dos canais de comunicação, como o livro. "Ao visitar um texto, dialogo com os personagens e cada um deles ajuda a fortalecer minhas emoções", confessa o educador. Quem já descobriu o prazer da leitura concorda. "Cada livro que leio me faz aprender um pouco mais sobre mim mesma, num processo de identificação ou projeção baseadas nas histórias e experiências vividas pelos personagens", relata a paulistana Luciene Bottiglieri, profissional de marketing que, no último ano, consumiu mais de 15 títulos. "Ler me traz a sensação de paz", acrescenta. "Pode não haver uma lógica ou um estudo que comprove tais aquisições, mas acontece com a maioria dos leitores: quando chegamos à última página de um bom livro, nos sentimos pessoas melhores", conclui.

Fonte: Educar para Crescer

Estudo comprova que criança que lê mais escreve melhor











Está comprovado que as crianças que lêem e escrevem mais são melhores na leitura e na escrita. E escrevendo posts de blogs, atualizações de status, mensagens de texto, mensagens instantâneas, e todas as coisas semelhantes, motivam crianças a ler e escrever.

No mês passado, o "The Nacional Literancy Trust", Fundo Nacional de Alfabetização do Reino Unido, divulgou o resultado de uma pesquisa com 3 mil crianças. Eles observaram a correlação entre o engajamento das crianças com as mídias sociais e seu conhecimento da leitura e da escrita.

No resultado eles perceberam que as mídias sociais têm ajudado as crianças a se tornarem mais literatas. Além disso, a Eurostat, organização estatística da Comissão Europeia, recentemente publicou uma matéria mostrando a correlação entre educação e atividade online, que indicou que a atividade online aumentou com o nível de atividade formal (os fatores sócio-economicos estão, é claro, influenciando potencialmente).

Fonte: Folha On-line

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A importância de contar histórias: Saiba como incentivar seu filho a gostar de ler


Nada melhor do que reservar um tempo calmo para ler com o seu filho

Durante a infância, as histórias contadas colaboram com a espontaneidade, o poder de imaginar, criar e produzir. Mesmo que a criança ainda não seja alfabetizada, o hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo, mesmo que os pequenos ainda não conheçam o significado de todas as palavras e não captem totalmente a mensagem da história.

Segundo a educadora Lívia Lombardo, graduada em letras e jornalismo, a prática reflete na educação e no caráter da criança. "Mostrar ao filho que a leitura é algo gostoso e divertido é o passo inicial".

Soraia Melo, coordenadora da ONG Proeco (Projeto Educacional de Conscientização e Orientação) e contadora de histórias, fala que ao escutar uma história, a criança cria uma nova realidade para sua vida. "Ela passa a se colocar nos mais variados papéis sociais, sem medo ou pudor do que os outros possam achar. E é na infância que a pessoa vai executar essa tarefa da melhor forma."

Na ONG Proeco, os educadores observaram que as crianças que mais emprestam livros da biblioteca da instituição foram as mesmas que passaram mais tempo nas oficinas de contação de histórias. A contadora recorda da experiência com Kawany, 11, que entrou no projeto há quatro anos e sempre participou das oficinas de leitura. "Ela foi uma das principais colaboradoras na pesquisa e produção do livro que está em fase de conclusão e registra as experiências com a leitura e comunidade onde moram."

Soraia diz que direciona as oficinas de mediação de leitura de acordo com a idade das crianças da turma. Com os menores, o primeiro contato com o livro e a leitura é pelas cores e imagens e a interpretação feita a partir das referências que eles trazem de casa. "É uma das fases mais prazerosas", diz a coordenadora. Já com os mais velhos, de 7 a 11 anos, a leitura já explora outros contextos como a realidade local.

Com os jovens a resistência é muito maior, pois a maioria não teve nenhuma referência de incentivo na escola ou em casa. "A estratégia é abordar, por meio da leitura de livros de literatura infantil e infanto juvenil, revistas e jornais temas que eles têm interesse", explica a contadora.

Para estimular o gosto pelos livros

Crianças com o hábito de ler falam melhor, são mais criativas e tem mais facilidade para se expressar. Além disso, elas se destacarem nas demais atividades da escola. Saiba como introduzir a leitura na vida de seu filho.

O momento certo
É importante que nem você nem a criança estejam entretidos com outra atividade. Segundo Lívia, a mãe ou o pai deve perguntar ao filho se ele quer ouvir uma história. Se a resposta for negativa, não insista. "Esse tem de ser um momento prazeroso para ele", aconselha.

Livro interessante
A criança deve opinar sobre a história que quer ouvir. "Se achar que o livro escolhido é muito grande ou tem pouco interesse, proponha-lhe outro até sentir que a sua proposta agrada", diz Lívia.

Local apropriado
Procure um local tranqüilo para que a criança não tenha sua atenção desviada. Sente-se com ela e vejam juntos o livro e as ilustrações.

Estímulo
Enquanto estiver lendo, acompanhe com o dedo as linhas do livro. Isso garantirá que a criança preste atenção nas palavras, mesmo que não as entenda. Lívia fala para os pais pronunciem claramente e façam pausas. "Pergunte o que acha que vai acontecer a seguir, pois isso estimula a imaginação e o interesse pela leitura".

Hora de parar
Caso a criança mostre sinais de cansaço, interrompa a leitura. Não a force a ouvir a história por mais tempo que deseja. Se o livro ainda não estiver acabado, continue depois.

Discussão
Quando acabar de ler, converse sobre a história, os personagens que a criança mais gostou e sobre os pontos que achou mais interessante.

Fonte: http://delas.ig.com.br/filhos/a+importancia+de+contar+historias/n1237532969773.html