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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Bibliotecas têm papel essencial para estimular leitura no país

Christine Castilho Fontelles

Especial para o UOL

"Não entendi nada!". Um número expressivo de pessoas, jovens e adultos, vive cotidianamente este tormento de efeito paralisante diante de uma bula de remédio, de um trecho de texto jornalístico, do assunto de uma prova, de uma mensagem qualquer, uma opinião, um poema.

Não nascemos sabendo e nem gostando de ler, por isso é preciso educar para ler desde a primeira infância, ler gêneros diversificados, ler literatura. E, sim, a biblioteca é a casa do leitor e suas portas devem estar escancaradas para ele!

Afinal, pra que serve a biblioteca? A biblioteca pública aberta à comunidade é o lugar por excelência para termos acesso gratuito aos recursos e atendimento  para que possamos fazer nossas consultas, empréstimos, pesquisas e nos tornarmos leitores.

Educar para ler é uma missão que requer esforço, concentração e criatividade, principalmente em uma época com excesso de informações midiáticas e escassez de tempo, como a nossa. Logo, é fundamental que a biblioteca seja viva e se prepare para atrair e reter usuários com estratégias pensadas e sistematicamente ofertadas aos seus vários públicos: bebês, crianças, jovens, adultos.

Se alguém entra para ler jornal, por exemplo, pode ser cuidadosamente envolvido e convencido a testar outras leituras. Bibliotecas bacanas ficam subutilizadas muitas vezes porque falta este tipo de atendimento - conheci uma belíssima biblioteca-parque em Bogotá que passava os dias da semana praticamente vazia de público para tudo.

Como acontecia nas boas locadoras de "antigamente": tinha sempre um funcionário que nos apresentava aquele novo filme com aquele ator e aquele tema do nosso interesse e, dias depois, nos convencia a testar aquele filme com aquele ator que daquela vez fazia outro papel.

E lá íamos nós, saltitando entre comédia, drama, romance, ficção científica, cult, film noir. Testando palpites do cúmplice e aliado desta aventura cinematográfica.

Não nascemos sabendo e nem gostando de ler, por isso é preciso educar para ler desde a primeira infância Christine Fontelles, socióloga e diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, sobre a importância da orientação para a leitura

Divulgação


Minha convicção é de que não há jornada leitora sem o apoio de um leitor, no caso, um bibliotecário leitor. Os humanos precisam uns dos outros para aprender e neste caso não é diferente, mas essencial. E isso está dito em qualquer pesquisa já realizada sobre comportamento leitor.

Deve ficar ao gosto e às possibilidades do leitor se será em suporte impresso ou digital: na Biblioteca de São Paulo (zona Norte da cidade), por exemplo, leitores digitais estão disponíveis para os usuários, mas por enquanto só podem ser usados dentro da própria biblioteca.

Em países da Europa e nos EUA já existem empresas como a Public Library Online, que disponibilizam acervo digital aos usuários de bibliotecas públicas, que podem baixá-los em seus próprios dispositivos eletrônicos.

O que precisamos é ler, ler, ler, como dizia Castro Alves: "Bendito o que semeia livros à mão cheia. E manda o povo pensar! O livro, caindo n'alma. É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar!".

Infraestrutura

Acervo atraente e permanentemente atualizado, conforto térmico, iluminação adequada, atendimento cotidiano, incluindo à noite e em feriados são outros fatores determinantes para o seu bom desempenho.
A capacidade das bibliotecas de promover a leitura depende diretamente do uso que se faz delas. E o uso será cada vez mais intenso quanto melhor for a qualidade dos serviços prestados. E daí derivarão outros impactos.

A criação de uma rede de conectividade (internet banda larga) entre as bibliotecas é mais uma forma de promoção do intercâmbio de experiência e renovação do conhecimento. Sobretudo em um país como o nosso, com as proporções territoriais e diversidades, de modo a romper a defasagem que o isolamento geográfico inevitavelmente gera.

Até 2020 todas as escolas do país, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca Christine Fontelles, socióloga e diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, sobre a lei 12244/10
E, sim, bibliotecas em escola, comprometidas com seu projeto pedagógico e preferencialmente abertas à comunidade, pois há rincões neste país, mesmo em centros urbanos como São Paulo ou Rio de Janeiro, onde a escola é a única possibilidade de contato com a educação e a cultura.

Além do que, é uma estratégia importante para aproximar as famílias na construção de cultura leitora, que é tarefa pra toda uma vida, e deve começar em casa já na primeira infância, quando as crianças ainda não sabem falar.

O professor leitor, auxiliado por uma bela biblioteca na escola, pode muito. Agora é lei, número 12.244/10: até 2020 todas as escolas do país, públicas e privadas, devem ter uma biblioteca.

É preciso reconhecer que a biblioteca é um espaço organizado para a convivência cotidiana com a leiturae que não existe um usuário ou leitor típico, e sim uma multiplicidade de usuários e leitores agindo em nome de necessidades, valores, hábitos e expectativas variáveis.

E a boa biblioteca é aquela que atende e surpreende seu público com ofertas de leituras igualmente variáveis e reveladoras, que coloca à sua disposição todos os recursos para permitir o desenvolvimento de uma leitura de mundo apurada, sensível, inovadora, que contribua para que aprenda a aprender como atuar, ser sujeito, cidadão e solidário num mundo em permanente transformação.

Fonte:  UOL Notícias

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Pediatras americanos recomendam ler para bebês desde seu nascimento

Leitura estimula aquisição da linguagem e capacidade de comunicação.
Associação recomenda que pais leiam pelo menos até filho fazer 3 anos.


Da AFP

  Pais devem ler para estimular aquisição da linguagem e habilidades de comunicação, segundo Associação Americana de Pediatria (Foto: B. Boissonnet/BSIP)  
Pais devem ler para estimular aquisição da linguagem e habilidades de comunicação, segundo Associação Americana de Pediatria (Foto: B. Boissonnet/BSIP)
 
A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendou, nesta terça-feira (24), que os pais leiam para seus filhos do nascimento até pelo menos os três anos para estimular a aquisição da linguagem e outras capacidades comunicativas.

"Ler histórias com regularidade para crianças pequenas desde o seu nascimento estimula de forma ótima seu cérebro e reforça a relação com os pais em um momento crucial de seu desenvolvimento. Em contrapartida, as crianças desenvolvem a linguagem, o aprendizado da leitura e adquirem capacidades sócio-emocionais para o resto de suas vidas", explicou a AAP.

Esta recomendação se apoia no fato cada vez mais reconhecido pelos neurologistas de que uma parte importante do desenvolvimento do cérebro se dá nos primeiros três anos de vida.

A AAP recomenda aos pediatras que, durante suas consultas, promovam com os pais esta aproximação à leitura para recém-nascidos até os três anos de idade, quando as crianças entram no ciclo pré-escolar.
A academia destacou que uma criança em cada três nos Estados Unidos chega à pré-escola sem os conhecimentos necessários para aprender a ler.

A academia de psiquiatria lembrou que, a cada ano, 75% das crianças e 80% dos que vivem abaixo do limite da pobreza nos Estados Unidos não atingem um nível de leitura suficiente no quinto ano do ensino fundamental, ou seja, aos oito ou nove anos de idade.

A APP pede a "seus membros que incentivem todos os pais a ler em voz alta textos para seus filhos pequenos, o que pode reforçar a relação entre ambos e prepará-los para adquirir linguagem e as primeiras bases da alfabetização".

Embora alguns pais com nível superior leiam poesia e façam os filhos ouvir Mozart desde que estão na barriga da mãe, estudos mostram que muitos outros não leem histórias para os filhos com a frequência recomendada pelos cientistas.

Esta é a primeira vez que a AAP publica este tipo de recomendações, com as quais incentiva os pediatras a dar, além de conselhos, livros infantis para famílias carentes.

Fonte: G1

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pesquisador: impresso ainda é melhor meio de estimular a leitura

As histórias em quadrinhos foram o ponto de partida para que a produtora musical Magali Romboli transformasse a filha em uma leitora assídua. Nada de tablets, computadores e outros estímulos eletrônicos - Melissa Romboli Andriole, 9 anos, ainda prefere passar horas folhando as páginas de um livro. "É muito mais legal do que brinquedo", garante. Mãe e filha não são exceção: na hora de introduzir as crianças ao mundo da leitura, muitos pais abrem mão da tecnologia e continuam recorrendo ao tradicional impresso, medida apoiada por especialistas.

 Melissa Romboli Andriole, 9 anos, prefere passar
horas folhando as páginas de um livro
Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Magali conta que começou a estimular a filha ainda bebê, com livros de plástico para brincar na banheira. Aos poucos, o passatempo deu lugar a gibis e livros de história. Recorrer ao impresso foi uma das maneiras que encontrou para evitar que Melissa passasse o dia todo em frente ao computador e à televisão. "Talvez essas ferramentas não façam mal agora, mas como saber seu efeito quando ela tiver 50 anos?", questiona.

A preocupação com a saúde não é o único motivo pelo qual o impresso reina na casa da família. Segundo Magali, uma das grandes vantagens do livro em papel é a possibilidade de compartilhar histórias. De tempos em tempos, elas doam alguns exemplares para crianças carentes. "A Melissa pega livros emprestados da escola, leva o que está lendo em casa, comenta com colegas e com a professora. No tablet, você baixa o arquivo, outra pessoa baixa outro. Não é uma relação entre pessoas, é uma relação entre tecnologias", reflete.

Segundo o professor do Centro de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcello Barra, o livro impresso continua decisivo na formação de crianças e jovens. "Por ter muito mais estímulos, a mídia eletrônica dispersa quem está começando a ler. O saber e a profundidade são maiores no livro convencional", afirma. Barra explica que as possibilidades abertas pelo tablet podem estimular a criança a buscar novos conteúdos, em vez de se ater àquilo que está lendo. "O resultado é um conhecimento superficial. Os eletrônicos são uma raiz muito longa, mas não muito profunda. Eles são complementares. Nessa fase, incentivar a leitura por meio do impresso é o melhor meio de desenvolver a concentração", enfatiza.

Férias são uma boa época para estimular a leitura
Aproveitar o tempo livre é uma boa saída para desenvolver o gosto pelas obras literárias. Vale recorrer desde a séries infantis até ao gibi, aliado de Magali na formação da filha. "A linguagem objetiva das historinhas da Turma da Mônica ajudou a Melissa no início. Depois, para melhorar o repertório, pegamos livrinhos de histórias", conta.

O momento também é bom para fazer passeios culturais. "A melhor coisa é levar os filhos às livrarias, que cada vez mais têm seções voltadas a crianças e adolescentes. Lá, devem ajudá-las a escolher seus próprios livros", aconselha o professor. As bibliotecas públicas também podem estar no roteiro de férias. "Os pais devem dar o exemplo. É muito mais fácil a criança gostar de ler se ela está acostumada a ver os pais lendo", diz.

Outra alternativa para o período e que pode ser levada adiante durante o ano todo são as rodas de história. Segundo Barra, reunir a família é uma das melhores formas de instigar a curiosidade dos pequenos. "O ambiente familiar é muito rico e influencia muito na formação da criança", diz. 

Fonte: Terra

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Estímulo à leitura é desafio urgente

Mostrar a prática como atividade prazerosa é prioridade

Autor: Leonardo Meira - Jornal Santuário
03/06/2011

Cento e noventa e dois milhões de habitantes. Quinta nação mais populosa do planeta e um país de dimensões continentais repleto de... não leitores. Segundo dados da última edição do estudo Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2008, somente 66,5 milhões de pessoas encaixam-se no perfil “leitores” – leram ao menos um livro nos últimos três meses anteriores à pesquisa –, o equivalente a apenas 35% da população.

Os motivos para a falta de uma cultura literária no país são os mais variados. Passam pelos historicamente elevados preços das publicações, falta de políticas públicas claras para o setor, baixos níveis de escolaridade e de poder aquisitivo da população, ausência de equipamentos culturais eficazes – como bibliotecas públicas –, vinculação entre livro e obrigações escolares e, principalmente, o imaginário coletivo. Quem já não ouviu máximas como “o brasileiro não gosta de ler”, “não se interessa por cultura”? Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa Alfabetização, Leitura e Escrita (Alle) da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutora Lilian Lopes, essa é uma falsa ideia que termina por justificar a ausência de pesados e necessários investimentos nessa direção. “Se desejarmos um trânsito que seja livre e possível a muitos por toda a gama de esferas culturais, temos de entender que construir uma nação nesse sentido requer bastante esforço dos órgãos públicos e civis e é um projeto de longa duração”, afirma.

“Ler” ocupa o 5º lugar na lista do que o brasileiro mais gosta de fazer durante o tempo livre, com 35% da preferência (60 milhões de pessoas), segundo a pesquisa Retratos. E o que fazer para inverter essa equação? O consenso é que uma grande teia de relações precisa ser tecida, contando com o somatório de esforços de todos os agentes sociais.

Mesmo que ainda sejam necessárias ações mais efetivas de todas as esferas da sociedade para que mudanças mais plausíveis se concretizem, há sinais de que há esperança pela frente. Entre 2009 e 2010, por exemplo, houve um incremento de 9,6% nas vendas das livrarias de todo o país, segundo dados da Associação Nacional de Livrarias (ANL), e 13% a mais de pessoas consumiram algum bem cultural, de acordo com pesquisa feita pela Fecomércio-RJ. O número de leitores também aumentou consideravelmente entre 2000 e 2007, passando de 26 milhões para 66,5 milhões de leitores, conforme a Retratos.

Iniciativas do governo

As políticas públicas relacionadas ao Livro e à Leitura encorparam-se de modo especial Após 2003, com a sanção da Política Nacional do Livro. Essa lei assegura ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro, considerando-o meio principal de difusão da cultura. Outras iniciativas também foram criadas na última década, como o Prêmio Vivaleitura, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e também houve a desoneração fiscal sobre os livros. O PNLL estrutura-se com base em quatro eixos estratégicos principais, que têm como ponto comum a prioridade de transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia a dia do brasileiro. Já foram criados mais de duzentos projetos para democratização do acesso à leitura, diversos para fortalecimento de redes de bibliotecas, distribuição de livros gratuitos. Há cerca de 1.000 projetos e programas cadastrados.

O consultor e pesquisador de políticas públicas para o livro e leitura, Felipe Lindoso, acredita que faltam ao PNLL os mecanismos institucionais que permitam sua concretização. “Hoje, não há uma integração das diferentes ações governamentais, nem no governo federal e muito menos nos governos estaduais e municipais. Essa é uma questão que tem de ser encarada com mais decisão: fazer que o PNLL seja efetivamente um lugar de integração das ações dos diferentes níveis de governo e da sociedade civil, e para isso é preciso dispor de mecanismos institucionais mais eficientes”, opina. Todas as políticas públicas relacionadas ao livro e à leitura no país estão em processo de transferência de responsabilidade e coordenação para a Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
A entidade também está criando um programa de Livrarias Populares, com o objetivo de estimular editoras a produzirem livros com preços acessíveis e de boa qualidade gráfica e editorial, que serão distribuídos em pontos de venda espalhados no país. “O projeto tem como objetivo estimular a abertura de 10 mil novos pontos de vendas de livros.

Com um conceito parecido com o Programa Farmácia Popular, o objetivo é ampliar o acesso da população aos livros, estimulando o próprio mercado a produzir e oferecer produtos mais baratos (com preços de até R$ 10,00). Com o aumento de tiragem, o mercado editorial consegue produzir a custos mais baixos, sem comprometer a qualidade. Através de editais para distribuição, o Governo participa da compra de títulos, sem interferir no conteúdo editorial dos livros”, explica o presidente da FBN, Galeno Amorim.

Indústria editorial

Em 2004, houve imunidade com relação aos tributos que até então incidiam sobre a cadeia produtiva do livro (PIS e Cofi ns). Isso fez com que o preço fi casse mais acessível e aumentasse o volume de vendas – em 2009, houve incremento de 82 milhões de exemplares com relação ao número de 2004, segundo pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). “O público tem fome de livros e o apetite só tende a crescer. Como tornar essa relação mais virtuosa? Uma saída para diminuir o preço é aumentar a tiragem – se mais pessoas consumissem livros, haveria uma economia de escala que poderia reduzir o valor final. Além disso, também se poderia trabalhar com a ideia de uma tarifa mais acessível para a expedição de livros pelos Correios, pois há casos em que o frete torna-se mais caro que o próprio exemplar”, defende a presidente do Snel e vice-presidente técnica do Instituto Pró-Livro (IPL), Sônia Machado Jardim. Autor do livro O Brasil pode ser um país de leitores?, Lindoso acredita que seja preciso garantir o acesso à multiplicidade de bens culturais como parte integrante da cidadania e mesmo das condições de vida. Ele aponta os problemas de distribuição em um país de dimensões continentais e a ausência na sociedade brasileira de um movimento que incorporasse as bibliotecas como elemento fundamental de sua organização como alguns dos pontos frágeis da
indústria editorial brasileira. “O livro impresso em papel já está totalmente desonerado. Mas estamos diante do desafio do livro eletrônico, e os equipamentos leitores (e-readers) ainda têm uma pesada carga tributária. Os e-readers podem ter um papel muito importante no aumento dos índices de leitura, e esse assunto precisa ser resolvido. Por outro lado, ainda não temos medidas eficazes de fomento para o surgimento de novas livrarias e o estabelecimento de mais pontos de venda. A questão do preço fixo – que prejudica as livrarias independentes – não foi enfrentada. A difusão dos autores brasileiros (não só de literatura) no exterior também é muito precária”, avalia.

Biblioteca Pública

Uma das metas do PNLL é a implantação, modernização e qualificação de acervos, equipamentos e instalações de bibliotecas de acesso público nos municípios brasileiros. De acordo com Galeno Amorim, o Brasil está próximo de zerar o número de cidades sem bibliotecas – número que chegava a 1300 em 2003, segundo dados do IBGE. Esses espaços são vistos por grandes parcelas da população como “depósito de livros” ou lugares aos quais recorrer somente para pesquisas escolares. É nesse sentido que a visão da Biblioteca precisa ser transformada em seu valor simbólico no imaginário da população, passando a ser vista como local onde se estar alegremente, passear, como disponibilidade de acesso ao conhecimento e ao prazer de ler.

Implantar e equipar de modo qualitativo bibliotecas que sejam públicas são ações que podem resolver parte considerável do problema da falta de leitura. “Ao lado disso são necessários conjuntos de medidas que apontem para outras maneiras de significar esses lugares. Temos que considerar que em grande medida somos herdeiros de uma tradição cultural que vê a biblioteca como esse local sagrado, diferenciado. Esses significados se prendem a elementos de permanência. Como estar alegremente num local que costuma exigir silêncio absoluto dos usuários e é cheio de impedimentos de toda natureza? O desafio é buscar outros modos de compor, usar e praticar esses espaços”, indica a professora Lilian Lopes. Um exemplo disso é a Biblioteca Modelo de Manguinhos, inaugurada no ano passado, no Rio de Janeiro, com recursos do Ministério da Cultura. A área onde antes existiam galpões foi totalmente urbanizada e tornou-se local de maior concentração de equipamentos sociais em uma comunidade da cidade. “É uma biblioteca pública multifuncional. Seu formato contempla ludoteca, filmoteca, sala de leitura para portadores de deficiências visuais, acervo digital de música, cineteatro, cafeteria, acesso gratuito à Internet. Este é um exemplo de como o conceito de biblioteca pode ser ampliado, distanciando-se muito dessa ideia de ‘depósito de livros’. Precisamos avançar mais nessa direção”, complementa o presidente da FBN.

No entanto, pesquisa feita pelo próprio Ministério da Cultura e divulgada no final do ano passado aponta que a situação ainda é catastrófica. A maioria das bibliotecas abre precariamente nos horários comerciais (quem trabalha não tem acesso); falta pessoal especializado; o nível de informatização é baixo; a maioria das bibliotecas não possui sistemas informatizados e, principalmente, ainda não há um sistema de bibliotecas com hierarquia (bibliotecas de porte que supram as necessidades de regiões com maior quantidade de acervo), interligação e sistemas de empréstimos entre si.

Formação de leitores

Em meio à vasta gama de iniciativas sociais de fomento à leitura está o Grupo Projetos de Leitura, coordenado pelo escritor Laé de Souza. Um dos projetos do grupo chama-se Ler é Bom, Experimente! e é dirigido ao público infantil e juvenil das escolas públicas. Desde 2004, mais de três mil escolas em diversas regiões do Brasil já foram atendidas. Laé acredita que a formação do hábito de leitura nas crianças deve ser compromisso partilhado, especialmente, entre família e escola. “Na família, é indispensável a leitura dos pais para os filhos e a conversa sobre um texto lido. Aguçar a curiosidade para e leitura não é obrigação somente dos professores. Pais que gostam da leitura terão mais facilidade de formar filhos leitores. A escola precisa utilizar métodos para formar leitores. Para isso, é necessário que o aluno leia por prazer e que o próprio professor também conheça o prazer da leitura”, ressalta. Aí surge a necessidade crucial de transformar o professor em um mediador da leitura como atividade prazerosa, não tarefa penosa.

“É preciso despertar o interesse pela leitura. As dificuldades de acesso ao livro só são resolvidas quando o próprio livro ganha valor na vida de cada pessoa. É preciso incrementar ações efetivas no que diz respeito ao simbolismo do livro para conquistar novos leitores”, sugere a coordenadora de projetos do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla. O tipo de contato que os diversos núcleos – família, escola, entre outros – possuem com os materiais de leitura, a disposição em relação a essa prática, os modos de apresentar esses materiais, exercitar suas leituras, falar sobre elas, afeta diretamente o processo de formação dos futuros leitores. “Distribuir as leituras conforme a faixa etária – especialmente quando se trata da literatura para crianças e jovens – faz parte de nosso senso mais comum. No entanto, podemos olhar para outras categorias, como aquelas apoiadas nos distintos gêneros literários e níveis de leitura, por exemplo. Também na escola pode ser feita uma abordagem transdisciplinar, pois a escrita sempre diz respeito a todas as disciplinas, é uma responsabilidade a ser compartilhada por todos os profissionais e não cabe apenas (como se costuma pensar) ao professor de português”, defende a coordenadora do Alle.

A questão do analfabetismo funcional – pessoa que, mesmo com a capacidade de decodificar minimamente letras ou frases, sentenças, textos curtos e números, não desenvolve habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas básicas – também é um problema que precisa ser solucionado com ações mais efetivas junto à educação básica.

De acordo com a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, realizada em 2009, a taxa de analfabetismo funcional é de 20,3%. Isso significa que um em cada cinco brasileiros enfrenta o problema.

Retratos da Leitura no Brasil

Um dos principais estudos sobre o comportamento leitor no país é a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. A iniciativa é gerenciada pelo quarteto Instituto Pró-Livro (IPL), Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Já foram publicadas pesquisas em 2001, 2008 e uma terceira edição será divulgada no segundo semestre deste ano. Os resultados revelam o comportamento leitor da população, a percepção da leitura no imaginário coletivo, definem o perfil do leitor e do não leitor de livros, identificam as preferências dos leitores e os canais e formas de acesso à leitura e suas principais barreiras.

Confira os principais resultados da última edição:

Número de leitores
2000 - 26 milhões de leitores (1,8 livro lido por leitor/ano)
2007 - 66,5 milhões de leitores (3,7 livros lidos por leitor/ano)
* Vale destacar que as duas edições tiveram metodologias diferentes. A primeira comparação plenamente confiável da série histórica será possível apenas após a publicação da pesquisa deste ano.

Referência
60% dos leitores se habituaram a ver os pais lendo
63% dos não leitores nunca ou quase nunca viam isso em casa

Motivação para ler
63% leem por prazer, gosto ou necessidade espontânea

Motivação para comprar um livro
28% compra por prazer ou gosto pela leitura

Maior influência para ler
49% mãe (ou responsável mulher)
33% professora
30% pai (ou responsável homem)

O que a leitura significa
69% indica fonte de conhecimento é o valor mais associado à leitura

O que brasileiro gosta de fazer no tempo livre
Ler aparece em 5º lugar, com 35% da preferência (60 milhões), atrás de “Assistir televisão”, “Ouvir música”, “Descansar” e “Ouvir rádio”.

Frequência da leitura
1 vez por dia - 20% jornais
1 vez por semana - 27% revistas
1 vez por mês - 14% livros em geral

NÚMEROS
2% é a despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras com recreação e cultura (o equivalente a R$ 42,76), à frente apenas dos gastos com “fumo” e “serviços pessoais”

0,2% é a participação da despesa orçamentária com cultura no total da despesa das esferas de governo (federal, estadual e municipal). De acordo com os dados mais recentes, do R$ 1,538 bilhão de gastos orçamentários dos governos em 2005, apenas R$ 3,129 milhões foram destinados à cultura. É o mesmo que dizer que todos os níveis de governo do país aplicaram em ações culturais menos de 1% do que está previsto, por exemplo, para construir um estádio em Salvador para abrigar os jogos da Copa de 2014 (com capacidade para 44.100 pessoas, a obra está orçada em R$ 360 milhões) R$ 16,99 é o investimento per capita das três esferas de governo com cultura.

Fonte: IBGE

Dados extraídos do Blog do Galeno

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Hábito da leitura pode ser adquirido em qualquer idade; quer tentar?

Ligia Sanchez

Experiências de programas de incentivo à leitura mostram que o primeiro passo é cativar o potencial leitor, o que se faz com uma proposta desafiadora. "Depois da aproximação, as pessoas são capazes de apreciar a leitura e se interessar por diferentes gêneros”, afirma Maria Alice Armelin, do Cenpec - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária.

Para aqueles que acabaram criando aversão a ler, Silvia Colello afirma que é possível reverter este quadro com a própria magia da leitura. “Um exemplo foi o fenômeno que aconteceu há pouco tempo, da série de livros do Harry Poter, que atraiu milhões de crianças que não liam para a leitura. O importante é embarcar na grande aventura de ler”. Silvia é professora da Faculdade de Psicologia da USP e autora do livro “Textos em Contextos – Reflexões sobre o ensino da língua escrita".

Incentivo na infância é importante

Adquirir o hábito da leitura é um investimento a longo prazo, que se inicia muito cedo na vida das pessoas. "Sem prejuízo da atividade oral de se contar histórias sem livros, é importante ler para crianças desde muito pequenas. E não deve ser abandonada quando ela aprende a ler na escola", afirma a família tem papel crucial na formação do hábito de leitura. A maioria das pessoas que gostam de ler dizem que os pais foram quem mais as influenciou a tomar gosto pela coisa, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. “Isso nos leva a explorar a importância do exemplo, lendo na frente das crianças e para elas, mostrando os conhecimentos que foram adquiridos e a contribuição para sua formação profissional”, afirma Zoara Failla, gerente de projetos do Instituto Pró-Livro.

A pesquisa também mostra que as pessoas preferem ver TV, ouvir música ou simplesmente descansar em seu tempo livre. Como estimular a leitura em um ambiente dominado pela televisão, rádio e internet? Segundo Silvia Colello, a leitura não concorre com outras linguagens, é complementar. “Mesmo na TV aparecem coisas escritas. A leitura acaba enriquecendo e é enriquecida pelas outras linguagens, isso faz parte da pluralidade em que aparece no cotidiano.”

Confira dicas para estimular o hábito da leitura
  • Escolha um assunto que seja interessante para você. Não adianta brigar com as nossas preferências - se você não tem o costume de ler, não adianta tentar começar com O Banquete, de Platão. Gosta de futebol? Que tal começar pela biografia de um grande jogador? Se você ama gatos, talvez um belo exemplar sobre a vida e os hábitos dos bichanos seja sua melhor pedida 
  • Não gostou do livro que começou? Troque! Por que insistir num título que já desagradou nas primeiras páginas. Não se force a nada - pelo menos quando estiver tentando entrar no mundo da leitura
  • Se você prestar atenção, a escrita está em todo canto. É importante mostrar para as crianças o que os educadores chamam de ''função social da escrita''. Faça a lista de supermercado, deixe bilhetes, mostre o letreiro dentro do elevador...
  • Revista de fofoca, bula de remédio, embalagem de alimento, gibi, manual de celular. Vale tudo para iniciar o hábito de ler: a dica não é apenas para os temas, mas também para os tipos de ''obras''
  • Descubra quando, onde e como você gosta de ler. Toda forma é válida: em silêncio, deitado, no ônibus, ouvindo música... Cada um tem uma preferência. Pode ser até um exercício de autoconhecimento
  • É de pequenino... que se forma o hábito da leitura. Se você tem filhos ou convive com crianças, dê uma forcinha: leia com elas, leia para elas, peça para elas lerem. Tudo isso, lógico, de acordo com o conhecimento delas, a idades e os temas que interessem
  • Essa é para os educadores: na escola, a leitura não pode ser apenas por obrigação. Reserve espaço no cronograma para que os estudantes possam escolher os livros que preferem (adequando o grau de complexidade). Você vai perceber que eles começarão a desenvolver critérios para as escolhas e tendem a ser tornam bons leitores quando adultos
  • Frequente bibliotecas. Livro de papel é caro e ocupa espaço - pegar títulos emprestados pode ser uma boa opção para quem está começando. Outra dica são sites que disponibilizam obras para serem baixadas (de graça), como o Cult Vox 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Como despertar o interesse pela leitura

Matéria publicada em 25/01/2011

Redação Pritt

Foto: Jack Horst

Iniciar as crianças no mundo da leitura é papel dos pais e dos professores. A psicopedagoga Marcia Zebini, de São Paulo, explica que narrar histórias, interpretar, passear por bibliotecas e livrarias pode ser um ótimo começo para construir, tijolinho por tijolinho, um leitor apaixonado

Contar histórias é uma boa forma de incentivar a leitura?
Sim. Os pais devem ler para os filhos desde que são bebês. Isso estimula a parte criativa, percepção auditiva.

Na idade escolar, a partir de 6 anos, quando a criança tem contato com o livro, é importante que o adulto ajude no entendimento do que é lido.

Em muitos casos, a criança tem dificuldade de compreensão. Ler como eles motiva muito. Outra coisa que dá muito resultado é levar os filhos a bibliotecas, eventos com presença de autores e espaços infantis nas livrarias, onde elas possam escolher os livros.

Se os pais tiverem o hábito de ler pode ajudar?
Sim, porque você educa pelo exemplo. Muitas vezes, as crianças têm problemas na escola e com a leitura porque tem problemas familiares e emocionais. E quando os pais mudam a conduta e lêem junto com os filhos, melhora também o relacionamento entre eles. A partir do momento que o adulto para a correria, lê com o filho e interpreta, ele dá atenção, carinho, amor.

Como o livro deve ser trabalhado na escola?
Nas salas de aula, tem que ter um cantinho da leitura para que os alunos possam pegar um livro quando terminarem os exercícios. Se o professor sugerir uma leitura, faça um círculo, peça para cada um ler um trecho, faça perguntas, interprete. Isso vai desenvolver o senso crítico dos alunos. Caso contrário, eles não saberão interpretar o que estão nas entrelinhas do texto.

Você é a favor de ter uma avaliação sobre o livro?
Sou contra. Existem muitas maneiras de verificar se o aluno leu ou não o livro e acho que a prova desestimula. Nas primeiras séries, acho importante leitura em grupo, em círculo. Depois do sexto ano em diante, concordo que possa ter uma avaliação, mas isso não deve ter um peso muito grande. Pedir para dramatizar uma obra, por exemplo, é uma boa atividade.

Como estimular os alunos a freqüentarem mais a biblioteca?
Para tudo, a gente precisa de um modelo. Então, primeiro o pai e a mãe devem levá-los. Tem bibliotecas que podem ser um ótimo passeio. Eles podem ir, levar o livro para casa, ler com o filho e devolver depois. Dá trabalho, mas é uma forma de conhecer o espaço. Tem que mostrar para a criança que a biblioteca é um lugar que ela possa recorrer. O professor deve ir com a turma para a biblioteca, explicar como é o espaço, estimular os alunos a pegarem livros. Só assim eles vão conhecer o espaço e passar a frequentá-lo.

Fonte: Blog Pritt

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A leitura nas fases iniciais da criança

Matéria publicada em 15/12/2010


Dílson Catarino

"Pensamentos tornam-se ações; ações tornam-se hábitos; hábitos tornam-se nosso caráter e o caráter torna-se nosso destino" Essa frase de Dale Carnegie nos leva a refletir e a chegar à conclusão de que o momento adequado para começar a traçar o destino das crianças é já na primeira infância, ou seja, do nascimento aos três anos, pois é nessa época que se inicia a construção da personalidade e do caráter do indivíduo, e essa construção é que estabelecerá a qualidade de pensamentos que o cidadão terá no decorrer de seu desenvolvimento Isso não se faz apenas com estímulos externos, mas sim com o intelecto ativo, que é a faculdade pela qual as impressões recebidas pelos sentidos tornam-se inteligíveis É nessa idade que se pode despertar o gosto pela leitura, para, posteriormente, transformá-lo em hábito É importante, então, que o adulto que cuida da criança - nessa idade, de preferência, segundo os psicólogos, a mãe, mas, na falta desta, o(a) cuidador(a) - pratique o saber com ela, mas um saber instintivo, não direcionado, ou seja, a criança deve ter vontade de procurar o saber; a curiosidade deve ser a tônica dela Não se deve obrigar a busca do saber, e sim associá-la a um momento de prazer, a uma brincadeira, a algo lúdico

Se quisermos formar adultos leitores, teremos de iniciar o estímulo à leitura nos primórdios da infância, uma vez que o aprendizado da leitura é lento e difícil e cujo hábito é gradativamente adquirido: é indispensável deixar à disposição da criancinha livros de plástico, de tecido, de material sintético ou de papel mesmo, tomando o cuidado para não ser de papel muito fino, com o qual ela pode machucar-se, nem papel que rasgue facilmente, para evitar que se engasgue com pedaços dele Os pequeninos são muito curiosos e têm grande capacidade de observação Um livro cheio de belas ilustrações e cores estimula bastante a criatividade da criança e a habitua a manusear livros desde cedo Na primeira infância, não passará de um brinquedo e como tal deve ser tratado, mas já representa um estímulo à criação do futuro leitor Pode-se também ensinar a folhear revistas e livros à procura de figuras já conhecidas pelo bebê, contar histórias ou passar filmes que contenham personagens da literatura infantil Assim, a criança passa a ter a percepção de que o livro é algo interessante

O MELHOR ESTÍMULO É O EXEMPLO

Já as crianças que estão em idade de alfabetização se interessam muito pela leitura Esse é o momento adequado para incutir nelas o hábito de ler O melhor estímulo que os pais podem oferecer a seus pequenos filhos é o exemplo Crianças que sempre veem seus pais lendo serão jovens mais interessados na leitura que aqueles cujos pais raramente manuseiam livros Os pais podem deixar estrategicamente pequenos livros à disposição de seus filhos e folheá-los de vez em quando, mostrando interesse pelas gravuras e chamando a sua atenção para a beleza delas Podem também transformar livros em presentes esporádicos Para a criança, presente é algo importante; se livro for um presente constante, passará a ser mais importante para ela Aproveitemos, então, a época natalina em que estamos e presenteemos nossos pequeninos - não somente eles - com livros interessantes O respeito aos livros é essencial; ensinar a respeitar os livros também o é Quem aprende a cuidar dos livros desde pequeno, tem uma relação de deferência, de consideração, com as ''coisas'' culturais

Conforme as crianças crescem, maior é a quantidade de livros à disposição no mercado Mais fácil é, portanto, criar o edificante hábito da leitura Cabe aos pais, em primeiro lugar, e aos professores, em segundo plano - mas é igualmente importante o seu papel - a tarefa de formar jovens leitores Hábito é a disposição duradoura adquirida pela repetição frequente de um ato, portanto as crianças de hoje se transformarão em adultos apreciadores da boa leitura amanhã se aprenderem a ter essa disposição O esforço será recompensado mais tarde, pois somente assim o jovem se tornará o sujeito de seu processo pedagógico e educacional Isso auxiliará, posteriormente, nos estudos empreendidos na escola, pois, como disse J A Ruiz em seu livro Metodologia Científica: guia para eficiência nos estudos: ''Quem lê, constrói sua própria ciência; quem não lê, memoriza elementos de um todo que não se atingiu'' Que jovem queremos formar? Um construtor de sua ciência? Ou um mero memorizador de conteúdos?

AÇÃO AUTORREFERENTE

Está em nossas atitudes o destino que nossos pequeninos terão Se nos interessarmos pelo seu desenvolvimento, formaremos cidadãos curiosos e, consequentemente, criadores de seu próprio destino; serão cidadãos ativos na sociedade O interesse nisso não está tão somente no desenvolvimento deles, mas na nossa própria preservação, pois, quanto mais indivíduos interessados em viver com mais qualidade de vida, melhor será a minha própria vida e a de cada um de nós É, portanto, uma ação autorreferente: quero que os jovenzinhos de hoje sejam bons cidadãos no futuro para que eu mesmo tenha uma vida melhor!

Artigo: Formação de leitores: um estudo sobre as histórias em quadrinhos

As ilustrações não fazem parte do artigo

Mariana Oliveira dos Santos Bacharel em Biblioteconomia com Habilitação em Gestão da Informação pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. E-mail: mari.biblio@yahoo.com.br

Resumo: Tem como foco as histórias em quadrinhos (HQs) e sua contribuição para a formação de leitores. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, com caráter exploratório. Na qual se apresenta a trajetória histórica dos quadrinhos no Brasil, as características de linguagem e de estímulo à leitura, assim como a participação do bibliotecário e do professor como sujeitos mediadores entre os quadrinhos e as crianças. Como resultados finais, percebe-se que as HQs recursos eficientes para incentivar a leitura, são informativas e diversificadas, além de contribuírem na formação de leitores mais competentes.

Para ler o artigo na íntegra, acessar o endereço da Revista ACB

As ilustrações não fazem parte do artigo

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Literatura do 1º ao 5º ano: ajude os alunos a ler com autonomia

O início do Ensino Fundamental é essencial para os alunos desenvolverem autonomia e continuarem seu percurso para se tornar leitores. Nesta etapa, o melhor é estimular a troca de livros e de opiniões sobre o que se lê


Foto: Omar Paixão

É nos anos iniciais do Ensino Fundamental que o aluno começa a construir sua autonomia como leitor. Para isso, é importante intercalar a leitura feita pelo professor com momentos em que todos devem ler sozinhos tanto na escola como em casa. Mas nada de resumos e questionários padronizados para testar os estudantes. Mais produtivo, para quem quer formar leitores, é organizar rodas para o compartilhamento de opiniões, propor trocas de livros entre os colegas e incentivá-los a seguir um autor ou um tema de que gostem.

Por que ler

Se os estudantes já estão habituados às rodas de leitura e têm contato com os livros, cabe ao professor do 1º ao 5º ano começar a colocá-los em contato com textos mais complexos para ampliar a familiaridade com a literatura. "Que tal selecionar um romance que prenda a atenção da turma e ler um capítulo por dia?", sugere Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. Numa fase da vida (e da escolarização) em que é preciso dar espaço para que as crianças ganhem autonomia e consigam ler sozinhas com mais facilidade, perder o medo dos livros maiores é fundamental - e o mesmo vale para os gêneros considerados mais difíceis, como a poesia.

Quem lê

Além do professor, as crianças (mesmo ainda não plenamente alfabetizadas) devem ser estimuladas a ler. No contato pessoal com os livros, elas começam a desenvolver a autonomia - e isso só se faz lendo. Em classe, é possível também organizar atividades em duplas e, claro, discussões coletivas sobre
as obras.

Como ler

Do 1º ao 5º ano, é importante criar uma comunidade de leitores em classe - ou seja, espaços em que todos tenham a chance de participar e opinar. Em seus livros, Delia Lerner sugere "desenvolver, em cada ano escolar, atividades permanentes ou periódicas concebidas de tal modo que cada um dos estudantes tenha a possibilidade de ler uma história para os demais ou escolher um poema para ler aos colegas". Outra sugestão é incentivar os alunos a trocar livros e indicações de autores. Eleger um tema de interesse comum (piratas ou histórias de terror, por exemplo) e ler vários textos desse tipo também costuma funcionar.

Quando ler

O ideal é que a rotina diária inclua momentos de leitura em aula e que os alunos sejam incentivados a levar exemplares para ler em casa - por hobby mesmo, sem que isso vire uma tarefa obrigatória.

Onde ler

"Não há leitor que só goste de ler num único lugar. Ele lê na cama, no sofá, no chão, na mesa do café... Por que na escola isso seria diferente?", indaga o professor de Literatura João Luís Ceccantini, da Unesp. Variar os ambientes de leitura deixa o ato de ler menos previsível. Aproveite o pátio, a grama, a sombra de uma árvore, a sala de leitura...

O que ler

Na hora de escolher os livros, fique atento ao conteúdo, evite obras moralistas ou politicamente incorretas e valorize a qualidade da edição (ilustrações, linguagem etc.). É importante trabalhar com textos de gêneros variados e a lista deve incluir obras clássicas e contemporâneas (confira abaixo sugestões de leitura para os anos iniciais do Ensino Fundamental).

Foto: Omar Paixão

Os erros mais comuns

- Transformar a leitura numa atividade entediante. Quando a literatura faz parte de uma tarefa burocrática e obrigatória, muitas crianças se afastam dela.

- Avaliar a leitura por meio de provas e resumos. Evite os questionários. Ampliar os debates sobre os textos ajuda a aumentar o envolvimento da turma.

- Ignorar os gostos de cada um. É nessa fase da escolarização que começam a se consolidar as preferências pessoais. E isso tem de ser respeitado e aproveitado.

Publicado em Agosto 2010

Fonte: Nova Escola

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Leia para seu filho

Essa brincadeira gostosa, que estreita os laços familiares, também ajuda no desenvolvimento pedagógico e psicológico da criança e deve ser encarada com seriedade

por Camila Carvas

O vendedor paulista Wellington Medeiros, de 32 anos,
sempre lê para sua filha, a pequena Laura, de 2 anos e meio

Era uma vez” é o começo de uma história que pode fazer toda a diferença no desenvolvimento infantil. Quando papai e mamãe — professores e até irmãos mais velhos — se sentam com os pequenos para ler um livro ou contar uma historinha, mais do que um mundo encantado de fantasia, eles estão descortinando uma verdadeira experiência de aprendizado. Par acompletar, essa aula ainda pode ser transformada em momento de intimidade e amor familiar que, muitas vezes, se perde em meio ao caos do dia a dia. Mas, como toda brincadeira de criança, a “contação” é coisa séria.

Ao lado de bonecas e carrinhos, ela funciona como um mediador da relação entre a meninada, os adultos e o mundo. E, apesar da sua importância pedagógica e psicológica, deve ser mantida sempre no campo da arte, e não no do exame, como é comum acontecer na escola. A atividade deve ser lúdica e divertida, sem imposições, cobranças, tarefas ou castigos. “Tudo o que é feito com e para as crianças precisa ser envolvente e realizado com afeto”, diz Christine Fontelles, responsável pelo Programa Ler É Preciso, do Instituto Ecofuturo. Não há motivos, então, para ser diferente com as histórias.

Contar e ler um relato deve ser algo prazeroso. É por meio dessas atividades, e do contato com o imaginário e com a ficção, que meninos e meninas descobrem e expressam sentimentos que não conheciam ou ainda não eram capazes de compreender. “Devido ao próprio estágio de desenvolvimento, as crianças não possuem muitos recursos para administrar esse lado emocional”, conta a psiquiatra Marisol Montero Sendin, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Como a linguagem verbal ainda é incipiente, a forma natural de expressão são a imagem, o jogo e o faz de conta. “Na falta de outras possibilidades, a dificuldade de lidar com as emoções se manifestará por meio da agressividade, problemas de aprendizado, de sono ou alimentares”, diz Marisol. Enquanto os personagens enfrentam coisas estranhas, a garotada tem contato com o medo, o ciúme e o luto. Em um diálogo interno, adquirem conceitos e vivenciam experiências valiosas. Cada conto que a criança conta contribui para a construção de um autorretrato para o qual ela pode olhar, pensar e mudar.

O famoso “senta que lá vem história” não tem momento certo ou idade mínima para começar. A paulistana Laura Volponi Medeiros, de 2 anos e meio, já era uma ouvinte atenta mesmo antes de nascer. “Quando estava grávida de Laura, minha mulher se sentava na cadeira e, enquanto namorava a barriga, lia um monte de livros”, conta o pai da menina, o vendedor Wellington Medeiros, de 32 anos. Hoje, mesmo sem ter sido alfabetizada, a menina adora “ler”. Nos semáforos, sempre que possível pede para Medeiros pegar jornais gratuitos e propagandas e os folheia do alto de sua cadeirinha de segurança.

Como uma esponja, a criança tende a absorver tudo que os adultos ao seu redor fazem. É assim que ela aprende, por imitação e repetição. Portanto, se os pais leem, as chances de os filhos se tornarem leitores é enorme. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, uma associação sem fins lucrativos cuja missão é fomentar a leitura e a difusão de livros, revela que um em cada três leitores brasileiros se lembra de ter visto a mãe lendo alguma coisa. O levantamento mostra também que 49% do público adulto considerado leitor, ou seja, que leu pelo menos um livro nos últimos três meses, se refere à figura materna como a pessoa que mais o incentivou. Entre garotos e garotas, esse número sobe para 73%. Mas os pais também têm um papel de destaque nesse cenário. Afinal, 30% dos leitores os consideram como maiores responsáveis por incutir neles o prazer de conjugar o verbo ler.

Por falar em verbos, não importa se se trata de ler ou de contar histórias, ambos desenvolvem a criatividade, imaginação e o raciocínio lógico da meninada. Estudos indicam, inclusive, que a leitura em voz alta na primeira infância melhora o desempenho escolar. Permitir que os pequenos inventem novos finais deixa a brincadeira ainda mais estimulante. “Aqui no Brasil, onde os livros infantis são muito caros, vale recortar figuras de jornal e revista, fazer colagens, pintar com o dedo e criar sua própria obra”, sugere Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O mais importante é a interação: ao desenhar, modelar ou recontar uma história, a criança põe para fora fatos do seu próprio mundo.

Para os pequeninos, comprar livros de plástico, que possam ser usados até no banho, ou mesmo mordidos, é uma boa sugestão. Os de pano, laváveis à máquina, também são interessantes. “Os livros têm que ser de posse”, explica Maria Ângela. “Deve-se ensinar à criança que é preciso tomar cuidado com eles, que não se pode rasgá-los, mas sem impor nenhum tipo de obstáculo a seu acesso”, explica. Quando ela estiver cansada e dispersa, por exemplo, é possível contar uma história em capítulos, como nas novelas. Assim, no dia seguinte, continuará curiosa e disposta a ouvir um pouco mais.

Outra estratégia é guar dar os livros junto com os brinquedos. Na casa da Laura, nossa futura leitora, os livros estão todos ao seu alcance. “Ela mesma escolhe e pega a história que quer ouvir”, diz Wellington Medeiros. A literatura também pode colaborar no tratamento de traumas, doenças e dificuldades psicoemocionais (veja o quadro "Contação" terapêutica). No final das contas, isso ajuda a melhorar a imunidade e até a cicatrização. Ler ou ouvir histórias traz benefícios ao corpo e à mente infantis.

Fases da leitura

›› O bebê apenas responde ao ritmo e ao tom da voz do leitor. Frases ritmadas, como cantigas e poemas, dão o estímulo certo.

›› Quando a criança já balbucia, jogos rítmicos sonoros são perfeitos. Experimente frases como “janela, janelinha, porta e companhia”.

›› Se ela já fala algumas palavras e mantém a atenção por mais tempo, conte histórias ligadas às experiências dela. Depois, entram em cena relatos com fenômenos naturais e bichos.

›› Mais para a frente, temas como medo, ciúme, raiva, amor e amizade são bem-vindos.

›› Com a ampliação de seus horizontes, histórias fantásticas, de outros países e planetas passam a gerar mais curiosidade.


“Contação” terapêutica

Para a psicanálise, as histórias têm um caráter mais simbólico e ajudam a elaborar as emoções dos pequenos. Já na terapia cognitivo-comportamental — muito usada em casos de abuso físico ou sexual — elas também oferecem sugestões de enfrentamento. Quando se trata de uma doença física, os relatos acolhem o sofrimento psicológico. “Como uma pessoa não pode manifestar dois tipos de humor ao mesmo tempo, a ‘contação’ a tira de um estado depressivo e a transporta para a euforia, o que diminui a produção de hormônios corticoides”, explica a psiquiatra Marisol Montero Sendin. Segundo a Associação Viva e Deixe Viver, que desenvolve um trabalho voluntário de leitura para crianças com problemas mentais no Instituto de Psiquiatria do HC paulistano, cerca de 60% dos garotos e garotas atendidos pelos contadores passaram a se alimentar melhor. E, graças aos valores de coragem e força transmitidos pelas histórias, se socializam mais com médicos e enfermeiros.

Como contar um conto

›› O livro deve ser usado conforme a necessidade de desenvolvimento da criança. Para cada fase, um modelo diferente: para morder, para mexer, para olhar, para ver as figuras e, claro, para ler.

›› A “contação” pode ocorrer em casa, na creche, na escola, no hospital, na faculdade, em encontros literários. Ela faz parte da nossa natureza.

›› Guardar os livros junto com os brinquedos e deixá-los ao alcance das crianças não cria obstáculos nem transforma a literatura em algo sério e chato.

›› Inventar histórias, mudar os finais, cortar e colar figuras, montar cenários, encenar, moldar massinha e desenhar também é divertido. Crie o seu próprio livro.

Foto Omar Paixão - Ilustração Mariana Coan
 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Projeto estimula leitura para crianças

A intenção do “Ler e Escrever”, aplicado em uma escola municipal, é fazer com que os alunos não leiam por obrigação

Quando você imagina uma sala de aula com 25 alunos de, em média, 8 anos de idade, o que vem à sua mente? Gritaria, conversas, brincadeiras, risadas e muita leitura. Sim, a leitura faz parte desse contexto e a pretensão é crescer ainda mais. Pelo menos é esse o objetivo do programa “Ler e Escrever”, da Secretaria Municipal de Educação.

Um dos lugares de aplicação do projeto é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Lydia Alexandrina Nava Cury. O coordenador pedagógico, Jair Sanches Vieira, explica que o programa é recente, mas está otimista em relação aos resultados.

“O projeto com os alunos começa no próximo semestre. O primeiro semestre foi apenas de preparação. A Secretaria de Educação ofereceu cursos aos coordenadores para qualificá-los e mostrar como tocar esse programa. Os coordenadores passam aos professores, que é quem lidará diretamente com os alunos”, explica.

São distribuídos dois cadernos: um ao professor e outro ao aluno. O docente tem as diretrizes sobre os métodos de conduzir as atividades. Já o aluno tem as atividades em si, que precisam ser lidas para serem desenvolvidas.

“Por exemplo, o caderno do professor traz o local adequado para se conduzir uma brincadeira, já no do aluno aparecem as regras desse jogo. Para que a brincadeira possa acontecer, é preciso que eles leiam. É um modo de estimular a leitura por meio da brincadeira”, complementa o coordenador.

Segundo a diretora da escola, Maria da Graça Bertolini Silva, além do aprendizado, a sociabilidade do aluno também é estimulada. “Quando há uma brincadeira, os alunos precisam estar em contato com outros. E no próprio processo de leitura das regras isso ocorre. Temos partes no caderno que falam para o aluno ler para si e outras que falam para ler e divertir o outro”.

Outro ponto diferencial no material é a questão dos gêneros literários. Por todo o caderno existem poemas, quadrinhos e até piadas. De acordo com a diretora, “eles já têm esse conhecimento de gêneros literários diferentes na 3.ª série. E eles notam que há diferença entre os textos. Isso é enriquecedor”.

O coordenador pedagógico Jair Vieira explica que o grande trunfo do projeto é criar o hábito da leitura. “O ideal é fazer as crianças lerem por gosto. Ler pelo prazer de ler. Quando você lê apenas por obrigação, a leitura perde o seu gosto. E é oposto a isso que estamos estimulando aqui”, conclui.
A importância do pré
Atualmente, o projeto “Ler e Escrever” é destinado aos alunos do 3.º ano do ensino fundamental. Quando questionado sobre o motivo da escolha desse público-alvo, Jair Vieira afirma que é devido à disparidade apresentada entre as crianças que fizeram e as que não cursaram a chamada fase “pré-escolar”.

Segundo ele, no ano passado a Secretaria de Educação, em conjunto com as escolas, verificou uma grande dificuldade em lidar com o 3.º ano, por ser exatamente onde as crianças com e sem o pré se reúnem e, consequentemente, as diferenças começam a ficar mais evidentes.

“Nos primeiros anos, há a progressão continuada. Então, no 3.º ano, há crianças com conhecimentos muito diferentes. Por isso, esse ano foi escolhido para a aplicação do projeto. A ideia é estender para os demais anos, mas o começo foi com o terceiro por ter sido constatado esse problema”.

O coordenador pedagógico ainda afirma que o pré é importante para o contato social do aluno. De acordo com ele, “a educação infantil faz com que a criança tenha uma convivência social. A sociabilidade é um dos principais objetivos dela. Quando o aluno vem direto para o primeiro ano, ele pula essa parte. Então, o pré é muito importante por isso”.

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‘Eu amo ler’, diz Yasmin, de 8 anos

Hoje em dia, há uma grande programação infantil nas grades das televisões. E muitas vezes, as crianças fogem dos programas destinados a elas e acabam assistindo a atrações não recomendadas, como novelas polêmicas e filmes violentos. Mas, será que toda criança tem esse apreço enorme pela TV?

Yasmin Rosalin Francelina Moreira, de 8 anos, afirma que não. Quando perguntada se gosta de ler, a garota é enfática: “Eu amo”. Ela afirma que a leitura a diverte mais do que a televisão. “Na leitura, a gente imagina as coisas como se estivessem acontecendo. Quando estou lendo e falam de um sítio, imagino um sítio na minha cabeça. Na TV, já vem tudo pronto”, conta.

E a leitura realmente auxilia no aprendizado. No momento em que seu nome era anotado para ser citado na reportagem, Yasmin foi rápida para não haver dúvidas: “Meu nome é Yasmin. Com ‘y’ no começo e ‘n’ no final”.

Já Lucas Jesus Oliveira, da mesma idade, gosta de passar algumas horas em frente ao televisor, porém, sabe que ler tem uma grande importância. “Na TV tem bastante coisa para assistir. Mas, para aprender, é melhor a leitura. Eu levei um monte de livros para casa e estou lendo. Gosto de um que tem uns ratinhos que ficam procurando aventuras. É bem legal”.

A professora do 3.º ano do ensino fundamental, Roseli Corrêa de Oliveira, acredita que o gosto pela leitura em crianças como a Yasmin e Lucas é devido a um estímulo que cresce nos dias de hoje.

“Atualmente, há muitos livros, bibliotecas à disposição, etc. Antes, não era tanto assim. E isso faz com que a leitura cresça também. É algo importante, pois ler é fundamental. Ler abre horizontes e preenche o ser humano em todos os pontos”, conclui.

Matéria publicada em 08/07/2010

sábado, 17 de julho de 2010

Histórias para aproximar

Imagine você morar longe ou estar longe de uma criança e mesmo assim contar uma história para ela. Pela internet, tudo é possível

Cristiane Rogerio

Passei uns dias este ano na casa de minha amiga Cláudia, que tem três filhos e – também por meu incentivo – uma casa cheia de livros infantis, nos Estados Unidos, onde mora desde 2004. Tanto a Cláudia como o marido dela são sempre ávidos por novas leituras e, claro, os filhos vão no embalo.

Por razões óbvias, essa casa tem um acervo diferente dos daqui: há livros em inglês e em português. E, pela “bilinguidade” ali existente Olívia e Thomas, os mais velhos, já estão acostumados em ouvir histórias em mais de um idioma. Para meu espanto, não bastava somente ler um livro escrito em inglês e um livro escrito em português. Algumas vezes, eu tinha que ler o livro escrito inglês traduzindo para o português. Eles curtiam muito esta diversidade. E, claro, principalmente o meu jeito de contar, de ler, não por ser melhor que o dos pais, mas por ser diferente. Quem não quer experimentar um jeito diferente de ouvir uma história?

Há algum tempo, descobri uns sites estrangeiros que você pode clicar num livro e gravar um vídeo lendo uma história. No início, confesso que achei meio triste, porque as crianças estariam lendo ou ouvindo uma história por meio do computador. Porém, conversando com a Paula Perim, ela viu o lado muito bom de tudo: crianças distantes de avós, de tios queridos, ou até vivendo aqueles dias da viagem da mãe ou do pai podem garantir o contar de histórias do adulto que mais ama. Ela mesmo tem um caso deste na família e ficou muito animada com a possibilidade.

Deixei meu mau humor de lado e fiquei sonhando com a chance de voltar a contar histórias para Olívia e Thomas e, quem sabe, para Nina, a mais nova. Os sites que conhecemos aqui são estes, todos em inglês: http://www.astorybeforebed.com/ e http://www.readeo.com/. Mas pensei que isso pode ser feito numa simples gravação postada no site youtube.com, imagine? Porque a voz da pessoa amada, da pessoa que foi construída a relação afetiva com a criança pode ser ouvida agora, pela internet, de qualquer lugar do mundo. Tem maravilha maior? As histórias, sim, aproximam. Mas do que qualquer distância “pense”.

Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bebeteca estimula a leitura nas creches

Bruna Gonçalves
Diário do Grande ABC

A importância da leitura não é novidade. Mas muitos desconhecem que o estímulo e o interesse pelos livros começa muito cedo, antes da idade pré-escolar, ainda bebê. Para tanto, decoração e mobília atraentes. Esse é o conceito das bebetecas, bibliotecas escolares voltadas a crianças de até 3 anos.

Há um ano e meio, a Prefeitura de Ribeirão Pires investiu na criação desse espaço nas 15 creches, atendendo 1.360 alunos dessa faixa etária.

Segundo a secretária de Educação e Cultura, Rosi Ribeiro de Marco, o objetivo é a formação de novos leitores. "A preocupação é despertar o interesse na criança, que só acontece na pré-escola, mas aliada à diversão. O acervo é diversificado, com livros de sons, texturas, formas e histórias de animais", disse.

A intenção da secretária é também estimular a participação da família. "Todo fim de semana os alunos levam para casa um livro. Sabemos que muitos trabalham, mas é importante esse momento com os filhos."

Para a professora de literatura infantil Renata Junqueira de Souza, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente, a família é a primeira mediadora da leitura. "Os pais precisam ser leitores e estimular os filhos. Não podem deixar essa função apenas para a escola", disse a professora, que afirma que falta o hábito da leitura na sociedade brasileira.

COLORIDO - Cores atraentes, prateleiras baixas cheias de livros com capas coloridas, texturas diferentes, pinturas na parede, alguns brinquedos e bichinhos de pelúcia espalhados pela sala e um tapete de borracha. É nesse ambiente que as crianças da Emei Angelina Denadai Bertoldo, em Ribeirão Pires, têm os primeiros contatos com o mundo literário. Segundo Renata, pesquisas mostram que crianças ‘apresentadas'' a livros desenvolvem a fala mais depressa.

Segundo a diretora da escola, Lígia Gallo, todos os dias os alunos visitam o espaço. "As crianças permanecem por meia hora. Há momentos em que a professora conta uma história. Em outros, os alunos é que escolhem um livro ou simplesmente mantêm contato com o acervo", disse.

Para a diretora, as crianças ficam animadas para esse momento. "Elas entram já interagindo, por conta do ambiente colorido, que chama a atenção", contou Lígia, que durante as reuniões tenta conscientizar a importância da leitura para os pais.

BENEFÍCIOS - Para a coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, Maria Angela Barbato Carneiro, a bebeteca estimula o desenvolvimento da memória, da linguagem, do raciocínio, além da interação com as crianças.

São Bernardo e Diadema possuem acervos para bebês

Em São Bernardo, as escolas contam com bibliotecas que possuem acervo para crianças até 3 anos. Segundo a chefe de seção das bibliotecas escolares, Maria do Carmo Cardoso Kersnowsky, o local possui livros de acordo com a idade. "Nessa faixa etária, priorizamos os livros de banho, de bichinhos e fantoches para estimular o interesse pela leitura. Ao todo são 35 bibliotecas nas escolas. As que não possuem, tem espaço com livros."

A coordenadora pedagógica Dislene Sousa, da Emeb Cecília de Oliveira Turbay, no Riacho Grande, explica que há o projeto Biblioteca Circulante, em que o livro é levado para casa. "A criança fica por uma semana com o livro. Há uma rotina na escola, em que vão duas vezes por semana à biblioteca."

A Prefeitura de Diadema informou que nas 15 creches há espaços voltados para a leitura e um brinquedista que realiza atividades com os alunos.

Santo André informou que não possui e as demais prefeituras não responderam.

Pais aprovam iniciativa em creches da região

Muitos pais admitem que o desenvolvimento dos filhos melhorou após o contato com os livros. O coordenador de produção, Edílson Aparecido Gimenes, 42 anos, de Ribeirão Pires, notou a diferença nos filhos gêmeos de um ano e meio. "Há um interesse maior. No fim de semana, quando chegam com os livros, ficam ansiosos para a leitura. Mostro sempre as imagens, a escrita e a atenção é total. Além disso, procuramos deixar umas publicações em casa, de fácil acesso", disse.

A professora de Ribeirão Pires Luzinaide Mota Klen, 35, mãe de um menino de um ano e nove meses, admite que ele está desenvolvendo a fala melhor que os outros dois filhos que não tiveram o contato com livros. "É estímulo importante. Há vezes em que ele não deixa eu fazer janta para ficar contando histórias", explicou.

O incentivo no ambiente escolar desde pequeno é fundamental, na opinião da técnica em nutrição Giuliana de Oliveira Tibério, de Ribeirão Pires. "Nem sempre há tempo em casa, e começar a estimular a leitura ainda pequeno traz um resultado benéfico", disse a mãe de um menino de um ano e sete meses.

Para a psicóloga Márcia Murinelly Gomes, 48, de São Bernardo, os livros ajudam no desenvolvimento da imaginação e da fala. "Em casa, tenho uma estante com vários livros para estimular minha filha, de dois anos e oito meses. É nesse momento que começa a despertar o gosto pela leitura."

Especialistas dão dicas de como estimular a leitura em casa

Mesmo que a escola não ofereça uma biblioteca ou os pais não tenham condições de comprar livros, a coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, Maria Angela Barbato Carneiro, dá algumas dicas de como os pais podem improvisar.

"O que importa é o contato da criança com as cores, figuras e texturas. Isso não é encontrado apenas nas livrarias", disse.

Segundo a coordenadora, os pais podem usar embalagens de papelão e recortá-las em vários formatos e tamanhos. Ela também sugere pegar tecidos de várias texturas e colocar no papelão para que a criança conheça as diferenças por meio do tato. "São pequenas coisas que fazem com a criança exercite a estimulação visual e sensorial, além da imaginação e do raciocínio. Assim ela irá conseguir diferenciar no futuro com mais facilidade."

Publicado em 4 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

Leitura - Exercício para mente e alma

VISITA: Fernanda e Letícia Biagi frequentam
semanalmente a biblioteca municipal acompanhadas
 pela mãe, Ester, que estimula a leitura diariamente
 com meia hora do exercício todas as noites

Ler é uma atividade que requer dedicação; alguns projetos estimulam a prática e facilitam o contato com obras diversificadas

Fernanda Mariano
fernanda.mariano@folhadaregiao.com.br

Em tempos de páginas virtuais e downloads de obras literárias completas, as bibliotecas mantêm fiéis frequentadores. Não têm mais o mesmo número de adeptos que já a procuraram um dia, mas está entre as tradicionais alternativas que estimulam e mobilizam para o exercício de ler. Especialistas frisam que a leitura é um hábito a ser desenvolvido. Precisa ser exercitado! As bibliotecas surgem como as academias próprias para o desenvolvimento desta habilidade, mas muitos outros projetos que priorizam a literatura podem ajudar neste processo.

Pessoas como Ester Alves Domingues Biagi e as filhas Fernanda, 8 anos, e Letícia, 11, visitam religiosamente a biblioteca Rubens do Amaral, em Araçatuba, pelo menos uma vez por semana. "Todos os dias, antes de dormir, temos um momento para a leitura, quando lemos por pelo menos meia hora", conta a mãe. "Com isso, sempre estamos em busca de novas obras", diz.

"A biblioteca tem, hoje, condições de atender públicos diversificados; e ainda é procurada por estudantes que querem complementar pesquisas e por pessoas que gostam do ambiente tranquilo para o estudo", afirma a responsável pela biblioteca Rubens do Amaral, Marlene Umbelina Martinez Rodrigues.

De acordo com dados atualizados desta biblioteca, 21.138 araçatubenses - aproximadamente 10% da população - estão cadastrados, somente nesta unidade, para o empréstimo de obras. Marlene afirma que cerca de 5 mil pessoas passam, por mês, pelo lugar, para consultas e busca por livros.

Uma procura que poderia ser maior se houvesse mais consciência sobre a importância da leitura. "Trata-se de uma atividade que engrandece a pessoa intelectualmente e emocionalmente", comenta o professor de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa, Carlos Eduardo Brefore Pinheiro, coordenador de uma escola particular de ensino fundamental e professor de gradução.

O especialista destaca a necessidade de empenho e dedicação no ato de ler. "A leitura é um exercício, precisa ter metas, a curto e longo prazos", destaca. "Sabemos que existem vários níveis de leitura e para alcançar o estágio no qual ela se torna um prazer, é preciso praticar", ensina.

Por isso, o professor ressalta, é necessário especial estímulo na infância, para o desenvolvimento de adultos leitores. "Vale lembrar que essa habilidades capacita o indivíduo para ações do dia a dia, para leituras nas entrelinhas, percepções diferenciadas e o exercício da cidadania", destaca Carlos Pinheiro.

LEIA

Hoje, Dia Nacional do Livro, é uma boa data para dar início a um programa de aperfeiçoamento à leitura. Existem várias opções de projetos de responsabilidade social que podem contribuir para esse propósito. Algumas entidades mantêm espaços para essa atividade e disponibilizam obras literárias e periódicos para a população.

O projeto "Livro para todos", coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, conta com 19 pontos de distribuição. Neles, os responsáveis deixam obras diversificadas à disposição da população. A ideia do projeto é que os leitores levem o livro para casa e, depois, devolvam no mesmo local, que deve ser de seu fácil acesso.

Entre os pontos estão algumas das UBSs (Unidades Básicas de Saúde), como a do Jardim Planalto; o 1º Cartório de Notas e Protestos, empresas comerciais de vários pontos da cidade além da própria secretaria de Cultura.

O "Livro para todos" precisa, permanentemente, de doações de livros, que podem ser feitas na própria Secretaria Municipal de Cultura (rua Anita Garibaldi, 75, Centro) ou nos pontos de distribuição, identificados com um cartaz que destaca o nome do projeto. O telefone para informações é o (18) 3636-1270.

A leitura e consulta a obras literárias também podem ser realizadas por meio do projeto "Leitura livre", do Sesc (Serviço Social do Comércio). A entidade disponibiliza revistas e jornais em sua sede em Birigui e na sala de leitura do Polo Avançado em Araçatuba. Neles, há uma estante que reúne as publicações disponíveis, inclusive livros. A consulta pode ser realizada de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Em ambas as cidades, não é permitido retirar as obras da central de atendimento. O Pólo Avançado do Sesc em Araçatuba fica na rua José Bonifácio, 39, no centro. Em Birigui, o Sesc fica na travessa Sete de Setembro, 05, Vila Xavier. Informações (18) 3608-5400 ou (18) 3642-7040.

O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) permite que a população utilize os serviços de sua biblioteca. Basta fazer uma inscrição para realizar o empréstimo. O local fica aberto de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h, na sede da instituição, na avenida João Arruda Brasil. 500.

Em Araçatuba também há iniciativas de empresas privadas que fomentam a leitura. Os interessados devem buscar informações nas bibliotecas de escolas, entidades e empresas particulares.

Matéria publicada em 29 de outubro de 2009

Fonte: Folha da Região